"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 20, 2013

Tomates, pepinos e juro

O aumento dos juros é o recurso que sobra quando o govemo se abstém de tratar das coisas fundamentais ou as conduz de forma equivocada

Há uma síndrome que costu­ma acometer as autorida­des brasileiras quando se trata de inflação:
a dificul­dade em perceber que se trata de um esporte coletivo.

A inflação não é fruto de jogadas individuais que encantam ou irritam torcedores e dirigentes, de vilões ou heróis facilmente identificáveis, mas do trabalho de uma equipe muito grande manobrando atabalhoada­mente um transatlântico.

A confusão parece se ampliar em tempos recentes por outra síndro- me, esta de natureza pós-moderna, a do “protagonismo”. Não há dois parágrafos seguidos de qualquer tex­to sobre a diplomacia brasileira sem ao menos uma incidência de “prota­gonismo”.

Assim como o Banco Cen­tral se encantou com “resiliência”, que usava como uma espécie de autoelogio, e agora, desafortunadamente, pare­ce se aplicar muito mais à inflação que ao PIB.

O fato é que “protagonismo”, em opo­sição à delegação e representação, tem sido um dos mantras do novo ativismo social do qual o movimento “Occupy” é um dos maiores exemplos. É a democra­cia direta, a linguagem horizontal, a fala das ruas e das redes sociais.

O ativista é o sujeito da ação emancipatória, a histó­ria resumida à sua própria conduta. È a “performance” que se esgota em si mes­ma, visando a mídia e não a ação legislati­va conseqüente. Essa é inspiração dos nossos diplomatas, o protagonismo do Brasil. Já o do tomate, que já foi capa de revista, pode ser efêmero ou não, depen­dendo do que vier a seguir.

Claro que há um erro basilar nesse raciocínio que associa a inflação às hor­taliças:
sempre vai haver o feijão cario­ca, a batata inglesa e o chuchu crescen­do muito mais que a média dos outros preços, enquanto outras coisas registra­rão variações negativas.

O próprio toma­te esteve a 40 centavos o quilo não faz tanto tempo. Uma vicissitude das médias é a de reunir em torno de si diversas observa­ções formando um gráfico em forma de sino.

A designação técnica para os ex tremos da distribuição de frequência é “cauda”, o que serve também para des­crever a origem dos tomates vendidos no Brasil acima de R$ 12:
eles vêm de Urumqi, na China, a localidade que os­tenta. o recorde de maior distância de qualquer porto marítimo.

É desse lugar que o país dotado de mais área agricul- tável do mundo importa seus tomates. Algo deve estar errado, não?

Mas não vamos nos perder no detalhe pitoresco.

O essencial é que a inflação é um esporte de massa, um processo cole­tivo, que envolve o todo, que em maté­ria econômica, costuma ser amplamen­te maior que as partes. É exatamente nesse sentido que se diz que a inflação é uma doença caracterizada pelo aumen­to generalizado dos preços.

A palavra- chave aqui é justamente o “generaliza­do”, que expressa a natureza social do processo. Os fenômenos sociais, no di­zer, de um dos protagonistas (oops) da sociologia, Emile Durkheim, são exte­riores às consciências individuais e sua natureza tem a ver com o coletivo, cuja identidade é singular e diversa daquela de suas partes componentes.

Essa é a explicação “sociológica” para o fato de a inflação permanecer imune aos truques como o controle de alguns ou mesmo de todos os preços, e tam­bém às manipulações estatísticas: a ten­tativa de encobrir manifestações indivi­duais, ou a evidência amostrai, não in­terfere com o fenômeno social.

As causas da inflação são tão conheci­das que até os apóstolos não aguentam mais repetir. Quem quer ouvir sobre o “rombo”nas contas públicas? Isso sim é um pepino, o principal item da cesta bá­sica de qualquer autoridade, lidar com gastos excessivos.

Faz lembrar uma óti­ma frase de Giro Gomes ao deixar o Mi­nistério da Fazenda:

“Convencer gover­nadores a reduzir despesa é como expli­car o significado do Natal ao peru.” A heterodoxia está prevalecendo, en­tre outras razões, em face do tédio à con­trovérsia, ou ao cansaço em rebater a pseudociência.

A contabilidade criati­va, o voluntarismo e o “corpo a corpo” reconquistaram o protagonismo (não resisto) de outrora, vejam quem são os interlocutores da presidente, os espe­cialistas consultados. Por isso, talvez se diga que estamos revivendo o governo Geisel, inclusive com alguns persona­gens em comum.

Noutra época, as teses ortodoxas so­bre a inflação eram acusadas de “funda- mentalismo”, uma designação pejorati­va para o truísmo segundo a qual as febres derivam das infecções. A ideia pode parecer óbvia, e é, mas alguém precisa dizê-lo à presidente.

Pergunte- se ao nosso campeão Bernardinho so­bre a receita para o sucesso em espor­tes coletivos:
domínio dos fundamen­tos (sic), perícia técnica e trabalho de equipe 
(grifos meus).

Era com ele que a presidente deveria estar con­versando, em vez de flertar com a medicina alternativa e com a expe­riência pregressa em lidar com horta­liças indisciplinadas.

É preciso esclarecer, todavia, que o aumento nos juros não é o exercício do “fundamentalismo”. A política monetária é uma espécie de antitér- mico, e não funciona como antibióti­co.

É o recurso que sobra quando o governo se abstém de tratar das coi­sas fundamentais ou as conduz de forma equivocada, como tem feito com a nossa política fiscal. A ideia que o problema do crescimento se resolve assinando cheques, ou peda­ços de papel pintado, é tão tosca co­mo dizer que o problema social é um problema de polícia.

Diante desse quadro, entretanto, não há alternativa:

o Banco Central assumirá o ônus de reduzir a febre causada pela gastança e atrairá para si a zanga do “setor produtivo”, quan­do os verdadeiros culpados estão bem escondidos no emaranhado opa­co em que se tornaram as nossas con­tas públicas.

O Estado de S. Paulo 

PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA(DELES) . GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA QUEBRA 1,99 : antecipa Primavera 2013 e gasta 208 mil reais com flores

A Presidência da República adiantou a primavera e garantiu que a estação das flores perpetue para o ano inteiro. A Pasta firmou na última semana um contrato de fornecimento de flores nobres, tropicais e de campo com a empresa Cadmo Costa Oliveira. 
Do total de R$ 208 mil previstos no contrato, já foram empenhados R$ 206 mil para a compra de diversos tipos de flores, inclusive de coroas fúnebres.

As aquisições florais serão utilizadas, segundo assessoria da Presidência em datas natalícias, falecimentos de autoridades, arranjos para eventos com a presença da Presidenta da República, de Ministros de Estado e de autoridades estrangeiras, na decoração do Gabinete Pessoal, da Residência Oficial e dos Gabinetes Regionais da Presidência da República.

Mais da metade da verba será empregada na compra de flores ornamentais. Segundo a nota de empenho, bromélias, antúrios, crisântemos, azaleias, orquídeas com floração nova e botões abrindo e plantadas de forma artística compõem os pedidos da Pasta. 
As plantas devem estar em caxepôs (vasos com rodinhas) de vidro, cerâmica, em alguns casos, chinesas, vime ou madeira. 
As plantas podem ter ainda acabamentos artísticos.

Serão 992 plantas ornamentais, ao custo de R$ 105,5 mil. 
O ornamento mais barato, que consiste em crisântemos e azaléias, sairá por R$ 55. Já a orquídea do tipo Denfales, com cascas de madeira e musgo para acabamento custará R$ 122.

Outros 25% do valor total empenhado será utilizado para a compra de arranjos florais. Serão 1.850 arranjos, ao custo de 58,4 mil. 
O mais simples, composto por folhagens, asparagus, dracena eucalipto e outras folhas sairá por R$ 6,00. 
Por outro lado, o arranjo mais sofisticado será adquirido por R$ 250 cada. 
Esse é do tipo jardineira com caimento e contêm flores nobres de primeira qualidade como rosas, 
copos de leite, 
lírios, 
orquídeas e tulipas.

A terceira maior compra, segundo a nota de empenho, foi de 80 coroas fúnebres grandes, que custarão R$ 42 mil. 
O valor de cada coroa varia entre R$ 500 e R$ 550. 
As coroas são feitas de flores de primeira qualidade e medem 200 cm de altura por 150 cm de largura. 
Cada uma deverá ter, no mínimo, 200 flores.

A compra dos arranjos florais ocorreu por pregão eletrônico e cada item do edital foi “oferecido” separadamente para as empresas participantes. A instituição vencedora de todos os itens do leilão às avessas, isto é, porque ganha a entidade que oferecer o menor valor do que as outras, foi a Cadmo Costa Oliveira. 
 A mesma entidade venceu licitações semelhantes em 2011 e 2012. 
Em 2011, a Cadmo embolsou R$ 38,4 mil e em 2012, R$ 89,8 mil.

Segundo a assessoria da Pasta, a razão principal no aumento dos valores destinado à compra de flores diz respeito a mudanças no quantitativo de itens contratados. Tendo percebido aumento da necessidade ou da demanda de alguns itens em 2012, foi requerida a contratação de quantidade superior de alguns tipos de arranjos.

A Presidência afirmou ainda que, por se tratar de contrato para fornecimento de itens sob demanda, o gestor estima quantidades e variedades de itens conforme a experiência de anos anteriores, buscando evitar o esgotamento de itens contratados no período contratado, bem como a necessidade de realizar novo processo licitatório naquele período.

Confira aqui a nota de empenho

EM REPÚBLICA COM P artido T orpe... TEM, TRAMBIQUE/TRAPAÇA/TRAMÓIA : Em alerta, Planalto trabalha para abafar criação de CPI da Petrobras

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Nos últimos dias, o Palácio do Planalto ficou em alerta com as notícias de que cresce a adesão de deputados da base aliada para a criação da CPI da Petrobras. Só da bancada do PMDB já são cerca de 40 assinaturas no requerimento. 

A articulação política do governo teme ficar refém da base, caso essa CPI seja instalada. 

A preocupação no governo é com o potencial da CPI de fragilizar a maior estatal do país, que nos últimos anos perdeu de forma significativa valor de mercado.

A ordem no núcleo palaciano é de agir para retirar as assinaturas do requerimento. A proposta de criação da CPI foi feita por deputados do PMDB, PP e PR, inclusive pelo deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), que no ano passado abriu mão da candidatura à prefeitura de Belo Horizonte para apoiar o PT. 

Na recente reforma ministerial, Quintão foi preterido pelo Planalto para ocupar o Ministério da Agricultura.

Gerson Camarotti é comentarista político da Globo News e repórter especial de política do Jornal das Dez. 

REAÇONARIA : Depoimento de um idiota


Nossa história começa com a família do idiota.

Neto por parte de mãe de um casal que pertenceu ao Partido Comunista ainda na ilegalidade, o nosso herói cresce em um ambiente onde quanto mais à esquerda, melhor.

Seu pai não era muito chegado a discussões políticas, o que não o impediu de ser preso pela ditadura, passar a noite na cadeia, ser interrogado e depois solto sem que nada acontecesse.

Foi suficiente, no entanto, para que tanto pai quanto filho odiassem os militares. Uma das frases que o idiota, ainda na adolescência,
ouve de seu pai e que ajuda a formar sua convicção política foi :
“Toda propriedade é um roubo.”
Original, não?

Em 1989, o idiota, então com 14 aninhos, assiste a discursos do candidato operário à presidência. Não há como negar que o cidadão era carismático. O idiota é então convencido de que aquele é o caminho.

Sem nada questionar, pega sua bandeira com a estrela vermelha, coloca em sua bicicleta e sai pelas ruas de Brasília em campanha, “sem medo de ser feliz, quero ver chegar!”

Grande derrota, primeira decepção política de nosso herói.
Mas ele iria se vingar!

Em 1992, secundarista, cabeludo, alienado e com 17 anos, nosso herói faz história. Junto com outros imbecis de mesmo QI, o idiota se veste de preto e vai pedir o impeachment do candidato vencedor nas eleições.
Motivo?

Parece que tinha um esquema de corrupção, um irmão enciumado dedurou tudo, um motorista (ah sim, pobre é sempre bonzinho!) confirmou, tinha um carro velho no negócio, uma capa da Veja com umas cascatas, e portanto tudo fazia sentido.

O que ele estava fazendo estava certo?
Não importa!
Ele desafiou muita gente poderosa?
Não importa!
Ele teve direito de defesa?
Não importa!
A turma que o condenou é essa mesma que hoje rouba vinte vezes mais? Não importa!

O que importa mesmo é que somos nós contra eles,
e nós temos que dar o troco.
Camisa preta,
Esplanada,
impeachment, vitória!
Pela moralidade!

O idiota fica um pouquinho confuso quando o partido que apoiou o impeachment se recusa a participar do governo que surge, isolando a única com coragem de fazê-lo, Luiza Erundina.
Eles não queriam isso?
O idiota não entende….

De qualquer forma, o governo formado consegue, em dois anos, acabar com a inflação. O ministro da fazenda é eleito e reeleito em primeiro turno, contra o candidato do idiota. 
Parece que ele está fazendo um bom trabalho, nada demais, mas está funcionando.
“Não importa!”
- grita mais uma vez nosso herói –
“Ele comprou votos para a reeleição, tem corrupção no governo dele, precisamos de ética na política!”

Na eleição de 2002, o idiota começa a perceber que não fará muita diferença um ou outro, pois seu candidato praticamente assumiu que iria continuar tudo como antes. “Pelo menos eles são do bem, são legais, vão cuidar do social ”- pensa o idiota.

Nosso herói, agora com 27 anos, formado e com mestrado em engenharia, não se permite mais ilusões.
É isso mesmo, nada vai mudar muito, é essa porcaria e pronto.

Mas eis que nosso herói consegue uma bolsa de estudos de doutorado nos EUA (sim, ele era idiota político, mas sabia brincar com os números). Chegando nos EUA, o idiota começa a perceber que existem pessoas lá que tem a coragem de se dizer de direita!
“Que afronta!

Todos sabemos do que a direita é capaz!
Como esses americanos são imbecis,” pensa o idiota.
“Primeiro o Bush rouba uma eleição e depois eles reelegem o cara mesmo assim! Um bando de retardados, espertos somos nós que elegemos o Lula.”
 
O idiota começa então a tentar entender isso.
Na biblioteca existem livros de direita e de esquerda.
Ele lê ambas as correntes políticas.

O jornal apresenta colunas dos partidários de ambas as visões políticas. Primeiramente, o idiota fica decepcionado com seus heróis.

Não é que eles estão errados, é só que eles não sabem argumentar, pois se eles são de esquerda só podem estar certos.
Mas aí vem o grande baque…..

Não são apenas eles que estão errados.
O idiota, que se achava o cara mais esperto do mundo, inteligente, articulado, politizado, preocupado com os problemas, esteve todo esse tempo do lado errado.
 
Que vergonha!
“Como pude ser tão estúpido?”- pensa nosso herói.
Os sinais estavam por toda parte, ele que não quis ver.
 
Como encarar agora todos aqueles que acusava de direitistas, achando que isso era um debate? Começa pedindo desculpas a alguns, ficando calado, procurando mais informações.

Mas ainda faltava o grande embate:
sua família.

Se dizer de direita numa família de comunistas é um pouco pior do que assumir que é gay numa família de machistas.
A saída do armário não foi fácil, mas sua família acabou entendendo.
“Ele está maluco”, “Foi doutrinado”, “Isso passa”, etc.
 
Alguns tentaram salvar nosso herói desse caminho:
“Calma, meu filho, isso é apenas uma fase.
Eu acho isso muito elitista, você deveria pensar no povo.
E a miséria do país, quem que vai lutar para resolvê-la se não a esquerda?”

Aos poucos, foram cedendo, conformados com a presença daquele maluco, como um tio doido que só precisamos encontrar de vez em quando.

Mas a vergonha de ter sido idiota por tanto tempo ainda incomodava, especialmente quando encontrava amigos que tinham tido paciência com ele na sua época de imbecilidade, paciência essa nem sempre retribuída pelo nosso herói.

Mas sua vida fica mais leve quando lê o livro “O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano,” recomendado por um desses amigos.

Na melhor parte do livro, os autores colocam eles mesmos como idiotas, com citações da sua época de juventude e imbecilidade. Nem Mario Vargas Llosa, que escreve o prefácio e é pai de um dos autores, escapa.
Sua idiotice também está registrada.

Concluem então:
O problema não é ter sido idiota e sim continuar sendo.
O nosso querido idiota fica mais tranquilo.
Agora só falta explicar pros outros idiotas…..
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Apresentação