"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 17, 2011

É PRECISO CUIDAR! PERDAS DA PETROBRAS :R$1,5 bilhão na gasolina e R$2,2 bilhões no diesel. Só em 2011, R$55 bilhões do seu valor de mercado .


A Petrobras é hoje, sem dúvida alguma, a empresa petrolífera com a melhor perspectiva de crescimento no mundo. Isso é explicado por uma série de fatores.

Nos últimos anos a Petrobras foi a empresa que mais agregou reservas de petróleo, a estatal é a número 1 do mundo em tecnologia de exploração off-shore, tem um dos melhores quadros técnicos entre as empresas de petróleo e com o pré-sal vai duplicar ou até triplicar as suas reservas provadas.

Com todo esse horizonte azul pela frente, por que o comportamento das ações da empresa tem sido tem ruim e, consequentemente, o valor de mercado da empresa vem caindo?

De janeiro até junho de 2011 a Petrobras perdeu R$1,5 bilhão na gasolina e R$2,2 bilhões no diesel pelo fato de estar sendo obrigada pelo governo a vender os dois derivados abaixo do preço no mercado internacional.

Esse rombo no caixa da Petrobras, provocado por uma intervenção do governo, é uma das explicações do porquê de as ações da empresa estarem abaixo do seu valor patrimonial. Chama à atenção o fato de o ministro da Fazenda ser o presidente do Conselho de Administração da estatal.

A presença do ministro na presidência do Conselho estaria impedindo a aprovação do novo Plano de Investimentos da estatal, dado que o ministro privilegiaria as contas públicas e as metas de inflação em detrimento dos investimentos da empresa.

Essa descida da ladeira do valor de mercado da estatal se acentuou quando da realização do processo de sua capitalização. Apesar de a Petrobras agregar 5 bilhões de barris de petróleo às suas reservas, o mercado não gostou do preço do barril e, principalmente, de o Estado aumentar a sua participação na estatal.

Na realidade, o mercado vem precificando a politização na gestão da estatal, que cresceu muito depois do anúncio das descobertas do pré-sal e durante o processo de capitalização. O clima implantado pelo governo anterior e sustentado pelo atual de "O petróleo é nosso" só faz aumentar a desconfiança do mercado quanto ao futuro da empresa.

Acrescente-se ainda a escolha de investimentos de pouca qualidade e rentabilidade como a construção de cinco refinarias, produção de etanol e biodiesel e construção de termelétricas. Sem falar na adoção do modelo de partilha que obriga a estatal a ter um mínimo de 30% dos blocos e o monopólio da operação dos campos.

Causa preocupação a política do governo que está destruindo o valor da Petrobras. Só em 2011, a empresa perdeu R$55 bilhões do seu valor de mercado.

A Petrobras, que chegou a estar entre as cinco maiores empresas de valor de mercado no mundo, encontra-se agora em 11º lugar. O fato é que o valor de mercado da Petrobras está pela primeira vez, desde 1999, abaixo do patrimônio liquido da empresa.

Isso seria um indicador para comprar suas ações? A resposta é que nada garante que seja o momento adequado. Basta que a ingerência política permaneça ou até aumente, e com isso a qualidade do investimento continuará ruim.

É bom não esquecer que hoje a relação preço sobre o valor patrimonial da ação preferencial da Eletrobras é de 0,45, e o da Petrobras, 0,98, portanto, ainda há espaço para piorar.

Afinal, em vez de a Eletrobras se transformar na Petrobras como anunciava o presidente Lula, o mais provável parece ser a Petrobras virar a Eletrobras.


É preciso cuidar da Petrobras, entendendo que é uma empresa de capital aberto e que para desenvolver sua grande joia que é o pré-sal necessitará de executar um ambicioso Plano de Negócios. E não será com a ótica da Fazenda que isso ocorrerá.

ADRIANO PIRES é diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura.

SOLUÇÃO CONTRAINDICADA : UPAS DE LATA NO RIO CUSTAM MAIS CARO DO QUE HOSPITAIS.

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Na lógica de gastos do poder público do Rio, a menor diferença entre custo e benefício nem sempre é o melhor preço.

Um comparativo feito pelo GLOBO mostra que a utilização de contêineres ou módulos pré-moldados de aço para erguer as Unidades de Pronto-Atendimento 24h (UPAs) custa, em média, 25% mais caro que construir um hospital inteiro de alvenaria.

Apesar da diferença, o uso das estruturas metálicas virou uma febre no estado, desde que o governo inaugurou a primeira UPA na Maré, em 2007. Desde então, já foram instaladas mais 41 unidades com esse tipo de material.

Outras secretarias, como as de Governo e Segurança, além de municípios do interior, da prefeitura da capital e da Guarda Municipal, passaram também a adotar os pré-moldados metálicos.


Os custos de instalação das UPAs já chamaram a atenção dos promotores da área de saúde do Ministério Público estadual. Eles investigam suspeitas de superfaturamento na compra das estruturas de aço.

Nos tribunais de Contas do Estado (TCE) e do Município (TCM), tramitam processos nos quais os técnicos questionam os valores e os processos licitatórios de instalação das UPAs.


Pelos dados fornecidos pelo governo estadual e pela prefeitura, os módulos de aço das UPAs têm um custo de R$2.385 por metro quadrado. O preço supera em 25% os R$1.900 que a prefeitura de São Carlos, em São Paulo, investe na construção do Hospital Escola Municipal.

A unidade, que está parcialmente pronta, tem mais de 30 mil metros quadrados. No custo total de R$58 milhões estão incluídas as despesas com paisagismo, instalações elétricas e hidráulicas, além de sistema de refrigeração.

A obra conta ainda com a assinatura do arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé), responsável pelos projetos dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek.


UPA fica pronta, mas faltam funcionários

Das 42 UPAs já inauguradas no estado, 22 foram feitas a partir de contêineres e 20 com módulos metálicos. Cada UPA de contêiner custou cerca de R$3 milhões. Para aquelas de maior porte (1.300 metros quadrados), o valor do metro quadrado foi R$2.300.

Para fazer a comparação com os custos das obras de alvenaria, O GLOBO levou ainda um engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) à UPA da Tijuca.
O projeto de alvenaria para a unidade, já com sistemas elétricos e hidráulicos, jardinagem e sistema de ar-condicionado, poderia ser executado por até R$1.750 o metro quadrado.


Assim, o valor pago pelo estado e pela prefeitura é 36% mais alto. No caso da prefeitura, as Clínicas da Família, feitas parte de alvenaria e parte de módulos metálicos, são ainda mais caras: R$3 mil o metro quadrado.


- A estrutura (da UPA de metal) é aparentemente simples, com um espaço para recepcionar os pacientes, consultórios e salas de laboratório.

Nesses termos, mesmo considerando os custos com os encanamentos de água e gás e estrutura elétrica, o metro quadrado de uma unidade semelhante feita em alvenaria seria de R$1.170.

Se incluirmos jardinagem e refrigeração, o valor poderia chegar a 1.460.
A esse valor devemos acrescentar mais 20% do remuneração da construtora (num total R$1.750) - explica Abílio Borges, que trabalha como assessor da presidência do Crea.


O engenheiro do Crea utilizou como parâmetro de cálculo a tabela de Custo Unitário Básico da construção, definida pela Norma Técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e que serve de referência para o Sindicato das Empresas de Construção do Rio (Sinduscon).

Numa comparação do quanto os projetos de alvenaria poderiam gerar de economia, os dados são ainda mais evidentes.
Na tomada de preços feita pelo governo do estado em 2009 - ou seja, quando informou ao mercado a disponibilidade de comprar até 264 mil metros quadrados em módulos de aço -, a despesa total, caso todos fossem adquiridos, seria de R$629 milhões.


Com o metro quadrado a R$1.750 da alvenaria, o custo passaria para R$462 milhões, uma economia de R$167 milhões.


Duas das principais alegações apresentadas pela Secretaria estadual de Saúde para o uso das estruturas de ferro no lugar de obras de alvenaria são a mobilidade e a rapidez com que as unidades ficam prontas - em média, em 90 dias.

Mas este é também o mesmo prazo, segundo o Crea, para erguer uma unidade semelhante feita de alvenaria. E a pressa ao utilizar os módulos de aço nem sempre é uma variável que favorece os usuários do sistema de saúde.

A UPA de Nilópolis, por exemplo, ficou pronta no fim do ano passado e, segundo moradores, até hoje continua sem uso. Um atraso no cronograma de contratação de funcionários por parte do município emperrou o projeto.
A unidade só deve ser aberta ao público em agosto.


Para o vice-presidente da Comissão de Saúde do Rio, vereador Paulo Pinheiro (PPS), as UPAs ajudaram a desafogar as emergências dos hospitais.
Mas a rapidez para construir essas unidades não é sinônimo de boa prestação de serviços:

- Há um problema mais urgente para resolver, que é a falta de profissionais para trabalhar nas UPAs.

Estado alega outras despesas

A Secretaria estadual de Saúde informou que os custos do metro quadrado das UPAs levam em conta as despesas com as "instalações elétrica e hidráulica, mais a rede de gases e a rede lógica - internet, telefonia e dados -, aparelhos de ar-condicionado e paisagismo da área externa".

Segundo o órgão, também estão incluídos os gastos com a construção de rampas e pistas de acesso para as unidades, além de um ano de seguro. O órgão acrescentou que mais de 95% dos pacientes que vão às UPAs aprovam as instalações.


Já a prefeitura do Rio explicou que o metro quadrado das Clínicas da Família, que também têm áreas feitas de alvenaria, envolve despesas com a urbanização do entorno das unidades.

O município ressaltou ainda que as suas UPAs foram construídas a partir da adesão feita ao registro de preços realizado pelo estado em 2009, que estabeleceu o preço do metro quadrado em R$2.385.

Fábio Vasconcellos e Natanael Damasceno O Globo -

MOVIMENTOS "SOCIAIS" : VERBAS E APATIA CRESCENTES, "PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO".


NDIGNAÇÃO EM FALTA
Letargia de entidades estudantis e sindicais coincide com o aumento dos repasses que recebem do governo federal

A apatia dos movimentos sociais, de trabalhadores e estudantes, em relação à corrupção coincide com um aumento substancial dos repasses de recursos federais para entidades que representam esses segmentos.

Em 2010, somados, os recursos transferidos às centrais sindicais por meio do imposto sindical e os repasses do Orçamento federal para entidades que executam programas de qualificação chegaram a R$264 milhões.


Desde 2008, com a vigência da lei que incluiu as centrais no rateio do bolo da contribuição sindical - iniciativa do governo Lula -, essas entidades já abocanharam R$246 milhões em recursos. Só no ano passado foram R$102 milhões, sem necessidade de prestar contas do uso do dinheiro.

Já os repasses do Orçamento a entidades sociais, de trabalhadores e de estudantes crescem a cada ano. E a qualificação é um dos principais motes para essas transferências.
Entre 2007 e 2010, houve aumento de 91,7% no repasse desses recursos, que passaram de R$80,6 milhões para R$154,6 milhões.


Cláudio Abramo, diretor- executivo da Transparência Brasil, ONG que se dedica ao combate à corrupção, crê que há relação entre os repasses de recursos federais às entidades do terceiro setor, de trabalhadores e de estudantes, e a falta de entusiasmo desses setores em erguer bandeiras com críticas ao governo.

- Certamente, há uma relação. Uma boa parte dessas entidades existe para conduzir alguma espécie de política pública. Não se pode esperar que essas entidades sejam críticas em relação ao Estado - afirma.

Abramo diz que pode contar nos dedos de uma mão o número de entidades que se dedicam ao monitoramente do Estado e do uso dos recursos públicos.

- Quem deveria estar trabalhando não está. Há muito dinheiro repassado, e as entidades ou são dependentes ou são inativas - destaca.

Um exemplo de alinhamento dos movimentos estudantis com o governo federal encontra-se na estrutura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes), que afirma representar três milhões de alunos do ensino médio.

Em 2010, a Umes recebeu R$2,9 milhões do Ministério do Turismo, por meio de convênios para a promoção de cursos de capacitação profissional.

A contrapartida política aparece no site da entidade :

"O governo federal tem tomado diversas medidas que estão permitindo o avanço e o crescimento do Brasil. As condições de emprego melhoraram, o Bolsa Família tirou muita gente da miséria absoluta", diz carta da presidente Ana Letícia Oliveira Barbosa.

Entre as bandeiras da Umes, a Educação está em segundo lugar.
Em primeiro, aparece a conjuntura nacional, com destaque para movimentos como

"O Pré-sal É Nosso. Leil
ão É Privatização!".

Regina Alvarez e Roberto Maltchik O Globo

NUNCA O BRASIL ESTEVE TÃO ASSENHOREADO POR TANTOS CANALHAS:Pagot e Maggi: juntos desde o "velho oeste". É O "PADRÃO" DO Partido Torpe

Famílias do diretor afastado do Dnit e do senador integraram, na década de 1970, um grupo investigado pela PF por roubo de terras e compra de votos no Paraná

No início da década de 1970, o Serviço de Informação da Polícia Federal demonstrava preocupação com um grupo que definia como criminoso no oeste do Paraná.

Mais precisamente em São Miguel do Iguaçu, a poucos quilômetros de Foz do Iguaçu. A organização, segundo registros da época, roubava terras de pequenos agricultores, comprava vereadores e se envolvia com o tráfico de drogas.


Os documentos, obtidos com exclusividade pelo Correio, revelam que a relação entre o senador Blairo Maggi (PR-MT) e o diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) é de longa data. É hereditária.

O grupo investigado pela PF era capitaneado por André Maggi, pai do parlamentar, e pelo ex-prefeito da cidade Ferdinando Felice Pagot, pai do funcionário do Dnit que protagonizou a crise instalada nas últimas semanas no Ministério dos Transportes.


“O grupo Maggi é formado por capitalistas que continuam fazendo reuniões secretas onde são vinculados (sic) que os mesmos já dispõem de 800 mil cruzeiros para comprarem oito vereadores através do voto, pois um já é deles, João Batista de Lima, que é despachante do Detran e foi eleito anteriormente usando documentos do Detran e outras promessas”, revelam os despachos dos agentes do serviço de informação, que acompanharam de perto a rotina dos políticos e dos empresários da cidade entre 1969 e 1979.

Os documentos narram ainda a aprovação de uma lei na Câmara de São Miguel do Iguaçu em março de 1976, com a finalidade de atualizar o sistema tributário do município. Os únicos beneficiários seriam André Maggi, Arlindo Cavalca, Ferdinando Felice e mais seis moradores.

Cavalca é fundador da empreiteira Cavalca, que aumentou em mais de 1.000% o valor dos contratos com o Dnit entre 2009 e 2010, conforme revelou o Correio.


Segundo a PF, a organização era composta por membros do extinto PTB gaúcho e contava com a colaboração do vereador eleito João Batista de Lima.

“Há fontes que dizem que João Batista participa de reuniões secretas realizadas na casa de Ferdinado Felice Pagot e André Antonio Maggi”, dizem os agentes, completando que o parlamentar recebia propina.

“Esse dinheiro é para derrubar projetos que o prefeito apresentar à Câmara e tentar comprar votos dos demais vereadores.” Os agentes reforçam, ainda, ligações de Batista com o trafico de drogas.


Jagunços
A informação nº 00229 de 1977 define o pai de Blairo como um elemento político integrante dos ex-partidos PTB e PSD, vereador pelo PTB, com Francisco Kontorski e Arlindo Cavalca. Durante as atividades em uma serraria, logo que chegou à cidade, teria contratado o serviço de jagunços.

“Conseguiu ficar rico e ludibriar tomando terras do cidadão Joes Fabris.” Em 1963, teria procurado um falsário, pegado dinheiro falso e distribuído na Argentina. No ano seguinte, acabou preso após tomar terras de algumas famílias. Chegou a mandar incendiar a casa de uma delas.


Já Ferdinando Felice Pagot, ex-prefeito, é tido como agitador político. Depois de pedir o afastamento da Arena, teria comandado adeptos contrários ao partido. Maggi e Pagot têm origem no Rio Grande do Sul, mas ambos participaram do processo de interiorização e migraram para o oeste do Parana.

André Maggi chegou com os filhos — Blairo ainda bebê — sem dinheiro. Virou vereador e presidente da Câmara Municipal de São Miguel do Iguaçu. O segundo prefeito da cidade foi seu primo Nadir Maggi.


A relação entre os filhos não foi diferente. Luiz Pagot foi secretario de governo de Blairo Maggi, coordenador de campanhas eleitorais e só conseguiu o cargo no Dnit pelo apoio do amigo. Pagot chegou a ingressar na carreira militar, mas pediu desligamento em 1982.

A Marinha nega que ele tenha atuado em órgãos de repressão ou no serviço de inteligência. Procurados pela reportagem do Correio, nem Blairo Maggi nem Luiz Antonio Pagot retornaram as ligações.

Alana Rizzo Correio Braziliense

Corrupção não é o único mal dos Transportes : Brasil ainda tem 87% das estradas sem pavimentação

Enquanto o Ministério dos Transportes passa por uma crise, com denúncias de corrupção, superfaturamento de obras e demissão de ministro e diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), a situação das estradas brasileiras continua caótica, num retrato do atraso no setor.

Esburacadas, sem acostamento e, em sua maioria, sem asfalto, são um dos gargalos para que o país cresça em condições de competir com seus concorrentes entre os países emergentes.


Em 2010, do 1,5 milhão de quilômetros de estradas brasileiras, apenas 212 mil quilômetros, ou 13%, eram pavimentados, de acordo com o Dnit.
Os outros 87% não têm qualquer tipo de pavimentação.


Uma pesquisa feita ano passado pelo instituto Ilos, com cerca de 15 mil profissionais de logística das maiores empresas do Brasil, revelou que 92% deles apontaram a má conservação das estradas como o principal problema de infraestrutura do país.
A malha rodoviária insuficiente foi citada por 68% dos entrevistados
.


A duplicação da BR-101, assim como as dragagens portuárias, são os projetos da primeira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Segundo o Ilos, para que as estradas atuais sejam avaliadas como boas ou ótimas, é preciso investir R$64,7 bilhões em recuperação e R$747 bilhões em pavimentação das estradas já existentes.
A soma, que chega a R$811 bilhões, é 19 vezes maior que os R$43,5 bilhões previstos no PAC 1, de acordo com o instituto.


Investimento caiu, diz especialista

O estudo do Ilos mostra que, em relação à quantidade de quilômetros pavimentados em estradas, o Brasil está muito atrás da maioria dos outros países que compõem o bloco de emergentes Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A Índia, por exemplo, cuja extensão territorial representa 35% da brasileira, tem 1,5 milhão de quilômetros de rodovias pavimentados.


- No Brasil, a primeira estrada pavimentada foi a Rodovia Presidente Dutra, em 1950. Os outros países começaram a investir antes, no século XIX.

A outra razão é que, até 1974, o governo investia de forma crescente em rodovias. Em 1974, os investimentos chegaram a 1,8% do PIB. Ano passado, o investimento foi de apenas 0,8% do PIB - explica o presidente do Instituto Ilos e professor da Coppead-UFRJ, Paulo Fleury.


A qualidade das rodovias brasileiras também deixa muito a desejar.
Apesar de a última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) - feita em 90 mil quilômetros de rodovias no ano passado - apontar que aumentou o índice de rodovias com estado geral considerado ótimo ou bom, em comparação com 2009, o percentual de vias ruins ou péssimas chega a 25%.


Segundo a CNT, na Região Norte do Brasil, 55% das estradas são consideradas ruins ou péssimas.

- É muito buraco, estradas sem acostamento. A situação está de ruim a pior. Na BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, tem crateras. Eu tive muita esperança quando colocaram um ministro de Transportes de Manaus (Alfredo Nascimento) e aconteceu o que aconteceu. O que a gente vai esperar agora? - pergunta o presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários da Região Norte, Manoel Farias Rodrigues.

O Ministério dos Transportes alega que o investimento no sistema rodoviário tem aumentado anualmente e que, em 2010, investiu R$11 bilhões no setor.
Até junho, foram aplicados R$4,4 bilhões, e a previsão é que mais R$13 bilhões sejam gastos.


Segundo o Dnit, cerca de 4,1 mil quilômetros de rodovias federais estão sendo pavimentados e 915 quilômetros passam por duplicação. Além disso, 27 mil quilômetros estão sendo recuperados e 32 mil quilômetros serão recuperados até 2012.

Marcelle Ribeiro O Globo