"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 10, 2012

EM GOVERNO "PREPOSTO" II... VENCIDA PELA INCOMPETÊNCIA "GERENTONA" CHAMA O SÍNDICO.

Com as greves dos servidores se avolumando e ganhando ímpeto, Dilma Rousseff fez o que costuma fazer quando o calo aperta: chamou seu tutor.

Às voltas com mais de 300 mil funcionários parados, caos em rodovias e aeroportos e uma incipiente ameaça de desabastecimento de alguns produtos, a presidente da República não parece ter claro como agir, a não ser gritar por socorro. Mais uma vez, ela apelou a Lula.


Ontem foi mais um dia de agruras para quem tem que lidar com serviços prestados por alguma das 30 categorias de servidores em greve no país. As imagens mais eloquentes do dia foram as das quilométricas filas no embarque internacional do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Uma operação-padrão da Polícia Federal travou o terminal por cerca de quatro horas e atrasou um terço dos voos internacionais.

O que os viajantes sofrem nos aeroportos já vem se repetindo há dias nos portos, onde, ao protesto dos policiais federais, junta-se a paralisação dos servidores da Receita Federal, que já vem desde 18 de junho, da Vigilância Sanitária, em greve há 23 dias, e dos fiscais agropecuários. A consequência é um paradão assustador.

O valor dos produtos que aguardam liberação nas alfândegas do país já chega a US$ 2,5 bilhões. "Em dez dias começaremos a ter problemas sérios",(
resumiu )um industrial do setor farmacêutico, sobre o suprimento de medicamentos. Apenas no setor exportador, o movimento grevista está gerando custo adicional diário de R$ 10 milhões às empresas.

Diante deste quadro desolador e bastante incômodo para a população, o que se esperava do governo federal era firmeza e decisão. Mas o que se vê, até agora, é enrolação. O Ministério do Planejamento promete alguma resposta para os grevistas apenas na próxima semana. Enquanto isso, a população continuará penando em filas, em congestionamentos, pagando mais caro por produtos que começam a escassear...

Mas pior papel faz a presidente. Diante das dificuldades, Dilma apelou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na terça-feira, foi a ele pedir socorro. "O governo concluiu que avaliou mal a força do movimento. Dilma quer que Lula use seu prestígio para segurar os sindicalistas", informa Ilimar Franco ( n'O Globo. )

"Lula deve atuar principalmente para atenuar a radicalização do movimento, que beira a ruptura", relata o Valor Econômico, em manchete.

Na realidade, a presidente não está conseguindo administrar uma situação que lhe foi legada, mas de cuja gênese ela foi partícipe e beneficiária - seja como ministra da Casa Civil, seja posteriormente como candidata vitoriosa ao Planalto. As benesses distribuídas ao funcionalismo por Lula começam, muito antes do que se imaginava, a não caber no cobertor curto do Orçamento, às voltas com queda de arrecadação e uma economia em franca desaceleração.

Em editoriais, os jornais hipotecam apoio ao Planalto e criticam os grevistas. Mas a racionalidade que pregam no trato do movimento que paralisa o serviço público não parece encontrar eco nem mesmo no governo, que, a despeito de todas as limitações orçamentárias, foi capaz até de criar duas novas estatais apenas nos dois últimos dias.

Além da já esperada Etav, cuja atribuição é cuidar do trem-bala, teremos agora também a inusitada Amazul, responsável pelo Programa Nuclear da Marinha Brasileira, que inclui a construção do primeiro submarino à propulsão atômica do país, como mostra ( O Globo ). Trata-se da 126ª empresa sob controle do balofo Estado brasileiro.

As recentes atitudes diante das reivindicações dos grevistas desnudam contradições da presidente e, pior que isso, sua limitada capacidade de decisão. Enfrentar paralisações de funcionários públicos é atribuição indelegável do governante de turno. Bem gerir o Orçamento, estabelecendo prioridades na aplicação de recursos que vão ficando mais escassos, também.

Entretanto, diante do desafio de arbitrar, Dilma Rousseff, mais uma vez, apelou para o síndico. Parece que até mesmo a presidente da República decretou greve.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Em greve, Dilma chama o síndico

E NO brasil "EXTRAORDINARIAMENTE GERENCIADO"... Paralisações dão prejuízo às contas e à imagem do país

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A greve dos fiscais que atuam no comércio exterior (Anvisa, Receita Federal, Agricultura e Polícia Federal) está gerando um custo adicional para o setor exportador de cerca de R$ 10 milhões por dia.

A estimativa é da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e foi calculada com base nos 150 navios parados nos portos brasileiros ou à espera de autorização para atracar, que teriam gasto médio diário de US$ 30 mil cada um.

Segundo o presidente interino da entidade, José Augusto de Castro, o prejuízo maior é para a imagem do país:
- Todo ano há greve no Brasil e as paralisações são demoradas.
Isso corrói a imagem do país e prejudica investimentos - disse.


Nas contas da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), com a greve dos fiscais federais agropecuários, 76 toneladas deixam de ser exportadas para os EUA por semana apenas em quatro empresas do Espírito Santo. O prejuízo chega a US$ 150 mil por semana.

Para Fernando Montero, economista-chefe da Convenção Corretora, não há espaço para novos aumentos salariais devido ao cenário de menos crescimento da economia:
- Qualquer promessa ou programa que não parta de uma séria contenção dos custeios é balela - disse.


O Globo
( Geralda Doca e Cristiane Bonfanti)

E NO PRATO DO BRASILEIRO... Arroz e feijão 'maculam' safra recorde

Se os mais recentes levantamentos sobre a produção de grãos no país em 2011/12 confirmaram o milho safrinha como o grande destaque positivo da temporada, responsável direto por um recorde na colheita como um todo, também voltaram a chamar a atenção para os decepcionantes desempenhos de arroz e feijão.

Básicos no prato do brasileiro, ambos amargaram quedas expressivas nas áreas plantadas e foram prejudicados por adversidades climáticas, o que amplificou as reduções das ofertas e motivou aumentos das importações e fortes altas de preços aos produtores, parte das quais sentidas no varejo.

Com mercado pouco promissor na semeadura, o arroz ocupou 2,5 milhões de hectares no Brasil em 2011/12, 13% menos que em 2010/11, e rendeu 11,6 milhões de toneladas, queda de 15%, conforme levantamento divulgado ontem pela Conab.

Juntas, as três safras de feijão normalmente plantadas em um mesmo ciclo tiveram área de 3,3 milhões de hectares, 18,1% menor, e produção de 2,9 milhões de toneladas, uma retração de 22,1%.


Diante desse quadro, a Conab estima que as importações brasileiras de arroz em casca vão somar 900 mil toneladas em 2012, 9% mais que no ano passado, e que as exportações do cereal vão cair pela metade e atingir 1 milhão de toneladas.

Para o feijão a expectativa é de importações relativamente estáveis de 200 mil toneladas e exportações de apenas 4 mil toneladas, 80% mais magras.


Com o aperto na oferta, os preços pagos aos arrozeiros do Rio Grande do Sul, maior Estado produtor do cereal do país, estão em ascensão desde o início do ano. Na primeira semana de agosto, o arroz em casca alcançou, em média, R$ 29,58 por saca de 50 quilos, 20% acima da média de dezembro.

No mercado de feijão, a variação de preços ao produtor é menos linear, em grande medida em razão de suas três safras em um mesmo ciclo, mas também por conta das diferentes variedades à venda.

No Paraná, que lidera a colheita nacional da leguminosa, o feijão preto tem valorizações progressivas desde março e alcançou a média de R$ 100,77 por saca de 60 quilos em julho, mais de 50% acima da média de dezembro.

Já os "feijões de cor", que incluem os populares carioquinha e mulatinho, ficaram em R$ 108,39 em julho, 36% abaixo do pico do ano, em abril, mas com altas de 10% em relação à média de dezembro e de 36% sobre julho de 2011.


No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE, o arroz apresenta variações positivas de 7,3% no acumulado deste ano e de 12,7% nos últimos 12 meses, sempre até julho. O feijão mulatinho aumentou 81,4% e 84,4%, respectivamente, enquanto os saltos do feijão preto alcançaram 38,3% e 41,6%.

De janeiro a julho de 2012, o peso do arroz no IPCA foi de 0,53 ponto percentual, o do feijão mulatinho foi de 0,04 e o do feijão preto, 0,07 ponto.


No caso do arroz, o governo federal rechaça um eventual desabastecimento mas acompanha de perto a alta das cotações. A Conab inclusive já avalia a possibilidade de realizar um leilão de venda do produto para amenizar a pressão. Atualmente, os estoques do produto somam 1,5 milhão de toneladas.

"A alta que vemos hoje é por pressão de mercado", afirma o presidente da estatal, Rubens Rodrigues.


A Conab concorda que a alta, que em algumas regiões do país superou 50%, reflete a redução da oferta doméstica, mas aponta outros fatores de influência, como a escalada dos preços internacionais da commodity e a valorização cambial, que encarece as importações.

No mercado de feijão, contudo, o sinal de alerta já é vermelho. O governo está preocupado com a queda na produção, principalmente após a seca no Sul e no Nordeste. A intenção do Ministério da Agricultura é estimular o plantio em outras regiões do país para segurar os preços.

"Não podemos depender do Paraná e da Bahia para produzir tudo que o Brasil precisa", afirmou Rodrigues.


Nos cálculos da Conab, as valorizações da leguminosa na comparação entre os ciclos 2011/12 e 2010/11 chegam a 22,5% no Estado de São Paulo, 38,3% no Paraná e 22,8% na Bahia.

Os estoques de feijão da Conab são de apenas 24 mil toneladas, e as importações, de países como Argentina e até a China, também estão mais caras em virtude do fortalecimento do dólar.


Segundo Amaryllis Romano, economista da Tendências Consultoria, o quadro deverá melhorar nos dois mercados. "Os preços atuais incentivam o plantio". Mas a recuperação, se houver - não há consenso, como mostra a matéria abaixo -, será limitada, pelo menos no arroz.

Amaryllis lembra que a escassez de água nas barragens gaúchas deverá afetar a produção irrigada e que os elevados preços de grãos de maior liquidez, como soja e milho, pesarão sobre o agricultor que puder escolher qual cultura plantar em 2012/13.


Por conta da estiagem que assola o Meio-Oeste dos Estados Unidos, o maior exportador agrícola do planeta, soja, milho e trigo, que já vinham em alta, explodiram e bateram novos recordes de alta.

A tal ponto que a FAO, o braço das Nações Unidas, pediu ontem a imediata suspensão da produção de etanol de milho nos EUA, por temer uma crise "agroinflacionária" nos moldes da que gerou convulsões sociais em diversos países no biênio 2007-2008.

Valor Econômico

ESTUDAR PRA QUÊ ? SEM DEMAGOGIA E FALANDO SÉRIO : A pedagogia do jeitinho

O ensino público fundamental e médio, com raras exceções, agoniza no país.
São escolas desaparelhadas.
Professores mal pagos (recebem, em média, os mais baixos salários do funcionalismo).
E alunos desestimulados.

Diante desse triste quadro, fica evidente que não há como as vítimas do nós pega o peixe competirem com estudantes de colégios particulares por uma vaga nas universidades federais.

Logo, a solução seria investir na melhoria da rede oficial.
Óbvio? No Brasil, não.
É o que mostra projeto aprovado pelo Senado na terça-feira.


Agora, falta apenas a sanção da presidente Dilma para que vire lei e, a partir de 2013, 50% das vagas nas federais sejam destinadas a quem cursou todo o ensino médio em escolas públicas. Não importa que a nota deles seja inferior à de alunos igualmente pobres de uma instituição privada.

Danem-se os pais que trabalham feito loucos para propiciar uma educação de qualidade ao filho.
Quem mandou se comportar como burguês?
Saber?
Conhecimento?
Boa Formação?
Esqueça.

O que vale hoje no Brasil, cada vez mais, é a demagogia que rende votos.


Se o que se pretende é reduzir as desigualdades sociais no ensino superior, que o governo transforme a educação em prioridade e invista pesado na qualidade do ensino fundamental e médio.

Vai ser difícil fazer isso da noite pro dia?
Vai.

Então, enquanto essa revolução não vem, que tal bancar cursinhos pré-vestibulares para alunos da rede pública? Um das fontes de financiamento pode ser a cobrança de mensalidade (com valor de mercado) dos ricos que hoje estudam de graça nas federais. Nada mais justo, não é não?


Em suma:
deixem de demagogia.
Querem ver sobrar dinheiro para melhorar a educação?
Parem com a sangria ao erário:
as indecentes mordomias dos políticos, o repasse de verbas aos partidos, a indústria das festas...

E, sobretudo, instituam penas duríssimas contra o desvio de recursos dos cofres públicos. Dados da Transparência Internacional e da Fiesp apontam o Brasil como o país onde os corruptos mais roubam no mundo:
R$ 70 bilhões anuais.

Sejam implacáveis com esses ladrões.
E verão que nunca antes na história deste país vai haver tanto dinheiro para reduzir as desigualdades.


Plácido Fernandes Vieira Correio Braziliense


Bobagento - Besteira pouca é bobagem...

DESCANSANDO Estudar pra quê?

EM GOVERNO "PREPOSTO"... HI ! PORCA TORCE O RABO? GERENTONA/EXTRAORDINÁRIA CHAMA O FILHO... do brasil PARA ENFRENTAR AS GREVES .


A greve dos funcionários públicos federais, que já mobiliza 350 mil servidores, ameaça virar "um tsunami" na avaliação de lideranças do PT. Por isso, a presidente Dilma Rousseff pediu ajuda ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as negociações com os grevistas.

Lula deve atuar principalmente para atenuar a radicalização do movimento, que beira a ruptura, como demonstrado ontem com a decisão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outros cinco sindicatos de servidores de representar contra o governo federal na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A intermediação de Lula pode contornar um fenômeno que se cristalizou nos últimos dias: a impaciência dos sindicalistas com diálogos quase sempre sem um desfecho. A base dos sindicatos não tem sido receptiva à intermediação mais ponderada dos dirigentes. Na conversa que teve com Lula, na terça-feira, Dilma queixou-se da relação das centrais sindicais.

Os dirigentes sindicais, inclusive da CUT, também se queixam do tratamento recebido do Palácio do Planalto. Segundo eles, após chegar ao Planalto, Dilma não teria retribuído o apoio que teve na campanha eleitoral. E não teria cumprido promessa de manter um diálogo permanente com a central dos petistas.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ajudar o governo na negociação da greve geral dos servidores públicos. A intermediação do ex-presidente foi acertada durante conversa de Lula com a presidente Dilma Rousseff, na última terça-feira. Lula deve atuar principalmente no sentido de atenuar a radicalização do movimento, que beira a ruptura, como demonstrado ontem com a decisão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outros cinco sindicatos de servidores de representar contra o governo federal na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A representação protocolada na OIT acusa o governo de "atitudes antisindicais", segundo informou, em nota oficial, a Confederação dos Trabalhadores no Serviço público Federal (Condsef). A entidade argumenta que o PT faz isso "na tentativa de acabar com a greve legítima" dos servidores federais, de braços cruzados há mais de dois meses.

A intermediação de Lula pode contornar um fenômeno que se cristalizou nos últimos dias:
a impaciência dos sindicalistas com diálogos quase sempre sem um desfecho.

Na conversa que teve com Lula na última terça-feira, Dilma queixou-se da relação das centrais sindicais com a presidente, segundo informaram ao Valor fontes do PT. Lula prometeu ajudar nas negociações. As entidades de classe dos trabalhadores estimam que há mais de 350 mil servidores públicos federais de braços cruzados.

Servidores públicos fizeram manifestação em frente ao prédio da Justiça Federal, em São Paulo

Segundo avaliação de petistas ligados à CUT, a greve geral está se transformando num verdadeiro "tsunami" e o governo precisa agir rapidamente para encontrar uma solução. O problema é que a base dos sindicatos dos trabalhadores tem reagido a intermediações mais ponderadas dos dirigentes e líderes.

Os dirigentes sindicais, inclusive da CUT, também se queixam do tratamento recebido do Palácio do Planalto desde a troca de Lula por Dilma.

Como exemplo, conta-se no PT que, na campanha eleitoral de 2010, a CUT e seu ex-presidente Arthur Henrique foram acionados três vezes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por fazerem campanha ilegal para a então candidata Dilma Rousseff (PT). A conta de multas de Arthur Henrique teria chegado aos R$ 50 mil.

No entanto, quando Dilma chegou ao Palácio do Planalto não teria retribuído como esperavam as centrais.

Em um primeiro encontro protocolar, Dilma teria se comprometido a manter diálogo permanente com a central dos petistas, o que não ocorreu. A intermediação passou a ser feita com Gilberto Carvalho (Secretaria Geral). Mais tarde, Carvalho chamou para assessorá-lo um dos vice-presidentes da CUT, José Vicente Feijóo.

Após breve período de trégua, o ambiente voltou a ficar tenso com a progressiva radicalização da greve dos servidores. A interlocução com o movimento grevista passou para o Ministério do Planejamento.

Em síntese, o governo afirma que prefere manter o atual nível de emprego a ceder a pressões por reajustes que não podem ser suportados agora pelos cofres públicos. As concessões serão apenas as já prometidas na proposta orçamentária para 2013.

Um fato ocorrido em julho também agravou os ressentimentos dos sindicalistas da CUT com Dilma: convidada para participar do Congresso da central, a presidente mandou como representante o ministro do Trabalho, Brizola Neto, que é do PDT, partido vinculado à Força Sindical, a central que disputa com a CUT a hegemonia do movimento sindical.

Essa foi a leituras feita não apenas na central ligada ao PT, como nas demais.

O PT também viu aumentar a concorrência no movimento sindical: o PCdoB tem influência sobre a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e o PSTU, partido de extrema esquerda, na Conlutas. Ainda assim o Partido dos Trabalhadores - e a CUT - detém hoje o controle da maioria dos sindicatos. Alguns cálculos falam em 70% dos sindicatos.

"É o mundo de pernas para o ar, a CUT contra o PT", disse ontem o diretor jurídico do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), Nei Jobson, uma das cinco entidades que assinam a ação protocolada na OIT.

Segundo Jobson, "o PT aperfeiçoou os instrumentos de negociação com o trabalhador que ele sempre lutou contra", disse, referindo-se ao decreto 7.777.

Além do Sinagências, Condsef e CUT, acionaram a OIT, contra a regulamentação,
o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Confederação dos Trabalhadores no serviço público Federal (Condsef),
Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa)
e a Federação Nacional das Associações de Servidores da Previdência Social (Fenasps).


O decreto permite que servidores públicos federais em greve sejam substituídos por funcionários estaduais ou municipais equivalentes, medida já desencadeada pelo governo federal. "Está pior negociar com o PT do que com a direita", disse Jobson.

Raymundo Costa, Rosângela Bittar e Lucas Marchesini | Valor Econômico

DILMA PEDE AJUDA A LULA PARA ENFRENTAR AS GREVES

GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA "SEM MARQUETINGUE" ! Febraban estava certa: o cavalo não quis beber água

Números parciais dos balanços dos bancos no segundo trimestre consolidaram as suspeitas:
o apoio das grandes instituições privadas à campanha do governo brasileiro para ampliar os empréstimos e reduzir os spreads ficou no plano político.

Embora publicamente apoiem a cruzada do governo por juros mais baixos para sustentar o crescimento de longo prazo do país, gigantes como Bradesco,
Itaú Unibanco e Santander Brasil mostraram com os resultados do segundo trimestre que, na prática, prevaleceu a ortodoxia da cartilha bancária, que recomenda prudência em tempos adversos, como os de desaceleração econômica e aumento da inadimplência.


De um lado, os bancos aumentaram provisões para perdas com calotes, e de outro desceleraram a concessão de novos empréstimo.

Além disso, os banqueiros enfatizaram que uma redução maior dos spreads só virá com queda da inadimplência e menos encargos, como impostos e compulsórios.

"Não é normal ter spreads reduzidos com inadimplência alta", disse o presidente-executivo do Santander Brasil, Marcial Portela, ao comentar os resultados do segundo trimestre.

Em abril, ao cobrar queda de juros pelos bancos, a presidente Dilma Rousseff afirmara ser inadmissível que o Brasil, tendo um sistema financeiro sólido e lucrativo, continuasse com um dos juros mais altos do mundo.

Mas os banqueiros enxergam o problema de forma diferente.

"É errado acreditar que o spread esteja relacionado apenas aos lucros dos bancos", disse recentemente a jornalistas o diretor de controladoria do Itaú Unibanco, Rogério Calderón.

Segundo estimativas da Thomson Reuters, as reservas dos cinco maiores bancos no país para créditos de má qualidade alcançaram a cifra recorde de 30 bilhões de reais no primeiro semestre.

Os grandes bancos privados também reduziram as perspectivas de crescimento do crédito e mantiveram as margens financeiras, levando os bancos estatais a abocanhar uma maior fatia do mercado em junho, segundo dados do Banco Central.

As linhas que sofreram maiores reduções de juros vieram acompanhadas de exigências não triviais, como a de condicionar os clientes a ter conta corrente no banco e um pacote de serviços. É o caso de programa "BOMPRATODOS", do próprio Banco do Brasil.

Já o Itaú Unibanco inovou com o lançamento do Itaucard 2.0, que reduz o juro do cartão de crédito pela metade, mas cobra encargos dos clientes a partir da data da compra e não do vencimento da fatura, como o usual.

"O produto, em vez de reduzir, vai aumentar a receita do Itaú", disse o analista do Barclays, Fabio Zagatti.

Num sinal contundente de que a ofensiva deflagrada em abril não surtiu os efeitos desejados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega chamou na quarta-feira para uma reunião em Brasília os representantes dos maiores bancos do país, para pedir deles maior "proatividade" no crédito, segundo disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

SEM OFERTA, NEM DEMANDA


Esse desdobramento inicial diferente do desejado, porém, pode não ter sido uma postura deliberada dos bancos privados contra o governo, mas parte de um cenário do qual os próprios tomadores de crédito também recuaram.

Segundo a Serasa Experian, a fadiga no endividamento fez a demanda do consumidor por crédito cair 7,4 por cento no primeiro semestre ante igual período de 2011.

Para o economista e presidente da agência de classificação de risco SR Rating, Paulo Rabello de Castro, o aumento da inadimplência diminuiu a oferta de crédito, anulando o efeito positivo da redução dos juros sobre o crédito.

"O momento não é propício para colher os frutos dessa estratégia", disse.

Os dois maiores bancos privados do país, o Itaú e o Bradesco, já avisaram que suas operações de crédito neste ano vão crescer menos do que o previsto inicialmente.

Além disso, o spread voltou a subir no começo de julho, depois de cair por quatro meses consecutivos, segundo dados preliminares do Banco Central.

Derrubar o spread, a diferença entre a taxa paga pelos bancos para tomar recursos e a que cobram dos clientes, foi justamente o principal objetivo declarado pelo governo, quando fez os bancos estatais saírem na frente com cortes agressivos de juros.

Embora doloroso, o quadro atual lastreia o diagnóstico feito em maio pelo economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, quando escreveu "você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água". A declaração do economista foi interpretada como um afronta ao governo, levando a presidente Dilma Rousseff a exigir retratação pública dos bancos.

Mas além de colher um resultado prático mais tímido do que o pretendido, o governo brasileiro está sendo alvo de alertas sobre o perigo de forçar demais o crédito, num momento em que o mundo enfileira crises financeiras, causadas em parte justamente por financiamentos concedidos sem critério no passado.

Num deles, semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para a necessidade de melhorar a supervisão bancária e a disponibilidade de taxas de longo prazo no país. O organismo internacional viu na crescente inadimplência um sinal claro de desequilíbrio financeiro dos consumidores, que poderia se exarcebar diante de uma crise financeira.

Alves e Guillermo Parra-Bernal/Reuters