"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 27, 2013

O PT faz história : criou a Buracobrás.

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A máquina petista de fabricar prejuízos produziu mais uma vítima. Depois de abater a Petrobras e praticamente inviabilizar a operação da Eletrobrás, agora é a vez de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ir para o buraco. Sua estratégia de produzir "campeões nacionais" está se mostrando ruinosa.

Na segunda-feira, o banco divulgou seu balanço relativo a 2012.

Seu lucro caiu quase 10%, na segunda queda consecutiva, segundo
O Globo

Não fosse um artifício contábil, da lavra da infindável criatividade da equipe econômica do PT, a perda teria sido ainda maior, com redução de 36% na lucratividade. 
 
Mas o pior desempenho se deu mesmo foi no BNDESPar, o braço responsável pelos negócios da instituição. A subsidiária obteve como resultado em 2012 um lucro de R$ 298 milhões, isto é, 93% menor que o de 2011, que fora de R$ 4,3 bilhões.


Ou seja, foram R$ 4 bilhões a menos de um ano para o outro - e isto é grave.

O balanço explicita os maus negócios em que o BNDES tem se metido, menos por gosto, mais por imposição de Brasília. Sua carteira de ações caiu de quase R$ 90 bilhões para cerca de R$ 78 bilhões no ano passado. As provisões para créditos de difícil recuperação somaram R$ 3,3 bilhões.


Trata-se de dinheiro que o BNDES admite que possivelmente não irá reaver - e isto é grave.


Os recursos que o banco empresta não caem do céu, não dão em árvore, não vêm na enxurrada. Vêm em parte de empresas e trabalhadores - uma das fontes é o Fundo de Amparo ao Trabalhador - ou dos contribuintes em geral, que bancam os bilionários aportes feitos pelo Tesouro - neste caso, apenas nos últimos quatro anos foram R$ 285 bilhões.

A lista de operações duvidosas bancadas pelo BNDES é longa. Começa pela fusão da Oi com a Brasil Telecom, passa pela união de Perdigão e Sadia, inclui o frigorífico JBS, a VCP, a Aracruz e mais uma série de companhias eleitas pelo governo petista para serem agraciadas com dinheiro público.


No total, o banco tem em carteira ações de 142 empresas.

Em novembro passado, o Tesouro calculou quanto os empréstimos subsidiados concedidos pelo BNDES custam aos cofres públicos. Chegou, oficialmente, à cifra de R$ 20 bilhões até 2015, conforme publicou a
Folha de S.Paulo à época. 



São, na prática, transferências de renda de toda a sociedade para os setores beneficiados. É de se questionar:
quanto o consumidor e o contribuinte brasileiro ganha - ou, mais provavelmente, perde - com isso? 


Quais benefícios efetivos a estratégia de produzir "campeões nacionais" bancados por dinheiro público rende aos cidadãos brasileiros?

No ano passado, dois terços dos recursos liberados pelo banco foram destinados a grandes conglomerados. Um dos negócios mais ruinosos em que o BNDES se enfiou foi o da LBR Lácteos, resultado da fusão de dois laticínios tradicionais, entre eles a Parmalat. Em janeiro de 2011, lá aportou R$ 700 milhões para ficar com 30,3% da nova empresa.


Mas, em lugar de leite, a LBR produziu prejuízos e, agora, dois anos depois, o BNDES reconhece que perdeu R$ 865 milhões no negócio micado. 

 
"Como acionista e como financiador, o BNDES tem-se notabilizado pela seleção de maus negócios ou, simplesmente, pela escolha de prioridades com escasso ou nenhum significado estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país. (...) 


O BNDES claramente perdeu o rumo e se afastou de suas tradicionais funções estratégicas", opina O Estado de S.Paulo em editorial em sua edição de hoje.

O que também vem ocorrendo é que a carteira do BNDES, por meio do BNDESPar, está cada vez mais exposta aos mandos e desmandos do próprio governo. O banco experimenta, assim, do veneno destilado por Brasília, com sua concepção equivocada do que seja o capitalismo.


Com seu balcão de negócios, o governo do partido mais adepto do Estado forte está produzindo bancarrotas em série com o dinheiro do contribuinte.

 
O PT faz história:
criou a Buracobrás. 

 
Fonte: Instituto Teotônio Vilela
BNDES é nova vítima da 'Buracobrás' 

E NO DE(s)CÊNIO DA FARSA E FALSIFICAÇÃO... Inadimplência em banco público bate a de banco privado. Banco do Brasil contesta.

Os balanços dos bancos relati­vos ao exercício 2012 deixa­ram uma dúvida no ar: por que a inadimplência das institui­ções públicas encerrou o ano em níveis tão inferiores aos dos bancos privados, levando em conta que as primeiras foram muito mais agressivas na concessão de crédito?

Um trabalho elaborado pelo economista Samuel Pessôa, pes­quisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, indica que a resposta está na composição da carteira de empréstimos de cada grupo de instituições. 
 
Mais: 
o levantamento mostra que os índices de calote nos bancos pú­blicos são mais elevados.

Fazendo a ressalva de que não se trata de duvidar da veracidade dos dados dos bancos públicos, Pessôa explica a hipótese sobre a qual trabalhou. 
O crédito no Bra­sil é composto por recursos li­vres (de mercado) e direciona­dos (dinheiro do governo volta­do para algum segmento especí­fico, como, por exemplo, em­préstimos imobiliários).

Historicamente, a taxa de ina­dimplência no crédito com re­cursos direcionados é bem infe­rior à taxa com recursos livres. Como os bancos públicos têm em suas carteiras um peso maior de crédito direcionado, a conclu­são de Pessôa é de que "a inadim­plência geral nessas instituições é mais baixa por um efeito de composição".

Quando a comparação se res­tringe apenas ao crédito concedi­do com recursos livres, os núme­ros apurados por Pessôa mos­tram inadimplência mais alta nos públicos do que nos priva­dos. Na hipótese em que a ina­dimplência do crédito com re­cursos direcionados é de 1%, o índice de calote nos recursos li­vres ficaria em 6,8% nos bancos públicos em dezembro, ante 5,2% nos privados.

"Aparentemente, os bancos públicos são menos eficientes do que os privados quando ope­ram com recursos livres", disse o pesquisador. Ele observa que não é possível afirmar categori­camente que essa conclusão é verdadeira porque os dados di­vulgados pelo Banco Central (BC) não permitem uma avalia­ção mais profunda da situação.

Os dados do trabalho de Pes­sôa englobam, entre as institui­ções públicas, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A taxa de inadimplên­cia de 1% nos créditos com recur­sos direcionados utilizada na hi­pótese do pesquisador foi obtida justamente a partir de números dos balanços do BNDES.

Ao final do quarto trimestre de 2012, a inadimplência acima de 90 dias no Itaú estava em 6,9% nas operações para pes­soas físicas. 
No Bradesco, era de 6,2%, e no BB, em 2,6%.

Ontem, em sua primeira nota de crédito de 2013, o BC informou que a inadimplência do sis­tema financeiro caiu de 8% em dezembro para 7,9% em janeiro nas pessoas físicas.


Posição do BB. 
O Banco do Bra­sil e a Caixa Econômica Federal contestam as conclusões de Pes­sôa. "A afirmação não procede no caso do BB, que divulga a ina­dimplência por segmentos de mercado (pessoa física, pessoa jurídica e agronegócios) e em to­dos eles os índices situam-se abaixo da média do mercado, mesmo considerando apenas créditos livres", afirmou o ban­co, em nota.

O BB diz ainda que não teve acesso à metodologia utilizada na pesquisa e está à disposição para analisá-la.
 
Leandro Modé O Estado de S. Paulo 

Saída de dólares do país supera entrada em US$ 2,840 bilhões

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As saídas de dólares do país continuam a superar as entradas. Em fevereiro, até o dia 22, a saída líquida (descontada a entrada) ficou em US$ 2,840 bilhões, informou hoje (27) o Banco Central (BC). Na semana passada, saíram do país US$ 2,022 bilhões. Somente na sexta-feira, US$ 1,538 bilhão deixaram o país.

No mês, as saídas ocorrem tanto no fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações), com US$ 895 milhões, quanto no financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações), com US$ 1,945 bilhão.

De janeiro até 22 deste mês, a saída líquida está em US$ 5,226 bilhões, por influência do fluxo comercial. Nesse segmento, a saída registrada é US$ 5,650 bilhões. No caso do fluxo financeiro, há maior entrada do que saída em US$ 425 milhões.

Agência Brasil

E NA TRILHA DO BNDE$... Depois de queda no lucro, BNDES deve ser capitalizado em até R$ 8 bi

 
A capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em negociação desde o ano passado, ganhou o consenso no governo com a queda do lucro da instituição em 2012. 


Para manter o ritmo de crescimento da carteira de crédito e dos desembolsos, o banco deve ter um reforço no patrimônio no segundo semestre.
Segundo fontes do governo, o aporte deverá ficar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões.

A capitalização faz parte de uma "conversa permanente" entre o banco e seu acionista integral, o Tesouro. Ao anunciar o resultado de 2012 anteontem, o BNDES revelou que um "plano de capital" de longo prazo estava em discussão com o governo.

O valor da capitalização pode parecer pequeno diante dos recentes repasses do Tesouro ao banco (R$ 285 bilhões de 2009 a 2012), mas tem função e efeitos diferentes. Os repasses são empréstimos do Tesouro ao banço. E servem como fonte de recursos para o BNDES, criando uma alternativa ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Já uma capitalização é uma injeção direta de recursos no patrimônio líquido (soma de todos os bens, descontadas as obrigações da instituição), cujo saldo em 2012 foi de R$ 52,2 bilhões. O reforço, uma contribuição direta, não um empréstimo, permitiria ao banco manter uma base financeira sólida. 


Ou seja, o índice de Basileia, indicador internacional que mede a proporção de capital próprio e recursos emprestados, continuaria estável.

Lucro. O BNDES informou lucro de R$ 8,183 bilhões em 2012, 9,55% abaixo de 2011. O recuo foi puxado pelas participações acionárias do banco. Com a queda no lucro e no patrimônio líquido, o índice de Basileia do BNDES ficou em 15,4%, ante 20,6% no fim de 2011. Quanto maior o índice, melhor. Nesse quadro, o Tesouro já concordou com a capitalização. 


A discussão é sobre como será feita. 
Ao comentar anteontem sobre o "plano de capital", o superintendente da Area Financeira do BNDES, Selmo Aronovich, disse que estão em discussão "todas as alternativas".

Segundo fontes, as opções incluem desde a transferência de ações de estatais ou de outros ativos até uma redução no repasse de dividendos. No fim do ano passado, o BNDES obteve do Tesouro créditos a receber (recebíveis) de Itaipu, Ao mesmo tempo, pagou R$ 12,9 bilhões em dividendos ao Tesouro, incluindo antecipações do lucro de 2012.

Capital. Além do recuo no índice de Basileia, o economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho, destacou a baixa participação, comparado com bancos privados, de fontes de recursos mais estáveis (capital nível 1) na composição do Patrimônio de Referência. 
"Quanto maior o capital de nível 1, mais bem-visto é o banco em termos de risco", disse Salles.

Considerando apenas capital de nível 1, o índice de Basileia do BNDES está em 8,35%. O Itaú tem 10,9%; o Bradesco, 11%; e o Santander, 19,3%. Nos bancos públicos, considerando só o nível 1, o Banco do Brasil (BB) tem 10;55% e a Caixa, 6,6%. "O melhor seria alcançar 11% apenas com o nível 1", disse Salles.

O mínimo de índice de Basileia exigido pelo Banco Central é 11%, considerando os dois níveis. Por isso, para o professor de Finanças da Faculdade de Economia e Administração de Ribeirão Preto, da USP, Alberto Borges Matias, não há problemas quanto à solidez do BNDES. 


"O patrimônio do banco está em níveis bem acima dos exigidos."

Porém, no longo prazo e mantida a tendência de crescimento dos bancos públicos para "gerar desenvolvimento no País", disse Matias, "é natural que o índice (de Basileia) seja reduzido e haja necessidade de capitalizações".

Irany Tereza O Estado de S. Paulo