"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 29, 2011

BC: crise econômica global faz PIB brasileiro cair


A crise econômica mundial deve provocar impacto negativo de 1 ponto percentual no crescimento da economia brasileira este ano. Já a demanda interna por produtos e serviços deve contribuir positivamente com 4,5 pontos percentuais.

Assim, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, deve ficar em 3,5% este ano, segundo projeção apresentada no Relatório de Inflação do Banco Central (BC), divulgado a cada trimestre.

A estimativa anterior do BC era 4% para o crescimento do PIB em 2011.


Segundo expectativa do BC, a agropecuária deverá crescer 2,1% em 2011, expansão de 0,2 ponto percentual acima da estimativa anterior. “Contrastando com o efeito positivo da agricultura, a pecuária apresentou desempenho aquém da expectativa no primeiro semestre, impactando negativamente a projeção anual para o segmento agropecuário”, diz o relatório.

A expansão anual do setor industrial em 2011 está estimada em 2,3%. “O recuo de 1,9 ponto percentual em relação à estimativa anterior decorre de revisões para menos em todos os subsetores da indústria, em linha com os respectivos desempenhos registrados no segundo e no início do terceiro trimestre do ano”, destaca o Relatório de Inflação.

A produção do setor de serviços deve aumentar 3,5%, ante 3,8% da projeção anterior. Para a demanda agregada, a nova projeção do BC considera crescimento maior no consumo das famílias, de 4,5% ante 4,1% na estimativa anterior, “consistente com a evolução favorável do mercado de trabalho no primeiro semestre”. Também aumentou a estimativa de crescimento para o consumo de governo, de 1,9% para 2,1%.

A projeção para o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) foi reduzida de 6,4% para 5,6%, “alteração associada aos recuos nas projeções de crescimento da construção civil, da indústria de transformação e das importações de bens de capital”.

As exportações e as importações de bens e serviços devem registrar elevações respectivas de 4,7% e 12,9% este ano ante estimativas anteriores de 9,6% e 18,2%.

“O menor crescimento de exportações é compatível com o ambiente de desaceleração da economia mundial, enquanto a revisão do crescimento das importações ocorre em linha com a expectativa de continuidade da moderação na atividade econômica interna no segundo semestre”, segundo o relatório do BC.

Agência Brasil

BC vê inflação no centro da meta só no 2º tri de 2013

No relatório de inflação do terceiro trimestre, divulgado hoje pelo BC, a autoridade monetária revisou para baixo a previsão de crescimento para este ano, de 4% para 3,5%, mas elevou a estimativa de inflação.

No cenário de referência, que supõe que a taxa de juros continuará em 12% e que o câmbio permanecerá em R$ 1,65 por dólar, ou seja, não leva em conta a disparada recente da moeda americana, o IPCA fechará o ano em 6,4%, bem acima dos 5,8% projetados anteriormente.

Ou seja, na visão do BC, a inflação encostará no teto da meta (6,5%) em 2011. Além disso, diz que a probabilidade de ultrapassar esse patamar este ano é de 45%.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, vinha dizendo que a inflação convergiria para o centro da meta (4,5%) no ano que vem; o relatório prevê, no entanto, que o IPCA não ficará em 4,5%, mas em 4,7%, pouco abaixo do previsto no documento anterior (4,8%), em 2012.

O IPCA só voltaria para o centro da meta no 2º trimestre de 2013, de acordo com o relatório do BC.

Essas previsões são as primeiras divulgadas após o Copom cortar os juros em 0,5 ponto na reunião de 31 de agosto.

O economista Luiz Roberto Cunha, professor da PUC-Rio, analisou o relatório e destacou um trecho que diz que "ajustes moderados no nível da taxa básica são consistentes com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

- Se o BC se comunicasse bem, coisa que não faz, isso significaria que os próximos cortes seriam modestos, mas não dá para afirmar isso - diz.

Segundo o professor, o BC se mostra preocupado com vários riscos - "e faz uma argumentação bem feita sobre eles", mas centra a atenção no agravamento da crise internacional que, de acordo com Cunha, pode não provocar a queda dos preços no Brasil, como o BC acredita.

- O parlamento alemão votou hoje a ampliação do fundo de resgate. A Europa vai empurrar a crise com a barriga, para ganhar tempo de blindar os bancos franceses, se organizar, antes do calote da Grécia. Mas o BC acha que um doble dip (duplo mergulho) é mais provável - afirma.

Quando explica as razões para ter revisado para baixo a projeção para o crescimento do PIB deste ano, o BC destaca, por exemplo, a piora da situação externa:

- Essa revisão reflete ações de política implementadas desde o final do ano passado e, principalmente, a deterioração do cenário internacional, que tem levado a reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos - informa o relatório.

Valéria Maniero/O Globo

A GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA, MÃE DO "APAGÃO" : Apagão na execução dos recursos no Luz para Todos

O programa Luz para Todos sofreu um apagão na execução dos recursos previstos no orçamento deste ano para o Ministério de Minas e Energia (MME), pasta responsável por coordenar a iniciativa criada em 2003 com o objetivo de levar energia elétrica para áreas rurais de todo o país.

Levantamento no Siafi (sistema que permite o acompanhamento de gastos do governo) revela que, do início do ano até o último dia 19, dos R$ 86,9 milhões reservados para o MME aplicar no programa este ano, apenas R$ 197 mil foram liquidados — jargão usado pelos técnicos do orçamento quando a obra é realizada e o Executivo autoriza o pagamento.

Esse valor representa 0,22% do total.

Entre as ações mais afetadas pela falta de aplicação de recursos, está a de atendimento das demandas por energia elétrica em localidades isoladas não supridas pela rede elétrica convencional.

Dos R$ 36,1 milhões previstos no Orçamento do MME, nenhum real foi empenhado ou liquidado até o momento.

O histórico da execução dos recursos previsto no orçamento da pasta para o programa demonstra uma queda exponencial nos últimos cinco anos.

Em 2010, por exemplo, o total liquidado foi de R$ 4,3 milhões, o que representou apenas 6,8% do previsto naquele ano.


Em 2009 e em 2008, foram liquidados R$ 7,7milhões (26,9% do total) e R$ 11,8 milhões (31,1%), respectivamente.

O MME, por meio da assessoria, confirma a baixa execução este ano e alega que a situação ocorre devido ao contingenciamento sofrido pela pasta.

"Os recursos que constam no Siafi são destinados às ações complementares do Luz para Todos, tais como o monitoramento e a capacitação do programa.

Esse recurso, anteriormente de R$ 83 milhões na Lei Orçamentária Anual, passou por dois contingenciamentos e ficou limitado a R$ 1 milhão, que deverá ser executado até o fim deste ano."

Erich Decat Correio Braziliense

Fuga de dólares : Em apenas um dia, na quinta-feira passada, US$ 1,19 bilhão deixou o país.


Influenciada por remessa de lucros ao exterior e vendas de ações, a cotação sobe 1,75%

Diante de uma estrondosa fuga de dólares do país, a cotação da moeda norte-americana interrompeu três dias de queda e voltou a subir fortemente ontem, fechando o dia em R$ 1,836, com alta de 1,75%.

Em setembro, a valorização da divisa estrangeira já chega a 15%.


Mais que o cenário de incertezas em relação à Europa e a um possível calote grego, a reviravolta foi puxada pela remessa de lucros de multinacionais e venda de ações de estrangeiros, movimento que despachou US$ 2,31 bilhões entre 19 e 23 de setembro.

Em apenas um dia, na quinta-feira passada, US$ 1,19 bilhão deixou o país.

O movimento de fuga foi detectado pelo Banco Central depois de três semanas de entrada forte de dólares no Brasil. Até 16 de setembro, aplicações estrangeiras em ações, títulos de renda fixa e investimentos no setor produtivo foram responsáveis pela internalização de US$ 2,61 bilhões.

Mas, em apenas uma semana, quase todo esse volume foi anulado pela saída repentina. Para operadores do mercado financeiro, a tendência é de que esse movimento continue, já que nesta época do ano as multis são requisitadas a remeter lucros às matrizes no exterior.

Saldo

O saldo da entrada e da saída da moeda vem perdendo fôlego.
Na semana passada, o BC registrou resultado negativo de US$ 431 milhões no fluxo cambial. Ainda assim, o país obteve entrada líquida de US$ 8 bilhões até 23 de setembro.

No ano, ele ainda é positivo em US$ 67,8 bilhões — um número bastante superior ao resultado de todo o ano passado, que ficou em US$ 24,3 bilhões.

A entrada de capitais no país mantém a liquidez do mercado à vista de câmbio — é o principal argumento do BC para não intervir por meio da venda de moeda estrangeira quando o dólar chegou a R$ 1,95, na semana passada.

Mas, se a cotação voltar a cruzar a barreira psicológica de R$ 1,90, a autoridade monetária poderá intervir novamente no mercado futuro (de derivativos), como fez na semana passada.

A taxa do dólar Ptax, usada como referência para os ajustes nesses contratos, fechou em alta de 0,68%, cotada a R$ 1,813.

Debandada

A saída de dólares do país parece um movimento orquestrado. Além das multinacionais, também foi forte a saída de recursos estrangeiros do mercado de ações.

A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) informou que os investidores se desfizeram de R$ 914 milhões (US$ 500 milhões) na semana passada, um movimento que contribuiu para piorar ao saldo negativo apurado pelo Banco Central.

Valor Econômico

setembro 28, 2011

De agosto de 2010 até julho último a Petrobras perdeu R$1,28 bilhão mais gasto adicional de US$1,1 bilhão com o aumento das importações.

O governo diminuiu em quatro centavos a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina. O valor da contribuição sobre a gasolina cairá de R$0,230 para R$0,192 por litro do combustível, uma redução de 16,3% - o implicará renúncia fiscal de até R$50 milhões ainda este ano.

O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antonio Henrique Silveira, disse que iniciativa não deve ter efeitos sobre o preço da gasolina na bomba para o consumidor.

Servirá "exclusivamente" para compensar a pressão de aumento de "alguns centavos" no preço da gasolina que poderia resultar da redução do percentual de álcool misturado à gasolina a partir do dia 1º, diante da previsão menor da safra de cana-de-açúcar e do aumento do consumo:


- O objetivo é que o preço da gasolina permaneça inalterado.

É segunda medida só neste mês que o governo toma para não pressionar mais a inflação. No início do mês, o governo adiou para 2012 a entrada em vigor do novo IPI para os cigarros, aumentado para fazer frente às desonerações do programa de estímulo à indústria, o Brasil Maior. Com essas duas medidas, o IPCA deixará de subir 0,24 ponto percentual este ano.

Parece pouco, mas pode fazer a diferença entre cumprir, ou não, a meta de inflação. O mercado espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 6,52% este ano, acima do teto da meta de 6,5%.

Petrobras não teria gostado da decisão

Nos cálculos do economista-chefe da Máxima Asset, Elson Teles, se o governo não reduzisse a Cide, o impacto da redução de álcool na gasolina sobre a inflação seria pequeno, de 0,04 ponto percentual no ano. No cigarro, que subiria 20%, o impacto seria de 0,20 ponto percentual.

- Seria um impacto bem modesto. No entanto, numa situação de estouro da meta de inflação, como apontam as previsões para este ano, qualquer medida que contenha a alta dos preços ajuda. O governo está no limite - diz.

A pequena redução do imposto não levou em consideração a demanda da Petrobras, que mantém os preços da gasolina congelados desde 2009, e vem vendendo o produto no mercado interno a preços inferiores à cotação internacional. Aqui, a gasolina está 20% mais barata do que lá fora, pelos cálculos de especialistas.

Segundo o secretário, havia o risco de, sem a redução da Cide, o preço da gasolina na bomba aumentar em "alguns poucos centavos" a partir de outubro. Ele explicou que, embora o governo vá arrecadar menos com o novo cálculo do tributo, parte dessas perdas será compensada por um aumento do recolhimento de PIS e Cofins da gasolina pura.

Por esta razão, a perda foi calculada em R$50 milhões até dezembro. De janeiro a agosto deste ano, a Receita Federal já arrecadou R$6,19 bilhões com a Cide, pouco mais de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, como a Cide é cobrada na gasolina pura (antes da mistura com o álcool), o aumento do volume da gasolina resultaria no aumento entre R$0,02 a R$0,03 por litro

Segundo fontes do setor, a direção da Petrobras teria ficado frustrada com a decisão do governo. A companhia esperava aumentar seu preço de refinaria com a redução da Cide, para evitar impacto nos preços aos consumidores. A estatal está com os preços da gasolina e do diesel defasados

Ao participar ontem da sessão de abertura do 4º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse não saber qual será o efeito da redução da Cide no bolso do consumidor.

- Qual o efeito desta redução sobre o preço final ao consumidor? Não sabemos - disse Gabrielli, lembrando que, desde maio de 2009, a gasolina sai da refinaria a R$1,05.

O especialista Adriano Pires Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), calculou que de agosto de 2010 até julho último a Petrobras perdeu R$1,28 bilhão, por conta da defasagem com os preços internacionais, e terá um gasto adicional de US$1,1 bilhão neste ano com o aumento das importações.

setembro 27, 2011

Dividendos da Vale : US$ 9 bilhões aos acionistas em 2011.


A Vale pretende distribuir, no próximo mês, US$ 3 bilhões em dividendos aos seus acionistas, dos quais US$ 2 bilhões correspondem à segunda parcela da remuneração mínima anunciada em janeiro, e US$ 1 bilhão a uma remuneração adicional.

A proposta será apreciada pelo conselho de administração no dia 14. Se aprovada, os acionistas receberão o equivalente a US$ 0,58 por ação ordinária ou preferencial, convertido em reais pela Ptax do dia 13.

O pagamento será feito no dia 31 de outubro.

Considerando os pagamentos já efetuados neste ano, a Vale distribuirá um total de US$ 9 bilhões aos acionistas em 2011, o maior volume já pago pela mineradora e o triplo do valor do ano passado.

Valor
Econômico

PETROBRAS, VAZAMENTO EM PLATAFORMA : "A insegurança está chegando a um ponto que nem dormindo os trabalhadores estão livres de sofrer um acidente".

A Petrobras retirou 22 trabalhadores da plataforma P-35, na Bacia de Campos, que foram intoxicados por causa de vazamento de dióxido de carbono na plataforma. O gás é usado para manter um selo inerte (sem oxigênio) nos tanques de armazenamento de petróleo.

Até o início da noite de ontem, segundo a Petrobras, 16 pessoas haviam recebido alta do hospital.
A plataforma produz 55 milhões de barris de óleo por dia. Ao todo, conta com uma tripulação formada por 200 pessoas.

Sindicalistas acreditam que tenha havido intoxicação através do ar-condicionado, uma vez que ocorria na plataforma uma operação de descarregamento de petróleo da plataforma para um navio, onde é usual o surgimento de gás nos tanques.

Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, a plataforma continuou a operar, com trabalhadores usando máscara de oxigênio até na sala de controle.
O sindicato integrará a comissão para averiguar o caso.

- Máscaras não devem ser usadas para um trabalhador operar uma plataforma. Esse é mais um capítulo da falta de segurança na Petrobras - disse o diretor de Comunicação do sindicato, Marcos Breda.

A companhia informou que o alojamento foi imediatamente desocupado e as operações de transferência de petróleo foram interrompidas após a identificação do problema. Mas a produção não parou.

Alguns trabalhadores que apresentaram náusea e dor de cabeça foram atendidos na enfermaria de bordo, e os 22 foram encaminhados para o hospital. Ainda estão internados seis petroleiros. A Petrobras designou uma comissão para apurar as causas do incidente.


Para o sindicato, a interdição da P-35 por 60 dias, em 2010, não foi suficiente para acabar com os problemas.

A Petrobras parou a produção no local, mas foi impedida pela ANP de retomar o trabalho até que os problemas fossem sanados.

Em 2010, houve outro vazamento de gás.

- A insegurança está chegando a um ponto que nem dormindo os trabalhadores estão livres de sofrer um acidente - comentou Breda.

Fabiana Ribeiro O Globo

Petrobras vai importar mais gasolina

O aquecimento do mercado interno e a decisão do governo federal de reduzir o percentual de álcool anidro na gasolina fará a Petrobras mais que quadruplicar o volume de importação de gasolina este ano.

Segundo o diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, o volume médio de importação em 2011 será de 30 mil barris diários do combustível, contra sete mil barris/dia em 2010. O diretor não informou quanto a estatal gastará com as importações.

O consumo da gasolina cresceu acima de 10% este ano. Isso, associado à redução do nível de álcool na gasolina, de 25% para 20%, a partir de 1º de outubro, fez a Petrobras encomendar uma nova leva de 600 mil barris de gasolina, além dos 600 mil que já haviam sido encomendados.

-Estamos revendo os valores das importações e avaliando o impacto da desvalorização do real sobre elas - disse Costa, em evento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em São Gonçalo.

O Globo

setembro 26, 2011

GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA 1,99/FRENÉTICA E EXTRAODINÁRIA "PRESIDENTA" FAXINEIRA :Despesa cresce 82% no governo federal

Os gastos com a terceirização de serviços aumentaram muito no serviço público federal, ignorando o preceito de que a terceirização reduz custo.
O governo federal ampliou seus gastos com funcionários terceirizados em 82%, em termos reais, entre 2005 e 2010.


No ano passado, o governo gastou R$ 4 bilhões com terceirizados.
O salto foi 16 pontos percentuais maior que o registrado nas despesas com salários e benefícios dos servidores civis, conta que consumiu R$ 68,7 bilhões em 2010.

Os dados fazem parte de levantamento realizado pelos economistas Marcos Mendes e Marcos Köhler, que será divulgado hoje no site "Brasil, Economia e Governo", associado ao Instituto Fernand Braudel.

Os economistas levantaram todos os gastos com terceirizados em conservação, limpeza, jardinagem, segurança, vigilância, transportes, informática, copeiragem, recepção, reprografia, telecomunicações, manutenção de equipamentos.

Além da evidente contradição, a forte elevação dos gastos com terceirizados da União vai contra determinação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de substituição dos terceirizados por concursados.

A evolução dos gastos se deu, primordialmente, devido a inércia do setor público. Isto é, diferentemente do que ocorre em uma empresa privada, que recorre à terceirização para redução de custos, o setor público contrata prestadoras de serviços terceirizados para evitar o "congelamento" do serviço.

Ou seja, busca-se agilidade num contrato de trabalho que, se exercido por um servidor estatutário tem a garantia constitucional da estabilidade.

No entanto, como escrevem os economistas, "o administrador público usa um dinheiro que não é dele, para comprar bens e serviços que não serão usados por ele próprio".

Para Mendes e Köhler, isso permite a fácil aceitação dos termos aprovados em convenção coletiva nas negociações salariais entre os sindicatos de trabalhadores e os sindicatos das empresas.

Enquanto que no setor privado, as negociações levam em conta a competição por contratos, no setor público, segundo os economistas, a falta de agilidade inibe este processo.

"Os valores de contratos com o setor público são muito superiores aos privados", dizem os especialistas, "e isso incentiva as firmas de terceirização a relaxarem nas negociações salariais, pois essa postura aumenta seus ganhos e gera repasse de custos à administração pública".

Os economistas comparam os pisos salariais dos trabalhadores de serviços terceirizados no Distrito Federal (DF), que basicamente representa os terceirizados do setor público, e os comerciários do DF. Nos últimos nove anos, os comerciários viram seu piso salarial saltar 65%, em termos nominais.

Já os terceirizados viram seu piso saltar 92%.

Há diferença salarial numa mesma categoria. Entre os vigilantes do DF, por exemplo, o piso daqueles que trabalham no setor privado é de R$ 1,2 mil, valor inferior aos R$ 1,7 mil de piso dos vigilantes terceirizados que trabalham no Banco do Brasil (BB).

A distância é ainda maior no Banco Central (BC), cujos vigilantes terceirizados contam com um piso de R$ 2,4 mil mensais.

A avaliação dos economistas é que o setor público deveria praticar salários iguais aos do setor privado, quando negocia com uma mesma categoria.

"Ainda que as despesas com terceirização apresentem valores absolutos muito mais modestos que as demais rubricas do Orçamento", escrevem Mendes e Köhler, "tanto a economicidade quanto a eficiência que ela promete entregar podem estar comprometidas".

João Villaverde Valor Econômico

Pior rombo para meses de agosto em 31 anos :Déficit externo supera previsões e atinge US$ 4,8 bilhões em agosto

As transações correntes do Brasil com outros países geraram, em agosto, déficit acima dos US$ 3,2 bilhões esperados pelo Banco Central.

Fechadas as contas, a diferença entre receitas e despesas externas do país com comércio, serviços, transferências de renda e transferências unilaterais foi negativa em US$ 4,862 bilhões, elevando o déficit acumulado no ano para US$ 33,784 bilhões.


Foi o pior rombo para meses de agosto em 31 anos. Apesar disso, a autoridade monetária revisou para baixo a previsão de déficit para o ano inteiro de 2011.

Em vez de US$ 60 bilhões, a expectativa oficial agora é de que a insuficiência de receita externa para gastos internacionais correntes seja de US$ 54 bilhões.


A revisão foi motivada basicamente pela perspectiva de melhor desempenho da conta de comércio, cujo saldo foi positivo em US$ 19,976 bilhões.

A nova projeção indica saldo comercial de US$ 29 bilhões este ano e não mais em US$ 20 bilhões apenas, principalmente pela melhora das exportações. A receita de vendas externas, antes projetada em US$ 250 bilhões, deverá chegar a US$ 258 bilhões.

O volume previsto de importações, por sua vez, caiu US$ 1 bilhão, para US$ 229 bilhões.


Ao justificar a melhora de cenário para a balança comercial, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, destacou que, de janeiro a agosto, o preço médio das exportações brasileiras cresceu cerca de 27% sobre igual período de 2010.

O BC também levou em conta o crescimento de 31% do volume exportado no terceiro trimestre deste ano, ante iguais meses do ano anterior. A projeção para o ano também já leva em consideração que esse ritmo não se manterá no quarto trimestre, esclareceu.


Um dos fatores que pressionou o déficit em transações correntes de agosto foram as remessas líquidas de lucros e dividendos ao exterior. Essas despesas chegaram a US$ 5,109 bilhões no mês, ante US$ 2,511 bilhões de em agosto de 2010.

No ano, chegam US$ 25,699 bilhões, mais do que os US$ 19,281 bilhões de igual período do ano passado.


Os gastos com viagens internacionais também vieram acima do esperado e somaram US$ 1,297 bilhões no mês, elevando o valor acumulado desde janeiro para US$ 9,818 bilhões. No entanto, os números parciais de setembro indicam desaceleração em ambos os casos, informou Maciel.

Até dia 23, o Banco Central apurou remessas de lucros e dividendos em torno de US$ 1,023 bilhão e despesas de US$ 969 milhões com viagens ao exterior, já descontadas as respectivas receitas.

O chefe do Depec concorda que a subida da cotação da moeda americana influenciou a queda desses gastos em setembro. Mas, sobretudo no caso das viagens, diz que há também redução sazonal.

A expectativa do Banco Central é de que os gastos com lucros e dividendos cheguem a US$ 38 bilhões em 2011, US$ 1 bilhão a mais do que projetava até então. Maciel lembra que é natural a elevação dessas remessas diante do crescimento do estoque de investimentos estrangeiros diretos (IED) no país.

Do início do ano até dia 23, o fluxo de IED atingiu US$ 48,485 bilhões e deve chegar a US$ 60 bilhões até dezembro, calcula o BC.

Dos US$ 5,1 bilhões gastos em agosto com lucros e dividendos, US$ 3,584 bilhões referem-se a remuneração desse tipo de investimento, que gera produção, emprego e renda no país, destaca Maciel.

As despesas externas do país com aluguel de equipamentos também foram expressivas, chegando a US$ 1,398 bilhão, Mas cresceram apenas 9,4% sobre igual mês de 2010.

Os gastos líquidos com transporte, em geral associados ao comércio exterior, foram de US$ 813 milhões, mas cresceram 43,6% na comparação com agosto de 2010.

Monica Izaguirre e Murilo Rodrigues Alves |Valor Econômico