"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

outubro 20, 2010

ANTIPRIVATISTA E COM ARROUBO ESTATISTA E SOB O DOMÍNIO DE UMA "COISA" É ISSO QUE O PT QUER PARA O NOSSO FUTURO?

O enfraquecimento da economia venezuelana, em boa parte devido à política de estatização que o governo socialista de Hugo Chávez intensificou nos últimos anos, é um exemplo do que poderia acontecer com a economia brasileira se fossem transformadas em política de governo as teses antiprivatistas defendidas por militantes do PT e que vêm marcando a propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff.

É contínua, e em alguns casos avassaladora, a perda de eficiência das empresas cujo controle foi transferido para o governo bolivariano de Chávez, que só em raras situações ressarciu adequadamente os antigos controladores.

O mau desempenho da grande maioria das empresas estatizadas contribui para manter a atividade econômica do país no atoleiro e os preços em alta - a Venezuela tem o pior desempenho econômico da região desde o início da crise mundial.

A produção da siderúrgica Sidor, antes controlada pelo grupo argentino Techint, caiu 28% desde sua estatização em 2008, de acordo com reportagem do jornal Valor.

A fabricante de alumínio Venalum, que gerou lucro de US$ 60 milhões no último ano sob controle privado (2005), agora estatal só gera prejuízos.

A Bauxilum, que quando privada chegou a produzir 5,6 milhões de toneladas de bauxita por ano, em 2010, como estatal, só produzirá 3 milhões.

No campo, dos 350 mil hectares desapropriados pelo governo em 2009, só 9,4 mil hectares estão sendo cultivados - ou seja, 97,3% continuam improdutivos, de acordo com um instituto de pesquisa privado.

Num curto, mas denso balanço da situação de seu país em 2009, o presidente da Federação das Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela, Noel Álvarez, afirmou: "O ano termina com um colapso nos serviços públicos de água, luz, transporte e infraestrutura viária, uma queda na produção, um aumento no desemprego, intervenções em propriedades rurais e expropriação de empresa e aumento da insegurança pessoal e jurídica."

Era, na época, o retrato de um país cujas bases econômicas vinham sendo solapadas por uma política populista destinada a garantir a perpetuidade do caudilho no poder.

Em 2010, essa política foi intensificada e, com a apertada vitória da situação na eleição de setembro - Chávez perdeu a maioria de dois terços necessária para a aprovação de mudanças legislativas importantes -, foi estendida com mais vigor para outras áreas, especialmente a de alimentos, politicamente muito sensível.

Inversamente proporcionais ao avanço do Estado venezuelano sobre a economia, os resultados globais são cada vez piores.

Em 2010, só até agosto, as desapropriações do governo chavista atingiram 174 empresas privadas, a maior parte das quais pertence ao setor de fornecimento da indústria de petróleo e gás.

Mas - como dissemos - a onda atual inclui também empresas da área de produção e distribuição de alimentos.

A explicação do governo para a ampliação da intervenção também nessa área foi a necessidade de evitar o desabastecimento, em razão da retenção indevida de estoques.

Pode ser mera coincidência, mas o fato é que, em meados do ano, milhares de toneladas de alimentos importados pelo governo apodreceram nos contêineres parados nos portos controlados pelo Estado bolivariano, o que afetou a popularidade do caudilho e de seu partido.

(...)

Essa política estatizante, além de reduzir investimentos públicos em áreas como saúde, educação e segurança pública - pois, quando paga, o governo desvia recursos para áreas em que o setor privado é mais eficiente -, gera insegurança jurídica.

Temerosa, também a iniciativa privada deixa de investir, o que retarda a recuperação da economia.

É sobre isso que conviria aos eleitores brasileiros refletir.

O Estado de S. Paulo

FAZENDA ELEVA PREVISÃO DE DÉFICIT EXTERNO.

Por causa do processo de valorização do real, o Ministério da Fazenda elevou suas projeções para o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos neste e no próximo ano, segundo informou uma fonte ao "Estado".

Os novos números dessa conta que registra todas as operações de comércio exterior, serviços e rendas do Brasil com o exterior serão divulgados ainda nesta semana pela Fazenda no boletim Economia Brasileira em Perspectiva, documento que o ministério produz sobre a evolução dos principais indicadores macroeconômicos e com projeções para a economia.

Para este ano, a nova projeção de saldo negativo na conta corrente é de US$ 49,5 bilhões, equivalente a 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB).

Antes, a Fazenda projetava déficit de US$ 45,9 bilhões (2,3% do PIB).

Para 2011, a nova previsão é de saldo negativo de US$ 58,8 bilhões, ou 2,73% do PIB. No boletim anterior, a estimativa era de US$ 56 bilhões de déficit, ou 2,6% do PIB.

A trajetória de rápida piora nas contas externas do País desde meados do ano passado tem causado preocupações na equipe econômica.

Afinal, o agravamento do déficit externo significa que a indústria nacional não está conseguindo atender os consumires brasileiros e pode estar perdendo espaço para seus competidores estrangeiros.

Além disso, com a constante e rápida deterioração das contas externas, o risco de uma crise cambial no futuro aumenta, o que, se ocorrer, pode provocar, entre outros problemas, uma alta da inflação.

Diferencial.

Para o Ministério da Fazenda, o movimento da conta corrente reflete não só um crescimento mais forte da economia brasileira em comparação com os países desenvolvidos (que gera mais importações do que exportações), mas também o câmbio sobrevalorizado, que estimula não só a compra de bens importados, mas também remessas de lucros e viagens ao exterior.

Essa avaliação explica por que o governo está com uma postura bem mais agressiva no câmbio, adotando medidas para conter a valorização do real.

Para o Banco Central, por sua vez, o diferencial de crescimento econômico é o principal elemento que explica o crescente déficit externo.

(...)

No cenário desenhado pelo Ministério da Fazenda para as contas externas do País em 2010, a conta de viagens internacionais deverá ter saldo negativo superior a US$ 9 bilhões (antes estavam previstos US$ 8,9 bilhões) e a de remessas de lucros e dividendos deverá ter déficit se aproximando de US$ 35 bilhões (no documento anterior estava em US$ 33 bilhões).

Segundo a fonte, essas duas contas têm forte influência da taxa de câmbio valorizada.

(...)

PIB.

O ministério está mantendo em U$S 35 bilhões a projeção de ingressos de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado à produção, em 2010, segundo a fonte.

Para o ano que vem, a estimativa é de US$ 45 bilhões em ingressos de IED.

O boletim Economia Brasileira em Perspectiva do Ministério da Fazenda trará também oficialmente a nova projeção de crescimento da economia para 2010, agora em 7,5%.

No documento anterior, a previsão era de 6,5%.

Para 2011, o governo manteve a projeção de alta do PIB em 5,5%.

Saldo negativo

US$ 49,5 bi
é a previsão do Ministério da Fazenda para o déficit da conta corrente neste ano (equivalente a 2,49% do PIB)

US$ 58,8 bi
é a previsão do Ministério da Fazenda para o déficit da conta corrente em 2011 (2,73% do PIB)

Fabio Graner O Estado de S. Paulo

POBRE SUPERÁVIT PRIMÁRIO

Depois de ter emitido dívida pública para conceder empréstimo ao BNDES e de ampliar o antigo Projeto Piloto de Investimentos (PPI), incorporando todo o orçamento do PAC às possibilidades de abatimento da meta fiscal, o governo agora acena com mais uma medida para aumentar artificialmente as receitas primárias.

Trata-se de nova emissão de dívida pública para ajudar no cumprimento das metas, conforme veremos.

Com esse jogo contábil o governo conseguirá prejudicar ainda mais a transparência e a previsibilidade no âmbito fiscal.

Hoje, o sistema de metas para o superávit primário já não traz informação relevante para a avaliação fiscal.

Isso porque permanece a evolução do gasto e o primário, mesmo assim, aumenta via maquiagem dos resultados a fim de apresentar uma pseudoausteridade.

No curto prazo funciona, mas em prazo maior a credibilidade conquistada nos últimos anos, com a ajuda deste mesmo governo, será convertida em riscos, aumento da taxa básica de juros e redução do potencial de crescimento.

A meta fiscal já não fornece mais informações relevantes.

O resultado primário do setor público consolidado precisará passar, a cada divulgação, por uma "limpeza" para poder ser analisado.

No último resultado primário do governo central, por exemplo, referente a agosto, seria conveniente descontarmos R$ 1,4 bilhão de receitas advindas da venda de dividendos futuros da União junto à Eletrobrás para o BNDES.

A justificativa é evidente, uma vez que se antecipou uma receita para elevar resultados. Contabilidade. E só isso.

Assim como este, vários outros artificialismos precisarão ser isolados para se chegar ao primário efetivo.

Conforme mencionado, o jogo contábil será, agora, "coroado" com a operação que envolve Petrobrás, BNDES e Tesouro, refletindo-se já no resultado de setembro, com cerca de 1% do PIB emitido em dívida transferido ao Tesouro e pago à Petrobrás (compra de ações), que, por sua vez, o repassará ao Tesouro como forma de parte do pagamento das reservas do pré-sal (rubrica concessões).

Essa contabilidade criativa é danosa às finanças públicas, principalmente pela perda de transparência, e é também prejudicial, no médio prazo, à credibilidade conquistada no campo fiscal, um dos sustentáculos da atratividade ao capital externo.

Se Fernando Henrique Cardoso foi o presidente da estabilidade, tendo liderado o Plano Real, ainda como ministro de Itamar Franco, e Lula foi o presidente da distribuição de renda, o que se espera do próximo presidente é a elaboração de uma estratégia que permita ao País ampliar, efetiva e solidamente, as taxas de crescimento.

Tal necessidade - único caminho para ampliar emprego e renda - passa pela adoção de uma nova política fiscal, mais austera, mais transparente e menos onerosa à sociedade.

O setor público ainda sustenta um déficit nominal de 3,4% do PIB, muito distante do necessário "zero".

É verdade que grande parte desse déficit nominal é explicada pelo pagamento de juros, da ordem de 5,4% do PIB, mas este, por sua vez, não é um problema em si.

Isto é, ele é fruto de uma taxa básica de juros elevada, sim, mas que se explica pela própria incapacidade do governo em reduzir o peso de seu consumo sobre a demanda agregada da economia.

Gastando em excesso, o governo acaba pressionando os juros, que precisam ser elevados para conter a inflação.

O problema fiscal, assim, é causador de um dos principais entraves ao crescimento e ao desenvolvimento, que é o baixo investimento no Brasil, resultante de juros ainda relativamente altos, que desestimulam o investimento produtivo.

O próximo presidente, assim, terá à frente a tarefa central de reorganizar as finanças públicas e adotar uma estratégia fiscal que auxilie o crescimento e divida com a política monetária o ônus do controle inflacionário.

Em outras palavras, a meta já não vale mais nada e as regras do jogo estão em aberto.

Restará ao próximo jogador redefini-las.

Felipe Salto O Estado de S. Paulo

PETROBRÁS EM BUSCA DE MAIS US$ 33 bi


O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou ontem que, mesmo após sua recente capitalização, a estatal precisará buscar no mercado entre US$ 32 bilhões e US$ 33 bilhões para fazer frente ao seu programa de investimentos previsto para o período 2010-2014, de US$ 224 bilhões.

Pelos cálculos de Gabrielli, o volume de recursos necessários para bancar os investimentos e pagar a dívida de US$ 38 bilhões, que vence no mesmo período, chega a US$ 262 bilhões.

Descontada a geração de caixa, em torno de US$ 155 bilhões, e os recursos que entraram no caixa da empresa por meio da capitalização (US$ 25 bilhões), ainda ficariam faltando pouco mais de US$ 30 bilhões para fechar a conta.

O valor é a metade do que o próprio Gabrielli havia projetado no início do mês.

Apesar da discrepância nos números, Gabrielli disse que a empresa não terá dificuldades para levantar esses recursos por meio de endividamento, uma vez que o seu nível de alavancagem (dívida em relação ao patrimônio) caiu para 18% depois da capitalização.

Antes desta, esse indicador era de 34%, muito próximo do limite de 35% estipulado pela própria Petrobras.

— Essa taxa (de 18% de alavancagem) é extremamente confortável — disse Gabrielli, em entrevista logo depois de participar da abertura da quarta edição da Santos Offshore Oil & Gas Expo.

Gabrielli:

Tupi foi antecipado por custo de equipamento Gabrielli também estimou o total de recursos que serão aplicados pela companhia na exploração dos cinco bilhões de barris de petróleo cedidos pela União em troca da capitalização.

Segundo ele, os investimentos devem ficar abaixo dos US$ 10 bilhões.

Sobre a antecipação, anunciada anteontem, do início da exploração comercial do présal na área de Tupi para 27 ou 29 de outubro, portanto às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, Gabrielli disse que a data foi definida há mais de um ano e não tem qualquer motivação eleitoral.

A Petrobras, porém, sempre divulgou que a data para a entrada em operação de Tupi seria até o fim deste ano. Gabrielli criticou a manchete de ontem do GLOBO sobre o assunto.

— Não tenho culpa se eles (os editores) acham que é uma relação eleitoral (a antecipação da data).
A opinião do editor que lança na manchete de primeira página uma especulação eleitoral é responsabilidade do GLOBO.
Não é da Petrobras — afirmou.

Segundo Gabrielli, outra razão que levou à antecipação da produção foi o custo do aluguel dos equipamentos utilizados para retirar o petróleo do pré-sal, que chega a US$ 370 mil por dia.

— Estamos antecipando por razões técnicas e econômicas.

A cada três dias temos que pagar US$ 1 milhão, só de aluguel. Portanto, quanto mais cedo produzirmos, melhor — afirmou.

Lino Rodrigues O Globo

COMO VOVÓ JÁ DIZIA : QUEM NÃO TEM COLÍRIO USA ÓCULOS ESCURO, OU : QUEM TEM TEMER NÃO DEVE USAR PAULO PRETO.

Retrospectivas :


Documentos indicam suposta mesada de empreiteira a políticos e partidos A Polícia Federal concluiu a Operação Castelo de Areia - investigação sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo executivos da Construtora Camargo Corrêa e anexou ao relatório documento que pode indicar suposto esquema de pagamentos mensais a parlamentares e administradores públicos e doações "por fora" para partidos políticos.
O dossiê é formado por 54 planilhas que sugerem provável contabilidade paralela da empreiteira.

Elas registram dados sobre 208 obras e contratos da Camargo Corrêa entre 1995 e 1998, espalhados por quase todo o País e também no exterior - Bolívia e Peru.

Os repasses teriam ocorrido naquele período em favor de deputados federais, senadores, prefeitos e servidores municipais e estaduais.

Em quatro anos a empreiteira desembolsou R$ 178,16 milhões.

Em 1995, segundo os registros, ela pagou R$ 17,3 milhões. Em 1996, R$ 50,54 milhões. Em 1997, R$ 41,13 milhões.

No ano de 1998, R$ 69,14 milhões.

O Ministério Público Federal poderá requisitar à Justiça o envio à Procuradoria-Geral da República dos dados referentes a autoridades que detêm prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal (STF).


Outra medida será a abertura de vários inquéritos para investigar as obras.
O Estado de S. Paulo


Fotomontagem “thepassiranews”


O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), reagiu com indignação à citação de seu nome no arquivo secreto da Construtora Camargo Corrêa, que sugere uma contabilidade paralela da empreiteira, investigada na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal.

Lidar com cafajeste é uma coisa brutal.
Estou indignado.
É uma infâmia sem tamanho, disse Temer.

Ele informou que soube que não se trata de um papel oficial, que fala de um período em que ele era presidente da Câmara, e observou que seu nome está grafado de forma errada:
"Themer".

"Quero dizer enfaticamente, em letras garrafais, que se trata de uma infâmia. Coisa vil, de gente vil, que se utiliza disso para chamuscar o nome dos outros", declarou o presidente da Câmara.

Temer disse que amanhã apresentará uma petição para obter os documentos nos quais seu nome é citado e que, quando receber os documentos, responsabilizará os que os produziram.

Ele é citado 21 vezes no arquivo entre 9 de outubro de 1996 e 28 de dezembro de 1998, ao lado de quantias que somam US$ 345 mil.

As planilhas constam dos autos da Castelo de Areia, operação integrada da polícia Federal (PF) e da Procuradoria da República.

DENISE MADUEÑO - Agencia Estado

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outubro 19, 2010

PARA O PARTIDO TORPE É RUIM PRIVATIZAR, POR QUÊ ?

A realização do segundo debate deste segundo turno - promovido pela Rede TV! e pela Folha de S. Paulo neste domingo - expôs, mais uma vez, a carcomida estratégia do PT de demonizar as privatizações.

Acontece a cada quatro anos, sempre nos períodos eleitorais.

Sobre o tema, os petistas improvisam todo o tipo de falsidades.

A má-fé é evidente.

O PT aposta numa difusa antipatia de alguns por empresas privatizadas para tentar angariar uns votinhos a mais.

Mas bastam alguns minutos de reflexão para perceber os benefícios que o processo de desestatização, que se desenrolou durante toda a década de 1990 e continuou no governo Lula, trouxe para a população brasileira.

Há os exemplos mais evidentes, como o das telecomunicações.

Antes artigo de luxo, os telefones estão hoje nas mãos de praticamente todos os brasileiros: existem mais linhas operando do que o total de habitantes do país.

Um produto que custava caro e demorava meses para ser obtido, hoje se consegue em minutos, de graça.

Com isso, chegou ao fim a época do "teleorelhão", de que o PT tanto sente saudades.

Mas há também os avanços a partir da abertura do setor de petróleo, que não foi uma privatização.

A lei aprovada em 1997 elevou a Petrobras a um patamar de ganhos e eficiência nunca antes visto, com benefícios evidentes para os cofres públicos, e, em conseqüência, para a população como um todo, na forma de tributos recolhidos e dividendos pagos.

Pode-se lembrar, ainda, a privatização dos bancos estaduais, antes um verdadeiro sorvedouro de dinheiro público, ninhos de desvios e corrupção.

O PT parece achar que nada disso fez bem ao país.

E, embora também tenha transferido dois bancos estaduais e milhares de quilômetros de rodovias e ferrovias para a iniciativa privada, promete na TV que, sob seu governo, o país vai "continuar não privatizando".

Será que alguém, exceto os parasitas de dinheiro público, ganharia com este caminho?

Numa área da economia, o PT fez clara opção por "continuar não privatizando": o setor elétrico.

Quando Lula assumiu o poder, herdou algumas concessionárias de energia que haviam sido federalizadas em 1998 com o intuito de serem saneadas e transferidas para a iniciativa privada.

Todas atuam nas regiões Norte e Nordeste.

Sob Lula e com as bênçãos de Dilma Rousseff, a decisão foi não levar o processo de privatização das elétricas adiante.

Qual terá sido o benefício desta estratégia para os contribuintes e usuários de energia destas regiões?

Vejamos isso em números e fatos para chegar a nossas conclusões.

Do grupo de seis concessionárias nestas condições, apenas duas não tiveram prejuízos no primeiro semestre deste ano.

Um ralo de quase R$ 100 milhões apenas neste curto período de seis meses.

Isto significa que o governo tem de drenar recursos da Eletrobrás, que controla estas empresas, para continuar tapando os rombos.

Uma rotina que não se encerra.

Não é apenas no bolso dos consumidores que a ineficiência pesa.

Tome-se o que está ocorrendo na área de atuação da distribuidora que atende o Amazonas, a Amazonas Energia.

Ainda hoje sob administração estatal, por opção do governo do PT, a empresa transformou Manaus na "capital nacional do apagão" onde diariamente falta energia elétrica, conforme mostrou a edição de O Estado de S. Paulo deste domingo.

Perdem não apenas os consumidores residenciais, que se vêem às voltas com os contratempos da cotidiana falta de luz, como também as linhas de produção da Zona Franca de Manaus, que responde por 90% do PIB regional.

Sem luz, as fábricas param todos os dias, num gigantesco prejuízo econômico.

Noticia-se também que, desde 2006, a Amazonas Energia investiu apenas 22,7% do seu orçamento destinado a obras de melhoria, ampliação e reforma da infraestrutura elétrica no estado.

A estatal mergulhou o Amazonas nas trevas, conforme conclusão da própria Aneel: "A aplicação inconclusa de recursos contribui para a deterioração das condições de conservação e operação do sistema elétrico da concessionária, gerando piora na qualidade do serviço prestado".

Manter empresas deficitárias sob controle estatal muitas vezes acaba por ter outra serventia, nunca confessada: utilizá-las para negócios escusos, subjugando-as a interesses privados.

É o que aconteceu na CGTEE, conforme reportagem da revista Época desta semana. Nela, um antiqüíssimo colaborador de Dilma aparece no centro de uma trama que resultou numa fraude de ? 157 milhões.

Vale registrar que a CGTEE, junto com as subsidiárias da Eletrobrás do Norte e Nordeste do país, também vive sob permanentes prejuízos, cobertos com o meu, o seu, o nosso dinheirinho.

É este o modelo que o PT defende: o dos apagões e das empresas estatais que só servem para sugar dinheiro do contribuinte.

É para isso que o partido de Dilma Rousseff se propõe a "continuar não privatizando". Não parece ser a melhor alternativa.

Original/Íntegra : ITV - Um sorvedouro de dinheiro público

A DEFESA DAS PRIVATIZAÇÕES .

“Não é função do governo fazer um pouco pior ou um pouco melhor o que os outros podem fazer, e sim fazer o que ninguém pode fazer” (Lord eynes)

O PT resolveu apelar para a mesma tática de 2006: “acusar” os tucanos de privatistas.

Alckmin cedeu na época.

Serra não caiu na mesma armadilha.

Como disse o candidato, o PT defende a era do “orelhão”, e quem é contra as privatizações deveria jogar no lixo seu moderno aparelho de celular.

A ideia de um Estado-empresário vem de longe, mas não é difícil entender por que as estatais acabam mais ineficientes que as empresas privadas: faltam-lhes os mecanismos adequados de incentivo.

As empresas privadas precisam oferecer bons produtos para sobreviver, e isso coloca o consumidor no topo das prioridades.

O escrutínio dos sócios em busca de bons retornos garante a eterna busca por eficiência.

O mesmo não ocorre nas estatais.

Seus recursos vêm da “viúva”, e as empresas acabam atendendo aos interesses dos políticos e seus aliados.

Costumam virar palco de infindáveis casos de corrupção.

Enquanto os acionistas privados focam no longo prazo, pois seu patrimônio depende da capacidade futura de lucro, os políticos pilham as estatais de olho nas próximas eleições.

Como Erenice Guerra sabe, o loteamento das estatais é prática recorrente no país.

Quem lava um carro alugado?

Cuidamos melhor daquilo que é nosso. É natural que as empresas privadas, portanto, sejam mais bem administradas que as estatais.

O histórico delas oferece farta evidência disso: empresas paquidérmicas, ineficientes, deficitárias, verdadeiros cabides de emprego.

As raras exceções comprovam a regra.

Os maiores gargalos da economia estão justamente nos setores dominados pelo Estado: portos, aeroportos, estradas.

Coincidência?

Claro que não.

Para quem ainda não está convencido, o livro “A guerra das privatizações”, de Ney Carvalho, é leitura bastante recomendável.

Mostra as origens do estatismo e como as privatizações a partir de 1990 foram essenciais para o avanço do país.

Geraram mais empregos, riquezas e impostos.

Só a Vale pagou quase R$ 5 bilhões de imposto de renda em 2009, o suficiente para meio Bolsa Família.

Apesar disso, muitos ainda defendem o Estado-empresário.

Confundem a propriedade estatal com o interesse nacional.

Quase sempre ambos andam em direções opostas.

O que interessa ao povo são empresas eficientes. Isso ocorre quando empresas privadas precisam sobreviver num ambiente competitivo, o contrário dos monopólios estatais protegidos da concorrência.

Estes são adorados pelos políticos oportunistas, pelas máfias sindicais, pelos funcionários acomodados.

Quem paga a conta são os consumidores.

Vide a ineficiência dos Correios.

O que explica, então, esta aversão à privatização?

Usiminas, CSN, Embraer, Banespa, Telebrás, Vale, a lista de casos de sucesso é extensa, e ainda assim não são poucos os que sentem asco ao escutar a palavra.

Ideologias demoram a morrer, e conquistam seguidores mais pelas emoções que pela razão.

O tema assumiu um tom dogmático, alimentado por uma intensa propaganda enganosa digna de Goebbels.

O PT explora isso.

O casamento entre o nacionalismo e o socialismo pariu esta idolatria ao atraso.

O uso do termo “estratégico” alimenta a retórica dos que lutam contra o progresso.

Todo setor passa a ser estratégico, só não se sabe para quem. Além disso, controle estratégico não é sinônimo de gerência governamental.

Costuma ser o contrário.

Governantes tão diferentes (ou não) como Vargas, Geisel e Lula defenderam essencialmente a mesma receita: a concentração de poder econômico no governo.

Trata-se de uma receita fracassada, como comprova a Venezuela de Chávez.

Mas, apesar do discurso eleitoreiro, o fato é que até parte do PT já entendeu isso, o que explica as várias concessões ao setor privado feitas no governo Lula.

A recém-nascida OGX, de Eike Batista, já vale a quinta parte da Petrobras, que perdeu mais de 30% de seu valor este ano.

É o custo político afetando milhares de investidores que apostaram na estatal por meio do FGTS, por exemplo.

Enquanto isso, o presidente da empresa parece mais preocupado em fazer campanha eleitoral, deixando transparecer a apropriação partidária da estatal.

Os petistas levaram a sério o slogan “o petróleo é nosso”.

O povo, entrementes, paga um dos preços mais altos do mundo pelo combustível.

Privatizar não é pecado; ao contrário, é crucial para uma economia dinâmica e moderna, liberando o Estado para focar em suas funções precípuas.

O mal do PSDB não é ser privatista, mas ser pouco privatista!

Rodrigo Constantino / O Globo

ESTATAIS : PARTIDARIZAÇÃO E DIRIGISMO.

A ida para o segundo turno da candidata oficial, Dilma Rousseff, quando a sua campanha já havia preparado a festa da vitória em Brasília, tornou mais agressivo — ou “assertivo” — o embate nesta fase final das eleições.

Como em 2006, por certo devido à inspiração do principal cabo eleitoral de Dilma, o presidente Lula, colocase no centro da mesa o assunto das privatizações empreendidas na Era FH, numa tentativa de apresentar o candidato tucano, José Serra, como vendilhão do “patrimônio do povo brasileiro”.

E, tanto quanto em 2006, o nome da Petrobras anda de boca em boca.

Até mais do que em 2006, pois ainda se está durante a aprovação legislativa da conversão do modelo de exploração do pré-sal de um sistema de concessão — exitoso, tanto que permitiu a descoberta da nova fronteira de produção — para o modelo de partilha, mais ao gosto da ideologia estatizante que ampliou espaços no segundo governo Lula.

Mas não estamos em 2006, e, depois de quatro anos de ampliado o aparelhamento da máquina pública, de denúncias de corrupção em estatais, a velha tática ressurge ainda mais caricata.

Deve ter sido grande a frustração do patrono de Dilma ao não ter conseguido, do alto de cerca de 80% de popularidade, transferir os votos necessários para a ex-ministra liquidar as eleições no primeiro turno.

Faltou pouco, mas faltou.

A gana do lulopetismo para vencer o pleito a qualquer custo ampliou-se. E assim facetas já expostas da Era Lulopetista ficam mais explícitas.

Não são fatos isolados que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, militante petista de carteirinha, transforme a maior empresa da América Latina em comitê eleitoral de Dilma, enquanto o presidente da Vale, Roger Agnelli, decida falar de maneira aberta o que se sabe há tempos:
“Tem muita gente procurando cadeira (a dele).

E normalmente é a turma do PT.” Tem-se, sem subterfúgios, aspectos marcantes do lulopetismo, principalmente na segunda gestão de Lula:
a partidarização de estatais e o dirigismo na economia, que sequer respeita a privatizada Vale.

Como a ex-estatal tem, no conjunto de acionistas de peso, fundos de pensão de companhias públicas (Previ/Banco do Brasil e Petros/Petrobras), são desfechadas pressões fortes para que Agnelli coloque dinheiro da empresa — logo, de todos os acionistas — em certos projetos que atendem apenas a interesses de aliados políticos do lulopetismo.

Esses fundos são o braço financeiro bilionário de corporações sindicais, com enorme influência no mundo dos negócios, e, por tabela, nas finanças da política partidária.

São arma eficiente no modelo de capitalismo de estado sonhado por viúvas de Geisel que transitam por Brasília.

O uso da Petrobras é conveniente não apenas pelo peso da empresa, mas pelo que representa no imaginário da sociedade.

Balela imaginar que venha a ser privatizada algum dia.

O candidato José Serra tem razão quando diz que a Petrobras e tantas outras precisarão ser reestatizadas, pois foram privatizadas por interesses de grupos políticos e corporações variadas.

Um processo pelo qual os Correios, outrora estatal símbolo de eficiência, foram destroçados por esquemas como o montado dentro da companhia por Erenice Guerra e apaniguados de políticos.

Gasta-se um tempo precioso de debates já em si amarrados para discutir um não problema.

Serve apenas para dar ideia de como estes grupos lutam para não deixar de usufruir do “patrimônio do povo brasileiro”.

Agencia o Globo

A DIFICIL MISSÃO DE DILMA ROUSSEFF ( A (D)ELINQUENTE DE (R)APINA )


"Dilma faz isso, Dilma faz aquilo... Dilma, corta o cabelo! Dilma se maquia mais rosadinha! Dilma você está sem emoção, tem de passar mais verdade... Dilma, seu sorriso não está sincero... Dilma isso, Dilma aquilo..."

(Coitada da pobre senhora que, canhestramente, segue as ordens do patrão e dos petistas que a usam para ficar eternamente em seus buraquinhos ou para realizar o que seria a torta caricatura de um vago socialismo, que não passa de uma reles aliança com a banda podre do PMDB.)

"Dilma, não fale nada de novo sobre aborto que você já deu uma entrevista na TV e agora não adianta desmentir. Dilma, ajoelha, isso, sei que está cansada, mas ajoelha e faz cara de religiosa devota de Nossa Senhora Aparecida; Dilma, eu sei que você é ateia, que para você a religião é o ópio do povo, mas, dane-se, ajoelha e reza, mas não fica com a cara muito em êxtase feito uma madre Teresa de Calcutá, não, que eles desconfiam.

Dilma, levanta e vai confessar e comungar, mas não conte tudo ao padre, não, porque esses padres de hoje não são confiáveis e podem fazer panfletos.

Dilma isso, Dilma aquilo!...

Sei que foi duro para você, bichinha, ser preterida pela Marina, tão magrinha, uma top model do seringal , sabemos de tudo que você tem sofrido, mas você é uma revolucionária e tem de aguentar as intempéries para garantir os empregos de tantos militantes que invadiram esse Estado burguês para "revolucionar" por dentro.

Viu, Dilma?

Feito ensinou aquele cara italiano, que os comunas vivem falando, o tal de Gramsci... só que nosso Gramsci é o Dirceu.... ah ah...

Você tem de esquentar minha cadeira ate 2014, pois você acha que vou ficar de pijama em São Bernardo?"

Aí, chegam os marqueteiros, escondendo sua depressão, pois o segundo turno não estava em seus planos de tomada do poder:

"Dilma, companheira, esculacha bem o FHC e o Serra , pois você pode inventar os números que quiser, porque ninguém confere".

Diz aí que nós tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria! Claro que é mentira, pô, mas diz e esconde que foi o governo do FHC que inventou o Bolsa Família e negue com todas as forças se disserem que o Plano Real tirou 30 milhões da faixa de pobreza, quando acabou com a inflação.

Esqueça no fundo de tua mente que a inflação só ameaçou o Plano Real quando Lula barbudo ia vencer... Mas, quando o Duda escreveu a cartinha do Lulinha "paz e amor", a inflação voltou ao normal.

Dilma, você tem de negar em todos os debates que o PT tentou impedir o Plano Real no STF, assim como não assinou a Constituição de 88 para não compactuar com o "Estado burguês"; todos têm de esquecer que fomos contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que demos força a todos os ladrões que pudemos para manter as alianças para nosso poder eterno, pois as ordens do companheiro Dirceu ("sim, doutor Dirceu, como está?

Estamos ensinando aqui à dona Dilma suas recomendações...") eram: atacar tudo do governo FHC, mesmo as coisas inegavelmente boas.

Dilma, afirme com fé e indignação que as "privatizações roubaram o patrimônio do povo", mesmo sabendo que a Vale, por exemplo, quando foi privatizada em 97 valia 8 bilhões de reais e que hoje vale 273 bilhões, que seu lucro era de 756 milhões e que agora é de 10 bilhões, que seus empregados eram 11 mil e que agora emprega 40.000.

Mesmo sabendo que a Embraer entregava 4 jatos em 97 e que agora entrega 227, que a telefonia não existia na Telebrás e que agora quase todos os brasileiros têm celular.

Não podemos divulgar, mas a telefonia privatizada aumentou o número de telefones em 2.500 por cento... Isso. Mas, não diga nada...

Pode citar número quanto quiser que ninguém confere... diga que os municípios têm saneamento básico, quando metade deles não tem esgoto nem água tratada, depois de nossos oito anos no poder...

Pode dizer o que quiser.

Viu o belo exemplo do Gabrielli, que ousou dizer que o FHC queria que a Petrobras morresse de inanição e que o Zylberstajn era a favor da privatização do pré-sal"?

Ninguém contesta, mesmo sendo publicado o que FHC escreveu na época, dizendo que "nunca privatizaria a Petrobras".

Diga sempre que a culpa é das "elite", que o povão do Bolsa acredita... Dilma, faz isso, faz aquilo... Dilma, sobe no palanque, desce do palanque..."

Eu acho que Dilma é uma vítima.

Uma "tarefeira" do narcisismo de Lula.

Agora que Dilma não tem mais certeza de que vai vencer, seu semblante é repassado por uma vaga inquietude.

Gente autoritária odeia dúvidas, porque a dúvida não é "de esquerda"; a dúvida é coisa de pequenos burgueses - como dizia Marx: "Pequeno burguês é a contradição encarnada."

Lula também odeia dúvidas...

Ele fica retumbante quando vitorioso, mas sua cara muda com fracassos. Lembram do seu pior momento, quando explodiu o mensalão?

Agora Lula está deprimido de novo, o PMDB está angustiado, querendo trair, como mostra a cara do candidato a vice-presidente, o mordomo inglês de filme de terror...

Lula teme a derrota, como se caísse de volta na linha de pobreza que ele diz que interrompeu.

Talvez no fundo, Dilma tema a própria vitória, porque terá de aguentar o PMDB exigindo coisas, Força Sindical, CUT, ladrões absolvidos, renunciados, cassados, novos corruptos no poder, novas Erenices, terá de receber ordens do comissário do povo Dirceu, terá de beijar e gostar do Sarney, Renan, Collor, seus aliados.

Vai ter de beijar com delícia o Armadinejad, o beiçudo leão de chácara Chávez, o cocaleiro Evo, com o MST enfiando bonés em sua cabeça, vai ter de aturar as roubalheiras revolucionárias dos fundos de pensão que já mandaram para o Exterior bilhões em contas secretas.

Coitada da Dilma - sendo empurrada com a resignação militante, para cumprir ordens, tarefas, como os militantes rasos que pichavam muros ou distribuíam panfletos.

Dilma às vezes dá a impressão de que não quer governar...

Ela quer sossego, mas não deixam...

Como é que fazem isso com uma senhora?

Arnaldo Jabor - Arnaldo Jabor O Estado de S. Paulo

outubro 18, 2010

CRESCIMENTO DO PAÍS E POUCA EVOLUÇÃO DO PADRÃO DE VIDA.


CONJUNTURA
Mantido o ritmo de expansão, o Brasil só alcança o atual nível dos EUA em 30 anos.

Último ano de sua gestão, a equipe econômica do governo Lula comemora a superação da crise financeira global e a expectativa de um crescimento sem precedentes nos últimos 25 anos.

O nível de desenvolvimento, porém, ainda está muito aquém do encontrado em nações avançadas e, para deixar definitivamente a condição de país emergente, é necessário acelerar o ritmo sob pena de levar até 75 anos para o brasileiro ter o mesmo padrão desfrutado hoje pelos norte-americanos.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) médio na última década foi de 2,3%.

Com essa taxa, o Brasil chegará aos US$ 46 mil equivalentes ao PIB per capita dos Estados Unidos apenas em 2085.

Se o país cumprir nos próximos anos o que os economistas chamam de PIB potencial, nível em que a expansão é sustentável, entre 4% e 4,5% no caso do Brasil, esse prazo cai para 54 anos e, mantido o fôlego de 7,2% previsto e documentado na quarta revisão do orçamento deste ano, alcança-se a atual condição norte-americana em 30 anos.

(...)

Manter uma taxa de 7% por vários anos, do jeito que estamos hoje, é sonho.

No máximo conseguiremos sustentar um pouco mais de 4%, dispara José Luis Oreiro, professor do Departamento Econômico da Universidade de Brasília (UNB).

Para ele, a condição mínima para ampliar a capacidade de produção do país é aumentar em pelo menos cinco pontos percentuais a taxa de investimento, dos atuais 18%, para 23% do PIB.

O salto, no entanto, só será possível com o saneamento das contas públicas. É preciso mudar o perfil das despesas.

(...)

Os investimentos totais do governo somaram R$ 28 bilhões nos primeiros oito meses do ano, conforme divulgou o Tesouro Nacional.

O valor é 62% superior ao registrado no mesmo período de 2009, mas ainda representa menos de 2% do PIB.

Obstáculos à frente

A economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa, também lista a melhoria da infraestrutura como premissa para turbinar os motores do país. Inclui ainda outros três fatores: educação, tecnologia e demanda externa aquecida.

(...)

Somado às altas despesas mantidas atualmente pelo governo, Inês lembra que outro obstáculo ao crescimento é a baixa participação do setor privado nas grandes obras (estradas, portos, aeroportos) ainda é fruto de pouco estímulo.

Faltam garantias e incentivos para os empresários. Não há sequer a certeza de retorno, então o setor privado não entra nessas empreitadas, pondera.

Além da deficiência logística, outro entrave ao crescimento é a falta de poupança interna, que joga o país na dependência do financiamento externo para bancar seus gastos.

A China só consegue crescer a 10% ao ano, sem parar e sem gerar uma explosão na inflação porque tem uma das maiores poupanças internas do mundo, ressalta o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.

O economista diz-se contrário à linha de pensamento que defende que o investimento gera poupança (ao aumentar a produção de riquezas).

Não concordo, acho que um país que se propõe a investir mais do que a poupar acaba reforçando o deficit externo, afirma.

EDUCAÇÃO É CHAVE

O Brasil tende a perpetuar o crescimento a passos de tartaruga, enquanto mantiver a educação básica relegada ao segundo plano no que diz respeito ao planejamento de políticas públicas, garantem os economistas.

Sem melhora na estrutura de ensino dos primeiros anos da carreira escolar, o país tende a perder o pouco do protagonismo internacional conquistado após a crise.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, aponta essa como uma das chaves para o aumento da produtividade das empresas instaladas no mercado doméstico.

A falta de qualificação é um dos maiores empecilhos para a indústria nacional, lamenta.

Leal lembra que a escassez de tecnologia e maquinário dos parques produtivos pode ser rapidamente preenchida com a importação de bens de capital e insumos, solução que não se aplica à mão de obra.

(...)

Qualificação

Em alguns setores da economia, a falta de profissionais qualificados se tornou um problema crônico, atrapalhando o avanço da atividade.

Na construção civil, segmento que passa por um boom de crescimento sem precedentes nos últimos 20 anos, a solução encontrada pelas empresas para driblar a escassez foi contratar os trabalhadores e treiná-los no canteiro de obras.
Gabriel Caprioli Correio Braziliense