"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 02, 2014

EIS A QUESTÃO : ELEITOR OU ELEITORALISMO? O senador Aécio está bem, mas o Brasil?

Vejo nos jornais muita especulação e uma excessiva preocupação com o futuro do senador Aécio. Algumas analistas colocam a candidatura do senador Aécio nos seguintes termos: 
“se o senador quiser ganhar……” ; 
“o senador estuda como descontruir sua oponente….”, etc.

Algumas vezes, da forma que alguns analistas colocam a disputa eleitoral, tenho a impressão que se trata de uma disputa entre candidatos cujo o grande vencedor é “o candidato” e não os seus eleitores. Quem perde em não eleger o senador Aécio Neves presidente da república não é ele, mas sim os eleitores que acreditam no seu projeto e a população brasileira que deixará de contar, na minha opinião que conheço o candidato, com um homem público com vasta experiência política e de gestão.

É o único candidato com uma experiência nas duas casas do legislativo e no executivo como governador de Minas Gerais por oito anos. O senador Aécio tem uma experiência comprovada na costura de alianças políticas que serão necessárias para quebrar a letargia da falta de reformas no Brasil, algumas bastantes complexas que ainda não foram postas à mesa por nenhum dos candidatos.

A impressão que tenho é que o senador Aécio está muito bem. Está empolgado com a sua campanha, nos últimos dois anos vem participando ativamente de debates no Brasil e, independente do resultado das eleições, continuará como um político influente no cenário nacional, seja como Presidente da República ou como Senador da República. Aqui vejo um cenário ganha-ganha para o PSDB qualquer que seja o resultado das eleições.

Depois de quatro anos, o PSDB poderá ter o seu time reforçado no Senado Federal com um conjunto de políticos que são formadores de opinião e com forte inserção mídia nacional. Alguém já parou para pensar o que poderá ser o novo senado com nomes como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Anastasia (PSDB-MG), José Serra (PSDB-SP) e, ainda, com Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) no Senado Federal ou no Palácio do Planalto? São nomes com experiência de governo e com forte inserção no meio empresarial e na imprensa brasileira.

Em um governo do PSDB, eles fariam a diferença e, em um governo da oposição, esse grupo será motivo de alegria ou de dor de cabeça para o executivo. Motivo de alegria porque o grupo não será um obstáculo à provação de reformas que o país precisa. Mas poderá trazer dor de cabeça porque esse grupo conhece muito bem como funciona a máquina pública e não será empulhado por falsas promessas.

Ainda é muito cedo para se definir o resultado das eleições pelas pesquisas. Se pesquisa eleitoral definisse eleição, vário dos candidatos hoje a governador deveriam renunciar sua candidatura, pois alguns deles não alcançam nem 10% das intenções de voto. O mesmo valeria para aqueles candidatos com elevada taxa de rejeição em um segundo turno. Mas alguém no seu pleno juízo acha que pesquisa eleitoral com pouco mais de dois mil eleitores define eleição? Não. Mostra tendência é claro, mas não define eleição. 

Uma coisa, no entanto, é possível afirmar. 
O próximo presidente não terá três meses para definir o que irá fazer para recuperar o tripé macroeconômico. A situação fiscal hoje está muito ruim e enganam-se aqueles que acham que será fácil recuperar o superávit primário de forma rápida. Não será possível termos um choque fiscal na magnitude que se fez em 1998-1999 e 2003. Adicionalmente, o cenário fiscal para os próximos anos vem se deteriorando muito rápido devido as despesas e programas já contratados.

O próximo presidente não terá muito tempo para definir sua equipe econômica, um plano consistente para recuperar o superávit primário e controlar o crescimento do gasto público no pós-eleição. Acho até que a construção de uma acordo multipartidário com os lideres dos partidos imediatamente após a eleição seria um boa opção para acalmar o nervosíssimo do mercado.

É claro que, como analista, não acredito nesse cenário para o atual governo que, por quatro anos sucessivos, tentou “enganar” analistas de mercado, jornalistas e a população quanto a real dimensão da piora fiscal. Ademais, tem atuado de forma consistente e não transparente para esconder o custo de suas políticas, vide o caso da política de subsídios. 

A presidenta Dilma, corretamente, questionou a candidata Marina ontem em debate do custo dos programas do PSB, que não cabem no PIB. A conta que fiz é que seria necessário um crescimento da despesa primária do Governo Central perto de 2,5 pontos do PIB até 2018 para cumprir com as várias promessas (ou compromissos) do programa do PSB. 

As três mais caras seriam: 
(i) passe livre para os estudantes; 
(ii) 10% da receita bruta da União para saúde; 
e (iii) antecipação do cronograma de aumento do gasto com educação (% do PIB) do Plano Nacional de Educação.

Um crescimento da despesa primária de 2,5 pontos do PIB em quatro anos é maior do que o crescimento da despesa primária do Governo Central (governo federal, previdência e banco central) de 1998 a 2010 – 12 anos de governo FHC-1, LULA-1 e LULA-2. Como o superávit primário hoje está próximo de “zero”, um crescimento tão grande em quatro anos só seria possível com um violento aumento da carga tributária. 

Mas a presidenta Dilma e o seu governo tem “zero” de credibilidade para falar de responsabilidade fiscal.
 Repito: “zero”. 

Eu já falei isso diversas vezes e torno a repetir. 
No início do governo Dilma tínhamos um superávit primário de 3,1% do PIB. 
Ao longo de quatro anos, o governo perdeu 1% do PIB com desonerações que fez, sem ter criado o espaço fiscal para essa política, e a despesa primária (não financeira do Governo Central) crescerá um pouco acima de 2 pontos do PIB. Assim, o superávit primário de 3,1% do PIB foi transformado em praticamente “zero”. O que “sustenta” o superávit primário um pouco acima de 1% do PIB são truques contábeis e receitas não recorrentes.

Não é comum ter refinanciamento de divida (Refis) em anos sucessivos, 
não é comum a ciranda financeira que se faz com o BNDES para gerar um falso lucro pelo carregamento de títulos públicos,
não é comum os atrasos de repasses para a Caixa Econômica Federal pagar os benefícios sociais e previdência, 
não é comum a crescente dívida do Tesouro com bancos públicos (subsídios do PSI e do crédito agrícola) 
e não é comum tanto desprezo pela transparência na execução do orçamento.

No sábado falei com o senador Aécio Neves por telefone e ele vai muito bem e, como sempre, empolgado com as eleições. Nós eleitores que deveríamos estar muito preocupados com o futuro do Brasil, pois estamos a um mês das eleições e tenho a sensação que o eleitor espera soluções mágicas do próximo governo. Sonhar é preciso, mas é também necessário maior realismo com a nossa situação econômica atual. Um realismo que não virá do atual governo, que encara os truques fiscais como uma “estratégia” de crescimento, e nem tão pouco do compromisso com maiores gastos.

Assim, vamos nos preocupar um pouco mais com as propostas dos candidatos e com o debate mais profundo que deveria estar ocorrendo nesta campanha eleitoral e não está. O senador Aécio Neves vai muito bem e cada vez mais empolgado em debater os rumos do Brasil. 

Mas o Brasil está bem?
Recebido por :

Dúvidas sobre a democracia de Marina Silva


Pelas próprias características do tema, propostas econômicas tendem a ser mais objetivas. A candidata Marina Silva (PSB) não poderia ser mais clara em pontos básicos de seu programa de governo, neste campo: 

restaurará o chamado “tripé” — metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante —, para estabilizar a economia; formalizará a autonomia operacional do Banco Central, com mandato fixo para diretores; metas fiscais para a União e instituição do Conselho de Responsabilidade Fiscal para auditá-las, entre outros itens.

Já no campo político, o texto do programa de Marina não tem a mesma objetividade, é perigosamente vago. Admita-se que também o tema contribui para algum devaneio. Mas não necessariamente.

É óbvio que todos os partidos e candidatos se autointitulam democratas.
 E não há por que duvidar deles. O xis da questão é saber o entendimento do candidato sobre os mecanismos de funcionamento do regime de democracia representativa, estabelecido na Constituição.

Reconhece-se, e não apenas no Brasil, que este tipo de regime — o melhor já criado até hoje — deve passar por aperfeiçoamentos, para aproximar as ruas dos centros de decisão, mas sem abalar o sistema de representação. Nos Estados Unidos, por exemplo, estados decidem por plebiscitos uma série de questões objetivas locais, em que cabem respostas binárias — sim ou não. (Daí ter sido um equívoco da candidata Dilma Rousseff, no debate da Bandeirantes, citar os plebiscitos americanos para justificar consultas populares no Brasil sobre temas intrincados como a reforma política).

Marina Silva e o PSB se propõem a fazer uma “democratização da democracia”. A candidata precisa esclarecer o que é isso. Até porque seu berço ideológico é o mesmo de frações do PT que namoram métodos de “democracia direta” desenvolvidos nos laboratórios do bolivarianismo chavista — arranjo de poder em grave crise na América Latina.

Constam do programa da candidata algumas platitudes: 
“a política precisa absorver a mensagem de reconectar eleitos e eleitores”; “vamos ampliar a participação, a transparência e a ética e, ao mesmo tempo, tornar mais eficiente o funcionamento das instituições republicanas (...)”. Isso com a ajuda da internet, como, de fato, pode ser.

Falta clareza. Em específico, sobre o papel do Legislativo nesta “democratização da democracia”. Este ponto tem de ser ainda mais explorado porque Marina Silva se tornou uma candidata forte numa trapaça do destino, sem que tenha um partido próprio. O PSB apenas a hospeda. Sem comparar pessoas, a experiência histórica é negativa quando candidatos pensam poder prescindir da estrutura partidária. O que se agrava caso, a título de se dar mais legitimidade às decisões, a democracia representativa venha a ser adulterada em seus fundamentos.

O Globo

E AGORA? O bicho vai pegar em quem?


O Brasil se move por acaso. 
Os rumos da História, se é que tem rumos, tendem a se enrolar em si mesmos e só fatos, traumas inesperados disparam a mutação.

Que quer dizer essa frase? 
Que não são apenas as “relações de produção” que explicam nossa marcha, mas os detalhes, as ínfimas causas, as bobagens casuais e tragédias intempestivas fazem o Brasil andar.

Getúlio deu um tiro no peito e adiou a ditadura por dez anos. 
Jânio tomou um porre e pediu o boné, um micróbio entrou na barriga do Tancredo e mudou nossa vida, encarando o Sarney por cinco anos, o Collor foi eleito por sua pinta de galã renovador e acabou “impichado” por suas maracutaias. 

Roberto Jefferson mostrou sua carteirinha de corrupto, se denunciou junto com os mensaleiros e mudou a paisagem política. 
E agora Marina Silva pode ser presidente, em vez da Presidenta.

Com a população mal-informada em sua maioria (não falo dos miseráveis e analfabetos, mas de gente de terno e gravata) sobre as complexas questões da política e da economia, a emoção e a catarse movem o país.

Agora, estamos na expectativa; somos o país do eterno suspense:Marina vai ser eleita ou não? 
Será que o efeito “tragédia” vai se evaporar? 

A grande mudança seria, claro, a social-democracia apta a desfazer as boquinhas e os pavorosos erros com que o PT nos brindou. Aécio, se eleito, pode trazer a agenda correta. Mas, se Marina ganhar, teremos um outro tipo de mudança, uma virada para um “novo” desconhecido, uma virada psicológica e cultural inesperada. Não adianta analisar Marina com os instrumentos de análise costumeiros.

Agora em vez dos óbvios vexames do PT, estamos diante do mistério Marina.Marina é “sonhática” ou não? Marina é populista? Marina é de esquerda ou não? Nada. 

No entanto, amigo leitor, Marina pode ser o olho de um furacão que, claro, jamais conseguirá renovar a velha política sólida; mas ela pode criar um “caos” na vida politica. Talvez até um “caos progressista” pelo avesso. Que é isso que quero dizer? Marina pode vir a bagunçar mais a bagunça existente, mas poderá ser uma “bagunça crítica”, que pode trazer uma espécie de “destruição criadora” nesta zorra instalada.

Para falar em termos de “contradições negativas” que eles tanto amam, o caos que Lula, Dilma e o PT criaram na vida nacional pode ter sido o gatilho para uma revisão em busca de um modelo melhor. Se Marina vencer, será sabotada continuamente pelos vagabundos que se instalaram no Estado, será confrontada pelas barreiras fisiologistas dos parlamentares, talvez quebre a cara tentando. 

Mas, mesmo que fracasse, teremos um “caos mais moderno”, tirando do poder a velha cartilha regressista dos nossos bolivarianos. Mesmo que ela se perca na selva dos meliantes da política, não será mais irracional que os atuais governantes.

O súbito surgimento inconcebível dessa moça da floresta e suas abstratas declarações são uma prova encarnada do delírio político do país. Com a queda do avião, houve uma grande reviravolta trágica que resultou em uma comédia de erros. Ninguém sabe o que vai nos acontecer.

Podemos decifrar, analisar, comprovar crimes ou roubos, mas nada se move, porque a maior realização deste governo foi justamente a desmontagem da Razão. Se bem que nunca antes nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Já sabemos que a corrupção no país não é um “desvio” da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos e nas almas. 

O caudilhismo sindicalista de Lula serviu para entendermos melhor nossa deformação. Os comentaristas ficam desorientados diante do nada que os petistas criaram com o apoio do povo analfabeto. Os conceitos críticos como “democracia, respeito à lei, ética”, viraram insuficientes raciocínios contra um cinismo impune. 

Lula com seu carisma de operário sofredor nos decepcionou, revelando-se um narcisista egoísta e despreparado, enquanto o melhor governo que tivemos, do FHC, ficou no imaginário da população como um fracasso, movido pela campanha de difamação sistemática e pela babaquice dos tucanos que não se defenderam. Os petistas têm mania da ideologia da contramão. Fizeram tudo ao contrário do óbvio, movidos por uma ridícula utopia revolucionária, quando na realidade só fizeram avacalhar o país.

Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades fecundas como um adubo sagrado, belas como nossas matas, cachoeiras e flores. Ao menos, estamos mais alertas sobre a técnica do desgoverno que faz pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da terra, tudo como plano de aceleração do crescimento. 

Fizeram tudo para a reestatização da economia, incharam a máquina pública, invadiram as agências reguladoras, a Lei de Responsabilidade Fiscal, em busca de um getulismo tardio, com desprezo pelas reformas, horror pela administração e amor aos mecanismos de “controle” da sociedade, esta “massa atrasada” que somos nós. 

A esquerda psicótica continua fixada na ideia de “unidade”, de “centro”, ignorando a intrincada sociedade com bilhões de desejos e contradições. 
Acham que a complexidade é um complô contra eles, acham a circularidade inevitável da vida uma armação do neoliberalismo internacional.

Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos acusatórios: 
luta de classes, 
vitimização, 
culpados e inocentes, 
traidores e traídos.

Petistas só pensam no passado como vítimas ou no futuro como salvadores e heróis. O presente é ignorado, pois eles não têm reflexão crítica para entendê-lo. Reparem que Dilma na TV só ala do que “vai fazer”, se for eleita. 
Por que não fez antes, nos 12 anos da incompetência corrosiva? 
A solução é mentir:
números falsos, contabilidade falsa. 

Antigamente, se mentia com bons álibis; hoje, as tramoias e as patranhas são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira. 


É isso aí, amigos, o bicho vai pegar. Em quem?

Arnaldo Jabor/O Globo
O bicho vai pegar em quem? 

O que a 'errata' revela ! MARINA SILVA : "falha processual" (sic), "novas formas de família", "pecou por omissão e por submissão", "falha moral", "agressão à nossa inteligência", administrar "não é para amadores".

Se for verdadeira a versão da candidata Marina Silva para a exclusão do seu programa de governo da defesa do casamento gay, da criminalização da homofobia e da produção de material didático de endosso às "novas formas de família", de duas, uma: ela pecou por omissão e por submissão. 

O documento foi divulgado na sexta-feira e modificado em menos de 24 horas. Segundo nota do comitê de campanha, as passagens expurgadas tinham sido incorporadas inadvertidamente ao texto por "falha processual" (sic) na sua edição.

O erro de procedimento, que é o que os autores da "errata" decerto pretendiam dizer, antes de sucumbir ao pedantismo, teria consistido em manter no programa, como se dele fossem parte intrínseca, as sugestões do chamado movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). 

Custa crer que não tenham passado pelo crivo da devota da Assembleia de Deus a descrição do País como uma "sociedade sexista e excludente em relação às diferenças"; o compromisso com os projetos em curso no Congresso "que garantem o direito ao casamento igualitário"; a promessa de "articular" a aprovação da proposta que estende à discriminação por orientação sexual as punições por racismo e suas variações, previstas no Código Penal; e a intenção de "desenvolver material didático destinado a conscientizar sobre a diversidade sexual".

Repita-se: 
é improvável que Marina tenha "assinado sem ler" o capítulo mais delicado de suas diretrizes de governo, não só porque está farta de conhecer as controvérsias não raro inflamadas que as citadas questões suscitam, sobretudo entre leigos e crentes como ela, mas também porque, em 2010, candidata pela primeira vez ao Planalto, a evangélica invocou uma "cláusula de consciência" para não se manifestar sobre as demandas dos ativistas no campo dos costumes. O que praticamente impõe a conclusão de que, diante das críticas que espocaram nas redes sociais contra essas páginas do programa, uma intimidada Marina rogou aos correligionários, em menos tempo do que gastaria para dizer "falha processual", que esquecessem o que ali estava escrito.

Não se trata, evidentemente, de entrar no mérito nem nas afirmações expurgadas do programa nem naquelas, abrandadas, que as substituíram. A saber: em vez do termo sociedade sexista, "sociedade que tem muita dificuldade de lidar com as diferenças"; em vez de apoio ao casamento gay, "garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo", o que o Supremo Tribunal Federal (STF) já garante; em vez de capitanear a criminalização da homofobia, o que pregadores pentecostais que verberam os gays tomam como ameaça, "criar mecanismos para aferir os crimes de natureza homofóbica"; em vez, por fim, do material didático que os opositores chamam "kit gay", nenhuma palavra.

O ponto é que teriam bastado "quatro tuítes do pastor Malafaia para que a candidata (…) desmentisse o seu próprio programa", como protestou o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), defensor da causa LGBT no Congresso, aludindo ao evangélico que lidera a campanha contra o aborto. De seu lado, o escritor Milton Hatoum, colunista deste jornal, considerou o recuo de Marina "falha moral" e retirou o seu nome de uma lista de apoios à candidata. "Não quero eleger um presidente que seja refém de bancadas religiosas", argumentou. Já o ex-governador tucano Alberto Goldman qualificou a versão da falha processual como "agressão à nossa inteligência". Manda a equanimidade, porém, admitir, contra a lógica, que tenha acontecido o que a nota justificando a errata diz que aconteceu.

Se assim foi, pior a emenda que o soneto. 
Porque, nessa hipótese, tendo deixado de esquadrinhar linha a linha o texto pronto a ser divulgado como produto de meses de estudos e debates com o então titular da chapa Eduardo Campos - e destinado a mostrar uma candidata com posições firmes e conhecimento de causa -, ela revelou um traço inquietante: o amadorismo. É cedo para dizer quais poderão ser as sequelas eleitorais do episódio. Mas não é cedo para reafirmar o ceticismo sobre a capacidade da ex-ministra de administrar um País que, no dizer de Aécio Neves dias antes do episódio, "não é para amadores".

O Estado de São Paulo

setembro 01, 2014

PARA REGISTRO! Aécio, meu velho


Aécio, meu velho, vou votar em você.
Não que eu queira, verdadeiramente.
Mas sobrou você como a nossa, talvez, última barreira sanitária contra esse vírus ébola que é o petismo. Cada vez que vejo nas entrevistas o teu rosto sorridente, penso: como ele pode se mostrar tão feliz? 

Você parece que está vivendo permanentemente dentro de um comercial de TV – enquanto nós ficamos de fora, nos sentindo tão inseguros, tão sem saída.

Deve ser uma estratégia de campanha você contrastar tua figura “presidenciável” com o daquela senhora odiável e desprezível que parece sempre estar tão mentalmente desorganizada, tão alienada do mundo. Mas ela tem a caneta na mão e assina papéis que compram Pasadena, que importa médicos fajutos, que prefere investir em Cuba, Venezuela ao invés de nosso tão desesperadamente carente Brasil. E que sorrateiramente sancionou esse maldito Decreto 8243 que vai criar os Sovietes, que significa a liquidação do nosso (ainda) regime democrático.

Vou votar em você Aécio.
Pode ser que você esteja mineiramente quieto e se fingindo de morto enquanto vai costurando acordos políticos que, no fim, vão virar o veneno que fará o PT entrar em coma e morrer.

Pode ser. 
Mas reconheça que muitos do que votarão em você o farão principalmente para se opor ao PT. Esquecendo, por um momento, dos votos dos “bolsas”, somos nós que faremos a diferença. E nós queremos botar fé que você seja o cavaleiro de armadura reluzente, que com a sua espada Durindana vai estraçalhar as hostes inimigas. Nós queremos que você seja o nosso Campeão.
Sei que não é novidade o que estou aqui dizendo, e que é inocente quem põe sua vida na mão dos outros, confiando inteiramente no Líder sob o qual faremos a guerra.

Mas que outra possibilidade temos, além de você? Aécio, fala! 
São tantos os temas que estão sendo discutidos por tantos, inclusive aqui no Face. Mas você não fala e nós ficamos conjecturando o que te faz tão convencional, tão discreto.

Você é neto do Tancredo, que era cheio de manhas, espertezas, tão bom jogador de poker que foi. Talvez seja assim mesmo que se deve jogar numa eleição como esta, você deve saber – temos que confiar em teu critério.
Mas estamos ressabiados…

Queremos colocar pólvora e bolas de aço em nossas espingardas, sair das trincheiras e correr contra o inimigo que nos amedronta, e que nos empurra para a defensiva. Precisamos de tua voz e entusiasmo, Aécio. O tempo está correndo contra nós. Desculpe falar tanto em nós, nós. Seria mais apropriado dizer que, talvez, esta opinião seja só minha…

Adendo
Aécio, meu velho, basta um aceno, um gesto que signifique fortalecer seu Exército e mais de cinco milhões de eleitores formarão fileiras e arrebatarão muitos mais...

Enio Mainardi/Visite meu blog: 

Mentiras em rede nacional

O horário eleitoral tornou-se uma usina de mentiras. Com metade do espaço ocupado pelo partido que há 12 anos está no poder, não é preciso dizer quem destila o festival de mistificações e inverdades. Mas o problema é ainda maior: espaços oficiais também são ocupados por verdadeiras falcatruas.

Em 30 de abril deste ano, a presidente da República convocou rede nacional de rádio e televisão a pretexto de fazer pronunciamento em homenagem ao Dia do Trabalho. Como de praxe, desvirtuou seu discurso para anúncios eleitorais. Transformou um espaço institucional em palanque.

Na ocasião, Dilma Rousseff anunciou que a tabela do imposto de renda seria reajustada em 4,5% em 2015. Segundo a oratória oficial, o percentual seria suficiente para repor a inflação do ano, embora esta se aproxime perigosamente do limite máximo da banda de variação da meta, ou seja, de 6,5%.



Para tanto, a Presidência da República editou a medida provisória 644. Ocorre que, como toda MP, o texto legal precisa ser votado dentro de 120 dias após sua publicação. O prazo, neste caso, venceu na última sexta-feira sem que a medida fosse apreciada pelo Congresso e convertida em lei.


Pelas regras vigentes, o governo não pode editar novo texto tratando do mesmo assunto.Trocando em miúdos:
o reajuste da tabela do imposto de renda prometido pela presidente e alardeado em rede nacional simplesmente não acontecerá.


Trata-se do padrão tipicamente petista de prometer e não entregar. 

Pior ainda: trata-se da patológica atitude do partido no poder de jamais permitir que a oposição protagonize o debate, pondo o interesse da população abaixo do interesse político-eleitoral.

 A MP n° 644 recebeu emendas, inclusive do senador Aécio Neves, que buscavam garantir que a tabela do imposto de renda fosse reajustada pelo índice de inflação até 2019 e não apenas por parcela dele, como tem acontecido nos últimos anos. Hoje o governo limita-se a conceder aumento baseado no índice de preços projetado e não na taxa efetiva.

Para impedir que a emenda prosperasse, o Planalto tentou enxertar a mudança da tabela numa outra MP, o que não admitiria emendas. Mas sua manobra foi frustrada pelos congressistas. Deixando claro que o que interessava era fazer política e não produzir justiça tributária para os contribuintes, o governo simplesmente deixou a medida de lado.
Trata-se de mais um episódio que revela como o partido no poder faz política, como orienta suas práticas de governo. Aqui o resultado é evidente: 
por pura incompetência e mesquinharia eleitoral, o cidadão não disporá de um direito seu. Para o governo do PT e da candidata-presidente, isso é mero detalhe de nenhuma importância.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

agosto 31, 2014

PRECISAMOS É DE UM BRASIL REAL ! brasil maravilha - HOJE REFÉM DA EXPECTATIVA X REALIDADE COM O (P) artido de (T) orpes AMANHÃ APRISIONADO À INTENÇÕES X REALIDADE DO (P) artido (S) em (B) ase? OU MARINA E AS MUDANÇAS

É razoável supor que a significativa reviravolta na campanha eleitoral provocada pela trágica e imprevisível morte de Eduardo Campos e sua substituição por Marina Silva seja o resultado da maior identificação da nova candidata do PSB à Presidência com o desejo de mudança claramente captado por todas as pesquisas de opinião realizadas a partir das manifestações populares de junho de 2013.

Não se trata aqui, contudo, de investigar as razões pelas quais Marina Silva foi capaz de, desde logo, multiplicar por três as intenções de voto que indicavam a candidatura de Campos fora do segundo turno, colocando-se agora, ela própria, na condição de favorita numa votação final, seja qual for seu oponente. O que importa é procurar entender até que ponto esse fenômeno eleitoral, se vier a se confirmar, será realmente capaz de mudar o futuro do País.
Marina Silva se apresenta como alternativa à polarização PT-PSDB que há duas décadas domina o cenário político nacional e tenta se credenciar para esse desafio com uma proposta de mudança que se consubstanciaria numa "nova política" capaz de elevar o padrão ético e de eficácia na gestão da coisa pública. 

Não é pouca coisa e é impossível de imaginar que algum cidadão bem-intencionado possa se opor a tão elevado propósito, mesmo que ainda não se conheça sua tradução num programa de governo claramente definido. Resta saber de que condições objetivas a candidata do PSB disporá para enfrentar o nada fácil desafio de transpor para o plano da realidade aquilo que fica tão bem no das intenções.

A implantação bem-sucedida de qualquer programa de governo e sua instrumentalização no aparato governamental - especialmente de um plano que se propõe a desenraizar práticas nefastas consagradas através dos tempos - exigem dois pré-requisitos essenciais:
apoio político em seu sentido mais amplo e a existência de quadros técnicos competentes e comprometidos com a excelência da gestão pública.

Um chefe de governo recém-eleito conta, por definição, com o apoio político da maioria da sociedade. Mas, na democracia representativa, para a efetivação de mudanças é indispensável também o apoio político dos representantes do povo e dos Estados que compõem o Poder Legislativo. Não é por outra razão que, quando não tem disposição, competência e coragem para contrariar interesses estabelecidos, o "presidencialismo de coalizão", que é o que temos, torna o Poder Executivo refém do fisiologismo.
O apoio proativo de uma sociedade dotada de informação e discernimento é geralmente suficiente para induzir à correção dos desvios de rota do poder público. As manifestações de junho do ano passado demonstram o potencial dessa prática. Mas a "voz das ruas" nem sempre está disponível, até porque o cidadão, por mais politizado que seja, tem de atender a outras prioridades em seu cotidiano. Somente uma conjugação especial e imponderável de circunstâncias ou de situações-limite de instabilidade social são capazes de "colocar o povo nas ruas" para fazer mudanças. E isso raramente ocorre sem danos irreparáveis à democracia.

Por outro lado, um programa ambicioso de mudanças como o que Marina Silva anuncia depende fortemente da existência de quadros técnicos suficientes e competentes para implementá-lo. Não é, certamente, no âmbito apenas dos partidos que a apoiam que ela encontrará todo o elenco de profissionais à altura do desafio de fazer o governo funcionar. Menos mal que, sabedora dessa carência e aparentemente disposta a substituir o atual compadrio desmedido pela meritocracia, Marina tem acenado com a intenção de recrutar profissionais competentes onde quer que estejam, independentemente de filiação partidária.

Cravar com sucesso no Planalto a bandeira de uma genuína "nova política" é desafio que, além dos pré-requisitos do apoio político e técnico, exige também extraordinária capacidade de articulação e conciliação, de estabelecer o exato ponto de equilíbrio na delicada tarefa de adequar meios a fins - de governar, enfim. 
A dificuldade para o exercício da conciliação talvez seja a maior vulnerabilidade de Marina Silva. A primeira mudança essencial de que necessita o País, afinal, é o fim da divisão do Brasil entre "nós e eles".

O Estado de S.Paulo

agosto 29, 2014

DÁ-LHE(AO CACHACEIRO) COMPETENTA GERENTONA DA RABEIRA : Brasil está à frente só da Ucrânia em ranking de crescimento no mundo, diz consultoria


A queda de 0,9% do PIB no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2013 coloca o Brasil próximo da lanterna do ranking de crescimento dos países, só à frente da Ucrânia, que vive uma guerra civil e amarga uma contração de 4,7%.

De acordo com uma lista de 37 países compilada pela Austin Rating — com base em dados dos bancos centrais, da Eurosat e do Banco Mundial —, o desempenho da economia brasileira no trimestre passado foi pior não só que o de países desenvolvidos que ainda sofrem com os efeitos da crise de 2008, mas também que a da maioria dos emergentes e do que economias europeias que quase foram a pique recentemente, como as da Grécia (que teve queda de 0,2% no trimestre), de Portugal (que agora cresceu 0,8%), e Espanha (que avançou 1,2% no trimestre passado).

— Esses dados deixam evidente que o Brasil tem profundos problemas na gestão da economia doméstica, com uma política fiscal que vai contra a monetária, que resulta em juros altíssimos e inflação alta e a atividade em retração. O que leva à perda da confiança entre empresários, consumidores e analistas e só piora o quadro — avalia Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Para ele, a posição do Brasil seria ainda pior no ranking — é o 36º colocado numa lista de 37 países — se Índia, Canadá e República Checa, entre outros países, tivessem divulgado seus números.

— O governo nem pode alegar os problemas de Venezuela e Argentina, porque outras economias latino-americanas, como Peru (11,7% de crescimento no segundo trimestre), México (1,6%) e Chile, (1,9%) vão bem — acrescenta Agostini, para concluir: 
— É um desempenho desastroso e que não gera grandes expectativas para o futuro.
O Globo

RECORDE NEGATIVO É "CUM ELA MERMO" A GERENTONA É FERA/COBRA CRIADA COMPETENTA : Estagnação e inadimplência . CONFIEM(DE NOVO) NO CACHACEIRO VELHACO QUE NO 2º MANDATO TUDO SERÁ "MIOR".(GATO POR LEBRE)

Mais um recorde negativo foi batido na economia brasileira, embora o governo continue alardeando um desempenho muito melhor que o da maior parte do mundo. A inadimplência das empresas, medida pelo número de contas em atraso, protestos e cheques sem fundos, aumentou 12,9% de junho para o mês passado.

Para um mês de julho, foi o maior avanço registrado na série iniciada em 2000. Com esse movimento, o índice ficou 11,4% acima do patamar alcançado um ano antes, segundo o levantamento da Serasa Experian. 

A comparação dos primeiros sete meses deste ano com os do ano passado mostra um aumento de 6,9%. Os feriados da Copa do Mundo podem ter atrapalhado a rotina empresarial, mas é um exagero, ou tentativa de enrolação, atribuir todos os problemas de produção, consumo e pagamentos ao campeonato da Fifa. 

A estagnação da economia, a elevação de juros e a alta maior dos salários que da produtividade compõem uma explicação de maior alcance. Ainda seria possível acrescentar a variação de outros custos e a insegurança criada pelo acúmulo de erros da política econômica.

Neste mês, o cenário ruim continuou afetando a disposição dos empresários. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu mais 1,2% de julho para agosto, segundo informou na quarta-feira a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na oitava queda consecutiva, o indicador passou de 84,4 para 83,4 pontos. A escala vai de 0 a 200. O nível 100 é a linha divisória de avaliações negativas e positivas.

Em agosto, o Índice de Situação Atual caiu 3,6%, para 82,7 pontos. Esse foi o menor nível desde os 78,5 pontos de março de 2009, quando o Brasil ainda se arrastava na recessão iniciada no ano anterior com o estouro da bolha financeira no mundo rico. O Índice de Expectativas melhorou ligeiramente. Aumentou 1,4% e chegou a 84,1 pontos, mas esse número ainda aponta uma avaliação negativa dos próximos seis meses. 

Todos os indicadores continuam bem abaixo dos valores médios dos últimos cinco anos, 104,9 para o Índice de Confiança, 105,7 para o de Situação Atual e 104,1 para o de Expectativas.

Os cenários desfavoráveis mostrados pela FGV coincidem, de modo geral, com aqueles apontados em pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A sondagem divulgada na semana anterior pela CNI havia indicado atividade ainda baixa em julho, embora com recuo menos intenso que o observado no mês anterior.

Mas a disposição dos empresários apontava manutenção do ritmo de corte de pessoal e expectativa de novas quedas da exportação. Apesar de tudo, foram identificados alguns sinais de otimismo, todos muito moderados: a demanda interna deverá crescer, a compra de matérias-primas aumentará e haverá menos estoques indesejados.

Na sondagem da CNI, o indicador 50 divide as avaliações positivas e negativas. As mais positivas continuam muito perto da linha divisória - 51,5 em relação aos estoques indesejados, 52,1 no caso das compras de matérias-primas e 54,9 quanto à perspectiva de demanda. Mas este número é pouco menor que o do mês anterior (55,2). Apesar da proximidade do fim do ano, geralmente melhor para a atividade industrial, "as expectativas seguem pouco otimistas com relação à demanda e às compras de matérias-primas", comentaram os autores da pesquisa.

Também têm piorado as perspectivas do comércio varejista. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) cortou de 3% para 1,9% a projeção do aumento de vendas neste ano, informou na quarta-feira o presidente da entidade, Sussumu Honda. Se o número se confirmar, será o pior desempenho desde 2006, quando as vendas diminuíram 5,9%, descontada a inflação. A nova projeção, acrescentou o empresário, inclui a expectativa de um desempenho melhor que o do ano passado nas vendas de Natal.

Com base nos últimos indicadores, parciais, a FGV estima para o ano um crescimento de 0,6% para o Produto Interno Bruto (PIB). No mercado financeiro, na sexta-feira passada, a mediana das projeções estava em 0,7%, segundo pesquisa do Banco Central. Os números oficiais do primeiro semestre devem sair hoje.

O Estado de São Paulo

BALAIO DE GATO 13 E CUIDADO COM A "NOVA POLÍTICA" : 13 sintomas de que a economia brasileira está em recessão. Notícias recentes de diferentes setores da economia já apontavam sinais de que a economia brasileira entraria em uma fase negativa, o que foi comprovado com os dados divuldados pelo IBGE


Notícias recentes de diferentes setores da economia já antecipavam o sentimento de que o Brasil caminhava para um resultado ruim em termos de evolução do Produto Interno Bruto (PIB), o conjunto de informações econômicas utilizado para medir o crescimento econômico.

O IBGE divulgou nesta sexta-feira, 29, que o País encolheu 0,6% no segundo trimestre. O resultado do primeiro trimestre foi revisado de 0,2% para -0,2%. Os resultados colocaram o Brasil em 'recessão técnica', o que ocorre quando há dois trimestres consecutivos de resultado negativo do PIB. 

Confira abaixo treze sintomas da recessão:

1. Setor imobiliário

O setor de imóveis começa a mostrar sinais de desaceleração de vendas e lançamentos, após um ciclo de forte expansão. A venda de imóvel novo em São Paulo é a menor para junho em 10 anos.

2. Construção civil

O esfriamento do setor de imóveis tem impacto na construção civil, que é grande empregadora. A situação é pior no tocante às obras de infraestrutura, mas os números das edificações residenciais também desaceleraram. 

3. Crédito 

A alta dos juros nos empréstimos e financiamentos e as incertezas sobre o futuro da economia em fase de eleições majoritárias afastam empresas do crédito. As empresas tomaram R$ 16,1 bilhões a menos de crédito entre junho e julho.

4. Vendas de veículos

A indústria de veículos do Brasil teve em julho seu pior resultado de produção e vendas para o mês desde 2006, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 6, pela associação que representa o setor.

5. Setor de serviços

O desempenho fraco da indústria e do comércio afeta os resultados do setor de serviços, área que abrange, por exemplo, cabelereiros, dentistas, contadores e muitos outros. A receita do setor em junho foi a menor desde 2012.

6. Indústria de embalagens

A produção de embalagens recuou 0,73% no primeiro semestre de 2014 em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) encomendada pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre). O setor de embalagens é considerado um 'indicador antecedente', por mostrar quanto a indústria está produzindo.

7. Cautela dos bancos

Com medo de atrasos e calotes, os bancos ficaram mais comedidos na concessão de crédito. Isso ficou evidente nos dados recentes do desempenho dos bancos divulgados pelo Banco Central.

8. Pacotes de estímulo

Preocupado com os efeitos da alta dos juros e da queda da confiança de empresários e consumidores, o governo lançou mais medidas para incentivar crédito. Os bancos apaudiram o anúncio.

9. Pessimismo do mercado

Mercado financeiro vem reduzindo suas previsões para o crescimento da economia brasileira em 2014. Na última segunda-feira, 25, o mercado fez a 13% revisão consecutiva para baixo.

10. Dança da cordinha

As projeções divulgadas pelo Banco Central semanalmente mostram que cada vez as projeções ficam menores, em um processo que foi apelidado de 'dança da cordinha' pelo jornal Financial Times.

11. Clima político

O mau desempenho da economia brasileira já vem sendo usado por todos os adversários do governo Dilma nos programas do horário eleitoral gratuito. A incerteza política contribui para piorar a confiança de investidores, empresários e consumidores. Esta semana a palavra recessão deve passar a ser repetida com mais frequência.

12. Pedidos de falência

Os pedidos de falência também indicam uma piora da atividade econômica. Em julho, os pedidos de falência aumentaram 23,7% em comparação a junho, para 141 requerimentos, segundo dados da Serasa Experian.

13. Crise no futebol 

Até o futebol brasileiro está em crise. 
Além do vexame da seleção brasileira na Copa 2014, os resultados financeiros dos clubes estão mostrando que a fase não está fácil para ninguém. As receitas dos clubes devem repetir este ano o fracasso de 2013, segundo a consultoria Pluri, especializada no mundo esportivo.

Cley Scholz - O Estado de S. Paulo