"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 11, 2013

POIS É ! O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO : "guvernu"1,99 perdido

 
A melhor imagem de um governo perdido é a fotografia da presidente Dilma Rousseff publicada nesse domingo no caderno de Economia e Negócios do Estado.

Cabisbaixa, com a face apoiada na mão direita, olhar vago e expressão de desalento, sua figura é a ilustração perfeita para a principal cobertura econômica - uma entrevista com um ministro da Fazenda acuado pelos fiascos e uma coleção de notícias e comentários sobre os tropeços federais.

"O governo perdeu o rumo", sintetiza o título de um artigo do economista José Roberto Mendonça de Barros. A equipe econômica, informa outro texto, desistiu de anunciar metas ou previsões de crescimento, exportação, arrecadação, inflação e até de prazos para concessões de serviços de infraestrutura.

Apesar dos fracassos, tudo vai bem, recitam os funcionários mais importantes, mas o ministro Guido Mantega, entrevistado, recusou-se a formular uma nova previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, alegando o temor de ser "linchado em praça pública", se o número final apurado for diferente do projetado.

Com um pouco mais de ousadia, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, havia reiterado no começo do mês a expectativa de exportações em "patamar elevado, semelhante aos de 2011 e 2012".

Mas o valor exportado em 2012 foi inferior ao de 2011 e o deste ano, até maio, ficou, abaixo do de um ano antes. Na melhor hipótese, portanto, repete-se o número de dois anos atrás?

Também no domingo, o Globo destacou a herança fiscal prevista para o próximo governo subsídios ao BNDES e incentivos, fiscais devem retirar R$ 50 bilhões do próximo governo em. seu primeiro ano.

A desordem nas contas públicas, lembra a reportagem, foi uma das razões alegadas pela agência Standard & Poofs para impor um viés de baixa à perspectiva econômica do Brasil - tema inicial: da entrevista do ministro Mantega ao Estado.

No mesmo dia, reportagem da Folha de S.Paulo vinculou à perda de popularidade e aos riscos eleitorais a mudança de política ensaiada pelo governo coma elevação dos juros básicos e a decisão de retorno- ao câmbio flutuante.

A coincidência dos temas está longe de ser uma casualidade e tampouco resulta de urna conspiração da imprensa burguesa contra a reeleição da presidente. A cúpula do governo, segundo informaram fontes federais há mais de uma semana, percebeu o custo político da inflação elevada e resistente e decidiu aceitar o aperto mais forte da política monetária.

Essa mesma cúpula notou, com certeza, os sinais de mudança no mercado financeiro internacional e decidiu facilitar o ingresso de capital - um ato preventivo, em face do risco de um déficit crescente
nas transações do Brasil com o exterior.

O governo, portanto, tem noção dos fracassos, fareja perigos e até encontra justificativas para ensaiar mudanças políticas sem admitir os erros, mas, apesar disso, continua incapaz de encontrar um novo rumo.

Sua política fiscal permanece desastrosa.

A gastança prejudica a eficácia da política monetária e dificulta o combate à inflação. A alta de preços, na versão oficial perde impulso e em breve o problema terminará, Mas os fatos contrariam essa versão, porque desajuste real e muito mais grave que um choque de preços de efeito passageiro.

Incapaz de trocar o populismo, o fisiologismo e o voluntarismo por uma política econômica digna desse nome, o governo insiste na improvisação já denunciada até por alguns de seus técnicos.

As desonerações devem chegar a R$ 72,1 bilhões neste ano e a R$ 91,5 bilhões em 2014, disse ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland. Na semana passada, medida provisória sobre transferências ao BNDES já havia prenunciado mais buracos no Tesouro.

De improvisação em improvisação, o governo continua desmontando os fundamentos da economia e compondo uma herança maldita para o próximo governo. Chega a parecer estranho a presidente insistir nessa política e ainda pretender a reeleição.

Ou será apenas mais um desatino?

O Estado de S. Paulo
Governo perdido

brasil maravilha DOS FARSANTES SEM "MARQUETINGUE" II : Dívida bruta sobe R$ 45 bilhões

Em menos de um mês, o governo pediu autorização ao Congresso Nacional para ampliar a dívida pública em R$ 45 bilhões. 
 
As emissões dos novos títulos que constam das medidas provisórias 615 e 618, que ainda precisam ser aprovadas pelos senadores e deputados, serão para custear despesas primárias, como as capitalizações da Valec e do BNDES e para o repasse dos créditos que a União tem a receber de Itaipu para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Essas novas emissões fortalecem a convicção do mercado de que a dívida pública bruta continuará subindo e deverá ultrapassar a barreira de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) ao fim deste ano.


Ao mesmo tempo em que a dívida bruta sobe, a dívida líquida do setor público parece estabilizada, o que tem agravado o descrédito do mercado na política fiscal executada pelo governo, na avaliação do economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria. "A dívida líquida não cai desde maio do ano passado, quando atingiu 35% do PIB", disse Salto.

"Ela fechou 2012 em 35,2% do PIB e está agora em 35,4% do PIB. Ela está em uma trajetória de oscilação em torno de 35%, em situação de estabilidade e com risco de elevação", acrescentou. Essa "estabilidade" da dívida líquida resulta, segundo Salto, da decisão do governo de reduzir o superávit primário do setor público.

A elevação da dívida bruta, por sua vez, decorre da política fiscal expansionista executada pelo governo e das operações paralelas ao orçamento da União realizadas pelo Tesouro nos últimos anos, como, por exemplo, os empréstimos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Salto identifica também outro aspecto relevante do aumento do endividamento. Ele está ocorrendo, principalmente, pela elevação das chamadas operações compromissadas do Banco Central.

Em abril do ano passado, o volume das operações compromissadas feitas pelo BC estava em R$ 496,69 bilhões. Em abril deste ano, elas já tinham atingido o patamar de R$ 689,4 bilhões. Para Salto, como o Tesouro Nacional está reduzindo a emissão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), título demandado pelo mercado, o Banco Central acaba suprindo essa demanda por meio das operações compromissadas.

Com essas operações, o BC enxuga o excesso de liquidez da economia e permite que a taxa Selic fique dentro da meta determinada pelo Copom. "Essa montanha de financiamentos não teria aparecido se o governo tivesse mantido o superávit primário em 3,1% do PIB", afirmou o economista.

No ano passado, a dívida bruta do governo aumentou 4,5 pontos percentuais do PIB, atingindo 58,7% do PIB. Não se pode atribuir essa elevação à compra de reservas internacionais, pois as aquisições de dólares feitas pelo Banco Central foram de apenas US$ 11,152 bilhões. O BC parou, inclusive, de comprar reservas em maio do ano passado.

A dívida bruta do governo já estava em 59,2% do PIB em abril deste ano - 0,5 ponto percentual do PIB acima da posição de dezembro de 2012. A expectativa da Tendências Consultoria é que ela feche o ano em 60,8% do PIB, ou seja, ultrapassando o limite que muitos economistas consideram como prudencial para economias emergentes. Antes da crise de 2008, o tratado de Maastricht fixava o limite de 60% para a dívida bruta das nações europeias.

Com base nas medidas provisórias 615 e 618, o governo irá emitir títulos no valor de R$ 15 bilhões para capitalizar a Valec, que, com isso, poderá honrar os compromissos assumidos com os concessionários dos trechos ferroviários que serão licitados. Outros R$ 15 bilhões serão utilizados para capitalizar o BNDES, que, assim, estará enquadrado nas regras de capital de Basileia 3. Finalmente, o governo emitirá R$ 15 bilhões em títulos que serão colocados na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), como antecipação dos créditos que a União receberá de Itaipu.

Para o economista Márcio Garcia, da PUC-RJ, embora o Tesouro ainda não encontre dificuldade para rolar a dívida pública, "a luz amarela" foi acesa na questão fiscal, na inflação e na situação do balanço de pagamentos. "Ainda dá tempo de reverter tudo isso, desde que se acabe com algumas práticas, como essa de o Tesouro dar dinheiro ao BNDES, e se faça um superávit primário sem truques", observou. Ele disse que, até agora, talvez o maior dano tenha sido na credibilidade do governo.

O economista Felipe Salto destaca também o fato de que a conta de juros não vem caindo em ritmo que se poderia esperar. De agosto de 2011 a outubro de 2012, a Selic caiu de 12,5% ao ano para 7,25% ao ano, ou seja, 5,25 pontos percentuais, mas a despesa com os juros da dívida apresentou queda de apenas 0,86% do PIB.

Entre janeiro de 2003 e dezembro de 2012, a taxa Selic recuou 18,25 pontos percentuais (de 25,5% ao ano para 7,25% ao ano), enquanto a taxa implícita da dívida líquida do setor público (DLSP) decresceu apenas 2,5 pontos percentuais (de 17,5% para 15%).
 
Ribamar Oliveira | De Brasília Valor Econômico

brasil maravilha DOS FARSANTES SEM "MARQUETINGUE" : Risco-país salta 25%



Bastante desanimados com o Brasil, diante da disparada da inflação e do baixo crescimento econômico, os investidores estrangeiros deram continuidade ao desmonte de operações no país. 
Tanto que, ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) amargou mais um dia de queda, independentemente do discurso otimista propagandeado pelo governo.

O Ibovespa, índice que mede a lucratividade das ações mais negociadas no pregão, recuou 0,59%, para os 51.316 pontos, o menor nível desde outubro de 2011. Segundo os especialistas, a saída de capital externo pode levar a bolsa a um tombo ainda maior, ao redor dos 45 mil pontos. Caso a estimativa se confirme, será deterioração de mais 12,31%.

Já o risco Brasil atingiu 218 pontos, com alta de 25% em um mês.
A Bovespa, de acordo com os analistas, é sustentada praticamente por 
Esse movimento se intensificou depois de a agência de classificação de risco Standard & Poor"s, que ameaça rebaixar o Brasil, melhorar a perspectiva de avaliação dos EUA. 

A situação da bolsa brasileira ainda foi agravada por dados chineses divulgados no fim de semana. As informações indicam que deve haver uma desaceleração mais intensa daquele país. Diante desse quadro, os papéis da Vale — grande exportadora para a China — caíram até 1,58%.

 Correio Braziliense

ENQUANTO ISSO... NO brasil maravilha PROMÍSCUO E TRAPACEIRO : Aposta em 'campeões' afeta contas do BNDES

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A venda da Seara pela Marfrig para a JBS, as mudanças na diretoria da Oi e os problemas enfrentados por empresas como Petrobras, Eletrobras e o Grupo EBX, de Eike Batista, já causam um efeito colateral:
a piora das contas do BNDES.


O banco de fomento, nos últimos anos, optou por priorizar a concessão de empréstimos e a participação acionária em grandes grupos empresariais, para criar os chamados "vencedores nacionais", companhias que passariam a ter porte global.


Só que, em momentos de baixa nas ações e menor lucratividade, o banco acaba afetado por estar muito exposto a poucas indústrias.
Além da queda no lucro do banco, essa situação tem impacto no próprio valor do patrimônio da instituição, reduzindo sua capacidade de conceder novos empréstimos.

- À medida que a economia vai desacelerando, e os "campeões" já não estavam indo bem, com o banco muito exposto a essas empresas, o cenário não é muito bom - afirma Sergio Lazzarini, do Instituto de Ensino e Pesquisa de São Paulo (Insper), autor de "Capitalismo de Laços", livro em que aborda as ligações entre governo e grandes empresas privadas.

Lazzarini explica que se, no passado, o banco lucrava com os dividendos das empresas nas quais tem participação, essa tendência mudou. Com a economia desacelerando, a perspectiva é lucros menores nas empresas que compõem a carteira do BNDESPar. O braço de participações do BNDES, que sempre respondeu por pelo menos 40% do lucro do banco, viu sua fatia nos ganhos encolher para 3,7% no ano passado.

O economista Sergio Vale, da MB Associados, prefere chamar a participação via BNDESPar de "estatização travestida de financiamento".

- Não vejo com bons olhos esse excesso de participação do governo na governança das empresas. A maior parte delas não resultou em nenhum avanço significativo para o país. Pelo contrário, no caso das empresas X (do Grupo EBX, como OGX, LLX e MMX), corre-se um risco maior pelo montante de endividamento a que chegaram essas empresas -afirmou. 

 
O lucro líquido do BNDESPar caiu de R$ 4,252 bilhões em 2011 para R$ 298 milhões em 2012, queda de 93,1%. Segundo o próprio balanço da instituição, de um lado, dividendos e juros sobre capital próprio encolheram. Vale, Valepar e Petrobras tinham contribuído com R$ 2,806 bilhões em 2011, por exemplo. Essa contribuição caiu para R$ 1,559 bilhão no ano passado. 

 
Além disso, há o impacto da perda de valor de mercado dessas empresas na Bolsa de Valores. Segundo o relatório do BNDESPar, houve " ajuste de avaliação patrimonial negativo no montante de R$ 2,956 bilhões, decorrente da desvalorização do valor das ações de algumas companhias acompanhando o momento instável do mercado de capitais internacionais".


No mercado, perda de R$ 10,4 bilhões 

 
O banco lembra, contudo, que este impacto do valor das ações é contábil, não financeiro. O valor da participação do BNDESPar nas empresas varia de acordo com o preço das ações no mercado. A variação, no entanto, não significa ganho ou perda efetivos, que se dão apenas quando o BNDESPar vende suas fatias nessas companhias.
 

A perda de valor de mercado, contudo, é relevante.

Segundo levantamento do GLOBO, apenas cinco grandes empresas que estão na carteira do BNDESPar - Petrobras, Eletrobras, Marfrig, JBS, Embraer - tiveram perda em valor de mercado, somadas de R$ 10,4 bilhões entre o fim do primeiro trimestre de 2012 ao fim do primeiro trimestre deste ano. A perda é muito influenciada pela Petrobras, que sozinha viu seu valor de mercado encolher R$ 8,6 bilhões.


A Embraer, por outro lado, apresentou valorização de R$ 133 milhões no período. 

 
O lucro do banco também encolheu:
no primeiro trimestre, o ganho foi de R$ 411 milhões, 22,7% menor que os R$ 538,3 milhões apurados nos três primeiros meses de 2012.

Diante desse desempenho, o governo precisou fazer nova injeção de recursos no BNDES. Medida provisória publicada na quinta-feira passada autoriza a União a conceder crédito de até R$ 15 bilhões para a instituição aumentar seu capital.


Segundo o Ministério da Fazenda, a capitalização do BNDES tem o objetivo de enquadrar o banco nos novos limites internacionais de segurança financeira. Os ativos do BNDES correspondem a 13% do capital de referência, mas as regras estabelecem que esse índice tem que ser superior a 11%.

O resultado ruim dessas empresas, muitas vezes, são motivados por questões alheias ao mercado. Os papéis e o lucro da Petrobras - que recebeu os dois maiores empréstimos da história do banco, somando R$ 59,7 bilhões em valores corrigidos -, por exemplo, mingou com a política do governo de impedir o livre reajuste dos combustíveis para segurar a inflação.



As ações da Eletrobras despencaram depois que o governo criou uma nova política para o setor, visando a redução dos preços da energia elétrica para o consumidor. Já no caso da Oi - que sozinha recebeu metade de todos os recursos que o BNDES destinou ao setor de telecomunicações desde 1998 -, o crescimento acelerado, fomentado pelo governo na fusão com a Brasil Telecom, gerou uma dívida que hoje está em R$ 27,5 bilhões.

Os frigoríficos, por sua vez, estão sofrendo com a alta do endividamento por causa de um crescimento muito rápido. A aquisição de concorrentes de grandes países fez esses grupos multiplicarem seu faturamento e, também, seu endividamento. A dificuldade de absorver novas empresas têm pesado no resultado de algumas companhias.

- O setor está com uma perspectiva favorável, o consumo tem crescido, os preços dos alimentos subiram e há a perspectiva de que o custo de alguns insumos, como a soja, devem cair -afirmou Fabrício Freitas, da Humaitá Investimentos.


Para o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, a política de eleição de empresas é aceitável com a condição de que resulte em desenvolvimento para o país. Ele cita o caso da Embraer, entre outras, que sempre que investe fora do país, segundo ele, se afasta do projeto de fomento do banco:
- O BNDES não é um banco de investimento, é um banco de fomento.

O professor Luiz Gonzaga Belluzo, da Unicamp, discorda das críticas e lembra que este apoio do BNDES é fundamental para que o país tenha uma política industrial.

Procurado, o BNDES não respondeu ao pedido de informações.


O Globo

DE(s)CÊNIO ! POR "OBRA" DA GERENTONA 1,99/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA DE NADA E COISA NENHUMA E O PARLAPATÃO CACHACEIRO - BRASIL REAL : Os fantasmas estão de volta


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Nada mais falta para a percepção geral do retrocesso em que se mete o país. Sem conseguir transpor as barreiras ao crescimento, e distanciando-se progressivamente das políticas que levaram à estabilização econômica, a conjuntura deteriora-se a olhos vistos.

Era previsível que, sem reformas profundas no Estado, com corte de gastos e recuperação da capacidade de investimento, o modelo de fomento ao consumo via programas sociais e barateamento do crédito

logo chegaria ao esgotamento.

Pior:
sem urgentes correções de rumo, até o avanço que levou milhões de brasileiros a migrarem das classes de renda inferiores para patamares superiores está em risco.

Medidas pontuais e de agrado da população — com uma redução de imposto aqui, outra ali —, ajudadas por baixos níveis de desemprego e salários em alta, contribuíram para manter a ilusão de que tudo ia bem.


Não vai.
O PIB, soma das riquezas produzidas pela nação, patina.
Com a oferta praticamente estagnada e a demanda apontando para cima, os preços acenderam outro sinal de alerta.

De início, fez-se pouco caso da inflação.

Afinal, ela apenas ultrapassava o centro da meta.
Sem combate firme, contudo, já venceu a outra metade do caminho
e extrapolou a margem prevista.


Agora é torcer para que o governo não perca de vez o controle.


Por ora, a autoridade monetária aplica a receita clássica:
o aumento da Selic, taxa básica de juros da economia.
Ou seja, com a inflação, outro fantasma de tempos tenebrosos é 

desenterrado.
 

A memória nem precisa ir longe para o contribuinte acordar para mais esse torniquete, pois o alívio só passou a ser aplicado recentemente, em julho de 2011, com cortes sucessivos, que baixaram o índice ao menor patamar da série histórica, iniciada em 1986: 7,25%.

A queda até obrigou o governo a mudar as
 regras da caderneta de poupança, para permitir mais cortes. Contudo, a curva ascendente está de volta, os juros já bateram em 8,25% e o mercado futuro projeta 9% ao ano em suas operações de crédito.

Nesse contexto, agravado pela espectro extra da desvalorização do real frente ao dólar, a desconfiança generaliza-se. 


De 61,7 pontos percentuais no início do governo Dilma, o índice que mede a confiança dos empresários caiu para 57,9.
 

A popularidade da presidente despencou ainda mais:
de 65% para 57%, conforme pesquisa, divulgada sábado pelo Datafolha.

Não bastasse, a agência internacional de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P) mudou a perspectiva da dívida brasileira soberana de longo prazo em moeda estrangeira de estável para negativa.


O risco é de que o país perca o grau de investimento, espécie de garantia de porto seguro para o capital. 

 
Tanta coisa fora de lugar torna forçoso reconhecer que a casa está desarrumada. Não é para menos:
são 39 cômodos — ou ministérios, considerando-se na conta as secretarias com tal status.


O alto custo de manutenção fez a economia para o pagamento de juros da dívida pública, o superavit primário, encolher de 4,33% do PIB no primeiro quadrimestre de 2012 para 2,70% no mesmo período deste ano; já a dívida bruta foi de 58,7% para 59,2%.


O deficit externo, entre janeiro e abril, passou de US$ 17,4 bilhões para US$ 33,1 bilhões. Com a crise internacional, nem a balança comercial ajuda. 


Pelo contrário:
estánegativa em US$ 5,391 bilhões.


A hora é de choque de gestão.

Correio Braziliense