"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 10, 2013

BRASIL REAL ! GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA 1,99 O ENGODO DO PARLAPATÃO CACHACEIRO : Viés de baixa

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Dilma Rousseff embicou o país na descendente e agora paga o preço: ela mesma também está com viés de baixa. A aprovação à presidente caiu e o pessimismo da população está crescendo. Seu governo acreditou que bastaria equilibrar-se em cima da alta popularidade, mas a população demonstra que não ignora suas cada vez mais evidentes fragilidades.

O Datafolha publicou ontem pesquisa de opinião que registra queda de oito pontos percentuais na aprovação da presidente em relação ao patamar alcançado em março passado. É a primeira vez que isso acontece desde que Dilma tomou posse, há praticamente dois anos e meio.

O governo da petista vinha reagindo com soberba às críticas endereçadas a seus renitentes desacertos. "A nossa popularidade é alta", costumam desdenhar. Agora terão que pôr as barbas de molho.

Pode até ainda ser alta, mas cai, e como: 
Dilma perdeu popularidade entre homens e mulheres, em todas as regiões do país, em todas as faixas de renda e em todas as faixas etárias. Sua aprovação já retrocedeu ao nível de janeiro de 2012.

Segundo alguns dados publicados pela Folha de S.Paulo ontem (a íntegra da pesquisa ainda não está disponível na internet), a aprovação a Dilma simplesmente despencou entre os brasileiros que ganham mais de dez salários-mínimos: queda de 24 pontos. Com isso, a avaliação da presidente neste extrato social caiu ao nível de dois anos atrás.

Entre os que têm ensino superior, a queda foi de 16 pontos percentuais, fazendo a presidente retroceder ao patamar de agosto de 2011. O mesmo aconteceu com a população entre 25 e 34 anos (queda de 13 pontos). Entre os brasileiros da região Sul, Dilma recuou ao nível de agosto de 2012 (queda também de 13 pontos).

Mas não foi apenas nestes segmentos, em geral mais ilustrados, da população que a presidente declinou nestes últimos três meses. Como os dados não estão inteiramente abertos na internet pelo Datafolha, vale se fiar no que escreveram Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretor-geral e diretor de Pesquisas do instituto, em análise publicada ontem pelo jornal.

"O que chama mais a atenção na pesquisa é que, dos oito pontos de popularidade que a presidente perdeu, a maior parte é proveniente de conjuntos menos escolarizados e de menor renda, especialmente do Sudeste e Sul. E o mais importante - as mulheres, muito mais do que os homens, deixaram de apoiar Dilma. E quando se focaliza o subconjunto de mulheres de renda mais baixa, essa tendência se potencializa."

O que pesou na perda de popularidade foi, principalmente, a inflação. O tomate indigesto, a passagem de ônibus cara, a manicure proibitiva pesaram no bolso dos brasileiros de A a Z, salgaram a vida da população e azedaram o humor dos eleitores. A expectativa de que a inflação vai piorar atinge 51% dos entrevistados e só 12% creem em melhora.

Também pioraram as perspectivas quanto ao futuro. Já são maioria - numericamente, também pela primeira vez desde o início da atual gestão - os brasileiros que acham que o desemprego vai aumentar no país. O pessimismo quanto a este aspecto é o mais alto desde fins de 2009.

Há apenas três meses, 41% achavam que a situação do emprego iria melhorar e 31% achavam que iria piorar; agora, são 27% e 36%, respectivamente, numa aceleradíssima inversão de expectativas. A sensação de bem-estar vai se perdendo, no mesmo ritmo em que o dinheiro encurta, o crédito encarece e as oportunidades de trabalho rareiam.

Dilma Rousseff foi eleita em cima de uma lenda. 
Nunca, jamais, passou nem perto de ser a boa gestora que seu padrinho político apregoou ao país. Agora, sua infalibilidade também vai sendo posta à prova, onde quer que se olhe.

As deficiências da presidente no controle da inflação, na irritante repetição de pibinhos e previsões furadas, na manutenção do emprego vão se revelando aos brasileiros com todas as cores. Seu poderio parlamentar é declinante; sua capacidade de destravar investimentos e atrair o capital privado é inexistente; seu Brasil de propaganda tem limites.

A presidente não ousou fazer uma única reforma de peso e dedica-se a quinquilharias ao invés de se debruçar sobre os crescentes problemas do país. Dilma não é "nem gerente sintonizada com as exigências dos tempos modernos, muito menos gestora admirável. Atrapalhada na condução da economia. Um rotundo desastre no exercício cotidiano da política", sintetiza Ricardo Noblat n'O Globo.

Quem sabe assim, já sem o conforto do colchão da popularidade nas nuvens, Dilma Rousseff faça o que é necessário ser feito, restaure a confiança no país e cuide com zelo do dinheiro público - seu descuido está levando as agências de classificação de risco a enquadrar o Brasil entre os párias do mercado financeiro mundial.

Em resumo, deixe de empurrar os problemas com a barriga, à espera de uma ainda longínqua eleição, como vem fazendo nos últimos meses. A presidente não perde por esperar, porque os brasileiros já começaram a lhe dizer não. 
Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Dilma com viés de baixa

brasil DA POLITICALHA : Partidos nanicos recebem verbas milionárias do Fundo Partidário

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Criar um partido político no Brasil é garantia de acesso a dinheiro fácil. 

Só no ano passado, quando houve eleições municipais, somando o Fundo Partidário e as doações, os 30 partidos registrados na Justiça Eleitoral movimentaram a cifra de R$ 1 bilhão - isso sem contar eventual caixa dois, prática já admitida nos últimos anos, depois do mensalão, por políticos de todas as tendências. 

Em ano de eleição presidencial, esse valor é muito maior. 
Para poder pegar um naco desse filé, não é preciso ter representante na Câmara dos Deputados, nem filiados. 
Basta existir formalmente.

Embora a legislação exija um número alto de assinaturas de apoio e que haja representação em, no mínimo, nove estados para que a legenda possa ser declarada oficial, a mesma legislação não atrela o percentual de repasse de verbas públicas ao número de filiados, mas, sim, ao número de deputados federais eleitos.

Por isso, até uma sigla que não tem e nunca teve representante na Câmara tem direito a receber uma cota da parcela mínima do Fundo Partidário (5% do total são distribuídos entre todos) e do saldo de multas aplicadas a candidatos e legendas. Os outros 95% são distribuídos de acordo com a representação no Congresso.

Em 2012, o Fundo distribuiu R$ 286,2 milhões para as legendas, mais R$ 63,3 milhões coletados com as multas. Outros R$ 697,5 milhões, segundo declarações dos partidos ao TSE, foram captados pelos partidos por meio de doações de empresas e pessoas físicas, sem contar os recursos destinados diretamente aos candidatos propriamente ditos. Somando, dá um total de R$ 1,047 bilhão.

Em 2011, como não houve eleição, a verba foi menor: R$ 265,3 milhões do Fundo, mais R$ 43,3 milhões das multas. Mesmo sem ser um ano eleitoral, as agremiações também ganharam recursos privados, que totalizaram R$ 53,3 milhões em doações. O PT, partido no governo desde 2003, foi o principal destinatário desses recursos, arrecadando R$ 50,7 milhões.

PCO ganhou R$ 245 por cada filiado

Dos 30 partidos existentes, 24 têm representação na Câmara atualmente. Mas mesmo aqueles sem parlamentares eleitos ganham verbas polpudas do fundo. É o caso, por exemplo, do PCO, o Partido da Causa Operária. Em todo o país, ele tem 2.560 filiados e nunca elegeu um representante para a Câmara, mas recebeu, no ano passado, R$ 629.081 do Fundo Partidário. 

No Rio, por exemplo, o PCO conta com apenas 127 simpatizantes filiados.

O PTN também não tem nenhum deputado federal, mas, com 125.815 militantes em todo país, ganhou do fundo, em 2012, R$ 1.250.014. O PEN, com apenas 247 filiados, segundo o TSE, recebeu R$ 343 mil - R$ 1.389,89 por cada filiado.

No Brasil, ainda não há tradição de filiação partidária. 
Dos mais de 140 milhões de eleitores registrados no TSE, pouco mais de 10%, ou 14,4 milhões, são filiados a algum partido político. 
O partido com maior número de filiados é o mais antigo deles, o PMDB, com 2,2 milhões. 

O PT vem em seguida, com 1,4 milhão de filiados.

O cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que o Brasil é um dos poucos países onde um partido recém-criado tem direito a verba pública e a tempo de propaganda na TV. Ele não é contrário à criação de legendas e lembra que, na Espanha, por exemplo, há 75 agremiações funcionando. 

Mas observa que lá só depois de formar uma bancada é que a sigla partidária tem direito a verbas.

- No Brasil, a legislação estabelece que é muito difícil criar um partido, mas, depois de criado, passa a ter direito a todos os recursos. 
Isso é um absurdo - disse Nicolau.

PT e PMDB OBTÊM mais doações

Quando se trata de doações de empresas privadas, o partido que está no poder é sempre o que mais recebe. Em 2012, o PT ficou em primeiro lugar, com R$ 254,8 milhões, acompanhado do PMDB, com R$ 118,8 milhões. Ou seja, os dois partidos que estão no poder federal atualmente foram os mais agraciados com dinheiro de empresas e pessoas físicas que mantêm obras no governo, ou têm muitos interesses, como é o caso de bancos.

De forma indireta, o dinheiro público também é usado pelos partidos com o chamado jeitinho. Quando não são familiares que ocupam os principais postos dos partidos, os dirigentes dessas legendas que são parlamentares tratam de instalar na burocracia das agremiações seus próprios assessores do Congresso.

Trabalham na sede do PP em Rondônia, comandado pelo senador Ivo Cassol, cinco funcionários do escritório político dele no estado, pagos pelo Senado. No Piauí, o senador Ciro Nogueira e a mulher dele, Iracema Portela, comandam o PP com a ajuda de familiares e servidores do gabinete dele no Senado. 

E há ainda conexões mais complexas: 
o presidente do PP no Piauí, Julio Ferraz Arcoverde, é presidente do Conatran e diretor-geral do Denatran, órgão que está vinculado ao Ministério das Cidades, feudo do PP no governo Dilma.

Chico de Gois O Globo

ENQUANTO ISSO... NA REPÚBLICA DA MUAMBA III : Previdência pública tem rombo recorde (R$ 18,9 bilhões)

A previdência do setor público está tragando como nunca o caixa do Tesouro Nacional.

De janeiro a abril deste ano, o rombo no sistema de aposentadoria do funcionalismo deu um salto de 46,9% em relação ao mesmo período de 2012, atingindo R$ 18,9 bilhões — um recorde para período tão curto de tempo.

Esse incremento era esperado, segundo Ricardo Pena, presidente do Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp), criado, em fevereiro último, com a promessa de reduzir o rombo nos cofres públicos.

"Antes do Funpresp, o servidor contribuía com 11% do salário e o Tesouro, com 22%, para a aposentadoria integral. Agora, os benefícios estão limitados ao teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), de R$ 4.159. O servidor só paga, então, 11% do teto, mesmo que seu salário seja superior. O bolo de contribuição diminuiu. Por isso, o deficit cresceu. Nos próximos 35 anos, o fundo será superavitário", garante.

Desde a criação da Funpresp, quem ganha acima do limite máximo fixado pelo INSS e deseja receber o valor integral do salário da ativa no futuro terá que contribuir para a previdência complementar com 7,5%, 8% ou 8,5% sobre a diferença — o servidor pode escolher. O Tesouro, que antes arcava com o dobro, vai dar uma contrapartida nos mesmos percentuais.

Pena assegura que a adesão ao Funpresp será um bom negócio para os servidores. Segundo ele, há a possibilidade de os funcionários públicos pendurarem as chuteiras ganhando mais do que recebem na ativa.

"Temos cálculos atuariais que nos comprovam esses ganhos. É bom ressaltar ainda que, com a reforma da previdência de 2003, os servidores mais antigo receberão em torno de 80% do salário quando deixarem o setor público", diz.

Na avaliação do presidente do Funpresp, há uma grande preocupação com a gestão dos recursos oriundos das contribuições dos serviços. A meta é evitar que, a longo prazo, o fundo não sofra nenhum impacto de crises externas, de queda nos valores de títulos públicos, de eventual aumento da inflação e de tombo na bolsa de valores.

"O êxito depende de gestão, de governança e da participação dos servidores nos conselhos. Assim acontece no mundo inteiro. Na Europa, fundos semelhantes renderam 5% anuais nos últimos dez anos. No Brasil, a rentabilidade média foi de 10% ao ano", assinala.

Entre as vantagens do Funpresp, destaca Pena, estão a contribuição paritária da União (de um para um), a dedução anual no Imposto de Renda (até 12% dos rendimentos tributáveis), a portabilidade para outra fundação de previdência complementar e a garantia de pensão para a família, entre outros.

Peso dos militares

O esforço do governo para economizar com o Funpresp esbarra, porém, em um empecilho:
o deficit da previdência dos militares.
Eles não aderiram ao novo sistema.

Segundo o Tesouro Nacional, somente os aposentados e pensionistas de fardas provocaram um rombo de R$ 6,7 bilhões no caixa do governo nos quatro primeiros meses do ano, mais de um terço do total de R$ 18,9 bilhões.

Sozinha, a previdência dos militares consumiu R$ 7,4 milhões do caixa da União no primeiro quadrimestre de 2013 e arrecadou apenas R$ 654 milhões. Até agora, não se apresentou um projeto para sanar o problema.

Quando a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, diz que o novo regime deve reduzir o deficit da Previdência dos servidores públicos em 20 anos e zerá-lo ou torná-lo superavitário nos próximos 35 anos, está se referindo apenas aos civis.

Segundo analistas, do total do orçamento do Ministério da Defesa, o dispêndio com os ativos é de 40% e com os inativos, de 60%. A distorção vem de um privilégio criado após a guerra do Paraguai (1864 a 1870), quando se estabeleceu pensões para filhas do militares. O direito foi extinto em 2001, mas só em 2036 o desequilíbrio será sanado.

Enquanto isso, não existe projeto algum para amenizar as disparidades.

Em nota, o Ministério da Defesa afirma que "desconhece os números" e que "há entendimento de inexistência de "deficit previdenciário"". Informa, também, que o militar tem regime jurídico diferente dos demais servidores, devido à peculiaridade da carreira.

"Ou seja, o militar passa para a reserva, mas fica à disposição, podendo, se necessário, exercer outras funções designadas especificamente a eles."

Correio Braziliense 

ENQUANTO ISSO... NA REPÚBLICA DA MUAMBA II : Desconfiança de investidor ameaça Brasil

Os decepcionantes indicadores do governo Dilma Rousseff descortinam a fragilidade da economia brasileira e podem levar ao rebaixamento do país pela agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P). Publicamente, a equipe econômica corre contra o tempo para convencer os investidores de que a mudança na perspectiva da nota do Brasil, de estável para negativa, é assunto menor. 

Mas, nos bastidores, o clima é de apreensão. 
Não sem motivo.

O frágil ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, apontado como um dos fatores para o possível rebaixamento, não tende a se reverter tão cedo. Na média dos dois primeiros anos da administração Dilma, o avanço foi de minguado 1,8%, o pior resultado desde Fernando Collor de Melo. 

É possível, na conta dos especialistas, que esse número não se altere muito quando o fim de 2014 chegar.

A inflação também não dá sinais de trégua, sempre próxima ao teto da meta do Banco Central durante o atual governo. E o aumento dos preços já está cobrando a fatura política: é o principal motivo para a queda da popularidade de Dilma, que despencou oito pontos, de 65% para 57%, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada no sábado.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tentou minimizar os dados. Para ele, o recuo da aprovação de Dilma Rousseff se deve a uma oscilação normal, causada por fatores como a inflação dos alimentos, o "incidente" com o Bolsa Família e a seca no Nordeste. 

"Todos já superados", disse, em Lisboa, onde tem agenda nesta segunda-feira com a presidente.

Além de não endossar o otimismo de Mercadante — defensor da política de que um pouco mais de inflação para sustentar o crescimento do PIB não faz mal —, o presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), Carlos Eduardo de Freitas, alerta que a inflação ainda se manterá resistente, sobretudo porque não há perspectiva de o governo reduzir a gastança. 

Para ele, antes de pregar que tudo vai bem, os auxiliares de Dilma deveriam convencê-la a corrigir os desarranjos da política fiscal. "As despesas continuam elevadas. E tem havido muitas desonerações de forma arbitrária, que reduzem a arrecadação do governo. 

Elas criam uma redução da economia fiscal para pagar juros, que é o superavit primário. Isso gera pressão de demanda", alerta.
Desarranjos

As medidas expansionistas do governo Dilma pretendiam incentivar o consumo. O Planalto reduziu impostos sobre carros, móveis, eletrodomésticos e materiais de construção. Também estimulou o endividamento das famílias por meio dos bancos públicos e levou a taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história, de 7,25% ao ano. 

Tudo isso, no entender do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, provocou desequilíbrios e jogou a inflação para cima.

"O Brasil não tem como crescer sustentado apenas pelo consumo sem gerar inflação. Há consenso de que o modelo de crescimento via salários altos, mais crédito e maior endividamento se esgotou. O que impede nosso crescimento é a falta de oferta, de investimentos do setor produtivo", avalia. 

O problema se torna maior porque a política equivocada do governo minou a confiança do empresariado. Nos últimos meses, o Ministério da Fazenda até tentou corrigir parte dos erros, ao estimular o setor produtivo. Mas não teve sucesso.

Na opinião dos economistas, a desoneração da folha de pagamento e as linhas de financiamento mais baratas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não foram suficientes para estimular o "espírito animal" dos donos do dinheiro. 

A indústria continuou patinando e, agora, as empresas se sentem ameaçadas pela inflação, que minou o consumo, e pelo aumento da taxa básica de juros (Selic), que veio tarde e terá de ser maior do que o desejado. 

Para os analistas, um alento no sentido de recuperar a credibilidade da política econômica seria desmontar a "contabilidade criativa" do Tesouro Nacional, expediente usado nos últimos anos para maquiar o ajuste fiscal.

No início do governo Dilma, o índice que mede a confiança dos empresários estava em 61,7 pontos. Agora, está em 57,9 pontos. 

"O industriais não vão pagar para ver. Eles precisam ter a segurança de que a economia entrará nos eixos e não conviver com os dados atuais, que só decepcionam", destaca Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. 

A mesma avaliação é feita pelo professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Samy Dana, que vê outro agravante: 
as constantes falhas de comunicação entre integrantes da equipe econômica. 

"Eles falam demais e anunciam medidas contraditórias. 
Nesse contexto, os empresários ficam inseguros para investir. Cada dia há uma notícia nova. Confiança é previsibilidade", ressalta.

Rombo externo

Não bastassem os desarranjos domésticos, o Brasil enfrenta um quadro internacional hostil, que pode dificultar — e muito — o financiamento do rombo das contas externas. O buraco estimado neste ano pelo Banco Central é de US$ 67 bilhões, que não será coberto integralmente pelo investidor de longo prazo. 

Assim, com o país mais dependente do capital especulativo, o dólar disparou para até R$ 2,15, e se tornou mais uma ameaça à inflação.

"A valorização do dólar e o crescimento abaixo do previsto neste ano foram um aviso importante para o governo. Parece que Brasília se deu conta e está mudando de postura. Tomara que não seja tarde demais", pondera Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil.

Um recuo do Palácio do Planalto foi o fim do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações de estrangeiros em renda fixa. A medida, porém, ainda está longe de dar resultados e só elevou as críticas à postura intervencionista da presidente Dilma. 

"Assim que (o governo) percebeu que os investimentos estrangeiros estavam caindo e que ficaria refém do capital de curto prazo, zerou o IOF. Mas até hoje não entendem por que o Ministério da Fazenda criou essa taxa. Ela só provocou distorções no mercado", diz Flávio Serrano, economista sênior do Espírito Santo Investment Bank.

No entender dos especialistas, os problemas do Brasil estão longe de uma solução. "O momento econômico é de bastante incerteza", resume José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. 

Portanto, ressalta, é mais do que necessário que pelo menos o governo faça a parte dele e deixe de minar algo tão valioso para o país: 
a credibilidade construída, com tanto esforço, nos últimos 20 anos.

Correio Braziliense 

ENQUANTO ISSO ... NA REPÚBLICA DA MUAMBA : Inquietante deterioração da gestão das contas públicas

O maior impacto da mudança na política fiscal - de contracionista para neutra e desta para expansionista - ainda não é exatamente sobre a geração de superávit primário no curto prazo. 
O que perturba e inquieta, nesse momento, é o processo de deterioração da gestão financeira das contas públicas.

O Tesouro Nacional está antecipando receitas e adiando despesas - tal como um prefeito, quando ainda podia, resolvia suas demandas com operações de Antecipação de Receitas Orçamentárias (ARO) - sem qualquer preocupação com a transparência.

Não se tem indicação de quanto pesará nos orçamentos futuros os compromissos que estão sendo assumidos agora, sejam com as concessões de subsídios ou com as emissões de títulos da dívida pública.

O Valor noticiou que o Tesouro já contabilizou como receita deste ano os recursos que vão ser apurados com os bônus de assinatura da primeira rodada de licitações do pré-sal prevista pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para outubro.

São cerca de R$ 15 bilhões que virão do pré-sal para o orçamento fiscal e deste para o superávit primário do setor público.

Como anunciou recentemente o secretário do Tesouro, Arno Augustin, a meta de superávit primário obedece, agora, a uma banda - pode ficar no intervalo de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) a 3,1% do PIB. Isso vai depender de quanto ele conseguirá antecipar de receitas e adiar de despesas.

O uso do dinheiro dos bônus de assinatura para fechar as contas deste ano contraria frontalmente todo o discurso passado sobre a criação do Fundo Social do pré-sal. Este seria um instrumento para garantir que um recurso finito possa beneficiar várias gerações do país.

Sob o ponto de vista legal, também pode haver polêmica. A lei 12.351, de 2010, determina que parte dos bônus seja destinada ao Fundo Social e a medida provisória 592 define que 50% dos retornos das aplicações dos recursos do Fundo Social serão destinados à educação. O restante beneficiaria as áreas de ciência e tecnologia, saúde pública, meio ambiente, cultura e esporte.

O Fundo, no entanto, sequer foi regulamentado.

Outra mudança contábil feita pelo Tesouro na quinta feira reduz a despesa primária com a equalização das taxas de juros do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), do BNDES. Para diminuir o gasto, o Tesouro vai reduzir a taxa de juros dos empréstimos já feitos ao BNDES.

A medida provisória nº 618 não esclarece quanto isso significa nem qual a nova taxa de juros que incidirá sobre as contas passadas.

As inovações contábeis nas receitas e despesas da União para viabilizar a expansão das despesas, que não cansam de aparecer, são motivo de preocupação na própria área econômica do governo. Nem todos os técnicos oficiais se sentem confortáveis com os opacos malabarismos fiscais engendrados pelo Tesouro Nacional.

Tal comportamento, assim como a própria opção pelo aumento do gasto público, teria colaborado para a agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P) revisar a perspectiva da nota soberana do Brasil de "estável" para "negativa". O país não sofreu uma mudança de rating, que ainda é "BBB", mas de perspectiva, que é a antessala de um rebaixamento.

O governo, por sua vez, não pretende ficar parado. "Vamos estudar com calma o documento e acompanhar essa questão", disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland.

Ao colocar a perspectiva negativa para o país, a agência chamou a atenção para os riscos da estratégia que o governo brasileiro tem usado para incentivar o crescimento do país.

Do lado fiscal, não é apenas a S&P que vê problemas.
Em artigo publicado no Valor, Delfim Netto também mostrou preocupação com o caráter expansionista do gasto discricionário do governo em uma situação em que o PIB é constante por restrições físicas. Sobre o consumo, o impacto é nulo.

Para ele, no fim das contas e dados os mecanismos de transmissão nos mercados, os efeitos serão:
aumento da taxa de juros real e valorização do câmbio real.

"Portanto, tudo que o Brasil precisa neste momento para aumentar a potência da política monetária sem prejudicar o crescimento é de uma política fiscal mais austera", conclui o ex-ministro.
Esta deve ser a conclusão de 9 em cada dez economistas.
Valor Econômico