"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 15, 2014

A onda da razão

Um país na condição em que o Brasil está não comporta amadorismos, nem aceita que o modelo baseado na pilhagem e na truculência persista. É chegado o momento da razão

A campanha presidencial deste ano está presa em uma mistura de mistificações e empulhações. Faltando 20 dias para a votação que definirá o futuro do país pelos próximos quatro anos, está na hora de o debate espelhar a gravidade da situação que o Brasil enfrenta. É chegado o momento da razão.

Líder nas pesquisas, Dilma Rousseff protagoniza uma das campanhas mais sórdidas já vistas na história do país. Suas peças publicitárias são apelativas e o Brasil que sua propaganda no rádio e na TV veicula é uma mentira sem qualquer ligação com a realidade.

A candidata-presidente não parece nem um pouco preocupada com isso. Em suas declarações públicas, reforça o tom enganoso que os marqueteiros petistas imprimiram a suas criações carentes de escrúpulos. Ontem, por exemplo, disse que um Banco Central autônomo "tira comida e perspectiva da vida das pessoas". O grau de obscurantismo da campanha petista não tem limites.

Por outro lado, Marina Silva não demonstra capacidade de garantir que um eventual governo seu teria pulso para levar o país de volta ao prumo. Suas convicções não resistem a contestações e as visões internas de seu gruo político são fragmentadas, contraditórias.

Um exemplo é o tratamento a ser dado à inflação. Um de seus principais assessores econômicos defendeu o aumento da meta de inflação do próximo ano, num momento em que o país se vê prejudicado pela leniência da gestão atual, que deixou o custo de vida escapar de controle e namorar perigosamente o teto da meta.

Ontem, Marina desautorizou a posição defendida por Alexandre Rands, que foi obrigado, inclusive, a divulgar nota à imprensa explicando-se. Foi mais um lance do estica-e-puxa que marca a candidatura do Partido Socialista, acossado por suas contradições e incongruências.

A difícil situação em que o país se encontra não admite experimentos arriscados, nem tampouco permite que perseveremos na direção equivocada em que a gestão petista nos enfiou. Para o bem dos brasileiros, a importante decisão a ser tomada em 5 de outubro próximo deve se guiar pela razão.

Um país na condição em que o Brasil está não comporta amadorismos, nem aceita que o modelo baseado na pilhagem e na truculência persista. Uma nação com a importância do Brasil não pode ficar à mercê da inexperiência de Marina Silva, nem continuar refém da incapacidade de Dilma Rousseff.

É hora de a onda da razão levar o país de volta a um bom caminho, à mudança segura, à transformação qualificada. É hora de os brasileiros caminharem juntos, unidos, para eleger Aécio Neves e reconquistar a confiança num futuro melhor que todos querem e a nossa gente merece.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

setembro 14, 2014

NO brasil maravilha DO CACHACEIRO VIGARISTA E SUA PRESIDENTE "INCOMPETENTA" : Mercado de trabalho começa a sentir o baque às vésperas da eleição


O economista austríaco Friedrich Hayek escreveu certa vez que quando se usa o estado como ferramenta para estimular a criação de vagas, uma série de desequilíbrios é desencadeada. O Brasil vive essa realidade. A cantilena repetida à exaustão em época eleitoral é a de que o pleno emprego que se vê hoje leva a assinatura dos governos petistas. O outro lado da moeda é que os desequilíbrios criados pela política econômica da gestão de Dilma Rousseff se tornam cada vez mais patentes e afetam não só a renda dos brasileiros, mas também o mercado de trabalho. 

Com a inflação no teto da meta, os juros começaram a subir e o emprego, consequentemente, deu sinais de esgotamento. A criação de vagas com carteira assinada em 2014 (até agosto) é a mais baixa desde 2002, início da série histórica disponibilizada pelo Ministério do Trabalho. Apesar da desaceleração, a taxa de desemprego mais recente, que remonta a abril, está em 4,9% — um dos resultados mais baixos da história. 

Especialistas ouvidos pelo site de VEJA explicam que a menor geração de postos só não impactou a taxa de desemprego porque a oferta de mão de obra diminuiu: 
passou de 24,32 milhões em abril do ano passado para 24,11 milhões no mesmo mês deste ano, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que leva em conta as seis maiores regiões metropolitanas do país.

Levantamento feito a pedido do site de VEJA pelo economista Hélio Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base na PME, mostra outro fator estatístico que impede o aumento da taxa de desocupação. O estudo constata que, entre abril do ano passado e deste ano, 528 mil brasileiros em idade ativa preferiram não trabalhar. Esse número é equivalente à população de uma cidade como Ribeirão Preto (SP). 

No jargão econômico, esses brasileiros são conhecidos como ‘nem-nem’: aqueles que não estudam, nem trabalham. 

De acordo com o cálculo de Zylberstajn, se estivessem trabalhando, a taxa de desemprego saltaria dos 4,9% atuais para 7%. “Ao retornarem para um mercado de trabalho desaquecido, procurando emprego, esses indivíduos devem engordar as estatísticas de desemprego. A tendência é que não preencham novas vagas, que agora estão mais escassas”, alerta o economista e professor da Universidade de São Paulo (USP), José Paulo Chahad.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)mostram que, em 2014, alguns segmentos já registram mais demissões do que contratações. É o caso do Comércio, que fechou mais de 6 mil vagas nos oito primeiros meses deste ano. Não à toa, justamente o setor varejista, que foi o que mais cresceu durante o boom econômico dos últimos anos, é a ponta mais sensível à variação no bolso da população. 

Com a inflação acima do teto da meta (de 6,5% ao ano) e os juros em seu maior patamar desde 2011 (11% ao ano), a renda se arrefece e o consumo titubeia. Neste exemplo enxerga-se a teoria de Hayek de forma clara. Ele defende que políticas de governo que estimulam o consumo trazem dois resultados: o aumento do emprego em determinados setores e o avanço da inflação. Mas, quando medidas anti-inflacionárias são aplicadas, como é o caso do aumento dos juros, esses mesmos empregos são fechados. 

"Quanto mais a inflação durar, maior será o número de trabalhadores cujas vagas dependerão da continuidade da inflação", diz o economista austríaco em seu livro Full Employment at Any Price (Pleno Emprego a Qualquer Preço, em tradução livre).

Veja.com

PARA REGISTRO ! PRESIDÊNCIA NÃO É LUGAR PARA "COITADA" E A INCONTESTÁVEL INCOMPETENTE OU : A razão contra a baixaria e a apelação

A inacreditável baixaria e a apelação na qual o desespero de Dilma Rousseff e a empáfia de Marina Silva transformaram a campanha eleitoral em sua fase decisiva tiveram um contraponto na atuação de Aécio Neves, terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, em sua participação, no último dia 10, na rodada de entrevistas com os presidenciáveis realizada pelo jornal O Globo. 

No momento em que o PT apela para o que sabe fazer melhor - atacar e iludir - e Marina recorre ao bom-mocismo e à manipulação de obviedades para seduzir um eleitorado ávido por mudanças, o candidato do PSDB introduziu um sopro de racionalidade no debate eleitoral.

O que se pode esperar daqui para a frente da campanha petista é a desfaçatez crescente de Dilma Rousseff diante do mar de lama que envolve seu governo, como ela demonstrou sem o menor constrangimento na entrevista ao Estado publicada no dia 9, ao responder sobre o mais recente escândalo na Petrobrás: "Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso garantir que todas, vamos dizer assim, as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas". "Sangrias", aliás, sobre as quais a ex-ministra de Minas e Energia e chefe do governo "não tinha a menor ideia".

Marina Silva, por sua vez, tem falado muito sobre a "nova política" que se propõe a levar ao Planalto e pouco sobre como e o que fará para transportá-la do plano das boas intenções para a realidade dura de um ambiente político que a prática dos últimos 12 anos levou a limites extremos de degradação. E fala pouco sobre os 24 anos em que, sob as asas do guru Lula, militou nas falanges petistas que, com denodo e método, se dedicaram a desmoralizar as instituições democráticas do País.

Surpreendido, como todo o Brasil, pela reviravolta provocada na campanha eleitoral com a morte trágica de Eduardo Campos, Aécio Neves, cuja candidatura até então parecia presença certa contra Dilma Rousseff no segundo turno, defronta-se agora com a necessidade de, em circunstâncias mais desfavoráveis do que até então, demonstrar que é a melhor opção para um eleitorado claramente ávido por mudanças.

Sem considerar a questão estritamente política, que é essencial, mas pouco compreendida em toda sua complexidade - ou simplesmente rejeitada pela maior parte do eleitorado -, o fator decisivo numa eleição presidencial é certamente a economia, traduzida em seus efeitos sobre o cotidiano dos cidadãos. Para reduzir a questão a sua expressão mais simples, quando a economia vai mal a produção cai, os empregos mínguam, a carestia aumenta e a insatisfação geral se instala. É exatamente o que acontece hoje no País, depois de quatro anos de incompetente e desastrado governo.

Diante desse desastre que nem a indispensável existência de programas sociais como o Bolsa Família consegue mais dissimular, está claro que o Brasil precisa, mais uma vez, de uma competente ação governamental de estabilização e desenvolvimento econômico, a exemplo do que ocorreu 20 anos atrás, quando a inflação anual atingia incríveis quatro dígitos e o então ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, comandou uma equipe de economistas que criou e implantou o Plano Real, a partir de três fundamentos básicos: metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário.

Esse é, claramente, um desafio para o qual Dilma Rousseff, até por formação ideológica, não tem a menor disposição - nem o PT dispõe de quadros habilitados - para enfrentar. Marina Silva, por sua vez, tampouco conseguiu demonstrar até agora genuína disposição, e disponibilidade do necessário apoio de quadros técnicos, para a difícil tarefa de recuperar a economia brasileira.

Além do comprometimento histórico dos tucanos com a estabilidade e o desenvolvimento econômico do País, Aécio Neves pode contar com a credibilidade de quadros técnicos comprovadamente competentes. E essa foi a ênfase de sua participação na entrevista ao jornal carioca, ao repudiar a baixaria e a apelação emocional na campanha: "Tenho feito um esforço maior e vou fazê-lo até o último dia desta eleição. Acredito que, no momento da decisão, vai prevalecer a onda da razão".
O Estado de São Paulo

OOOH COITADA ! COSTELA DO CACHACEIRO VIGARISTA. A "NOVA POLÍTICA" DA VELHA CULTURA DO COITADISMO/INJUSTIÇADO/INCOMPREENDIDO PARA CAMUFLAR A FALTA DE PREPARO : Marina se diz atacada por ser 'filha de pobre, preta e evangélica'

A candidata à Presidência do PSB, Marina Silva, afirmou neste sábado, 13, em um comício em João Pessoa, capital da Paraíba, que virou alvo de críticas por ser "filha de pobre, preta e evangélica". Marina acusou seus adversários de promover uma "campanha de ódio" contra ela e sua candidatura pelo PSB à Presidência.

"Onde já se viu querer que a gente diga a verdade sobre a sua trajetória e a sua biografia? Filha de pobre, preta e evangélica é para ser desrespeitada, caluniada, tratada com preconceito", ironizou. 

Disse também que o Brasil sempre foi um país tolerante com as diferenças, onde as pessoas convivem "de forma respeitosa, amorosa, acolhedora entre quem crê e quem não crê, entre quem é católico e quem é evangélico". Agora, no entanto, prosseguiu, os adversários "começaram uma campanha de ódio".


Sem especificar se falava da candidata Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, ou do rival tucano Aécio Neves, a ex-ministra do Meio Ambiente - até 2008, no governo Lula - afirmou que "eles" se recusam a dizer a verdade sobre a sua trajetória de vida. 

"Quando eu peço para eles pararem com a mentira e com a calúnia, eu estou me fazendo de vítima. Olha como a política ficou perversa. Você é apunhalada, caluniada e tem de ficar calada e sorrir agradecida, porque senão eles reclamam".

Rivalidade. 
Desde que subiu nas pesquisas, Marina tem sido alvo de fortes ataques, principalmente partidos do PT, partido do qual fez parte por mais de duas décadas. A estratégia de campanha da presidente Dilma Rousseff é desconstruir a imagem da ex-ministra, para que a presidente inverta as tendências e tenha maior chance de vitória no segundo turno. 

Esses ataques, que se estenderam por toda a semana, envolvem até a presidente Dilma - que ontem disse também que quem ser presidente "tem de aguentar a barra" - e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o qual Marina "não precisa contar inverdades" a respeito dele. 

Depois de a candidata do PSB reclamar de uma série de ataques que a campanha petista fez nas propagandas de TV contra ela, Dilma disse que Marina estava se fazendo de vítima para fugir do debate.

Apesar de a campanha da presidente centrar sua artilharia em questões mais ligadas à área econômica, ela também mencionou que Marina havia mudado o seu programa de governo na parte que diz respeito aos direitos da comunidade gay depois de ser pressionada pelo pastor Silas Malafaia pelo Twitter.

Neste sábado, num outro evento de campanha na cidade paraibana de Campina Grande, Marina afirmou que jamais imaginou que a primeira mulher eleita presidente do País iria tentar "destruir" outra mulher que tentasse chegar à Presidência.


Isadora Peron, Enviada especial - O Estado de S. Paulo

setembro 12, 2014

PELO MENOS SÃO HONESTOS QUANDO DIZEM "FAZER(para eles) MAIS E MELHOR"(MAL FEITOS) OU : Ordem de grandeza

Maior escândalo de corrupção já desvendado até hoje, o mensalão é fichinha perto do assalto aos cofres da Petrobras. A delinquência está no DNA desta gente
A cada escândalo que surge, a administração petista costuma dizer que sua prática não difere da experiência pregressa, ou seja, faz o que outros governos faziam. É uma forma de apenas confundir, sem explicar. Mas a realidade é que a dimensão da roubalheira atual não encontra precedentes na história do país.

O partido que se notabilizou por protagonizar o mensalão, agora está diante de sua versão 2.0: o assalto aos cofres da Petrobras para alimentar uma sedenta base aliada no Congresso. Nem com a condenação e prisão de seus principais próceres pela mais alta corte de Justiça do país, o PT parece ter aprendido. A delinquência está no DNA desta gente. 

Aquela que já foi a maior empresa brasileira – a petroleira deveria estar bombando com a exploração do pré-sal, mas vale hoje menos do que uma fabricante' de cerveja – está no centro de um esquema que pode ter desviado R$ 10 bilhões dos cofres públicos. Perto do que aconteceu lá nos últimos anos, o mensalão é fichinha.
 
Diz-se que 3% do valor dos contratos fechados por Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento era usado para pagar propinas a ministros de Estado, governadores, senadores e deputados. Tomando-se por base apenas o investido pela repartição entre 2004 e 2012, período em que ele ocupou o cargo, daria uns R$ 3 bilhões.

Maior esquema de corrupção já desvendado até agora, o mensalão envolveu apenas uma fração disso:
R$ 141 milhões em dois anos, segundo a Procuradoria-Geral da República. 
De onde, afinal, vinha tanto dinheiro para irrigar o mensalão 2.0 do PT? 

Basta ver a carteira de obras da Petrobras e a péssima execução dos investimentos para perceber que a estatal foi usada como maná para alimentar a corrupção petista. Os maiores empreendimentos tiveram seus custos multiplicados e os prazos nunca cumpridos. Sabe-se agora por quê.

Atualmente sendo erguida em Pernambuco, a Abreu e Lima, por exemplo, tornou-se a mais cara refinaria já feita até hoje em todo o mundo. Seu custo já aumentou nove vezes, passando de R$ 4 bilhões para R$ 36 bilhões, e a obra está quatro anos atrasada.


A refinaria de Pasadena foi comprada por US$ 1,2 bilhão meses depois de ter sido adquirida por uma empresa belga pela bagatela de US$ 42,5 milhões. O TCU já identificou prejuízo de US$ 792 milhões e condenou 11 dirigentes da Petrobras a pagar por isso. 

Na lista também pode ser incluído o Comperj, em obras em Itaboraí, no Rio. O valor do investimento quase dobrou – passou de R$ 19 bilhões para R$ 31 bilhões – mas só metade do inicialmente planejado deve ser feito. A obra também está quatro anos atrasada.


Não é difícil concluir que a ordem de grandeza da corrupção petista não tem concorrentes na história brasileira. A campanha de Dilma Rousseff à reeleição diz se orgulhar de combater a roubalheira, mas deveria era envergonhar-se de tê-la deixado ir tão longe.

ITV

"os mesmos de sempre." ! Abençoado por Deus e roubado com naturalidade

Tá lá o corpo estendido no chão. Acabou uma época imprensada entre a crise econômica e uma profunda desconfiança da política. Não quero dizer com isso que o atual governo federal, com sua gigantesca capacidade, milhões de reais e a máquina do Estado, perderá a eleição. Não o subestimo. Quando digo que acabou uma época quero dizer que algo dentro de nós se está rompendo mais decisivamente, com as denúncias sobre o assalto à Petrobrás.

De um ponto de vista externo, você continua respeitando as leis e as decisões majoritárias. Mas internamente sabe que vive uma cisão. A contrapartida do respeito à maioria é negada quando o bloco do governo se transforma num grupo de assaltantes dos cofres públicos.

Uma fantástica máquina publicitária vai jogar fumaça nos nossos olhos. Intelectuais amigos vão dizer que sempre houve corrupção. Não se trata de um esquema de dominação. Ele tem seus métodos para confundir e argumentar.

O elenco escolhido pelo diretor da Petrobrás para encenar o grande assalto na política não chega a surpreender-me. O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Henrique Alves, são atores experimentados. A diferença agora é que decidiram racionalizar. Renan e Alves viveram inúmeros escândalos separadamente. Agora estão juntos na mesma peça. Quem escreve sobre escândalos deve ser grato a eles. Com a presença num mesmo caso, Renan e Alves nos economizam um parágrafo. Partimos daí: os presidentes do Senado e da Câmara brasileira são acusados de assaltar a Petrobrás.

Deixamos para trás um Congresso em ruínas e vamos analisar o governo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi acusado, o tesoureiro do PT também foi denunciado. As declarações deixam claro que Lula levou o diretor para o posto e elogiava seu trabalho na Petrobrás.

Em termos íntimos, não há governo nem Congresso para respeitar. Ambos já mudaram de qualidade. Os que se defendem afirmando que sempre houve corrupção não percebem a fragilidade do argumento. É como se estivessem diante do incêndio do Rio e alguém sussurrasse: "O Nero, lembra-se? O Nero também incendiou Roma".

Grande parte dos analistas se interessa pela repercussão do escândalo na corrida presidencial. Meu foco é outro: a repercussão na sensação de ser brasileiro. Quem talvez conheça melhor essa sensação são as pessoas que vivem em favelas, dominadas pelo tráfico ou pela milícia. 

Existem diferenças entre as favelas e o Brasil que as envolve. Diante de escândalos políticos somos livres para protestar, o que não é possível nos becos e vielas. E contamos com a Justiça. No caso do mensalão, o processo foi conduzido por um juiz obstinado e com dor nas costas, pouco tolerante a artifícios jurídicos. Neste caso da Petrobrás há indícios de que o juiz Sérgio Moro, competente em analisar crimes de lavagem de dinheiro, pretende avançar nas investigações. E avançar por um território que não é virgem, mas extremamente inexplorado: o universo das empreiteiras que subornam os políticos.

Lembro-me, no Parlamento, dos esforços do velho Pedro Simon para que se investigassem também as empreiteiras nos escândalos de suborno. Falar disso no Congresso é falar de corda em casa de enforcado. Ele não conseguiu. Mas Simon queria mostrar também que os políticos não se corrompem sozinhos. Desgastados, polarizam tanto a rejeição que poucos se interessam por quem deu dinheiro e com que objetivo.

Leio nos jornais que as empreiteiras fizeram um pool de excelentes advogados e, pela primeira vez na história, vão se defender de forma coordenada. Vão passar por um momento crucial. Ainda no Congresso, apresentei projeto regulando suas atividades no exterior. A presunção era de que mesmo no exterior o suborno era ilegal para uma empresa brasileira. Alguns países já adotam essa política.

Sinceramente, não sei se o caso das empreiteiras é apenas de bons advogados. Em muitos lugares do mundo, algumas empresas assumem seus erros e se comprometem com um novo tipo de relação com as leis. Isso no Brasil seria uma decisão audaciosa. Sem o suborno, devem pensar, não há chance de ter contratos com o governo. 

Se, como no mensalão, a justiça for aplicada com severidade, também as empreiteiras serão punidas. Mais uma razão para pensar numa mudança de comportamento para a qual o País já está maduro. Todo esse processo de corrupção pode ser combatido, parcialmente, a partir de nova cultura empresarial. Os outros caminhos são transparência, Polícia Federal, Justiça, liberdade de imprensa e internet.

Quando afirmo que uma época acabou, repito, não excluo a vitória eleitoral das forças que assaltam a Petrobrás. Mas, neste caso, o governo sobreviverá como um fósforo frio. Maduro, na Venezuela, vê Chávez transfigurado em passarinho. Esse truque não vale aqui, pois Lula está vivo. E no meio da confusão.

Não creio que o Congresso será melhor nem que a oposição, que não soube combinar a crítica econômica com a rejeição moral, possa realizar algo radicalmente novo. O próprio Supremo não é mais o mesmo. Modestamente, podemos esperar apenas alguma melhoras e elas vão depender de como o povo interpretará o saque à Petrobrás. Na minha idade já não me posso enganar: Senado, Câmara, governo, tudo continua sendo formalmente o que é; no juízo pessoal, são um sistema que nos assalta.

O PT, via Gilberto Carvalho, acha que a corrupção é incontrolável e propõe financiamento público de campanha. Bela manobra, como se o dinheiro da Petrobrás não fosse público. Os adversários têm tudo para desconfiar da tese. Ficariam proibidos de arrecadar com empresas, enquanto dinheiro a rodo é canalizado das estatais para o PT, que se enrola na Bandeira Nacional e grita: "O petróleo é nosso!".

Na medida em que tudo fique mais claro, talvez possamos até economizar palavras, como Renan e Alves nos economizaram um parágrafo participando do mesmo escândalo. Poderíamos usar a frase do mendigo em Esperando Godot, ao ser questionado sobre quem o espancou: 
os mesmos de sempre.

Fernando Gabeira é jornalista

A "SUSTENTABILIDADE" DA NOVA POLÍTICA, A "REDE" DA DONA IMACULADA : Neca dá R$ 2 mi a Marina e aliados e é 3ª maior doadora entre pessoas físicas. Acionista do banco Itaú ajudou candidata do PSB e concorrentes de outros três partidos todos vinculados à Rede


Além de coordenar o programa de governo de Marina Silva (PSB), a acionista do banco Itaú e educadora Maria Alice Setubal é a terceira maior doadora individual nestas eleições. Até o começo de setembro, Neca, como é conhecida, havia dado R$ 2.010.200 a candidatos do PSB (16), 
PV (3), 
PDT (2) e PPS (1). 

As doações têm como destinatários concorrentes em 13 Estados e no Distrito Federal. Os valores também variam. Os beneficiados são políticos ligados à Rede Sustentabilidade, partido que Marina tentou criar sem sucesso no ano passado.

As maiores doações foram de R$ 200 mil. Além de Marina - por meio do comitê financeiro da candidatura presidencial do PSB -, receberam essa quantia candidatos a deputado federal em São Paulo (José Gustavo Fávaro) e Tocantins (Rafael Boff), e o candidato a governador do PSB no Amazonas, Marcelo Ramos Rodrigues.

Neca fez ainda seis doações de R$ 130 mil para candidatos à Câmara e ao Senado - como Eliana Calmon (PSB-BA) e Reguffe (PDT-DF). As demais doações são de R$ 70 mil e R$ 10 mil, para candidatos a deputado estadual e federal da Bahia a Santa Catarina. Em comum, a maioria tenta se colocar no perfil de “novo”: jovens, estreantes nas urnas ou defensores da bandeira da renovação.Líderes. Neca só ficou atrás de outros dois grandes empresários no ranking de maiores doares como pessoa física: Alexandre Grendene Bartelle (R$ 2,4 milhões) e Marcelo Beltrão de Almeida (R$ 2,3 milhões).

O primeiro é um dos fundadores da Grendene, que, segundo a Forbes, é a maior fabricante de sandálias do mundo. Seu patrimônio é estimado pela revista em US$ 1,6 bilhão. Suas doações se concentram nos dois Estados onde a Grendene tem mais interesses: o Ceará (onde fica a maior fábrica) e o Rio Grande do Sul (local da sede administrativa da empresa).

Alexandre foi acompanhado nas doações por três parentes: Pedro Grendene Bartelle (R$ 1,5 milhão), Maria Cristina (R$ 1 milhão), Pedro Bartelle (R$ 625 mil) e Giovana Bartelle Velloso (R$ 375 mil). Juntos, os quatro doaram R$ 5,9 milhões. Como pessoa jurídica, a Grendene doou R$ 1,7 milhão.

Segundo maior doador, Marcelo Beltrão de Almeida (PMDB-PR) é suplente de deputado federal e concorre a uma cadeira no Senado. Marcelo é herdeiro da CR Almeida, uma das maiores empreiteiras do País - e doadora de R$ 9,4 milhões nestas eleições. A maior doação do candidato a senador foi para si próprio: R$ 2,2 milhões. O resto foi para candidatos a deputado estadual do PMDB no Paraná.

Fortalecimento. 

Procurada pela reportagem, Neca afirmou que não pretende fazer mais doações até o fim da campanha. Ela disse que fez as doações para “fortalecer” os candidatos da Rede. Como a sigla não obteve o registro do Tribunal Superior Eleitoral, o grupo dispersou e acabou se filiando a diferentes partidos. A maioria, porém, seguiu o mesmo caminho de Marina e entrou no PSB.
essoria de Marcelo Beltrão de Almeida disse que os valores doados foram altos porque ele optou por financiar a própria campanha, sem depender de recursos de terceiros. Alexandre Grendene Bartelle não foi localizado para comentar o assunto. 


ESTADÃO
/ COLABOROU ISADORA PERON

setembro 11, 2014

NO brasil maravilha DOS VELHACOS E DESAVERGONHADA O emprego naufraga‏


A crise no emprego já é uma dura realidade que só o governo petista insiste em ignorar. A indústria é quem mais sofre, mas as dificuldades já são generalizadas

O governo petista insiste em dizer que sua política econômica preserva o emprego. Infelizmente, contudo, os indicadores teimam em desmentir o discurso oficial. A piora é generalizada, mas na indústria a situação é bem mais grave.

Só uma gestão que "não tem a menor ideia" de nada, como diz Dilma Rousseff sobre os escândalos na Petrobras, não é capaz de enxergar a dureza da situação. Mês após mês, os resultados pioram, mas o governo persevera em expiar a responsabilidade com culpados imaginários, como a chuva, a seca, a Copa, o mundo ou alguma rotatividade fora de hora.

Segundo o IBGE, os empregos na indústria caíram 3,6% em julho na comparação com o mesmo mês de 2013.
É o pior resultado desde novembro de 2009. Segundo O Estado de S. Paulo, o mercado de trabalho industrial encontra-se agora no nível mais baixo desde abril de 2004. No ano, o emprego industrial cai 2,6%, pior desempenho em 13 anos, de acordo com o Iedi.

Em todas as 14 regiões pesquisadas, houve perda de empregos industriais em julho. Em São Paulo, a queda foi de 5,1%, a maior desde 20011, quando começa a série do IBGE com o indicador – vale lembrar que o estado responde por um terço do pessoal ocupado na indústria.

A má situação do emprego na indústria brasileira não vem de agora. A queda em julho é nada menos que a 34ª consecutiva, ou seja, são quase três anos seguidos ladeira abaixo. E o governo petista acha que não tem nada errado acontecendo na nossa economia...

Os rendimentos na indústria também estão cedendo: queda de 3,4% em julho na comparação com mesmo mês de 2013. É o segundo mês consecutivo que isso acontece. O ritmo de alta da renda na indústria já decaiu de 4,4% em 2012 para os atuais 0,6% acumulados desde janeiro último.

Os números do IBGE se somam aos do Caged, segundo os quais 74 mil empregos foram eliminados na indústria nos últimos três meses. Também se juntam ao expressivo exército que vem tendo seus contratos de trabalho temporariamente suspensos, no chamado regime de layoff. Já são 12 mil empregados nesta situação, maior contingente desde 2009.

Desde maio, a geração de trabalho no país foi a menor registrada para os respectivos meses desde o início deste século. A redução em comparação com o ano passado ronda os 70%. Se isso não é uma crise brava, o que mais pode ser?
O governo repete que o Brasil tem um dos menores índices de desemprego do mundo. Não é verdade: 
se considerada a taxa da Pnad Contínua, países que estiveram no epicentro da crise de 2008/2009, como os EUA, já estão melhores que nós. Não adianta ficar dourando a pílula enquanto os melhores empregos vão ficando pelo caminho.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

"NOVA POLÍTICA 2" - 'Itaú nunca bancou Marina Silva', afirma Neca Setubal. OK ! SE ELEITA MARINA BANCARÁ O ITAÚ? NATURA...

Neca Setubal, coordenadora do programa de governo de Marina Silva e acionista do Itaú, afirma que o banco de sua família nunca sustentou a candidata do PSB ao Palácio do Planalto. Diz que os recursos que a ex-ministra do Meio Ambiente usa para viver vêm de suas palestras. 

E lembra que Marina até participou de conferências no Itaú, mas nunca recebeu por isso. “É baixar bastante o nível da campanha”, afirma Neca, que é socióloga, numa reação à presidente Dilma Rousseff, que anteontem sugeriu que Marina A petista usou o fato de Neca ter doado, como pessoa física, cerca de R$ 1 milhão em 2013 ao instituto fundado pela ex-ministra do Meio Ambiente para desenvolver projetos de sustentabilidade. 

O aporte bancou 83% dos custos da entidade no ano passado. “Não apoio só esse instituto, mas também outras 15 instituições, entre elas a Doutores das Águas, Greenpeace, Casa do Coração, Sonho Brasileiro e Instituto Chapada da Educação”, diz. “Fico muito triste de ver o PT, um partido que sempre admirei e no qual votei algumas vezes - assim como também já votei no PV, no PSB, no PSDB, embora jamais tivesse me filiado a nenhum partido, somente à Rede -, fazendo esse tipo de ataque.”é “sustentada” por banqueiros.Neca afirma que sua ONG Cenpec já trabalhou com vários governos de diversos partidos. 

Neca, que chegou a receber convite para ser secretária de Educação do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, conta que se aproximou da candidata do PSB após um encontro em 2010, na produtora do cineasta Fernando Meirelles: “A Marina me marcou muito. Ela observou termos vidas opostas. O destino dela era ser uma menina pobre dos seringais do Acre e o meu era ser uma menina rica de São Paulo. Mas, por causa da educação, nós estávamos ali conversando.” 

A seguir, os principais trechos da entrevista:
A senhora ou o seu instituto sustentam a candidata Marina Silva?
A Marina sempre teve o seu trabalho. Desde que saiu do Ministério do Meio Ambiente, depois das eleições de 2010, passou a ter como sustento suas palestras. Isso já é publico. Nenhuma das instituições às quais estou à frente jamais fez pagamentos a ela. Tampouco o Itaú remunerou nossa candidata.
Consta que a senhora contribuiu com mais de 80% das doações do Instituto Marina Silva.
Isso é verdade, mas o Instituto sobreviveria essa doação. Marina é um nome reconhecido internacionalmente. Ela arrecadaria de outras fontes facilmente.
Ela é remunerada pelo trabalho que faz no Instituto?
Não. E nenhum diretor é. Por ser uma entidade sem fins lucrativos, por lei, é proibida a remuneração.
E de onde vem o dinheiro que sustenta Marina?
Ela tem sua consultoria e dá palestras. Só apoiei o Instituto Marina Silva nos projetos que ele desenvolve em relação a sustentabilidade, jovens e educação.
O Banco Itaú é dono da Fundação Tide Setubal?
Não. É uma fundação familiar sem relação com o banco. Eu sou a presidente do conselho, do qual alguns de meus irmãos também fazem parte. A fundação tem várias parcerias, com diferentes órgãos, inclusive com a Prefeitura, num Telecentro em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. Temos diversos convênios firmados, mas nenhum deles de repasse direto de recursos.
Antes de se engajar na campanha de Marina, a senhora foi convidada pelo prefeito Fernando Haddad para ser secretária de Educação. Por que não aceitou?
Tenho muita admiração pelo Fernando Haddad, especialmente pela época em que ele foi ministro da Educação. A pasta e o Cenpec desenvolveram trabalhos em conjunto. Acho que Haddad conseguiu manter as conquistas do Fernando Henrique Cardoso na área da educação e deu um salto em relação a isso. Eu o admiro e participei de sua campanha à Prefeitura. Fiquei muito honrada quando ele me convidou para ser secretária de Educação, porque é um reconhecimento do meu trabalho, da legitimidade da minha atuação na área da educação, mas, naquele momento, preferi não aceitar.
Como a senhora reage ao fato de ter sido chamada pela presidente Dilma Rousseff de defensora dos interesses dos bancos?
Fico muito triste de ver o PT, um partido que sempre admirei e no qual votei algumas vezes - assim como também já votei no PV, no PSB, no PSDB, embora jamais tivesse me filiado a nenhum partido, somente à Rede -, fazendo esse tipo de ataque. São ataques baseados em inverdades, que buscam distorcer uma realidade. Por outro lado, tenho certeza de que essa atitude não é do PT como um todo. Isso é um absurdo, é baixar bastante o nível da campanha.
A senhora já trabalhou com vários governos, votou em vários partidos. O que a fez escolher Marina Silva?
Falei sobre o PT, mas o Cenpec desenvolve trabalhos para todos os partidos, é uma instituição apartidária. De uma forma mais próxima, acompanhamos o projeto da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, fizemos trabalhos para Maria Helena Guimarães de Castro (secretária entre 2007 e 2009, durante o governo de José Serra). Depois, com Alckmin, participamos de um grupo de trabalho com fundações empresariais e ONGs. Sempre recusei cargos na administração pública, como falei, mas a Marina me convenceu de que, para fazer mesmo a diferença, é preciso entrar na política. Para gerar impacto no País, é preciso atuar na esfera política. Desde que conheci a Marina, em 2009, acreditei nessa possibilidade, visualizei no discurso dela, nas propostas dela, uma outra forma de pensar a política e o País - uma forma que não está tão presa a esses rótulos de esquerda e direita, que acabam reduzindo a complexidade da sociedade e de seus problemas.
A senhora acha que há preconceito da sociedade contra banqueiros?
Isso também diferencia a Marina dos outros políticos. Quando ela me conheceu, já sabia da minha história familiar, e nunca teve esse preconceito. Acho que existe, sim, um preconceito da sociedade. E não é apenas da população mais pobre, não, mas também dos empresários. Eu entendo, acho que há uma história muito antiga, vem lá da Idade Média. Não acontece só no Brasil, não, é mundial. Mas isso nunca foi um problema para a Marina, aliás, muito pelo contrário. Em uma das primeiras vezes que nos encontramos - em janeiro de 2010 -, no estúdio do Fernando Meirelles, ele estava fazendo pequenos vídeos, em que a Marina entrevistava convidados. A conversa com Marina me marcou muito, Ela observou termos vidas opostas. O destino dela era ser uma menina pobre dos seringais do Acre e o meu era ser uma menina rica de São Paulo. Mas, por causa da educação, nós estávamos ali conversando. Desde aquele momento, percebi que ela tem uma visão acima da de todos nós. Porque qual é a visão que as pessoas, em geral, têm: “Nossa, Neca, você podia estar no shopping, na Daslu, viajando, mas prefere trabalhar no Cenpec”. Sempre estranho quando as pessoas falam algo do tipo “você não precisava estar aqui”, em tom de elogio. Obviamente que eu agradeço, sou solidária, mas acho que, de novo, isso é rotular, como se as pessoas, por terem dinheiro, porque são da família XYZ, têm um destino pronto, que é corresponder a uma expectativa da sociedade.
Estes ataques podem, de alguma forma, alijar a senhora da campanha?
Estou à frente da campanha, com o Mauricio Rands e tenho o maior apoio de todos, principalmente da Marina e do Beto Albuquerque. Estou nesse lugar porque sou uma educadora, tenho reconhecimento, trajetória profissional de 30 anos. Acho que tenho de enfrentar isso. Nós estamos em uma campanha presidencial, e o fato de eu estar muito próxima da coordenação da campanha me torna uma pessoa pública. Nós estamos em uma democracia, é normal ter de responder a essas questões que vêm da mídia e de diferentes setores. Todos querem saber quem é essa pessoa tão próxima da Marina. Mas espero que isso seja mantido dentro de uma visão de debate de ideias, não de preconceitos ou rótulos. De olhar a minha trajetória, Gostaria que as pessoas entrassem no Google para ver a minha vida profissional. Quero mostrar minha história, não tenho nada a esconder.
O Roberto Setubal disse, recentemente, que a eleição de Marina seria algo natural para o País. Isso é uma indicação de voto?
Não, quando o Lula ganhou, em 2002, também ficou famosa uma declaração dele de que o País não ia mudar, porque o mercado financeiro, naquele momento, estava agitado, a Bolsa caiu e tudo. Acho que, agora, a fala dele foi uma constatação das pesquisas, não uma posição política . Não sei em quem ele vota.
A senhora conversa com ele sobre política?
Converso, porque, na minha casa, com o meu pai, sempre se falava sobre dois assuntos: política e economia. Outros temas não entravam quando ele estava próximo. Então, todos nós falamos bastante sobre política e economia. Mas o Roberto nunca declarou voto.
Em um eventual governo de Marina Silva, haveria algum tipo de conflito de interesses com relação às decisões do Banco Central, já que a senhora é acionista do Banco Itaú?
Eu entendo que as pessoas acabem fazendo uma confusão entre minha história profissional, meu trabalho, e o Banco Itaú. Mas nunca ocupei nenhum cargo no banco, jamais participei de nenhum conselho deliberativo. Faço parte de um conselho consultivo da Fundação Itaú Social. Nunca fiz declaração - pode dar Google - sobre o banco, não participo das decisões nem de nenhuma reunião do banco. Meu trabalho é estar com a Marina.
Entende de economia?
Não, não entendo nada de economia. Agora, como coordenadora do programa, obviamente tive de participar de todas as discussões, mas não tive interferência nenhuma na área de economia, há vários economistas que respondem por essa parte do programa da Marina.
Uma última pergunta: já que a senhora não entende de economia, como aplica seu dinheiro?
No private do Itaú (risos).
Sonia Racy

"NOVA POLÍTICA" COSTELA DO CACHACEIRO VIGARISTA OU : Um debate abastardado

Seria engraçada se não fosse deplorável a troca de acusações entre as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva sobre quem é mais submissa aos banqueiros. Começou, como sabem todos quantos tiveram a desventura de ouvi-las, com um ataque rombudo da presidente à promessa da adversária de que, eleita, encaminhará projeto de lei para tornar o Banco Central (BC) autônomo em relação aos governos de turno e ao Congresso Nacional. 

Em um vídeo de propaganda, na segunda-feira à noite, Dilma se pôs a "explicar" ao público o que significaria, no seu entender, o que "parece algo distante da vida da gente, né?". Seria nada menos do que "entregar aos banqueiros" um poder imenso "sobre a sua vida e a de sua família". Seu fiel escudeiro, Marco Aurélio Garcia, completou a estultícia: "Se houver essa independência, que será a dependência dos bancos privados, teremos a impossibilidade de formular políticas macroeconômicas e de desenvolvimento".

Marina replicou por baixo; fulanizou a discussão, disparando que "nunca os banqueiros ganharam tanto" como no atual governo, graças à "bolsa empresário", à "bolsa banqueiro", à "bolsa juros altos". Trata-se de uma rajada de despropósitos, a começar do primeiro, que deve ter caído no meio empresarial, que carrega um caminhão de justas queixas da assim chamada política econômica, como uma massagem de sal nas suas feridas. De mais a mais, funcionando como funciona o BC, a inflação supera a meta e a economia cambaleia entre a recessão e um pífio crescimento de menos de 1%.
A personalização da pendenga era tudo o que Dilma queria, desde que tomou a decisão (ou tomaram por ela) de partir para cima da rival, trocando as luvas pelo soco inglês. A campanha da presidente parece ter concluído que as suas chances de dar a volta por cima no segundo turno, desmentindo as pesquisas que apontam a vitória da pregadora da "nova política", variam na razão direta da competência de Dilma em oxidar a aura graças à qual a ex-petista, concorrendo pelo Partido Verde, colheu desconcertantes 19,6 milhões de votos na disputa de 2010.

A presidente há de ter intuído que, se é para falar em banqueiros - atrás apenas dos políticos entre os campeões do desafeto nacional, especialmente na população mais pobre -, o negócio é vincular a desafiante aos vice-líderes desse inglório duelo. E mandou ver.

"Não adianta querer falar que eu fiz 'bolsa banqueiro'", retrucou. "Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro me sustentando." É preciso ser muito desinformado para ignorar a pontiaguda alusão à educadora Maria Alice Setubal, a Neca, cujo irmão Roberto preside o Itaú Unibanco, o que a torna herdeira da instituição.

Amiga de longa data de Marina, ela coordena o seu programa de governo e faz a ponte entre a candidata e o empresariado (que a olhava de soslaio quando era vice na chapa de Eduardo Campos). Segundo a Folha de S.Paulo, no ano passado Neca doou perto de R$ 1 milhão para um instituto criado por Marina para desenvolver projetos sobre sustentabilidade. O valor equivale a 83% do total arrecadado no período. 

A troca de desaforos terminou - ou ficou interrompida - com Marina perdendo o prumo. "O Banco Central autônomo", argumentou, juntando tudo e misturando, "é para ter autonomia dos grupos que acabaram com a Petrobrás." Mas isso é o de menos. 

O de mais é que é de pasmar: 
a naturalidade com que as candidatas mais cotadas para adentrar ou permanecer no Planalto em 2015 se puseram a abastardar um debate de grande importância para a condução do Brasil - como é naqueles países com os quais aspiramos a ser comparados. O grau de liberdade da autoridade monetária não apenas para fixar a taxa básica de juros, mas também a política de câmbio, além de zelar pela integridade do sistema financeiro, não deveria ser objeto de tiradas marqueteiras.

A escassa familiaridade da grande maioria dos brasileiros com o assunto deveria ser um motivo a mais para que os presidenciáveis se guardassem de usá-lo como tacape eleitoral. Fazendo a coisa errada, escancaram a pobreza substantiva das suas campanhas. A videopolítica, que privilegia o componente pessoal da competição pelo voto sobre o que efetivamente os competidores têm a oferecer ao País, completa o desserviço.


O Estado de São Paulo