"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 28, 2013

POBRE BRASIL REAL ! CÉU OU INFERNO ? Razões humanitárias


Na mitologia da política brasileira, o Partido dos Trabalhadores sempre se apresentou como defensor dos fracos e dos oprimidos, como o partido dos pobres e da justiça social. Isso nunca correspondeu à realidade, mas a experiência do PT no poder reforça ainda mais a distância entre suas pregações e sua prática.
 É como a amplidão que separa o céu do inferno.


Em lugar do apreço a valores éticos e morais universais, o governo petista exercita a truculência. Em vez da defesa dos direitos humanos, prefere advogar a favor da pesada hierarquia. Ao sagrado direito de ir e vir, opta pela interposição de limites e barreiras. À liberdade, escolhe ficar com o claustro.

Tais constatações emergem da atitude petista em dois episódios recentes: a intempestiva reação do governo da presidente Dilma Rousseff à transferência do senador boliviano Roger Pinto Molina para o Brasil por um diplomata, feita à revelia do Itamaraty, e o tratamento dispensado pela administração federal aos médicos cubanos que virão servir nos rincões e periferias brasileiras.

No caso do incidente diplomático, está claro que Eduardo Saboia - o diplomata encarregado de negócios da embaixada brasileira em La Paz que trouxe Molina ao Brasil - agiu puramente por razões humanitárias ao protagonizar a quixotesca viagem que permitiu ao senador fazer o que há 15 meses ele aguardava sem sucesso: deixar a Bolívia.

Saboia atuou para evitar que a vida de um ser humano continuasse em risco, já que era sabido que as condições de saúde do político boliviano encontravam-se frágeis. Fez, na prática, o que a presidente da República defendeu ontem ser a atribuição de um "Estado democrático civilizado" como o Brasil: 
"Um governo age para proteger a vida".

O senador oposicionista é pedra no sapato do presidente Evo Morales e, em razão disso, não obteve do governo boliviano salvo-conduto que lhe permitisse deixar seu país em segurança. Nem as mais sangrentas ditaduras agem desta maneira. A diplomacia companheira do PT tampouco se esforçou por obter tal aval de La Paz, a quem trata com luvas de pelica. Quem, afinal, agiu efetivamente para proteger a vida de Molina?

Em resposta ao traslado do senador ao Brasil, a presidente Dilma defenestrou o chanceler Antonio Patriota, submeteu o diplomata Saboia a um processo de sindicância e, ontem, cancelou a transferência do embaixador na Bolívia, Marcelo Biato, para um posto mais valorizado em Estocolmo. 
Além disso, o senador Molina agora também corre risco de ser extraditado para a Bolívia. Ao gesto heroico, a gestão do PT retrucou com pesado tacão.

A mesma atitude indecorosa está presente no tratamento que o governo petista está dispensando aos médicos que estão chegando de Cuba para atuar no país. Ninguém, absolutamente ninguém, é contra ampliar o número de profissionais de saúde à disposição da população, principalmente a que vive mais distante. Mas daí a aceitar como normais as condições impostas ao trabalho dos cubanos vai longa distância.

Sabe-se, até agora, que os médicos cubanos receberão como remuneração apenas uma fração do que ganharão os profissionais vindos de outros países. Quanto, ninguém é capaz de afirmar, nem mesmo o governo - em tese, seu patrão e maior interessado em garantir a qualidade do serviço que prestarão aos brasileiros.

De antemão, aos médicos cubanos também será vedada a possibilidade de concessão de asilo, caso algum deles decida não retornar ao regime ditatorial da ilha. Seus passos serão vigiados e sua liberdade de ir e vir, cerceada.

Os cubanos também não poderão trazer suas famílias para o Brasil, numa das mais duras privações a que um ser humano pode ser submetido. Discriminados, não disporão de igualdade de tratamento nem de condições de trabalho e remuneração similares às dos demais profissionais importados.

Há, portanto, assim como no caso do senador Molina, razões humanitárias que levem à discordância em relação à prática adotada pelo governo da presidente Dilma Rousseff - embora não se justifiquem gestos extremos, agressões e atitudes xenófobas. Entre as boas intenções que a gestão petista manifesta e suas práticas vai distância maior que a que separa céu e inferno.

ITV

BRASIL REAL ! Apagão atinge a Região Nordeste do País DOS FARSANTES E GERENTONA MAIS "PREPARADA QUE "ISTRUTUROU" O SISTEMA ENERGÈTICO .

http://3.bp.blogspot.com/-hApT1Bd08dg/UNWY_GIedtI/AAAAAAABH2w/IPsfN5t36E8/s640/Dilma-Lampiao-WEB.gif
Um apagão atinge oito Estados do Nordeste do País na tarde desta quarta-feira, 28 (Piauí, Paraíba, Alagoas, Ceará, Sergipe, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte).

Várias cidades, incluindo as capitais do Piauí, do Ceará, do Pernambuco e da Paraíba, sem energia desde 15h03. O apagão atinge até emissoras de rádio e TV e sites de jornais da região.

A concessionária de energia Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) está apurando as causas do problema e a sua dimensão. A própria Chesf informou que a sede da empresa está sem energia. O site da companhia também está fora do ar. A Chesf tem redes de abastecimento de energia em 8 dos 9 Estados do Nordeste.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que está avaliando a dimensão do apagão. De acordo com a entidade, técnicos estão trabalhando no momento para restabelecer o fornecimento de energia e, em seguida, farão um diagnóstico da causa do apagão.

GERENTONA 1,99 diz que país tem 'bala na agulha' para enfrentar câmbio

Srª. Presidente:
A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (28) que o Brasil tem "bala na agulha" para enfrentar a situação de variação cambial que afeta o real. Ela reafirmou que o câmbio é flutuante, mas que as intervenções no mercado feitas pelo Banco Central são para impedir que essas flutuações sejam "abruptas".

Por isso, segundo Dilma, o Brasil não tem uma meta de valor para a moeda brasileira em relação ao dólar.

Dilma deu entrevistas na manhã desta quarta-feira a duas emissoras de rádio de Belo Horizonte e disse que o que acontece atualmente com a variação do dólar diz respeito a uma situação provocada pelas ofertas da moeda feita pelos Estados Unidos.

"Nós temos o que se chama bala na agulha para encarar esse processo que ocorre internacionalmente, que independem das decisões de política econômica. Eles são frutos dessa globalização financeira que impera no mundo", disse ela.

Ela disse ser "óbvio" que isso tem algum impacto na economia do país, mas que o Brasil tem reservas de dólar para suportar essa variação.

"Nós estamos entre os cinco, seis países com maior volume de reservas do mundo. É como se a gente tivesse um colchão. Sabe aquela história de guardar dinheiro no colchão? A gente não guarda no colchão, mas o Brasil tem US$ 372 bilhões de reservas", afirmou.

É essa reserva que ela chama de "bala na agulha" para enfrentar a situação de mais dólares no mercado internacional, o que afeta também o Brasil.

"Nossa política é de dólar flexível. Nós não temos um dólar alvo. Você não fica defendendo uma posição, nós deixamos o dólar flutuar", disse.

"Nós entramos no mercado para atenuar essas flutuações, para não deixar que elas sejam abruptadas, para não deixar que elas criem processo de pânico. Enfim, a gente atua de forma a suavizar essas oscilações", completou a presidente.

De novo, ela repetiu que o governo não trabalha com meta de dólar e disse para desconfiar de quem disser o contrário: "Nós não temos meta de dólar. Se você perguntar para alguém e alguém responder que tem, você desconfia, porque ninguém tem condições de dizer isso".

A presidente voltou a pintar um cenário bom para a economia do país, com desemprego baixo e "muito boa situação fiscal".

Com relação ao crescimento do PIB, Dilma não citou possíveis números das previsões para o Brasil, mas disse que nos Estados Unidos a previsão é de 1,7% em 2013 e que a Europa ainda está em recessão, embora alguns países estejam saindo disso.

"Você tem um quadro internacional nas economias de muito baixo crescimento e de recessão. A própria China está passando por um período assim. Nós estamos em uma situação de manter o crescimento e de manter as conquistas também", disse ela, citando ainda o controle da inflação.

INTERVENÇÕES

O Banco Central anunciou na última quinta-feira (22) um plano para injetar até US$ 54,5 bilhões no mercado de câmbio até o final do ano. O objetivo é conter a escalada da moeda americana, que passou de R$ 2 no início do ano para R$ 2,45 na semana passada.

O plano do BC, que começou a valer na última sexta-feira (23), prevê a realização de leilões de swap cambial tradicionais --que equivalem à venda de dólares no mercado futuro-- de segunda a quinta-feira, com oferta de US$ 500 milhões em contratos por dia, até dezembro.

A autoridade monetária já tem feito esses leilões com frequência no mercado para tentar conter a alta da moeda americana. O anúncio do programa de prazo mais longo, porém, ajuda a dar previsibilidade aos investidores a respeito das intervenções.

Às sextas-feiras, o BC oferecerá US$ 1 bilhão por meio de linhas de crédito em dólar com compromisso de recompra --mecanismo que pode conter as cotações sem comprometer as reservas do país.

Apesar de ajudar a conter a alta do dólar, o plano do BC não impede que a moeda americana continue subindo, segundo especialistas.

Isso porque a perspectiva de que investimentos estrangeiros nos mercados emergentes deverão voltar aos Estados Unidos diante da melhora econômica naquele país vai continuar pressionando as moedas internacionais, que perdem valor diante do dólar.

No Brasil, há um agravante: o elevado deficit em conta corrente e a insatisfação com a política econômica do governo, que têm prejudicado o apetite dos estrangeiros por aplicações no país.

Às 11h41 (horário de Brasília), o dólar à vista --referência para as negociações no mercado financeiro-- caía 1,67% em relação ao real, cotado em R$ 2,355 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial --utilizado no comércio exterior-- cedia 0,54%, também a R$ 2,355.

Colaborou ANDERSON FIGO, de São Paulo, e reportagem de Brasília
Folha

'Pôr meu filho como bode expiatório seria lamentável', diz pai de diplomata "Respeitar os limites entre ética e hierarquia é fundamental"



O embaixador aposentado Gilberto Vergne Saboia se diz aflito, mas orgulhoso, de ver o filho no olho do furacão após trazer o senador boliviano Roger Molina para o Brasil. Com uma longa carreira diplomática, inclusive como membro da Comissão de Direito Internacional da ONU, Gilberto Saboia defende como legítima e legal a ação do filho. 

Ao comentar as declarações da presidente Dilma Rousseff, Gilberto Saboia disse que entende a reação de Dilma, mas pediu que ela aja de forma "desapaixonada" e entenda os limites entre ética e hierarquia. Ele está indo do Rio, onde mora, para Brasília, onde está o filho, para dar apoio e ajudar na defesa no processo administrativo aberto pelo Itamaraty. 
- Pôr meu filho como bode expiatório seria lamentável! 

Entendo que a presidente está aborrecida, mas peço que faça uma análise desapaixonada de toda essa questão. Que entenda que nada do que foi feito, foi ou será dito tem como alvo seu governo. Eu e meu filho somos altamente disciplinados. Mas respeitar os limites entre a ética e a hierarquia é uma coisa fundamental - disse o embaixador aposentado. 

Ele disse que, ao procrastinar uma solução, as autoridades bolivianas acabaram transformando a generosidade do asilo brasileiro em prisão domiciliar do desafeto de Evo Morales: 
- Uma autoridade boliviana das grandes chegou a dizer que o senador podia apodrecer na cadeia. E o asilo na embaixada se transformou numa prisão, gerando uma situação de enorme desgaste físico para ele e todos que com ele conviviam. 

Sobre o processo que o filho vai enfrentar, além das implicações políticas e da irritação da presidente, Gilberto Saboia pediu cuidado ao Itamaraty: 
- Estou ao lado do meu filho. Nem ele nem eu queremos sair atacando. 
Temos carinho pelo Itamaraty, e o Brasil democrático é uma conquista. 
Não temos essa visão incendiária e catastrofista.
Meu filho vai se defender, e eu vou defendê-lo também. 

O Itamaraty precisa tomar cuidado, em consonância com a longa tradição de respeito e defesa de seus funcionários. Eduardo Saboia recebeu apoio de políticos e integrantes da carreira diplomática.

"Há muita gente do seu lado", escreveu no título de extensa carta publicada ontem o ex-porta-voz do Itamaraty e da Presidência diplomata Pedro Luís Rodrigues.

"Não há como não reconhecer que era imoral e insustentável a situação do senador boliviano Roger Pinto Molina. Posteriormente à concessão do asilo, o governo boliviano brandiu uma série de acusações contra o asilado, aparentemente para tentar fazer o Brasil modificar sua decisão", diz Rodrigues, na carta. 

A carta e as mensagens de diplomatas, colegas da UnB e parentes, que se multiplicam nos últimos dias, foram postadas na página pessoal de Saboia. Também foram criadas uma petição de apoio da ONG Avaaz e uma página de apoio no Facebook. Familiares também postaram de mensagens de apoio e agradecimento a orações. 

O filho de Saboia, André, afirmou:
"Pai, não se preocupa, todo mundo está te apoiando e de acordo com sua esplêndida e brava atitude. Deus sabe o que faz! Tudo vai dar certo, sem dúvida alguma. Um grande beijo e um forte abraço, te amo. pai!". (Maria Lima)

O Globo 

O FUTURO A DEUS PERTENCE ! CAIXA DE PANDORA : BNDES já usou 95% dos R$ 300 bi do Tesouro



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tinha, no final do segundo trimestre, apenas R$ 15 bilhões restantes do total captado junto ao Tesouro Nacional para fazer frente aos desembolsos deste ano. A informação consta no relatório de prestação de contas ao Congresso Nacional, relativo ao segundo trimestre de 2013, sobre o uso dos recursos recebidos do Tesouro Nacional.

De 2009 a 2013, o BNDES captou R$ 300,25 bilhões junto ao Tesouro Nacional, dos quais aplicou R$ 285,25 bilhões em vários projetos, de acordo com o documento. O banco de fomento investiu também R$ 90,65 bilhões provenientes do retorno dessa carteira de contratos, totalizando aportes de R$ 375,9 bilhões no período, a partir do aportes extras da União.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, já havia afirmado, durante coletiva para comentar o desempenho do banco, em 14 de agosto, que tinha recursos próprios para fazer frente aos pedidos de financiamento somente até setembro deste ano. "No último trimestre nós vamos precisar de algum complemento para fechar o ano", disse, na oportunidade. O banco estima que 2013 tenha desembolsos recordes de R$ 185 bilhões a R$ 190 bilhões. 

"Estamos em tratativas com o Ministério da Fazenda e eu não quero antecipar quanto que nós vamos precisar", Os aportes do Tesouro acumulados de 2009 a junho de 2013 equivalem a 43,52% do total desembolsado pelo BNDES em igual período, que foi R$ 689,8 bilhões.

Conforme o relatório, do total de recursos investidos em projetos, 47,8% (ou R$ 179,67 bilhões) foram para o Finame, onde estão agrupadas operações de produção e comercialização de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional. O segundo maior volume, R$ 72,51 bilhões, ou 19,3% do total, foram para o Finem, onde estão agrupados grandes projetos de investimento voltados principalmente para implantação, expansão e modernização de empreendimentos.

Em terceiro lugar na ordem de aportes, está o BNDES Pré-Embarque, que recebeu R$ 39,06 bilhões, ou 10,4% do total de recursos no período de 2009 a junho de 2013. A modalidade financia a produção para exportação de bens aprovados pelo banco. Ainda segundo o relatório, o total de recursos investidos, R$ 375,9 bilhões, beneficiou 1.025.530 operações de financiamento em todo país.

Sob a ótica industrial, foi o setor de transformação que recebeu a maior parte dos desembolsos feitos pelo BNDES, com os recursos aportados pelo Tesouro. Do total investido de 2009 a junho de 2013, o setor ficou com 38,5% dos recursos, totalizando R$ 144,6 bilhões. A área de infraestrutura recebeu 33,9% dos recursos, o equivalente a R$ 127,4 bilhões dos desembolsos no período. Dentro do ramo da indústria de transformação, merece destaque o gênero de atividade de fabricação de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, que absorveu R$ 34,7 bilhões.

Já no ramo de infraestrutura, o mais beneficiado foi o setor de transporte terrestre, com desembolsos de R$ 82,6 bilhões. Os destaques ficaram com os subsetores de transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos, transporte dutoviário e transporte rodoviário de passageiros - municipal. Outro gênero de destaque foi eletricidade, gás e outras utilidades, com participação de R$ 28,1 bilhões.

Pela ótica das regiões, Sudeste e Sul receberam a maior parte dos recursos captados junto ao Tesouro Nacional de 2009 a junho 2013. As duas regiões representam mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Do total de recursos investidos no período, 45,3% foram desembolsados para projetos no Sudeste com destaque para apoio a Petrobras, Telemar, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Finep. Já a região Sul recebeu 22% dos desembolsos no intervalo, com destaque para operações para a Renault e a WEG Equipamentos Elétricos.


Elisa Soares | Do Rio
Valor Econômico