"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

outubro 11, 2011

PRIVATIZAÇÃO, 20 ANOS E O P artido T orpe


O processo de privatização brasileiro está completando 20 anos. Foi em 24 de outubro de 1991, com a venda da Usiminas, que o Estado começou a sair de setores relevantes da economia.


O processo rendeu ganhos visíveis à sociedade, aos quais o PT, felizmente, começa agora a se curvar, depois de anos de resistência.

Naquele início dos anos 1990, o Estado estava metido em praticamente todas as atividades da vida do brasileiro.

Eram siderúrgicas, como a Açominas e a CSN; mineradoras, como a Vale;
dezenas de bancos;
petroquímicas;
ferrovias da antiga RFFSA;
companhias telefônicas reunidas no Sistema Telebrás;
fabricantes de aviões, como a Embraer;
e até hotéis, como o de Araxá (MG).

Desde então, 120 companhias públicas federais e estaduais - a maior parte delas então deficitárias - foram levadas a leilão, reduzindo o peso sobre as contas públicas e abrindo caminho para a modernização da economia brasileira como um todo. Com as privatizações, fechou-se um sorvedouro de dinheiro do contribuinte.

Todo o processo, articulado em torno do Programa Nacional de Desestatização, lançado no governo Collor, rendeu US$ 106 bilhões aos cofres públicos, dos quais US$ 88 bilhões com receita de venda e US$ 18 bilhões em transferência de dívidas, como mostrou O Globo no domingo, com base em números do BNDES.

Atualmente, os 20 maiores grupos nascidos do processo de privatização já respondem por um quarto do faturamento das companhias de capital aberto do país. Sua receita somou R$ 300 bilhões no ano passado e seu valor de mercado ultrapassa R$ 513 bilhões. A maior delas é a Vale, privatizada em maio de 1997.

A mineradora é o emblema mais visível do sucesso do modelo de desestatização. Entre 1943, quando a CVRD foi criada, e 1997, quando foi privatizada, o lucro líquido médio anual foi de US$ 192 milhões. Depois da privatização, a média subiu para US$ 5,5 bilhões, ao mesmo tempo em que a média de tributos recolhidos pela Vale multiplicou-se por quase 60 vezes, para US$ 1,8 bilhão ao ano.

A tudo isso, o PT opôs-se com ferocidade.
Todos os leilões foram contestados pelo partido na Justiça e tumultuados com protestos nas ruas.

Sempre com base no discurso de que o governo estava "entregando" o patrimônio dos brasileiros a empresas privadas. Na realidade, o que estava em jogo era a defesa de privilégios e de centenas de empregos distribuídos com base em interesses político-partidários.

Como o PT se utilizasse do discurso antiprivatização como arma político-eleitoral, a gestão Lula realizou poucas alienações, limitadas a alguns bancos (Maranhão e Ceará), 2,6 mil km de rodovias, um trecho da ferrovia Norte-Sul e alguns empreendimentos em energia.

Agora, o pragmatismo está falando mais alto e a necessidade de modernizar a decrépita infraestrutura nacional está forçando o governo petista a abrir-se aos investimentos privados. No caso dos aeroportos, deverão ser investidos R$ 19,7 bilhões nos três terminais que irão a leilão em dezembro, antecipa hoje O Globo.

Além dos investimentos em modernização, o pagamento pela outorga pela exploração de Guarulhos, Viracopos e Brasília deve render um mínimo de R$ 2,9 bilhões, podendo ultrapassar, porém, a casa dos R$ 4 bilhões.

O ponto negativo é que as concessionárias terão que conviver com o peso morto da Infraero, que manterá pelo menos 45% do capital das novas empresas.

Ao bom desempenho que o modelo privado exibe em termos de modernização da infraestrutura do país contrasta a paralisia dos investimentos tocados pelo poder público.

O Estado de S.Paulo
mostra hoje que o que já era ruim na gestão Lula ficou ainda pior no governo Dilma Rousseff.

O ritmo de investimentos caiu 10% nos nove primeiros meses do mandato da presidente, em comparação com igual período de 2010.

São R$ 2,7 bilhões a menos aplicados em construções e compra de equipamentos.

Obras de saneamento, urbanização de favelas e mobilidade estão praticamente paradas.

Quando se consideram os restos a pagar quitados neste ano, a queda geral chega a 34%.

Abrir espaço para o investimento privado é a melhor solução para que o país amplie a sua capacidade de crescimento e permita a melhoria da qualidade de vida de sua população.

O modelo estatizante que o PT tanto defendeu serve bem mesmo é para acomodar apaniguados na máquina pública, algo que o partido, mesmo tendo se dobrado às privatizações, continua a praticar.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

PETROBRAS : Dinheiro saindo pelo duto


Araucária (PR)cerimônia de conclusão da primeira etapa das obras de ampliação e modernização da Repar e inauguração da Unidade de Propeno

A Polícia Federal investiga contratos da Petrobras com empreiteiras, apontados como superfaturados pelo TCU. O prejuízo estimado atinge R$ 1,4 bilhão


Os auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) estão acostumados a lidar com valores gigantes quando fiscalizam contratos da Petrobras. Com um orçamento de R$ 85 bilhões para este ano, a maior empresa da América Latina tem gastos numa escala bem acima da média do setor público.

Quando fiscalizam os contratos firmados pela Petrobras com o setor privado, os técnicos também estão habituados a encontrar evidências de que a estatal paga mais do que deveria. Mesmo os mais experientes auditores, porém, se surpreenderam com o que encontraram ao examinar os contratos de R$ 8,6 bilhões das obras de reforma e modernização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná.

De acordo com os relatórios técnicos, os preços pagos a algumas das maiores empreiteiras do país são exagerados até para os elásticos padrões da Petrobras. Nos últimos dois anos, o TCU propôs a paralisação das obras para evitar o possível desperdício de dinheiro público.

Foi impedido pela atuação do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Neste ano, a reforma na refinaria virou caso de polícia.

Desde fevereiro, a Polícia Federal investiga o caso. O foco do delegado Felipe Eduardo Hideo Hayashi está em cinco contratos de reforma da refinaria, que somam R$ 7,5 bilhões.

Segundo um relatório do TCU, os preços nesses contratos, firmados com sete consórcios de empreiteiras, estão R$ 1,4 bilhão acima do valor de mercado – montante que, se as suspeitas se confirmarem, a Petrobras terá simplesmente jogado fora.

Pelos números do delegado Hayashi, até abril do ano passado os pagamentos indevidos somaram R$ 499 milhões. As construtoras Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS e Mendes Júnior estão entre as beneficiadas.

Na investigação, Hayashi teve acesso às informações de uma apuração mais antiga, a Operação Caixa Preta. Ela mostrou que, durante o primeiro mandato de Lula, a estatal Infraero pagou mais do que deveria por obras em dez aeroportos.

A operação apontou também para as empreiteiras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Mendes Júnior. Para apurar o caso da Infraero, policiais gravaram conversas, com autorização judicial, de representantes de empreiteiras. Hayashi afirma, na abertura do inquérito sobre o caso da refinaria, que as informações do caso da Infraero são necessárias “para análise de eventual continuidade delitiva”.

Segundo duas pessoas que acompanham o inquérito, diálogos gravados reforçam a suspeita de irregularidades nos contratos da Petrobras com as empreiteiras nas obras da Repar. Uma das suspeitas é de que parte do dinheiro pago pela Petrobras tenha sido desviada para o caixa dois de campanhas eleitorais.

O delegado Hayashi não fala sobre o inquérito, que corre em segredo na Justiça Federal no Paraná.

A reforma da refinaria foi iniciada em 2006. Os contratos para as obras e a compra de equipamentos começaram a ser fiscalizados pelo TCU em maio de 2008. Um ano depois, os auditores apresentaram um relatório em que apontam “graves irregularidades” nas licitações e nos preços.

O TCU, então, recomendou ao Congresso que bloqueasse o pagamento para as obras da Repar e para outros três grandes empreendimentos da Petrobras – a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e o Terminal de Escoamento de Barra do Riacho, no Espírito Santo.

Contra a orientação do governo Lula, na votação do Orçamento de 2010, o Congresso aprovou a recomendação do TCU para suspender o repasse de verbas. Em janeiro de 2010, o presidente da República usou seu direito de veto e retirou os empreendimentos da Petrobras da lista de obras bloqueadas pelo Congresso.

Lula fez mais.
No dia 12 de março, acompanhado pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ele foi até Araucária inaugurar parte das novas instalações. Lá, Lula defendeu o veto.
“Se tem de fazer investigação, que se faça”, disse.
“Mas não vamos deixar que trabalhadores fiquem desempregados porque alguém suspeita que alguma coisa está acontecendo.”

Com base em uma nova auditoria, no ano passado o TCU recomendou outra vez ao Congresso a suspensão dos pagamentos para sete contratos da Repar. Na Comissão Mista de Orçamento, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que não houve superfaturamento.

De acordo com Gabrielli, os parâmetros usados pelo Tribunal são inadequados para avaliar os contratos da empresa. O TCU nega a divergência de metodologia.

“Nossos cálculos levam em conta todas as particularidades da Petrobras”, afirma o secretário de Fiscalização de Obras do TCU, Eduardo Nery.

Em dezembro de 2010, a Comissão de Orçamento aprovou a continuidade das obras na Repar.
Os parlamentares foram convencidos pela Petrobras de que as obras estavam muito avançadas para ser paralisadas.

Segundo a empresa, cinco dos sete contratos estavam com mais de 60% das obras executadas, e o Congresso endossou a tese da Petrobras, ao dizer que apenas 9,55% do valor dos contratos questionados pelo TCU poderia ser bloqueado.

“A hipotética recuperação de um porcentual tão baixo por meio da paralisação não justifica a interrupção”, diz um relatório da Comissão de Orçamento. O detalhe é que esse “porcentual tão baixo”, desprezado pelos parlamentares, representa nada menos que R$ 739,3 milhões.

A Petrobras e as empreiteiras negam as suspeitas da Polícia Federal.
Em nota, a Petrobras afirma não ter sido notificada pela PF sobre o inquérito. “A companhia afirma que não há superfaturamento, sobrepreço ou qualquer outra irregularidade nas obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar)”, diz a nota.


“O relatório da equipe técnica do TCU é preliminar e, portanto, não há nenhuma decisão definitiva.” Entre os cinco contratos investigados pela PF, o maior foi estabelecido entre a Petrobras e o consórcio CCPR-Repar – formado por Camargo Corrêa e Promon Engenharia.

São R$ 2,4 bilhões.
De acordo com a auditoria do TCU, registrada no inquérito da PF, os preços contratados com esse consórcio estão R$ 633 milhões acima dos valores do mercado. O consórcio CCPR-Repar questiona as conclusões e diz que o relatório de fiscalização do TCU “está baseado em referências de preços de projetos convencionais da construção civil, incompatíveis com os serviços de modernização da refinaria, bem mais complexos e exigentes”.

O CCPR-Repar não se manifestou sobre a investigação da Polícia Federal.

O consórcio Conpar – formado por Odebrecht, OAS e UTC Engenharia – também não se pronunciou sobre o inquérito da PF. Seu contrato, de R$ 1,8 bilhão, estaria, segundo os auditores, com preços R$ 233 milhões acima do mercado.

O Conpar informou que, a pedido do Tribunal de Contas, “prestou todas as informações e esclarecimentos quanto à regularidade dos preços praticados no âmbito do contrato, estando as elucidações em fase de análise pelo TCU”.

A construtora Mendes Júnior lidera o consórcio Interpar, cujo contrato com a Petrobras soma R$ 2,2 bilhões. Nesse caso, o TCU aponta um sobrepreço de R$ 408 milhões. A Mendes Júnior não se manifestou até o fechamento desta edição.

Apenas em maio deste ano, o TCU voltou a se manifestar sobre o assunto.
No Acórdão 1.256/2011, o Tribunal retirou a recomendação para que as obras fossem paralisadas.

Manteve, porém, o diagnóstico de que os contratos da Petrobras foram firmados acima dos preços de mercado.


O tempo corre contra os recursos da Petrobras – em grande parte dinheiro público. Um ano depois das disputas no Congresso, enquanto a Polícia Federal investiga, o duto continua aberto.

ANDREI MEIRELES E MURILO RAMOS Época

O BRASIL DA "PRESIDENTA/GERENTONA" : Mais inflação no horizonte. Mercado sobe projeção de inflação para 2012

Analistas do mercado financeiro aumentaram a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,53% para 5,59% em 2012.

Segundo a pesquisa semanal que o Banco Central (BC) faz com instituições financeiras, foi a sexta alta seguida do índice medido pelo IBGE e usado pelo governo no sistema de metas de inflação.

Tanto este ano quanto no próximo o objetivo central é de 4,5%, podendo ficar entre 2,5% e 6,5%. Para este ano, a previsão se manteve em 6,52%.


- Essa nova alta veio diante da sinalização que o BC está dando de que vai continuar a cortar os juros daqui para a frente. Como o banco mostrou isso, a resposta é que o mercado prevê que a inflação será maior - disse César Frade, professor do Ibmec.

Já a projeção média para a cotação da moeda americana passou de R$1,73 para R$1,75 neste ano. Foi o sexto aumento consecutivo.

O diretor da NGO Corretora, Sidnei Nehme, discorda desse cenário e aposta que o real continuará a se apreciar até chegar a 1,70 por dólar. E isso viabilizará um corte maior dos juros, já que o dólar desvalorizado será uma pressão a menos sobre a inflação:

- Tornando-se efetivo este ambiente que projetamos, o BC estará confortável para um corte entre 0,75 ponto percentual e 1 ponto, caso contrário poderá limitá-lo a 0,5 ponto.

A previsão de crescimento para este ano ficou estável, passando de 3,51% para 3,5%.
Para 2012, a expansão da atividade econômica está projetada em 3,7%.

Gabriela Valente O Globo

Operação Black Ops : Dos carros de luxo às licitações

O esquema de carros de luxo desmontado, na última sexta-feira, pela Polícia Federal (PF), no Rio de Janeiro, queria se infiltrar em negócios públicos, além de atuar no ramo de jogos de azar.

O grupo preso durante a Operação Black Ops importava veículos usados dos Estados Unidos para vender como novos no Brasil e lavar o dinheiro da movimentação de caça-níqueis.

Entre as pessoas que adquiriram os veículos estão
Jogadores de futebol,e artistas , como o cantor Latino, que teve um Porsche apreendido no domingo. Na sexta-feira, a PF havia recolhido um outro carro do músico. Dois dos 28 automóveis levados pelos policiais estavam em Brasília.

Durante as investigações, iniciadas em abril do ano passado, a PF descobriu que a quadrilha tinha a intenção de fazer negócios com a administração pública, iniciando pela cidade turística de Búzios (RJ), onde o grupo tinha um lobista, que já ocupou cargo eletivo no estado.

Um dos ramos em vista era a construção civil, setor em que o israelense Yoram El Al também atuava no Rio, cidade onde passou a morar depois de ter fugido de seu país.

Considerado como um dos integrantes da máfia conhecida por Albergil Family em Israel, Yoram, o cabeça da quadrilha desmantelada no Brasil, ainda fazia corretagem de imóveis na Barra da Tijuca (RJ).
A PF não informou se o negócio em Búzios foi concretizado.


Ontem, foi iniciado o balanço das apreensões realizadas nos estados e no Distrito Federal. Treze pessoas foram presas durante a operação e responderão por contrabando, sonegação de impostos, comércio ilegal de pedras preciosas, evasão de divisas, entre outros crimes.

Quem adquiriu os carros será processado administrativamente e criminalmente, segundo a PF, até que demonstre que comprou os veículos de boa-fé.

"O grau de conhecimento da pessoa, ou seja, se ela sabia ou não que era um negócio ilegal, vai variar de acordo com o preço do carro", diz uma investigadora que participou da Operação Black Ops.

"Temos caso em que um cidadão ligou para a delegacia perguntando se ele deveria devolver o carro", acrescenta a policial, explicando que o autor da ligação havia adquirido o veículo em uma das empresas investigadas.


Até agora, a PF apreendeu 28 carros importados ilegalmente dos Estados Unidos. Pela legislação brasileira, apenas automóveis novos podem entrar no Brasil. Caso contrário, a operação é considerada contrabando, envolvendo, assim, sonegação de impostos.

Investigadores da corporação buscam mais 39 veículos.

No Distrito Federal, a PF reteve um Infinit G37 e um Mercedes Benz E-63 pertencentes a empresários e que estavam no Sudoeste e no Lago Sul.

"Ao todo, investigamos 103 veículos, mas as apreensões serão só de 67", observa a policial.

Edson Luiz Correio Braziliense

outubro 10, 2011

POIS É! O RISCO DILMA DO "PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO" PODE SE "CONSOLIDAR".

A bola de cristal do governo para prever o comportamento da inflação não está funcionando.

Em setembro, os preços voltaram a contrariar os prognósticos oficiais e levaram o país a exibir o mais alto índice dos últimos seis anos.

Na atual gestão, as perspectivas só pioraram.
É o "risco Dilma".


A inflação acumulada em 12 meses está agora em 7,31%, de acordo com o IPCA de setembro,
divulgado pelo IBGE na sexta-feira. A última vez em que o país registrara nível tão elevado fora em maio de 2005.

Entre janeiro e setembro, o índice também já supera a meta do Banco Central para o ano, tendo chegado a 4,97%. Será difícil até mesmo a inflação se sujeitar ao limite superior da meta, de 6,5%.

A recidiva inflacionária já começara a preocupar nos últimos meses do ano passado, quando a política de gastos excessivos levada adiante pela gestão do PT manteve o mercado interno aquecido além da conta.

Ao longo deste ano, cinco altas sucessivas da taxa básica de juros tentaram conter a escalada.
Sem sucesso, porém.


Na realidade, a situação só piorou na gestão Dilma Rousseff. Quando ela assumiu a presidência, em janeiro, as expectativas de inflação eram de 5,34% para 2011 e de 4,5% para 2012.

Hoje, conforme o Boletim
Focus divulgado nesta manhã, as previsões são de 6,52% para este ano e de 5,59% para o próximo.

Diante destas constatações, não parece exagero falar em "risco Dilma" associado à ameaça de perda do controle da estabilidade da moeda que o governo da presidente tem demonstrado.

Nos últimos meses, tornou-se voz corrente na Esplanada que é preferível mais crescimento econômico a menos inflação, mas a gestão atual não está conseguindo entregar nem uma coisa nem outra.


O governo parece satisfeito em voltar a ser uma espécie de sócio da inflação, situação comum em épocas de triste memória, quando os gestores públicos usavam a alta de preços para engordar a arrecadação e fazer as contas caberem em seus orçamentos.


O Estado de S.Paulo ouviu alguns analistas e calculou que a inflação acima da meta neste ano deve gerar um volume adicional de receitas de R$ 6,5 bilhões a R$ 10 bilhões para os cofres federais.

É um péssimo negócio, porque o custo da perda da estabilidade é infinito.


Outro problema é a rala credibilidade que vêm demonstrando os compromissos e os prognósticos oficiais. Quando 2011 chegou, a equipe econômica falava que lá por abril a inflação começaria a dar trégua.

Mas nada; os índices continuaram subindo.

Depois, a equipe econômica e o BC passaram a prever para agosto ou setembro o ponto de inflexão.

Como se pôde ver na sexta-feira, foi novo tiro n'água.
Mas Alexandre Tombini diz que agora é para valer e que, em outubro, os índices de preços começarão a retroceder, segundo entrevista publicada no domingo pela
Folha de S.Paulo.

A verdade é que o governo receberá o socorro de efeitos estatísticos. Como a inflação do fim de 2010 foi muito alta (média mensal de 0,74%), é muito pouco provável que isso se repita agora, levando o índice acumulado no ano a decrescer daqui para frente.

Se a média mensal não ultrapassar 0,48% até dezembro, a inflação fechará o ano dentro dos limites da meta.
Mas o fato é que a inflação está disseminada por mais de 60% da cesta de produtos e entre as maiores altas estão as dos alimentos.

Há quem veja um cenário de "inflação generalizada", como Reginaldo Nogueira, professor de economia do Ibmec ouvido pela
Folha de S.Paulo.

Como não dá para ficar sem comer, a escalada de preços bate direto no bolso dos mais pobres. Alguns alimentos tiveram alta expressiva em setembro:
feijão carioca (6,14%),
açúcar refinado (3,82%) e cristal (3,42%),
frango (2,94%)
e leite (2,47%).

Some-se a isso o comportamento dos preços de serviços, que acumulam alta de 9,04% nos últimos 12 meses.
O governo aposta numa ajuda da crise econômica externa, que frearia o encarecimento das commodities.

Mas isso também não aconteceu em setembro, quando o efeito combinado da oscilação das cotações e a desvalorização do real no Brasil resultaram numa alta das matérias-primas de 7,83%.

Tudo considerado, a conclusão é que continuamos flertando perigosamente com o descontrole de preços.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

outubro 09, 2011

NOVO CICLO DE DESENVOLVIMENTO COM A "PRESIDENTA 1,99" : Custo de vida não dá trégua aos brasileiros. Inflação chega a 7,3% e castiga consumidor.

A disparada dos preços não tem dado trégua para o bolso dos brasileiros. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,53% em setembro e acumulou alta de 4,97% desde janeiro.

O resultado deixou para trás a meta central de 4,5% e ampliou as chances de a inflação encerrar 2011 acima do limite estabelecido, de 6,5%. A despeito do sacrifício dos consumidores, o governo jogou a toalha.

O IPCA subiu 7,31% nos últimos 12 meses — maior valor desde maio de 2005 — e, embora o Banco Central mantenha o discurso otimista, esperando uma desaceleração até o fim do ano, o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda já não veem problemas em a carestia ficar acima do teto.

Desde que seja garantido, no mínimo, um crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB).


Apesar da piora no cenário da inflação, endossada inclusive pelo próprio BC no último relatório trimestral sobre o tema, a preocupação maior da presidente Dilma Rousseff é garantir empregos e expansão econômica nos próximos anos.

Mesmo que não sejam alcançados números exuberantes, a ordem é crescer sempre. Desta vez, com impulso da política monetária — diferentemente de 2008, quando o lado fiscal ditou o avanço do país.


Segundo analistas, o papel de instigador caberá ao presidente do BC, Alexandre Tombini, que, sob a batuta de Dilma, patrocinará uma redução da taxa básica de juros (Selic) "moderada", segundo ele próprio.

Para o Itaú Unibanco, o país caminha em direção a uma alíquota de um dígito — para 9% — ao fim de 2012. "O governo tem enfatizado o papel central da política monetária na reação à crise, anunciando uma intenção de não recorrer a estímulos adicionais de política fiscal", destacou Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

"A inflação, entretanto, seguirá relativamente alta", completou.


Diante da certeza de que a inflação deste ano está praticamente perdida, o mercado colocou o BC contra a parede e, na bolsa de apostas, acredita-se que, nem em 2012, o IPCA ficará no centro da meta de 4,5%. Apenas em 2013 esse objetivo teria chances de ser alcançado.

"As previsões para o indicador em 2012 relutam em cair devido à rigidez da inflação, oriunda, por exemplo, do aumento nos preços de serviços", explicou Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco.

O salto do IPCA em 2011, segundo Barros, causará grande impacto na carestia do próximo ano.


As pressões sobre o custo de vida vêm de todos os lados. Os serviços têm sido um dos vilões para o orçamento familiar. O cabeleireiro subiu 6,08% no ano, enquanto os serviços bancários avançaram 12,25%.

As passagens aéreas foram responsáveis pelo avanço do grupo transporte, ao dispararem 31,48%.

Itens indispensáveis na mesa do brasileiro também estão em escalada, como o feijão carioca (6,14%) e o arroz (1,97%).
Até a cervejinha ficou 1,34% mais cara.

Victor Martins Vera Batista Ana Carolina Dinardo Correio Braziliense

É "COSA NOSTRA"

Os jogadores de futebol Emerson, o "Sheik", do Corinthians, Diguinho, do Fluminense, e Kleberson, do Atlético Paranaense, e os cantores Latino e Belo estão entre os famosos que tiveram seus carros confiscados ontem durante a operação da Polícia Federal.

O grupo, segundo as investigações, teria se beneficiado do esquema montado pela máfia israelense e os bicheiros do Rio para venderem carros de luxo importados por preços muito abaixo do mercado.


Segundo as investigações federais, jogadores e cantores, além de empresários de várias partes do país, teriam comprado veículos com a quadrilha, obtendo vantagens como descontos de até R$150 mil.

A PF informou que, além do confisco dos veiculos, todos deverão ser processados por crime de contrabando. Segundo um delegado federal, eles terão que provar se agiram de boa-fé. Caso contrário, vão responder por contrabando.


Entre os 35 carros de luxo apreendidos em todo país, havia um Lamborghini Gallardo LP 560, avaliado em R$1,3 milhão, em São Paulo.

- Embora os veículos contrabandeados chegassem pelos portos, não temos elemento que indiquem a participação de servidores aduaneiros no esquema.

Além dos carros, eles contrabandeavam pedras preciosas, que chegavam ao Brasil com o certificado de origem (documento que comprova de onde é a pedra) falsificado - adiantou o procurador Antônio do Passo Cabral, do MP federal.


Em Curitiba, no Paraná, a Polícia Federal apreendeu um Jeep Hummer na casa do jogador Kleberson.

Em nota, o jogador diz que comprou o carro em abril do ano passado, "numa empresa em regular funcionamento e que o valor devido foi integralmente pago, da forma ajustada, e consta da nota fiscal" emitida em seu nome.


- É contrabando adquirir um veículo de maneira fraudulenta na concessionária. Vamos analisar cada caso para identificar as fraudes - afirmou Marcus Vinicius Vidal Pontes, superintendente da Receita Federal no Rio.

PETROBRAS SEM "MARQUETINGUE" : Após 2 vazamentos de gás, Marinha impede produção na plataforma P-35

Depois de dois vazamentos de gás num intervalo de nove dias, que deixaram mais de 22 trabalhadores intoxicados na Plataforma de petróleo P-35, na Bacia de Campos, a Marinha do Brasil impediu que a Petrobras voltasse a produzir na plataforma, depois da inspeção feita na quinta-feira à noite na unidade.

Segundo a Capitania dos Portos do Rio, o certificado técnico da plataforma estava vencido desde 30 de setembro.


Em 26 de setembro, 22 trabalhadores foram intoxicados por um vazamento de dióxido de carbono, que chegou aos alojamentos pelo ar-condicionado.

Na última quarta-feira, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) relatou novo vazamento, desta vez de gás sulfídrico (H2S), o chamado gás da morte, oriundo de um tanque desativado.


Em nota, a Petrobras disse que a P-35 foi liberada no fim do dia de ontem pela Marinha, após vistoria e a emissão de um novo certificado.

A estatal informou também que "vai aproveitar a ocasião para antecipar manutenção já programada na plataforma", que continuará parada por mais alguns dias.

A unidade produz cerca de 55 mil barris de petróleo e 360 mil metros cúbicos de gás por dia. A tripulação da unidade é de 200 pessoas.


Embora tenha sido liberada pela Marinha, a P-35 passará na terça-feira por uma nova inspeção. Procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e fiscais do Ministério do Trabalho vão avaliar o pedido de interdição da unidade feito pelo Sindicato dos Petroleiros na Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Segundo o diretor de Comunicação do Sindipetro-NF, Marcos Breda, trabalhadores da P-35 afirmam que ainda há graves problemas na manutenção do gerador de emergência, que estaria sem funcionar há quase um ano.

De acordo com os relatos dos petroleiros, a Petrobras tem usado um gerador reserva alugado, que não tem acionamento automático como o de emergência.


O vazamento de dióxido de carbono de setembro resultou na emissão de 43 comunicações de acidente de trabalho.

Apesar de 22 trabalhadores terem desembarcado para atendimento médico, apenas oito comunicações registraram necessidade de afastamento.

Mariana Durão O Globo

outubro 07, 2011

MEIA ENTRADA PARA UMA MEIA COPA

Mal foi aprovada pelos deputados, a concessão de meia-entrada para estudantes em eventos culturais e esportivos corre risco de cair por terra, por veto do Planalto.

O governo deixou claro ontem que mais valem os interesses da Fifa do que a vontade expressa pelos representantes do povo no Parlamento. Estamos nos tornando uma espécie de país da meia Copa.


Líderes governistas adiantam que a presidente Dilma Rousseff deverá vetar o benefício aprovado na quarta-feira como parte do Estatuto da Juventude. Antes disso, o governo ainda fará carga para mudar o texto no Senado, por onde a matéria ainda terá de tramitar antes de seguir para sanção presidencial.

O novo estatuto diz que estudantes de 15 a 29 anos terão desconto "de, pelo menos, 50% do valor do preço da entrada em eventos de natureza artístico-cultural, de entretenimento e lazer, em todo o território nacional".

Transforma em lei federal o que antes era tratado apenas no âmbito da legislação de estados e municípios.


Não dá para dizer que o governo foi pego de surpresa. O Estatuto tramita há sete anos no Congresso. Além disso, foi relatado por uma proeminente integrante da base aliada, a deputada Manuela D'Ávila, do PCdoB gaúcho.

Também passou sem enfrentar oposição do ministro dos Esportes, do mesmo PCdoB.


O problema para o Planalto é que o texto do Estatuto colide com os ditames aos quais o governo brasileiro se sujeitou nas negociações com a Fifa com vistas à realização da Copa de 2014 no país.

No início da semana, a presidente reforçou tais compromissos, em encontro com a cúpula da entidade, ocorrido em Bruxelas.


A Fifa alardeia que a concessão da meia-entrada para jovens e idosos - esta já garantida por meio do Estatuto do Idoso, vigente no país há anos - custará US$ 100 milhões, informa a Folha de S.Paulo. Nada mal para quem faturou US$ 4 bilhões na Copa da África do Sul e planeja faturar ainda mais no Brasil até 2014...

Pelo texto atual da lei da Copa, que deve começar a ser discutido no Congresso a partir da próxima semana, a Fifa tem a palavra final para decidir quanto custarão os ingressos. Vale ter presente que, na média, os preços das entradas nos dois últimos Mundiais giraram em torno de salgados US$ 135.

PSDB e PPS já anunciaram que irão brigar para assegurar a meia-entrada aos estudantes nos jogos do torneio. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) vai propor emenda à Lei Geral da Copa para garantir o direito, informa O Estado de S.Paulo.

Vale registrar que a proposta original do Estatuto da Juventude continha aberrações que só foram limadas pela atuação da bancada da oposição, durante a votação ocorrida na quarta-feira.

O texto que chegou ao plenário da Câmara criava um verdadeiro trem da alegria, ao prever a criação de cargos, inclusive com remuneração, para os Conselhos da Juventude nos estados e municípios.
O trecho foi retirado pelo PSDB, como registrou O Globo.


As confusões em torno da concessão da meia-entrada, às quais se soma também a queda de braço em torno da liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, ressaltam o grau de improviso com que a preparação para a Copa de 2014 vem sendo conduzida pelo governo brasileiro.

Com apenas a construção de parte dos estádios dentro do cronograma, dificilmente a população brasileira obterá benefícios duradouros com o evento, na forma de obras de melhoria das condições de vida nas cidades-sede.

Nada mais adequado que, para uma meia Copa, se cobre meia-entrada.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Botox na inflação

A inflação continua acelerada e não há sinal, até agora, do arrefecimento previsto pelo governo para os próximos meses.

Com a alta do dólar, os preços ganharam impulso adicional nas últimas semanas e isso já é visível tanto no mercado de matérias-primas como no varejo.

Mas o câmbio é só uma parte do problema, como advertiu o economista Salomão Quadros, da FGV, ao comentar a elevação de 0,75% do Índice Geral de Preços (IGP-DI) em setembro.

Segundo ele, são mais preocupantes outros fatores, como a demanda interna ainda aquecida e o próprio corte dos juros básicos pelo Banco Central (BC).

Esse corte, observou Quadros, gerou dúvidas quanto ao compromisso do governo com a meta de inflação e alimentou a expectativa inflacionária.

Em agosto, o IGP-DI havia subido 0,61%. Mas também os dados sobre a atividade econômica justificam dúvidas sobre as previsões do BC.

Números da indústria fornecidos por diferentes fontes ainda não permitem um diagnóstico seguro das condições de produção e demanda.


Quanto aos preços, tudo indica, por enquanto, a tendência de forte elevação nos próximos meses. Ainda na quinta-feira, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico informou em comunicado os aumentos de preços decididos por grandes fornecedores de matérias-primas.

De acordo com a associação, a Braskem anunciou majoração da ordem de R$ 700 por tonelada. A Dow notificou seus clientes de uma elevação de R$ 600 por tonelada a partir de 3 de outubro.


Em setembro, os preços por atacado subiram 0,94%, segundo a FGV. Esse item é o principal componente do IGP-DI, com peso de 60%. No mercado internacional de matérias-primas houve algum recuo, atribuído aos temores de uma nova recessão.

Analistas, no entanto, evitam apostar numa tendência de baixa, ou de baixa significativa.

A FAO já alertou para o risco de novos aumentos das matérias-primas agrícolas, por causa das condições inseguras de suprimento.
De toda forma, produtos básicos continuam pressionando a inflação brasileira.


O índice de preços ao consumidor da FGV, outro componente do IGP-DI, subiu 0,5% em setembro, 4,69% no ano e 7,13% em 13 meses. Em agosto havia aumentado 0,4%.

Outros indicadores de preços apontam na mesma direção. O índice de preços ao consumidor pesquisado em São Paulo pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos subiu 0,69% em setembro, 0,30 ponto mais que no mês anterior.

O Índice de Custo de Vida da Classe Média apurado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo aumentou 0,37% em agosto e 6,47% em 12 meses.


O IBGE estimou uma redução mensal de 0,2% da produção industrial em agosto. A Confederação Nacional da Indústria, no entanto, apontou uma alta real de 8,4% no faturamento, expansão de 3,5% nas horas de trabalho e de 0,4% no emprego.

O nível de uso da capacidade instalada subiu de 82% para 82,2%, descontados os fatores sazonais.

A associação das montadoras informou uma queda de 19,7% na produção de veículos em setembro, mas esse dado, segundo um dirigente da entidade, é em grande parte explicável pela sazonalidade e por greves. A média diária de vendas (14.840 unidades) foi 4,2% maior que a de agosto.


O quadro da produção, portanto, está longe de ser claro, apesar de algum efeito da contenção do crédito. Mas, de modo geral, a demanda continua forte, alimenta a inflação e é em parte suprida por importações.

Em Brasília já se admite, extraoficialmente, a adoção de medidas extraordinárias para impedir o estouro do limite superior da meta (6,5%) no fim do ano. Poderá, adiantou uma fonte, haver uma redução temporária de impostos.

Mas isso seria um remendo, uma forma de disfarçar e não de eliminar as pressões inflacionárias.

Essa informação parece confirmar o pior dos temores:
o governo renunciou a enfrentar para valer a inflação e já admite aplicar botox nos preços, para fazer crescer o PIB em ano de eleição - a qualquer custo, literalmente.

O Estado de São Paulo