"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 15, 2013

Investimento elevado no Brasil? desculpe, não entendi!


Ontem (14 de agosto de 2013), no debate sobre política macroeconômica na Câmara dos Deputados, apesar das divergências na leitura dos dados entre eu e o Secretário de Política Econômica, Márcio Holland, um ponto em especial me chamou muita atenção. O secretario falou do forte crescimento da taxa de investimento no Brasil, cujo crescimento foi um dos maiores do mundo.

Bom, leitor, você vai aprender agora o que é olhar números de forma diferente.

Primeiro, o gráfico abaixo mostra a taxa de investimento trimestral do Brasil em valores correntes do PIB. O último dado oficial do IBGE mostra que essa taxa de investimento foi de 18,4% do PIB no primeiro trimestre de 2013. Se compararmos com o quarto trimestre de 1999 (taxa de investimento de 14,71% do PIB) ou com o quarto trimestre de 2003 (taxa de investimento de 14,85% do PIB) a taxa de investimento no Brasil cresceu perto de 25%.


Gráfico 1 – Taxa de Investimento Trimestral – % do PIB – 1o TRIM 1994 – 1o TRIM 2013
Fonte: IBGE

Há no entanto um problema. A taxa de investimento havia crescido muito e alcançado 20,61% do PIB no terceiro trimestre de 2008. Mas depois, apesar da forte atuação do BNDES, o que podemos ver de forma muito clara é que o investimento ensaia uma recuperação que não se sustenta, o que pode ser visto pela curva em forma de “U” invertida. Ou seja, se a base de comparação for o terceiro trimestre de 2008 a taxa de investimento atual de 18,4% do PIB despencou apesar da sucessivas intervenções do governo com incentivos setoriais.

Segundo, se compararmos a taxa de investimento do Brasil com todas as outras economias Latino Americanas e Caribe, no total de 30 países ordenados da maior para a menor taxa de investimento, o Brasil estava na 22a posição, em 2012. Investimos mais apenas que Granada, Republica Dominicana, Barbados, Dominica, Guatemala, El Salvador, Paraguai e Trinidad Tobago. Ou seja, qualquer pessoa com algum conhecimento básico de economia sabe que a nossa taxa de investimento é baixa e tradicionalmente inferior à média dos países Latino Americanos+ Caribe.

Tabela 1 – Taxa de Investimento % do PIB em 2012 – América Latina e Caribe
 
Fonte: FMI

Gráfico 2 – Taxa de Investimento no Brasil versus média da América Latina e Caribe – 1994-2012 – % do PIB
 
Fonte: FMI
Infelizmente, a taxa de investimento no Brasil é baixa e não conseguimos alcançar nem a média da América Latina e Caribe. É claro que temos o Paraguai para nos comparar e ficarmos alegres. Mas será essa uma boa comparação? Opa, mas podemos nos comparar com nós mesmos quando, no quarto trimestre de 2003, investimos 14,85% do PIB. Mas será essa uma boa base de comparação para explicar a perda de dinamismo recente do investimento da economia brasileira?

Ao que parece, para o governo, o investimento está se recuperando e já estamos em uma trajetória de crescimento sustentável e o Brasil é uma país que mostra “forte crescimento da taxa de investimento”. Se o governo de fato pensa assim, podem começar a se preocupar porque a coisa vai piorar. É claro que isso vai levar a mais aumento da dívida pública para subsidiar na marra novos investimentos e, no futuro, vamos pagar essa conta (quer dizer, nossos filhos e netos).
Via blog do :

A NADA E COISA NENHUMA 1,99 E O ET DE VARGINHA

Na quinta-feira passada surpreendi-me com a notícia de que a presidente Dilma Rousseff, ao passar por Varginha (MG), declarou seu respeito pelo extraterrestre (ET) que teria surgido na cidade em 1996. Textualmente: "(...) tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que aqui quem não viu conhece alguém que viu".

Ele teria aparecido e depois sido apreendido por militares. Mas o que aconteceu - se é que aconteceu mesmo -nunca foi esclarecido. O certo é que a cidade ficou conhecida também pelo "seu" ET. E o fato de a própria presidente ter-lhe dedicado atenção mostra que se firmou no imaginário popular.

Não é a primeira vez que isso acontece. Um caso com muito espaço no debate sobre objetos voadores não identificados (ovnis ou, em inglês, UFOs) teria ocorrido perto em Roswell, nos EUA, em 1947.0 jornal local chegou a anunciar que militares da Força Aérea americana haviam resgatado o que restara de um disco voador e de seus ocupantes ao cair.

A informação veio de um porta-voz militar. Mas ainda no mesmo dia veio outro comunicado militar, dizendo que o que caiu foi um balão usado para previsões climáticas.

Mas perdurou a crença no óvni e nos seus ETs, realimentada em 1978 quando um oficial que participou da operação de resgate em Roswell confirmou ter sido mesmo um óvni e que o governo acobertou o caso. O assunto voltou à tona noutra entrevista do mesmo oficial e foi parar no Congresso do país.

Surgiu até uma testemunha de que autópsias nos ETs teriam sido realizadas na base aérea local. O governo manteve sua versão e ainda em 1997 voltou a se pronunciar sobre o tema. Quem quiser saber mais pode começar buscando "Roswell UFO incident" na internet.

Por causa desse caso a cidade atrai visitantes e tem até um museu sobre o assunto (www.ros-wellufomusenm.com). Note-se que é uma organização "ponto com", ou seja, não é do governo.

De qualquer forma, na minha breve incursão no assunto, não vi ninguém a declarar respeito por ETs, o que seria mais típico de um diálogo entre eles. A presidente Dilma estava falando a uma rádio e presumo que se dirigia apenas à audiência terrestre. Mas, como se diz lá em Minas, nunca se sabe, né?

Vou tomar a declaração como de respeito à crença local sobre o tema, o que é cabível Afinal, o universo é infinito. Se ainda não veio uma prova segura da existência dos ETs, também não se provou que não existem.

Como também não existem limites para o imaginário das pessoas, há muitas interessadas no assunto e, com razão, Varginha procura tirar proveito disso. Vem tentando e, como é típico do Brasil e de seus terrestres, há um projeto estatal, da prefeitura local, de criar um museu centrado na temática extraterrestre.

Como também é típico do País, o projeto local tem recursos federais, já gastou uma nota (R$ 1,1 milhão só dessa fonte) e a obra está parada, no caso, há três anos.

Isso já é falta de respeito tanto a ETs como a todos nós, terrestres nacionais que pagamos mais uma conta sem resultados. A matéria sobre o museu foi publicada na Folha de S.Paulo de sexta-feira passada, ilustrada por foto da enferrujada estrutura metálica dele, em formato de disco voador.

Enquanto não vem, refiro-me ao museu, habitantes e visitantes da cidade terão de se contentar com uma caixa d"água local no mesmo formato.

Aliás, quanto a atrasos de obras, comemora-se nos círculos da procrastinação nacional o primeiro aniversário do anúncio de um grande programa federal de concessão de rodovias e ferrovias federais. Neste estágio, a licitação e a concessão já deveriam estar concluídas e o projeto, andando. Cheguei a me entusiasmar com ele, mas sobreveio essa frustração. Em compensação, comemoro mais um adiamento do projeto do trem-bala.

Ainda em Varginha a presidente, falando de economia, voltou a se referir a outro mundo. Como ao dizer que "a inflação está sob controle". De novo, sua afirmação requer interpretação, mas não consigo encontrar uma que a deixe bem na foto. Medida pelo IPCA de julho, a inflação foi próxima de zero. Mas não quer dizer que esteja controlada, pois aqui, na Terra, é um processo que requer avaliação pelo menos em base anual.

Olhando à frente, as previsões do mercado financeiro são de que voltará a subir daqui para o fim do ano, chegando a taxas mensais superiores às que garantem o alcance do centro da meta de inflação, fixado pelo Banco Central em 4,5% ao ano. E alcançando até taxas que exigiriam a manutenção de medidas em contrário, como o aumento da taxa básica de juros.

Talvez a presidente se tenha referido a outra forma de controle que adota, como a estampada em manchete da Folha de ontem: Dilma segura reajustes de preços sob controle do governo federal. É, porém, um controle que não funciona neste mundo, pois a inflação diz respeito ao conjunto de preços dos bens e serviços de toda a economia e não se resolve segurando este ou aquele preço.

Ao contrário, isso cria distorções como a enfrentada atualmente pela Petrobras, que com esse controle tem seus planos de investimentos prejudicados por carência de recursos próprios.

Noutra afirmação não cabível aqui, na Terra,. Dilma declarou que no primeiro semestre deste ano "... criamos 826 mil empregos com carteira assinada". Exceto pelos empregos criados na área estatal pelo governo, quem cria empregos aqui, na Terra, é a economia na sua dinâmica, na qual o governo tem algum papel, mas nem sempre o melhor deles e não de todo determinante, exceto ao gerar crises.

No momento, por exemplo, fossem outras a política e a gestão econômica governamental, de tal forma que, entre outros aspectos, não houvesse espaço para atrasos de projetos que vão do museu de Varginha ao citado programa de rodovias e ferrovias, ainda mais empregos seriam criados pela economia, em particular e como sempre pelo setor privado.

Roberto Macedo  O Estado de S. Paulo
Dilma e o ET de Varginha 

POÇO SEM FUNDO ! BNDES pedirá mais dinheiro ao Tesouro e deve liberar até R$ 190 bilhões este ano

 
Com a perspectiva de elevar o total, de recurso liberados para empréstimos em até 22% oeste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pedirá mais recursos do Tesouro Nacional. O presidente da instituição, Luciano Coutinho que vinha sustentando a previsão de que o banco manteria o nível de desembolsos do ano passado, de 156 bilhões, afirmou ontem que, apesar da atividade econômica morna, o total liberado este ano deve ficar entre R$ 185 bilhões e R$ 190 bilhões.

"Esse desempenho combina o crescimento do investimento e um pouquinho de substituição de operações no mercado externo ou com bancos privados, que passamos a suportar para segurar o bom desempenho da economia. Esperamos que, em 2014, esse processo de reequilíbrio possa diminuir um pouco a pressão sobre o banco", afirmou Coutinho, após apresentar o balanço do desempenho no primeiro semestre. Ele não quis adiantar quanto está sendo negociado, mas 0 " aporte seria em dinheiro novo, Em Brasília, já se falou em valores entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões.

Desde 2009, o Tesouro já reforçou o caixa do banco com quase R$ 300 bilhões. Até o ano passado eram R$ 280 bilhões e, em junho, medida provisória autorizou mais R$ 15 bilhões, A diferença é que este último repasse foi uma capitalização de fato, e não um empréstimo.

Como único acionista do BNDES, o Tesouro elevou o seu capital Os demais repasses tiveram a característica de empréstimos de longo prazo a custo baixo. As injeções de recursos no banco fazem parte da estratégia do governo de tentar empurrar a economia.

Esses aportes são polêmicos. Críticos dizem, que distorcem a economia, por oferecer subsídios exagerados a empresas, e o custo dessa ajuda é bancado pelo Tesouro Nacional, elevando a dívida pública.

"Suplementação". Para manter o ritmo de crescimento dos financiamentos, o BNDES reivindica a "suplementação" de recursos e, segundo Coutinho, já está em "tratativas" com o Ministério da Fazenda. "Estamos olhando a composição de fontes. Para agosto e setembro, estamos tranquilos", afirmou, destacando, porém, que o cenário externo não favorece captar no mercado internacional.

Os dados do mês passado ainda não foram divulgados, De janeiro a junho, o BNDES registrou alta nominal de 65% no total desembolsado, que atingiu R$ 88,3 bilhões.

Coutinho creditou o cresci: mento à atuação "anticíclica" do BNDES, substituindo os bancos privados num momento em que eles moderam seu crescimento do crédito. Para Coutinho, a divergência 110 crescimento das carteiras de crédito, com os bancos públicos avançando em ritmo muito mais acelerado que o setor privado, deverá cair no segundo semestre e em 2014. "Os bancos privados desaceleraram as concessões de crédito para lidar com o problema da inadimplência, que havia crescido", afirmou.

"Isso não significa que os bancos privados num futuro próximo não possam voltar a expandir, na medida em que, em larga medida, a inadimplência já foi absorvida, E os bancos públicos podem, na margem, moderar um pouco a expansão."

Resultado. O BNDES teve lucro líquido de R$ 3,261 bilhões no primeiro semestre, alta de 20,4% em relação ao primeiro semestre de 2012. Segundo nota do banco, "o fator, que mais contribuiu para o desempenho positivo de 2013 foi o resultado com financiamentos a projetos de investimento".

ABNDESPar, empresa de participações do banco, teve queda de 66,7% no lucro líquido do segundo trimestre, em comparação a igual período de 2012, registrando R$ 228 milhões. No primeiro semestre, o lucro da BNDESPar ficou em R$ 639 milhões, queda de 47,7%. Segundo o documento de informações trimestrais, pesou sobre o resultado do segundo trimestre uma despesa com provisão para perdas no valor de R$ 1,088 bilhão.

O Estado de S. Paulo

PETEBRAS : filho de ministro do TCU atuou em contrato

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Advogado Tiago Cedraz diz que saiu de negociação sob suspeita por não concordar com repasses a "terceiros"

O filho do vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Aroldo Cedraz, atuou na execução do contrato que previa um suposto pagamento de propina de US$ 10 milhões em caso de venda de uma refinaria da Petrobras em San Lorenzo, na Argentina. O advogado Tiago Cedraz, de 31 anos, era sócio do escritório Cedraz & Tourinho Dantas, uma das partes do contrato que previa repasse de uma "taxa de sucesso" de US$ 10 milhões caso se concretizasse a venda da refinaria a um empresário do jogo na Argentina.

Em entrevista à revista "Época", o lobista e engenheiro João Augusto Rezende Henriques, ex-servidor de carreira da Petrobras, disse que contratos da área internacional da estatal - entre eles o referente à venda da refinaria em San Lorenzo - serviram para o pagamento de propina a parlamentares do PMDB. Ao GLOBO, o filho do ministro Aroldo Cedraz confirmou ter atuado no contrato e afirmou que os "honorários" deveriam ser repassados a terceiros. Tiago, porém, não citou supostos beneficiários de repasses e disse que o contrato acabou ficando pelo caminho.

O advogado afirmou ter atuado na execução dos serviços que culminariam na venda da refinaria, até discordar de seu sócio, o advogado e ex-deputado federal Sérgio Tourinho Dantas, quem de fato assinou o contrato em 2009. Segundo o relato do filho do ministro do TCU, Sérgio comunicou que deveria haver cessão a terceiros do dinheiro a ser repassado, o que não teria sido acatado pelo sócio. Ainda conforme Tiago, o valor do contrato chegou a ser reduzido em 88%, até ser rescindido. Mesmo assim, o filho de Aroldo Cedraz continuou sócio de Sérgio até agosto de 2012.

- O contrato foi fechado e trabalhamos nele num determinado momento. Mas nenhum dinheiro foi recebido. Em razão de vários desgastes com Sérgio, a parceria acabou - disse o advogado.

Tiago confirmou que ele e o pai conheceram e ficaram amigos de Sérgio na Bahia - o escritório do ex-deputado, que seria sócio de lobistas do PMDB, segundo a reportagem de "Época", fica em Salvador. Aroldo e Sérgio foram deputados federais no mesmo período, no início da década de 90, quando integraram o mesmo partido, o antigo PFL, hoje DEM.

Tiago e Sérgio eram os principais sócios do Cedraz & Tourinho Dantas. Hoje, o primeiro é um dos donos do Cedraz Advogados, que fica no Lago Sul, em Brasília. O segundo é sócio do Brandão & Tourinho Dantas, que teria dois escritórios, um em Brasília e outro em Salvador. No endereço na capital federal citado no site, não há nenhum escritório. A recepção do prédio informa que a equipe se mudou para um escritório no Lago Sul.


Vinicius Sassine O Globo 

de(S)cênio ! Como conseguem?


É embaraçoso para o governo Dilma: 
como dizer que o automóvel particular a gasolina agora é o bandido, depois de ter passado anos dando-lhe tratamento de rei?
Não é modo de dizer. 
Os carros tiveram seus preços abatidos, via redução de impostos, e as montadoras locais foram apoiadas com proteção e financiamento subsidiado para aumentar a produção. Os compradores também foram brindados com enorme ampliação do crédito - nada menos que R$ 52 bilhões concedidos nos últimos dois anos.

De presente extra, a gasolina com o preço congelado e contido, para segurar a inflação e evitar a bronca dos motorizados.

Agradecidos, os brasileiros, especialmente os da nova classe média, foram à luta, quer dizer, aos bancos e concessionárias, e cumpriram sua obrigação de apoiar o crescimento do PIB. Saíram de carro por aí.

Infelizmente, a Petrobras não conseguiu entrar na festa. Sua produção de petróleo estagnou, as refinarias não deram conta da demanda, as novas refinarias estão atrasadas, de modo que a estatal precisou importar cada vez mais gasolina. E a preços não brasileiros, claro.
Não é de estranhar que o resultado tenho saído muito errado.
 A inflação continuou elevada e o crescimento permaneceu muito baixo. Sempre se pode dizer que tudo teria sido pior com a gasolina e os carros mais caros. Mas pior comparado com o quê? De todo modo, o fato é que muitas outras coisas também deram errado.

A Petrobras, perdendo receita, sendo obrigada a vender gasolina mais barato do que importa, teve que se endividar. E as ruas ficaram congestionadas, pois não se investiu na infraestrutura necessária para acolher os carros e abrir caminhos para o transporte coletivo.


Como consertar isso, considerando ainda mais que a Petrobras precisa de dinheiro, muito dinheiro, para o pré-sal? 
E lembrando que o dólar caro veio para ficar?
Claro, precisa aumentar o preço da gasolina para turbinar as receitas da estatal. Quanto? Se for apenas para equilibrar o preço atual, pelo menos 20%. Se for para recuperar perdas passadas, uns 30%.

Mas isso jogaria a inflação de novo para cima do teto da meta - 6,5% - e provocaria uma justa bronca na classe média. Qual é? Não era para comprar carro?

Que tal, então, um aumento moderado para a gasolina e para o diesel? Ruim também. Talvez pior. Provocaria inflação de qualquer jeito - pois o índice está rodando em torno do teto -, não resolveria o caixa da Petrobras e deixaria todo mundo aborrecido.
E, para complicar, tem mais essa proposta do prefeito de São Paulo, Fernando Hadad, de colocar um imposto de 50 centavos por litro de gasoloina e usar todo o dinheiro para subsidiar e reduzir tarifas de ônibus. Para efeitos de índice de inflação, a redução da tarifa compensaria a alta da gasolina, mas vá explicar para o pessoal que está tudo bem com a gasolina a R$ 4,20.

Imaginem o impacto psicolólogico e social, pois a gasolina subiria em dose dupla, uma para a Petrobras, outra para os ônibus. E, como estes passam a ter prioridade, os brasileiros que micaram com os carros pagarão mais caro para ficar em congestionamento mais demorado.
Como o governo pode ter se equivocado tanto?

Seria uma pergunta cabível se o resto estivesse funcionando. Mas considerem apenas o que tem saído na imprensa nos últimos dias.
As usinas de Jirau e Santo Antonio, em construção no Rio Madeira, vão gerar uma carga de energia que não pode ser levada pela linha de transmissão projetada. Simplesmente queimaria tudo. A linha é insuficiente. Sabe-se disse desde 2010 - e ainda estão discutindo para descobrir de quem é a culpa.
Mas deve estar sobrando energia, não é mesmo? Usinas eólicas estão prontas e paradas há um ano, por falta de linhas de transmissão.

Há uma guerra judicial no setor elétrico, com o governo tentando empurrar para empresas a conta da energia produzida nas usinas térmicas.

Há milho para ser estocado, uma superprodução, e armazéns da Conab fechados por falta de manutenção ou porque estocam milho... velho.

Na política econômica, o Brasil é o único país importante que está subindo juros. É também o único emergente de peso que não pode se aproveitar do momento internacional para deixar a moeda local se desvalorizar o tanto necessário para dar muita competitividade às exportações.
Uma ironia: 
a "nova matriz" do governo, alardeada pela presidente Dilma, se baseava em juro baixo e dólar caro, para ter crescimento elevado. Pois, no momento em que o dólar sobe sozinho, por conta dos EUA, o BC brasileiro tem que elevar os juros e tentar segurar o dólar para controlar a inflação. E lá se vai o PIB.

Uma ironia pedagógica, se é que conseguem aprender com tantos equívocos.
 
 Carlos Alberto Sardenberg O Globo