"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 24, 2013

Eles não sabem o que fazem

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Se tudo tivesse corrido como planejado, nesta altura do campeonato a gestão petista estaria comemorando o sucesso das privatizações de um extenso e bilionário rol de obras de infraestrutura. Mas, no governo do improviso e da invencionice, até agora deu quase tudo errado. Eles não sabem o que fazem.


Passados um ano e um mês depois do lançamento do programa de concessões, o governo ainda está às voltas com a redefinição de regras que, na prática, se mostraram equivocadas, disfuncionais, alheias à realidade. Há furos técnicos, jurídicos e, principalmente, regulatórios. Eles não sabem o que fazem.

Ontem, foi a vez de os parâmetros para o leilão do aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, serem modificados. O governo foi forçado a diminuir as exigências, até para não produzir mais uma frustração e um novo leilão fracassado que engordasse uma lista que não para de crescer.

Anteriormente, dera-se o inverso: por determinação da presidente da República, o governo aumentara bastante o padrão mínimo exigido dos operadores estrangeiros a fim de evitar que novos aventureiros - como os que se apresentaram para explorar os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas - se candidatassem. Repete-se também neste caso o padrão decisório petista: vai e volta, estica e puxa. Eles não sabem o que fazem.

A nova mudança resultará também em novo adiamento dos leilões de Confins e do aeroporto do Galeão, que ficaram para 22 de novembro. Teme-se, porém, que o curto prazo após mais esta alteração no modelo dificulte a movimentação de grandes grupos, que não teriam tempo hábil para entrar no negócio. É a velha prática do improviso causando novas vítimas.

Há meses, o governo petista vinham alardeando que, nesta altura do ano, o país estariam em plena decolagem, beneficiado pelo empuxo benfazejo das privatizações. Numa linguagem juvenil, a nossa economia estaria bombando. Qual o quê...

As alquimias e as invencionices que os petistas enfiaram nos editais simplesmente detonaram as chances de que o processo seja um sucesso incontestável. As premissas não batem com as conclusões, as teses não conversam com as sínteses, as hipóteses não levam a consequências. Sobra ideologia, intervencionismo, improvisos.
Os fracassos se sucedem, a começar pelo frustrado leilão da BR-262, que forçou o governo a fazer uma "reavaliação grande" de todo o processo de concessão das rodovias, como disse a presidente Dilma Rousseff há duas semanas. Ela não sabe o que faz.

Os investidores avaliam que, dos nove trechos rodoviários que o governo ofereceu, apenas dois ou três se viabilizam. Por isso, todo o formato dos leilões está sendo revisto e, muito provavelmente, algumas rodovias serão retiradas do programa, como a BR-101 na Bahia. Eles não sabem o que fazem.
Para completar, o Regime Diferenciado de Contratações, imposto goela abaixo do país como panaceia para o atraso de obras, também mostrou-se inócuo, como informou a Folha de S.Paulo no domingo. Desde que o sistema foi instituído, em 2011, o Dnit, maior contratador de obras do governo, iniciou 150 licitações e, delas, 66 (44%) não deram certo e ficaram sem interessados. Eles não sabem o que fazem.

Destino não muito melhor que as estradas deverão ter os leilões de ferrovias. O primeiro - um trecho entre Maranhão e Pará - era previsto para outubro, mas deverá ser adiado. Os outros já nem se sabe mais se haverá, dado que os investidores não confiam num modelo que, para parar em pé, depende essencialmente da Valec. A estatal de lauta ficha corrida será agora extinta e substituída por uma nova empresa que ninguém sabe ao certo como funcionará.

Também apenas agora o governo se deu conta de que o modelo mirabolante que bolou para privatizar ferrovias carece de base legal. Por isso, só agora, mais de um ano depois do lançamento do programa, quando 10 mil km de trilhos já deveriam estar licitados, prepara uma medida provisória para dar base legal às concessões ferroviárias e mais segurança aos investidores, como mostra hoje
 O Estado de S.Paulo. Os leilões podem ficar para 2015. Seguramente, eles não sabem o que fazem.

Como desgraça pouca é bobagem, o leilão do gigantesco poço de Libra só teve 11 interessados, um quarto do que o governo previa. Como a maioria das inscritas são estatais, já se considera que o pré-sal acabará servindo mesmo é de reserva para garantir suprimento futuro a outros países, como a China. O governo petista está simplesmente rifando cerca de metade do petróleo de que o país dispõe, num tremendo salto no escuro.

Governar um país como o Brasil não é para aprendizes, não é para feiticeiros, não é para iniciantes. Diante de tantos e tamanhos equívocos, é de se pensar se os petistas cometem tanta lambança de caso pensado ou é puro desconhecimento, ignorância e despreparo. Será que eles acreditam mesmo que sabem o que fazem?
 
itv

ENQUANTO ISSO NO BRASIL REAL... Rombo nas contas externas cresce em agosto e já supera o de todo o ano passado


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O deficit nas contas externas do país alcançou US$ 5,5 bilhões em agosto, mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado, quando atingiu US$ 2,6 bilhões, e um recorde para o mês, informou nesta terça-feira (24) o Banco Central.

Com isso, o rombo acumulado no ano já chega a US$ 58 bilhões, superando em 7% o deficit verificado em todo o ano passado, de US$ 54,2 bilhões. Trata-se de outro recorde histórico, considerando a série iniciada em 1947.
O montante verificado no mês passado é superior ao esperado pela autoridade monetária, que havia previsto saldo negativo de US$ 5,0 bilhões..

Nos últimos doze meses encerrados em agosto, o deficit chegou a US$ 80,6 bilhões, o equivalente a 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto). Tal proporção não era alcançada desde março de 2002, de acordo com o BC.

As contas externas são analisadas a partir do saldo das transações correntes do país. Ela reflete as operações comerciais e financeiras do Brasil com outros países, incluindo importação e exportação de bens, gastos e receitas com viagens internacionais, remessas de dividendos de empresas, ganhos e pagamentos de juros.

A previsão do BC para o ano é que o deficit chegue a US$ 75 bilhões, um salto de quase 40% frente ao registrado em 2012.


INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

Apenas parte dessa diferença deve ser "coberta" pela entrada de investimentos estrangeiros diretos (IED), que indicam aportes produtivos no país. A expectativa da autoridade monetária é que essa conta alcance US$ 60 bilhões em 2013, abaixo do patamar alcançado no ano passado.

A estimativa foi revisada para baixo este mês. Antes era de US$ 65 bilhões.
Segundo Tulio Maciel, chefe do departamento econômico do BC, o cenário não preocupa a autoridade monetária.

"A parte que segue sendo financiada pelo IED ainda é muito significativa, cerca de 80%. É um quadro positivo e confortável em termos de financiamento para transações correntes", afirmou.

Em agosto, houve ingresso de US$ 3,8 bilhões em IED, redução de 25% frente ao ano passado. Apesar da queda, o resultado foi levemente acima do esperado pela autoridade monetária, cuja previsão era de US$ 3,5 bilhões para o mês.
No acumulado do ano, a conta chega a US$ 39 bilhões.

Segundo Maciel, a revisão para baixo do IED para o ano foi motivada pelos últimos meses, quando houve fluxo mais fraco do que o esperado. O diretor do BC credita o comportamento ao arrefecimento da economia mundial

"De uma maneira global os fluxos de IED no mundo foram menores do que o ano passado. Os países de uma forma geral receberam menos. Nesse sentido, o Brasil permaneceu bem situado com um patamar elevado", disse.


PRINCIPAIS FATORES

O resultado negativo das contas externas no ano pode ser explicado em grande parte pelo baixo desempenho da balança comercial, que mede a diferença entre as importações e exportações do país.

"A diferença de deficit no balanço de pagamentos é de US$ 26 bilhões [no acumulado do ano frente ao mesmo período de 2012]. Destes, US$ 17 bilhões decorrem do saldo da balança comercial", afirmou Maciel.

Entre janeiro e agosto deste ano, a balança apresentou deficit de US$ 3,8 bilhões contra superavit de US$ 13,1 bilhões registrado no mesmo período de 2012.

O BC estima agora que haverá saldo positivo no fim do ano de US$ 2 bilhões, frente a estimativa anterior de US$ 7 bilhões. A previsão, porém, ainda encontra divergência no mercado. A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) projeta deficit de US$ 2 bilhões para 2013.

O rombo nas contas externas foi impacto ainda pela conta de serviços, que contabiliza, por exemplo, as despesas dos brasileiros no exterior. Ela apresentou em agosto deficit de US$ 4,2 bilhões, 41,6% acima do verificado no mesmo mês de 2012.

Segundo o BC, o deficit nas contas externas é natural para um país como o Brasil, que precisa de investimentos.

"É sempre bom relembrar que deficit em transações correntes é característica de países emergentes, representa absorção de poupança externa e contribui para investimento. Nesse ponto, esse deficit é positivo. O Brasil se enquadra nessa característica, precisa de investimento", afirmou Maciel.


DÍVIDA EXTERNA

No mês passado, a dívida externa brasileira chegou a US$ 311,5 bilhões, redução de US$ 6,6 bilhões frente a julho deste ano.

O estoque líquido de reservas internacionais do país teve decréscimo de US$ 854 milhões em agosto em relação ao mês anterior, chegando a US$ 372,8 bilhões.
 
Folha