"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 24, 2014

E PARA OS ... TOLOS ! " O valor gasto até a paralisação dos trabalhos foi de R$ 1,5 bilhão " ESTAMOS DIANTE DE UMA NOVA PASADENA ?

Paralisação de obras e denúncias de superfaturamento são os principais motivos que levaram os deputados federais Carlos Brandão (PSDB – MA) e Simplício Araújo (Solidariedade – MA) à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) em busca de esclarecimentos sobre a Refinaria Premium I. No último dia 9, foi aprovado o requerimento que solicita uma comissão externa para visitar e acompanhar as obras da refinaria que estão localizadas em Bacabeira, a 60 quilômetros de São Luís, no Maranhão.

Com promessas de se tornar a maior refinaria do país, a Premium I teria a produção voltada para combustíveis de alta qualidade. Segundo a Petrobrás, em sua primeira fase, a refinaria teria capacidade de processar 300 mil barris/dia.
Depois de concluídas as obras, essa capacidade duplicaria. No entanto, a construção que foi inaugurada em 2010 pela então candidata ao governo do Maranhão, Roseana Sarney, e pelo ex-presidente Lula estão paralisadas desde 2012. Recentemente, os governos federal e estadual anunciaram que será iniciado novo processo licitatório para recomeço das obras que haviam sido canceladas pela presidente da Petrobras, Graça Foster, por falta de verba.

Só para a terraplanagem da área de instalação da refinaria foram gastos R$ 789 milhões a mais do que o R$ 711 milhões previstos. O valor gasto até a paralisação dos trabalhos foi de R$ 1,5 bilhão, ou seja, mais do que o dobro do previsto no contrato inicial entre a estatal e o consórcio GSF (Queiroz Galvão, Serveng e Fidens).

“As obras da refinaria foram noticiadas em tom de festa por autoridades e candidatos que prometiam a geração de 200 mil empregos. Depois de gastos cerca de 1,5 bilhão de reais só pra terraplanagem, a presidente da Petrobras anunciou o fim dos trabalhos por falta de recursos. Os anos passaram e o resultado é que estamos diante de uma nova Pasadena. Dinheiro público jogado por terra mais uma vez”, afirmou Brandão.

Paralelamente, a oposição se esforça para conseguir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a administração da Petrobras.

RECEBIDO VIA EMAIL POR :

AOS CRÉDULOS ÚTEIS / PARTE II : As quatro leis da entropia petista


Arrumando meus papéis, encontrei transcrições completas dos debates em rede nacional da campanha presidencial de 2010. 
De forma um tanto masoquista, li todas elas e lembrei de um juízo que formei na época e disse a uma assessora:
"Dilma Rousseff tem o dom de empregar o máximo de palavras para expressar o mínimo de pensamento (*). Mesmo assim, um mínimo errado".

Ao longo desses debates, eu tinha duas preocupações essenciais.
A primeira, como é óbvio, perder no segundo turno, não tanto pelo desempenho de Dilma, mas pela avaliação do governo Lula: 
no período entre junho e setembro, mais de 75% das pessoas achavam o governo ótimo ou bom e 85% o aprovavam. 


As vendas a varejo cresciam a 11%, a massa real de rendimentos, 8%, e a supervalorização cambial chegava ao seu ponto máximo, subsidiando o consumo importado e o turismo no exterior - naquele ano, o dólar valeu em média R$ 1,7. 
Precisava mais? 


A outra preocupação era com o futuro do Brasil em si, independentemente de minha participação no processo. Estava convencido de que o boom econômico capotaria logo, de que a herança de Lula seria bastante adversa e de que, se fosse eleita, Dilma Rousseff faria um governo atrapalhado e ruim, pisando no acelerador do atraso. Passara a campanha mostrando que não conhecia os problemas brasileiros e que não tinha nenhuma qualificação especial como administradora pública. 
Pelo contrário.

Uma coisa é fazer uma previsão pessimista, outra é vê-la se cumprir, ver a intuição virar razão: 
quando isso ocorre, não fico exatamente surpreso, mas sou tomado de certa estupefação.

A lei do máximo de palavras para um mínimo de conteúdo está acoplada a três "antileis" afins, a começar pela que estabeleceu que a menor distância entre dois pontos não é uma linha reta, mas alguma curva tridimensional e espiralada, teorema antieuclidiano que o governo Dilma segue à risca. 

Outra "antilei" sagrada tem origem na volta ao geocentrismo, ou seja, à ideia de que o sol e os planetas giram em torno da Terra, que é o centro do universo. 
A presidente Rousseff e o PT se comportam como se fossem o centro do universo brasileiro, em torno do qual tudo e todos têm de girar: 
o conhecimento, 
a moral, 
a ética, 
a Justiça, 
a imprensa 
e todos os políticos e seus respectivos partidos.

Por fim, adotaram a "antilei" que afeta o funcionamento da economia: 
a da inépcia inovadora, segundo a qual as facilidades não devem ser aproveitadas, mas tornadas em dificuldades. Por exemplo, se o modelo anterior de concessão na exploração de petróleo funcionava bem, para que aproveitá-lo no pré-sal? Não! Preferiu-se um novo método, que não traz mais dinheiro ao País e ao Fisco, mas colabora para quebrar a Petrobrás.

Houve bastante originalidade nos erros do governo Dilma, mas quase nada que não pudesse ter sido previsto em 2010, seja pelo que já estava se fazendo no governo Lula (com forte participação da então ministra), seja pelo que ela já anunciava na disputa eleitoral. Suas intervenções na campanha presidencial daquele ano preconizavam a conversão das quatro leis citadas em verdadeiro método de governo. Ilustro com dois exemplos eloquentes.

Volto aos meus papéis e vejo como é fácil banalizar com conversa mole e discursos balofos ações que dizem respeito à vida de milhões de pessoas. 

Afirmou, por exemplo, a então candidata petista: 
"No caso da segurança pública, nós iremos apostar nisso que está dando muito certo que são as Unidades de Polícia Pacificadora já implantadas no Rio de Janeiro". Ou ainda: "(Para combater o tráfico de drogas) compramos veículos aéreos não tripulados, chamados Vants, que são aqueles que policiam as fronteiras e permitem que a gente localize o tráfico. Os Vants chegaram em setembro e até o final do ano mais dois vão chegar, e eu pretendo transformar esse policiamento das fronteiras num policiamento sistemático, com mais 14 Vants".

Como se sabe, as UPPs não foram implantadas Brasil afora e, em setembro de 2010, não havia nenhum Vant em funcionamento. Neste ano, 2014, só há dois voando de fato nas fronteiras do País, apesar dos 14 anunciados pela candidata.

Das alturas cerúleas para as profundezas da Terra, mais uma fala da candidata Dilma:
 "Com o pré-sal, eu vou poder ter no Brasil mais milhares de equipamentos para controlar a fronteira... Mas não se pode deixar de olhar que a questão do pré-sal é fundamental. Quando eu coloco o problema da privatização, eu estou preocupada com o quê? Com esses recursos do pré-sal, que, segundo o candidato Serra, só vão chegar no final da década. Mas ele é mal informado. Os recursos do pré-sal já começaram".

O "candidato Serra", como ela se referiu a mim, não dizia nada que o "indivíduo Serra" não pudesse sustentar. 

A ideia de que o óleo do pré-sal iria proporcionar "milhares de equipamentos" para controlar a fronteira é emblemática não só da ignorância desmedida de quem preparou as fichas nas quais a então candidata acreditou, mas também da ligeireza com que se tratava algo tão sério:
 observem que se acusava o candidato da oposição de pretender privatizar o pré-sal e acabar com os recursos que seriam destinados ao narcotráfico... 
Um completo despropósito. 

Note-se à margem que a produção de petróleo no governo Dilma estagnou, a proclamada autossuficiência não aconteceu, jogaram-se muitos bilhões de dólares na aventura das refinarias, nada sobrou para o controle das fronteiras nem para a Petrobrás, que hoje é a empresa não financeira mais endividada do mundo, tendo perdido 50% do seu valor de mercado.

Poderia me estender aqui com dezenas de exemplos, mas esses dois, que saltaram primeiro à mão ao mexer nas minhas anotações, são bastante eloquentes. 
Essas "antileis" - ou as quatro leis da entropia petista - não são uma questão corriqueira, que se resume ao discurso. Elas têm consequências práticas na vida dos brasileiros e no futuro do País. Formam os alicerces do atraso, que sustentam um projeto de poder.

(*) Referência ao que dissera Winston Churchill sobre o primeiro-ministro Ramsay MacDonald.

Jose Serra 
*EX-PREFEITO E EX-GOVERNADOR DE SÃO PAULO

AOS CRÉDULOS ÚTEIS : Medo de sincericídio

O governo Dilma tem medo do sincericídio. 
Em nenhum momento a presidente e seus ministros são capazes de admitir que falharam e que corrigirão os erros. Não entendem que ao menos devem “ponhar um recado na porta”, como o Arnesto, que também assumiu compromissos e não cumpriu o comprometido.


Se, apesar de promessas em contrário, o Brasil cresce essa mediocridade, que já perdura quase quatro anos, não é porque a confiança foi minada em consequência da escolha por más políticas; ou porque desarrumou a economia; ou, ainda, porque não há investimento. É porque a crise mundial não ajuda – repetem as autoridades da área econômica. Se a inflação estoura o teto da meta e por lá persiste, mesmo que recue um pouco, não é porque o governo gaste demais, situação que não consegue ser tapada nem com as já conhecidas manobras de criatividade fiscal. 

Não é, também, porque permite o aquecimento excessivo do mercado do trabalho, como vem denunciando o Banco Central; ou porque represa os preços administrados e, assim, leva o mercado a adotar remarcações defensivas. É porque o clima não colabora e o governo brasileiro está sujeito a choques de oferta – como ainda ontem repisou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mesmo sabendo que a alta de preços está espalhada e não se concentra apenas nos alimentos.

Se os juros não caem, não é porque o governo emperre os mecanismos de transmissão da política monetária, como advertiu na semana passada o diretor de Política Econômica do Banco Central, e não combata a indexação (remarcação automática de preços), mas porque o mercado financeiro e os rentistas fazem jogo contra.

Se o investimento não decola, não é porque o governo durante tempo demais pretendeu tabelar a Taxa Interna de Retorno (TIR), a remuneração dos concessionários, porque faltam regras confiáveis de jogo e porque o governo não tem agilidade para promover concessões públicas. É porque o empresário é ganancioso e mal acostumado, quer lucro no mole, porque não consegue liberar seu espírito animal.

Enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) despejou US$ 85 bilhões por mês (hoje despeja menos) para tirar a economia americana do marasmo, o governo Dilma reclamou de guerra cambial e do tsunami monetário. Com isso, queixaram-se da forte entrada de dólares no câmbio interno. Mas agora festeja as perspectivas de recuperação da economia dos Estados Unidos, graças à adoção dessas políticas.

Agora, é o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que anuncia respostas equivalentes para a área do euro, que corresponderão a emissões de pelo menos 1 trilhão de euros. No entanto, já não se vê a mesma disposição do governo brasileiro de reclamar de inundação de moeda estrangeira no câmbio interno.

Em nenhum momento, o governo admitiu que suas intervenções na área energética (energia elétrica e petróleo) estão produzindo graves distorções.

Quando não admite falhas e desqualifica opiniões divergentes, no pressuposto de que mais transparência é sincericídio e traz prejuízo eleitoral, também fica difícil mudar de rumo e, principalmente, fica difícil justificar a necessidade de mudança de rumo.


CONFIRA:

Esquisitices
A renúncia coletiva de três dos cinco membros do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aponta para esquisitices ainda maiores do que as que já se previam.

Sem patrimônio
No dia 9 de abril, o governo anunciou que a CCEE se encarregaria de tomar empréstimos bancários e repassar um total de R$ 11,2 bilhões em indenizações para concessionárias de energia elétrica. Suspeitava-se, então, de que a CCEE, que atua apenas como câmara de compensação e não tem patrimônio para lastrear um empréstimo desse porte, não tinha condições técnicas para assumir o passivo.

Medo de calote
Agora se sabe que aos conselheiros da CCEE não foi enviada sequer a minuta do contrato do empréstimo e das condições de repasse dos recursos. A liquidação da primeira fatia do empréstimo, de R$ 4,7 bilhões, está prevista para os dias 28 e 29 de abril. Ou seja, os conselheiros temem pelo calote dos beneficiários do empréstimo.

Celso Ming
Estadão

abril 23, 2014

Na guerra de versões, sucumbe o país

Os petistas se dedicam atualmente a travar uma guerra de versões em torno das responsabilidades de cada um em torno da devastação que tem se abatido sobre a Petrobras. Trata-se, na realidade, do retrato da maneira com que o PT vem lidando com o patrimônio dos brasileiros nos últimos 12 anos.
 Assim como todo o aparato estatal, a empresa é vista por eles apenas como objeto de desejo e alvo de cobiça por cargos, contratos e verbas.

A guerra de versões que cerca a compra da refinaria de Pasadena por um valor faraônico conduz a uma constatação imediata:
 a Petrobras vem sendo gerida de maneira descuidada, caótica e irresponsável pelos petistas. Numa gestão séria não se ouviria o bater de cabeças que ora protagonizam a presidente Dilma Rousseff e os executivos da companhia.

Chega a ser patético ver pessoas que estiveram ou estão à frente da maior estatal brasileira, dona de um patrimônio de cerca de R$ 350 bilhões, onde trabalham mais de 80 mil pessoas, se digladiando para jogar a culpa pela ruína da companhia umas nas outras. Seria patético se não fosse trágico e deplorável.

Dilma, 
Luiz Inácio Lula da Silva, 
Graça Foster, 
José Sérgio Gabrielli, 
Nestor Cerveró, 
Paulo Roberto Costa: 
são todos responsáveis por uma gestão que só pode ser classificada como temerária e devem responder pelo que fizeram. Se a Petrobras vive hoje as dificuldades que enfrenta, se fez negócios ruinosos como vem se tornando a sua tônica, a responsabilidade é de todos eles.

A entrevista de Gabrielli a’O Estado de S.Paulo, publicada no domingo, é apenas mais um capítulo de uma história de desacertos e desvios que está acabando com a Petrobras. A cada nova declaração, a cada nova versão resta mais evidente a irresponsabilidade com que a companhia veio sendo conduzida pelos petistas nestes últimos 12 anos.

Nas explicações dadas por Gabrielli e pelos demais gestores, a Petrobras parece surgir às vezes como mero brinquedinho. A empresa vale hoje apenas uma fração do que chegou a valer? É apenas uma contingência de mercado – que, aliás, no setor de petróleo em todo o mundo só a companhia brasileira experimenta, como explica Miriam Leitão em sua coluna de hoje n’O Globo.

O compromisso dos petistas com a saúde e o vigor da Petrobras é nenhum. 
A empresa é vista por eles apenas como objeto de desejo e alvo de cobiça por cargos, contratos e verbas quase sempre bilionárias. O que mais explicaria a companhia ter hoje um de seus ex-diretores na cadeia, algo inédito nos seus 60 anos de história? Com o PT, a maior empresa pública do país virou caso de polícia.

Toda esta guerra de versões apenas reforça a necessidade de investigar a fundo o que tem se passado na Petrobras nos últimos anos. Se os petistas, a presidente da República, os gestores e ex-gestores da empresa querem mesmo esclarecer os fatos, uma comissão parlamentar de inquérito no Congresso é o melhor caminho.

Se tem mesmo interesse no bem da Petrobras e na sua recuperação, o governo petista deveria deixar de se opor à CPI proposta pelo Congresso e reclamada pela sociedade. Quem é a favor do Brasil e da Petrobras deve ser favorável a saneá-la e a livrá-la de quem só lhe vê como butim. Nada melhor do que a CPI para apurar as responsabilidades que eles tanto atribuem uns aos outros.

A Petrobras é símbolo daquilo que o país, se bem governado, pode vir a ser. 
É símbolo do que o país, quando mal gerido, está se tornando. 
Por isso, sua importância simbólica neste momento crucial em que os brasileiros estão prestes a começar a escolher os novos destinos para nossa nação.

Tem que acabar o tempo em que um patrimônio dos brasileiros como é a Petrobras é tratado como propriedade de uma casta política. Tem que acabar o triste interregno de ocupação desmesurada do aparato estatal para servir a fins partidários. Tem que chegar ao fim a nefasta experiência do PT no comando do Brasil.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

SEM O MARQUETINGUE DOS VELHACOS ! EXPECTATIVA x REALIDADE : Petrobrás devolve pela 1ª vez uma área do pré-sal


Sofrendo grande pressão sobre sua gestão, entre denúncias de irregularidades e alto endividamento, e com prazo apertado para ampliar a produção, a Petrobrás optou por devolver a área em que realizou a primeira perfuração do pré-sal. 

O bloco BM-S-10, na Bacia de Santos, foi entregue no último mês à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), após a estatal não ter cumprido os prazos para declaração de comercialidade da área.

É a primeira vez que a companhia devolve uma área de pré-sal. 

A decisão foi vista pelo mercado como um sinal de que a estatal está revendo suas prioridades de exploração para cumprir os investimentos previstos.
 A meta é dobrar sua produção até 2020, atingindo quatro bilhões de barris de óleo por dia. Para tanto, a companhia já revê a política de conteúdo local com objetivo de acelerar a entrega de embarcações para a campanha exploratória.

Em nota, a estatal informou que seus estudos indicaram a "inviabilidade" do desenvolvimento econômico do bloco. A descoberta do óleo no bloco foi anunciada em 2005, na área chamada de Parati, próxima aos campos de Lula e Sapinhoá. Na época, a Petrobrás havia avaliado o óleo como de boa qualidade, leve e de maior valor comercial. A descoberta foi feita por amostragem em poços com profundidade de mais de 5 mil metros.

Pelo cronograma, ela deveria apresentar até 2012 os estudos sobre dimensão e características do reservatório para, em seguida, declarar a comercialidade. Segundo a ANP, isto não foi feito e o bloco retomou ao portfólio da agência reguladora, podendo ser concedido a outro consórcio interessado.

"Nesse momento, a Petrobrás tem muita coisa para fazer, o que demanda muito investimento e também mão de obra e equipamentos. Então ela pode estar traçando prioridades para as áreas onde considera mais interessante", avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). "A sua situação econômica gera uma pressão para refinar essas prioridades", completa.

O consultor também destaca que as parceiras também enfrentam situações econômicas difíceis no mercado internacional. O consórcio era formado pela Petrobrás (65%) com as empresas portuguesas BG (25% ) e Partex (10%). O contrato para exploração da área foi assinado com a ANP em 2001, na segunda rodada de licitações da agência.

"A perfuração dos poços levou um ano em função das dificuldades da área, que tem uma camada muito espessa de sal", avalia o geólogo Carlos Jorge Abreu, professor da UNB especialista em petróleo. "Houve tempo suficiente para ter uma solução para a área. Tudo indica que não era interessante, para a empresa, desenvolver esse bloco, talvez por razões econômicas", completa.

Em nota, a estatal informou que analisou as informações sobre a área em conjunto com as empresas parceiras. A avaliação era que os reservatórios tinham natureza "heterogênea e desconectada" o que "inviabilizava a implantação de projeto para o desenvolvimento econômico dessa descoberta".


Antonio Pita - Agência Estado

abril 22, 2014

AOS CRÉDULOS ÚTEIS - EIS O MODO 1,99 DE "GUVERNÁ" DA GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA : EMBUSTEIRA eletrocuta os brasileiros


Prepare o bolso: 
as contas de luz que chegarão nas próximas semanas a residências, 
comércio e indústrias contêm reajustes de tirar o fôlego. 
São, na realidade, quase um choque de alta voltagem. 
Melhor seria dizer que são um choque de realidade: 
a quimera das tarifas baratinhas forjada pela presidente Dilma Rousseff como bandeira eleitoral virou fumaça.


Nos últimos dias, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vem anunciando percentuais de reajustes a serem aplicados às tarifas das concessionárias para os próximos 12 meses. Há casos de aumentos que superam 30% e quase invariavelmente os índices autorizados chegam a dois dígitos.


Ontem(16/4), saíram os reajustes de nove distribuidoras, que atendem 24 milhões de unidades consumidoras em vários estados do país. Os aumentos autorizados variam de 11,16% a 35,7% (estes válidos para consumidores industriais de nove municípios gaúchos). Apenas para aquilatar o tamanho do tarifaço, vale lembrar que a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 6,15%, quando medida pelo IPCA.

O caso mais emblemático entre os divulgados ontem é o da AES Sul, que atende 1,3 milhão de unidades consumidoras no Rio Grande do Sul. Com o reajuste médio de 29,54% autorizado pela Aneel, as novas tarifas cobradas dos gaúchos já anularam completamente a redução feita na marra pelo governo federal no ano passado: desde então, a alta real acumulada é de 1,96%, calcula O Estado de S. Paulo.


Ou seja, durou quase nada o malabarismo para diminuir as contas de luz a fórceps, tentado pela presidente Dilma e seu séquito de xamãs e dançarinos da chuva. Não sem antes, contudo, dizimar o setor de energia no país e deixar um rastro de desmonte que levará anos para ser revertido.


Até agora, cerca de 37 milhões de unidades consumidoras já tiveram aumentos autorizados pela Aneel neste ano. Nos próximos dias virão, ainda, reajustes de Light, 
Copel, 
Celpe, 
Eletropaulo e Celesc, 
para citar apenas os mercados mais relevantes, atingindo metade dos brasileiros. O tarifaço adicionará pelo menos 0,28 ponto percentual à inflação deste ano.

Não pense o consumidor que o choque elétrico irá parar por aqui.
 Para os próximos anos, estima-se que haja aumentos represados que ultrapassam 20%, porque custos bilionários de empréstimos e socorro às empresas serão repassados para os consumidores a partir de 2015. 
A energia que Dilma prometeu baratinha vai sair bem carinha.

As tarifas sobem no ritmo de um foguete porque as distribuidoras estão tendo que pagar preços altos para dispor de uma energia cada vez mais escassa, gerada por usinas térmicas altamente poluentes. Estão tendo que pagar caro porque só as concessionárias forçadas pelo governo se aventuraram a fornecer energia nas condições que Brasília impôs – e estão quebrando, como é o caso da Eletrobrás.

A realidade, esta malvada, move-se na contramão das decisões voluntaristas dos petistas de gabinete: 
conta de luz barata só é viável quando há sobra e não falta de energia, como está ocorrendo no país agora. 

Os sinais estão, portanto, trocados e as ideias do pessoal de Brasília, para variar, estão embaralhadas.

As empresas de energia elétrica foram fragilizadas e hoje não encontram segurança para investir. Sequer conseguem gerar caixa suficiente para fazê-lo. 
Ir a mercado para captar recursos é uma temeridade, já que nenhuma delas consegue vislumbrar horizonte longo o suficiente para seus negócios após a intervenção da mão peluda do Estado no setor.

O desarranjo no setor de energia também golpeia a competitividade da economia brasileira. O país mantém-se como um dos que pratica as mais caras tarifas em todo o mundo, conforme levantamento da Firjan. Para a indústria, o custo do megawatt-hora é o décimo mais alto em todo o mundo, superando com sobra concorrentes como China e Rússia.

O choque de alta voltagem ainda vem acompanhado de gastos estratosféricos incorridos até agora pelo Tesouro – ou seja, bancados por todos os contribuintes – para maquiar as tarifas e transformá-las em bandeira eleitoral. 
Cerca de R$ 32 bilhões já foram torrados, parte a fundo perdido, parte ainda a ser cobrada dos consumidores.

Não é difícil perceber que Dilma Rousseff, que desenhou todo o modelo elétrico em vigor, tratou a questão de maneira irresponsável e conduziu o setor a um túnel sem luz e sem saída. Na realidade, o que a presidente da República fez foi eletrocutar os brasileiros, lesados em sua boa-fé pela esperteza petista.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela
Dilma eletrocuta os brasileiros

BRASIL ASSENHOREADO : PAÍS RICO É PAÍS SEM "POBREZA DELES" OU , Senado 'perdoa' dívida de planos.


Entidades médicas e de defesa do consumidor reclamaram, mas não adiantou. 
O Senado acabou aprovando a emenda à Medida Provisória 627/2013, que perdoa uma dívida de cerca de R$ 2 bilhões das operadoras de planos de saúde.

Agora, o mesmo apelo está sendo feito ao Palácio de Planalto, para que Dilma Rousseff vete o trecho do perdão que só beneficia as empresas de saúde suplementar.

O texto aprovado há duas semanas pela Câmara limita também o número de multas que as operadoras de planos poderão pagar, o que facilitaria a ocorrência de abusos, conforme bem explicou Elio Gaspari em sua coluna.

Outra polêmica em curso é a indicação pela Presidência da República do médico José Carlos de Souza Abraão para um cargo de direção da ANS, órgão do governo responsável por fiscalizar os planos de saúde e mantido por recursos públicos.
Abraão, que ainda será sabatinado pelo Senado, ocupa atualmente a presidência da CNS (Confederação Nacional de Saúde), que representa os estabelecimentos de saúde no país, como hospitais, clínicas, laboratórios clínicos e de imagem etc. Ele também já foi diretor-presidente de uma empresa de planos de saúde.

Em carta enviada ao Senado, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), o Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde) e a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) apontam problemas na nomeação e defendem que o nome de Abraão não seja aprovado.

São duas as principais objeções: 
a CNS é autora de uma ação contrária à obrigação das operadoras em ressarcir o SUS. Abrahão também já se manifestou contra o ressarcimento ao SUS pelas operadoras em artigo publicado nesta Folha em 2010.
 O ressarcimento é uma obrigação legal das operadoras de planos de saúde. Quando um consumidor é atendido pelo SUS, o plano de saúde deve ressarcir o sistema de saúde público pelos gastos.

A CNS também já defendeu no passado que os planos de saúde não fossem obrigados a atender todas as enfermidades relacionadas no CID (Código Internacional de Doenças), da Organização Mundial de Saúde.
Considerando esse histórico nada favorável a nós, clientes de planos de saúde ou do SUS, faz todo o sentido o apelo das entidades. 
Que o Senado o ouça.

Cláudia Collucci
Repórter especial da Folha

E ENQUANTO ISSO... Pela 1ª vez no ano, projeção para a inflação ultrapassa o teto da meta


Pela primeira vez no ano, a projeção para a inflação medida pelo IPCA em 2014 estourou o teto da meta, limite definido em 6,5%. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa saltou de 6,47% para 6,51% entre uma semana e outra. Há quatro semanas, a estimativa era de 6,28%. Para 2015, a previsão ficou estável 6%. Há quatro semanas, a expectativa era de 5,80%.

A previsão de inflação para os próximos 12 meses à frente subiu de 6,12% para 6,07%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 6,20%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo também estourou o teto da meta ao passar de 6,49% para 6,59%. Para 2015, a previsão dos cinco analistas recuou de 6,27% para 6,00%. Há quatro semanas, o grupo apostava em altas de 6,57% para 2014 e 6,00% para 2015.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA de abril aumentou de 0,69% para 0,80%. Há quatro semanas, estava em 0,60%. Para maio, a projeção subiu de 0,45% para 0,47%.

PIB. 
A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 recuou de 1,65% para 1,63%. Há quatro semanas, a expectativa era de 1,70%. Para 2015, a estimativa de expansão se manteve em 2,00%, mesmo valor há oito semanas.

A projeção para o crescimento do setor industrial em 2014, no entanto, apresentou aceleração; passou de 0,70% para 1,40%. Para 2015, economistas mantiveram a previsão em 2,95%. Quatro semanas antes, a Focus apontava estimativa de expansão de 1,41% para 2014 e de 3,00% em 2015 para o setor.

Os analistas mantiveram estável, em 34,80%, a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. Há quatro semanas, estava em 34,75%. Para 2015, segue em 35,00% há 18 semanas.

Juro. 
Os economistas mantiveram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 em 11,25% ao ano, há quatro semanas a previsão era a mesma. Para 2015, a mediana segue em 12,00% ao ano há dez semanas. A taxa básica de juros está em 11,00% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu em abril.

A previsão para a Selic média em 2014 ficou estável em 11,06%. Para 2015, passou de 12,01% para 12,00%. Há quatro semanas, estavam em 10,94% e 11,83% ao ano, respectivamente.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para a Selic no fim de 2014 ficou estável em 11,88% ao ano e, para 2015, permaneceu em 13% pela terceira semana consecutiva. Há quatro semanas a projeção era, respectivamente, 11,75% ao ano e 12,00%.

Déficit. 
O mercado financeiro elevou a previsão para o déficit em transações correntes em 2014. A pesquisa Focus mostra que a mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente este ano passou de US$ 77,00 bilhões para US$ 77,05 bilhões. Para 2015, a previsão de déficit nas contas externas ficou estável em US$ 75,60 bilhões. Há quatro semanas, o déficit estava em US$ 75,00 bilhões para 2014 e em US$ 73,50 bilhões para 2015.


Na mesma pesquisa, economistas elevaram ligeiramente a estimativa de superávit comercial em 2014 de US$ 3,00 bilhões para US$ 3,02 bilhões. 

Quatro semanas antes, estava em US$ 4,71 bilhões. Para 2015, a projeção se manteve em US$ 10,00 bilhões, mesmo valor de sete semanas atrás.

A pesquisa mostrou ainda que as estimativas para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado ao setor produtivo, ficou estável em US$ 60,00 bilhões em 2014 pela segunda semana consecutiva. Para 2015 segue em US$ 55 bilhões, mesmo valor registrado há sete semanas.

abril 18, 2014

EM REPÚBLICA DE TORPES... Pasadena é sucata. Petrobras fez péssimo negócio. Usina nos EUA tem vários equipamentos velhos e obsoletos: 'É a pior refinaria da região', diz um procurador do Texas


A presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró foram ao Congresso prestar esclarecimentos sobre a contestada compra da refinaria de Pasadena (PRSI) no Texas — foco de uma virtual CPI. Antes da sabatina, eles se encontraram para alinhar o discurso. Graça alertou Cerveró de que nenhuma afirmação que aumentasse a crise seria tolerada. A estratégia era apresentar o caso tão somente como um investimento fracassado — nada mais que isso. 

Sabatinada por seis horas na terça-feira, a executiva seguiu à risca esse roteiro. Reconheceu que a compra “não foi um bom negócio”. Mais ainda, afirmou que não há chance de que o dinheiro despejado na refinaria seja recuperado.

Quando chegou seu dia de falar, Cerveró reafirmou que em 2006, quando a compra de uma participação de 50% em Pasadena foi decidida, o negócio estava em consonância com a estratégia de internacionalização da Petrobras. Corroborou aquilo que Dilma Rousseff afirmara um mês antes: 
as cláusulas que obrigaram a Petrobras a comprar a parte da belga Astra Oil no empreendimento, elevando o valor total do negócio a 1,25 bilhão de dólares, não constavam do resumo executivo apresentado ao conselho de administração, que ela presidia à época. 
Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, em depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo
Anteriormente, Cerveró havia dito que o conselho dispunha de todas as informações necessárias — daí o alerta de Graça. Desta vez, baixou o tom. “Não tive a intenção de enganar Dilma”, disse ele, acrescentando que não mencionou as cláusulas por julgar que elas “não eram relevantes”. Ao fim de cinco horas, os governistas se apressaram em dizer que os esclarecimentos eram suficientes. O fato, porém, é que o discurso alinhado de Graça e Cerveró não bastou para afastar da oposição o objetivo de que se faça uma investigação aprofundada.

 Há outros esqueletos no armário da Petrobras: 
as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e de San Lorenzo, na Argentina, estão igualmente cercadas por dúvidas. Quem conhece de perto a questão diz que, se Pasadena foi um mau negócio, Abreu e Lima é um negócio da China.

Cidades com refinarias não são lugares aprazíveis. Pasadena, onde estão instaladas dezenas de plantas, não se desvia um milímetro dessa regra. Seu apelido é Stinkadena — um trocadilho com a palavra inglesa que significa “fedor” — e, por causa das emissões de gases, o céu tem uma permanente coloração cinzenta. Para minimizarem o ônus de viver em um lugar assim, autoridades e moradores fazem pressão constante sobre as refinarias, apontando aquelas que se qualificam como boas e más “corporações-cidadãs”. 

A PRSI é hoje a ovelha negra entre as empresas locais. 
“É a pior refinaria da região em todos os sentidos”, afirma Rock Owens, procurador do condado. Segundo a agência de proteção ambiental do governo americano, a refinaria teve o maior número de violações ambientais graves nos últimos cinco anos em Pasadena. Em 2013, do total de 1,8 milhão de dólares em penalidades aplicadas no Texas, a maior fatia coube a ela: 
757.000 dólares. “O estado é leniente em relação às políticas ambientais. Mesmo assim, ela conseguiu levar a multa”, diz Owens.
O estado de conservação da refinaria é a origem de todos esses problemas. A planta foi construída em 1920, pela Crown Central Petroleum, e não passou por nenhuma grande modernização nos últimos cinquenta anos. Para todos que navegam pelo Houston Ship Channel, a principal via de escoamento dos derivados de petróleo produzidos na região, o cartão de visita da PRSI é uma instalação queimada, caindo aos pedaços. 

Trata-se de uma estrutura que explodiu em 2011. 
Os escombros nunca foram removidos. (Clique para vídeo e  continuar lendo o texto)

POBRE BRASIL ASSENHOREADO POR VELHACOS : PT, PMDB, e Collor loteiam a BR Distribuidora. Diretoria da empresa está dividida entre os partidos; até ex-presidente que sofreu impeachment fez indicações

A Petrobras Distribuidora (BR), maior distribuidora de combustíveis do país, é alvo da barganha de partidos políticos. Se na Petrobras a atual gestão comandada por Maria das Graças Foster vem conseguindo defender a estatal do assédio político sobre os cargos de diretoria, sua subsidiária, dona de 7.500 postos de combustíveis, enfrenta uma realidade bem diferente. De acordo com fontes do setor, a diretoria da BR é dividida entre PT, PTB e PMDB. Dos quatro principais dirigentes, dois foram indicados pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), presidente que sofreu impeachment em 1992 após um escândalo de corrupção.

Uma fonte próxima ao Planalto explicou que os cargos de diretoria da BR são ocupados por funcionários de carreira do sistema Petrobras, mas apenas após a indicação e o apoio desses partidos políticos.

Desde o fim do mês passado, a BR está com uma das cinco vagas da diretoria em aberto. No último dia 21, Nestor Cerveró foi demitido do cargo de diretor financeiro da BR, após a presidente Dilma Rousseff ter dito que aprovou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, quando era presidente do conselho da Petrobras, baseada em um relatório que teria falhas técnicas e jurídicas. O relatório fora apresentado por Cerveró, que na ocasião ocupava o cargo de diretor internacional da estatal. Agora, a Petrobras já admite oficialmente que a compra de Pasadena não foi um bom negócio.

A saída de Cerveró da diretoria da área internacional da
Petrobras para ocupar a diretoria financeira da BR, em 2008, não foi por conta da polêmica compra de Pasadena, em 2006, mas, sim, resultado de mais um acerto político do governo Lula. Segundo fontes, a saída de Cerveró fez parte das negociações de cargos do governo com o PMDB mineiro, que reivindicava uma diretoria na Petrobras.

Nestor Cerveró estava no cargo de diretor da área internacional da Petrobras desde o início do governo Lula, tendo sido indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). Foi substituído na Petrobras pelo engenheiro Jorge Zelada, indicado por líderes do PMDB. Para manter o prestígio do cargo de diretor, Cerveró foi remanejado, então, para a diretoria financeira da BR. Procurado, o ex-presidente Lula disse, por meio da assessoria, que não vai se pronunciar sobre o assunto. Já a assessoria do PMDB disse que não poderia comentar esses fatos, pois as indicações para a BR não foram feitas pela atual direção do partido.

Com um atuação considerada fraca, Jorge Zelada deixou a diretoria internacional da Petrobras em julho de 2012, cinco meses após Graça Foster assumir a presidência da estatal. Desde então, Graça Foster tem resistido às fortes pressões políticas do PMDB para nomear outro executivo para a diretoria internacional ligado ao partido. Graça acumula, desde então, a presidência com a diretoria.

Agora, com a saída de Cerveró da diretoria da BR, o cargo passou a ser acumulado pelo presidente da subsidiária, José Lima de Andrade Neto, que foi indicado ao cargo pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

Já Luis Alves de Lima Filho, diretor da Rede de Postos de Serviço, e Vilson Reichemback da Silva, diretor de Operações e Logística, assumiram os cargos em julho do ano passado, contando com a indicação de Collor, segundo fontes do setor. A diretoria ainda é composta por Andurte de Barros Duarte Filho, diretor de Mercado Consumidor, que conta com o apoio do PT.

Apesar de o PTB ter influência na BR desde o segundo mandato de Lula (2007-2010), optou-se pela indicação de pessoas que já trabalhavam na empresa. Luis Alves de Lima Filho está há 24 anos na Petrobras Distribuidora. Já Reichemback está na estatal há quase 38 anos.

Uma pessoa bem informada sobre o setor lembra que o atual presidente da BR já comandou a Petroquisa, subsidiária da Petrobras para a área petroquímica, e chegou a secretário do Ministério de Minas e Energia.

Segundo fontes, a BR sempre foi cobiçada pelos políticos devido ao seu grande volume de negócios. De acordo com seu balanço financeiro, a subsidiária da Petrobras registrou no ano passado uma receita operacional líquida de R$ 86,585 bilhões — uma alta de 12% em relação ao ano anterior. O lucro líquido, por sua vez, subiu 12,7%, para R$ 2,132 bilhões.

Procurado, o PTB informou que não participou das indicações dos diretores. Por meio de sua assessoria de imprensa, esclareceu que, na realidade, os diretores foram indicação do senador Fernando Collor. A assessoria de Collor disse que o senador não poderia comentar o assunto, pois estava em Alagoas.

Por sua vez, a Petrobras destacou que todos os integrantes da diretoria executiva da BR “são técnicos de carreira do Sistema Petrobras, com ampla experiência em suas áreas de atuação”.

Segundo a Petrobras, o presidente da BR, Andrade Neto, tem 36 anos de empresa. O diretor de Mercado Consumidor, Andurte de Barros Filho, é empregado da Petrobras desde 1982.


RAMONA ORDOÑEZ E BRUNO ROSA (EMAIL · FACEBOOK · TWITTER)
O Globo