"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 30, 2014

PAC: de vitrine à irrelevância



O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi lançado em janeiro de 2007 para servir, acima de tudo, como vistosa peça de marketing do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Com Dilma Rousseff, ganhou uma segunda fase, que nada mais é do que mera reciclagem de antigas promessas. Aos poucos, contudo, o PAC foi sendo retirado da vitrine e, acumulando fracassos, caminha para a irrelevância.

Na semana passada, o governo divulgou o décimo balanço do chamado PAC 2. 
A peça é de um irrealismo de deixar gestores responsáveis corados de vergonha. Obras que estão mais de meia década atrasadas aparecem como tendo cronograma “adequado”, marcadas com cartão verde; financiamentos são computados como investimentos e reforma de casas são classificadas como se obras novinhas fossem.

O governo Dilma afirma ter investido R$ 871 bilhões desde 2011. Destrinchando os números, o que se constata é que 1/3 deste valor refere-se a financiamentos habitacionais, dinheiro que foi emprestado a mutuários que, se não quiserem ter seu nome inscrito no SPC, terão de pagar regiamente as prestações. 

Não demora e corremos o risco de ver as mensalidades de fogões e geladeiras compradas nas Casas Bahia incluídas nos feitos do PT...

Quando se computam os dispêndios com o Minha Casa, Minha Vida, o setor de habitação chega a nada menos que 42% dos gastos totais do PAC desde 2011. Ainda assim, passados cinco anos desde o lançamento do programa habitacional, apenas metade das moradias prometidas pela gestão petista foi efetivamente entregue a seus moradores.

O governo afirma ter executado 84% do investimento previsto para o mandato de Dilma. Só com muito malabarismo, e, principalmente, a ajuda de estatais (26% do total) e empresas privadas (19%), é possível chegar num resultado como este. Uma consulta ao Siafi mostra que, dos R$ 243 bilhões que dependem apenas do governo federal, nem metade dos gastos foi realizada até agora.
Os gestores petistas também exercitam sua criatividade de outras maneiras. Obras que deveriam estar prontas há anos são consideradas rigorosamente dentro do cronograma. Mas há algumas que, nem sob tortura, conseguem confessar o que o governo gostaria: para estas, o destino é a exclusão do PAC, discretamente, antes que recebam o cartão vermelho dedicado a obras com andamento insatisfatório.

A transposição das águas do rio São Francisco, por exemplo, deveria ter ficado pronta em 2010. Tem menos de 60% concluídos atualmente e só deve ser finalizada em dezembro do ano que vem, se for. Ainda assim, a gestão petista considera que o andamento da obra é “adequado”. O trem-bala também está lá, na mesma condição. Estranha contabilidade esta, não?

Nem toda a criatividade, porém, é suficiente para esconder fiascos retumbantes como o das promessas para a área social, em especial a de saúde. 
Das 500 unidades de pronto-atendimento (UPAs) prometidas por Dilma na campanha de 2010, apenas 23 estão concluídas. 
Das 6 mil creches (que já chegaram a ser mais de 8 mil), foram entregues somente 379. Das 8.600 UBSs, menos de ¼ ficou pronta.
Prometer e não entregar tornou-se marca indelével das gestões petistas. 
Falsear números também. Nas eleições de outubro, os eleitores confrontarão o país que esperavam ter com o que efetivamente têm ao final de três mandatos petistas. Verão que nem toda a fantasia é capaz de esconder que, na realidade, muito pouco dos compromissos firmados foram efetivamente cumpridos. Pelo conjunto da obra, Dilma e o PT merecem cartão vermelho.


Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

Medo cresce entre brasileiros, aponta CNI. Índice de Medo do Desemprego registrou alta de 3,4% no trimestre encerrado em junho. "aumento do desemprego e a queda na renda pessoal - o pior resultado nesses itens desde 2005".


Apesar da euforia com a realização da Copa no País, o brasileiro está mais temeroso de perder o emprego. O "Índice de Medo do Desemprego" de junho atingiu 76,1 pontos, ante 73,6 pontos em março, representando alta de 3,4%. O dado está presente na mais recente edição da pesquisa trimestral "Termômetros da Sociedade Brasileira", divulgada há pouco pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foi a quinta alta consecutiva do indicador.

O sentimento de perder o emprego apresentou a maior alta porcentual (5,76%) entre as pessoas que estudaram até a quarta série do ensino fundamental, atingindo 73,4 pontos em junho, contra 69,4 pontos de março. Entre as pessoas com curso superior, o receio de ficar desempregado ficou em 80,9 pontos em junho, ante 78,0 pontos, em março, ou seja, crescimento de 3,72%.

O Sul do País foi a região onde o indicador mais cresceu porcentualmente (7,85%) entre março e junho, passando de 71,3 pontos para 76,9 pontos no período. No Norte e no Centro-Oeste, o medo do desemprego atingiu o maior valor entre as regiões, com 82,4 pontos, em junho; frente 77,0 pontos, em março, alta de 7,01%.

Essa pesquisa da CNI foi divulgada uma semana depois de o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apresentar o pior desempenho em geração de vagas para o mês de maio desde 1992. Foram criadas 58,8 mil vagas com carteira no período, uma queda de 18,3% em relação a maio de 2013.

A CNI ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios entre os dias 13 e 15 de junho para elaborar o estudo apresentado hoje. Na semana passada, a entidade já havia divulgado outra pesquisa, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), sobre a expectativa do consumidor, verificando que o brasileiro teme o aumento do desemprego e a queda na renda pessoal - foi o pior resultado nesses itens desde 2005.

Nivaldo Souza - Agência Estado

brasil maravilha DOS VELHACOS SEM O MARQUETINGUE VIGARISTA : Dívida pública cresce 3,4% e fecha o mês de maio em R$ 2,1 trilhões. A dívida interna foi impactada pela emissão de R$ 51 bilhões em títulos e a apropriação de R$ 18,8 bilhões em juros



A dívida pública mobiliária federal interna subiu 3,57% e atingiu R$ 2,03 trilhões em maio, mês em que o governo federal não conseguiu poupar recursos para o pagamento dos juros, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira.

A dívida interna foi impactada pela emissão líquida de R$ 51 bilhões em títulos e a apropriação de R$ 18,8 bilhões em juros. Em maio, o governo central registrou déficit primário de R$ 11 bilhões.

O Tesouro anunciou ainda que o estoque da dívida pública federal, incluindo também a dívida externa, subiu 3,43% no período, para R$ 2,123 trilhões.

Em maio, a participação dos títulos prefixados no estoque da dívida subiu para 39,68%, frente a 38,66% no mês anterior. A meta para o ano é que os títulos prefixados representem entre 40% e 44% do estoque total da dívida.

A participação de papéis corrigidos por índices de preços na dívida caiu para 36,67% em maio ante 37,52% em abril. Para o fim do ano, a meta é que fiquem entre 33% e 37% do estoque total.

Já os títulos corrigidos pela Selic corresponderam a 19,39% do total do passivo ante 19,43% em abril. Para o término deste ano a meta do governo é que fiquem entre 14% e 19%.

Os dados apresentados pelo Tesouro mostram ainda que os investidores estrangeiros reduziram sua participação no estoque da dívida mobiliária interna para 18,22%, ante 18,79% em abril.

Reuters

brasil maravilha DA GERENTONA DE NADA E VELHACOS SEM O MARQUETINGUE VIGARISTA : Setor público tem déficit primário de R$ 11 bilhões em maio, o 2º maior da história

Resultado de maio só não foi maior do que o de dezembro de 2008; déficit nominal, que inclui o pagamento de juros, somou R$ 32,4 bilhões

Depois de o primário do governo central registrar o pior resultado para meses de maio, o setor público consolidado repetiu o feito e ainda registrou o segundo pior resultado da história, ao registrar um déficit de R$ 11,046 bilhões. O resultado só foi melhor que dezembro de 2008, quando o saldo foi negativo em mais de R$ 20 bilhões. Os dados foram divulgados há pouco pelo Banco Central.

Em meses de maio, nunca havia sido registrado um resultado negativo. O superávit mais baixo, de R$ 487,1 milhões, foi visto em maio de 2010. Em abril, o resultado foi positivo em R$ 16,896 bilhões. Em maio do ano passado, houve superávit de R$ 5,681 bilhões.

O resultado primário não inclui o pagamento de juros da dívida. 
O déficit primário consolidado de maio ficou perto do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro, que iam de um saldo negativo de R$ 11,7 bilhões a um déficit R$ 7,5 bilhões.

O esforço fiscal de maio foi composto por um déficit de R$ 11,073 bilhão do Governo Central (Tesouro, Banco Central e INSS). Os governos regionais (Estados e municípios) contribuíram com saldo positivo de R$ 12 milhões no mês. Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 284 milhões, os municípios tiveram déficit de R$ 272 milhões. Já as empresas estatais registraram superávit primário de R$ 15 milhões.

Pagamento de juros. 
Foram gastos R$ 21,397 bilhões com juros em maio. 
Houve uma pequena redução em relação ao gasto de R$ 21,511 bilhões registrados em abril deste ano e alta ante os R$ 20,200 bilhões vistos em maio de 2013. O governo central teve no mês passado um gasto com juros de R$ 15,864 bilhões. Já os governos regionais registraram uma despesa de R$ 5,253 bilhões, e as empresas estatais tiveram gastos de R$ 280 milhões.

Com isso, o déficit nominal - que inclui o pagamento de juros - foi de R$ 32,444 bilhões em maio, o segundo maior da história, atrás apenas de dezembro de 2008, quando havia sido de R$ 38,166 bilhões. Em abril, o déficit havia sido de R$ 4,615 bilhões e, em maio do ano passado, o resultado foi negativo em R$ 14,519 bilhões.

No mês passado, o governo central registrou déficit nominal de R$ 26,938 bilhões. Os governos regionais tiveram saldo negativo de R$ 5,241 bilhões. As empresas estatais registraram déficit nominal de R$ 265 milhões.

No acumulado do ano, o déficit nominal foi de R$ 70,075 bilhões (3,38% do PIB). No mesmo período de 2013, estava em R$ 53,737 bilhões (2,80% do PIB). Nos 12 meses encerrados em maio, o déficit nominal está em R$ 173,887 bilhões, ou 3,48% do PIB.

Acumulado em 12 meses.
As contas do setor público acumulam um superávit primário de R$ 76,057 bilhões no acumulado em 12 meses até maio, o equivalente a 1,52% do PIB. O esforço fiscal caiu em relação a abril, quando o superávit em 12 meses estava em 1,87% do PIB ou R$ 92,785 bilhões. Além disso, o superávit em 12 meses está abaixo da meta de 1,9% do PIB (R$ 99 bilhões), definida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O esforço fiscal nesse período foi feito com a ajuda de um superávit de R$ 61,089 bilhões do Governo Central (1,22% do PIB). Os governos regionais (Estados e municípios) apresentaram um superávit de R$ 14,651 bilhões (0,29% do PIB). Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 10,941 bilhões, os municípios alcançaram um saldo positivo de R$ 3,710 bilhões. As empresas estatais registraram superávit de R$ 318 milhões (0,01% do PIB).

No acumulado do ano, o superávit primário é o mais baixo para o período em 12 anos. O saldo positivo de R$ 31,481 bilhões de janeiro a maio é o mais baixo desde 2002, quando o superávit foi de R$ 26,042

No acumulado do ano, o gasto com juros do setor público consolidado soma R$ 101,555 bilhões, o equivalente a 4,90% do PIB. No mesmo período do ano passado, o gasto com juros estava em R$ 100,466 bilhões ou 5,23% do PIB. Já nos 12 meses encerrados em maio, a despesa chega a R$ 249,945 bilhões ou 5,01% do PIB.
(...)

LAÍS ALEGRETTI, VICTOR MARTINS - AGÊNCIA ESTADO

junho 29, 2014

SOB A GESTÃO DA GERENTONA "RIGOROSA" FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA... COMO NUNCA ANTES NA "ISTÓRIA" DESTE PAÍS! SE GRITAR PEGA LADRÃO NÃO FICA UM MEU IRMÃO : Empresa recebeu informações sigilosas da Petrobrás

Relatório da estatal revela que suspeito de pagar propina a funcionários repassou documentos ao comando da SBM Offshore

Conforme relatório de investigação da Petrobrás sobre o caso, obtido pelo Estado, em 10 de junho de 2009 Faerman enviou para o diretor da SBM Michael Wyllie um e-mail com o conteúdo de documento interno que solicitava à Diretoria Executiva da Petrobrás autorização para contratar serviços na unidade de liquefação de gás natural embarcada (GNLE) em dois blocos do Pré-Sal na Bacia de Santos.

Em outro e-mail, intitulado "Confidencial", de 28 de outubro de 2010, 
aerman informou a Francis Blanchelande, chefe da área operacional da SBM, decisão da Diretoria Executiva de contratar uma embarcação da empresa McDermott. Na mensagem, anexou um documento interno da área de Exploração e Produção de Petróleo da Petrobrás, responsável pelos contratos de afretamento.

Em 18 de abril de 2011, o executivo Jean-Philippe Laures enviou ao CEO da SBM, Tony Mace, e outros dois altos funcionários da empresa o Plano Diretor do Pré-Sal, aprovado pela Diretoria Executiva da empresa havia um mês.

As trocas de mensagens foram selecionadas pela SBM e apresenta
das à comissão destacada pela Petrobrás para investigar as denúncias de suborno. No relatório final dos trabalhos, a estatal registra a existência de "informações confidenciais" entre documentos internos da SBM, "ainda que não haja evidências de que tenham sido obtidas por meio de pagamentos a empregados da Petrobrás".

"Não foi possível identificar o responsável por fornecer informações contidas nos documentos internos", concluiu a equipe. Embora seja o autor de alguns dos e-mails, em depoimento, Faerman disse não saber como documentos confidenciais da estatal poderiam estar na SBM e negou que passava à empresa informações privilegiadas obtidas na Petrobrás.

Funcionários da SBM, que também abriu investigação sobre as denúncias, descreveram Faerman como um representante que tinha contatos "high level" (de alto nível) à equipe de investigação da Petrobrás. Entre os diretores mais procurados, constam José Antônio de Figueiredo, de Engenharia, Tecnologia e Materiais; e Renato de Souza Duque, que chefiou a área de Serviços até abril de 2012. Este último foi visitado ao menos 30 vezes por representantes da SBM entre 2005 e 2011, embora tenha relatado, em entrevista, a "baixa frequência dos contatos". "(Duque) Informou que recebia muitas visitas de empresas, mas que da SBM foram poucas", diz relatório da estatal.

Procurada, a SBM não se pronunciou sobre o vazamento de informações da Petrobrás. À equipe da estatal, relatou ter detectado "red flags" (bandeiras vermelhas) nos negócios de Faerman, a exemplo dos valores altos pagos, a título de "comissões" pela obtenção de contratos, às empresas dele no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Contudo, informou não ter encontrado prova de suborno na companhia petrolífera brasileira. O Estado não localizou Faerman ou seus representantes neste domingo.


FÁBIO FABRINI E FÁBIO BRANDT - O ESTADO DE S. PAULO

COPA DAS COPAS : Brancos e ricos são maioria na torcida do Brasil no Mineirão, diz Datafolha. E A PERCEPÇÃO EM RELAÇÃO AO "GUVERNU" DA TÍTERE


Pesquisa do Datafolha com torcedores que compareceram no sábado (28) ao jogo do Brasil contra o Chile, em Belo Horizonte, confirma a percepção de que quem frequenta os estádios da Copa do Mundo é a "elite branca". Entre os 693 entrevistados nos acessos à arena, 67% se declaram brancos e 90% pertencem às classes A ou B.

Os percentuais contrastam com o perfil da população brasileira, cuja maior parcela (41%) se declara parda no levantamento no estádio, são 24%. E o índice de autodeclarados pretos no jogo (6%) é menos da metade da população em geral, de 15%. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos. 


O Datafolha também mediu a percepção em relação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e constatou que ela é pior do que na média da população. 
Quem acompanhou de perto à partida do Mundial considera a gestão ruim ou péssima (55%). É quase o dobro do aferido em pesquisa realizada no início do mês entre os brasileiros, em que 38% classificaram o governo como regular e 33% como ótimo ou bom. 

Mas a má avaliação do governo federal não significa apoio aos xingamentos que a presidente recebeu no jogo de abertura do Mundial, em São Paulo: 
61% dizem não concordar com a atitude dos "yellow blocs". 
O clima de Copa do Mundo também pode ter mexido com o orgulho nacional: 
91% dizem ter mais orgulho que vergonha de ser brasileiro, ante 77% dos participantes de levantamento nacional realizado no início de maio.

MAIS ESCOLARIZADOS 

O torcedor que foi ao estádio é bastante escolarizado –86% têm ensino superior, ante uma média de 16% da população brasileira. E também é mais jovem que a média da população (34 anos, ante 42). O sexo masculino predomina: de cada 4 torcedores, 3 são homens. 

A classe média brasileira, que ascendeu na era Lula (PT), está muito pouco representada no estádio. Só 9% dos torcedores são da classe C, enquanto na população essa estrato é maior (49%). A classe B era a mais presente no estádio (61%), seguida pela classe A (29%). Quase 9 em cada 10 torcedores brasileiros da partida Brasil x Chile integram a chamada população economicamente ativa (PEA): 
48% são assalariados e 13% são empresários. Há ainda 10% de funcionários públicos. 
Dentre os 12% que não são ativos economicamente, 8% são estudantes.
Comparando com dados demográficos do DNA Paulistano, o torcedor desta Copa se assemelha a um morador de bairros nobres da capital paulista, como Moema (zona sul) ou Jardim Paulistano (zona oeste) em termos de renda e classe econômica. Mas é ainda mais escolarizado e também mais diversificado etnicamente. Negros e pardos são menos de 15% nesses bairros, metade do que se viu no estádio.

TORCIDA REGIONAL 

Com jogo no Mineirão, praticamente metade dos torcedores era mineira. Um em cada quatro eram de São Paulo e 9% eram do Rio. Cruzeiro e Atlético-MG dominam a preferência dos torcedores que foram ao estádio. Na pesquisa do Datafolha, 22% se declararam cruzeirenses e 18%, atleticanos. Maiores torcidas do país, Flamengo e Corinthians vêm atrás, com 12% cada um.

MARIANA BARBOSA 
DE SÃO PAULO

O SOFISMA DA EMBUSTEIRA DESAVERGONHADA OU: As 'convicções' DA TÍTERE


Amanhã, último dia estabelecido pela legislação eleitoral para a realização de convenções partidárias destinadas a definir candidatos e deliberar sobre coligações para o pleito de 5 de outubro, estará se encerrando a mais despudorada temporada de compra e venda de minutos e segundos da propaganda eleitoral gratuita, que estará no ar a partir de 19 de agosto, jamais registrada neste país. 

E à afronta à Nação representada por esse vergonhoso espetáculo soma-se o cinismo de quem tem a responsabilidade maior de zelar pela seriedade na vida pública: 
"A política que aprendi a praticar ao longo da minha vida desde a minha juventude, que me levou inclusive à prisão, implica em construir relações que sejam baseadas não em conveniências, mas em convicções".

Dilma Rousseff permitiu-se esse cínico rompante ao discursar na convenção nacional do PSD que na quarta-feira selou o apoio à sua reeleição. Não explicou a quais "convicções" se referia, mas recomendou a todos que não aceitassem "provocações que buscam baixar o nível do debate, que buscam acirrar o antagonismo". E não deixou de se gabar das "transformações rápidas e profundas" realizadas por seu governo, garantia, no futuro, de "um ciclo ainda mais rápido e duradouro de mudanças".

Esqueceu-se, apenas, de que a divisão da Nação entre "eles" e "nós" e as campanhas de difamação dos adversários fazem parte da obra política do lulopetismo. Esqueceu-se, ainda, de que seu governo é um continuado desastre econômico-financeiro, ditado por atrasada ideologia.
Poucas horas antes, Dilma havia promovido uma transformação rápida e profunda em seu governo ao trocar o titular do Ministério dos Transportes, feudo do PR, por imposição de um aliado importante, o chefão de fato daquele partido, o mensaleiro Valdemar Costa Neto, que enviara seu ultimato diretamente do presídio da Papuda. O ministro defenestrado, César Borges, também é do PR, mas o sentenciado Costa Neto decidiu trocá-lo por entender que ele "não ajudava" o PR. 
É assim que Dilma governa.


Tanta "convicção" que marcou esses recentes movimentos da campanha eleitoral é o resultado de reunião de que Dilma participou na noite de terça-feira sob o comando de seu criador, com a indispensável presença do marqueteiro oficial do PT. Ouviu e cumpriu a ordem de Lula de que não é hora de contrariar aliados.

Convém repetir o que tem sido reiteradamente afirmado neste espaço: 
Lula e os petistas não inventaram o fisiologismo político, o toma lá dá cá na composição da base de apoio parlamentar ao governo, o aparelhamento partidário que compromete a eficiência da máquina governamental e tantas outras mazelas que corrompem a vida pública no Brasil.

 Na verdade, por mais de 20 anos Lula e o PT rangeram os dentes contra esses vícios, prometeram mudar "tudo isso que está aí". Em 2003 chegaram finalmente ao poder e concluíram - aliás, muito rapidamente, como prova o mensalão - que "é impossível" governar sem o apoio dos "picaretas" que, como Lula denunciara dez anos antes, infestam o Congresso. Deu no que deu.


Esse raciocínio da "impossibilidade" só faz sentido quando o pragmatismo se torna um valor fundamental. Os petistas que hoje argumentam que os fins justificam os meios - e por isso podem cultivar a incoerência e o desmando - não consideram que o fim da política é o bem comum. Seu objetivo é a manutenção do poder - e a qualquer custo, material ou moral. Mas isso tem consequências.

Em decorrência do aprimoramento das ancestrais práticas de fisiologismo político a que o PT se vem diligentemente dedicando, a falta de pudor e de coerência, a mistificação, o populismo mais rasteiro, o apego às "boquinhas", tudo, enfim, que há de mais condenável na vida pública ameaça hoje gangrenar irremediavelmente o tecido político do País, tornando o ato fundamental da cidadania, o de votar, cada vez mais um penoso exercício de escolha do menos pior.

Não se pode esperar que Lula & Cia., inebriados com as delícias do poder, reneguem seu ethos. Mas a presidente de todos os brasileiros - que diz ter "convicções" - poderia pelo menos nos poupar do cínico espetáculo que acabamos de presenciar.

O Estado de São Paulo
As 'convicções' de Dilma

junho 28, 2014

COPA DAS COPAS : Não houve caos nos aeroportos, mas serviço precisa melhorar . E... Turistas se queixam de obras inacabadas, informação deficiente e até falta de comida


A previsão de caos aéreo durante a Copa não vingou. 
Cenários de filas intermináveis no saguão dos aeroportos ou congestionamento de aeronaves não foram cenas corriqueiras na primeira quinzena do Mundial. Mas não faltaram percalços nesta primeira fase do torneio, de falta de comida a dificuldades na comunicação com os turistas.

Em Cuiabá, o dia mais confuso foi terça-feira passada, dia do último jogo na Arena Pantanal, entre Colômbia e Japão. Tinha tanta gente no aeroporto que faltou comida, e a Infraero teve que providenciar às pressas um carrinho com lanches.

Em Porto Alegre e no Rio, foram tantos turistas que os aeroportos se transformaram em dormitórios. O idioma foi outro problema. Houve queixas da falta de orientação em espanhol. A falha foi percebida pela Secretaria de Aviação Civil (SAC):

— Não faz sentido não ter informação em espanhol. A maior parte dos turistas que recebemos fala essa língua — diz o ministro da SAC, Moreira Franco, que já ordenou a instalação de sinalização na língua dos hermanos.

A Infraero informou que quando é identificada alguma dificuldade de comunicação, os turistas são orientados a procurar o balcão de informações, onde ficam os empregados terceirizados bilíngues.

Acostumado ao movimento intenso do carnaval, o aeroporto de Salvador apresentou obras inacabadas. Brasília também sofreu com infraestrutura precária: os alagamentos foram recorrentes. Congonhas (SP), por sua vez, viveu uma experiência única na Copa. Com a queda das viagens de negócios, o movimento de passageiros desde o início do Mundial está 13% abaixo do mesmo período de 2013.

Pelos 20 aeroportos que atendem as cidades-sede já passaram 7,6 milhões de pessoas . O governo trabalha com uma previsão de até 11,6 milhões considerando o período de 6 de junho a 16 de julho. Com o fluxo de passageiros dentro da expectativa e com o clima ajudando — em Curitiba, até a neblina, que costuma tumultuar o tráfego aéreo nesta época do ano, deu uma trégua —, o índice de atrasos de voos nos aeroportos da Copa tem girado em torno de 7,5%, abaixo da média europeia (8,4%)

LANCHINHO NO MEIO-FIO

No Aeroporto Marechal Rondon, em Cuiabá, o dia mais cheio foi a terça-feira passada, quando aconteceu o último jogo na Arena Pantanal, entre Colômbia e Japão. Com cerca de 30 mil turistas estrangeiros na cidade, a praça de alimentação do aeroporto não foi suficiente para dar conta da fome dos passageiros. 

Com apenas um restaurante fast food, uma choperia, uma gelateria e uma lanchonete, a Infraero contratou emergencialmente um carrinho de lanches, que foi instalado no meio-fio do terminal de passageiros, para ampliar a oferta de alimentação. Uma funcionária da lanchonete contou que foi confuso.

TERMINAL-DORMITÓRIO

No terminal 1 do Galeão, a Fun Zone tem videogame, mesa de totó, telão, wi-fi e máquinas de lanches. Mas o que os passageiros mais têm aproveitado nas esperas por conexões são os sofás e almofadas espalhadas pelo chão, que se tornaram camas para os cansados. A qualquer momento em que se entre na Fun Zone, há alguém tirando um cochilo. Na terça-feira passada, por exemplo, um menino de cerca de dez anos dormia enrolado em uma bandeira do Chile. 
Quem não encontra lugar nas almofadas não faz cerimônia:
 dorme no chão mesmo.

Em Porto Alegre, cerca de 400 torcedores argentinos que não tinham reserva em hotéis dormiram no terminal Salgado Filho, acomodados em sacos de dormir ou nas poltronas da área de desembarque. A Infraero autorizou a permanência dos turistas durante a madrugada do dia 25 e não registrou tumultos.
(...)
DESCULPE, ESTAMOS EM OBRAS

Com apenas uma das novas alas operando e o restante das obras de ampliação suspenso por causa da Copa, o aeroporto de Brasília enfrentou problemas hidráulicos, mas os passageiros saíram ilesos. Esta semana, pela terceira vez em menos de um mês, o aeroporto da capital teve problemas de alagamento. 
Uma tubulação se rompeu, e a água que desceu pelo teto inundou a área de desembarque doméstico, danificando caixas eletrônicos.

O aeroporto de Salvador passou por uma reforma para a Copa, mas as obras não terminaram a tempo, o que deixa visíveis vigas e tapumes em sua área externa, logo na saída do desembarque. Mas, internamente, o local parece funcionar bem. A capital paranaense foi outro local onde as obras não ficaram prontas. Os turistas que desembarcaram no terminal da Infraero ouviram o barulho das obras e viram tapumes e escadas.

FALE BEEEEEEEM DEVAGAR

Em uma Copa lotada de turistas hermanos, muitos reclamam da dificuldade de obter informações em espanhol nos aeroportos.

— Só entendo um pouco de português se a pessoa falar beeeem devagar. Quase não havia gente que falasse espanhol para nos dar informação — disse o colombiano Oscar Roa, no Galeão. — O problema foi ainda maior em Guarulhos (SP). Na área doméstica não tinha ninguém mesmo.

Coordenadora de uma equipe de voluntários no aeroporto de Porto Alegre, Cristiane Grahl Baptista relatou que até em algumas companhias aéreas pediram ajuda para dar informações . Funcionária de uma lotérica no aeroporto de Brasília, Maria Elineuza Ribeiro passou apuros para atender um francês que queria um chip de celular. Compra feita, ele não conseguia fazer a ligação e não entendia os motivos.
— Viramos um balcão de informações — diz ela.


ANDRÉ MIRANDA, CATHARINA WREDE, DANIELLE NOGUEIRA, FLÁVIO ILHA, GERALDA DOCA, HENRIQUE GOMES BATISTA, LAURO NETO E LINO RODRIGUES
O Globo

O PAC do trem fantasma ! COISAS DA GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA DESAVERGONHADA QUE NÃO SABE O QUE ACONTECE OU: "é propaganda ruim, nem sequer enganadora."


Um trem fantasma circula entre Campinas e Rio de Janeiro, correndo nos trilhos imaginários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Prometido inicialmente para este ano, o trem-bala nunca saiu da promessa, continua como um vago projeto e, assim mesmo, seu status aparece como "adequado" no 10.º balanço do PAC, apresentado na sexta-feira pela ministra do Planejamento, Míriam Belchior. Em agosto do ano passado o leilão do trem de alta velocidade, com percurso de 511 quilômetros e custo estimado de R$ 32 bilhões, foi adiado pela terceira vez. 

Mas oficialmente o projeto está em dia.

Bastaria essa classificação para minar a credibilidade de mais um balanço triunfal de realizações federais. Mas outros dados comprovam, mais uma vez, o baixo grau de sucesso de um programa destinado principalmente, como indica seu nome, a ampliar a capacidade de expansão da economia brasileira.

O novo relatório comprova, mais uma vez, a predominância dos gastos com habitação no mais vistoso programa do governo central. 

A execução orçamentária do PAC 2 até 30 de abril deste ano envolveu aplicações de R$ 871 bilhões, 84,6% do total previsto para o período 2011-2014. Os financiamentos habitacionais, R$ 285,3 bilhões, corresponderam a 32,7% do valor aplicado. Nem sequer se poderia classificar esse montante como investimento, até porque o dinheiro pode ter sido gasto, no todo ou em parte, em imóveis velhos.

Somando-se a isso as aplicações do programa Minha Casa, Minha Vida, R$ 78 bilhões, chega-se a R$ 361,6 bilhões, ou 41,7% dos R$ 871,4 bilhões comprometidos entre 2011 e o fim de abril. O resto é dividido entre os demais setores, com destaque para os de energia e de transportes.

Não há como desmentir: 
o PAC é essencialmente um conjunto de financiamentos e investimentos habitacionais. Os programas de moradia podem ser importantes socialmente, economicamente úteis e louváveis sob vários aspectos, mas a aceleração do crescimento, finalidade explícita do programa, depende muito mais de investimentos em infraestrutura.

Os dispêndios das estatais, R$ 231,4 bilhões desde o início do PAC 2 até 30 de abril, corresponderam a 26,6% das aplicações totais. Somados os gastos do Orçamento-Geral da União chega-se a R$ 324,2 bilhões, valor bem menor que o dedicado à habitação.

Como explicar o peso desproporcional dos gastos com habitação?
 A resposta provavelmente envolve a dificuldade muito maior de planejar, projetar e executar obras de estradas, 
ferrovias, 
portos,
 armazéns, 
aeroportos, 
centrais elétricas, 
sistemas de transmissão e de pesquisa, 
exploração e refino de petróleo.

A escassa competência do governo federal no tratamento dessas questões já foi comprovada muitas vezes, especialmente a partir do primeiro PAC. Muitos projetos emperram antes de sair do papel, ou já nas primeiras fases de execução, por descumprimento, por exemplo, dos padrões financeiros cobrados pelo Tribunal de Contas da União. Outros emperram por má administração ou mesmo por falhas escandalosas de planejamento, como, por exemplo, nos casos de centrais elétricas impedidas de funcionar por falta de linhas de transmissão.

O PAC nunca foi, de fato, mais que uma sigla usada para marketing político. Desde a primeira versão, esse nome serviu basicamente para designar uma colcha formada pela costura apenas formal de várias ações desenvolvidas, em nível federal, pela administração direta e pelas várias estatais.

Já existiam os grandes projetos do setor elétrico. 
O planejamento da Petrobrás, periodicamente revisto e atualizado, era parte da rotina da empresa. As necessidades do setor de transportes eram conhecidas e obras importantes estavam em execução. O PAC nada acrescentou a esse conjunto, além de um nome de fantasia e de uma bandeira de propaganda.

Esse programa - ou "programa" - teria algum valor prático se tivesse ao menos servido para introduzir maior racionalidade no planejamento federal. Nada semelhante ocorreu. Ao contrário: a qualidade gerencial decaiu, como ficou demonstrado com a desastrosa intervenção na política de tarifas de energia, com a manutenção do controle de preços da Petrobrás e com o uso das estatais para remendar as contas públicas. 
O resto é propaganda ruim, nem sequer enganadora.

O Estado de São Paulo

junho 27, 2014

ENQUANTO A COPA DAS COPAS BOMBA EM CAMPO... Promessas descumpridas: gastos com Copa não estão transparentes



As promessas feitas pelo ex-presidente Lula ao trazer a Copa para o Brasil foram descumpridas: 
os investimentos não foram realizados só com recursos privados, assim como os gastos para o mega evento não estão transparentes. 
O Portal de Transparência da Copa (www.portaltransparencia.gov.br/copa2014) está desatualizado e com informações divergentes entre si.

Isso pode ser verificado em qualquer consulta sobre a execução de empreendimentos de infraestrutura ou até mesmo dos estádios. 
Para esse último, por exemplo, apenas três das 12 cidades-sede, Porto Alegre, Manaus e Cuiabá, apresentam dados de 2014. 
As outras cidades estão com as contas desatualizadas: 
os dados mais recentes são de janeiro a outubro de 2013.

Quanto aos portos, o cenário encontrado é similar. 
Para as obras de Salvador, foram executados 48,5% do total previsto, isto é, R$ 19,7 milhões dos R$ 40,7 milhões orçados para construção do terminal marítimo de passageiros, estacionamento e urbanização da área portuária. Entretanto, esse dado não é confiável, pois é originário do 3º Balanço das ações do Governo Brasileiro para a Copa, publicado em abril de 2012. 
Então, a última informação prestada ao usuário comum está dois anos atrasada.

Além disso, os dados disponibilizados no portal não são claros. 
O caso é facilmente percebido se analisadas as obras do Porto de Fortaleza. 
Para elas, o Portal indica R$ 202,6 milhões de previsão de investimento. 
Na última prestação de contas, em janeiro de 2013, informou-se que 20% havia sido concluído.

Contudo, também é informado, para o mesmo empreendimento, que R$ 175,5 milhões foram contratados (destinados à obra já em contrato) e R$ 227,2 milhões já executados. Sendo assim, o valor executado é superior ao contratado, como também ao previsto, o que faz o percentual demasiadamente superior aos 20% indicados.

A prestação de contas dos aeroportos no Portal sofre do mesmo mal. 
A de Brasília e Natal possuem obras com a última atualização apenas de abril de 2012, quando foi publicado o 3º Balanço da Copa. Mesmo se fossem utilizados dados do último balanço publicado, o 5º Balanço, a informação ainda estaria desatualizada, pois esse contém dados de setembro de 2013. As outras cidades-sede possuem dados mais atuais, que variam de fevereiro a abril de 2014.

Dessa forma, o decreto assinado em 2009 pelo à época presidente, no qual previa que o Portal, sob a responsabilidade da Controladoria Geral da União (CGU), reuniria todas as informações de orgãos e entidades que administraram recursos destinados a Copa, não foi plenamente cumprido.

Apesar das desatualizações, a CGU acredita que o Portal de Transparência vem cumprindo a função de dar publicidade aos recursos federais aplicados na Copa, haja vista a quantidade de visitantes diários que o site recebe: 
955,9 mil em 2013 e 756,5 mil no primeiro semestre de 2014. 
Além disso, informou que o Portal representa proatividade e ineditismo por parte do governo brasileiro, já que essa iniciativa não ocorreu nos demais países que sediaram o Mundial.

Já o Ministério do Esporte, que agrega os dados prestados pelas entidades executoras das obras, diz que a transparência dos investimentos feitos para o mega evento permite amplo acompanhamento do cidadão brasileiro. 
Para a Pasta, qualquer cidadão que tenha acesso à internet, em qualquer lugar do mundo, pode fazer o acompanhamento por meio do portal em questão.

Portal do Congresso

No mesmo período em que Lula assinou o decreto, em dezembro de 2009, o Congresso Nacional também lançou um portal de transparência da Copa sob o seu regimento. Esse sequer existe.

Idealizado pela Rede de Fiscalização e Controle da Copa de 2014, das Comissões de Fiscalização e Controle do Senado e da Câmara, o portal deveria estar hospedado na página do Senado (www.senado.gov.br/fiscaliza2014) e permitir ao usuário acompanhar a execução das obras, dos procedimentos licitatórios e dos serviços contratados. 

Mas, ao tentar abrí-lo, o internauta se depara com uma mensagem de serviço temporariamente indisponível.

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal não responderam os questionamentos do Contas Abertas sobre o portal em referência até o fechamento da reportagem.

Gabriela Salcedo e Thais Betat
Contas Abertas

O FUTURO A DEUS PERTENCE! Nas mãos de Deus


Embora reconheça que a inflação piorou, o
 Banco Central (BC) parece ter entregue tudo às mãos de Deus. 
O que tinha de ser feito foi feito. 

É o que pode ser deduzido do segundo Relatório de Inflação deste ano, divulgado nesta quinta-feira.

O BC já não conta com um recuo. 
Em março, projetara para todo o ano de 2014 uma inflação de 6,1%; agora admite que não ficará abaixo de 6,4%, a uma polegada do admissível. O risco de que a inflação transborde o teto da meta ao final deste ano saltou de 38% para 46%.
As projeções oficiais para 2015 também pioraram.
Foram de 5,5% em março e passaram a 5,7%.
Há razões para entender que o desrepresamento dos preços administrados pode provocar ainda mais estrago.

Se cumprisse à risca o regime de metas de inflação, o colegiado do BC teria de continuar a puxar os juros para cima. Desistiu de fazê-lo porque, no fundo, também faz a pergunta que o presidente Lula fez no dia 6, em Porto Alegre, quando apontou o indicador para o secretário do Tesouro, Arno Augustin: 
“Se a gente não tem inflação de demanda, por que está barrando o crédito?”.

O avanço do PIB está abaixo do previsto e “o deslocamento do hiato do produto” faz o jogo anti-inflacionário. É um jargão dos economistas para expressar tanto o aumento da capacidade ociosa como o crescimento econômico abaixo do potencial da economia. Na prática, o BC olha para os altos estoques das montadoras e para a velocidade das máquinas do resto da indústria e conclui que, nessas condições, os empresários contam até dez antes de fazer remarcações.

No diagnóstico do BC há mais fatores a considerar. 
Fazem o jogo contra o controle da inflação. A situação de pleno-emprego aumenta os riscos de inflação, diz o Relatório. O BC pede mais “moderação salarial”, ou seja, pede reajustes salariais mais baixos, que olhem mais para a inflação futura do que para a inflação passada. Embora não o diga explicitamente, pressupõe que um pouco mais de desemprego ajudaria a combater a inflação.

Outra afirmação grávida de consequências é a de que “há dois importantes processos de ajustes de preços relativos em curso na economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres”. Se traduzisse esse código para algo mais compreensível, o BC estaria dizendo, em primeiro lugar, que o câmbio (cotação do dólar) cumpre uma função relevante na contenção da inflação, na medida em que preços mais baixos dos importados reduzem os reajustes dos preços internos. Há aí uma faca de dois gumes. Quando deixar que o dólar se ajuste para cima, em vez de derrubar, o BC estará concorrendo para aumentar a inflação.

Em segundo lugar, há o problema já conhecido dos preços administrados. Quando a panela de pressão das tarifas represadas de energia elétrica, dos combustíveis e dos transportes urbanos for destampada, os demais preços entrarão em ebulição.

São fatores que concorrerão para puxar para cima a inflação futura e, se isso for para o salário, como quer o BC, teremos mais inflação, e não menos.


Aí está a evolução do desemprego no Brasil. 
As estatísticas de maio ficaram prejudicadas pela greve dos funcionários do IBGE, que não permitiu o levantamento das informações em duas praças importantes do Brasil: 
Salvador e Porto Alegre. 
O número de maio reflete a situação em São Paulo.

Goal-Line Technology

Depois que admitiu que a inflação deste ano não ficará abaixo de 6,4%, o Banco Central terá de adotar a tecnologia da Fifa para saber se a bola ultrapassou ou não a linha fatal (meta de 4,5% mais 2 pontos porcentuais de tolerância).

Celso Ming
Estadão

junho 26, 2014

DESAVERGONHADA/"GERENTONA"/"FAXINEIRA"... Palavra dada é palavra empenhada


Dilma Rousseff é bastante coerente no que diz. Já se apresentou aos brasileiros como gerentona, como faxineira e, mais recentemente, se disse firme na decisão de não ceder a chantagens partidárias e recusar-se a mexer em sua equipe em troca de apoio eleitoral. 
Em todos os casos, manteve a linha: 
não cumpriu nada a que se propos. 
Percebe-se agora que o que vale não é a palavra empenhada, mas a disposição de vender a alma ao diabo pela vitória.

Dilma Rousseff é uma pessoa de palavra.
Quatro anos atrás, apresentou-se ao eleitorado como gerente gabaritada. 
Eleita, correu para vestir uniforme de faxineira. 
Há algumas semanas, assegurou que não mudaria sua equipe ministerial apenas em troca de alguns minutinhos a mais no rádio e na TV. 
As circunstâncias e o figurino podem mudar, mas Dilma Rousseff mantém a coerência: 
não cumpre nada do que fala.
Dilma havia dito há algum tempo que “faria o diabo nas eleições”. 
Mas, vê-se agora, é muito mais que isso: 
a candidata-presidente está disposta mesmo é a vender a alma ao diabo. 
Os lances mais recentes da montagem do palanque reeleitoral são pródigos neste sentido. No balcão de negócios, o céu é o limite.
A presidente da República trocou ontem mais um de seus ministros para assegurar o apoio de mais um partido à sua elástica coligação eleitoral. 
Dilma dissera que estava muito satisfeita com César Borges no Ministério dos Transportes – e, convenhamos, pelo histórico de inoperância da pasta na era petista ele até vinha bem – e jamais o tiraria do cargo.

A palavra dada pela presidente, contudo, não foi honrada. 
O partido do ministro, o PR, cobrou a substituição de Borges e Dilma prontamente atendeu. Entregou sua cabeça e trouxe de volta para o cargo o mesmo ministro afastado há menos de 15 meses. Se isso não é ser coerente, o que mais pode ser? A Borges, restou a Secretaria dos Portos como prêmio de consolação.

Em 2011, o mesmo partido e o mesmo Ministério dos Transportes estiveram no centro da “faxina” – aquela em que a sujeira é varrida para baixo do tapete – promovida pela presidente. Se havia alguma dúvida do artificialismo do figurino ético de Dilma, não remanesce nenhuma mais. Na alça da mira agora estão a diretoria-geral do Dnit e o comando da Valec, também num movimento de desfazer a limpeza que, embora timidamente, fora feita.
A coerência administrativa da presidente ao nomear sua equipe é de dar gosto. Basta lembrar, também, o que aconteceu no Ministério da Pesca três meses atrás. Lá o ministro que não sabia o que era uma minhoca deu lugar a seu suplente no Senado, um teólogo e jornalista que, possivelmente, não faz ideia do que seja pescar com caniço e samburá.

Em todos estes episódios, salta aos olhos a falta de autoridade da presidente e sua total ausência de controle e critérios para compor uma equipe. Já não bastassem os maus resultados que ela tem a exibir em termos de obras e realizações, cabe a pergunta: 
Que espécie de gerentona eficiente é esta?

No seu vale-tudo pelo poder, o PT faz uso de suas armas mais típicas, como a também odienta caça aos que ousam não compactuar com os planos eleitorais do partido. O Globo noticia hoje que o Planalto foi em busca dos nomes de cada um dos prefeitos do PMDB fluminense que hipotecaram apoio a Aécio Neves. Para que será?

Pego no flagra, o ministro de Relações Institucionais disse que pretendia apenas convidá-los para um convescote no Planalto. “Prefeito, quando você chama para almoçar, para conversar sobre algum assunto, ele vem. Isso é do jogo”, disse Ricardo Berzoini, de notáveis atuações no submundo da guerrilha petista em eleições passadas. 
Não parece um fidalgo?

A uma presidente sem autoridade e com um currículo de parcas realizações para mostrar ao eleitorado como justificativa para merecer um novo mandato, junta-se um partido disposto a tocar o terror para vencer as eleições e perpetuar-se no poder. Nem com todos os arranjos e malandragens do mundo isso vai dar certo. 
O vale-tudo tem limite.
Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

E ENQUANTO ISSO... PETROBRAS/EXPECTATIVA E PETEBRAS REALIDADE : Mais reservas, menos caixa ou Reserva é o que não falta, extrair o petróleo é que são elas


Do ponto de vista econômico é importante reforço para a Petrobrás, como disse a presidente Graça Foster. Já dispunha de 16 bilhões de reservas medidas, outros 16 bilhões de reservas prováveis e terá à disposição mais 15 bilhões. Reserva é o que não falta. 
Tirar o petróleo de lá é que são elas.

O custo imediato é a cobrança de um bônus de R$ 15 bilhões, em parcelas anuais até 2018. Neste ano, a Petrobrás deverá recolher ao Tesouro R$ 2 bilhões, quantia que deverá reforçar o superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) do governo federal.

Alguma engenharia financeira já estava sendo esperada porque era preciso fechar um acordo sobre a tal cessão onerosa. 
(Só para quem não acompanhou esse assunto, cessão onerosa é o petróleo da União que já foi transferido à Petrobrás como parcela da União no aumento de capital realizado em 2010. Corresponde a 5 bilhões de barris de petróleo futuro.)

Para a exploração do petróleo da cessão onerosa, a União cedeu o Campo de Búzios (antiga área de Franco), no pré-sal da Bacia de Santos. 
No entanto, Búzios, mais o entorno, revelou muito mais, um total recuperável próximo dos 20 bilhões de barris (5 bilhões da cessão onerosa mais 15 bilhões da nova concessão). Embora a produção regular dessa área só deva começar em 2021, a Petrobrás não poderia equacionar seus investimentos sem conhecer as condições de exploração do campo ou do que excedesse os tais 5 bilhões de barris. 

O especialista em Petróleo Adriano Pires estima que os investimentos necessários para desenvolver apenas essa nova área sejam de US$ 245 bilhões a US$ 380 bilhões.

O maior complicador é que a Petrobrás, que mal vai dando conta do que já tem de fazer, não dispõe dos recursos para investir em mais esses campos. 
Sua capacidade de endividamento (alavancagem) chegou ao limite. A saída seria aumentar o capital. Como tem créditos a receber da Petrobrás e como tem direitos sobre o petróleo futuro (os mesmos que serão produzidos no regime de partilha), a União poderia subscrever sua parte sem tirar recursos do cofre. Bastaria transferir esses recursos futuros ao capital da Petrobrás, como aconteceu por ocasião da cessão onerosa.

O problema está na parcela a ser subscrita pelos demais acionistas, ou dos detentores dos outros 53,9% do capital. Em princípio, ninguém vai colocar nem mais um centavo em capital novo da Petrobrás se continuarem a prevalecer as atuais regras que mantêm achatadas as tarifas dos combustíveis, que estrangulam o caixa da Petrobrás e que a impedem de encontrar sócios para as refinarias que terão de ser construídas.

Já se espera certa descompressão das tarifas, mas é altamente improvável que seja anunciada antes das eleições. E mesmo se for anunciada depois, é preciso ver antes quem vai conduzir o próximo governo e que política reservará à Petrobrás e à política do petróleo.

A entrega de mais essa área exploratória para a Petrobrás exigirá outras medidas complementares. Enquanto não forem conhecidas não dá para avaliar adequadamente sua qualidade. 

CONFIRA:

Estatização?

Nesta quarta-feira o mercado financeiro temeu manobra do governo para estatizar de vez a Petrobrás. Seria decidido forte aumento de capital para garantir os investimentos na área de Búzios. O Tesouro subscreveria sua parte com os tais créditos ou com direitos a petróleo futuro (como está explicado acima). O acionista minoritário não aceitaria subscrever o que lhe coubesse, porque não concordaria com as atuais condições. Assim, o Tesouro teria de assumir a subscrição das sobras. O resultado seria a diluição da participação do setor privado no capital da Petrobrás.

E o caixa?

Essa manobra aumentaria o capital da Petrobrás, mas não resolveria seu grave problema de caixa, mesmo com a melhora da sua capacidade de endividamento proporcionada pelo aumento patrimonial. Ou seja, mesmo se o governo decidisse aprofundar a participação do Tesouro no seu capital, seria necessário municiar a Petrobrás com dinheiro vivo e evitar novos laudos negativos das agências de classificação de risco.

Celso Ming 

Estadão

junho 25, 2014

Empregos a perigo


O governo Dilma sempre se recusou a discutir a sério os problemas da economia. Escuda-se na alegação de que o mercado de trabalho vai bem e que, sendo assim, não há que se falar em fraquezas. O que dirão agora que a geração de empregos despencou no país?

Porta-vozes oficiais têm adotado o mantra de que “PIB não enche barriga” no intuito de criar uma narrativa que – com o fracasso de Dilma Rousseff na promoção do crescimento – desdenha a importância da expansão econômica para o bem-estar da população. 
Mas, se PIB não enche barriga, é o emprego que põe comida na mesa. 
Ou não?

Neste sentido, são muito ruins os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo governo. Em maio, foram criadas apenas 58,8 mil novas vagas de trabalho em todo o país.

Parece bom? 
Uma frase ajuda a qualificar o dado: 
foi o pior resultado para meses de maio desde 1992, tempo em que Fernando Collor ainda era presidente da República. Lá se vão 22 anos. 
Nem em tempos de crise brava, como foi 2009, fomos tão mal assim.

Nos cinco primeiros meses deste ano, foram criadas 543 mil novas vagas de trabalho, com queda de 28% em relação ao mesmo período de 2013. 
Na comparação com os cinco meses iniciais do primeiro ano da gestão Dilma, a queda é bem mais significativa: 
55% quando comparadas as médias mensais.

O segmento mais penalizado pelos cortes é a indústria da transformação: 
em maio, 28,5 mil postos de trabalho foram eliminados. 
É o segundo mês seguido com quedas no setor – em abril, o saldo fora negativo em 3,4 mil e, no acumulado no ano, a redução no emprego industrial já é de 2% em relação a 2013.

No ano, até maio, a indústria criou apenas 3,6 mil novas vagas de trabalho e caminha para fechar 2014 praticamente no zero a zero, na melhor das hipóteses. O pior é que, em geral, os ciclos de demissões na economia começam pelo setor industrial, o que permite acender luz amarela para o mercado de trabalho em geral nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, a atividade industrial deve ter queda no ano (-0,14%), conforme as previsões mais recentes colhidas pelo Boletim Focus do Banco Central. Frise-se que são os empregos industriais justamente os mais bem remunerados e qualificados. O trabalhador brasileiro, portanto, empobrece.

São todos resultados muito ruins para um país em véspera de Copa do Mundo, como era o Brasil em maio passado. Se, dentro de campo, o Mundial de futebol está sendo um espetáculo, fora dele os sinais são frustrantes, como ilustra o mercado de trabalho. Deveríamos estar bombando, mas não.

O governo prefere culpar empresários e seu “pessimismo”, como se humores e não dados da realidade fossem o motor dos investimentos produtivos.
 Gente como Lula consegue ser ainda mais irrealista, ao dizer que Dilma está “mantendo a inflação na meta com manutenção de salário e emprego”. 
Só se for em Marte...
A meta de criação de 1,4 milhão de vagas neste ano não deve se confirmar e deve ser oficialmente revista pelo governo já no próximo mês. 
O governo Dilma diz que criou 5,1 milhões de empregos. 
Não é verdade. Segundo o Caged, foram apenas 3,6 milhões. 

É bom, mas é quase 30% menos do que a propaganda oficial apregoa.

A crise na criação de empregos no país é mais um efeito da duvidosa política econômica da presidente Dilma Rousseff. 
Se já tínhamos a mais perversa das combinações, com inflação alta e crescimento baixo, agora adicionamos uma pitada a mais de pimenta, com a forte perda de dinamismo do mercado de trabalho. 
O caldo entornou.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

junho 24, 2014

Governo impõe à Petrobras pagamento de R$ 15 bi por excedente do pré-sal

Em mais uma intervenção desastrada, o governo federal impôs um novo fardo à Petrobras, o que fez as ações da estatal caírem mais de 3%. Em reunião nesta terça-feira, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com aval da presidente Dilma Rousseff, decidiu que a empresa será a única a explorar o óleo excedente em quatro áreas da chamada cessão onerosa do pré-sal. A escolha da Petrobras, sem licitação ou leilão, garante reservas adicionais entre 10 e 15 bilhões de barris de petróleo, o que é bom. 

Contudo, impõe à empresa altamente endividada um custo de 15 bilhões de reais em bônus e antecipações, segundo fato relevante divulgado nesta terça-feira.

Como a Petrobras não tem caixa suficiente para pagar o Tesouro pelo direito de explorar o excedente dos quatro campos (Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi), o governo desenhou condições consideradas, digamos, de pai para filho. A estatal arcará com o pagamento de 2 bilhões de reais este ano e fará a provisão dos 13 bilhões de reais restantes em barris de petróleo. Na prática, o governo contabilizará o recebimento de 15 bilhões de reais este ano, o que ajuda a engordar o superávit primário. Mas o pagamento ocorrerá ano a ano, até 2018, da seguinte forma: 2 bilhões serão desembolsados em 2015, 3 bilhões em 2016, 4 bilhões em 2017 e 4 bilhões em 2018.

Os papéis preferenciais da companhia fecharam com perdas de 3,61%, revertendo ganhos de mais de 3% durante a manhã de terça. Apesar de o governo ter afirmado que a Petrobras tem caixa para arcar com o bônus de 2 bilhões este ano, as ações despencaram influenciadas, sobretudo, pelos efeitos da mão pesada do governo na gestão da empresa.

 "A diretoria da Petrobras, em reuniões com o mercado, disse que não esperava nenhum impacto no caixa da empresa por conta dessa reavaliação de reservas. Parece que não será assim", afirmou a Elite Corretora, em nota.

Outro fator negativo evidenciado pelo fato relevante é a impossibilidade de a estatal manter seu plano de investimentos em dia e ao mesmo tempo satisfazer a ânsia do Tesouro por recursos para fechar suas contas. O Itaú BBA afirmou que a notícia "confirmou seus piores medos" e que não há forma de a Petrobras antecipar a produção do volume previsto no acordo a menos que adie outros projetos em seu portfólio. "Em outras palavras, a Petrobras vai pagar 15 bilhões de reais ao governo em cinco anos para barris que serão produzidos no longo prazo", afirmou banco em relatório a seus clientes.

Cessão onerosa — 
Em setembro de 2010, a Petrobras fechou acordo com o governo federal para pagar cerca de 75 bilhões de reais pelos 5 bilhões de barris iniciais do contrato de cessão onerosa do pré-sal, que incluiu um total de sete áreas de exploração. A estatal informou que os volumes adicionais ao contrato da cessão eram de entre 6,5 bilhões e 10 bilhões de barris em Búzios; entre 2,5 bilhões e 4 bilhões de barris em Entorno de Iara; de 300 milhões a 500 milhões de barris em Florim e entre 500 milhões e 700 milhões de barris em Nordeste de Tupi.

O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, ressaltou que estes volumes são "meras estimativas", colocando ainda mais dúvidas sobre o que esperar das reservas do pré-sal, num período em que a empresa é varrida por uma CPI e inúmeras suspeitas de irregularidades ao longo da gestão de José Sergio Gabrielli.

A estimativa é de que a Petrobras comece a produzir os cerca de 14 bilhões barris excedentes dos campos de Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi entre 2020 e 2021. A estatal terá 35 anos para fazer a exploração desses campos, sem sócios. A empresa já possui uma cessão onerosa para explorar outros 5 bilhões de barris por 40 anos, contados a partir da concessão em 2010, com previsão para começar a produzir em 2016.

Veja.com
(Com agência Reuters)