"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 30, 2013

PIB amarelado

O IBGE divulgou nesta manhã um crescimento do PIB que deve ter surpreendido até os mais otimistas. É uma pena, porém, que o resultado espelhe uma realidade que já ficou no retrovisor. De junho para cá, a economia brasileira, infelizmente, voltou a engatar marcha lenta.

O PIB brasileiro cresceu 1,5% no segundo trimestre do ano. É a maior marca, nesta base de comparação, desde o primeiro trimestre de 2010. Novamente, a salvação da lavoura nacional veio da agropecuária, com 3,9% de expansão no período – bem abaixo, porém, dos 9,7% do primeiro trimestre.

A indústria cresceu 2%, com recuperação significativa em relação ao período mais recente – no trimestre anterior, o setor decaíra 0,2%. Os serviços se expandiram 0,8%, também numa curva ascendente.

Outro resultado relevante veio da formação bruta de capital fixo, palavrão que os economistas usam para se referir a investimentos em máquinas, equipamentos e construções. No trimestre, a alta foi de 3,6% – um bom número, mas, assim como ocorreu com a agropecuária, também inferior aos 4,7% do primeiro trimestre do ano. A taxa de investimento subiu a 18,6% do PIB.

Quando se olha a taxa acumulada nos últimos quatro trimestres, a expansão da economia brasileira foi de 1,9%. Esta é, pois, a velocidade em que o país veio rodando nestes últimos 12 meses, numa marcha mais típica de pibinhos. A acelerada do segundo trimestre não deve mudar esta perspectiva.

É voz corrente que o período compreendido entre os meses de abril e junho tenha marcado o ápice da economia brasileira neste ano. Até então, as expectativas se mostravam positivas, os investidores ainda tinham algum ânimo quanto ao futuro do país e o governo reinava mais ou menos absoluto.

Desde os protestos de junho, porém, este faz-de-conta desmoronou e a dura realidade foi se impondo. Em julho e agosto, a safra foi recheada de maus resultados e perspectivas sombrias. Não predomina mais a esperança de que o Brasil consiga decolar nos próximos meses, pelo contrário.

Um dos principais indicadores deste desânimo é a queda verificada nas expectativas tanto das empresas quanto dos consumidores, baixas como há muito não se via. Ambos ressabiados com as incertezas que cercam nossa economia, expressam tendência a diminuir as apostas em dias melhores para o país.

Também o ritmo de consumo, que funcionou como motor potente enquanto a nossa economia exibia mais vigor, já está rateando: em junho, o crescimento do varejo em relação ao mesmo mês do ano passado foi de apenas 1,7%. Outrora chegou a rodar perto de 10%. No trimestre, a alta foi de 0,3%, segundo o IBGE.

As expectativas até poderiam ser mais positivas se o governo federal estivesse fazendo sua parte e ajeitando a casa. Mas o desempenho do setor público é o pior possível. Os gastos continuam em alta, os investimentos não acontecem e os marcos regulatórios estão cada vez mais confusos. Quem se aventura?

Ontem, o Tesouro divulgou o desempenho das contas públicas em julho. Um dado, pinçado pelo economista Mansueto Almeida, resume bem o desarranjo: enquanto as despesas primárias do governo federal aumentaram quase R$ 58 bilhões de janeiro a julho, os investimentos cresceram apenas R$ 26 milhões.

Para complicar, há também os juros em alta – a nova elevação da Selic nesta semana nos coloca na terceira posição entre os que praticam as mais altas taxas em todo o mundo – e a desvalorização do real (alta do dólar). Tem ainda o mercado de trabalho em ritmo declinante, com as piores marcas de geração de emprego em dez anos, e a renda em baixa, fruto de uma inflação que só o governo petista não considera alta.

O corolário disto tudo é que o Brasil, com seus 2% previstos, ainda deverá ser uma das nações de menor crescimento no continente neste ano, ganhando apenas da Venezuela e de El Salvador. No ano que vem pode não ser diferente, com a média das estimativas colhidas pelo Banco Central oscilando em torno de 2,4%.

Tudo considerado, o desempenho da economia brasileira no segundo trimestre deste ano é um típico ponto fora da curva. A fotografia que o IBGE revelou nesta manhã é um belo instantâneo, mas suas cores já vão se esmaecendo. Infelizmente, o retrato do PIB na parede já amarelou.  

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

E O BUFÃO DA "CORTE"... "O fundo do poço foi superado", diz Mantega sobre PIB

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Nesta sexta-feira (30), ao comentar os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o pior da crise internacional já passou e que o "fundo do poço foi superado".

"O mundo caminha junto", complementou, acrescentando: "Estamos numa trajetória de recuperação do crescimento que vai persistir nos próximos anos."

Mantega afirmou que o Brasil tem possibilidades de voltar a ter um crescimento econômico a uma taxa média anual de 4%, a partir de 2014. Para ele, o bom desempenho previsto poderá vir de um incremento das exportações à medida em que começam a surgir sinais de retomada do crescimento da economia internacional.

“Esse crescimento, anualizando, representa como se a economia tivesse crescendo a uma velocidade de 6%”, avaliou. O ministro classificou o desempenho do PIB como bom.Na avaliação dele, em 2013 o país fechará com crescimento moderado. “Nossa trajetória é de um crescimento moderado até o final do ano, mas 2014 tende a ser mais promissor”, apontou Mantega, citando os resultados que começam a surgir no cenário internacional.
(...)
Jornal do Brasil

Com inflação elevada, consumo das famílias fica praticamente estagnado

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Motor da economia brasileira nos últimos anos, o consumo das famílias já não mostra o mesmo vigor e está praticamente estagnado há dois trimestres diante de uma inflação mais elevada e do rendimento e do emprego em desaceleração.

Após ficar estável nos primeiros três meses deste ano, o consumo das famílias variou positivamente 0,3% de junho a abril frente aos três meses anterior.


O IBGE só considera um crescimento, de fato, uma taxa superior a 0,5%. O PIB, como um todo, avançou 1,5% no segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores.

"O consumo das famílias ficou mais ou menos no mesmo patamar do primeiro trimestre", disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Para a técnica do instituto, a inflação maior neste ano inibiu o consumo, ao lado de um mercado de trabalho que dá sinais de enfraquecimento. "A massa salarial continua crescendo, mas já não mais no mesmo ritmo de antes."

Outro fator, diz, é o crédito a pessoas físicas, que também perdeu fôlego e avança numa velocidade menor.
A massa salarial (soma dos rendimentos recebidos por todos os trabalhadores) subiu 2,1% na comparação com segundo trimestre de 2012.

Já as operações de crédito avançaram 8,5%, em termos nominais (sem descontar a inflação).

Em relação ao segundo trimestre de 2012, o consumo das famílias segue em alta, com expansão 2,3% variação, porém, inferior a do PIB (3,3%). Foi a 39º alta consecutiva nessa base de comparação.

Para Pailis, o consumo ainda é importante para o resultado do PIB diante do seu peso cerca de 60%, apesar de estar em desaceleração.

A LCA considera o desempenho do consumo "modesto" e prevê um crescimento de 2,2% para o PIB como um todo neste ano, após a divulgação dos dados do segundo trimestre. 

PEDRO SOARES
DO RIO/Folha

A CONSTÂNCIA DA EXPECTATIVA X REALIDADE E A INSUSTENTÁVEL NÃO LEVEZA DO CRESCIMENTO ! PIB cresce mais que o esperado, mas comemorar é olhar o retrovisor

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A economia brasileira cresceu 1,5% no segundo trimestre deste ano em relação aos três meses imediatamente anteriores, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A soma de todas as riquezas produzidas pela economia do país entre abril e junho ficou em 1,2 trilhão de reais. O anúncio veio pouco acima da expectativa do mercado, cujas apostas oscilavam em alta próxima a 1%. Na comparação com igual período de 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) teve expansão de 3,3% no segundo trimestre do ano. 

O dado foi positivo e superou as estimativas do mercado. 
Mas isso não será suficiente para reverter as projeções de crescimento para 2013 e 2014. É olhar no retrovisor, enquanto os analistas tentam estimar o que vem pela frente. 
E o quadro continua repleto de incertezas.

Crescimento do PIB. Fonte: Bloomberg

Esse número ainda não reflete a desvalorização da moeda e a deterioração do cenário externo. Além disso, indicadores antecedentes, como a confiança dos consumidores e empresários, já apontam para uma economia menos aquecida nos próximos meses.

O PIB do terceiro trimestre provavelmente vai jogar uma ducha de água fria em quem se animar demais com esse resultado passado. O dólar subiu e, se isso ajuda parte da indústria, também gera incertezas e pressiona a inflação. O processo de alta na taxa de juros, para combater essa inflação resiliente, vai começar a impactar mais a economia a partir de agora.


É verdade que a indústria se recuperou um pouco, e que o agronegócio segue puxando nosso crescimento. Mas o consumo se encontra perto da saturação no que tange o crescimento do crédito como estímulo. As famílias estão muito endividadas. E os investimentos não crescem o suficiente para permitir uma expansão na oferta ou na produtividade. A inflação, portanto, seguirá pressionada. 

Que o governo não se engane com esse dado pontual, que não reflete a tendência daqui para frente. O crescimento final em 2013 deverá ser muito fraco ainda, perto de 2%, enquanto a inflação deverá ficar perto de 6%, mesmo com vários preços congelados pelo governo. 

A situação demanda muita cautela e, acima de tudo, mudança nas políticas do governo, tanto fiscal como monetária. Corte de gastos públicos e independência do Banco Central na luta contra a inflação são cruciais para recuper
ar um crescimento mais sustentável.

Via :   

Rodrigo Constantino

E NO brasil maravilha DOS FARSANTES E CRÉDULOS ÚTEIS : Malditas contas públicas!


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A conta fiscal divulgada hoje veio tão ruim que nem vou comentar. Basta mostrar que, em termos nominais, o crescimento da despesa primária do governo federal foi de janeiro a julho deste ano de R$ 57,8 bilhões, ante o mesmo período do ano passado, e desse total o crescimento do investimento foi de apenas R$ 26 milhões, não é erro de digitação, R$ 26 milhões ou 0,1%.

O que aconteceu? 
O de sempre. 
O governo brasileiro sabe gastar muito bem com gastos correntes, principalmente programas de transferência de renda. 
Temos o know how de como transferir recursos arrecadados para famílias. Mas o governo tem uma crescente dificuldade para investir.

O Secretário do Tesouro falava desde o ano passado que mais cedo ou mais tarde o investimento púbico cresceria de forma muito rápida e que as críticas ao governo eram injustas. Bom, o investimento público não está crescendo e só nos resta rezar para as concessões darem certo, pois até isso será difícil pelo que escutei na minha viagem desta semana a São Paulo. 

Por fim, como não tenho tempo para escrever muito no momento (depois escrevo) quero apenas destacar mais um ponto. 
Na apresentação de hoje da Ministra do Planejamento do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2014, um slide que apareceu na apresentação do ano passado sumiu: 
o slide da trajetória do déficit nominal do setor público

No ano passado (ver abaixo) o governo esperava que o déficit nominal do setor público fosse de 1,6% do PIB, em 2012, e de 1% do PIB este ano. Cheguei até escutar que poderia ser “zero” até o final do governo Dilma. Pois bem, no ano passado, o déficit nominal do setor público foi de 2,47% do PIB e, neste ano, acho que será até maior.

Ou seja, apesar do que era projetado pelo governo há poucos meses atrás, o déficit nominal no Brasil vai ficar muito próximo a 2,5% do PIB ou até se aproximar de 3% do PIB neste e no próximo ano. E o risco agora é não termos um primário suficiente para estabilizar a DLSP/PIB que, no curto prazo, vai cair influenciada muito mais pela desvalorização do Real.

Projeções do Governo Federal em agosto de 2012 para o Déficit Nominal em 2012 e 2013
 

Extraído do blog :
Mansueto Almeida