"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 18, 2014

EM REPÚBLICA DE TORPES... Pasadena é sucata. Petrobras fez péssimo negócio. Usina nos EUA tem vários equipamentos velhos e obsoletos: 'É a pior refinaria da região', diz um procurador do Texas


A presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró foram ao Congresso prestar esclarecimentos sobre a contestada compra da refinaria de Pasadena (PRSI) no Texas — foco de uma virtual CPI. Antes da sabatina, eles se encontraram para alinhar o discurso. Graça alertou Cerveró de que nenhuma afirmação que aumentasse a crise seria tolerada. A estratégia era apresentar o caso tão somente como um investimento fracassado — nada mais que isso. 

Sabatinada por seis horas na terça-feira, a executiva seguiu à risca esse roteiro. Reconheceu que a compra “não foi um bom negócio”. Mais ainda, afirmou que não há chance de que o dinheiro despejado na refinaria seja recuperado.

Quando chegou seu dia de falar, Cerveró reafirmou que em 2006, quando a compra de uma participação de 50% em Pasadena foi decidida, o negócio estava em consonância com a estratégia de internacionalização da Petrobras. Corroborou aquilo que Dilma Rousseff afirmara um mês antes: 
as cláusulas que obrigaram a Petrobras a comprar a parte da belga Astra Oil no empreendimento, elevando o valor total do negócio a 1,25 bilhão de dólares, não constavam do resumo executivo apresentado ao conselho de administração, que ela presidia à época. 
Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, em depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo
Anteriormente, Cerveró havia dito que o conselho dispunha de todas as informações necessárias — daí o alerta de Graça. Desta vez, baixou o tom. “Não tive a intenção de enganar Dilma”, disse ele, acrescentando que não mencionou as cláusulas por julgar que elas “não eram relevantes”. Ao fim de cinco horas, os governistas se apressaram em dizer que os esclarecimentos eram suficientes. O fato, porém, é que o discurso alinhado de Graça e Cerveró não bastou para afastar da oposição o objetivo de que se faça uma investigação aprofundada.

 Há outros esqueletos no armário da Petrobras: 
as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e de San Lorenzo, na Argentina, estão igualmente cercadas por dúvidas. Quem conhece de perto a questão diz que, se Pasadena foi um mau negócio, Abreu e Lima é um negócio da China.

Cidades com refinarias não são lugares aprazíveis. Pasadena, onde estão instaladas dezenas de plantas, não se desvia um milímetro dessa regra. Seu apelido é Stinkadena — um trocadilho com a palavra inglesa que significa “fedor” — e, por causa das emissões de gases, o céu tem uma permanente coloração cinzenta. Para minimizarem o ônus de viver em um lugar assim, autoridades e moradores fazem pressão constante sobre as refinarias, apontando aquelas que se qualificam como boas e más “corporações-cidadãs”. 

A PRSI é hoje a ovelha negra entre as empresas locais. 
“É a pior refinaria da região em todos os sentidos”, afirma Rock Owens, procurador do condado. Segundo a agência de proteção ambiental do governo americano, a refinaria teve o maior número de violações ambientais graves nos últimos cinco anos em Pasadena. Em 2013, do total de 1,8 milhão de dólares em penalidades aplicadas no Texas, a maior fatia coube a ela: 
757.000 dólares. “O estado é leniente em relação às políticas ambientais. Mesmo assim, ela conseguiu levar a multa”, diz Owens.
O estado de conservação da refinaria é a origem de todos esses problemas. A planta foi construída em 1920, pela Crown Central Petroleum, e não passou por nenhuma grande modernização nos últimos cinquenta anos. Para todos que navegam pelo Houston Ship Channel, a principal via de escoamento dos derivados de petróleo produzidos na região, o cartão de visita da PRSI é uma instalação queimada, caindo aos pedaços. 

Trata-se de uma estrutura que explodiu em 2011. 
Os escombros nunca foram removidos. (Clique para vídeo e  continuar lendo o texto)

POBRE BRASIL ASSENHOREADO POR VELHACOS : PT, PMDB, e Collor loteiam a BR Distribuidora. Diretoria da empresa está dividida entre os partidos; até ex-presidente que sofreu impeachment fez indicações

A Petrobras Distribuidora (BR), maior distribuidora de combustíveis do país, é alvo da barganha de partidos políticos. Se na Petrobras a atual gestão comandada por Maria das Graças Foster vem conseguindo defender a estatal do assédio político sobre os cargos de diretoria, sua subsidiária, dona de 7.500 postos de combustíveis, enfrenta uma realidade bem diferente. De acordo com fontes do setor, a diretoria da BR é dividida entre PT, PTB e PMDB. Dos quatro principais dirigentes, dois foram indicados pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), presidente que sofreu impeachment em 1992 após um escândalo de corrupção.

Uma fonte próxima ao Planalto explicou que os cargos de diretoria da BR são ocupados por funcionários de carreira do sistema Petrobras, mas apenas após a indicação e o apoio desses partidos políticos.

Desde o fim do mês passado, a BR está com uma das cinco vagas da diretoria em aberto. No último dia 21, Nestor Cerveró foi demitido do cargo de diretor financeiro da BR, após a presidente Dilma Rousseff ter dito que aprovou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, quando era presidente do conselho da Petrobras, baseada em um relatório que teria falhas técnicas e jurídicas. O relatório fora apresentado por Cerveró, que na ocasião ocupava o cargo de diretor internacional da estatal. Agora, a Petrobras já admite oficialmente que a compra de Pasadena não foi um bom negócio.

A saída de Cerveró da diretoria da área internacional da
Petrobras para ocupar a diretoria financeira da BR, em 2008, não foi por conta da polêmica compra de Pasadena, em 2006, mas, sim, resultado de mais um acerto político do governo Lula. Segundo fontes, a saída de Cerveró fez parte das negociações de cargos do governo com o PMDB mineiro, que reivindicava uma diretoria na Petrobras.

Nestor Cerveró estava no cargo de diretor da área internacional da Petrobras desde o início do governo Lula, tendo sido indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). Foi substituído na Petrobras pelo engenheiro Jorge Zelada, indicado por líderes do PMDB. Para manter o prestígio do cargo de diretor, Cerveró foi remanejado, então, para a diretoria financeira da BR. Procurado, o ex-presidente Lula disse, por meio da assessoria, que não vai se pronunciar sobre o assunto. Já a assessoria do PMDB disse que não poderia comentar esses fatos, pois as indicações para a BR não foram feitas pela atual direção do partido.

Com um atuação considerada fraca, Jorge Zelada deixou a diretoria internacional da Petrobras em julho de 2012, cinco meses após Graça Foster assumir a presidência da estatal. Desde então, Graça Foster tem resistido às fortes pressões políticas do PMDB para nomear outro executivo para a diretoria internacional ligado ao partido. Graça acumula, desde então, a presidência com a diretoria.

Agora, com a saída de Cerveró da diretoria da BR, o cargo passou a ser acumulado pelo presidente da subsidiária, José Lima de Andrade Neto, que foi indicado ao cargo pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

Já Luis Alves de Lima Filho, diretor da Rede de Postos de Serviço, e Vilson Reichemback da Silva, diretor de Operações e Logística, assumiram os cargos em julho do ano passado, contando com a indicação de Collor, segundo fontes do setor. A diretoria ainda é composta por Andurte de Barros Duarte Filho, diretor de Mercado Consumidor, que conta com o apoio do PT.

Apesar de o PTB ter influência na BR desde o segundo mandato de Lula (2007-2010), optou-se pela indicação de pessoas que já trabalhavam na empresa. Luis Alves de Lima Filho está há 24 anos na Petrobras Distribuidora. Já Reichemback está na estatal há quase 38 anos.

Uma pessoa bem informada sobre o setor lembra que o atual presidente da BR já comandou a Petroquisa, subsidiária da Petrobras para a área petroquímica, e chegou a secretário do Ministério de Minas e Energia.

Segundo fontes, a BR sempre foi cobiçada pelos políticos devido ao seu grande volume de negócios. De acordo com seu balanço financeiro, a subsidiária da Petrobras registrou no ano passado uma receita operacional líquida de R$ 86,585 bilhões — uma alta de 12% em relação ao ano anterior. O lucro líquido, por sua vez, subiu 12,7%, para R$ 2,132 bilhões.

Procurado, o PTB informou que não participou das indicações dos diretores. Por meio de sua assessoria de imprensa, esclareceu que, na realidade, os diretores foram indicação do senador Fernando Collor. A assessoria de Collor disse que o senador não poderia comentar o assunto, pois estava em Alagoas.

Por sua vez, a Petrobras destacou que todos os integrantes da diretoria executiva da BR “são técnicos de carreira do Sistema Petrobras, com ampla experiência em suas áreas de atuação”.

Segundo a Petrobras, o presidente da BR, Andrade Neto, tem 36 anos de empresa. O diretor de Mercado Consumidor, Andurte de Barros Filho, é empregado da Petrobras desde 1982.


RAMONA ORDOÑEZ E BRUNO ROSA (EMAIL · FACEBOOK · TWITTER)
O Globo

abril 15, 2014

Os verdadeiros cupins da Petrobras e Torturando os números

Dilma Rousseff finalmente falou sobre os escândalos na Petrobras. 
E o fez como um boneco teleguiado, instruída pelo seu tutor e orientada pelo marketing. Ela deveria ter apontado o dedo acusador para os verdadeiros culpados: os cupins que o PT instalou na estatal e que vêm carcomendo suas entranhas. Deveria ter prestado contas sinceras, ao invés de falsear números até que eles confessem o que quer o governo – como tem se tornado praxe na atual gestão.

Depois de semanas de silêncio, Dilma Rousseff resolveu ontem falar sobre a Petrobras. Sob orientação de seu tutor, apontou seu dedo acusatório para a direção errada: os culpados pelo desmonte da empresa estão lá dentro, instalados pelo PT. A presidente falseou informações e, seguindo uma tônica da gestão petista, torturou números.
 Esta cantilena não cola mais.

Dilma seguiu as ordens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se recusa a desencarnar do cargo que ocupou por oito anos. Instruída pelo marketing, a petista ressuscitou velhos estratagemas petistas, como a divisão da sociedade entre “nós”, os bonzinhos, e “eles”, os malvadões. 
Esta história já deu.

Em Pernambuco, Dilma fez as mesmas acusações levianas de sempre, dizendo que aos críticos da Petrobras interessa ver a empresa privatizada, embora seu governo tenha tido que socorrer-se de idênticas soluções em diversas áreas da infraestrutura para evitar naufragar de vez – e a oposição jamais tenha cogitado vender qualquer naco da petrolífera. 
Este papo já cansou.

Os dados da realidade são sempre contrários ao que afirmam os petistas: 
Paulo Roberto Costa preso, na primeira vez na história em que um ex-diretor da Petrobras vai para a cadeia; Nestor Cerveró demitido por um erro que cometeu oito anos atrás, também quando ocupava uma diretoria na empresa; André Vargas fora da Câmara dos Deputados por envolvimento com o mesmo doleiro que está no vértice da roubalheira na estatal... 
São fatos.
Serão estes a quem Dilma acusa de “ferir a imagem da empresa”?
Batidas policiais na sede da Petrobras, 
documentos e mais documentos apreendidos comprovando que a estatal foi usada para desviar dinheiro público, 28 pessoas indiciadas pela Polícia Federal sob suspeita de participar de crimes como evasão de divisas,
 desvio de recursos públicos, 
fraude em licitações, 
corrupção ativa e passiva, 
formação de quadrilha e financiamento ao tráfico de drogas, num esquema que pode ter surrupiado R$ 10 bilhões da Petrobras. 
São fatos.

Será isso o que Dilma chama de “todo tipo de malfeito, ação criminosa, tráfico de influência, corrupção ou ilícito”?

Foram todos cometidos por gente que o PT botou dentro da Petrobras. Boa parte deles foram perpetrados durante o período em que a hoje presidente da República comandava o conselho de administração da estatal. 
Será que é a ela própria que Dilma acusa?

O que dizer dos pareceres falhos e incompletos que embasaram negócios bilionários e equivocados da Petrobras, conforme a própria Dilma admitiu no mês passado? Das transações descabidas que levaram a companhia a desembolsar quase 30 vezes mais por ativos obsoletos? Foram fabricados pela linha de produção da oposição ou são da lavra própria dos cupins que o PT instalou dentro da estatal?

Melhor seria reconhecer que foram iniciativas promovidas pela própria diretoria da Petrobras durante a gestão petista e que a representação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União classificou como “danos aos cofres públicos, ato antieconômico e gestão temerária” e, portanto, passíveis de punições que podem alcançar até mesmo Dilma.

Seguindo sua prática de torturar os números até que eles confessem, a presidente disse em cima do palanque que hoje a Petrobras vale muito mais do que valia quando o PT chegou ao governo. 
Mas omitiu que a estatal chegou a valer mais que o dobro do que vale agora e que, da décima maior empresa do mundo, tornou-se atualmente a 121ª. Se isso não for uma debacle, o que mais é?

Dilma também não mencionou que a dívida da empresa multiplicou-se por quase quatro vezes durante sua gestão, ou seja, em apenas três anos, transformando a nossa Petrobras na companhia não financeira mais endividada em todo o mundo.

No discurso, Dilma louvou os altos investimentos da Petrobras nos últimos anos, mas não contou para a distinta plateia que eles não têm se revertido em mais produção. Nos últimos dois anos, a empresa extraiu menos petróleo que nos anteriores – queda consecutiva inédita nos seus 60 anos de história. 
Se tivesse cumprido suas metas, o nível atual de produção deveria ter sido atingido em 2006, oito anos atrás – aliás, desde 2003 elas não são atingidas.

Não há, como afirmou ontem a presidente da República, “ações individuais e pontuais” destruindo a Petrobras. Há, isto sim, uma estratégia equivocada, definida a partir do Palácio do Planalto desde a época de Lula que está conduzindo os negócios da maior estatal brasileira para o buraco e transformando a companhia num butim carcomido por cupins que agem sob beneplácito do PT.

Torturando os números
IBGE e Ipea estão definhando por causa da interferência do governo petista nas suas atividades. Pesquisas foram suspensas e estatísticas começam a ser vistas com desconfiança. A ocupação do aparato estatal em favor de interesses partidários segue uma marcha insana, que visa apenas produzir uma realidade edulcorada sob encomenda do governo do PT. Eles creem que basta torturar os números até que eles confessem o que lhes é mais conveniente.

Não há limites para a interferência do PT e de seus aliados na máquina estatal. Eles têm imensa dificuldade em separar o que é questão de Estado do que são assuntos de governo. Para o PT, é tudo um butim a ser conquistado e repartido. O desmonte de instituições como o IBGE e o Ipea inscreve-se nesta trajetória.

Os problemas nos dois órgãos vêm se acumulando e atingiram seu ápice na semana passada com a decisão do IBGE de suspender, até janeiro do próximo ano, a divulgação da Pnad Contínua, que passará a medir a taxa de desemprego no país.

O anúncio detonou uma crise entre os profissionais do órgão – duas diretoras pediram demissão e 18 coordenadores e gerentes ameaçam fazer o mesmo – e lançou dúvidas sobre uma possível manipulação de resultados pelo IBGE.

A Pnad Contínua passou a ser divulgada em janeiro último e deveria substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) como fonte de cálculo da taxa de desemprego no país a partir do fim deste ano. Ocorre que a publicação dos primeiros resultados da nova pesquisa causou desconforto ao Planalto, ao mostrar índices de desocupação mais altos que os da PME.

Segundo a Pnad Contínua, a taxa de desemprego no país fechou 2013 em 7,1%, acima, portanto, dos 5,4% aferidos pela PME. Não dá para dizer que o índice subiu no país, porque as pesquisas não são comparáveis. Mas dá para afirmar que, tomando-se um universo maior (a Pnad cobre cerca de 3,5 mil municípios e a PME apenas seis regiões metropolitanas), o desemprego é maior.

A suspensão da Pnad Contínua até 2015 deu-se em resposta a requerimento dos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Armando Monteiro (PTB-PE). Eles sustentam que um dos cálculos poderia comprometer repasses para os estados. Parece até jogo combinado: uma pesquisa atrapalha o discurso do governo, senadores governistas a contestam e o instituto responsável suspende a divulgação dos dados incômodos.

Infelizmente, o IBGE não é caso isolado. 
O descrédito também se abate sobre outro órgão de pesquisas do Estado brasileiro: o Ipea. Desde a gestão de Marcio Pochmann, a instituição foi transformada numa fábrica de documentos e teses destinados a embasar e legitimar o discurso governista. Nunca antes se viu algo parecido no país – mas que já se tornou comum em lugares com a Argentina de Cristina Kirchner.

O Ipea mergulhou em desgraça ao admitir, na semana passada, erro numa pesquisa que levou o Brasil a ser notícia no mundo todo por, supostamente, exibir uma intolerável taxa de machismo. O percentual dos que concordam total ou parcialmente com a ideia de que mulheres com roupas provocantes devem ser atacadas foi revisto de 65% para 26% – mesmo revisado, continua muito alto e inaceitável, e não nos retira da deplorável condição.

Ipea e IBGE são faces de uma mesma moeda: a da ocupação e do desmonte de instituições sérias de Estado, a fim de convertê-las em aparelhos a serviço de partidos. O IBGE, por exemplo, sofre com estrutura deficiente, falta de pessoal, orçamento minguado e recursos rotineiramente contingenciados, como informa hoje o Valor Econômico.

O total de funcionários do instituto caiu 19% desde 2006, com perda de mais de 1,4 mil servidores. Do total de 10,3 mil pessoas trabalhando na instituição atualmente, 4,4 mil são temporários, que passaram por período de qualificação e treinamento muito curto e bastante deficiente. O orçamento sofreu corte de 14% neste ano.

São razões como estas que estão na raiz das dificuldades para o IBGE levar adiante não apenas pesquisas como a Pnad Contínua, mas também os novos cálculos da Pesquisa de Orçamento Familiar e a Contagem da População, atualmente atrasados. A crise compromete a qualidade das estatísticas, impacta na avaliação e em estudos da conjuntura e na definição de políticas adequadas à realidade.

O governo do PT dá de ombros. 
Acha que basta torturar os números para que eles confessem o que melhor lhe convém. O que interessa ao petismo é dourar a realidade para que ela pareça mais conveniente ao seu projeto de perpetuação no poder. 
Para os petistas, atropelar e implodir instituições de Estado outrora sérias e respeitadas é o de menos. 
Pobre IBGE. 
Pobre Ipea. 
Pobre Brasil.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

A pátria que nos pariu

"Em poucos dias, farei 514 anos, eu, a mãe-pátria amada de mil faces. 
A pátria que vos pariu. Estou em toda a parte e em lugar nenhum. 
Sempre quiseram dar-me uma identidade, mas eu não tenho um rosto só. 
Na verdade, sou uma região dentro de vossas cabeças.


No início, eu era a bandeira catequista para encobrir a missão predatória que faziam no País real. Eu era usada para abençoar índios de camisola e navios negreiros.Depois, eu fui a mãe escravista e mercantil do império, defendendo o atraso para o bem dos donos do poder. Na República, virei a auriverde mãe positivista, entre flores e raios apontando para um eterno futuro.


Nos anos 30 e 40, virei uma mistura de madona 'art déco' com alegoria populista. Falavam de mim nos hinos, nas capas de cadernos escolares, nas fachadas de hospitais, eu era a virgem mãe nacionalista defendida contra inimigos estrangeiros, mas, na verdade, eu servia para proteger meu pior inimigo: o patrimonialismo enquistado nas dobras do Estado.

O pós-guerra mudou o mundo, mas eu continuei a ser uma grande aquarela brasileira em que cabiam todas as ilusões. Eu era abençoada por Deus e tinha a nitidez dos quadros acadêmicos, eu justificava os crimes dos poderosos com meu firmamento estrelado, minas de ouro, leitos de petróleo, sempre com a promessa de 'futuro'.



Com Brasília, acharam-me 'fora de moda' com minha alma agropastoril. Eu não seria mais Cy, a mãe-do-mato, cercada de curupiras, boitatás, sacis. Virei um canteiro de obras, esqueletos de edifícios - eu era a arquiteta da utopia. Deixei de ser índia. Cobriram minha nudez de Iracema com meias de nylon, grandes luvas negras, 'escarpins' dos anos 60. Nasci para o mundo com a 'missão' juscelinista que acabaria com a miséria pelo parto da modernidade. Mais uma vez, eu era o emblema de uma nova ilusão dos brasileiros. Transformaram-me em aeroporto para o amanhã mágico, um viaduto imaginário por cima da desgraça do povo.

Mas, o subdesenvolvimento persistia, mesmo sob a asa branca da capital utópica, e eu fui transformada numa nova alegoria.

Em 1963, era preciso que eu fosse a mãe das reformas de base e que levasse nas mãos a espiga de milho, a foice dos camponeses e a roda dentada da indústria. Eu iria parir um tipo novo de socialismo sem sangue, um 'socialismo tropical' que viria por decreto do presidente Jango. Eu seria uma mãe-coragem sem guerra que realizaria todos os desejos. E entre as tochas dos comícios delirantes, levadas por jovens que se achavam o 'sal da terra', eu aboliria a luta de classes e seria a mãe da 'revolução cordial'.

Mas meus filhos revolucionários não contavam com a infinita mesquinhez dos poderosos, escondida sob a aparência de cordialidade, pois os donos do poder não queriam me ver sujando as mãos nas favelas e no campo.

Assim, na ditadura militar, eu fui tirada do pedestal popular e uma nova mãe-pátria foi criada, no altar positivista dos tenentistas tardios. Abriram-me novos céus estrelados, fizeram-me de novo a índia de camisola verde-oliva, a triste mãe dos quartéis, a feroz guerreira parnasiana dos discursos militares. Durante esses anos, meus filhos tiveram medo de mim, mãe castradora, seca, cruel.

E então eu virei a deusa trágica dos heroicos guerrilheiros urbanos, a mãe-trapezista dos abismos, a estrela dos suicidas. Os torturadores giravam máquinas elétricas e, entre gritos, pensavam estar me defendendo, a mim, uma vaga mistura de seios ensanguentados e rostos de meninos-cadáveres. Eu fui a mãe dos assassinos. Enquanto isso, eu tinha saudades dos meus filhos do Brasil real, feito de madeira podre, caixote, barbante, lama e favela. Eu estava com eles, mas ninguém me via.

No fim da ditadura, eu renasci como a mãe democrática, o futuro de uma vida nova que viria. Mas chegou a liberdade e eu não cheguei. A liberdade veio torta, marcada pela morte de Tancredo. Os planos econômicos fracassavam e não chegava a felicidade que eu traria. E meus filhos começaram a me maldizer, ao ver que a democracia era de boca, que as instituições eram dominadas pela oligarquia e que o País era pilhado até por 'ex-vítimas da ditadura'. Fui a mãe do desencanto. Fui a mãe odiada.

Hoje, sou a mãe dos desorientados. 
Sou a mãe de velhos militantes regressistas, comandando massas imaginárias, 
sou a mãe-suja dos corruptos, 
sou a mãe terrível que abandonou os filhos no corredor do hospital sem leitos, 
sou a mãe aborteira, 
sou a mãe criminosa dos massacres, 
sou a mãe dos mortos nas prisões, 
sou a mãe das secas, a mãe da poluição, 
sou a mãe da fome, a mãe paralítica dos burocratas, 
sou a mãe dos pixotes assassinados, 
a mãe das putinhas dos garimpos, 
a mãe dos esgotos, 
mãe do medo. 

Nunca sentira isso antes. 
Sinto-me uma mãe fragmentada, desmantelada por um velho desejo de desfigurar as instituições em que me apoio. Os homens que mandam no País não me querem, dizendo que me amam ou que amam o povo que não amam.

Nunca, em minha vida de 500 anos, vi este desejo cego de me ignorar (me louvando), num misto de estupidez com hipocrisia. Mas, vejo que meu corpo é maior, que eu sou muito complexa para ser destruída, que as partes fundamentais da verdade vão prevalecer e me manter viva. E em meio aos escândalos, aos roubos, à destruição (agora sim) do patrimônio nacional, vai aparecer meu novo rosto. Meu manto de estrelas será tecido de trapos e deixarei de ser uma deusa longínqua, uma ilusão, e aos poucos os brasileiros aprenderão a me chamar de 'realidade'.

Mas, eu me prefiro assim, pois ressurgirei da morte das mentiras, hinos e discursos corruptos que enganaram meus filhos. E quando os sonhos falsos forem esquecidos, sob um céu de anil, entre rios e florestas, poderei fazer alguma coisa por vocês, filhos queridos.".

Arnaldo Jabor 


abril 13, 2014

ENQUANTO ISSO NO BRASIL REAL ASSENHOREADO PELOS FARSANTES E EMBUSTEIRA 1,99... Altas da inflação e do juro elevam custo da dívida em R$ 30 bi

Com a alta da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e a consequente elevação da taxa básica de juros (Selic) para conter os preços, o custo de rolagem da dívida pública deve subir ao menos R$ 30 bilhões neste ano, de acordo com levantamento feito por economistas.

Segundo cálculos de Alex Agostini, da Austin Ratings, e Felipe Salto, da consultoria Tendências, os rendimentos maiores fornecidos pelos títulos públicos atrelados ao IPCA (NTN-B) e à Selic (LFT) serão os responsáveis pelo encarecimento da dívida.

Isso porque o custo para a rolagem das NTN-Bs passará de 11,48%, em 2013, para 12,75%, em 2014, enquanto a taxa Selic média subirá de 8,38% para 11,06% no mesmo período.

Assim, o pagamento de juros referentes a ambos os títulos, que somou R$ 176 bilhões em 2013, deve alcançar R$ 207 bilhões ao fim deste ano. Desse montante, as LFTs respondem por R$ 115 bilhões, e as NTN-Bs, pelos R$ 92 bilhões restantes.

De acordo com o mais recente relatório da Dívida Pública Federal, publicado no mês passado pelo Tesouro Nacional, o governo terá que rolar pouco menos de 25% do total da dívida, que deve alcançar R$ 2,25 trilhões em 2014, segundo Agostini.

"Estamos trabalhando com uma projeção de crescimento da dívida em torno de 6%." O estoque da dívida pública fechou o ano passado em R$ 2,12 trilhões.
A meta de superavit primário —a economia feita pelo setor público para reduzir a dívida pública— prevista para este ano é de R$ 99 bilhões ou 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto).

Em outras palavras, apenas o encarecimento dos títulos promovido pela inflação e pela alta dos juros consumirá quase um terço do esforço fiscal prometido pelo governo federal.

Felipe Salto argumenta que as projeções foram feitas com a previsão de que a Selic ficará estável em 11% até o fim do ano.
Mas, caso o Banco Central escolha elevar ainda mais os juros básicos, essa conta ficará mais cara para o Tesouro.

"A cada ponto percentual de alta na Selic, a rolagem da dívida encarece em R$ 15 bilhões", diz Salto. "Se a Selic subir para para 11,5%, poderemos acrescentar mais R$ 7,5 bilhões nessa conta."

MACHADO DA COSTA DE SÃO PAULO
Folha

abril 11, 2014

PACTUAR COM GENTE DISSIMULADA E EMBUSTEIRA RESULTA EM : Vexame olímpico



Não bastasse o Brasil estar falhando na preparação para a Copa que começa daqui a dois meses, as obras para as Olimpíadas de 2016 também estão atrasadíssimas. Ontem, o COI decidiu intervir para evitar vexame maior e passará a atuar como bedel do país na organização dos jogos do Rio. Ao invés de buscar eficiência, a opção do governo petista foi afrouxar as exigências legais e adotar o liberou geral do RDC para contratação de todas as obras públicas.

Não bastou o vexame que a preparação para a Copa do Mundo que começa daqui a 61 dias está fazendo o Brasil passar. A lição não parece ter sido aprendida e os atrasos se repetem também nas obras e nos preparativos para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Será que seremos sempre a terra do improviso e da malversação do dinheiro público?

O Comitê Olímpico Internacional (COI) determinou ontem uma intervenção na organização dos jogos que acontecerão daqui a pouco mais de dois anos na capital fluminense. A situação do Brasil surge como mais crítica que a de Atenas, que, em 2000, quatro anos antes das suas Olimpíadas, recebeu “cartão amarelo” dos organizadores. Nesta semana, 17 entidades esportivas criticaram o andamento da preparação brasileira.
Com as iniciativas anunciadas ontem, o COI será uma espécie de bedel do Brasil na organização das Olimpíadas. Contratará, por exemplo, um administrador de projetos para acompanhar diariamente as obras no Rio, “algo inédito em um evento olímpico”, segundo O Estado de S. Paulo.

Desde sua sede lá na Suíça, o COI também cuidará de criar um comitê organizador e designará um de seus dirigentes para vir frequentemente ao Rio a fim de “controlar a situação”. Mesmo assim, a capital fluminense ainda corre risco – embora muitíssimo remoto – de deixar de sediar os jogos de 2016. Uma das possibilidades é transferir algumas modalidades para outros locais.

Alguns anos atrás, o Brasil vivia clima de euforia com a perspectiva de abrigar, quase simultaneamente, dois eventos esportivos de proporções globais. Nunca antes um país sediara uma Copa do Mundo e, apenas dois anos depois, recebera também as Olimpíadas. Parecia até o despertar de uma nova era.
Quase nada do que se projetou à época, porém, aconteceu.
 Basta olhar em volta e constatar que os benefícios que adviriam da Copa não se materializaram. Andar nas ruas e verificar que o impulso que o torneio daria à economia e à melhoria de vida das pessoas não se confirmou. Decepção parecida ronda a preparação das Olimpíadas.

O Rio foi escolhido sede em 2 de outubro de 2009 – há, portanto, quatro anos e meio. Mas obras importantes para o evento, que acontecerá em agosto de 2016, mantêm-se apenas como imensos canteiros empoeirados. O caso mais dramático é o do parque olímpico de Deodoro, que abrigará nove modalidades esportivas, mas até agora não teve sequer licitação lançada. As condições das águas da Baia de Guanabara são outro problema sério.

Ocorre que, até hoje, faltando 847 dias para as Olimpíadas, ainda não foi definida a matriz de responsabilidades, que estabelece o rol de obras e, mais importante, quem vai pagar cada uma delas. Parte central do processo, o governo federal tem adiado a definição dos orçamentos. “A maior bolada, sem dúvida, deve sair dos cofres públicos, ou seja, do bolso do contribuinte”, arrisca, sem chance de errar, a Folha de S.Paulo.

Na terra do improviso, a saída preferencial tem sido apelar para o liberou geral. À falta de eficiência para bem planejar, bem gerir e bem executar projetos e obras, optou-se por afrouxar as amarras legais e por dificultar a fiscalização dos órgãos de controle. É o que está acontecendo neste momento com a disseminação da adoção do Regime Diferenciado de Contratação (RDC) para contratação e execução de obras públicas.
Sugerido pelo governo petista inicialmente para agilizar as obras relacionadas à Copa e às Olimpíadas, o RDC já abarca ações do PAC e agora está prestes a ser estendido a todo e qualquer empreendimento contratado pelo poder público. Na quarta-feira, medida provisória neste sentido, relatada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi aprovada na Câmara, sob protestos da oposição. Está aberta a porta para orçamentos sigilosos, contratações integradas e, ao cabo, para o estabelecimento de relações escusas entre contratante e contratado.

Infelizmente, a Copa do Mundo e as Olimpíadas não legarão aos brasileiros o que lhes foi prometido: 
melhorias nos serviços e nas estruturas urbanas que facilitassem a mobilidade e aumentassem o conforto de quem vive nos grandes centros. 
Pior que isso, na premência de tentar evitar um vexame definitivo, os grandes eventos esportivos deixarão de herança um regime de vale-tudo por onde escorrerá o dinheiro do contribuinte.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

PF faz buscas na sede da Petrobrás

Agentes da Polícia Federal (PF) realizaram buscas na sede da Petrobrás nesta sexta-feira, 11, de acordo com informações de um segurança da entrada do estacionamento do prédio, na Avenida Chile, no centro do Rio. A ação faz parte da segunda etapa da Operação Lava Jato, de combate a lavagem de dinheiro.

A PF cumpre 23 mandados de busca, apreensão e prisão nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Macaé e Niterói. Estão previstas duas prisões temporárias, seis conduções coercitivas – quando a pessoa é levada apenas para prestar depoimento – e 15 buscas e apreensão. Os números foram atualizados à tarde pela PF - que pela manhã havia informado o cumprimento de 21 mandados, sendo dois de prisão, quatro conduções coercitivas e 15 de busca e apreensão.

"A PF representou por estes mandados para buscar documentos que auxiliem os trabalhos da investigação. O material arrecadado hoje contribuirá para os relatórios finais dos inquéritos em andamento", informa nota publicada pela Polícia Federal

Nesta fase da operação o foco são as relações do esquema criminoso com a Petrobrás. A estatal foi procurada, mas ainda não se pronunciou.

Na primeira etapa, desencadeada em março, a polícia prendeu o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Segundo o profissional da estatal, ele foi informado da entrada dos agentes da PF pelo colega do turno anterior. A passagem de turno ocorre às 10 horas. Por isso, o segurança ouvido pelo Estado não soube precisar quanto tempo os policiais ficaram no prédio, nem o horário exato da chegada.

De acordo com o segurança da sede da Petrobrás, os policiais entraram à pé, pelo estacionamento, e foram recebidos por funcionários do setor jurídico da estatal, que desceram para receber os agentes da PF. Perguntado se os policiais foram cumprir mandados de busca, o segurança respondeu:
 "Não eram mandados, mas intimações".

Questionados se ele ou o colega haviam visto os documentos mostrados pelos policiais, o segurança respondeu negativamente, creditando a informação aos advogados da Petrobrás.

Uma das empresas que estariam sendo investigadas nesta etapa da operação seria a Ecoglobal Ambiental, com sede em Macaé (RJ), que fechou contratos sem licitação com a estatal nos últimos anos. O sócio majoritário da empresa, Vladimir Magalhães da Silveira, foi levado para prestar depoimento e será liberado em seguida. O Estado tentou contato com a empresa, mas ninguém quis falar sobre o assunto. A PF estaria investigando um contrato específico entre a Ecoglobal e a Petrobrás que não teria sido publicizado.

A Petrobrás contratou Ecoglobal pelo menos duas vezes. Em abril de 2009, a estatal fechou um contrato de R$ 9,5 milhões para serviços técnicos especializados de recuperação de efluentes. Em janeiro de 2010, a petroleira contratou a mesma empresa para serviços de tratamento e descarte de água oleosa, por R$ 4,8 milhões.

Primeira etapa. 
Alberto Youssef foi preso no dia 17 de março, sob suspeita de lavar dinheiro de propinas de fornecedores da petroleira. A primeira fase da operação focou na atuação dos doleiros. A operação cumpriu 24 mandados de prisão, além de apreender documentação, veículos, obras de arte e joias em 17 cidades de seis Estados e no Distrito Federal. Youssef já havia sido condenado no caso Banestado, esquema montado nos anos 90 de evasão para o exterior de US$ 30 bilhões. Entre os presos estava também o ex-sócio da Bônus-Banval Enivaldo Quadrado, condenado por envolvimento no mensalão.

Três dias depois, Paulo Roberto da Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, foi preso pela Polícia Federal sob a suspeita de corrupção passiva em razão de suas relações com o doleiro. Em sua casa, a PF encontrou grande quantia de dinheiro em espécie - US$ 180 mil e R$ 720 mil.Costa também é investigado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por irregularidades na compra pela Petrobrás da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. O ex-diretor foi um dos responsáveis por elaborar o contrato da compra da refinaria.

Idiana Tomazelli e Andreza Matais
Estadão

OPERAÇÃO LAVATO : PF foca Petrobrás e cumpre 21 mandados de busca, apreensão e prisão para investigar relação de esquema de lavagem de dinheiro de empresas que prestam serviços à estatal


A Polícia Federal cumpre 21 mandados de busca, apreensão e prisão, na manhã desta sexta-feira, 11, em nova fase da Operação Lava Jato, de combate a lavagem de dinheiro. 
Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de 
São Paulo,
 Campinas, 
Rio de Janeiro, 
Macaé 
 Niterói 
e inclui duas prisões temporárias, quatro conduções coercitivas – quando a pessoa é levada apenas para prestar depoimento – e 15 buscas e apreensões.
 O Estado apurou que nesta fase da operação o foco são as relações do esquema criminoso com a Petrobrás.

Uma das empresas que estariam sendo investigadas seria a Ecoglobal Ambiental, com sede em Macaé (RJ), que fechou contratos sem licitação com a estatal nos últimos anos. O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa está preso desde o mês passado pela Operação Lava Jato, acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, também preso, acusado de lavar dinheiro de propinas de fornecedores da petroleira. A primeira fase da operação focou na atuação dos doleiros.

A Petrobrás contratou Ecoglobal pelo menos duas vezes. 
Em abril de 2009, a estatal fechou um contrato de R$ 9,5 milhões para serviços técnicos especializados de recuperação de efluentes. Em janeiro de 2010, a petroleira contratou a mesma empresa para serviços de tratamento e descarte de água oleosa, por R$ 4,8 milhões.

A Lava Jato foi desencadeada no dia 17 de março, quando Alberto Youssef foi preso. A operação cumpriu 24 mandados de prisão, além de apreender documentação, veículos, obras de arte e joias em 17 cidades de seis Estados e no Distrito Federal. Youssef já havia sido condenado no caso Banestado, esquema montado nos anos 90 de evasão para o exterior de US$ 30 bilhões. Entre os presos estava também o ex-sócio da Bônus-Banval Enivaldo Quadrado, condenado por envolvimento no mensalão.

Três dias depois, Paulo Roberto da Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, foi preso pela Polícia Federal sob a suspeita de corrupção passiva em razão de suas relações com o doleiro. Em sua casa, a PF encontrou grande quantia de dinheiro em espécie - US$ 180 mil e R$ 720 mil.Costa também é investigado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por irregularidades na compra pela Petrobrás da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. O ex-diretor foi um dos responsáveis por elaborar o contrato da compra da refinaria.


Andreza Matais e Murilo Rodrigues Alves
Estadão

abril 10, 2014

PARA REGISTRO : PTBRAS E CALENDÁRIO DE ESCÂNDALOS

Ptbras

E


CALENDÁRIO DE ESCÂNDALOS E INCONSEQUÊNCIASDO GOVERNO DILMA

Pela hora da morte

A inflação de março superou todas as expectativas e confirmou o que os brasileiros sentem no bolso no dia a dia. O índice geral é, porém, apenas um indicador de que os preços estão de amargar: 
em itens essenciais, as altas são muito mais expressivas e pesam, sobretudo, sobre a cesta básica, que onera mais as famílias de menor renda. 
A inflação em disparada é a prova mais evidente do fracasso da politica econômica experimentada pelo governo Dilma.

A divulgação da obscena inflação de março apenas confirma o que os brasileiros sentem no seu dia a dia: 
os preços no país estão pela hora da morte. 
Os itens mais básicos são os que mais sobem, prejudicando principalmente as famílias mais pobres. A presidente Dilma Rousseff mostra-se atônita, pois as medidas que tomou surtiram efeito inverso. 
É perda total.

Desde 2003, a inflação no mês de março não era tão alta. 
Segundo o IBGE, o IPCA foi a 0,92%, elevando a 6,15% o índice acumulado em 12 meses. A alta é disseminada e alcança 71% dos preços, com ênfase maior em itens como alimentos, saúde, educação e diversão. O povo não come PIB, mas com esta carestia está comendo cada vez menos comida.

O índice geral de inflação é só um indicador de que os preços na feira e no supermercado estão de amargar a vida de qualquer brasileiro. 
Em boa parte dos itens essenciais, os aumentos são bem maiores e bem acima do teto da meta oficial – no acumulado em 12 meses, isso acontece em 6 dos 9 grupos de preços que compõem o IPCA, apontou O Estado de S. Paulo.

Alimentos, por exemplo, subiram 1,92% apenas em março e já cumulam alta de 7,14% em 12 meses. Há produtos com elevações pornográficas: 
batata (35% no mês!), 
tomate (32,8%), 
passagens aéreas (26,5%),
 feijão (12%)... 

Serviços também saltaram de 8,2% para 9% no acumulado em 12 meses. 
A média geral de inflação só não está mais alta por causa da contenção dos preços de gasolina e energia, obtida à custa do desmonte da Petrobras e da Eletrobrás.

Na semana passada, o Dieese já havia mostrado que os preços da cesta básica explodiram em 16 das 18 regiões metropolitanas pesquisadas no mês de março. O custo chegou a variar 12,8% em Campo Grande e ficou acima de 10% em outras três capitais: 
Goiânia, 
Porto Alegre e Curitiba. 
Frise-se: 
tudo isso num único mês!

O clima seco é só um dos fatores a influir. 
A inflação em renitente alta, em patamar perigosamente elevado e que só não é maior porque é manipulada pelo governo é a manifestação mais evidente do fracasso do modelo econômico posto em marcha pelo PT a partir de 2008 e aprofundado por Dilma desde 2011.

Apostou-se numa fórmula mágica que permitiria aos brasileiros ampliar o consumo sem que o país aumentasse sua capacidade de produzir, até porque o investimento necessário para tanto não acontece. Acreditou-se que o governo poderia gastar, gastar e gastar impunemente para aquecer a economia. 
E que o Tesouro poderia assumir encargos bilionários para segurar preços. 
Falhou.

Outro equívoco capaz de figurar em manuais de economia foi o corte voluntarista de juros determinado pela presidente e efetuado pelo BC entre agosto de 2011 e outubro de 2012. A experiência de aprendizes de feiticeiro só fez atiçar a alta de preços e hoje as taxas já retornaram a patamar acima do qual estavam quando Dilma assumiu o governo. Falhou, e o Brasil voltou a ser o país dos juros reais mais altos do mundo – a dose já subiu 3,75 pontos em um ano e ainda deve aumentar mais...

Os remédios que o governo tenta empregar para debelar a alta de preços não têm sido eficientes. Usa a política monetária (aumento de juros), mas mantém frouxa a política fiscal, ou seja, o controle dos gastos públicos. Basta citar que, em março, as despesas federais subiram 15%, o dobro das receitas. 
Em 2013, para um aumento de gastos de R$ 109 bilhões, os investimentos do governo federal cresceram menos de R$ 4 bilhões.

As pesquisas de opinião comprovam o pânico que a população começa a sentir ante a escalada de preços. Segundo o Datafolha, 65% acreditam que a inflação vai subir mais – o nível de temor é o mais alto desde 2002. Já de acordo com o Ibope, 71% dos entrevistados desaprovam as ações de combate à carestia adotadas por Dilma.

O governo diz que não é preciso importar-se com a inflação porque ela está comportada, abaixo do teto da meta (6,5%). Deve ser coisa de quem não vai a supermercado ou vive no mundo da lua – como alguns ministros... 
Pelo terceiro ano consecutivo, a inflação deve fechar o ano em alta. 
Dilma legará a seu sucessor um índice mais alto do que herdou, além de uma montanha de preços represados (energia, combustíveis) que terão de subir.

A carestia é muito mais feia do que o governo tenta fazer crer e pesa cada vez mais no bolso dos brasileiros. Sobra mês em cada salário. Para piorar, o país não cresce e suas perspectivas de desenvolvimento são cada vez mais declinantes. 
É uma combinação ruinosa. 
E depois Dilma Rousseff não entende por que seu governo está em queda livre... Mas o povo sabe e quer ver a presidente e sua fracassada experiência pelas costas.

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