"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 31, 2012

DESORDEM E RETROCESSO ! REPÚBLICA TORPE/"PRESIDENTA" DE NADA E COISA NENHUMA : Servidores do Judiciário no DF deflagram paralisação às vésperas do julgamento do mensalão

O Sindicato dos Servidores do Judiciário deflagra a partir desta quarta-feira greve da categoria em todo Distrito Federal para pressionar pela aprovação do projeto de reestruturação da carreira, que garantirá aumentos e prevê reajuste médio de 36%, podendo chegar a 56% em alguns casos, com impacto de R$ 7,8 bilhões.

O coordenadores do movimento estão otimistas porque os servidores estão insatisfeitos com a falta de negociação pelo governo. O movimento grevista será iniciado às vésperas do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas o sindicato nega que a intenção seja atrapalhar o julgamento.

- Não queremos atrapalhar qualquer julgamento para a sociedade. No caso do mensalão, os servidores já contribuíram muito e tem tem que julgar são os ministros - disse Jailton Assis, um dos coordenadores do Sindijus.

O presidente do STF, Ayres Britto, foi informado de que a greve teria início em reunião na noite de hoje, com sindicalistas, onde discutiram o andamento das negociações para o reajuste dos servidores.

Segundo Jailton, Ayres Britto compreendeu a atitude do sindicato, ponderou que o movimento ocorrerá em um período de muita tensão e fez apelo para que, durante o julgamento do mensalão, eles evitem o uso de buzinas nas proximidades do Supremo.

- Cercar o Supremo buzinando as vuvuzelas não me parece ser a melhor opção - disse Ayres Britto, segundo o sindicalista.

O coordenador do Sindijus admitiu que no STF ainda não há uma mobilização maior entre os servidores do Supremo para adesão à greve a partir de hoje. Segundo ele, o STF estava em recesso e só retoma os trabalhos hoje. Jailton Assis acredita que a adesão no STF seja maior no final desta semana, início da próxima.

O sindicalista afirma que o movimento está em fase de construção e começará mais forte em locais como o Tribunal Superior Eleitoral, que não parou em julho.

São Paulo e Mato Grosso estudam paralisação

De acordo com os sindicalistas, a decisão de entrar em greve foi tomada pelos sindicatos e pela Fenajufe ainda em junho, caso as negociações pela aprovação do projeto de cargos e salários não avançassem. Na noite de segunda-feira, acompanhados do presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, os sindicalistas pediram para que um representante da categoria participasse das conversas que ele está mantendo com o governo federal.

Segundo eles, Britto defendeu o reajuste e a necessidade de garantir, no Orçamento de 2013, recursos para que ele seja concedido.

- Mas não há acordo ainda e, por isso, a Fenajufe orientou para o início da greve em todo país. O DF começa dia primeiro, em São Paulo e Mato Grosso, no dia 8. Não nos sobrou alternativa a não ser deflagrar a greve, pela falta de negociação por parte do governo - afirmou José Carlos Oliveira, presidente da Fenajufe.

Ele também descarta que a paralisação esteja relacionada ao julgamento do mensalão:

- A decisão foi tomada muito antes e a intenção é parar em todo o país. Não há vínculo com esse ou aquele julgamento.

O Globo

BANCO CENTRAL : 'Conselhinho' confirma decisão de multar Banco Rural e punir réus do mensalão


O Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), conhecido como "Conselhinho", confirmou a decisão do Banco Central de multar o Banco Rural em R$ 200 mil e punir com inabilitação quatro ex-executivos da instituição.

Na lista estão a ex-presidente do banco, Kátia Rabello,
José Roberto Salgado
e Ayanna Tenório Torres de Jesus (que foram vice-presidentes),
todos réus no processo do mensalão.


Os executivos e o banco foram acusados de simular uma transferência de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) para o Banco Simples, controlado pelo Rural, em 2004. A operação fictícia permitiu a redução dos passivos do Banco Rural e a liberação de R$ 111 milhões retidos no BC como compulsório de depósitos a prazo.

Com o veto do recurso, o Conselhinho inabilitou Kátia Rabello a atuar na administração de instituições financeiras por três anos. Salgado e Ayanna foram inabilitados por dois anos e o então diretor Plauto Gouvêa, por um ano.

Entre novembro e dezembro de 2004, o Banco Rural passou R$ 1,2 bilhão em CDBs para o Banco Simples, mas sem a anuência dos depositantes como exige a lei. De acordo com relatório do BC, na mesma data houve o depósito de valor semelhante pelo Simples ao Rural, como aplicação financeira.

Cerca de um mês depois, os CDBs foram devolvidos ao Banco Rural.


O Banco Central apontou evidências de que a operação tinha apenas o objetivo de "diminuir artificialmente a base de cálculo do recolhimento compulsório exigível das instituições financeiras sobre o saldo de depósitos a prazo".

Entre outras coisas, o BC verificou que, mesmo no período em que os CDBs estavam com o Banco Simples, os resgates das aplicações pelos clientes continuaram sendo feitos no Banco Rural.


O caixa das instituições não foi alterado com a operação, mas o Banco Rural foi liberado de recolher cerca de R$ 111 milhões a título de compulsório.

Em sua defesa, os executivos alegaram que na época os bancos de pequeno e médio portes passavam por um momento delicado, já que após a intervenção no Banco Santos passaram a sofrer uma onda de resgate de aplicações.

As operações com o Simples seriam uma forma de assegurar liquidez ao Banco Rural para fazer frente aos compromissos com os investidores. Para o BC, entretanto, os fins não justificam os meios irregulares utilizados pela instituição.


Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Ayanna Tenório Torres de Jesus estão entre os 38 réus que serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do Mensalão, a partir de quinta-feira, 2.

Eles são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e gestão fraudulenta de instituição financeira. Sobre Salgado e Kátia, também pesa a acusação por evasão de divisas

Estadão

O golpe final no Mercosul

Brasil, Argentina e Uruguai devem sacramentar hoje a entrada da Venezuela no Mercosul, à revelia do quarto sócio, o Paraguai.

Realizado desta forma, o ingresso do país do ditador Hugo Chávez fere de morte os princípios democráticos do bloco regional e tende a representar um passo perigoso rumo à implosão do projeto de integração.
É o golpe final.

A República Bolivariana de Venezuela foi admitida no Mercosul por meio de um golpe. Os países-membros aproveitaram a suspensão imposta ao Paraguai - por supostamente ter incorrido em "ruptura da ordem democrática" ao aprovar o impeachment de Fernando Lugo em processo acelerado - para permitir que o país de Chávez adentrasse o bloco, algo que os paraguaios se recusavam, desde 2009, a ratificar.

Ou seja, à guisa de punir um país que, supostamente, teria violado cláusulas democráticas, os demais membros do Mercosul incorreram numa afronta ainda maior aos princípios do Estado Democrático de Direito.

No início do mês, a diplomacia uruguaia denunciou que a acintosa decisão foi imposta aos demais países pela presidente Dilma Rousseff, numa "grave ferida institucional", nas palavras do vice-presidente Danilo Astori.


O mais grave é que, a partir de agora, o destino do Mercosul estará atado às diatribes de um governante como Hugo Chávez, claramente avesso à liberalização dos mercados e à formalização de novos acordos de livre comércio, numa espécie de "protecionismo ideológico".

Nesta perspectiva, as chances de avançarem negociações do bloco com os Estados Unidos ou a União Europeia tornam-se mínimas doravante.


Além do nebuloso horizonte que se descortina para a expansão comercial do bloco em direção a outros mercados, o Mercosul incorpora em seu seio um governo descomprometido com a democracia e com os direitos humanos, e ainda suspeito de manter fortes laços com o crime organizado.

Trata-se, sob os mais variados aspectos, de um indesejado conviva.


O governo de Chávez foi alvo de relatório crítico da Human Rights Watch divulgado há duas semanas. O documento aponta concentração e abuso de poder por parte do ditador, que ocupa o cargo há 13 anos. Lista, ainda, uma série de casos de intimidação, censura e processos promovidos por Chávez contra o Judiciário, a imprensa e a sociedade civil na Venezuela.

Há, também, fundadas suspeitas de que o regime bolivariano compactue com narcoguerrilheiros das Farc na Colômbia. Segundo alguns ex-magistrados venezuelanos ouvidos pelo New York Times, quase toda a cúpula do poder abaixo de Chávez faz parte de uma grande rede sul-americana de narcotráfico.

Afora suas más credenciais democráticas, a Venezuela sequer demonstrou, até agora, compromisso verdadeiro com os requisitos que deveriam permitir a sua incorporação ao Mercosul.

Sua entrada no bloco é objeto de negociação desde 2006, mas até hoje Caracas não adotou as normas e o padrão aduaneiro do bloco nem informou sua lista de produtos considerados sensíveis - cujo prazo venceu em 2010.


Toda esta ficha corrida não compensa a perspectiva, alardeada pelos defensores do ingresso venezuelano, de abrir um mercado que produz US$ 316 bilhões em bens e riquezas.

O custo desta decisão será ter, sentado à mesa do Mercosul, com plenos poderes para vetar o que bem entender, um governante cujo único compromisso é com sua própria perpetuação no poder.


A entrada da Venezuela no Mercosul, principalmente pela forma autoritária com que está se dando, acentua a politização que o governo petista empreendeu à política externa brasileira.

Antes firmemente comprometida com os ideais democráticos, nossa diplomacia agora flerta indesejavelmente com o perigo e incentiva um governo ditatorial - como, aliás, fez em diversas outras partes do mundo desde a ascensão do PT ao poder.


Ao Mercosul, o que se avizinha é, na melhor das hipóteses, um período de turbulência, em que os membros continuarão sem saber se são uma mera zona de livre comércio, uma união aduaneira ou um desejável mercado comum.

Contudo, a adesão da Venezuela pode representar algo ainda pior para as pretensões do bloco: uma marcha batida rumo à irrelevância ou, ainda, a um fim tristemente melancólico.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
O golpe final no Mercosul

CUMPRINDO PROMESSA DE CAMPANHA! brasil SEGUE "MUDANDO" COM A NADA E COISA NENHUMA PIB fraco afeta 2013

O ritmo fraco da economia em 2012 já começa a afetar o desempenho do Brasil no próximo ano. Segundo a pesquisa semanal realizada pelo Banco Central, os analistas reduziram as previsões de expansão para o Produto Interno Bruto (PIB) para 2013, de 4,10% para 4,05%.


A piora das vendas para o exterior e a produção industrial, classificada como medíocre pelos especialistas, são apontados como os principais vilões da atividade. Para este ano, a estimativa de crescimento se manteve estável em 190%.

O mercado, apesar de esperar incremento menor para 2012 e 2013, projeta números de inflação relativamente elevados para os dois anos:
4,98% e 5,50%, respectivamente. "O nível de 5% para 2012 está bem em linha com o que pode acontecer nos próximos meses, desde que a aceleração dos alimentos seja realmente pontual", avaliou Inês Filipa, economista-chefe da Corretora Icap Brasil.

O sentimento de recessão na indústria, de acordo com os economistas, tem contribuído fortemente para a piora dos indicadores de crescimento. Pelos números do BC, a perspectiva para a produção industrial se agravou nesta semana:
passou de um recuo de 0,04% para 0,44%.

Apenas em junho, segundo dados da Federação das Indústrias de São Paulo, as fábricas paulistas demitiram 7 mil funcionários, porque, mesmo com os benefícios tributários concedidos pelo governo, o setor ainda não conseguiu queimar os elevados estoques.

Correio Braziliense

TRAMOIA ? Escritório de Márcio Thomaz Bastos deixa o caso Cachoeira. Está confirmada a saída de toda equipe.

O escritório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos deixa nesta terça-feira a defesa do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Foi confirmada a saída de toda equipe de advogados, mas ainda está sendo negociado o fim do contrato.

O motivo não foi informado.
Segundo a advogada Dora Cavalcanti, ouvida pela agência Reuters, a saída já estava combinada com a família de Cachoeira.

- Já estava acertado que nós deixaríamos a defesa depois dos depoimentos na Justiça de Goiânia - disse Dora.

Procurado, Márcio Tomaz Bastos não quis comentar o assunto:

- Não falo sobre isso declarou.

Cachoeira prestou depoimento na 11ª Vara de Justiça de Goiás na semana passada, mas permaneceu calado. A advogada afirmou que não houve nenhum desentendimento entre o cliente e os defensores. Cachoeira, preso desde fevereiro em Brasília acusado de comandar uma rede de jogos ilegais, também é alvo de uma CPI no Congresso que apura suas ligações com políticos e empresários.

Dora Cavalcanti revelou que surpreendeu a equipe a atitude da mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, que tentou chantagear o juiz Alderico da Rocha Santos na semana passada.

- Nós ficamos surpresos com a atitude dela, mas isso não determinou a nossa saída, que já estava acertada com a família - explicou Dora.

Andressa foi detida pela Polícia Federal de Goiânia na segunda-feira para prestar explicações sobre a ameaça que fez ao magistrado. Ela teria dito ao juiz que um dossiê contra ele seria divulgado pela mídia se ele não determinasse a soltura de Cachoeira, que está preso em Brasília desde fevereiro.

Por conta da ameaça, a Justiça determinou o pagamento de fiança de R$ 100 mil por parte de Andressa e a impediu de manter contato com pessoas denunciadas pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Com isso, ela não poderá visitar Cachoeira na prisão.

A advogada não soube informar quem vai passar a compor a defesa de Cachoeira.

O Ministério Público Federal (MPF) em Goiás já espera um atraso na decisão judicial sobre o caso, uma vez que a nova defesa jurídica a ser constituída por Cachoeira vai requerer um novo prazo para analisar os autos. Foram os advogados do escritório de Thomaz Bastos que participaram das audiências realizadas na Justiça Federal em Goiânia na semana passada.

O processo está na fase de alegações finais, quase pronto para uma decisão do juiz federal Alderico Rocha Santos. Como os novos advogados de Cachoeira ainda não constituídos oficialmente terão de se inteirar sobre o processo, uma eventual sentença pode ser prorrogada.

Autoridades que atuam no caso acreditam que a saída do escritório de Thomaz Bastos pode ser mais uma estratégia do grupo de bicheiro, uma forma de ganhar tempo nesta fase final do processo em curso na Justiça Federal de Goiás.

A tentativa de colocar o magistrado sob suspeição também seria uma estratégia da defesa para adiar a decisão judicial, conforme autoridades do caso.

O Globo

julho 30, 2012

Patrimônio de Andressa é 13 vezes o de Cachoeira


Na lista das fortunas em nome de integrantes do bando do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que chama atenção é o patrimônio “franciscano” do próprio bicheiro:
1,5 milhão de reais resumido em um terreno em Goiânia.

A ex-mulher de Cachoeira Andrea Aprigio tem 16,3 milhões de reais em patrimônios,
e a atual mulher, Andressa Mendonça, tem 20 milhões de reais resumidos em uma fazenda.


Já os três irmãos “Almeida Ramos” de Cachoeira, tem fortunas distribuídas em quantias bem diferentes:
Paulo (8,1 milhões de reais),
Marco Antonio (2,7 milhões de reais)
e Reginaldo (17,1 milhões de reais).

Adriano Aprigio, ex-cunhado de Cachoeira fecha a lista das maiores fortunas com 9,4 milhões de reais.

O patrimônio completo do bando de Cachoeira, segundo a PF apurou,
envolve 36 fazendas e chácaras,
58 apartamentos,
treze casas,
dezoito prédios e salas comerciais,
74 terrenos,
51 veículos de passeio,
32 motos,
quatro caminhões,
21 empresas
e 3 415 cabeças de gado.

O valor estimado de todos esses bens somados é de cerca de 167 milhões de reais.

Via Lauro Jardim/Veja

EM REPÚBLICA TORPE... ÓCIO REMUNERADO ! ‘O trabalho do ministro do Trabalho’,O COÇA SACO !

Carlos Daudt Brizola, para a surpresa de muitos, é o ministro do Trabalho. Sua passagem pelo ministério ─ hoje sem a mínima importância, ficou seis meses sem titular e ninguém notou ─ é a de um adepto radical de Paul Lafargue, o autor do clássico “O Direito à Preguiça”.

Tomou posse no dia 3 de maio, quinta-feira.

No dia seguinte teve um compromisso, às 10h.

Reapareceu após quatro dias.
Mas, de acordo com sua agenda oficial, seu expediente foi restrito:
duas atividades pela manhã, não mais que duas horas.

No dia 9, compareceu ao ministério, outra vez só pela manhã, para uma palestra.

Na quinta, não mudou a rotina:
um compromisso.

No dia posterior, mais ociosidade:
uma atividade, no final da tarde.

Em seguida, três dias de folga.
Reapareceu no dia 15, uma terça, para um evento às 10h30.
Mais nada.

O mais bizarro é que o ministro desapareceu um mês ─ um mês!
Será que quis gozar das férias?
Já?

Só voltou no dia 14 de junho.
Estava na Suíça, que ninguém é de ferro.

Aí, como um homem de hábitos arraigados, tirou mais quatro dias de descanso.

Em 19 de junho, uma terça, Daudt Brizola resolveu compensar a ociosidade.
Marcou três audiências:
das 15 às 18 horas, trabalhando três horas.

Na quarta foi assistir a Rio+20.

Na quinta, folga.

Na sexta participou de um evento, pela manhã, no Rio, onde mora.

Pesquisando sua agenda, achei que ele finalmente iria assumir o trabalho no ministério do Trabalho. Sou um ingênuo.
Submergiu mais cinco dias.
Ressurgiu no dia 27.

E aí, workaholic, trabalhou três horas pela manhã, duas e meia à tarde.

No dia posterior, repetiu a dose.

Na sexta-feira, veio a São Paulo e em seis horas visitou quatro centrais sindicais.

Em junho, trabalhou oito dias.
Só em um deles a jornada se aproximou das oito horas diárias.

Em julho, Daudt Brizola só começou trabalhar na terça-feira:
ele não gosta das segundas-feiras.
Mas nada muito estafante:
90 minutos pela manhã, começando às 10h.
À tarde, a mesma jornada, a partir das 16h.

Na quarta, cinco horas.

Na quinta, descansou pela manhã, almoçou tranquilo e só começou seu expediente às 14h30.
Foi embora três horas depois.

Na sexta, só compareceu ao ministério à tarde, por 60 minutos.
Às 15h, estava liberado.
Afinal, tem o happy hour.

Na segunda semana de julho, como um Stakhanov, resolveu ser um herói do trabalho.

Registrou atividades de segunda a sexta.
Claro que com o espírito macunaímico:
em dois dias só teve um compromisso.

Parecia, apenas parecia, que finalmente o ministro do Trabalho iria trabalhar.
Mais uma vez acabei me equivocando.
Como de hábito, deixou a segunda de lado.

Só apareceu na terça, à tarde, reservando 60 minutos para a labuta.

Na quarta, mais três horas de expediente.

No dia seguinte, o ministro sumiu.

Só voltou seis dias depois, e somente à tarde.
E voltou a se evadir do dia 25 ─ é devoto de São Cristovão?

Paro por aqui.
Não vale a pena cansar o leitor da Folha com as ausências ao trabalho do ministro.
Será que a presidente não tem conhecimento do absenteísmo do ministro?
Com tanta greve, o que ele fez?

E o que diria Leonel Brizola ─ que trabalhou e estudou com enorme dificuldade, se formou engenheiro em um curso noturno, quando era deputado estadual ─ vendo um neto tão pouco afeito ao labor?

Em tempo: Brizola Neto é o irmão, não ele.

MARCO ANTONIO VILLA

OS ONZE "PILOTOS" DO SUPREMO III : A hora e a vez do mensalão

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Na próxima quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal inicia o maior julgamento da sua história. Da decisão dos 11 ministros depende o destino dos 38 réus do mensalão, o gigantesco esquema de desvio de dinheiro público para alimentar uma rede de falcatruas.

É hora de virar a página da corrupção que assola o país desde a ascensão do PT.

As 50 mil páginas dos 300 volumes que compõem o processo estão repletas de provas de que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu surrupiou dinheiro dos cofres públicos para financiar um festival de crimes que vão de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva a peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Em reportagem no domingo, O Globo estimou em "pelo menos" R$ 101,6 milhões o montante desviado pelo PT para comprar apoio de parlamentares, corromper servidores públicos, lesar o erário, driblar o fisco - enfim, praticar atos corruptos - a fim de perpetuar-se no poder após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

A cifra resulta de apurações feitas por investigadores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União, mas pode ser ainda maior.

Segundo a Folha de S.Paulo, o mensalão teria mobilizado R$ 141 milhões em dois anos, somando empréstimos bancários e recursos desviados de contratos com o setor público.

A defesa dos mensaleiros argumenta que não houve pagamento de mesada a parlamentares para votar com o governo petista nos idos de 2003 a 2005. A realidade é que existiu não apenas isso, como também coisa muito pior:
a montagem de uma rede para corromper o poder público, parasitá-lo, carcomer as estruturas da República.
O mensalão é isto.

"A palavra 'mensalão' dá a impressão de uma fila de pessoas que, ao fim do mês, vai receber alguma coisa. Nada a ver com isso. Ali tem peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha e os crimes fiscal e financeiro", resume o ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza, autor da denúncia.

Ele assegura, em entrevista a O Globo publicada hoje, que há elementos de sobra para condenar os principais envolvidos no esquema, como José Dirceu e Marcos Valério: "Eram provas, não eram apenas indícios, que foram corroboradas depois com laudos periciais".

Um dos laudos foi feito pela Polícia Federal e comprova o uso de dinheiro do contribuinte para irrigar os dutos da corrupção, como os saques de R$ 4,6 milhões realizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro que tiveram como fonte recursos que a empresa DNA, de Valério, recebeu do fundo Visanet para prestar serviços de publicidade ao Banco do Brasil.

Outros R$ 7,2 milhões saíram da SMP&B, também do publicitário.

O mensalão é a mãe de todos os escândalos de corrupção que se seguiram no governo Lula, e se estenderam também à gestão de Dilma Rousseff. Seu DNA está presente, por exemplo, no recém-descoberto esquema de desvio de dinheiro no Banco do Nordeste, usando os mesmos estratagemas espúrios.

"Pelo número e importância das pessoas envolvidas, pela instância máxima do julgamento (STF) e pela grande cobertura da imprensa, pode-se dizer que se trata da mais importante denúncia de irregularidade da história da República", define o historiador José Murilo de Carvalho.

"Acho que não tem nada parecido na história do Brasil", corrobora a cientista política Maria Celina d'Araújo, da PUC do Rio.

"Trata-se da mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber", descreveu a Procuradoria-Geral da República na peça acusatória, apresentada em 2007.

O mensalão foi "o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil", segundo o procurador Roberto Gurgel, a quem caberá sustentar a denúncia da PGR no Supremo a partir do próximo dia 2.

Com esforço de milhões de cidadãos, o Brasil vem dando, ao longo das últimas décadas, passos importantes rumo à sua modernização, provendo melhores e mais dignas condições de vida à sua população.

Julgar o mensalão irá significar mais um passo importante nesta caminhada. Se já restauramos a democracia, estabilizamos a economia e reduzimos a pobreza, a hora, agora, é de extirpar a corrupção, que a tudo dizima.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
A hora e a vez do mensalão

E NO brasil maravilha da "GERENTONA" II : Reservas do País caíram US$ 212 mi na sexta, diz BC


As reservas internacionais caíram US$ 212 milhões na última sexta-feira, informa o Banco Central (BC).

Com a diminuição, o montante passou de US$ 375,650 bilhões para US$ 375,438 bilhões no conceito de liquidez internacional. A retração reflete, entre outros aspectos, a oscilação do valor de mercado dos ativos que compõem as reservas internacionais, como os títulos da dívida dos Estados Unidos e outros países.

FERNANDO NAKAGAWA

E NO brasil maravilha da "gerentona" : Inflação do aluguel acelera em julho, subindo 1,34%. Em 12 meses, IGP-M avança 6,67%

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) a chamada inflação do aluguel, pois guia os reajustes de moradia mostrou aceleração em julho, subindo 1,34%, frente à alta de 0,66% registrada em julho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira.

Em 12 meses, o IGP-M avançou 6,67% e a taxa acumulada no ano é de 4,57%.

A inflação pelo IGP-M veio maior do que os economistas do mercado financeiro previam. Segundo mediana de projeções coletadas pela agência de notícias Reuters, eles projetava alta de 1,23%.

Dentre os subíndices que compõem o IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo-Mercado (IPA-M) que avalia a inflação do atacado e tem peso de 60% no índice teve alta de 1,81%. Os preços dos Bens Finais avançaram 1,04%, ante 0,19% anteriormente.

Contribuiu para este movimento o subgrupo combustíveis, cuja taxa de variação passou de -0,28% para 5,14%.

No segmento Bens Intermediários, houve aceleração para 1,34%, ante 1,20% em junho.
A principal contribuição partiu do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, que passou de 0,38% para 3,65%. O índice de Matérias-Primas Brutas apresentou variação de 3,31%, contra 0,76% no mês anterior.

Os itens que mais influenciaram foram soja em grão (4,30% para 14,89%),
milho em grão (-3,95 para 6,74%)
e café em grão (-2% para 2,36%).

Há uma pressão forte exercida pelos produtos agrícola, como a soja e o milho, que estão sendo afetados pela seca nos Estados Unidos. O tomate também teve uma alta forte, influenciada por fatores climáticos no Brasil.

Mas isso não significa que essa alta chegará ao varejo:
os preços agrícolas no atacado são muito mais sensíveis avaliou o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio.


Segundo Cunha, o preço dos combustíveis também teve participação importante na alta do IGP-M em julho, influenciada pelo reajuste de 6% sobre o diesel desde o dia 16. O economista prevê que essas influências continuarão pressionando as próximas divulgações de índices de inflação da FGV.

Ele calcula que o próximo IGP-DI venha ainda acima do 1,34% registrado pelo IGP-M, mas espera que a força dos preços agrícolas comece a ceder a tempo de entregar um IGP-10 abaixo de 0,70%. Cunha estima que o IGP-M fechará o ano acima de 7%.


Preços no varejo avançam 0,25%

O Índice de Preços ao Consumidor-Mercado (IPC-M), que acompanha os preços no varejo, avançou 0,25%. A principal contribuição para o acréscimo foi do grupo Alimentação, que passou de 0,61% para 1,06%. Nesta classe de despesa, destacou-se o comportamento do item hortaliças e legumes, cuja taxa de variação passou de 7,53% para 15,39%.

Também foram registrados acréscimos nas taxas de variação de Transportes (-0,78% para -0,39%),
Educação, Leitura e Recreação (-0,07% para 0,27%),
Comunicação (-0,03% para 0,17%)
e Habitação (0,17% para 0,18%).

Por sua vez, o Índice Nacional de Custo da Construção-Mercado (INCC-M) registrou elevação de 0,85 por cento, desacelerando ante alta de 1,31 por cento na apuração de junho.

O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,63 por cento, ante 0,30 por cento no mês anterior.

O custo da mão de obra subiu 1,05% em julho, ante 2,28% em junho.

ÁGUA FORA DA BACIA :Após ter tentado oferecer vantagens indevidas a juiz. Mulher de Cachoeira terá que pagar R$ 100 mil de fiança para não ser presa.


Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, terá de pagar fiança de R$ 100 mil, após ter tentado oferecer vantagens indevidas ao juiz federal Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiânia, para obter decisão favorável ao marido.

Santos é o juiz que está conduzindo o processo contra o bicheiro e mais sete réus, por corrupção e formação de quadrilha armada, aberto após investigações da Operação Monte Carlo.

De acordo com informações da Polícia Federal concedidas nesta segunda-feira, Andressa, já foi liberada e terá um prazo maior para recolher essa multa. Além disso, a PF definiu que ela não poderá ter qualquer contato com envolvidos na operação Monte Carlo, que levou à prisão de Cachoeira, inclusive com o marido.

Mais cedo, Andressa foi levada para prestar esclarecimentos à Polícia Federal. Os agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão em sua casa, antes de encaminhá-la ao depoimento.

Na última quarta-feira, o Ministério Público Federal pediu à Polícia Federal que abra inquérito para apurar o suposto uso de Andressa como laranja de Carlinhos Cachoeira .
Documentos apreendidos na Operação Monte Carlo indicam que Cachoeira negociou a compra de uma fazenda de R$ 20 milhões entre Luziânia e Santa Maria, a cem quilômetros de Brasília, e passou para o nome da namorada.

A CPI do Cachoeira também já marcou a data para o depoimento da atual mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira e da ex-esposa do contraventor, Andréa Aprígio, na comissão que investiga as relações de Carlos Augusto Ramos com políticos e empresários. Ambas vão se apresentar à CPI no próximo dia 7 de agosto.

Atualização

Após chantagear o juiz Alderico da Rocha Santos, responsável pela investigação da operação Monte Carlo, Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, foi detida nesta segunda-feira pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos e logo depois liberada.

Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal de Goiás, Andressa foi até o gabinete de Santos na última quinta-feira, um dia após Cachoeira prestar depoimento em Goiânia, e disse que tinha conhecimento de um dossiê contra o magistrado e que poderia evitar sua divulgação pela mídia desde que o marido fosse solto.

O juiz denunciou a ameaça e nesta segunda, e a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Andressa e a deteve para prestar depoimento. Na casa da mulher de Cachoeira foram apreendidos dois computadores e dois tablets, segundo a assessoria da PF em Goiás. Cachoeira está preso desde fevereiro em Brasília, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

No final da manhã desta segunda ela foi liberada, mas deverá pagar fiança de 100 mil reais e está impedida de manter contato com qualquer pessoa que tenha sido denunciada pela operação Monte Carlo da Polícia Federal.

Essa investigação, que desbaratou o grupo de Cachoeira que explorava jogos ilegalmente, deu origem a CPI do Cachoeira no Congresso, que investiga a relação dele com agentes públicos e privados.

Andressa terá três dias para pagar a fiança e não poderá mais visitar o marido no presídio da Papuda, em Brasília, onde Cachoeira está preso.

Ela também foi convocada para prestar depoimento à CPI na próxima semana.

OS ONZE "PILOTOS" DO SUPREMO II : Um julgamento para além do mensalão

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O Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de ser um templo inatingível, habitado por senhores circunspectos, alérgicos a jornalistas e que só se pronunciavam "nos autos".

É provável que esta dessacralização da mais alta Corte brasileira tenha relação com a maior exposição pública que o tribunal passou a ter na redemocratização, diante do grande número de demandas derivadas do próprio processo de consolidação de liberdades e direitos garantidos pela Constituição de 88.

Porém, poucas vezes na História, o STF terá atraído tanto as atenções como a partir desta semana, quando está previsto o início do julgamento do processo do mensalão. O caso mobiliza em grandes proporções a paixão político-ideológica, de petistas e de opositores.

Os 38 réus são acusados pela Procuradoria-Geral da República (o Ministério Público Federal) de constituírem uma "organização criminosa" para, na primeira gestão Lula, desviar dinheiro privado e público a um esquema de compra financeira de apoio parlamentar ao governo.

Denunciado por um dos beneficiários desta "organização", o ainda deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), o mensalão, nome de batismo dado também por Jefferson, envolve militantes do PT, parlamentares do partido e também do PTB e do PMDB.

O enredo da trama tem de tudo ou quase tudo em matéria de corrupção:
há um banco (Rural), desvio de dinheiro público de estatal (BB/Visanet) e uma lavanderia para tentar legalizar recursos desviados (Marcos Valério e suas agências de publicidade).

E, segundo o MP, um "chefe":
o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu.

E um nome não citado nos autos, mas que paira sobre todo o processo e será de alguma maneira atingido, de forma positiva ou negativa, a depender do desfecho, pelos veredictos: Luiz Inácio Lula da Silva.

São diversos os crimes imputados pelo MP aos acusados. Há peculato, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. No entanto, mais importante que a tipificação de delitos é a inevitável implicação político-institucional do processo.

Os ingredientes são fortes.
À margem do envolvimento direto e indireto de personagens com claras aspirações na vida pública, há a questão de se é possível um julgamento com base exclusivamente nos autos de um processo com tantas conotações extrajurídicas.

É um desafio para os 11 ministros do Supremo.

A Corte não tem mais qualquer semelhança a um monastério distante de tudo e todos, mas a maioria já demonstrou saber exercitar a equidistância para decidir com equilíbrio em meio às diversas pressões desencadeadas em julgamentos importantes. Foi assim na revogação da Lei de Imprensa, um entulho autoritário.

Bem como, em outro plano, na liberação do aborto de fetos anencefálicos. Ou na confirmação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa. Nestas demandas, foram contrariados, em diversas medidas, interesses da Igreja, do Congresso e de áreas do Executivo.

Um grande ponto de interrogação, porém, persistirá. Não se sabe em que medida influenciará cada magistrado o sentido mais profundo da atuação daquela "organização", contrário ao estado de direito democrático.

No pano de fundo do julgamento do mensalão estão a democracia e o respeito à Constituição. E, por isso mesmo, a própria consolidação do papel vital do Supremo na estabilização institucional do Brasil.

O Globo

brasil SEGUE "MUDANDO" COM A GERENTONA/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA : Brasil era exportador, passou a importador .

Especialista afirma que novas refinarias foram projetadas para produzir mais diesel que gasolina. De fornecedor de gasolina e etanol para o mercado externo, o Brasil virou cliente.

“Continuaremos nessa posição pelos próximos 3 ou 4 anos, quando as novas refinarias entram em operação”, diz o diretor doCentro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.


O problema é que as novas unidades foram planejadas para produzir mais diesel do que gasolina. Na Refinaria Abreu Lima, que deve começar a funcionar em novembro de 2014, 65% da capacidade será direcionada à produção de óleo diesel.

O Comperj –que não tem data para entrar em operação – foi desenhado para produzir diesel, querosene, nafta e coque. Para o gerente de abastecimento do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustível (IBP), Ernani Filgueiras, é possível que, diante do cenário de escassez, o complexo petroquímico produza gasolina numa segunda fase.

A ideia da Petrobrás, segundo especialistas, era usar as novas unidades para outros combustíveis e deixar as antigas refinarias para produção de gasolina.Mas a estatal foi pega no contrapé.

“Não há planejamento no mundo que dê conta de um cenário que tinha 100 novas unidades de produção de etanol com alta produtividade e de repente para tudo”,diz uma fonte do governo. O fato, avaliam especialistas, é que a estatal apostou que o biocombustível atenderia a demanda.

“Além disso, refino sempre foi visto como investimento de baixa retorno pelos analistas”, diz o diretor da consultoria Gas Energy, Carlos Alberto Lopes.

Mas ele discorda do mercado:
“Quem tem matéria-prima tem de fazer o refino. A Exxon, por exemplo, é toda integrada.” O executivo lembra que desde a década de 80 a Petrobrás não constrói uma nova refinaria no País.

Para reduzir a dependência de gasolina importada, o governo já ensaiou elevar a mistura de etanol na gasolina, de 20% para 25%. Apesar de exigir aumento na importação do biocombustível, haveria alívio nas contas da Petrobrás, que compra gasolina mais cara no exterior e vende mais barato no Brasil.

O rombo no caixa da estatal tem sido preocupante.


Renée Pereira O Estado de S. Paulo

E no brasil maravilha da carinhosa(MENTE) : Brasil ainda tem 1 milhão sem escola

São apenas cinco letras, mas rabiscá-las é um tremendo desafio. Com um caderno sobre as pernas, Mário, de 11 anos, quase desenha seu nome, a única palavra que sabe escrever, manuseando o lápis sem intimidade. O nome é fictício, a história, real.

A deslumbrante paisagem que se vê da casa do menino, que só entrou para a escola há cerca de um mês, revela um problema que ainda persiste mesmo nos estados mais ricos. O franzino Mário vive seu drama particular no Morro do Vidigal, em São Conrado, debruçado sobre os bairros de maior renda do Rio.

Os números do Censo do IBGE mostram que, apesar de o problema ser mais grave nas regiões Norte e Nordeste, nenhum estado conseguiu até hoje incluir todas as crianças de 6 a 14 anos na escola. Esta população de não estudantes representa 3% do total da faixa etária.

Pode parecer um percentual pequeno, mas é grave quando se considera que é quase um milhão de crianças que ainda não têm garantido um de seus direitos mais básicos, previsto pela Constituição de 1988:
estudar.

Se a esse grupo forem incorporados as crianças de 4 e 5 anos e os jovens de 15 a 17 (que passam a fazer parte da faixa etária de escolaridade obrigatória a partir de 2016), o número aumenta para 3,8 milhões, ou 8% do total.

Tabulações feitas pelo GLOBO nos microdados do Censo mostram que o problema é maior entre os mais pobres e crianças com algum tipo de deficiência. Os números também revelam que a maioria (62%) das crianças que não estudam dos 6 aos 14 chegou um dia a frequentar a escola, mas abandonou os estudos.

O problema é ainda mais grave se consideradas as faixas etárias de 4 e 5 anos e de 15 a 17, que desde 2009 passaram a ser também obrigatórias, mas com prazo para adequação dos sistemas até 2016.

As razões mais citadas por especialistas para isso são falta de interesse, repetência, gravidez precoce e necessidade de trabalhar.

Mas há situações difíceis de entender. Como a de Mário (nome fictício). No Morro do Vidigal, há uma creche municipal e uma escola, a poucos metros da casa dele. Tímido, ele é um menino saudável, apto a aprender e que não esconde de ninguém que queria muito, muito estudar.

- Agora eu estou feliz - sorri e mais não diz o menino, que não conhece sequer o "i", uma das vogais de seu nome (o verdadeiro também tem a letra). Ele revela apenas o que pretende fazer com os conhecimentos que começa a adquirir com seu primeiro professor. - Quero ler jornal e gibi.

Ex-representante da Unesco no Brasil e doutor em Educação pela Universidade de Stanford, o assessor internacional para a área de educação, Jorge Werthein, diz que o primeiro passo, nada fácil, é identificar essas crianças e adolescentes.

- O Brasil é um país de contrastes. Há estados importantes com uma grande periferia urbana e muitas desigualdades econômicas. Há estados com uma área rural significativa que sofrem com a falta de escolas. Num país continental, é uma tarefa árdua chegar a essas crianças e adolescentes por estado, por capital, por região metropolitana. Mas é preciso achá-los e depois convencê-los a ingressar ou a voltar para a escola - diz.

- Depois, nós temos que repensar a escola para que ela seja um espaço não apenas prazeroso, mas em que os alunos sintam que estão aprendendo. Uma escola ruim em qualquer lugar do mundo expulsa os alunos, com repetências e abandono. Deixa para eles a mensagem de que não são capazes, o que marca de forma brutal meninos e meninas - completa Werthein.

- Houve uma evolução inegável nos últimos dez anos. Mas ainda há muita criança fora da escola, situação agravada pelas desigualdades. Entre 4 e 5 anos, há 83% estudando no Sudeste, o que ainda é ruim, mas pior é haver só 69% dentro de sala de aula no Norte - afirma Andrea Bergamaschi, do movimento Todos pela Educação.

- Para reverter este quadro, precisamos de políticas públicas cirúrgicas, específicas para cada situação.

Carla Rocha/Antônio Gois
O Globo

OS ONZE "PILOTOS" DO SUPREMO ! HORA DA VERDADE? OU O "ONZE DE SETEMBRO" DO NOSSO SUPREMO...

Já valeu!

No país da jabuticaba e do jeitinho, do esperto que leva vantagem em tudo e da impunidade que beneficia os mais influentes e endinheirados, dá gosto ver 38 notáveis do governo passado enfrentando anos de incerteza quanto ao seu futuro próximo.

Na condição de réus são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Acabarão condenados?

Convenhamos: foram condenados, embora possam ser absolvidos pela Justiça.

Lembra-se de Fernando Collor?

Acusado de corrupção, renunciou ao cargo de presidente para escapar do impeachment no Senado. Ignorou-se sua carta-renúncia. Decisão política, meus caros!

O mandato de Collor foi cassado por larga margem de votos. Mais tarde, o Supremo Tribunal Federal (STF) o absolveu por falta de provas de que prevaricou.

Mudou a situação de Collor? Ele passou a ser apontado como uma triste inocente vítima de escandalosa injustiça?

Collor pode se reeleger senador em seu Estado quantas vezes queira ou quantas os alagoanos desejem. E ser tratado pelos poderes da República com as mesuras reservadas a todo ex-presidente.

Pouco importa. Daí não passará.

Está escrito com tinta irremovível na memória coletiva que ele deixou roubar antes e durante o seu governo. E que desfrutou do roubo. Isso é suficiente para impedi-lo de sonhar com a recuperação da sua imagem.

Mesura nada tem a ver com respeito. Tem a ver com protocolo. Collor é um morto-vivo, um fantasma que vaga pelos corredores do Senado.

As prerrogativas dele são iguais às dos seus colegas. Nem por isso Collor é igual a eles. Faz parte de um passado que desejamos envergonhadamente esquecer.

O "caçador de marajás" foi uma fraude. Hipnotizou a maioria dos brasileiros ansiosos por mudanças. Os candidatos da mudança foram para o segundo turno. Collor derrotou Lula.

Por que Lula, que considerou "prática inaceitável" o suborno de parlamentares, confessou sentir-se traído por antigos companheiros e foi à televisão pedir desculpas?; por que ele, agora, se refere ao "mensalão" como uma farsa montada com o único propósito de derrubá-lo?
O que o fez mudar de lado?
Não vale responder que Lula é uma "metamorfose ambulante". E que se reconhece como tal.

A verdade - ou algo parecido: o julgamento dos mensaleiros é também o julgamento de Lula e do PT. Lula quer ser lembrado como o "pai dos pobres". Não como o chefe dos mensaleiros. Nem dos aloprados. Nem...

O julgamento marcado para começar nesta quinta-feira não revelará o PT que temos por que esse já sabemos qual é.

Revelará o STF que temos.
Um STF capaz de ignorar o clamor popular pela condenação dos acusados - e assim afirmar sua independência. Ou um STF capaz de ouvir o clamor - e assim dar o basta mais forte à impunidade.


Da redemocratização do país para cá, dois dos três poderes da República se viram expostos a sucessivas avaliações da sociedade – o Executivo e o Legislativo. Esse último foi reprovado todas as vezes.

Chegou a hora do Judiciário, o poder mais refratário a qualquer tipo de exame. O mais fechado. O mais autocrático.

Oremos por ele!

Hora da verdade/Transcrito/Original de :
Ricardo Noblat

brasilva E O "JOGO DA CORPORAÇÃO" DA ERA CACHAÇA NA REPÚBLICA DE TORPES


Texto guardado em sigilo há mais de seis anos revela alterações no relatório final da CPI dos Correios, que investigou o mensalão, para omitir menções ao filho mais velho do ex-presidente Lula.

O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi redigido pela equipe do deputado ACM Neto (DEM-BA), sub-relator da CPI dos Correios para o tema fundos de pensão.

ACM Neto confirmou à Folha que se trata do texto original. Do texto enviado ao relator Osmar Serraglio (PMDB-PR), foram suprimidas menções a Fábio Luís, o Lulinha, e ao fato de a empresa investigada Gamecorp pertencer a ele. Serraglio tinha poderes para alterar o texto do sub-relator.

Chama atenção que só tenham sido suprimidos trechos que citavam Lulinha ou eram críticos a ele e a Lula.

Fábio Luís foi investigado porque a Telemar (atual Oi) investiu R$ 5 milhões na Gamecorp em 2005, um ano após ter sido criada por Lulinha, com capital de R$ 10 mil. Dois fundos de pensão investigados pela CPI tinham participação na Telemar, que recebera aporte do BNDES.

Foram suprimidos trechos como “por envolver, naturalmente, como beneficiário, o filho do presidente da República”. Ficou de fora um parágrafo inteiro que criticava o Ministério da Fazenda e juntas comerciais de diversos Estados que não responderam aos pedidos da CPI por informações sobre a Gamecorp.

A Fazenda, segundo o texto de ACM Neto, respondeu que repassar essas informações “poria em risco os interesses legítimos da empresa”.


O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse à Folha que conversou com Lula diversas vezes e que houve pressão “de todos os lados”, mas silenciou sobre a origem da ordem para retirar o nome de Lulinha. Serraglio confirma as pressões do Planalto. “Essas informações chegavam para gente, ‘ou vocês retiram ou nós vamos criar dificuldades para aprovar’”, disse.

“Tinham pessoas mais próximas [do Planalto] que acompanhavam, o Carlos Abicalil (PT-MT), o Jorge Bittar (PT-RJ), era a tropa da frente.”

Para Delcídio e Serraglio, se o nome de Lulinha tivesse sido mantido, o relatório não teria sido aprovado. Mencionar Lulinha seria o mesmo que citar o presidente. A CPI não quebrou o sigilo da Gamecorp.

Andreza Matais e Rubens Valente/Folha

julho 28, 2012

MP suspeita que Andressa seja laranja de Carlinhos Cachoeira. Ela negociou fazenda de R$ 20 milhões no interior de Goiás

Andressa Mendonça, a loira que provocou alvoroço na CPI do Cachoeira, pode ser mais do que uma simples namorada do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Na última quarta-feira, o Ministério Público Federal pediu à Polícia Federal que abra inquérito para apurar o suposto uso de Andressa como laranja de Cachoeira.


Documentos apreendidos na Operação Monte Carlo indicam que Cachoeira negociou a compra de uma fazenda de R$ 20 milhões entre Luziânia e Santa Maria, a cem quilômetros de Brasília, e passou para o nome da namorada.

Diálogos interceptados na operação mostram que Cachoeira planejava fracionar e revender pequenos lotes da propriedade. A venda de todos os lotes, perto de Luziânia, poderia render R$ 58 milhões ao bicheiro.

Ou seja, o negócio renderia lucro de quase R$ 40 milhões.


Um dos documentos obtidos pela polícia indica que Cachoeira ofereceu como entrada três carros Mitsubishi, e o restante seria parcelado até a legalização da fazenda. A terra está sendo pleiteada pelos supostos proprietários por usucapião.

Tal aquisição já foi objeto de relatório específico o qual demonstrou que no caso da compra da fazenda Santa Maria integrantes da ORGCRIM (organização criminosa) confiaram que o investimento de milhões de reais seria viabilizado mesmo com dificuldades, que seriam barreira para qualquer investidor sem ramificações ou influência no setor público uma vez que a fazenda Santa Maria encontra-se sub-judice, informa relatório da Polícia Federal obtido pelo GLOBO.

O processo para a legalização da fazenda tramita na Justiça, em Brasília.

A polícia começou a desconfiar do uso de Andressa como laranja da organização de Cachoeira depois de apreender, no computador de Gleyb Ferreira, a cópia de um contrato particular de compra e venda com recibo de sinal em nome da namorada do bicheiro.

Pelo documento, a fazenda seria comprada de Dinah Cardoso Mendes e Norgente Pereira Mendes e repassada para a namorada de Cachoeira. Como sinal, foram oferecidos três veículos automáticos da Mitsubishi.

O restante seria dividido em parcelas de R$ 65 mil por mês a partir de março deste ano até a legalização da terra, com o julgamento final da ação de usucapião. O negócio era de alto risco. Afinal, não seria possível antecipar o resultado de uma decisão judicial. Mas, ainda assim, a organização de Cachoeira apostou alto no negócio.

Em 2 de fevereiro, 26 dias antes de ser preso, Cachoeira tratou da compra da fazenda com Andressa. O diálogo foi gravado na Operação Monte Carlo.


Cachoeira orientou conversa com contador

Depois de um rápido cumprimento, Cachoeira orienta a namorada a passar alguns dados pessoais para Geovani Pereira da Silva, contador da organização.

Pega a empresa sua, passa pro Geovani o nome, CPF, tudo, pra escriturar 25% de uma área que nós compramos aqui, e põe ela no ramo imobiliário, tá! Loteamento, essas coisas, ok? orienta o contraventor.

Ok! Então tem que sentar com o meu contador, né? Mas eu já vou passar os dados, pra ele agora, pedir pra minha secretária passar obedece Andressa.

Tá bom, faz isso agora que passa a escritura aqui, tchau! encerra Cachoeira.

Num outro diálogo, também interceptado na Monte Carlo, Cachoeira acerta com Gleyb o fracionamento da propriedade em 570 lotes. A venda dos lotes, numa área em que a urbanização avança celeremente, renderia R$ 58 milhões, pelos cálculos da organização.

Procurada pelo GLOBO, Andressa se defendeu com o argumento de que o contrato de compra e venda, com data de 30 de janeiro deste ano, não está assinado.

Este contrato está assinado? Não está. Não existe imóvel nenhum. Não tem nada no meu nome. Eu bem que gostaria de ter uma fazenda para lazer com meus filhos no fim de semana, mas não tenho. Provavelmente era uma vontade do Carlos disse.

Andressa também negou que tivesse conversado com Cachoeira sobre a compra da fazenda. Depois, confrontada com os diálogos interceptados na Monte Carlo, mudou a versão.

Ele (Cachoeira) foi grampeado durante dois anos. Não meu lembro (de falar sobre a fazenda). Conversava com o Carlos todos os dias afirmou.


O Globo

SEM "MARQUETINGUE ! A CIGARRA EUFÓRICA PODE ESTAR ENTRANDO NA FASE DA RESSACA :Crescem, e preocupam, os sinais negativos na economia brasileira

Ao contrário do que se viu quando a turbulência financeira assombrou o mundo há três anos, o Brasil não vive mais uma onda forte de crescimento.

O consumo travado por causa do endividamento das famílias já não consegue dar fôlego para a economia. A indústria, por sua vez, ainda se ressente da fraca demanda e da falta de competitividade.

Ainda assim, o país ainda mantem um mercado de trabalho com desemprego baixo e redução da informalidade. O que, contudo, não é forte o suficiente para criar condições para a recuperação da atividade, que vem sendo adiada a cada trimestre que passa.

De todo modo, apesar de números pessimistas, o país deve encerrar 2012 com crescimento baixo.


Há razões para que analistas comecem deteriorar as expectativas. Setores alvos de benefícios do governo como o automotivo começam a demitir. As previsões para a indústria entraram no campo negativo e uma retração de 0,04% é esperada para este ano.

O setor industrial fala em semestre perdido, por causa da queda de produção e emprego, baixa utilização dos pátios das fábricas e aumento de estoques.


Já o comércio teve a primeira queda das vendas desde 2009, de 0,8%, em maio. A confiança da indústria voltou para patamares da crise há três anos.

A arrecadação de impostos caiu 6,5% pela primeira vez no ano, porque as empresas lucram menos. E também remeteram 47% menos lucros e dividendos para o exterior no primeiro semestre. Mesmo com o dólar alto como queria a indústria nacional houve uma retração das exportações de 45% nos seis primeiros meses do ano.

A criação de empregos com carteira caiu quase 33% nesse período.
A Previdência Social fechou junho com déficit de R$ 2,7 bilhões:
38% maior que em igual período de 2011.
Menos dinheiro entra no país:

o fluxo cambial foi negativo em US$ 1,9 bilhão em julho, por causa do desempenho negativo de exportações e das saídas de investidores.


Grandes bancos como Santander, Itaú e Bradesco perdem lucratividade e culpam o alto índice de inadimplência que começa a recuar, mas está ainda em nível recorde.

Bradesco prevê queda de 1,5% na indústria

Para o professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzo, um dos principais interlocutores do Palácio do Planalto no campo econômico, as famílias estão no maior nível de endividamento, de 43,3%, e no fim de um ciclo de consumo de bens duráveis.

As limitações são maiores, o nível de renda é menor disse Belluzzo. Não sou eu, mas a torcida do Flamengo, gregos e troianos acham que o governo tem de ir pelo caminho do investimento em infraestrutura para sair dessa crise.

Segundo José Márcio Camargo, da consultoria Opus, o sinal de fraqueza é o da indústria que não tem força para reagir nem aos menores juros da história. Hoje, a Selic é de 8% ao ano.

Ele argumentou que, além de não gerar empregos, os salários no setor subiram 10% no último ano. Isso comprimiu a competitividade da indústria já achatada pelo período de câmbio desfavorável e perda de espaço para importados:

Ficou ainda mais caro produzir no Brasil, mas ao mesmo tempo continua a circular dinheiro, a renda ainda está alta e isso faz com que o crescimento dependa do comércio e dos serviços daqui para frente.

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, espera uma queda de 1,5% para a indústria neste ano e não vê uma retomada muito forte no ano que vem, porque há uma sobreoferta de produtos no mundo devido à crise.

Segundo ele, para o PIB brasileiro
crescer 4%, uma produção industrial avançando 1,5% já seria suficiente em 2013.


O Globo

julho 27, 2012

E NA REPÚBLICA TORPE DO ENGANA CRÉDULOS : A criativa contabilidade do PAC

O governo federal divulgou ontem mais um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De tão maquiados, os números agora já nem atraem mais tanta atenção da imprensa; com raras exceções, os jornais dedicam espaços exíguos à contabilidade oficial.

Também pudera:
criatividade tem limite.


Só com muito reforço nas colunas de ativos e passivos, a contabilidade do programa para de pé. Mais uma vez, o que segurou o desempenho do programa foram empréstimos e desembolsos do Minha Casa, Minha Vida.

O Ministério do Planejamento diz que a segunda etapa do PAC, lançada há um ano e meio, concluiu R$ 211 bilhões em obras, das quais R$ 129,3 bilhões (ou 61%) referem-se a incentivos habitacionais.


Mas como computar como investimento em infraestrutura, ou seja, pedra, tijolo, areia e concreto, o que, na maioria dos casos, é apenas assinatura em papel? Sim, porque o valor do Minha Casa, Minha Vida incluído nos balanços do PAC representa meramente financiamento concedido a mutuários.

É como se um empréstimo tomado nas Casas Bahia para comprar um fogão fosse contabilizado como aplicação na melhoria da infraestrutura do país...


Ainda assim, os financiamentos habitacionais caíram no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2011:
passaram de R$ 35 bilhões para R$ 33,5 bilhões, com queda de 4,3%, segundo a

Folha de S.Paulo.


Também diminuíram as obras de infraestrutura bancadas com recursos do Tesouro Nacional: 7,8%, de R$ 9 bilhões para R$ 8,3 bilhões no semestre.


O que nem o mais carregado pó-de-arroz oficial consegue disfarçar é que o ritmo dos empreendimentos de transportes, essenciais para que o país deslanche, continua deixando muito a desejar. Em média, estes investimentos apresentam queda em torno de 40% na comparação com o mesmo semestre do ano passado.

Um dos casos mais gritantes é o da ferrovia Transnordestina. O Valor Econômico mostra hoje que a obra simplesmente travou no semiárido nordestino. O número de trabalhadores no canteiro caiu a praticamente um terço; o ritmo de colocação de dormentes é de um quilômetro por dia, ante capacidade para 2,5 km diários; e um trecho de 600 km entre Salgueiro (PE) e Pecém (CE) está parado.

Pior que isso, outros dois trechos, já na chegada ao litoral, não foram sequer iniciados. "Sem uma ligação portuária, o trecho atual, do ponto de vista econômico, liga nada a coisa nenhuma", sentencia o jornal. No entanto, na contabilidade do PAC a Transnordestina - que deveria estar pronta em 2010, mas só sairá no próximo governo - caminha em compasso "adequado".

A ferrovia não é a única com cronograma atrasadíssimo. A Norte-Sul, a extensão da Ferronorte e a duplicação da BR-101 também já deveriam estar prontinhas, mas só serão concluídas entre fins deste ano e dezembro de 2014. Na criativa contabilidade do PAC, todas estão, porém, em ritmo normalíssimo. Assim fica fácil...

Seria ótimo se as estimativas oficiais correspondessem à realidade. Mas o que os números do balanço do PAC tentam mostrar os olhos dos cidadãos não vêem no dia a dia.

Onde estão as ações de melhoria da mobilidade urbana, de modernização dos terminais portuários, as ampliações de aeroportos, as expansões de metrôs? No máximo, o que se avista são placas de publicidade em locais onde deveria haver obras.


Tão importante quanto eficiência e agilidade na execução de investimentos estruturais que gerem benefícios diretos e conforto à vida dos brasileiros é a transparência no trato da coisa pública. Ao apelar para malabarismos em suas prestações de contas do PAC, o governo Dilma Rousseff ludibria a sociedade.

Mais desejável seria entregar o que a vultosa propaganda oficial promete; até agora, os gastos publicitários são os únicos realmente bem executados pela gestão petista.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
A criativa contabilidade do PAC

"uma boa notícia ou uma situação de crise moral na vida pública" ?

O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro não aprovou as contas de 499 cidadãos que ocuparam cargos públicos em seus municípios - quase todos ex-prefeitos e ex-presidentes de Câmaras de Vereadores - no estado.

E o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Luiz Zveiter, anunciou o óbvio:
nenhum deles poderá ser candidato nas eleições de outubro. Todos estarão inelegíveis por oito anos.

A existência desse prazo é curiosa:
parece indicar a confiança de que, nos oito anos, políticos desonestos ou incompetentes em alto grau aprenderão a governar ou abandonarão o feio costume de meter a mão nas verbas públicas.

Com uma pitada de cinismo, é bom não esquecer que a inelegibilidade sempre castiga - mas raramente conserta.

Nas eleições deste ano, 21 mil cidadãos do Estado do Rio são candidatos a mandatos diversos. Esse número sugere uma de duas conclusões:
ou existe por aqui extraordinário índice de devoção aos interesses da coletividade, ou os cargos a serem preenchidos pelo voto popular são, por assim dizer, apetitosos.

O eleitor saberá qual das duas explicações é verdadeira.

No caso da primeira, estamos todos de parabéns; na outra hipótese restará aos cidadãos a possibilidade - melhor dizendo, o dever - de tomar nota dos nomes daqueles que se dedicam a usar o poder em benefício próprio.
É certo que existem políticos dos dois tipos. Aqui, como em qualquer outro país.

É difícil saber se os 499 que caíram na malha fina do Tribunal de Contas representam uma boa notícia ou uma situação de crise moral na vida pública:
falta-nos a comparação com anos anteriores.

Não parece improvável que a resposta correta às nossas preocupações seja a de que tudo continua com sempre foi:
nem aumento de safadeza, nem o resultado animador de uma operação de enérgica limpeza nos quadros partidários.

Afinal, a turma parece ser a de sempre, numa mistura de cidadãos honestos e dedicados ao bem comum com aqueles que enxergam na carreira pública aquilo que uma gíria antiga batizou de "boca rica". Durante a campanha eleitoral, é difícil saber. Depois da posse dos eleitos, logo se saberá.

O número dos castigados pelo Tribunal de Contas não é animador. Como também não é excesso de pessimismo imaginarmos que os oito anos de inelegibilidade transformarão em varões de Plutarco, como se dizia antigamente, os 499 agora - mas não submetidos a qualquer pena de cadeia ou multa, o que não deixa de ser curioso.

Afinal de contas, ser apanhado numa malha fina deveria ser apenas a prova de mau comportamento, primeiro passo no caminho para uma punição exemplar.

Luiz Garcia O Globo

E NO THE ECONOMIST... Julgar mensalão é avanço contra impunidade

Historicamente, uma reputação desonesta não impede políticos de terem uma longa carreira (no Brasil).

Assim começa o artigo A corrupção no Brasil publicado nesta semana na revista inglesa
THE ECONOMIST que dedicou uma análise sutil da impunidade no Brasil às luzes do maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal (STF):
o mensalão.


O periódico afirma que o processo no Supremo é um sinal de avanço das instituições brasileiras na luta contra sua cultura de impunidade dos poderosos, cuja punição ainda que improvável, não é mais impensável e só de o caso ter chegado ao tribunal já é um progresso. O STF começará a julgar o processo na próxima quinta-feira, dia 2 de agosto.

A revistas cita casos famosos de políticos que foram acusados de corrupção e, alguns, até julgados como o do ex-presidente Fernando Collor de Mello cassado em 1992 e hoje senador pelo estado de Alagoas e do ex-prefeito e ex-governador do São Paulo, Paulo Maluf, que está na lista de procurados da Interpol, para lembrar que a impunidade sempre esteve atrelada ao dia a dia da política brasileira.

Sobre a família do ex-presidente relembra o caso do pai de Collor, Arnon de Mello, autor do disparo que matou um colega de Senado em 1963 e nunca foi julgado.

A publicação destaca avanços recentes no combate à corrupção e menciona ainda a necessidade de uma reforma no sistema político e judiciário para que o Brasil possa lidar com a questão da impunidade em um futuro próximo.

Segundo a Economist, a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação proporciona uma maior transparência sobre os gastos públicos e está dificultando o roubo de recursos do tesouro. Além disso, a ação mais contundente das agências reguladoras tem dificultado o desvio de verbas em projetos superdimensionados.

A análise cita de forma indireta as constantes recomendações do TCU sobre os sobrepreços na construção dos estádios para a Copa de 2014.

Processo não deve atingir Dilma, diz revista

Na avaliação da revista, a presidente Dilma Rousseff teve o risco de ser atingida pela repercussão negativa do processo reduzido quando demitiu ministros suspeitos de corrupção no ano passado.

Sobre o caso, o artigo mostra que o julgamento pode ser lento e que entre as estratégias de defesa está o objetivo de postergar o veredicto até depois das eleições municipais, para não ferir quaisquer convicções do partido em corridas apertadas.

Ao fim e ao cabo, diz que a consequência política a partir do julgamento do mensalão será provavelmente modesto, já que parte dos acusados não está diretamente ligados ao poder. Mas que o escândalo envolvendo o PT pode representar um novo passo para uma política mais limpa.

E conclui que o principal efeito do julgamento será acabar com a cultura do Brasil de impunidade para os poderosos.

Abolir tais táticas exige reformas ambiciosas, provavelmente no futuro próximo. Sem elas, os esforços para limpar o governo devem trabalhar dentro do quadro jurídico existente.


Que o caso mensalão veio mesmo a julgamento é o progresso:
prisão para políticos corruptos ainda pode ser improvável, mas já não é impensável.

O MENSALÃO EXISTIU.

Nos próximos dias, o país assistirá a um verdadeiro tiroteio de versões sobre o mensalão e as condições que envolveram sua existência.

Pouco interessa.
O que importa é que houve, patrocinado pelo governo petista, um gigantesco esquema de desvio de dinheiro público para comprar o apoio de parlamentares no Congresso.

Há farta documentação a respeito; o resto é esperneio de quem deve, e muito, à Justiça.


Sete anos atrás, o país tomou conhecimento de que, para perpetuar-se no poder, o PT estava usando recursos públicos, desviados de contratos firmados por empresas estatais com agências de publicidade, para garantir o voto de deputados no Parlamento. Nascia, então, o mensalão, uma das maiores máculas da história política brasileira.

Uma das principais fontes de recursos que alimentou o esquema foram contratos de publicidade firmados entre o Banco do Brasil e a DNA Propaganda, agência de Marcos Valério, o operador do mensalão.

Dali saíram exatos R$ 152.833.475,00. Da Visanet, operadora de cartões de crédito na qual o BB tem participação expressiva, também vieram outros R$ 74 milhões, conforme pode ser lido no
relatório do ministro Joaquim Barbosa finalizado em dezembro.

Diante de tão aterradoras provas de que o dinheiro do contribuinte foi surrupiado, o PT, candidamente, insiste em dizer que, na realidade, tomou empréstimos bancários para quitar dívidas de campanha.

Seria, portanto, tudo legal e parte de mera operação financeira. Entretanto, nem a instituição por onde a dinheirama da corrupção foi movimentada corrobora esta torpe versão.


Em suas alegações sobre o mensalão, o Banco Rural assegura que o dinheiro tomado pelo PT veio, sim, de fontes públicas, conforme informa O Globo em sua edição de hoje.

Os recursos que irrigaram o "valerioduto" chegavam ao Rural originados de créditos recebidos de instituições públicas por outra agência de Valério, a SMP&B. Dali, saíam para engordar o bolso de parlamentares.


A alegação do Rural - que tem quatro dirigentes entre os réus do processo - é, apenas, mais uma evidência de que o dinheiro do contribuinte, que deveria ser utilizado para melhorar a vida dos cidadãos brasileiros, foi gasto para benefício do PT e de seu projeto de poder.

Um milionário esquema que só veio à tona porque um dos comensais se sentiu prejudicado por embolsar menos do que lhe prometeram.


As provas de que o mensalão existiu e de que se constituiu no maior duto de dinheiro público para bolsos privados que se conhece na história do país são abundantes na denúncia oferecida pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, em 2006.

"Negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia", rememorou ele, em maio, em entrevista à revista
Veja.

Da perspectiva de quem fez a denúncia e acompanhou o processo até 2009, Souza não tem nenhuma dúvida:
o PT usou dinheiro público no seu organograma da corrupção.
"Digo que existe prova pericial mostrando que dinheiro público foi utilizado.
Repito: há prova pericial disso.

E o Supremo, quando recebeu a denúncia, considerou que esses fatos têm consistência", afirmou o ex-procurador-geral na entrevista de maio.


Não por acaso, a denúncia da PGR indica a montagem, pelo PT, de uma "sofisticada organização criminosa" dentro do aparelho estatal.

Os 38 réus do processo respondem por acusações de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, peculato, evasão de divisas, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Muitos dos delitos já foram reconhecidos e confessados pelos réus.


O PT, por meio de porta-vozes da estirpe de José Dirceu e Delúbio Soares, bate na tecla de que o "valerioduto" movimentou "apenas" recursos de caixa dois de campanha - o que configuraria, meramente, crime eleitoral, já prescrito.

Contudo, do ponto de vista ético e jurídico, isso não altera nada:
quando há apropriação de dinheiro público, não é a sua finalidade que vai descaracterizar o crime.


Não há a menor sombra de dúvida de que, assim que chegou ao Planalto, o PT montou um esquema para drenar os cofres do Estado e assegurar, assim, sua eternização no poder.

O mensalão foi descoberto e está prestes a ser punido pelo STF, no histórico julgamento que começa na semana que vem.
Não há versão ou tentativa de farsa que conseguirá reescrever esta história.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela