"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 22, 2013

brasil MARAVILHA DOS FARSANTES : A crise chega ao emprego


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A crise vai aos poucos se espraiando e agora já atinge também o mercado de trabalho. A geração de empregos perde força, num tom de cinza muito acima do esperado. São reflexos de uma economia em desaceleração, indicando que os bons ventos ficaram, definitivamente, para trás.

Pelas estatísticas do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgadas ontem pelo governo, foram abertos apenas 41,5 mil novos postos de trabalho no mês passado. Os resultados representam uma série de recordes, todos negativos.

Desde 2003, não se criavam tão poucos empregos no país num mês de julho. Também pela primeira vez em dez anos, o saldo líquido nas nove regiões metropolitanas foi negativo: foram fechadas 11 mil vagas nos grandes centros brasileiros no mês passado.

Todos os grandes setores econômicos geraram menos vagas agora do que um ano atrás. Exceto na agricultura, que caiu "só” 24%, os demais despencaram: a queda chegou a 93% no comércio, 80% na construção civil e 71% em indústria e serviços, sempre na comparação com julho de 2012.

Isso significa que os motores da economia estão perdendo propulsão de forma generalizada. Alguns segmentos específicos mais demitiram do que contrataram, fechando postos de trabalho. É o caso dos serviços industriais de utilidade pública e da extrativa mineral.

Subsetores da indústria de transformação – como material elétrico e de comunicações; madeira e mobiliário; borracha, fumo e couros; e vestuário – também eliminaram empregos no mês, assim como o comércio varejista e os serviços de ensino.

Um aspecto especialmente grave é o que acontece no comércio. Em julho, a atividade abriu apenas 1.545 vagas, no pior desempenho desde 1998, segundo a LCA Consultoria. Para se ter ideia do tombo, nos dois últimos anos a média de geração de empregos do setor no mês havia sido de quase 26 mil.

Trata-se de uma indicação clara de que as molas-mestras do modelo de crescimento que vigorou nos últimos anos no país enferrujaram. Consumo e renda em baixa, afetados por uma inflação renitente, estão agora martelando o mercado de trabalho.

No acumulado no ano, a queda verificada na geração de empregos formais é de 33%. São 457 mil empregos a menos do que os gerados entre janeiro e julho de 2012. Não é pouca coisa; na realidade, é o pior resultado para o período desde 2009. O Nordeste, onde estão as mais altas taxas de desemprego do país, fechou quase 9 mil vagas neste ano, segundo a Folha de S.Paulo.

Os resultados do Caged divulgados ontem são especialmente decepcionantes porque a expectativa era de que o país tivesse criado cerca de 100 mil empregos em julho. Não veio nem a metade disso, prenunciando a sangria que deve marcar o desempenho da nossa economia neste terceiro trimestre.

"O mais surpreendente do número do Caged divulgado ontem é o tamanho da queda, e não a redução em si, que já era esperada. Chama ainda mais atenção o fato de que o recuo na geração de empregos é generalizado na economia. A intensa desaceleração levanta a possibilidade de uma elevação mais rápida da taxa de desemprego”, analisa Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do Ibre n'O Estado de S.Paulo.

O aumento da taxa de desemprego ainda não aconteceu, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. A média ficou em 5,6%, abaixo dos 6% de junho, mas maior que os 5,4% de julho de 2012. Particularmente piores foram os índices no Nordeste: na comparação com julho do ano passado, a taxa apresentou alta significativa em Salvador (de 6,7% para 9,3%) e em Recife (de 6,5% para 7,6%).

Mesmo diante de tudo isso, há quem, no governo da presidente Dilma, ainda considere que o Brasil "tem dado de goleada”, como disse ontem a ministra Ideli Salvatti. É gente que parece não ver que, na realidade, a defesa já foi toda vazada.

Esta dose excessiva de irrealismo e alheamento não ajuda nada no enfrentamento dos problemas que estão se acumulando no dia a dia do país. Preservar o emprego deveria ser prioridade número um do governo petista. Mas ele prefere cantar vitória muito antes da hora. Quem perde são os trabalhadores.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

Caminhão de inflação já está na estrada. IPCA-15 já sente os efeitos da disparada da moeda dos EUA e sobe 0,16% em agosto. Previsão do presidente do BC começa a se confirmar

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Salvo intervenções ou truques de última hora, o governo terá muita dificuldade em alcançar o objetivo que estabeleceu para si mesmo de fechar o ano com a inflação abaixo dos 5,84% registrados em 2012. Com a escalada do dólar e a pressão por reajuste de combustíveis, o custo de vida tende a pegar embalo e a manter a trajetória de alta. 


Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a prévia da inflação oficial de agosto: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,16%, acima das estimativas do mercado.

O resultado mostra que o “caminhão de inflação” provocado pela alta da moeda norte-americana — expressão usada recentemente pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini — começou o seu trajeto. “Pelo menos nos preços dos alimentos, o impacto da desvalorização do real já pode ser percebido”, diz o economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat. 


Nas contas do próprio Tombini, uma valorização de 20% da moeda norte-americana, percentual já alcançado, significa um ponto percentual a mais no IPCA em 12 meses.

No acumulado do ano, segundo o IBGE, a taxa que mede a prévia da inflação oficial chegou a 3,69%, acima dos 3,32% relativos a igual período de 2012. Em 12 meses, o índice ficou em 6,15%, abaixo dos 6,40% nos 12 meses anteriores, mas bem distante do centro da meta do governo, de 4,5%. 


Nessa referência, em 2013, o IPCA-15 se manteve acima dos 6% em todos os meses até aqui. Em duas ocasiões, rompeu o teto da meta, de 6,5%: em abril (6,51%) e em junho, quando atingiu o pico de 6,67%, o maior nível desde novembro de 2011.
A situação não é nada confortável. Em agosto, a deflação de alimentos e bebidas apresentou ritmo menor se comparada com o mês anterior (de -0,18% para -0,09%), embora itens como o tomate (queda de 22,96%), considerado vilão meses atrás, tenham barateado significativamente. 


O mesmo ocorreu com o grupo transporte (-0,55% para -0,30%), bastante influenciado pela revogação de aumentos das tarifas de ônibus urbanos e intermunicipais, trem e metrô, depois dos protestos de rua. Pesaram na composição do IPCA-15I as variações no grupo saúde e cuidados pessoais (0,45%) — que sofre influência direta do dólar, por usar matérias-primas importadas —, habitação (0,56%), artigos de residência (0,62%) e educação (0,68%).

Mesmo se o Comitê de Política Monetária (Copom) forçar a mão e fizer a taxa básica de juros (Selic), hoje de 8,5% ao ano, chegar à casa dos dois dígitos ao longo das próximas três últimas reuniões do ano, é pouco provável que a inflação recue a um patamar inferior ao de 2012. 

Além da questão cambial, a defasagem dos preços dos combustíveis se tornou outro grande problema para a equipe econômica do governo. Caso o reajuste seja confirmado, a inflação deve chegar a dezembro girando em torno de 6,2%, tornando o cenário para 2014 ainda mais nebuloso.

O governo não tem cartas na manga para compensar um provável aumento de combustíveis e, assim, tentar blindar a inflação. Pressionado pela Petrobras, o Planalto está segurando ao máximo os preços da gasolina e do diesel porque sabe que há risco de a alta do custo de vida sair de vez do controle. “O governo tem um caminho complicado pela frente. Não vejo muito saída”, previu o economista João Luiz Mascolo, sócio da gestora de ativos SM Management e professor do Insper.



Diante do atual cenário e das perspectivas para o restante do ano, Mascolo disse que somente uma “maquiagem” nas estatísticas faria com que a inflação terminasse 2013 abaixo da registrada em 2012. “Mas isso pouco importa. O mais grave é o governo flexibilizar a meta e achar que está tudo bem se o índice ficar abaixo do teto de 6,5%”, ponderou ele, explicando que a variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo deveria servir apenas para acomodar variações excepcionais de preços.

Nas capitais
Na avaliação dos índices por capital, o maior aumento, em agosto, foi observado em Curitiba (0,51%), por conta do reajuste de 8,64% nas tarifas de energia elétrica. O IBGE identificou o menor índice em Salvador (-0,17%), onde os alimentos apresentaram queda de 1,23%. Em Brasília, o IPCA-15 variou 0,36%, após recuo de 0,04% em julho.


No bolso (em %)
Veja a prévia do comportamento dos preços em agosto

» Índice geral 0,16
» Alimentação e bebidas -0,09
» Habitação 0,56
» Artigos de residência 0,62
» Vestuário -0,12
» Transportes -0,30
» Saúde e cuidados pessoais 0,45
» Despesas pessoais 0,51
» Educação 0,69
» C
omunicação 0,07

Fonte: IBGE


DIEGO AMORIM Correio Braziliense