"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 25, 2013

NO LIXO ! ANEXO AVULSO DA CARTILHA DO DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E FALSÁRIOS : O emprego em risco

O mercado de trabalho, infelizmente, começou a ser afetado pela má gestão da economia por parte do governo Dilma Rousseff. 

A geração de empregos vem perdendo vigor e, a continuar assim, tende a comprometer também a popularidade da presidente. São os trabalhadores sofrendo as consequências da inépcia do partido que diz representá-los.

A criação de empregos caiu 75,7% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foi o pior resultado para o mês desde 2009, quando tanto o Brasil quanto todo o resto do mundo estavam mergulhados em severa recessão. 


 Entre admissões e demissões, foram abertos apenas 29 mil postos de trabalho no mês, de acordo com números do Caged, do Ministério do Trabalho, divulgados na sexta-feira. Em janeiro de 2012, o saldo havia sido de 119 mil vagas e, em janeiro de 2010, chegara ao recorde de 181 mil. Desde então, só piorou, e muito.


O resultado frustrou as expectativas tanto do governo - que apostava na abertura de 100 mil novas vagas no mês - quanto de analistas econômicos. A média para meses de janeiro é de 37 mil novas vagas abertas e, neste ano, o mercado esperava algo em torno de 46 mil novos empregos gerados, de acordo com a Reuters.

Segundo especialistas, o índice de emprego é, habitualmente, um dos últimos a refletir o enfraquecimento da economia. Assim, os dados conhecidos na sexta-feira podem "indicar fraqueza na recuperação da atividade econômica" brasileira, conforme avaliou a agência internacional de notícias.

O governo traçou como meta para 2013 gerar 1,7 milhão de novos postos, o que nem de longe o resultado de janeiro permite chancelar. Para atingir o alvo, a média mensal de geração de empregos até dezembro terá que crescer 40% em comparação com a do ano passado. Difícil.

Setores que até aqui vinham assegurando o dinamismo do mercado de trabalho agora passaram a demitir. É o caso do comércio, que fechou mais de 67 mil postos no mês. Janeiro é época em que tradicionalmente o setor esfria, mas o resultado foi o pior para o mês em 21 anos, ou seja, desde 1992, quando se inicia a série histórica.

O setor de serviços como um todo - que, em 2012, respondeu por 51% das vagas abertas no país - só criou 14,8 mil novos postos no mês. Também houve queda, embora menos numerosa, na agricultura - mas vale ter presente que, nos últimos 12 meses, o setor já fechou cerca de 14 mil empregos. Em 16 unidades da Federação, as demissões superaram as contratações em janeiro.

A situação do mercado de trabalho só não piorou mais porque a indústria surpreendeu e criou 43 mil postos de trabalho em janeiro. Mas as dificuldades do setor secundário da economia para gerar empregos são consideráveis. 

 
Ontem, O Estado de S.Paulo mostrou que os custos do trabalho na indústria subiram 6,6% em 2012, retirando-lhe mais um naco de competitividade.

Uma análise mais detida do mercado de trabalho brasileiro revela que, a despeito do desemprego nas mínimas históricas e do avanço do rendimento real dos ocupados, a economia brasileira limita-se hoje a gerar empregos mal remunerados. 


  "Assim como nos últimos quatro anos, a geração de postos de trabalho [em 2012] foi sustentada por empregos com baixa remuneração, que pagam até dois salários mínimos", informou o Valor Econômico há dez dias. Em todas as demais faixas salariais, o saldo entre admitidos e demitidos foi negativo no ano passado - repetindo o desempenho de 2011.

Na sexta-feira, o IBGE deve confirmar que a economia brasileira cresceu quase nada e o PIB per capita estagnou no ano passado. 


O comportamento recente do mercado de trabalho é a evidência mais saliente de que a condução do país está equivocada e não tem gerado os benefícios que a sociedade espera. 

Fonte: Instituto Teotônio Vilela 
O emprego em risco

"DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E GERENTONA FALSÁRIA(QUEBRA 1,99) : O balanço inflado do PAC


Com a fanfarra de sempre, o governo divulgou mais um balanço triunfal da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), muito mais bem-sucedido como empreendimento imobiliário do que como esforço de modernização e ampliação da infraestrutura econômica e social.

Foram investidos R$ 472,4 bilhões nos dois primeiros anos da nova fase, segundo anunciou em Brasília a ministra do Planejamento, Míriam Belchior.

O valor aplicado corresponde a 47,8% do total previsto para o período 2011-2014. Isso deve indicar, segundo o discurso oficial, um desempenho satisfatório, especialmente porque a soma investida em 2012 foi 31% maior que a do ano anterior.

Não se pode menosprezar esse ponto, embora alguma melhora entre o primeiro e o segundo ano do governo da presidente Dilma Rousseff fosse quase obrigatória. O balanço fica bem menos entusiasmante, no entanto, quando se examinam alguns detalhes do relatório e outros obtidos em fontes diferentes.

Como nos balanços anteriores, o resultado geral foi consideravelmente favorecido pelos valores aplicados na política habitacional. Só os financiamentos para compra de casas e apartamentos absorveram R$ 151,6 bilhões. Isso corresponde a 32,1% - quase um terço - dos R$ 472,4 bilhões investidos no biênio.

Note-se o pormenor:

trata-se de financiamentos, isto é, de liberação de recursos, algo diferente da aplicação direta de verbas na realização de obras ou na compra de equipamentos.

Quando se considera o valor dos empreendimentos concluídos, o peso dos projetos imobiliários se torna ainda mais notável. O dinheiro destinado ao programa Minha Casa, Minha Vida (R$ 188,1 bilhões) equivaleu a 48,9% dos R$ 384,9 bilhões de investimentos concluídos.

Não se pode negar o valor social dos gastos em habitação, nem menosprezar a demanda de mão de obra, materiais e equipamentos gerada pela construção civil. Mas é preciso discriminar:

os grandes entraves ao crescimento brasileiro são de outra natureza e incluem deficiências no sistema de transportes, na geração e na distribuição de energia e no sistema de comunicações.

Basta pensar nos investimentos necessários à ampliação e ao melhoramento de rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos para perceber a diferença entre cuidar da infraestrutura e financiar o acesso à habitação.

Para avançar nos detalhes, é preciso distinguir o PAC orçamentário, financiado diretamente pelo Tesouro, e o PAC dependente das estatais e de outros agentes. A execução da parte prevista no Orçamento-Geral da União continua, como de costume, bem abaixo dos valores autorizados.

O total desembolsado em 2012, de R$ 39,3 bilhões, correspondeu a 69,3% da dotação prevista para o ano, de R$ 56,7 bilhões, de acordo com o relatório.

No ano anterior, os pagamentos efetivos haviam ficado em 69,3%. Dos R$ 39,3 bilhões pagos em 2012, no entanto, só R$ 18 bilhões saíram da verba prevista para o exercício. A maior parte do dinheiro (R$ 21,3 bilhões) foi formada por restos a pagar - também uma tradição na vida financeira do governo central.

Também os investimentos das estatais continuaram de acordo com o padrão bem conhecido nos anos anteriores. As empresas controladas pela União aplicaram nos dois anos R$ 128,9 bilhões, de acordo com o relatório. Também de acordo com o costume, cerca de 90% foram realizados pela Petrobrás, apesar da piora de suas condições financeiras.

As proporções são praticamente as mesmas quando se considera o investimento geral das estatais, dentro e fora do PAC. Em 2011 e 2012 foram investidos, em valores atualizados, R$ 185,2 bilhões, de acordo com números do Ministério do Planejamento coletados pela organização Contas Abertas.

A Petrobrás aplicou R$ 161,4 bilhões, 87% do total.

A empresa é uma grande investidora há muito tempo. Seria obviamente um abuso atribuir aos formuladores do PAC qualquer mérito por esse desempenho. Mas pode-se perfeitamente fazer o contrário e atribuir à intervenção do Palácio do Planalto, normalmente desastrada, a deterioração das finanças da empresa.

Sem isso, a Petrobrás poderia investir muito mais e com muito mais eficiência. 


Estadão 

E NO brasil maravilha DA GERENTONAFALSÁRIA(QUEBRA 1,99) ALÉM DA FALTA DE VERGONHA NA "FUÇA" TEM A FALTA DE CRECHES.

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A oferta imediata de vagas em creches públicas, em número suficiente para atender toda a demanda, é uma obrigação constitucional. Está na Emenda número 59, de 2009. Mas a lei, ora a lei, muitas vezes só existe para lembrar que a incompetência administrativa supera com sobras a chamada "vontade do legislador". 

Agora se chegou ao cúmulo de matricular crianças em creches que nem sequer existem, como acontece no Município de São Paulo. Tal situação vem culminar um descalabro que não conhece fronteiras - no País todo, em todos os níveis administrativos, é patente o descaso com os pais de famílias pobres que não têm com quem deixar seus filhos pequenos quando saem para trabalhar.

Todo ano de eleição, o fenômeno se repete religiosamente: 
candidatos acotovelam-se em palanques prometendo uma profusão de creches, pois sabem que se trata de uma necessidade urgente. 

Uma vez eleita, porém, essa turma se esmera em desculpas esfarrapadas para deixar a promessa em algum canto empoeirado de seu gabinete, enquanto obras de importância questionável, como os estádios da Copa de 2014, erguem-se imponentes e são inauguradas com pompa por orgulhosas autoridades - a presidente Dilma Rousseff incluída.

Foi Dilma, porém, que, na campanha presidencial, jurou que construiria 6.427 creches em quatro anos. Seria necessário, para cumprir essa fabulosa oferta, inaugurar 5 creches por dia. 

Terminados dois anos do mandato, Dilma entregou menos de 10, ao todo.

No final de janeiro, a presidente anunciou a liberação de novas verbas para tentar acelerar a construção de creches, dando um bônus para as vagas destinadas aos filhos de famílias atendidas pelo Bolsa-Família. 

A presidente disse esperar colaboração maior das prefeituras - o governo federal atribui aos prefeitos parte da responsabilidade pelo atraso na construção de unidades, ou porque demoram a apresentar projetos para receber o financiamento ou porque cometem irregularidades diversas.

Nem as mais de 6 mil creches prometidas por Dilma - mesmo que por milagre saltassem do papel para a vida real - dariam conta do déficit atual no País, que está em torno de 20 mil. Isso é resultado de décadas de inépcia. 

Na capital paulista, há quase 4 mil crianças matriculadas em escolas e creches que ainda não foram entregues.

A atual administração, de Fernando Haddad (PT), culpa a gestão anterior, de Gilberto Kassab (PSD), dizendo que ela cortou verbas destinadas à conclusão das obras, atrasando o cronograma, e ainda por cima matriculou crianças de modo irregular. Por meio de assessores, o ex-prefeito disse que teve de aceitar as matrículas para que "o atendimento fosse dimensionado" e que seu sucessor conhecia o cronograma das obras. 

É o tradicional jogo de empurra.

Agora, segundo a Secretaria de Educação, 1.600 crianças matriculadas nas creches que não existem devem aguardar o surgimento de vagas verdadeiras. No caso dos alunos inscritos em pré-escola, as famílias poderão aguardar o fim das obras ou matricular seus filhos em outras unidades - que, naturalmente, ficarão superlotadas.

Somente na cidade de São Paulo, há 94 mil crianças cadastradas à espera de uma vaga em creche, e calcula-se que a demanda real supere 100 mil. Em nível nacional, dados do governo federal indicam que menos de 20% das crianças de até 3 anos estão matriculadas. 

Esse cenário contraria o Plano Nacional de Educação encerrado em 2010, que fixara como meta ampliar essas matrículas para 50% até 2011. Agora, a mesma meta ficou para 2020.

A necessidade de que essa demanda seja atendida o mais rápido possível é óbvia, não só porque é obrigação legal do Estado dar atendimento às famílias pobres com filhos pequenos, mas porque as creches são a primeira etapa da educação básica. 

Ademais, para um país que tem uma mulher na Presidência, já deveria ter ficado clara a importância de permitir que as mães tenham um lugar adequado para deixar os filhos e, assim, possam estudar e trabalhar como todos os outros cidadãos.

O Estado de S. Paulo

DO CACHACEIRO PARLAPATÃO O FILHO...do brasil : "um novo momen­to para a humanidade". HOJE TEMPO DE GERENTONA FALSÁRIA(QUEBRA 1,99) : As usinas estão parando

Soam como zomba­ria as palavras pro­nunciadas há seis anos pelo então pre­sidente Lula, quan­do - ao comentar o memorando de cooperação pa­ra a produção de álcool combus­tível que ele e o presidente ame­ricano George W. Bush acaba­vam de assinar - afirmou que se abria, então, "um novo momen­to para a humanidade".

O ex- presidente dizia que Brasil e Es­tados Unidos, os dois países líderes na produção de biocombustíveis, estimulariam a produção global de etanol, dando assim "uma contribuição inestimável para a geração de renda, para a inclusão social e para a redução da pobreza em muitos países".

A política energética dos governos chefiados pelo PT, primeiro o de Lula e agora o de Dilma Rousseff, agravou os problemas enfrentados pelos produtores de etanol no País e levou a uma crise que, mesmo se enfrentada adequadamente, demorará para ser debelada.
Nos próximos dois ou três anos, 60 das 330 usinas de açú­car e de etanol da região Centro-Sul, que respondem por 90% da cana-de-açúcar processada no País, encerrarão suas operações ou serão vendidas, como mos­trou reportagem do Estado. A previsão é da União da Indús­tria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Por dificuldades financeiras, pe­lo menos dez usinas não proces­sarão a safra 2013/2014.

Desde 2008, quando come­çou a crise mundial, não se anunciou nenhuma decisão de instalação de novas usinas. Quatro unidades devem entrar em operação até 2014, mas seus projetos estavam decidi­dos antes do início da crise. Em compensação, 36 usinas en­traram com pedido de recupe­ração judicial e 40 foram desati­vadas.

Só em 2012, o setor fe­chou 18 mil postos de trabalho.

A dívida das empresas do setor, no final da safra 2013/2014, deverá chegar a R$ 56 bilhões, R$ 4 bilhões mais do que o total apurado no final da safra anterior e pouco abai­xo do faturamento projetado para as usinas do Centro-Sul, de R$ 60 bilhões.

É um quadro totalmente dife­rente daquele anunciado pelo governo, segundo o qual o Bra­sil se tomaria referência e líder mundial na produção de etanol de cana. Para provar isso, o Bra­sil precisou convencer os gran­des países consumidores - os da Europa e os Estados Unidos, sobretudo - de que o etanol de cana-de-açúcar brasileiro era um combustível avançado e de alta produtividade.

O acordo en­tre os governos brasileiro e ame­ricano foi um passo importante na consolidação da imagem do etanol brasileiro. O americano é produzido a partir do milho, e o uso intensivo desse cereal na produção de álcool impulsiona sua cotação internacional.

A crise mundial afetou a capa­cidade financeira das usinas bra­sileiras. Investimentos em no­vas unidades e ampliação das existentes foram suspensos, não foram plantadas as novas áreas necessárias, a produtivida­de caiu e o Brasil perdeu a con­dição de produtor de menor cus­to.

A produção de cana e de ál­cool, que cresceu cerca de 10% ao ano entre 2004 e 2008, dimi­nuiu no ano passado, enquanto a de veículos aumentou 3%.

O congelamento do preço do combustível no mercado inter­no, imposto pelo governo para conter a inflação, resultou em perdas severas para a Petrobrás e tornou o etanol ainda menos competitivo. As usinas adaptadas para isso passaram a produzir mais açúcar, cujo pre­ço internacional é mais com­pensador do que o do etanol.


A política do governo tornou mais grave uma crise que já era difícil para o setor, por causa de problemas financeiros e também da ocorrência de uma seca severa entre 2010 e 2011.

Ironicamente, essa crise se tornou mais grave justamente no momento em que, como o Brasil sempre reivindicou, as usinas brasileiras poderiam es­tar livremente abastecendo o mercado americano, pois, por problemas fiscais, o governo de Washington eliminou o subsí­dio ao etanol de milho e a sobre­taxa sobre o etanol importado.

A correção do preço do com­bustível e o aumento de 20% para 25% do porcentual do eta­nol na gasolina tendem a me­lhorar a situação das usinas. Mas são medidas de curto pra­zo.

O setor carece de seguran­ça para investir, o que depen­de, entre outros fatores, de defi­nição clara do governo sobre o papel do etanol na matriz ener­gética, por exemplo.

As usinas estão parando
O Estado de S. Paulo

É possível resgatar a Petrobrás?



A Petrobrás precisa, com urgência, passar por uma grande reestruturação. As causas da de­terioração já são conhecidas e o problema é que muito se falou e nuito pouco se fez. 

Enquanto isso os números da empresa vão piorando e o horizonte continua de cinza para negro. Quais deci­sões precisam ser tomadas com Urgência?

Em primeiro lugar, o acionis­ta majoritário precisa voltar a respeitar o minoritário. E a pri­meira atitude para mostrar esse respeito seria a nomeação de um novo presidente para o Conselho de Administração da com­panhia.

Ter como presidente desse conselho o ministro da Fa­zenda, seja ele quem for, signifi­ca engessar a administração da empresa, já que os interesses e deveres do ministro são, na maior parte das vezes, conflituo­sos com os da empresa e, princi­palmente, do acionista minoritá­rio.

A atual política de preços da gasolina e do diesel, subordinada à preocupação com o controle da inflação, é o maior exemplo dessa incompatibilidade.

Ainda na questão da alta admnistração da empresa, seria dese­jável a nomeação de uma diretoria executiva pelo critério mais da meritocracia e menos pelo cri­tério político, o que já se nota na atual gestão da presidente Graça Foster. Em vez de interferir nas decisões diárias da empresa, o acionista majoritário deveria dar liberdade de gestão e cobrar pelos resultados, o que não ocor­re atualmente.

Ao contrário, ho­je quem dirige a empresa são a presidente da República, o Mi­nistério da Fazenda, o PT e os partidos da base aliada.

Seria fun­damental o governo estabelecer algum tipo de contrato de gestão com a empresa e, a partir daí, co­brar metas e resultados, arreca­dando impostos e dividendos co­mo acionista majoritário. Com isso, o critério das decisões dei­xaria de ser o político e passaria a ser o da eficiência.

Outro campo a ser atacado é a política de desinvestimento. O desinvestimento deveria come­çar pela venda pura e simples de ativos que não têm nenhuma ex­plicação de racionalidade econô­mica para fazer parte da Petro­brás ou que tenham rentabilida­de incompatível com o porte da empresa. A venda de ativos vem sendo tentada pela empresa, po­rém de forma muita tímida.

Além de vender ativos no exte­rior, como refinarias e mesmo blocos de petróleo, no mercado interno a empresa deveria se des­fazer de ativos que não fazem parte de seu foco de negócio, co­mo a sua participação em distri­buidoras de gás natural, bem co­mo em usinas térmicas ou qual­quer tipo de empresa geradora de energia elétrica.

O negócio da Petrobrás é explorar e produzir petróleo, gás natural e deriva­dos, e não os mercados de distri­buição de gás e de geração de energia elétrica.

Outro caminho para a Petro­brás retomar a sua eficiência e lucratividade seria a criação de uma política de parcerias com outras petroleiras, tanto no exte­rior quanto, principalmente, no mercado interno. 

Se o governo desse a tão sonhada autonomia de gestão, e com isso a empresa pudesse ter uma política de pre­ços de derivados alinhada ao mercado internacional, fariam todo o sentido a venda de algu­ma refinaria e o estabelecimen­to de parcerias em outras, em particular as novas, não com a venezuelana PDVSA, e sim com investidores que realmente aportem capital e tragam expe­riência e conhecimento técnico.

Além de parcerias em refina­rias, seria importante estabele­cer parcerias no segmento de transporte, em dutos de escoa­mento da produção, de transpor­te de gás natural e de derivados e nas plantas de regazeificação. Tanto nas existentes quanto na­quelas a serem construídas.

Uma outra mudança que aju­daria a Petrobrás a reencontrar o caminho da eficiência e da lu­cratividade seria o governo alte­rar o marco regulatório criado em 2010. As principais altera­ções seriam acabar com a obriga­toriedade da Petrobrás de ter um mínimo de 30% dos blocos do pré-sal que venham a ser lei­loados, bem como com a exigên­cia de monopólio na operação desses blocos.

Esses dois pon­tos, colocados no marco regula­tório de 2010, não representam um privilégio para a empresa, e, ao contrário, só penalizam a Pe­trobrás e retardam a produção do pré-sal. Sem falar nas regras retrógradas de conteúdo local, que também só prejudicam a es­tatal e impedem o desenvolvi­mento de uma indústria nacio­nal forte e competitiva.

Com a reestruturação, com os desinvestimentos e com as mu­danças no marco regulatório, es­tariam dadas as condições essen­ciais para que a Petrobrás voltas­se a ser uma das maiores petrolei­ras do mundo.

Pois, tendo uma das maiores e mais promissoras reservas de petróleo do mundo, tendo um quadro de funcioná­rios de alta qualidade e sendo líder em pesquisa e tecnologias de exploração offshore, a empresa possui as condições estruturais para alcançar o total sucesso.

A Petrobrás está diante de duas alternativas distintas. Reencontrar a trajetória da efi­ciência perdida e retomar o ci­clo virtuoso do lucro e do inves­timento ou se transformar num braço político-econômico do governo.

Neste caso, a rentabili­dade e a produção estarão com­prometidas, a exemplo do que aconteceu com a venezuelana PDVSA.

Adriano Pires 

SEM "MARQUETINGUE" E NA MOITA : PETEBRAS DOS FARSANTES E GERENTONA FALSÁRIA(QUEBRA 1,99) : ABANDONA POÇO APÓS ACIDENTE COM SONDA NO AMAZONAS

O principal alerta da natureza sobre os perigos da exploração de petróleo nas áreas de mar re­volto no entorno da foz do Rio Amazonas ocorreu no fim de 2011, quando uma sonda de per­furação a serviço da Petrobrás foi arrastada pela correnteza.

Não houve vítimas, mas os ris­cos à integridade física da tripula­ção, do equipamento e à seguran­ça ambiental de uma região de ecossistema tão importante e particular, levaram a companhia a abandonar o poço em 2012.

O acidente ocorreu durante o processo de perfuração de poço exploratório no bloco BM-FZA-4, em acumulação batizada de Oiapoque, referência à última cidade do território brasileiro antes da Guiana Francesa.

Com o abandono do poço e as dificuldades para cumprir prazos contratuais de atuação no bloco, a Petrobrás solicitou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) pror­rogação do período previsto para o plano exploratório.

O desastre só foi revelado pela Petrobrás em setembro de 2012, na conferência Rio Oil & Gás, no Rio. Na época, o diretor de Explo­ração e Produção, José Formigli Filho, procurou minimizar o episó­dio e limitou-se a dizer que a son­da tinha sofrido forte pressão da correnteza e inclinado, sem ter se soltado da ancoragem.

Poço é abandonado após acidente com sonda no Amazonas
O Estado de S. Paulo

A COMEMORAÇÃO CACHACEIRA DO "DE(s)CENIO" DOS FARSANTES E FALSÁRIOS ERA PARA A : Corrupção - crime ou esperteza?


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Nestes dias em que os políticos do Partido dos Tra­balhadores passa­ram a lamber uns aos outros, em co­memoração pelos dez anos no poder, é o caso de perguntar: além da farra com dinheiro pú­blico, além do fim da corrupção como crime para se converter em ato de esperteza, o que mais eles estão festejando?

Nesses dez anos eles conse­guiram praticamente quebrar a Petrobrás, que era uma das em­presas mais sólidas do mundo; reduzir o desenvolvimento do País a níveis inferiores aos do Paraguai e da Bolívia; fazer cres­cer a inflação, que fora zerada por Fernando Henrique Cardo­so; e aumentar a carga tributária a praticamente 40% do produto interno bruto (PIB).

Em nenhum outro país do mundo a venda de remédios so­fre carga de impostos tão aítaf como no nosso Os bens durá­veis de consumo, afetados pela mesma carga tributária, custam muito mais do que nos outros países. E os preços são tão absur­dos que os brasileiros ficaram viciados em viagens ao exterior apenas para comprar.

Bilhões de dólares de brasilei­ros engordam a economia ame­ricana todos os anos porque os produtos lá vendidos custam muito menos do que aqui, no Brasil. Isso ocorre exatamente no momento em que os petistas aparecem rindo nas fotos. Rin­do de quê? Com certeza eles es­tão rindo de nós e da farra que fizeram nesses dez anos.


Quando Tancredo Neves, com sua habilidade e seu maneirismo, conseguiu eleger-se pre­sidente, arrebatar a Bandeira brasileira das mãos dos milita­res e devolvê-la a todos nós, fi­cou a impressão de que o País teria mais sorte e melhor rumo. Mas com o seu trágico faleci­mento e a posse do biônico José Samey na Presidência da Repú­blica, ficou desmentida a ideia engartosa de que Deus é brasilei­ro. É nada, deve ser suíço.

O lado pior e mais trágico que surgiu nos últimos dez anos foi deixar transparente que é possí­vel cometer na vida pública os mais graves crimes e nada acon­tecerá. Corrupção, peculato, formação de quadrilha e outros hediondos crimes contra a ad­ministração pública foram pra­ticados em grande escala e até agora não se viu um único infra­tor sendo levado para detrás das grades.

Algumas semanas atrás o mundo teve conhecimento do exemplo invejável da Justiça in­glesa, que condenou e determi­nou a imediata prisão de um fi­gurão da política que cometera infração de trânsito, mas para não ter a imagem afetada publi­camente fez sua mulher assu­mir a responsabilidade pela transgressão. Isso foi descober­to somente dez anos depois, mas, mesmo assim, a Justiça in­glesa não perdoou e ele foi direitinho para atrás das grades.

Qualquer pessoa que tenha sentimento de justiça logo per­ceberá como nós estamos a mi­lhares de anos-luz dessa exemplar conduta.

A ausência de punição tem si­do característica marcante em nosso país. Nós últimos tem­pos, porém, a impunidade assu­miu feição muito mais grave, porque os delitos praticados por altos figurões da República continuam à espera de execu­ção da pena. Realmente, ainda que tenham sido condenados pelo Supremo Tribunal Fede­ral, a condenação permanece destituída de eficácia e isso pro­paga a ideia de que poderosos nunca vão para a cadeia. 

Dá para imaginar o que a Justiça inglesa teria feito com José Dirceu, José Genoino, João Pau­lo Cunha e outros aos quais o linguajar policial atribui terem a "mão cabeluda"? Por incrível que pareça, eles talvez apare­çam perante boa parte da popu­lação brasileira como pessoas dotadas de invejável esperteza, porque, afinal, a despeito da "mão cabeluda", continuam por aí, sempre aparecendo e rin­do nas fotos. Julgados e conde­nados, são verdadeiros exem­plos da ineficácia do nosso siste­ma jurisdicional.

A Justiça brasileira, infeliz­mente prisioneira de entraves processuais que herdamos dos romanos, ainda não conseguiu a eficácia e a praticidade da de in­gleses e norte-americanos. Es­tes sabem de sobra que o exem­plo da punição influi na redução da criminalidade muito mais do que qualquer repressão policial.

Os políticos do Partido dos Trabalhadores que comemo­ram os dez anos de governo com certeza não farão nenhu­ma referência ao fato de o Brasil figurar nos índices internacionais de desenvolvimento huma­no em 84 lugar e que continua­mos a ser um dos campeões mundiais de analfabetismo, além de nossa mortalidade in­fantil persistir como problema a ser resolvido.

Com a entrada em vigor do Plano Real, em 1994, pratica­mente zerada a inflação, o di­nheiro passou a valer mais e isso beneficiou, sobretudo, as pes­soas mais pobres, que foram gradativamente inseridas no pro­cesso capitalista de consumo.

Essa melhora, contudo, não foi suficiente para tirar da pobreza alguns milhões de brasileiros, que continuam na linha da miserabilidade e, portanto, é mesmo necessário que recebam atendi­mento do governo, com a distri­buição de recursos.

Essa doação de dinheiro pú­blico, todavia, não poderia ter a feição - lamentavelmente ad­quirida - de subterfúgio políti­co destinado a angariar votos e prestígio eleitoral. Quem doa di­nheiro público deveria ter no próprio gesto de doar a recom­pensa, e não a esperada respos­ta de apoio e votos.

O poeta de origem árabe Khalil Gibran, com lirismo e profun­didade, ensinou: "Há aqueles que doam e não sentem dor ao doar, nem buscam alegria, nem doam pensando em virtude. Eles doam como no longínquo vale o mirto exala sua fragrân­cia no espaço. É através dessas mãos que Deus fala, e é por detrás de seus olhos que Deus sor­ri sobre a Terra".

Seria um invejável gesto de grandeza a distribuição de re­cursos públicos aos mais sofri­dos se tal conduta não estivesse marcada por interesses pes­soais, por isso mesmo mesqui­nhos, de feição eleitoral. Quem doa buscando o reconhecimen­to talvez não perceba que essas dádivas se tornam corruptas.

Aloísio de Toledo César O Estado de S. Paulo