"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 20, 2013

PARA REGISTRO ! UM VÍDEO :"FORA PT LEVA A FALSÁRIA 1,99 COM VOCÊ" E O QUE SÃO OS 0,20

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siegmar :
O ministro Gilberto Carvalho, após reunião de governo, deu entrevista dizendo que não entende as razões das manifestações de protesto de ontem.
O Jô Soares mais tarde se encarregou de explicar centavo por centavo as razões do surto da Galera. Será que agora perceberão !!!
JÔ Explica….
Pra quem não entendeu ainda: 
os vinte centavos, um por um:


00,01 – a corrupção
00,02 – a impunidade
00,03 – a violência urbana
00,04 – a ameaça da volta da inflação
00,05 – a quantidade de impostos que pagamos sem ter nada em troca
00,06 – o baixo salário dos professores e médicos do estado
00,07 – o alto salário dos políticos
00,08 – a falta de uma oposição ao governo
00,09 – a falta de vergonha na cara dos governantes
00,10 – as nossas escolas e a falta de educação
00,11 – os nossos hospitais e a falta de um sistema de saúde digno
00,12 – as nossas estradas e a ineficiência do transporte público
00,13 – a prática da troca de votos por cargos públicos nos centros de poder que causa distorções
00,14 – a troca de votos da população menos esclarecida por pequenas melhorias públicas (pagas com dinheiro público) que coloca sempre os mesmos nomes no poder
00,15 – políticos condenados pela justiça ainda na ativa
00,16 – os mensaleiros terem sido julgados, condenados e ainda estarem livres
00,17 – partidos que parecem quadrilhas
00,18 – o preço dos estádios para a copa do mundo, o superfaturamento e a má qualidade das obras públicas
00,19 – a mídia tendenciosa e vendida
00,20 –
a percepção que não somos representados pelos nossos governantes

Se precisarem tenho outros vinte centavos aqui, é só pedir.

Jô Soares

Hora de mudar



Se foi mesmo sincera quando, ao elogiar as manifestações e suas reivindicações por mudanças, garantiu que fará essas mudanças, a presidente Dilma tem de começar a mudar o diagnóstico e o tratamento que vinha dando à inflação.

Embora não se saiba onde e como vão desembocar, os protestos começaram com a revolta com o reajuste de R$ 0,20 nas tarifas da condução cobradas em São Paulo.

Ora, o problema não é o reajuste, ontem revogado. É a inflação, que exigiuo reajuste. Ela vem corroendo o poder aquisitivo e em algum lugar do bolso do consumidor teve mesmo de começar a pressionar.

Um eventual recuo dos administradores na cobrança desse reajuste, como já aconteceu em São Paulo e em outras sete capitais, não resolve o problema central. Vai continuar faltando salário antes de chegar o fim do mês.

Até agora, o governo Dilma fez uma avaliação arrogante da inflação. Ignorou sua importância e seus estragos. Atribuiu o problema a causas externas (choques de oferta produzidos pelas secas nos Estados Unidos em 2012) ou a fenômenos temporários internos. A partir desse diagnóstico, não havia o que fazer. Era esperar pelo refluxo espontâneo da inflação. Durante meses, o Banco Central fez o mesmo jogo. Mas, desde abril, passou a admitir que a inflação tem causas internas relevantes. Entre elas, os gastos excessivos do setor público (política fiscal expansionista), consumo acima da capacidade de oferta da economia e mercado de trabalho excessivamente aquecido, que vinha proporcionando pagamento de salários acima da expansão da produtividade do trabalho.

Traído no compromisso quebrado pelo governo de manter uma política orçamentária responsável, a partir de abril o Banco Central se sentiu liberado para acionar sua política monetária (alta dos juros) até então teimosamente mantida a serviço do arranjo voluntarista de política econômica que vemproduzindo as conhecidas distorções. Já se vê que uma política de juros mais restritiva desacompanhada de uma política fiscal responsável pode pouco contra a inflação.

Depois de muita vacilação e uma tentativa de sacramentar a adoção de uma política fiscal que denominou de anticíclica (que implica mais despesas agora), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que entregará ao fínal deste ano um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) correspondente a 2,3% do PIB. Mas ninguém sabe, provavelmente nem ele, como conseguirá esse resultado nem se será suficiente.

A percepção geral é a de que a política fiscal do governo Dilma é uma bagunça. E este é um fator adicional que tira a credibilidade da política econômica e trabalha contra a virada.

A inflação sofre agora os ataques de outro fator: o da disparada das cotações do dólar no câmbio interno. É o que vai encarecer ainda mais os produtos importados e as dívidas em moeda estrangeira, numa proporção incerta, j mas que provavelmente não será inferior a 0,5 ponto porcentual de inflação ao ano para cada alta de 10% na cotação do dólar.

Enfim, falta saber o que mudará na condução da política econômica do governo Dilma. E se de fato mudará.

Celso Ming O Estado de S. Paulo

AINDA NO brasil maravilha "BALA NA AGULHA" : Aumenta cheque sem fundo


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0 número de cheques devolvidos em todo o país cresceu em maio, segundo pesquisa da Serasa Experian divulgada ontem.

0 percentual avançou 2,15%, superior aos 2,09% registrados no mês anterior, porém abaixo dos 2,20% observados no mesmo período de 2012.

No acumulado do ano, a quantidade de cheques sem fundo aumentou 2,1%, contra 2,08% nos primeiros cinco meses do ano passado.
Os economistas da Serasa Experian creditam a elevação às compras do Dia das Mães, ao endividamento do consumidor e ao comprometimento da renda com prestações.

Agência Brasil

E NO brasil maravilha : DEPOIS DO 100/200/300% PREPARADO - A VOLTA DO BUFÃO ! "Temos bala na agulha"(???) OU "TIRO PELA CULATRA"?


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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu ontem que o governo tem munição de sobra para segurar a instabilidade dos mercados e a disparada do dólar.


"Temos bala na agulha para fazer isso. Temos reservas como nunca tivemos antes. Temos muitos dólares em carteira", disse o ministro. 

 
Para poupar as reservas em moeda estrangeira, hoje em cerca de US$ 376 bilhões, e incentivar a entrada de mais dólares no país, o governo reduziu a alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações de estrangeiros no mercado de renda fixa e dos derivativos.

O BC também vem realizando leilões de swap cambial tradicional para segurar a alta da moeda norte-americana. No entanto, esses mecanismos não estão mais surtindo efeito. Ontem, a divisa dos Estados Unidos rompeu a barreira de R$ 2,20, muito acima do patamar em que vinha sendo negociada.

"O câmbio andou na esteira de projeções do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, que indica a possibilidade de uma reversão mais rápida da política monetária dos Estados Unidos", disse o economista-chefe do BES Investimento do Brasil, Jankiel Santos.


"O discurso de Ben Bernanke ontem confirmou essa percepção. Ele sinalizou que a compra de ativos será atenuada a partir do fim do ano e encerrada até meados de 2014. Embora tenha indicado que a taxa de juros permanecerá baixa por bastante tempo, o mercado já sabe, agora, que a direção dos juros nos EUA será apenas para cima", completou.

Enigmático
Mantega, entretanto, evitou comentar as medidas do Fed.
Segundo ele, os técnicos do ministério estão analisando a manifestação do banco central americano. "Ainda não está claro o que eles realmente quiseram dizer. Os mercados já estão reagindo, não sei se adequadamente. Temos de esperar pelo menos 24 horas para saber se ele confirmou a diminuição dos estímulos monetários", afirmou o ministro. 

  
Acrescentando que "ainda está um pouco obscuro em que medida e em que velocidade isso vai acontecer". Na avaliação de Mantega, o Fed "é enigmático" e, por conta disso, ele não consegue ainda vislumbrar o "horizonte".

O ministro acredita que a oscilação nos mercados é passageira e que o governo está preparado para agir contra uma valorização acentuada do dólar. 

 
"A situação está sob controle e, portanto, é uma instabilidade passageira", afirmou. Para ele, a alta da divisa norte-americana "deve amainar-se em algum momento", porque os "mercados se reposicionam".
Correio Braziliense

Broncas sem saída




A gerente de uma pequena farmácia do bairro de Pinheiros, em São Paulo, me conta, animada, que fechara a loja na última terça, às 21 horas, e fora direto para a manifestação na Avenida Paulista.

Protestar contra o quê? - pergunto, sabendo que ela tem carro.

E ela:
"Bom, contra tudo, né? A gente trabalha tanto e não tem dinheiro para passear, aproveitar a vida."

Uma reclamação rara, valia a pena especular.
A moça elaborou mais um pouco.
"A gente paga IPTU, tanto imposto, e o governo fica dando dinheiro para quem não trabalha. Dar emprego, tudo bem, mas dar bolsa não é justo, o senhor não acha?"

Resumindo a bronca: muito trabalho, salário suficiente para viver, mas não para aproveitar a vida; o governo toma muito imposto e não devolve serviços justos para quem trabalha tanto.

Tarifas de ônibus, trens e metrô cabem aí.
O passageiro paga caro por um serviço ineficiente e desconfortável.

Generalizando, o governo é caro, mas não presta.
Pelo e-mail da CBN, um ouvinte de Petrópolis conta que foi ontem à Secretaria municipal de Saúde tirar a carteira para atendimento no SUS. Não deu, o sistema estava fora do ar.

Na fila, comentaram que estava assim havia quatro dias.
Cidadão zeloso, nosso ouvinte ligou para o 136, ouvidoria do SUS, onde obteve a informação de que... o sistema estava fora do ar.

Na pesquisa CNI-Ibope divulgada ontem, a área de saúde apareceu, junto com segurança, como a de pior avaliação:
66% dos entrevistados desaprovam os serviços.

Esse resultado negativo tem se repetido e vale para os três níveis de governo (municipal, estadual e federal) já que todos têm alguma coisa a fazer nesse setor.

Entende-se por que os protestos parecem, digamos, genéricos.
É difícil mesmo para o cidadão saber que o posto é municipal ou estadual, mas o remédio é federal.

Pedro Herz, dono da Livraria Cultura, um intelectual sempre interessado em entender a cena brasileira, costuma perguntar a todo mundo que encontra:
"Me diga o que você acha que funciona no Brasil."

As três respostas mais citadas, amplamente dominantes:
o sistema de apuração de eleição, as campanhas de vacinação e a Receita Federal. Elaborando aqui e ali, o pessoal aprecia a rapidez da apuração, mas não os políticos eleitos.

Com as vacinações, tudo bem.
Já quanto à Receita, seria uma admiração ao revés -como os caras sabem cobrar!

E assim voltamos ao ponto de partida:
o governo cobra caro, sabe cobrar, e não entrega.
Trata-se de um sentimento, um mal-estar que, entretanto, não resulta em propostas políticas determinadas.

É curioso.
Bronca generalizada com o governo e com os impostos - bem, isso parece uma atitude liberal.
Lembram-se?
Governo não é a solução, é o problema, repetia Ronald Reagan.

Mas, por aqui, muita gente que reclama do governo pede mais governo. Por exemplo: as reivindicações para a estatização completa dos transportes públicos, de modo a eliminar o "lucro predatório" das empresas privadas que operam o setor.

Não faz sentido. Se as prefeituras e os governos estaduais não conseguem gerenciar nem fiscalizar, como conseguiriam fazer isso e ainda operar todo o sistema? Tanto é assim que governadores e prefeitos das maiores cidades têm deixado o tema de lado.

Eles sabem que não teriam dinheiro nem capacidade de assumir todo o transporte público.

O governo Dilma, ainda que constrangido, também admite essas dificuldades do setor público. Tanto que está aplicando um programa de privatização de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Mas é uma espécie de privatização envergonhada, com muitas restrições à atuação das empresas privadas.
Isso resulta de uma ideologia de esquerda bastante disseminada no país, mas também de uma prática velha, fisiológica, dos políticos que vivem de ocupar espaço nos governos para atender não o povo, mas a seus interesses e aos de seus correligionários.

Caímos, assim, nesse impasse:
o pessoal tem bronca do governo e, por falta de outra proposta, acaba achando que a solução está no governo.

Fica difícil. Como pedir menos impostos - e todo mundo pede isso - e mais serviços oferecidos pelo governo?

Já os governantes, pressionados pelas manifestações, dizem que não têm dinheiro para fazer o que pedem.
De certo modo, é verdade:
as demandas são infinitas.

Mas a principal política do governante é exatamente escolher as prioridades, decidir onde e com quem vai gastar o dinheiro público.

É nisso que falha nosso sistema político.
Não aparecem as diferenças de orientação programática.
Por isso os governos ficam parecidos, e tão parecidos que as pessoas reclamam "contra tudo".

A questão política nacional é:
como sair da bronca para uma doutrina e respectiva ação que consertem as coisas?

Carlos Alberto Sardenberg O Globo