"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 03, 2013

Universos paralelos

Enquanto os cidadãos clamam por serviços públicos de mais qualidade, maior rigor na gestão e a preservação de um ambiente de estabilidade na economia, Dilma Rousseff lhes oferece um plebiscito e a importação de médicos. Além disso, ela e sua equipe continuam viajando na contabilidade criativa e no fantasmagórico trem-bala.

Os problemas do país se avolumam sem encontrar reação à altura da presidente, que parece habitar um universo paralelo.

As respostas que vêm sendo apresentadas pela presidente da República às cobranças emanadas das ruas parecem ter partido de um universo paralelo. Os brasileiros vivem problemas reais no seu dia a dia e vêm as perspectivas para o país turvarem-se, comprometendo o futuro de uma geração.


Mas Dilma Rousseff mostra-se apartada desta realidade.

Enquanto os cidadãos clamam por serviços públicos de mais qualidade, maior rigor na gestão e a preservação de um ambiente de estabilidade na economia, a presidente lhes oferece um plebiscito para reformar a política e a importação de médicos...

Além disso, ela e sua equipe continuam viajando ao gerir criativamente as contas do país e ao insistir em embarcar no fantasmagórico trem-bala.

Não tem como dar certo.
A proposta de plebiscito enviada ontem ao Congresso está fadada ao fracasso. Em primeiro lugar, porque é a última coisa que a população espera ver enfrentada neste momento. Em segundo, porque se concentra, principalmente, em tentar emplacar as teses prediletas do PT, como o financiamento público de campanha, e não em aperfeiçoar a representação popular.

E, por fim, porque, felizmente, o país ainda tem uma lei a ser respeitada:
a Constituição.

O plebiscito é apenas uma das respostas lunáticas que Dilma tem conseguido balbuciar depois que foi atordoada pelas ruas e viu sua popularidade rolar ladeira abaixo, junto com suas chances de reeleição. A questão é que os problemas do país se sucedem e se avolumam sem que encontrem reação à altura do governo da petista.

A economia brasileira vive atualmente um estado de convulsão que nos torna párias do mercado mundial. Somos um dos países com menor perspectiva de crescimento neste ano, com uma das taxas de inflação mais elevadas, com o mercado acionário mais cadente, o comércio exterior mais depauperado e a indústria mais decadente.

Como quem habita outro planeta, também nesta seara a presidente apresenta venenos como se fossem remédios, como é o caso do possível aumento de impostos, segundo informa O Estado de S.Paulo hoje.

Isso depois de distribuir benesses fiscais a torto e a direito aos amigos do rei e da rainha – para ficar num tema da hora, só no grupo de Eike Batista BNDES e Caixa têm R$ 6,3 bilhões injetados.

A presidente aparenta ignorar que o Brasil enfrenta uma crise de confiança que tem nome – Dilma – e sobrenome – Guido Mantega. Com uma dupla de área destas, ladeada por um time de mais 38 cabeças de bagre, não há quem se aventure a correr riscos por aqui, o que explica a intensa fuga de capitais e investimentos que o país ora assiste.

Indiferente, o governo continua a abusar da manipulação das contas públicas e das maquiagens contábeis. Novamente, mete a mão nos recursos do BNDES e também volta a avançar sobre os dividendos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, como informa hoje o Valor Econômico em manchete.

É um modelo que já fez água, mas só Dilma e sua equipe de extraterrestres parecem não perceber.

A economia real está desmoronando.
A indústria teve, em maio, mais um mês de péssimo desempenho. 
A queda de 2% sobre abril atingiu todas as categorias de produtos e 20 dos 27 setores analisados pelo IBGE. O pior tombo foi o da categoria de bens de capital, que costumam antecipar o comportamento futuro dos investimentos.

Nosso comércio exterior vai mal como há 18 anos não se via e, para completar, a bolsa de São Paulo tornou-se palco diário de um show de horrores. O comportamento do mercado acionário no primeiro semestre foi o pior desde a segunda metade de 2008, quando uma hecatombe global arrastou todo o mundo.

A diferença é que, agora, a maré geral é montante e, entre as economias que contam, só nós estamos indo ladeira abaixo.
Será que mesmo assim Mantega e sua equipe continuarão insistindo em dizer que o Brasil só vai mal porque o mundo também vai?

Na realidade, o problema está, e sempre esteve, aqui mesmo:
é o "risco Dilma”, do qual todos querem distância. 


Na mensagem que enviou ontem ao Congresso sugerindo a realização do plebiscito, a presidente defendeu a consulta popular afirmando que "as formas de representação política dão sinais de que precisam ser renovadas”.

Pelo menos nisso, Dilma Rousseff tem bastante razão:
a renovação que precisa ser feita deve começar pela chefe da nação.


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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do
Instituto Teotônio Vilela

E EM REPÚBLICA DE TORPES E IMPOSTORES ... O rombo oculto do comércio ! "O buraco de US$ 3 bilhões no comércio exterior, foi menos feio que o resultado real mascarado nas contas oficiais."

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O buraco de US$ 3 bilhões no comércio exterior, o pior resultado no primeiro semestre em 18 anos, foi menos feio que o resultado real mascarado nas contas oficiais.

De janeiro a junho, as exportações de manufaturados, no valor de US$ 42,77 bilhões segundo o governo, foram infladas com vendas fictícias, no valor de US$ 2,43 bilhões, de plataformas para extração de petróleo. Só em junho esse tipo de operação proporcionou uma receita meramente contábil de US$ 1,63 bilhão.

Esse valor corresponde a dois terços do superávit comercial de US$ 2,39 bilhões registrado no mês pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A melhora efetiva na conta comercial, depois de um semestre de resultados muito ruins, foi bem mais modesta do que poderia parecer à primeira vista e combina muito com o desempenho ainda fraco da indústria.

Mesmo inflada pela exportação fictícia de plataformas, a receita das vendas externas, de US$ 114,52 bilhões de janeiro a junho, ainda foi 0,7% menor que a dos primeiros seis meses de 2012. Ao mesmo tempo, o gasto com importações, de US$ 117,52 bilhões, foi 8,4% maior que o de um ano antes. Houve alguma reação em junho, mas bem menos notável que a indicada pelos números oficiais.

Descontado o valor da plataforma (US$ 1,63 bilhão), a receita do mês ficaria reduzida a US$ 19,6 bilhões e seria apenas 1,29% maior que a de um ano antes. A variação teria sido menor 1,5% que a das compras externas. As importações começaram a crescer mais que as exportações em 2007. Essa tendência foi interrompida na recessão, mas logo ressurgiu.

A erosão do superávit comercial, mais acentuada a partir de 2011, resultou de vários fatores com pesos diferentes em diferentes momentos. A valorização do real encareceu as exportações e barateou as importações. Isso resultou em parte da grande oferta de dólares, mas a inflação acentuou o desajuste cambial.

 Custos importantes, como o da mão de obra, reduziram o poder de competição dos produtores nacionais.

Mesmo sem o aumento real dos salários, no entanto, os exportadores já estariam em desvantagem, por causa da tributação e dos problemas de logística, para citar apenas dois fatores de grande relevância. Além disso, erros diplomáticos dificultaram o acesso dos produtores a mercados do mundo rico e tornaram o comércio brasileiro muito dependente do Mercosul, de alguns compradores da vizinhança e da China.

Uma das consequências dos vários erros cometidos pelo governo - na diplomacia e na política interna - foi a dependência crescente das exportações de commodities, isto é, de produtos básicos e semimanufaturados.

Neste ano, as vendas desses dois tipos de produtos, embora menores que as de um ano antes, ainda proporcionaram, em conjunto, 60,4% da receita de exportações.

As exportações de manufaturados (37,3% do valor total) aumentaram 0,4%, mas graças, em grande parte, à receita contábil das operações com as plataformas.

A piora da conta comercial é evidente, apesar da confusão introduzida nos números pelas estranhas práticas do governo. Parte das importações de combustíveis e de lubrificantes de 2012 só apareceu nos registros neste ano. Nesse caso, a distorção foi limitada, porque as compras ocorreram e acabariam entrando nas contas.

A distorção mais grave é a das exportações fictícias permitidas pelo Repetro, regime especial criado nos anos 90 e reformulado várias vezes na década seguinte.

Por esse regime, uma empresa do setor de equipamentos para petróleo pode realizar uma exportação meramente contábil para uma subsidiária da Petrobrás. Esse mesmo equipamento é em seguida usado no Brasil mediante aluguel. O sistema foi criado para reduzir a tributação paga pela Petrobrás e por outras companhias dedicadas à pesquisa e extração de petróleo e gás.

No mercado financeiro, a projeção mais recente é de um superávit comercial de US$ 6 bilhões, menos de um terço do obtido em 2012, de US$ 19,41 bilhões. No começo do ano, projetava-se um saldo de US$ 15 bilhões.

O Estado de S. Paulo

BNDES e Caixa entre os maiores credores de Eike

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A exposição das empresas X, do empresário Eike Batista, no mercado financeiro está concentrada em cinco bancos brasileiros, de acordo com relatório do Bank of America Merril "Lynch, enviado a clientes.

Os estatais Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal estão entre as principais com R$ 4,888 bilhões e R$ 1,392 bilhão, respectivamente.

Em seguida estão os privados Bradesco, ItaúUnibanco e BTG Pactuai. Juntos, conforme cálculos dos analistas Alessandro Arlant, AnneMilne e Roy Yackulic, esses bancos somam exposição de mais de 9,4 bilhões às empresas do grupo X.

Eles destacam, no relatório, que os números estão baseados nos balanços do primeiro trimestre deste ano e são apenas uma visão parcial da exposição global das empresas X aos bancos brasileiros.

“As informações e a divulgação das mesmas são pobres e, por isso, é tão difícil avaliar o tamanho da exposição dos bancos em relação às empresas X uma vez que ele pode estar subestimado”, avaliam os analistas.

Eles lembram que o fato de o grupo EBX, holding que concentra os negócios de Eike Batista, não ter capital aberto e, por isso, não divulgar informações sobre suas dívidas totais, dificulta uma análise mais apurada sobre o risco X para os bancos.

Além disso há, conforme atentam Arlant, Anne e Yackulic, títulos de dívidas, como debêntures, por exemplo, que não são contabilizadas na linha de empréstimos dos balanços das instituições bancárias e garantias concedidas.

Os analistas destacam ainda que Bradesco (R$ 1,252 bilhão) e Itaú Unibanco (R$ 1,235 biIhão) têm uma exposição semelhante ao grupo X, representando 13% e 14% do seu capital, respectivamente.

Injeção. Já para o BTG, embora tenha uma menor exposição, da ordem de R$ 649 milhões, principalmente referente à MPX (R$ 459 milhões), dado o seu pequeno tamanho em relação aos bancos comerciais, a exposição é de 4,3% do seu capital total.

O JPMorgan estima que a OGX precisa de uma injeção mínima de capital de US$ 700 milhões para garantir a operação da petroleira até meados do próximo ano.

“A injeção de capital em meio a um desenvolvimento de capex (investimentos para a manutenção dos equipamentos e da produção) reduzido em 2014 pode ser um alívio para as necessidades de caixa no curto prazo, mas a geração de caixa dificilmente será suficiente para cobrir o vencimento de bônus de US$ 2,6 bilhões com vencimento em 2018, exigindo uma renegociação da dívida”, afirma o relatório da instituição financeira.

 
O Estado de S. Paulo
/ colaborou FERNANDA GUIMARÃES

Contabilidade criativa' na contramão (DA GERENTONA 1,99)


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A política fiscal no Brasil está em descrédito, a ponto de essa desconfiança já se refletir no conceito atribuído ao país pelas agências internacionais de classificação de risco.

Como reação a esse descrédito, declarações recentes da presidente Dilma e de autoridades fazendárias pareciam demonstrar que o governo iria este ano abandonar a chamada "contabilidade criativa", pela qual buscara "melhorar" a aparência dos resultados das finanças públicas nos últimos dois exercícios.

Admitindo que o esforço fiscal será menos ambicioso em 2013 - superávit primário fixado em 2,3% do PIB e não em ilusórios 3,1% -, o governo prometeu atingir as metas recorrendo a um cálculo convencional, como, aliás, era feito no passado, quando o ajuste nas finanças públicas se tornara uma questão de sobrevivência da economia brasileira.

Mas não basta o discurso, pois o governo está naquela condição da mulher de César:
tem de provar sua sinceridade.

Surpreendentemente, sob o pretexto de agilizar transferências de recursos entre o Tesouro e o BNDES (banco de fomento integralmente controlado pela União), o governo mudou regras relativas ao recolhimento de dividendos pela instituição financeira. Essa mudança deve originar uma receita extraordinária de R$ 1,2 bilhão para o Tesouro, mas é, outra vez, um truque no mesmo espírito da "contabilidade criativa" que desencadeou esse processo de perda de credibilidade da política fiscal.

Ao persistirem nessa prática, as autoridades econômicas não conseguirão convencer quem quer que seja da seriedade da política fiscal no Brasil. Não é por conservadorismo ou simples antipatia ao governo Dilma que as críticas à política fiscal se acumulam.

A inflação está em patamar perigoso, no topo da meta que o Banco Central tem a missão de alcançar (6,5%). O xadrez da economia mundial está passando por um momento de mudanças expressivas, com os Estados Unidos voltando a atrair capitais, enquanto a China perde fôlego.

Nesse quadro, os mercados financeiros se agitam, e as economias que estiverem em posição mais fragilizada podem sair chamuscadas. O risco de a inflação fugir ao controle, em tal conjuntura, não é desprezível, por pressão da desvalorização da moeda nacional. E isso sem que o país consiga sair da armadilha do baixo crescimento.

É uma questão tão séria que o Banco Central resolveu adotar, internamente para avaliação dos rumos da economia, uma metodologia que acompanha a evolução das receitas e despesas do setor público sem levar em conta essas receitas e despesas extraordinárias, incluindo as resultantes da "contabilidade criativa".

Fica difícil entender por que o governo insiste em dar tantos tiros no

pé.


Contabilidade criativa' na contramão de Dilma  
O Globo

brasil maravilha ! Como atuava o "dream team" de Eike na OGX

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A OGX, que vive uma crise de credibilidade e acumula dívidas de aproximadamente US$ 4 bilhões, foi formada por um time brilhante de executivos que seu dono, Eike Batista, chegou a chamar de "dream team" ou "guarda pretoriana", como preferiu nominar sua equipe em uma entrevista ao Valor em 2008.

Criada com um grupo de executivos saídos da Petrobras, entre eles Rodolfo Landim, que foi cotado até para presidir a estatal, e Paulo Mendonça, que deixou a gerência-executiva de exploração da estatal, só para citar alguns, a OGX foi uma "darling" da Bolsa de Valores até pouco tempo atrás.

Em 2007, a primeira grande tacada veio com o investimento de US$ 1,4 bilhão para a aquisição de blocos na 9ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na OGX, Mendonça passou a ser conhecido como o "Mister Oil" e o céu era o limite para as ambições de Eike construir um conglomerado formado por uma mini-Petrobras, uma mini- Vale, e daí em adiante.

Negócios que, segundo ele, eram "à prova de idiotas".

De acordo com alguns executivos que passaram pela OGX, o time de geólogos levado da Petrobras foi o grande incentivador da campanha exploratória que consumiu US$ 5,3 bilhões do caixa da empresa. "Cada enxadada uma minhoca", diziam na OGX.

Landim, que foi o mentor de Eike na criação da petroleira e quem trouxe a maioria das pessoas da Petrobras, saiu do grupo em 2009, dias depois da oferta pública (IPO) do estaleiro OSX devido a divergências sobre a participação dele no grupo e antes que o primeiro dos 116 poços da OGX fosse perfurado.

Levou Eike à Justiça para fazer valer manuscrito em que o bilionário prometia 1% do grupo -

Sobre os erros, ou acertos, de Eike, um executivo que passou pela companhia diz que o empresário nunca se beneficiou.
"Ele foi vítima. Uma vítima que quis ser enganada, mas foi", afirma a fonte. Aos mais cautelosos e que chamavam a atenção para os riscos e desafios, Eike dizia:
"Vocês são todos calça curta. Bermudão", conta um deles.

"Vou te dar uma bermuda de presente", completa outro dos que ouviram a frase. Justiça seja feita, observa um ex-executivo, Eike Batista não se beneficiou da bonança.

Nem mesmo quando a OGX foi ao mercado em 2011 e emitiu bônus no mercado internacional em duas operações que somam US$ 3,6 bilhões com vencimentos em 2018 e 2022. Mais uma vez, o executivo não ouviu a opinião de quem achava mais prudente emitir ações e não dívida.

 "Mas o Eike não colocou um centavo no bolso. Pelo contrário, comprou mais ações", lembra.

Um empresário muito próximo de Batista acha que o bilionário não agiu de má fé. "Eike foi vítima de sua decisão de acreditar em uma pessoa e outro erro gravíssimo foi dar muitos incentivos antes que os executivos entregassem os projetos. Ele criou um incentivo negativo", avalia a fonte, que falou com o compromisso de não ter seu nome publicado.

Ele se refere à agressiva política de remuneração criada por Batista, que garantia bônus e ações da companhia para os principais executivos, que podiam receber em quatro anos e, em alguns casos, apenas dois, já que ele abriu exceções para permitir a retirada parcial em metade do tempo.

Durante a campanha exploratória da OGX, a equipe de geologia comemorava as descobertas comprovadas apenas por meio da perfuração de poços estratigráficos que identificavam colunas de óleo, sem atentar para os riscos de que não fossem produtivos.

No mercado, as ações "bombavam". No dia 15 de outubro de 2010 o papel atingiu a cotação máxima, valendo R$ 23,27. Aos que alertavam para a necessidade de testes de produção para avaliar a vazão e permeabilidade dos reservatórios, a área de exploração dizia que não era necessário, porque a geologia era conhecida, conta uma fonte.

O Valor tentou algumas vezes contato com Paulo Mendonça, mas não conseguiu falar com o executivo.

Algumas fontes lembram que foram ouvidas vozes contrárias à política agressiva de exploração da OGX, entre elas a do seu atual presidente, Luiz Carneiro, e de Paulo Gouvêa, ex-diretor de Finanças Corporativas da EBX, que também foi membro do conselho de administração de todas as companhias abertas do grupo.

Mas eles foram vencidos pelo time otimista, também formado por Marcelo Faber Torres, ex-diretor financeiro e de relações com investidores da OGX.

No auge da abundância, foi sugerido um "farm-out" (venda de participação) para testar se os compradores confirmavam a "tese" sobre as reservas, de preferência outras companhias que já fossem operadoras. Foi então que as chinesas Sinopec e CNOOC não encontraram o valor que Mendonça via na empresa.

Outra fonte lembra que depois do fracasso do "farm-out" veio a corrida para acelerar o início da produção, o chamado primeiro óleo. "Tirou-se petróleo em tempo recorde sem se preocupar se a companhia iria ganhar dinheiro.

Um conhecido de Eike também vê defeitos na política de remuneração dos executivos do grupo, que segundo essa fonte acredita, incentivava resultados rápidos (para bônus e opções serem exercidas em 5 anos) ao invés de premiar uma postura mais conservadora.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a situação das empresas de Eike preocupa o governo, sobretudo pela imagem do país no exterior. Devido ao tamanho e à abrangência das operações do empresário, a dificuldade financeira do grupo teria repercussões na percepção sobre o Brasil.

Cláudia Schüffner | Do Rio Valor Econômico
(Colaborou Maira Magro, de Brasília)

SEM "MARQUETINGUE" ! FARSANTE 1,99 DO PARLAPATÃO DESCAMUFLADA E INCOMPETÊNCIA COMPROVADA ! BRASIL REAL : Inflação quatro vezes maior


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A disparada dos preços no Brasil se tornou motivo de alerta para os investidores. Não sem motivo.

A inflação acumulada em 12 meses no país deverá atingir em junho — o dado oficial sairá nesta sexta-feira — entre 6,7% e 6,8%, índice quatro vezes maior do que a taxa média de 1,5% verificada nos 34 países desenvolvidos e de economias emergentes que fazem parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A disparidade entre os números mostra que o custo de vida do país está a um passo de sair do controle. Será a segunda vez neste ano — a primeira, foi em março — que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estourará o teto da meta de inflação definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%.

Conforme o Banco Central, em todo o governo Dilma Rousseff, o Brasil registrará inflação mais próximo do teto de tolerância do que do centro da meta, de 4,5%.

Na avaliação dos especialistas, a inflação baixa no mundo é explicada pelo fraco crescimento econômico — os países desenvolvidos estão em crise desde 2008, muito com contração do Produto Interno Bruto (PIB).

"Quando o nível de atividade é fraco, normalmente os agentes formadores de preços não se arriscam a abusar nos reajustes, por temerem na concorrência. Por isso, o comportamento tão tranquilo da inflação nos países vinculados à OCDE", destacou Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios.

No Brasil, com o PIB patinando há dois anos, a produção industrial no limbo e as vendas do comércio perdendo força a uma velocidade impressionante, não poderia ser diferente. Ou seja, o custo de vida teria que ser próximo do centro do que do teto da meta.

O problema, no entender dos especialistas, é que não há oferta suficiente no país, o governo estimulou a concentração de mercados nas mãos de poucas empresas e os investimentos são insuficientes para o aumento a produção.

"O nível de investimento do Brasil é muito inferior ao dos países da OCDE. Aqui, o custo de produção é alto e a produtividade, baixa. Falta mão de obra qualificada e quase não há competição entre os fornecedores", disse Leite.

Estrangulamento

Para Samy Dana, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Brasil experimenta um estrangulamento. "Estamos no pior dos mundos, com crescimento baixo e inflação em alta. Para complicar, ainda temos problemas no câmbio, infraestrutura precária e muita desconfiança dos investidores no país", afirmou.

Segundo ele, a política de estímulos ao consumo interno e de oferta maciça de crédito pode até ter funcionado durante a crise de 2008, mas a insistência nesse modelo está resultado em uma fatura pesada.

"As famílias estão superendividadas. Se não houver investimentos para aumentar a produção nacional, não haverá como crescer com inflação sob controle", resumiu.

No entender de Onofre Portella , o professor de economia das Faculdades Rio Branco, o Brasil sofre hoje por causa de fortes desequilíbrios nos fundamentos da economia.

"Há pouco estímulo para a produção local, a balança comercial está deficitária, os juros inibem os investimentos. Tudo isso leva a uma pressão inflacionária que não existe nos outros países, que ainda se ressentem da forte crise nos Estados Unidos e na Europa, responsáveis por 55% da capacidade produtiva do mundo", disse.

Correio Braziliense

CHARGE : SARABANDALHA