"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 30, 2014

ENQUANTO ISSO COM A COMPETENTA MAIS PREPARADA DO CACHACEIRO ABJETO. O BRASIL REAL VAI DE MAL A PIOR : NO SEMESTRE O PIOR SUPERAVIT DESDE 2000. NA CNI A DESAVERGONHADA DISSE QUE ESTÁ TUDO BEM.



O governo central (formado pelas contas do Tesouro, do Banco Central e da Previdência Social) registrou déficit primário de 1,95 bilhão de reais em junho, o pior resultado para junho desde o início da série histórica, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira. Nos seis primeiros meses do ano, a economia feita para o pagamento de juros acumula saldo positivo de 17,24 bilhões de reais, metade do valor visto em igual período do ano passado e também o pior resultado para o período desde o ano 2000.

O resultado fiscal é a diferença entre os gastos e receitas do governo central. Quando as receitas superam as despesas, há o superávit primário, usado para arcar com os juros da dívida. Contudo, esse é o segundo mês consecutivo em que as contas ficam no vermelho. A deterioração das contas públicas tem sido motivo de apreensão tanto no governo quanto para investidores. O resultado de 2014 é, inclusive, pior do que o verificado em 2008 e 2009, anos de crise, em que a arrecadação foi penalizada e o governo teve de financiar políticas anticíclicas para amenizar os efeitos da crise financeira internacional.

O resultado negativo foi impactado, sobretudo, pelo resultado da Previdência Social, que apresentou, no mês passado, déficit de 4,508 bilhões de reais — alta de 16,2% em relação a maio. O impacto positivo foi o recebimento de 1,48 bilhão de reais em dividendos de estatais, muito acima dos 780 milhões de reais vistos em maio.

Em junho, as receitas líquidas do governo central somaram 78,46 bilhões de reais, quase 15% a mais frente a maio. No acumulado do semestre, somam 491,2 bilhões de reais, o que representa alta de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as despesas somaram 80,41 bilhões de reais em junho, com alta de 2% em comparação ao mês anterior. Nos seis primeiros meses do ano, elas somam 473,96 bilhões de reais, alta de 10,6% em relação ao ano passado.

O resultado ruim mostra que as contas públicas seguem influenciadas pela economia fraca, o que tem levado o governo a recorrer às receitas extraordinárias para tentar fechar suas contas. Neste ano, a projeção é de que elas somarão 31,6 bilhões de reais. Também têm pesado as fortes desonerações tributárias que, no semestre passado, somaram cerca de 51 bilhões de reais, quase 45% a mais do que em igual período de 2013.

Em 2014, a meta de superávit primário do setor público consolidado (a soma das contas do governo central, Estados, municípios e estatais) é de 99 bilhões de reais, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Veja.com

SANTANDER : ¡Que venga el toro!

Antes de tudo, um alerta: 
para quem não sabe, fui economista-chefe do Santander entre 2008 e 2011, demitido após discussão pública com o então presidente da Petrobras. Digo isso porque quero hoje tratar do imbróglio que envolveu o banco na semana passada, quando foi publicada análise relacionando o desempenho da presidente nas pesquisas eleitorais ao comportamento da Bolsa, do dólar e de outros ativos.

A análise nada trouxe de controverso. 
Aqui mesmo na Folha, no dia 19, lia-se na página B3: "Bolsa chega ao maior nível em 16 meses", notando que "as ações de empresas estatais dispararam na BM&FBovespa e impulsionaram o principal índice da Bolsa brasileira nesta sexta-feira (18), após pesquisa Datafolha ter apresentado empate técnico entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB)". Acrescentou ainda que, "desde que começaram a ser divulgadas pesquisas apontando perda de espaço da presidente (...), o mercado de ações nacional, que caía e acentuava queda (...), mudou de tendência".

O governo e o partido podem não concordar com a avaliação do mercado, mas, conforme descrito pelo jornal, trata-se de um fato: para bem ou para mal, a percepção é que uma mudança de orientação de política econômica terá efeitos positivos sobre as empresas brasileiras, em particular as sujeitas a controle acionário governamental.

E é bom notar que o tal mercado pode ter as preferências ideológicas que quiser, mas, na hora de comprar ou vender uma ação, o que menos interessa é ideologia; é sempre a perspectiva de lucro que move esses agentes. Posto de outra forma, ninguém rasga dinheiro em nome de suas convicções políticas.

O texto do banco, enviado a correntistas com renda mensal superior a R$ 10 mil, supostamente mais propensos a operar no mercado financeiro, nada mais fez do que compartilhar esses fatos, e por um motivo muito claro. Bancos têm um dever fiduciário com seus clientes: não podem omitir ou distorcer informações relevantes para sua tomada de decisão.

Em particular, a opinião das áreas de pesquisa deve refletir exatamente esse tipo de preocupação. Analistas não estão certos o tempo todo, mas é claro que suas conclusões não devem ser guiadas pelos interesses da instituição financeira. Não por acaso as regras buscam (nem sempre com sucesso, diga-se) isolar a pesquisa econômica das posições próprias do banco e mesmo de áreas que gerenciam as aplicações de clientes (fundos de investimento), precaução devidamente apelidada de "muralha da China".

Nesse sentido, a decisão de demitir os analistas que expuseram, mais que uma opinião, um fato representa uma violação desse procedimento. A alegação de que a análise conteria "viés político ou partidário" não se sustenta diante da própria diretriz interna que "estabelece que toda e qualquer análise econômica enviada aos clientes restrinja-se à discussão de variáveis que possam afetar a vida financeira dos correntistas". Não há, como se viu, a menor dúvida de que as perspectivas acerca da eleição presidencial são mais que relevantes para afetar a vida financeira dos clientes.

A consequência desse comportamento é óbvia 
(e aqui falo em termos gerais, não do banco em si).

Se a autonomia da pesquisa é ameaçada, a credibilidade da análise fica comprometida, a despeito das qualidades do analista. Quem, de agora em diante, pode confiar em relatórios se não sabemos a que tipo de filtros estes se encontram sujeitos?

O maior perdedor é o debate econômico, ainda mais numa conjuntura em que –em face de desafios nada triviais no futuro próximo– ninguém se aventura a discutir a sério o que precisa ser feito para colocar a economia brasileira de volta nos eixos. Se até o óbvio, amplamente noticiado (ainda bem!) pela imprensa, vira objeto de censura, pouco falta para que fujamos da controvérsia como quem tem um miúra nos calcanhares.
Alexandre Schwartsman
Folha

ENQUANTO ISSO NO brasil maravilha DOS VELHACOS E COMPETENTA 1,99 MAIS PREPARADA... Política de subsídios não rende benefícios esperados


Um país com dimensões continentais, com um agronegócio em franca ascensão, precisa de fato dar mais atenção à aviação regional. Para isso, são necessários investimentos na infraestrutura aeroportuária e estímulos para que companhias aéreas constituam frotas apropriadas ao atendimento das rotas que aproximem a cidades do interior dos grandes centros.

O governo federal acaba de baixar uma medida provisória (de número 652) com esse intuito, mas o programa já nasce com distorções. É que cem rotas existentes, muitas das quais rentáveis, também serão alvo do programa, e, nesse caso, o governo deverá subsidiar quem não precisa.

Incentivos fiscais e proteção temporária a setores nascentes são políticas admitidas nos acordos internacionais de livre comércio. Sem algum tipo de estímulo fiscal, regiões pouco desenvolvidas têm dificuldades de romper barreiras que as separam do progresso.

Mas a questão no Brasil é que os subsídios se tornaram o principal instrumento do governo federal para dar impulso a segmentos ou a empresas sem que os benefícios para o conjunto da sociedade sejam visíveis.


Por pressão da opinião pública e do próprio Congresso, o governo passou a explicitar o custo fiscal de alguns programas. Nessas contas agora aparecem a diferença entre os juros subsidiados de financiamentos do BNDES e os rendimentos dos títulos do Tesouro que lastreiam essas operações. Em face dessa diferença, o governo contraiu enorme dívida com o banco estatal, que já anda na casa das centenas de bilhões.

As chamadas desonerações tributárias também atingiram o patamar de dezenas de bilhões. Setores e empresas foram favorecidas, e nem por isso a indústria como todo e o conjunto da economia se tornaram mais competitivas. Ao contrário, essa política de favorecimentos fez com a dívida bruta do setor público voltasse a crescer, comprometendo um dos fundamentos que vinham servindo de alicerce para recuperação da economia brasileira.

Essa expansão da dívida bruta ampliou a necessidade de maiores superávits primários nas finanças governamentais. Mas essas ficaram debilitadas pelas políticas de desonerações e subsídios, que não redundaram em crescimento da economia e da arrecadação tributária. Tal dificuldade se refletiu nas expectativas dos mercados, antes positivas, e que passaram a ser negativas em relação ao futuro próximo.

Por essa razão, um programa necessário, como o da aviação comercial regional, dá seus primeiros passos cercado de desconfianças. Se tivesse havido um maior empenho em prol de uma reforma tributária mais ampla, talvez essas questões não estivessem mais sendo discutidas.

O Globo

PETEBRAS E SUA Estranha lógica

Quando enfrentam crise, as empresas cortam gastos. Já a Petrobrás caminha por outra lógica. Conforme reportagem do Estado, "os gastos com publicidade da Petrobrás aumentaram 17% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, saltando de R$ 132 milhões em 2013 para R$ 154 milhões nos seis primeiros meses de 2014". Esse aumento se deve aos gastos dos meses de maio e junho, que alcançaram a média de R$ 46 milhões, quando nos três meses anteriores a média havia sido de R$ 15,5 milhões. Simplesmente triplicou.

O aumento coincide com um dos períodos mais críticos da história da estatal. Na mesma época em que triplicou os gastos com publicidade, a Petrobrás anunciava, no dia 9 de maio de 2014, um lucro líquido no primeiro trimestre de R$ 5,393 bilhões, ou uma queda de 30% em relação ao mesmo período de 2013. O resultado era principalmente consequência de dois fatores: uma decisão de negócio - o plano de demissões voluntárias tinha gerado um impacto negativo de R$ 1,6 bilhão - e uma decisão política, não da Petrobrás, mas do governo federal - a defasagem de preços de combustíveis, para "conter" a inflação.

Com essa manobra nos preços, que só favorece a candidata à reeleição presidencial - e aumenta a expectativa de inflação futura -, a estatal perdeu nos três primeiros meses de 2014 o montante de R$ 4,8 bilhões na área de abastecimento. Com o consumo em expansão e uma queda na produção de petróleo - a Petrobrás tem, no governo Dilma, uma queda anual média de 1,5% na produção -, a estatal importa mais combustível, sofrendo com os preços administrados da gasolina e do diesel. A situação vem desde 2011, quando os preços internos se distanciaram dos internacionais.

No entanto, nada disso pareceu à diretoria da companhia suficiente para rever os gastos com publicidade. Ou melhor, reviu-os, triplicando-os. A publicidade da Petrobrás não alivia em nada sua crise. Ao contrário, só a aumenta. Com essa estranha lógica empresarial, a Petrobrás deixa claro que não está fazendo negócios. Está fazendo política eleitoral.

O aumento coincide - e tudo indica ser este o motivo o real - com a instauração de duas CPIs no Congresso para investigar suspeitas de corrupção na estatal. Num dos casos investigados - o superfaturamento e a evasão de divisas na compra da Refinaria de Pasadena -, o Tribunal de Contas da União aprovou por unanimidade um relatório que reconhece um prejuízo de US$ 792,3 milhões para a estatal em razão dessa operação. Noutro caso, onde há indícios de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM a funcionários da Petrobrás, segundo cálculos da própria estatal, a suspensão dos contratos em razão da corrupção pode fazer com que o lucro entre 2014 e 2018 da companhia brasileira se reduza em US$ 15 bilhões.

Em resumo, há motivos de sobra para que o povo brasileiro se convença de que o governo federal, ao longo dos anos em que o PT está no poder, prejudica a estatal. E era necessária muita propaganda para melhorar a imagem da estatal. Ou melhor, do governo federal, fazendo parecer que tudo anda às mil maravilhas com a empresa que já foi tantas vezes motivo de orgulho do povo brasileiro.

 

Como se vê, o Palácio do Planalto e a diretoria da Petrobrás mostram uma tremenda sintonia política. Quando o Planalto precisa, está lá a estatal para bancar publicidade que em nada alivia sua situação financeira, mas ajuda o governo. Essa sintonia eleitoral tem um preço amargo. Pago pela empresa, que vê sua credibilidade ser afetada semanalmente. Pago pelos acionistas da estatal, que se veem como financiadores de um jogo que não é o seu. Pago pela sociedade brasileira, que vê um governo (ou melhor, um partido) abusar da maior empresa estatal para interesses próprios, tão distantes dos reais interesses nacionais.

Talvez seja por tudo isso que as ações da Petrobrás subam sempre que Dilma cai nas pesquisas. Alguém poderia pensar que se trata de um cálculo político. Mas é a simples constatação de uma situação empresarial. A presidente Dilma faz mal à Petrobrás.

O Estado de São Paulo
Estranha lógica 

julho 28, 2014

CASO SANTANDER : 'Não tenho rabo preso. Sou pago para falar o que penso', diz analista de consultoria cerceada pelo PT

Na última sexta-feira, toda a artilharia petista se armou contra o banco Santander depois que um relatório enviado a clientes de alta renda previa mais dificuldades para a economia brasileira se a presidente Dilma Rousseff se reeleger. Temendo represália, o banco enviou nota ao mercado desculpando-se pelo texto da equipe de análise e assegurando que medidas haviam sido tomadas em relação aos responsáveis. 

No mesmo dia, o partido silenciosamente protocolou uma representação contra a consultoria de investimentos Empiricus Research no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A justificativa foi a mesma que a usada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para recriminar o banco Santander na sexta-feira: "terrorismo eleitoral". Ou, de forma mais sofisticada, "fazer manifestações que interfiram na decisão de voto".

Segundo a representação, a Empiricus estaria vinculada ao candidato tucano Aécio Neves, à coligação Muda Brasil e ao Google numa campanha com o intuito de manchar a imagem da presidente Dilma por meio de propaganda paga. A consultoria, conhecida no mercado pela forma dinâmica e descomplicada com que produz suas análises, anunciou alguns de seus textos por meio da ferramenta Google Ads. 

Ao longo do último mês, permaneceram em evidência no Google os anúncios mais clicados por leitores, que eram justamente os textos intitulados: 
Como se proteger de Dilma e E se Aécio ganhar. O ministro Admar Gonzaga, do TSE, acatou o pedido protocolado em nome de Dilma e concedeu liminar impedindo a Empiricus de propagandear suas análises no Google. 

O gigante da internet também foi alvo de representação, assim como o candidato do PSDB e sua coligação. Em entrevista ao site de VEJA, o autor dos textos, Felipe Miranda, afirmou que a medida não intimidará seu trabalho. "O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso", afirma. 

Confira trechos da conversa.
O TSE informou a consultoria sobre a representação do PT?
Não, ainda não recebemos nenhum comunicado oficial. Ficamos sabendo pela internet. Mas a situação é absurda, pois não há campanha eleitoral da nossa parte. Podem não gostar do que escrevemos, mas nos colocar ali é absurdo.

Estão impedidos de produzir análises com foco eleitoral?
Não. Há uma liminar que nos obriga a tirar aqueles textos do ar. Mas não existe a possibilidade de alguém nos proibir de fazer nossas análises críticas, pois aí seria censura explícita. Já seria um ato institucional contra a liberdade de expressão. Além disso, o que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso.

Como o Google distribuiu os anúncios dos textos produzidos pela Empiricus?
Os dois textos são muito claros: tratam de uma tese econômica que não é nova e que mostra que a bolsa cai quando a Dilma sobe nas pesquisas, e sobe quando o Aécio melhora. O objetivo é simples: nossos clientes devem se proteger desses solavancos. Os anúncios dos textos chegam de forma idêntica ao Google, mas, de acordo com a métrica de distribuição desses anúncios, ficam mais expostos os que são mais clicados. Diante disso, podemos escolher tirar do Google Ads os anúncios menos rentáveis. O que não foi o caso dos anúncios sobre as perspectivas econômicas num cenário de vitória da Dilma e do Aécio.

A consultoria sofreu algum tipo de represália fora a representação no TSE?
Tirando esse clima de caça às bruxas, de perseguição, nada foi feito. Há, claro, a militância. Desde a semana passada recebo xingamentos e ameaças de toda a natureza por email e por meio das redes sociais. Nosso site já caiu várias vezes e tentaram invadir nossos emails. 

Desde a repercussão do caso Santander, o mercado está mais amedrontado?
Não posso falar pelo mercado, pois não estou a par. Mas o que é certo é que estão tentando cercear nossa liberdade e nosso dever fiduciário de prover boas dicas. Nós estamos pessimistas em relação à economia e não posso ignorar isso em minhas análises. No caso do Santander, entendo que ficou feio para o banco ter de voltar atrás na opinião de um analista. Mas não me surpreende, pois os grandes bancos não querem romper relações com o governo. Mas nós somos independentes e só temos compromisso com nossos clientes.

Ana Clara Costa
Veja.com

POBRE BRASIL REAL ! HERANÇA MALDITA/CAIXA DE PANDORA/TERRA ARRASADA OU O maior truque do mundo: gastos com previdência.

Eu não estava planejando entrar neste debate, mas não há como deixar de fazer um alerta sobre a forte desaceleração no crescimento dos gastos com previdência até maio deste ano. Coisa que nem Houdini conseguiria fazer!

Como se pode observar pela tabela abaixo, desde 1997, em apenas um ano, 2008, o crescimento da despesa previdenciária foi um pouco abaixo de 10% nos primeiros cinco meses do ano. Em todos os demais, o crescimento foi sempre acima de 10% até mesmo no primeiro ano do governo Dilma, em 2011, quando apesar do crescimento real de “zero” do salario mínimo, a despesa com benefícios previdenciários cresceram nos cinco primeiros meses do ano 10,4%.

Como é possível então que o crescimento da despesa com previdência este ano nos primeiros cinco meses do ano tenha sido de apenas 5,3%, com crescimento real do salário mínimo que foi de 1%, maior portanto que em 2011? Simplesmente não é possível.

Em linguagem simples e direta, o crescimento da despesa com previdência de janeiro a maio deste foi de R$ 7,4 bilhões, de acordo com o Tesouro Nacional, quando deveria ter sido pelo menos o dobro desse valor. 

Como pode? 
Não pode e tem algum truque fiscal aqui.

Primeiro truque, o governo postergou o pagamento de precatórios e sentenças judiciais da previdência para o final do ano. Assim, parte da “desaceleração” da conta de previdência é, na verdade, o adiamento de pagamentos que sempre ocorrem nos meses de abril de todos os anos.

Segundo truque, e aqui o caso é mais sério, é possível que o governo esteja utilizando bancos públicos (a Caixa Econômica Federal, por exemplo) para fazer o pagamento dos benefícios e apenas posteriormente repassando os recursos para a CEF. Não sei se isso ocorreu ou vem ocorrendo, mas, teoricamente, é possível que a despesa previdenciária seja paga por um banco público antes da saída do recurso da Conta Única do Tesouro exatamente na virada do mês. Assim, com uma defasagem de poucos dias, seria possível gerar uma falsa economia na despesa previdenciária.

Você tem provas que isso vem ocorrendo? 
Não tenho, mas desconfio que isso esteja acontecendo e, se estiver, desconfio da legalidade desse tipo de operação. Tenho certeza de uma coisa: É IMPOSSIVEL que a despesa com previdência tenha crescido apenas 5% de janeiro a maio deste ano. 
Vou repetir: IMPOSSÍVEL.

O Valor Econômico de hoje traz uma matéria na qual analistas se esforçam para entender como o gasto da previdência cresceu tão pouco neste ano. Não conseguiram e não vão conseguir porque, se a minha hipótese dois acima estiver correta, não há como conseguir captar isso em nenhum documento público. 
Sim, uma auditoria do TCU poderia esclarecer este mistério.

O que me assusta é que, se o governo chegou a este ponto, e espero estar errado, a situação fiscal já está muito mais grave do que todos nós pensamos. O que seria uma situação fiscal muito mais grave? Seria um superávit primário sem receitas não recorrentes próximo de “zero”. Infelizmente, chegamos a um ponto no qual simplesmente não sabemos a real situação das contas públicas. Isto é um primeiro passo para perdermos o grau de investimento.

Gastos com Previdência de Janeiro a Maio 
– R$ milhões correntes – 1997-2014


Fonte: Tesouro Nacional

julho 24, 2014

BRASIL REAL SEM O MARQUETINGUE DOS CANALHAS : No sinal vermelho, inflação assusta motoristas e ambulantes


A preocupação com a alta dos preços chegou às esquinas das principais ruas e avenidas das grandes cidades brasileiras, onde crianças e adultos sobrevivem no mercado informal, vendendo produtos baratos para os motoristas.

Em São Paulo, onde cerca de 140 mil trabalhadores trabalham na informalidade, vendedores adotam diferentes estratégias para evitar que a inflação prejudique seus negócios. Alguns reduzem a quantidade de produtos nas embalagens, outros trocam de mercadorias e há quem simplifique o pacote para reduzir os custos e não perder a freguesia.

O dia dos marreteiros, como também são conhecidos os vendedores ambulantes, começa nas distribuidoras de doces e outras mercadorias baratas. Em São Paulo, o Bom Baiano, na região da Santa Ifigênia, é um dos principais pontos de abastecimento para ambulantes.

Por volta das 10h da manhã, eles se agrupam na frente da distribuidora enquanto preparam a mercadoria que vão vender em semáforos, ônibus, trens e calçadas. Alguns são frequentadores assíduos, a ponto de ficarem amigos dos funcionários da loja.

"Desde o início do ano temos notado um aumento nos preços, especialmente de uns dois meses para cá", diz o gerente do local, Gilson Barbosa Brito. Ele diz que a inflação já prejudica o movimento de vendedores, que geralmente têm pouco dinheiro dispo

Estratégias.
O ambulante Edson Freitas de Oliveira, conhecido pelos amigos como Biro-Biro, é um dos que utilizam essa estratégia. Com 51 anos de idade e experiência de 40 anos como vendedor de rua, ele conta que cada dia vende um produto diferente, desde que seja o mais barato da distribuidora.

Ele costuma começar os dias na distribuidora Bom Baiano e de lá segue até Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo, vendendo produtos no Metrô, no trem, nos ônibus e nos semáforos. Seu produto mais popular, até recentemente, era o chocolate Suflair, da Nestlé, mas ele diz que desistiu por causa da alta nos preços.

A caixa com 28 unidades de 30g cada, que custava R$ 25 até o ano passado, hoje sai a R$ 30. O vendedor diz que trabalha com margem de lucro de 50% em cada produto que vende, para voltar para casa no fim do dia com pelo menos R$ 80. Com algumas caixas de outro chocolate mais barato na sacola, Oliveira brinca que precisará vender "umas 50 para conseguir cortar o cabelo amanhã".

"Eu era pintor de carros e ganhava cerca de R$ 1,2 mil por mês", conta Biro-Biro. "Hoje faturo em média R$ 1.000, mas não sou escravo de ninguém. Tenho liberdade para fazer meu trabalho como achar melhor".

Para o ambulante, a venda que mais rende é em trens. Em dias bons, em um único vagão já dá pra esvaziar a sacola. "No semáforo, os motoristas acham que nossa mercadoria é ruim, muitos nem abrem o vidro".

Os ambulantes contam que existe uma certa sazonalidade ao longo do dia, ou seja, uma certa preferência por determinados tipos de produtos conforme hora do dia. Pela manhã, os produtos que mais vendem são chicletes e balas. Ao meio-dia, aumenta a procura por água e chocolates. No fim da tarde, bolachinhas, amendoins, batatas chips e outros salgadinhos para os trabalhadores que voltam cansados para casa e precisam enganar a fome.

Os vendedores sabem que é quase impossível lutar contra essa lógica do mercado. "Nem adianta querer vender outras coisas nesses horários que dá prejuízo", explica o ambulante Marco Sérgio Valentim da Silva.

Para sobreviver, Silva conta que precisou desenvolver estratégias alternativas com o objetivo de garantir a clientela. "Está impossível manter os preços de sempre", comenta ele. "Antes eu vendia pacotinhos de bala de goma oferecendo 4 embalagens por R$ 1, depois precisei subir para 5 por R$ 2, e agora o preço subiu tanto que as pessoas nem compram".

Ele desistiu não só das balas de goma como de outros produtos que considera que ficaram muito caros, como os chicletes Trident, o chiclete Suflair e as balas Halls. "Preciso vender uma caixa só para pagar a passagem de ida e volta e o cafezinho no meio do dia", reclama. 

Margem reduzida. 
Outro detalhe que encarece a venda de balas e guloseimas é a forma como são embaladas. Há tempos, os marreteiros adotaram a estratégia de anexar às embalagens mensagens impressas em xerox com o preço e alguma frase promocional. Os pacotes são então pendurados nos retrovisores dos carros nos semáforos e depois o vendedor retorna para recolher o dinheiro dos motoristas que resolvem comprar.

Nos últimos tempos, segundo os ambulantes, essa estratégia também está ficando inviável. Além do custo alto do produto, os ambulantes precisam arcar com o valor do plástico da embalagem, da impressão da mensagem com o preço e grampos. Tudo isso acaba reduzindo a margem de lucro e tornando o negócio inviável.

"O preço das coisas aumentou, e muitas pessoas querem mais comprar produtos por mais de R$ 1", diz ele. "Prejuízo, mesmo, é voltar para casa com esse monte de mercadorias", explica, enquanto corre para o Vale do Anhangabaú, seu ponto de vendas, com três sacolas enormes nas costas. Ele não revela o lucro que obtém por dia. "Deixa eu trabalhar que já está tarde!".

Sinal fechado. 
No cruzamento da Avenida Tiradentes com a Rua João Teodoro, no centro de São Paulo, Raphael Santos Almeida, de 16 anos, corre quando o semáforo fica vermelho. Durante os 56 segundos em que o sinal fecha, ele pendura pacotinhos no retrovisor de 12 carros e volta para pegar o dinheiro dos que compram, ou recuperar a mercadoria. Cada embalagem contém dois pacotes de chicletes Trident com três unidades e balas de goma. O preço, que já foi R$ 1 até o ano passado, agora é R$ 2. Para economizar em materiais, o valor é anotado no próprio plástico com caneta piloto.

Assim que sai da escola, ao meio-dia, Raphael vai do Grajaú, na zona sul da cidade, as vezes acompanhado dos pais, que também são marreteiros. "Compro o que vou vender no dia. Na volta, já pego algumas coisas para o dia seguinte e preparo pacotes para adiantar o trabalho", conta ele. "O bom mesmo é levar para casa todos os dias uns R$ 80".

(...)
Ao lado dele, disputando espaço na Avenida Tiradentes, Silvana Souza da Silva, de 42 anos, e sua filha Aline Cristina Maieru Pina, de 27, oferecem carregadores de celular, guarda-chuvas e brinquedos. As duas vêm todos os dias de Itaquaquecetuba, cidade a 42 quilômetros de São Paulo. Eles dizem que pararam de vender chocolates por causa do aumento de preços e gora vendem garrafas de água.

"Os preços estão muito altos e é só chegar o inverno que fica tudo mais caro ainda", afirma Silvana. Para compensar a perda de mercado, elas contam que mudam a oferta. "Além do lucro, precisamos tirar o dinheiro das duas conduções que usamos para ida e volta e também para o lanche", explica Silvana. "As vezes nem dá para almoçar".

Vivian Codogno - O Estado de S. Paulo

COM A "COMPETENTA" DESAVERGONHADA FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA E A MAIS "PREPARADA" DO CACHACEIRO : NA FALTA DE COMPETÊNCIA, Haja "criatividade"

A presidente Dilma Rousseff completará quatro anos de mandato com um vergonhoso balanço econômico, se estiverem certas as novas projeções do Ministério do Planejamento: inflação acumulada de 26,78% e crescimento de apenas 8,23%. A inflação média terá superado 6% ao ano e o avanço anual da produção terá ficado em miseráveis 2,05%. O crescimento de 1,8% estimado para o PIB neste ano será um dos mais baixos do mundo e o segundo pior dos últimos quatro anos no Brasil (em 2012 ficou em 1%).

Até as economias mais abaladas pela crise entraram em recuperação nos últimos anos, algumas com muita dificuldade. Nenhuma delas, ao contrário da brasileira, retrocedeu. Mas o resultado efetivo para o Brasil poderá ser pior. Economistas do mercado financeiro baixaram para 0,97% a expansão esperada para 2014. A previsão do Banco Central (BC) já caiu para 1,6%, em seu último relatório trimestral sobre a economia.

Os efeitos da fraqueza econômica são evidentes, há meses, na evolução da receita federal. Em junho, a arrecadação total, de R$ 91,39 bilhões, foi apenas 0,13% maior que a de um ano antes, descontada a inflação. No semestre, o governo arrecadou R$ 578,59 bilhões, 0,28% mais que entre janeiro e junho de 2013. O aumento real, quando se comparam os dados mensais deste ano e do anterior, tem sido cada vez menor, desde março. Isso se explica principalmente pelo baixo nível de atividade e pela deterioração do poder de consumo.
Fechados os números do mês passado, o Ministério do Planejamento pôde realizar a terceira avaliação bimestral de receitas e despesas federais e refazer as estimativas orçamentárias para o ano. As novas projeções de crescimento econômico e de inflação foram usadas como base para o novo panorama fiscal. Com base nessa revisão, o governo decidiu manter os limites de empenho e de gastos fixados na avaliação do segundo bimestre. Se a previsão de aumento do PIB fosse menos otimista, as autoridades teriam de programar despesas menores para a segunda metade do ano - uma perspectiva muito ruim para um governo gastador, especialmente quando a presidente se empenha em ser reeleita.

Mas esse risco foi afastado, por enquanto. A nova estimativa de receita líquida, depois das transferências a Estados e municípios, apontou, segundo um relatório, acréscimo de R$ 714,5 milhões. Por extraordinária coincidência, esse é o valor do aumento previsto para as despesas primárias de execução obrigatória. As despesas primárias são calculadas sem os juros e amortizações da dívida pública.
Há pontos misteriosos na nova revisão orçamentária. Um deles é o aumento de R$ 3 bilhões na receita estimada para o Refis, o programa especial de parcelamento de dívidas tributárias. A estimativa inicial, divulgada há meses, apontava arrecadação de R$ 12,5 bilhões. Com as últimas inovações no programa, divulgadas há poucas semanas, a arrecadação prevista subiu para R$ 15 bilhões. Com o relatório bimestral houve nova mudança: o valor subiu para R$ 18 bilhões.

O documento menciona, entre as receitas extraordinárias, o pagamento de R$ 2 bilhões pela Petrobrás, valor que corresponde ao bônus de concessão direta - sem licitação - de quatro áreas do pré-sal.

As projeções incluem R$ 27,02 bilhões de receitas extraordinárias. Não há referência, pelo menos explícita, à previsão de dividendos pagos pelas estatais. Esses dividendos, juntamente com a receita do Refis e os bônus de concessões de infraestrutura, têm sido importantes para a formação do superávit primário, o dinheiro separado anualmente para o serviço da dívida pública.

Neste ano está programado um resultado primário de cerca de R$ 80 bilhões para o governo central. Esse resultado parece agora muito difícil. A estimativa de crescimento real de arrecadação já foi reduzida de 3% para 2%. No primeiro semestre, o aumento da receita em relação a um ano antes, de 0,28%, ficou muito longe da meta. Para fechar as contas, o governo provavelmente precisará de mais criatividade contábil que nos anos anteriores.

O ESTADO DE S.PAULO
Haja criatividade

ENQUANTO ISSO ... brasil maravilha DOS VELHACOS : IDH - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento mostra que País ocupa 79º lugar entre 187 nações

O Brasil subiu uma colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2013. O relatório, divulgado nesta quinta-feira, 24, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mostra o País em 79º lugar entre 187 nações. Com essa classificação, o Brasil continua sendo considerado como país de alto desenvolvimento humano.

Especialistas da ONU dizem que o avanço discreto do Brasil no ranking se deve à crise financeira internacional que começou em 2008, à desigualdade de renda e ao crescimento acelerado de países que só agora começaram a criar políticas de combate à extrema pobreza, como Ruanda. Além do Brasil, apenas 37 países alcançaram uma colocação melhor que no ano passado. No geral, o ranking do PNUD retrata um período de pouca mudança: 114 nações mantiveram posições conquistadas em 2012 e outras 35 tiveram desempenho pior.

O pequeno crescimento obtido pelo País, no entanto, se perde quando se faz uma análise de um período maior. O relatório mostra que no período entre 2008 e 2013 - período da crise financeira internacional -, o País caiu quatro posições. Dentre os países do BRICS, Brasil é o único que apresenta a queda. No mesmo período, a África do Sul subiu duas posições; Índia avançou uma, a Rússia manteve a colocação. Do grupo, a China foi a que mais cresceu, de acordo com o relatório: 10 posições.
"
Não mergulhamos para saber o que fez o Brasil ter um desempenho pior dentro dos países do BRICs", reconheceu a coordenadora do Atlas do Desenvolvimento Humano Brasileiro, Andrea Bolzon. Coincidência ou não, a partir de 2008 o Brasil só teve um crescimento melhor do que o apresentado pela Rússia no grupo dos BRICs. O relatório destaca apenas que a Rússia apresenta uma educação menos desigual. Para Andrea, o que mais torna mais lento o avanço do Brasil no índice é a desigualdade na renda.
Três quesitos.
Desenvolvido há 24 anos pelo PNUD, o índice tem uma escala de 0 a 1. Quanto mais próxima de um, melhor a situação do país. O Brasil alcançou índice 0,744. Noruega, a primeira colocada, 0,944. O pior indicador foi do Níger: 0,337. As notas são dadas a partir da avaliação de três quesitos: 
saúde, educação e rendimento.

Para o coordenador do sistema das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, o fato de o Brasil ocupar apenas a 79° posição no ranking, atrás dos vizinhos Chile (41°), Argentina (49°), Uruguai (50°) e Venezuela (67°) é resultado de problemas históricos. "O passivo é enorme. Não podemos esquecer que o Brasil apresentou melhoras consistentes nos últimos 30 anos", justificou. "Em 1980, a média de tempo de escola do brasileiro era a de 2,6 anos e a expectativa de vida, de 62,7 anos", completou.

Educação. 
O que garantiu ao Brasil avançar um pouco a colocação no ranking , avaliou Chediek, foi a educação e, sobretudo, a mudança na metodologia usada para fazer o cálculo dos indicadores. A partir de agora, a expectativa de anos estudados - uma espécie de expectativa de vida escolar - tem peso semelhante a outro indicador, a de anos estudados. A alteração é uma antiga reivindicação de países, sobretudo o Brasil, que reclamavam que o indicador estampava condições ofertadas para alunos no passado e não condições atuais.

O relatório deste ano mostra que uma criança no Brasil tem expectativa de estudar 15,2 anos, a melhor entre os países do BRICs. Rússia, a segunda colocada nesse quesito entre o grupo, traz uma expectativa de anos escolar de 14 anos. O Brasil perde, no entanto, na comparação com vizinhos Argentina e Uruguai. A esperança é a de que as crianças argentinas que iniciam agora os estudos terminem o ciclo dentro de 16,4 anos e as uruguaias, 15,5 anos. O melhor desempenho entre os países analisados é o da Austrália. Crianças australianas têm expectativa de estudar 19,9 anos.

LÍGIA FORMENTI E LEONENCIO NOSSA - O ESTADO DE S. PAULO

julho 23, 2014

ATIVISTAS? EU DIGO : VAGABUNDAGEM. Os nossos 'presos políticos'.

O fenômeno do "ativismo" ora em curso no País atingiu de vez o nível do delírio. Convictos de que estão acima das leis e de que o Estado é, por definição, um ente inimigo, os chamados ativistas, também conhecidos como militantes, se dedicam dia após dia a atormentar os cidadãos comuns nas grandes cidades, sob o argumento de que a democracia lhes faculta o direito de bloquear avenidas, de depredar a propriedade alheia e de praticar outros delitos.

Quem disso discorda e defende a necessária ação da polícia e da Justiça contra a baderna e o vandalismo é logo acusado, por uma barulhenta rede de simpatizantes espalhados pelas universidades e pela internet, de advogar a "criminalização das lutas sociais". Quando finalmente o Estado decidiu agir, encarcerando vândalos que se dizem "ativistas", essa rede imediatamente reagiu, dizendo que os detidos e os indiciados são "perseguidos políticos" - uma farsa que expõe seja a má-fé, seja a confusão moral dessa turma.
O caso mais recente, envolvendo uma advogada que diz prestar assistência jurídica a manifestantes, dá a exata medida dessa tentativa cínica de desmoralização do Estado Democrático de Direito no Brasil. A advogada Eloísa Samy, acompanhada de dois adeptos da violenta tática Black Bloc, foi ao Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro para - pasmem - pedir asilo político.

Eloísa, de 45 anos, é considerada foragida da Justiça, porque foi denunciada pelo Ministério Público do Rio por associação criminosa. Ela e outros 22 "ativistas" tiveram a prisão decretada pela 27.ª Vara Criminal do Rio. O inquérito da Polícia Civil que baseou a denúncia concluiu, conforme revelou o jornal O Globo, que os acusados planejavam atacar seus alvos com explosivos no dia 13 de julho, quando foi disputada a final da Copa do Mundo.

Em vídeo que gravou para expor sua versão, Eloísa afirma que está sendo perseguida em razão de sua "atuação na defesa do direito de manifestação". O promotor Luís Otávio Figueira Lopes afirma, no entanto, que a advogada, "escudando-se em um suposto exercício da atividade profissional", prestou "apoio logístico" aos delinquentes, "cedendo sua residência para reuniões" de preparação de atos violentos.
É bem possível que Eloísa e seus colegas acreditassem que o Uruguai fosse mesmo lhes dar asilo. Afinal, o país é governado por José Mujica, aquele presidente simpático e modernoso que defende a liberação da maconha. Ele receberia, pois, os "perseguidos políticos" de braços abertos.

A reação da diplomacia uruguaia, porém, escancarou o ridículo da situação. A cônsul-geral Myriam Fraschini Chalar informou aos solicitantes que o Brasil "é um autêntico Estado Democrático de Direito", razão pela qual não há perseguidos políticos no País nem motivo para conceder asilo. 

A deputada Janira Rocha, do PSOL, que foi ao consulado para dar apoio aos "ativistas", disse à diplomata uruguaia que "o problema não é o Brasil, o problema é o Estado do Rio, que está agindo como um verdadeiro estado de exceção". Pela lógica desse pessoal, até um condômino pode pedir asilo político ao Uruguai se acreditar que está sendo perseguido pelo síndico do prédio.
A patetice, no entanto, não deve servir de pretexto para que os tais "ativistas" sejam tratados com a candura dispensada aos inimputáveis. É o caso de enfatizar que, no inquérito policial sobre os black blocs, Elisa Quadros, vulgo "Sininho", considerada a líder do bando, é acusada de incitar seus companheiros a atear fogo à Câmara Municipal do Rio durante protesto no ano passado - o ato só não se consumou porque militantes mais ajuizados impediram. É o caso também de relembrar que a ação desses delinquentes já produziu um morto, o cinegrafista Santiago Andrade. Eles não estão para brincadeira.
Resta agora às autoridades investigar com rigor as possíveis ligações desses "ativistas" com sindicatos e partidos políticos radicais. Há cada vez mais indícios de que os militantes vândalos podem estar atuando como uma espécie de "braço armado" de organizações que se constituíram graças à democracia, mas que não têm nenhum apreço por ela.

O Estado de São Paulo
Os nossos 'presos políticos'. 

julho 22, 2014

Quase um milagre econômico. PAU QUE NASCE TORTO NÃO ENDIREITA! ENTÃO A "´COMPETENTA" QUER SER REELEITA PARA CORRIGIR "ERROS"? SEI !

"DILMA É A CANDIDATA COM MAIS CONDIÇÕES PARA VENCER AS ELEIÇÕES. PREPARADA COM AS MELHORES PROPOSTAS PARA O SEGUNDO MANDATO, E TODO MUNDO SABE QUE ELA TEM EXPERIÊNCIA EXTRAORDINÁRIA EM GOVERNAR O BRASIL"
O filho... do brasil  cachaceiro abjeto (12/05/2014)

Será quase um milagre econômico. A presidente Dilma Rousseff poderá encerrar seu quarto ano de mandato com a economia brasileira crescendo menos que a dos Estados Unidos e a da zona do euro e muito menos - como há anos - que a da maior parte dos emergentes. Pela primeira vez o crescimento econômico previsto para este ano ficou abaixo de 1% na pesquisa realizada pelo Banco Central (BC), semanalmente, com cerca de 100 economistas de instituições financeiras e de consultorias. 

Na oitava queda consecutiva, a expansão estimada para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,05% para 0,97%. Em contrapartida, a inflação projetada para 2014 diminuiu ligeiramente, de 6,48% para 6,44%, mas continuou muito longe da meta, 4,5%, e muito próxima do limite de tolerância, de 6,5%. 

Além disso, a previsão para o próximo ano subiu de 6,10% para 6,12%, acompanhando uma projeção pouco melhor para o PIB - aumento de 1,5%.

Economias mais afetadas pela crise iniciada em 2008 já têm desempenho melhor que o da brasileira. As últimas projeções publicadas pelo FMI apontam para os Estados Unidos crescimento de 2% neste ano e de 3% em 2015. Para a zona do euro as estimativas são de 1,1% e 1,5%. Previsões de outras entidades multilaterais e de instituições privadas ficam em torno desses números.

Um novo panorama da economia global será divulgado pelo FMI na próxima quinta-feira. Alguns números serão certamente alterados, mas é fácil prever um detalhe: o Brasil continuará perdendo a corrida para outros países emergentes e em desenvolvimento e para vários desenvolvidos, com crescimento menor e inflação muito maior.

A estimativa pouco menor de inflação em 2014 pode ser compatível com a piora da previsão para o PIB, mas seria muito arriscado apontar nesses números um indício mais claro de estabilização dos preços. A inflação continuará elevada por muito tempo, segundo as estimativas do mercado e também do BC, responsável principal pela política anti-inflacionária. Diante da perspectiva de atividade ainda muito fraca, os economistas consultados na pesquisa semanal continuam projetando juros básicos estáveis até o fim do ano: a taxa básica, a Selic, deverá continuar em 11%.

Para 2015, no entanto, a expectativa é de juros maiores, embora o crescimento econômico esperado ainda seja abaixo de medíocre. A taxa Selic estimada para o próximo ano, de 12%, tem aparecido no relatório do BC há várias semanas. Não se espera, portanto, contribuição importante da gestão orçamentária para a estabilização dos preços. Se houver algum ensaio de austeridade, ainda será insuficiente, mesmo acompanhado de novo aumento dos juros, para derrubar a inflação para menos de 6% ao ano.

O baixo crescimento econômico estimado para este ano e para o próximo está fortemente associado ao mau desempenho projetado para a indústria. Para 2014 a expectativa é de uma produção industrial 1,15% menor que a do ano passado. Na pesquisa realizada quatro semanas antes já se projetava um produto industrial em queda de 0,14%. Para 2015 ainda se calcula algum crescimento para a indústria, mas muito baixo. Em quatro semanas a estimativa caiu de 2,3% para 1,7%.


De acordo com a avaliação dos especialistas consultados pelo BC, a indústria continuará, portanto, muito perto da recessão. Além disso, o crescimento esperado para 2015 ficará muito abaixo do necessário para uma retomada efetiva, depois de três anos muito ruins.

A fraqueza da indústria está refletida nos números muito ruins do comércio exterior. O saldo comercial de mercadorias ficará em apenas US$ 2 bilhões em 2014, segundo a pesquisa. A estimativa para 2015 caiu de US$ 10 bilhões, há quatro semanas, para US$ 9,4 bilhões e depois subiu para US$ 9,8 bilhões na última sondagem. 

Todos esses números ficam muito abaixo das necessidades brasileiras, porque nem de longe compensam o déficit estrutural das contas de serviços e de rendas. Esse quadro reflete, com muita clareza, o fracasso das políticas industrial e de comércio exterior mantidas há quase 12 anos.
O Estado de São Paulo
Quase um milagre econômico


julho 20, 2014

Raposa felpuda( ? ) . EU DIRIA : UM CACHACEIRO APRENDIZ DE DÉSPOTA FRUSTRADO O FILHO... do brasil PARLAPATÃO E ASQUEROSO

Como velho político, Lula parece ter entendido o recado de que a população quer outra política. Mudou, então, a sua prática política? Não. Simplesmente mudou o discurso, mantendo a sua velha estratégia. Falar mal da política, mas continuar atuando como uma felpuda raposa política.

Em recente vídeo para jovens, divulgado pelo seu instituto - que é um dos polos coordenadores da campanha da reeleição de Dilma -, o ex-presidente propôs uma reforma política feita por iniciativa popular que acabe com "partidos laranja" e "partidos de aluguel". Ele deseja "um projeto de lei que possa mudar substancialmente a política brasileira, ter partidos mais sérios, acabar com os partidos laranjas, os partidos de aluguel, acabar com partidos que utilizam seu tempo para fazer negócio". 

Nem parece ser ele quem manda no Partido dos Trabalhadores (PT), partido que, nos últimos meses, promoveu uma das mais profícuas trocas entre cargos de confiança no governo federal por tempo de propaganda política na TV. 

A população está cansada é dessa hipocrisia: o maior promotor - e maior beneficiário - do sistema político atual pregando virtuosamente a sua reforma.
Com o mesmo descaramento, como se o PT não tivesse sido o partido que mais recebeu doações de empresas privadas nos últimos anos, Lula afirmou que é "radicalmente" contra o financiamento privado de campanha. E ainda expôs os seus motivos. Segundo o político Lula, o financiamento público "é a forma mais honesta na face da terra de financiar uma campanha para não permitir que os empresários tenham influência na eleição da pessoa".

No site do Instituto Lula, ao lado do vídeo, está ainda a notícia de que empresários organizaram um jantar em homenagem "às realizações de seu governo" em 2011. Vê-se que o homenageado muito se orgulha desse tributo, mantendo-o em destaque durante anos.

Como se o seu governo não tivesse produzido o maior escândalo de corrupção do Brasil contemporâneo, defendeu a fiscalização para garantir a transparência no uso dos recursos pelo partido. Quer também um projeto de lei de iniciativa popular "que possa mudar substancialmente a política brasileira". 

Se houvesse de fato essa disposição, bastaria pedir ao seu partido, que conta com ampla maioria no Congresso, para que a realize. Mas isso nem de longe é a sua intenção.

No vídeo, ele simplesmente atua como o mais político dos políticos, e ainda trata o espectador como um ignorante da realidade política nacional.
Num esforço por se mostrar próximo da população, o ex-presidente Lula reconheceu que não são apenas os jovens que estão desencantados com a política, mas toda a sociedade. E afirmou: "A política está apodrecida, aqui no Brasil e em várias partes do mundo, porque há uma negação, uma rejeição a político". 

A política está apodrecida não pela rejeição da população. Isso é um dos efeitos do problema. A política está apodrecida porque políticos, como o ex-presidente, que se dizem "modernos", continuam fazendo o que faziam os coronéis que condenam.



Para completar coerentemente a miríade de incoerências, Lula disse ainda que, numa eventual reforma política, apoiará o voto em lista. Cada eleitor votaria no partido, e não em candidatos específicos. Segundo o ex-presidente, seria um avanço, já que "o deputado não pode ser um deputado avulso, tem que ser um deputado do partido". Ora, o mais personalista dos políticos diz que prefere voto no partido?

E diz isso na mesma semana em que Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, afirmou que é candidato a deputado federal pelo PT simplesmente por causa da insistência de Lula, que conta com Sanchez para alavancar outros candidatos petistas, já que os tradicionalmente "bons de voto" do PT em São Paulo estão na cadeia.

A incoerência de Lula não é nova, mas há um ponto que preocupa especialmente. Dilma falou em assembleia constituinte para uma reforma política quando começou a perder o jogo na opinião pública, após as manifestações de junho de 2013. Lula volta agora ao mesmo tema, numa época em que a cada semana a popularidade da candidata é abalada. 
Seria isso um sinal de que o lulo-dilmismo quer mudar as regras do jogo justamente no momento em que o seu time começa a ficar atrás no placar?

O Estado de São Paulo
Raposa felpuda

julho 19, 2014

BRASIL REAL ! PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA( DELES ) : Campanha versus realidade


Um levantamento feito pelo O GLOBO mostra os contrastes das riquezas dos partidos em suas campanhas eleitorais em comparação com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal.

julho 18, 2014

COM A GERENTONA FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA DE NADA E COISA NENHUMA DO CACHACEIRO PARLAPATÃO : Seleção de fracassos

O estado de estupor que marcou os dias de Copa já voltou a dar lugar à constatação cotidiana de que viver no país está cada vez mais difícil. Acumulam-se indicadores ruins, numa seleção de fracassos digna de Felipão. Assim como o agora ex-técnico levou o time a uma Copa catastrófica, a petista está conduzindo o país a um beco sem saída. As pesquisas recém-publicadas nos dão alívio: tal como Scolari, está chegando a hora de Dilma pedir o boné.

Não faz nem uma semana que acabou. 
Mas o estado de estupor que marcou os dias de Copa do Mundo no Brasil já voltou a dar lugar à constatação cotidiana de que viver no país está cada vez mais difícil. Acumulam-se indicadores ruins, numa seleção de fracassos digna de Luiz Felipe Scolari.

A mistura é intragável e pode ser sintetizada numa espécie de 7 x 1 econômico: inflação caminhando para a casa dos 7% ao ano e crescimento econômico minguando para perto de 1%, marca só vista na história recente do país durante o mandato, encurtado pela corrupção, de Fernando Collor de Mello.

Até agora, o governo se dizia protegido das críticas, sob a alegação de que o mercado de trabalho continuava intacto. O argumento já não serve mais. O ritmo de geração de empregos no país cai mês após mês, anotando recordes negativos que remontam a padrões de épocas de crise no século passado.
Assim foi, novamente, em junho. 
Segundo o Caged, foram criadas apenas 25,4 mil novas vagas de trabalho, no pior resultado para o mês desde 1998. Na comparação com junho de 2013, a queda beira 80%. Só a indústria, cada vez mais enferrujada, fechou 28,5 mil postos no mês; a construção civil, 12 mil e o comércio, 7 mil.

Até na comparação de Dilma Rousseff com ela mesma, o resultado é negativo: 
o ritmo atual de abertura de empregos representa apenas metade do que foi nos três primeiros anos da atual gestão. O que já era ruim piorou bastante. O semestre fecha com a criação de 588 mil vagas, a menor marca para o período desde 2008.
Outros resultados conhecidos recentemente sugerem que o Brasil está tão paradão quanto esteve a zaga da seleção de Felipão nos jogos decisivos da Copa. Antes dinâmico, o setor de serviços já não cresce. Da indústria, nem é necessário falar, embora o poço em que o setor submerge pareça cada vez mais profundo.

Quando os resultados do PIB brasileiro no segundo trimestre vierem a público pelo IBGE, no fim de agosto, é possível que a economia nacional seja diagnosticada como tecnicamente em recessão. Já se dá quase como certo que haverá queda no indicador entre abril e junho, levando junto, estatisticamente, o primeiro trimestre.

Calculada em termos per capita, a soma das riquezas nacionais deve ficar estagnada em 2014. Na média, segundo a MB Associados, o avanço deste indicador durante o governo Dilma deverá ser de mero 0,8% ao ano. No ritmo atual, levaríamos 87 anos para dobrar nossa renda média, algo que a China, onde a média atual é de 7,1% anuais, conseguiria o mesmo resultado em apenas uma década.

Os demais indicadores econômicos de junho – e também os de julho – devem vir ainda mais fracos, porque o país praticamente parou – e, em muitos aspectos, foi intencionalmente parado pelo governo, com feriados e medidas afins – para a Copa do Mundo. Estima-se que a indústria tenha caído 8,6% em junho e 6,5% em julho sobre os mesmos meses de 2013, segundo O Globo.

Em muitos aspectos – como na indústria, que hoje produz tanto quanto em 2008 – estamos hoje piores do que estávamos cinco anos atrás, quando o governo petista começou a implantar sua decantada “nova matriz econômica”, que vem nos conduzindo solenemente para o brejo.
Para completar o quadro, os resultados fiscais estão, para usar termo caro à presidente da República, “uma belezura”. O déficit de maio foi o maior registrado no mês em toda a história das contas públicas do país: R$ 11 bilhões. A marca dos cinco primeiros meses do ano é a pior desde 2002.

Mas a debacle não acontece só na economia. 
Até em áreas em que éramos considerados excelência mundial no passado agora pioramos. É o que está acontecendo, por exemplo, com a disseminação da aids no país: entre 2005 e 2013, o Brasil registrou aumento de 11% do número de infecções por HIV, enquanto no mundo houve queda de 27,6% no mesmo período.
Tinha razão a presidente da República quando afirmou, em julho do ano passado, que seu governo tem “padrão Felipão”. Assim como o agora ex-técnico levou o escrete canarinho a uma Copa catastrófica, a petista está conduzindo o país a um beco sem saída. As pesquisas de intenção de voto recém-publicadas nos dão alívio: tal como Scolari, está chegando o momento de Dilma Rousseff pedir o boné.


Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

julho 17, 2014

Inglório campeonato

A manutenção da taxa básica de juros nos patamares atuais consolida o Brasil como a pátria dos juros altos, título que reconquistamos no fim do ano passado e parece que ainda vamos conservar por muito tempo. Esta ingrata condição enterra de vez mais uma promessa de Dilma Rousseff. Juro não cai à base de voluntarismo, ainda mais num país em que o governo não só não controla como aumenta seus gastos, como ocorre na gestão petista.

Sem surpresa, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu ontem manter a taxa básica de juros em 11% ao ano. É o suficiente para conservar o Brasil na inglória condição de país que pratica a mais alta taxa real entre todas as economias do planeta. Este campeonato ninguém gostaria de conquistar.

Foi a segunda vez consecutiva que a Selic foi mantida nos patamares atuais. O BC sinalizou, porém, que pode alterar seu comportamento na reunião prevista para o comecinho de setembro. A decisão de ontem, segundo comunicado oficial emitido após a reunião, limita-se apenas a “este momento”.

A próxima decisão acontecerá poucos dias depois de o IBGE divulgar os resultados do PIB no segundo trimestre, que muitos não descartam que poderá ser negativo – de acordo com a prévia do BC divulgada nesta manhã, o crescimento acumulado em abril e maio foi nulo. Segundo analistas, há duas hipóteses para quando setembro vier: 
aumento dos juros em função de novas altas da inflação ou redução da taxa em razão do esfriamento da economia.

De todo modo, a manutenção dos juros nos patamares atuais consolida o Brasil como a pátria dos juros altos, título que reconquistamos no fim do ano passado e parece que ainda vamos conservar por muito tempo. Segundo levantamento feito pela consultoria Moneyou, a taxa brasileira está em 4,2%, já descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Curiosamente, as três posições seguintes são ocupadas por parceiros brasileiros nos Brics: 
China (3,4%),
 Índia (2,3%) e Rússia (1,5%). 
Para este clube, não há banco de fomento ou fundo de socorro que dê jeito... 
Das 40 economias acompanhadas pela Moneyou, o Brasil está entre as 16 que praticam taxas positivas. Nas demais, o juro nominal é mais baixo que a inflação projetada.

Esta ingrata condição joga por terra mais uma das promessas da presidente Dilma Rousseff. Em 30 de abril de 2012, ela ocupou cadeia nacional de rádio e televisão para prometer a redução dos juros. Jogou os bancos públicos na cruzada, apostando que forçaria o resto do sistema bancário a acompanhá-los.
Como Dilma é uma economista apenas bissexta, seus fundamentos não batem com a realidade. Juro não cai à base de voluntarismo, ainda mais num país em que o governo não só não controla como aumenta seus gastos, como ocorre na gestão petista.

O resultado é que, depois de nove altas consecutivas entre abril de 2013 e abril de 2014, tanto a Selic quanto as taxas das demais linhas de crédito estão hoje mais altas do que no início do mandato da presidente, como ilustrou a Folha de S.Paulo no sábado.

O juro alto é o remédio amargo que sobrou para os formuladores da nossa política monetária em função da inflação persistentemente alta no país – turbinada também pelo tarifaço previsto para a energia. Os prognósticos quanto aos índices de preços e ao aumento da carestia continuam sombrios, solapando a confiança de consumidores e empresários, de indústria e comércio.
O temor é disseminado. 

Pesquisa encomendada pela Fiesp e divulgada hoje por O Globo mostra que 69% da população brasileira considera que houve grandes aumentos de preços nos últimos seis meses. 73% das pessoas ouvidas avaliam que a política econômica do governo é a responsável pela elevação dos preços.

A realidade é que o Brasil vê-se hoje aprisionado na armadilha do baixo crescimento e da inflação elevada, temperada também pelos juros altos. Este coquetel indigesto só tem como ser superado por uma política econômica responsável que trate as contas públicas com zelo e transparência, empreenda firme esforço para reduzir a dívida pública e não transija no combate à carestia. Menos que isso é só pantomima ensaiada para pôr na propaganda de TV.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

MAIS SOBRE O JEITO PETRALHA DA DESAVERGONHADA MENTIROSA DE "GUVERNÁ" : QUEDA DE 83,9%. País tem menor geração de empregos formais para junho em 16 anos


A geração de vagas formais teve forte desaceleração em junho. 
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo líquido (contratações menos demissões) de emprego com carteira assinada no País foi de 25.363..

O resultado é o menor para o mês desde 1998 e representa uma queda de 83,9% ante junho de 2013, na série com ajuste.

O dado de junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ficou abaixo do piso das previsões do mercado financeiro, que variavam de 40 mil a 110 mil vagas, segundo o AE Projeções. No acumulado do ano até junho, houve criação líquida de 588.671 vagas, o que fez o governo rever as previsões para 2014. 

Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, a meta agora é gerar 1 milhão de empregos este ano. O número é menor que o apresentado no início de 2014, quando o governo previa a criação de até 1,5 milhão de postos de trabalho até 31 de dezembro. Em 2013, foram gerados 1,1 milhão de vagas. 

Dias afirmou que o fraco desempenho do trabalho formal em junho frustrou as expectativas do governo. "Esperava mais, porque não havia nenhum indicativo dessa situação", disse. "O grande fato causador da diminuição foi a indústria, que no ano ainda continua positiva", disse. 

A indústria de transformação respondeu pela maior quantidade de demissões líquidas em junho, com o fechamento de 28.553 vagas. Foi o terceiro mês consecutivo de desligamentos. Os 12 segmentos industriais pesquisados demitiram. O pior resultado foi da indústria de material para transportes (-5.542), seguido por metalúrgica (-4.161) e mecânica (-3.957).

A agricultura foi o setor que respondeu em junho pela maior geração de vagas, com 40.818 vagas. Em seguida, ficou o setor de serviços, com 31.143 postos de trabalhados gerados. 

Desaceleração. 
Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, a desaceleração da economia brasileira finalmente parece ter chegado ao mercado de trabalho. Segundo ele, o resultado poderia ter sido pior se não fosse um mês sazonalmente favorável às contratações no segmento da agricultura. 

"A geração de empregos na agricultura é sazonal, mas se compararmos com junho do ano passado, quando foram criados cerca de 59 mil vagas, vemos que a tendência é de leve desaceleração do emprego", disse o economista.

O lado bom de o mercado de trabalho entrar em desaceleração, segundo o economista do Fator, é que as expectativas de inflação tendem a se acomodar. "O lado ruim é que, quando isso acontece, o mercado de trabalho confirma a queda da economia", disse Lima Gonçalves, que antes da divulgação dos números do Caged esperava que o PIB fosse encerrar esse ano com crescimento de apenas 0,8%. 

O mercado de trabalho é sempre o segmento da economia a assimilar com maior morosidade os movimentos de melhora e piora da economia como um todo. Como os custos para contratação e demissão no Brasil são muito altos, as empresas demoram para abrir contratações quando a economia se aquece e demoram para demitir quando a economia entra em estágio de arrefecimento.

Recuperação. 
O ministro Dias, contudo, voltou a dizer que o mercado de trabalho vai se reaquecer ao longo do segundo semestre. "O mês que vem (julho, em relação a junho) já começam as encomendas para o Natal, e as contratações da indústria já visando o dia dos pais e o fim do ano", destacou.

Sobre o setor da construção civil, que demitiu 12.401 trabalhadores no mês, a terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida irá puxar contratações. "O novo Minha Casa, certamente, vai estimular a retomada da construção civil", confiou.

O ministro também observou que a demissão de 7.070 pessoas pelo setor do comércio deveu-se à Copa , em função do fechamento de lojas durante os jogos do Mundial.
O Estado de S. Paulo