"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 09, 2011

"PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO" : Petrobras perde US$5,7 bi em valor de mercado e cai da 3ª para 5ª no ranking do setor

O mau desempenho das ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - efeito da ingerência política sobre o reajuste do preço da gasolina nos postos - fez a companhia cair da terceira para a quinta posição no ranking das maiores empresas de petróleo do mundo.

O valor de mercado da estatal encolheu US$5,77 bilhões desde 24 de setembro de 2010, data da sua megacapitalização (a maior da história), para US$207,33 bilhões ontem.

A companhia ficou, assim, menos valiosa pelo critério valor de mercado (que consiste em multiplicar as ações da empresa pelo seu preço) em comparação à anglo-holandesa Royal Dutch Shell (US$220,47 bilhões), agora a terceira no ranking.

E também foi ultrapassada na listagem pela americana Chevron (US$211,54 bilhões), que assumiu a quarta posição.

Especialistas lembram que a perda de valor não foi maior porque as ações da estatal são negociadas em reais e a moeda americana, usada no ranking, desvalorizou-se 8,42% de 24 de setembro do ano passado até ontem.

Desde o fim da capitalização, as ações preferenciais (PN, sem voto) caíram 9,71% na Bovespa e as ordinárias (ON, com voto), 11,82%.

Segundo Osmar Camilo, analista da corretora Socopa, além da interferência do governo, outros fatores afetaram as ações da empresa nos últimos meses, como a "digestão" da capitalização de R$120 bilhões e as incertezas sobre o plano de negócios da companhia.

- A empresa tem um desafio muito grande pela frente, que é fazer caixa para financiar o desenvolvimento do pré-sal - explica o analista.

- No longo prazo, no entanto, esperamos que os investimentos realizados agora se mostrem benéficos, já que a produção de petróleo pode dobrar nos próximos dez anos.

O ranking segue liderado pela americana Exxon Mobil, com valor de mercado de US$402,21 bilhões.
Em setembro, a Exxon valia US$314,93 bilhões.

O aumento foi provocado pelo alta do preço do barril de petróleo.

Na segunda posição aparece a Petrochina, com valor de mercado de US$265,92 bilhões.

Bruno Villas Bôas O Globo

Pagot: Paulo Bernardo recebia as empreiteiras

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Luiz Antonio Pagot, um dos pivôs do escândalo no Ministério dos Transportes, diz ter provas de que empreiteiras eram recebidas pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (PT), antes de procurarem o ministério.

Ameaça

Luiz Antonio Pagot é o homem-bomba do momento.

Ele vai depor terça-feira no Senado.

E confirma ter provas de que empreiteiras se reuniam antes com o ministro Paulo Bernardo e iam a ele já com o pacote pronto.

Se verdadeiras as denúncias, Pagot estará dando um tiro no coração do governo.


Nhenhenhém ::Jorge Bastos Moreno O Globo

O playground da ineficiência


O Ministério dos Transportes é o melhor exemplo de como, na prática, o discurso do PT é outro. O partido de Dilma e Lula costuma dizer que nunca se fez tanto pelo país como nos últimos anos; que nunca o futuro foi tão bem planejado; que nunca se investiu tanto. Puro marketing: há dinheiro saindo, literalmente, pelo ladrão, mas realização que é bom quase nada.

A pasta que foi transformada em feudo do Partido da República (PR) tem um dos maiores orçamentos do governo. Para este ano, foram reservados R$ 17,1 bilhões apenas para investimentos.
Mas, do orçamento de 2011, míseros R$ 1 bilhão foram aplicados até agora. São 6% do previsto para o ano, já transcorrida metade do exercício.

O governo pode argumentar que está tendo que honrar obras contratadas na gestão passada e que, por esta razão, a execução do orçamento deste ano é baixa. OK, porém falso:
o desempenho pretérito é tão sofrível quanto o de agora.

Desde 2007, o Ministério dos Transportes obteve dotação orçamentária total de R$ 67,8 bilhões. Mas, deste valor, somando tudo o que foi investido em todos esses anos, somente R$ 36,6 bilhões foram gastos até ontem, de acordo com informações do Siafi.

Trocando em miúdos, significa que, ao longo de quatro anos e meio, a pasta transformada em cobiçada moeda de troca na relação entre o PT e seus aliados só conseguiu investir 54% do que tinha à disposição.
Ou seja, quase metade dos recursos reservados no Orçamento para investimento da União em estradas, portos, ferrovias e hidrovias ficou guardada no cofre.

Será que nossa zelosa gerentona de plantão não percebeu tão pífios resultados enquanto amamentava o PAC? Nunca se deve esquecer que Dilma Rousseff sempre foi apresentada aos brasileiros como o suprassumo da eficiência gerencial, o que, cada vez mais, fica claro que é uma balela.

O Ministério dos Transportes tem a missão de cuidar da infraestrutura do país, mas isso é tudo o que ali não se faz. Aquilo é uma espécie de playground da ineficiência. Na era petista, a pasta que deveria zelar pelos transportes serve para outros fins, como ilustram as suspeitas de corrupção que envolvem a turma "republicana" que conduz a pasta junto com o PT.

"É óbvio que há relação entre a situação deplorável das estradas brasileiras e o regime de descalabro instalado na pasta responsável pelo assunto. Este é um ministério em que as políticas públicas são também, ou sobretudo, oportunidades de negócios privados, lícitos ou ilícitos, para dar de comer à corriola", comenta Fernando Barros e Silva na Folha de S.Paulo.

Enquanto o dinheiro mofa no caixa ou escorre pelos ralos da corrupção, a infraestrutura do país agoniza. É por causa da péssima gestão nos Transportes que convivemos ainda com rodovias da morte espalhadas por todos os estados: a BR-381 em Minas, a BR-470 em Santa Catarina, a BR-163 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a BR-324 na Bahia, apenas para ficar em poucos exemplos.

Melhorar estas estradas é absolutamente necessário para o desenvolvimento do país e para a segurança dos usuários, mas as obras continuam na geladeira. Algumas até pareciam que agora sairiam do papel, mas foram novamente abortadas pelo escândalo da hora, como informaram os jornais Estado de Minas e Zero Hora.

O ministério dominado pelo PR em consórcio com o PT também concentra as maiores diabruras do PAC, mostra hoje O Estado de S.Paulo.
Obras cujos contratos somam R$ 3 bilhões tocadas pelo Dnit e pela Valec, ambas no centro das ilegalidades ora conhecidas, são as que mais apresentam indícios de irregularidades, conforme levantamento do TCU.

Não custa lembrar que o Ministério dos Transportes foi a mais vistosa moeda de troca da negociação que levou o então PL a apoiar Lula e ainda indicar-lhe o vice em 2002. Pelo ingresso de José Alencar na chapa, o PT também pagou em cash R$ 10 milhões ao partido controlado por Valdemar Costa Neto. A história, todos sabem, desaguou no mensalão, cujos 36 réus tiveram condenação pedida ontem pela PGE.

Como se vê, dinheiro para pavimentar a trajetória do país rumo ao futuro existe. Mas os dutos da corrupção continuam a drená-lo para bolsos privados, alegrados com a farra de aditivos contratuais, sobrepreços e licitações fraudadas.

Desse jeito, a autoestrada do desenvolvimento brasileiro continuará esburacada.

Fonte / ITV


Bastidores: Depoimentos deixam Planalto sob ‘tensão pré-Pagot’

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O Palácio do Planalto está muito preocupado com o que Luiz Antonio Pagot vai dizer no Senado, na terça-feira, 12, e na Câmara, na quarta, 13.

O ainda diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) tem feito afirmações que o governo entende como claras ameaças, uma espécie de antecipação do que poderá dizer no Congresso na semana que vem. Formalmente, Pagot está de férias e só deverá ser afastado assim que voltar ao trabalho, no mês que vem.


Entre as declarações do diretor do Dnit que têm deixado o Planalto com uma espécie de tensão pré-Pagot estão as insinuações de que todas as obras tocadas pela estatal eram aprovadas antes pelo Ministério do Planejamento, cujo titular é o hoje ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, um dos homens de confiança da presidente Dilma Rousseff.

Diante do receio do que poderá dizer Pagot, ontem a presidente Dilma Rousseff tinha dúvidas sobre quando poderá nomear o novo ministro dos Transportes.
Ela quer efetivar o interino, Paulo Sérgio Passos, e até já tem alguns acenos do PR para que faça isso.

Mas teme que Pagot fale alguma coisa a respeito de seu preferido nas audiências que terá no Senado e na Câmara, o que poderá provocar constrangimentos e aumentar a crise nos transportes.


Outra preocupação diz respeito à própria estrutura do Dnit.
Pagot tem afirmado que nada do que o Dnit fazia era fruto de uma decisão solitária, mas de uma aprovação da diretoria colegiada.
E que o diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, mandava tanto quanto ele.


Caron é filiado ao PT do Rio Grande do Sul desde 1985. Trabalhou com Dilma Rousseff em Porto Alegre e foi posto no Dnit pelo PT.

Quando a presidente da República decidiu afastar a cúpula do Ministério dos Transportes, entre eles Luiz Antonio Pagot, chegou-se a falar no nome de Caron para substituir o diretor-geral.
Mas, diante da reação do PR, partido que dá sustentação a Pagot, Dilma recuou e desistiu de insistir na nomeação do petista para o Dnit.


De acordo com informação de bastidores do governo, a esperança do Planalto era de que o senador Blairo Maggi (PR-MT) aceitasse o convite para ser o ministro dos Transportes, em substituição a Alfredo Nascimento (PR-AM), que não resistiu no cargo após denúncias de cobrança de propina divulgadas no fim de semana.
Maggi é padrinho de Pagot e, uma vez no ministério, poderia aconselhar seu afilhado a ficar de boca fechada.


Acontece que Blairo Maggi recusou o convite para entrar no governo de Dilma Rousseff. Maggi está magoado com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), por considerar que foram desleais em relação ao PR, a Pagot e a ele próprio quando a crise no setor de Transportes estourou.

Para Maggi, os ministros preferiram condenar Pagot, sem aguardar sua primeira defesa.