"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 15, 2012

E SOB O "comando" DA FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA/GERENTONA... SEM "MARQUETINGUE" : Brasil entre os piores da América Latina


Abalado pela crise que aflige a Europa e por um crescimento menor da China, o Brasil não decolou em 2012. Mesmo com as medidas de estímulo ao consumo adotadas pelo governo, a expansão segue em ritmo aquém do esperado e as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) derretem.

Baseada nesse quadro negativo, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) revisou ontem as expectativas para o país: de uma lista de 19 nações latino-americanas, o Brasil fica à frente apenas do Paraguai, que está em recessão, e de El Salvador, que deve registrar uma taxa de 2%.

A previsão da entidade é de que o Brasil cresça 2,7%, avanço igual ao de 2011 e considerado otimista por parte do mercado financeiro — a projeção anterior era 3,5%.

A economia brasileira, segundo especialistas, não tem reagido aos incentivos como a presidente Dilma Rousseff deseja porque "a fórmula se esgotou". Eles explicam que não dá mais para insistir unicamente no estímulo ao consumo por meio de crédito e benefícios tributários, como fez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As famílias, ainda em 2008 e 2009, quando foram levadas a consumir para tirar o país da crise, se endividaram pesadamente e acabaram com qualquer folga no orçamento para mais carros e geladeiras neste ano. Várias delas ainda pagam prestações desse período.

Com o menor ritmo da economia em 2012, devido aos efeitos danosos da crise na Europa, dados da Cepal e projeções desenhadas por especialistas do mercado financeiro mostram que a renda e o emprego devem perder força nos próximos meses e não contribuirão com a expansão do consumo como no passado. "É preciso investir", disse Eduardo Giannetti, professor de economia do Insper.

"Se o Brasil quer crescer, terá que aprender a investir mais. Vai ter que desviar recursos de consumo para criar capital que aumente a produtividade e permita o crescimento mais à frente", argumentou, durante seminário organizado pelo Itaú Unibanco sobre bem-estar social.

O Itaú Unibanco, a exemplo da Cepal, também revisou sua projeção para o PIB — reduziu de 3,1% para 2%. "Os estímulos de política econômica já implementados devem levar a uma aceleração da atividade ao longo do ano, mas, provavelmente, menos intensa do que esperávamos", explicou Ilan Goldjfan, economista-chefe da instituição.

"Crescimento menor e inflação sob controle abrem espaço para estímulos adicionais. Acreditamos que o Banco Central reduzirá a taxa Selic para 7,50% ao ano", observou. Hoje o Banco Central divulga sua projeção para o PIB de abril, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br).

Para os analistas, se o resultado ficar em 0,25%, significará que o país está rodando a 3% ao ano, ainda aquém do desejado pelo governo.

O secretário executivo adjunto da Cepal, Antonio Prado, disse que a queda na previsão do PIB para 2,7% decorre do fraco desempenho da indústria, especialmente a de bens de capital. "A crise mundial está afetando todos os países da região, alguns mais, outros menos. No caso do Brasil, reduzimos nossas estimativas devido ao crescimento do PIB no primeiro trimestre, que foi muito baixo (alta de 0,2%)", afirmou.

Ele destacou ainda o fato de o Brasil estar com crescimento abaixo da média da América Latina. "Para que o país cresça 5% no ano, mas de forma sustentável, é preciso que os investimentos sejam ampliados para 24% ou 25% do PIB", explicou.

» Exportações na berlinda

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) prevê que a desaceleração do crescimento mundial em 2012 fará com que o comércio internacional na região avance a taxas inferiores às de 2011. Pelas projeções da entidade, as exportações crescerão 6,3% este ano, enquanto as importações devem registrar expansão de 10,2%.

Nesse cenário, o superavit comercial latino-americano passará de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 para 0,7% em 2012 e, caso a crise na Europa piore, esse número pode cair ainda mais.

Pibinho da decepção (Em % do PIB)

Economia brasileira não decola, impactada pela crise mundial. Avanço será um dos menores entre nações latinas

Panamá 8,0
Haiti 6,0
Peru 5,7
Bolívia 5,2
Nicarágua 5,0
Costa Rica 5,0
Venezuela 5,0
Equador 4,5
República Dominicana 4,5
Chile 4,9
México 4,0
Argentina 3,5
Guatemala 3,5
Uruguai 3,5
Honduras 3,2
Cuba 3,0
Brasil 2,7
El Salvador 2,0
Paraguai -1,5
Fonte: Cepal.

"O PSDB leva no bolso; o DEM leva na meia; o PT leva na cueca; e o povo leva no mesmo lugar de sempre..."

Vi na internet uma brincadeira sobre a utilidade do papel higiênico que é na verdade uma crítica inteligente e bem-humorada à política brasileira.

Na folha de um rolinho está escrito:
"O PSDB leva no bolso; o DEM leva na meia; o PT leva na cueca; e o povo leva no mesmo lugar de sempre..."
Parto do chiste para uma provocação.


Com a conversão do PT à direita, talvez até à direita do DEM, a esquerda — aquela que andava de cabeça erguida — morreu no Brasil. Pelo menos em termos de partidos com forte inserção popular.

Considero PSB e PPS de centro. O PSDB, de centro-direita.
O PMDB, o velho guarda-chuva de sempre.
Continua sendo uma frente e abriga políticos de todos os matizes.


Depois da ascensão de Lula ao poder, em vez da ética na política que o país tanto esperava, veio a frustração. E o discurso de esquerda sofreu duro golpe. Foi avacalhado por mensaleiros, aloprados, assessor com dólar na cueca, camaradas que roubam até o dinheiro do lanche das criancinhas... Quando adolescente, ser de esquerda, no meu conceito, era quase um atestado de boa índole.

Descobri, pouco a pouco, que não passava de um bobo sonhador. Sim: a ética não é monopólio de ninguém. Mas, à época, eu parecia cego. Vi dom Hélder pregar a luta desarmada, e o julguei um equivocado.

Hoje, me pergunto:
será que a verdadeira postura de esquerda não era a de dom Hélder, Gandhi e Luther King? Gente que saía às ruas e enfrentava os tiranos de peito aberto. Na linha de frente. Sem defender o extermínio de quem quer que fosse. Há coragem maior do que morrer lutando por justiça de verdade? E não por justiçamento?

Continuo a defender um mundo mais justo, mais fraterno, sem discriminações raciais nem religiosas, sem favelas, sem ninguém passando fome nem morando nas ruas.

No Brasil, não pode haver retrocesso. A distribuição de renda deve ser cada vez mais aprofundada. Mas não pode servir de álibi a quadrilhas que a condicionam ao "direito" de saquear os cofres públicos.

Faz falta ao país uma nova esquerda.
Comprometida com a democracia.
A justiça social. E com a ética.

O combate sem trégua à corrupção devolveria a dignidade à política.

Há líderes que poderiam encabeçar esse movimento.
Uns raros que dignificam o Congresso.

Mas parecem mais céticos e desanimados do que eu, apesar de não terem desistido da política.

Plácido Fernandes Vieira Correio Braziliense
A esquerda morreu?

junho 14, 2012

E NA CPI DA "SOBRIEDADE E FOCO " II : Senador almoça com Cavendish em Paris e vota contra a ida dele à CPI

Quem discursou, hoje, na sessão da CPI do Cachoeira encaminhando a votação contrária à convocação para depor ali de Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, considerada inidônea no início da semana pela Controladoria Geral da União?

Resposta: o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A Delta depositou R$ 47 milhões nas contas de empresas fantasmas de Cachoeira.

Ciro foi um dos parlamentares que viajaram durante a Semana Santa em missão oficial do Congresso a Uganda, na África. De lá, Ciro e alguns dos seus colegas voaram a Paris para encontrar suas respectivas mulheres. Aproveitaram a viagem para almoçar com Cavendish no restaurante L' Avenue.

Foi o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), esta manhã, que aproveitou sessão da CPI para perguntar sobre a ida de deputados e senadores à África. Ele disse que queria saber se alguns deles tinham almoçado em Paris com Cavendish. E se fazem parte da CPI.

No final de maio último, o ex-governador Garotinho publicou em seu blog que parlamentares de viagem à África haviam dado uma esticada até Paris para um encontro com Cavendish.

Ricardo Noblat

E NA CPI DA "SOBRIEDADE E FOCO" : Miro: vamos ganhar a luta contra a blindagem de Cavendish

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) anunciou nesta quinta-feira que pediu ao Congresso Nacional esclarecimentos sobre um possível almoço em Paris, na Semana Santa, entre Fernando Cavendish e parlamentares integrantes da CPI do Cachoeira.

Em entrevista exclusiva ao GLOBO, ele lembra que o esforço para barrar o seu depoimento foi grande - o placar apertado foi de 17 a 13 - , mas o desgaste também. Miro afirma que quem o informou sobre o encontro foi o deputado Antonhy Garotinho.


O que o senhor achou da não convocação de Fernando Cavendish para depôr na CPI no dia de hoje?

MIRO TEIXEIRA :
É inexplicável. Convocam a mulher do Cachoeira e não o Cavendish. Você abre o sigilo da Alberto e Pantoja, você vê os depósitos da Delta Nacional. E a Alberto e Pantoja é uma empresa fantasma do Carlos Cachoeira. O presidente da empresa é o Cavendish. Como é que seria desvio de foco? Eu pergunto novamente:
que medo é esse de ouvir Pagot e Cavendish?


Como o senhor ficou sabendo do possível encontro entre parlamentares e Fernando Cavendish?

MIRO:
Eu li o Blog do Garotinho, cheguei a ele no plenário. Eu disse: Garotinho, me dá detalhes do que eu li no seu blog? Porque ele só botou o título do assunto no blog. "Membros da CPI almoçaram com Cavendish em Paris'. Ele disse: 'não posso dar detalhes'. Aí eu perguntei: mas você me garante que houve esse almoço? Ele disse: 'garanto'.


Qual é o próximo passo?

Vou pedir à Câmara para fazer o cruzamento e comunicar à comissão o que esses deputados e senadores fizeram naquela viagem. E que eles devem ser consultados publicamente se estiveram com o Cavendish. E eles vão dizer sim ou não. E há os efeitos regimentais para a mentira.

O senhor acha que há uma blindagem da Delta na CPI?

A Delta, não. Nós já quebramos o sigilo da Delta na CPI. Mas (a luta contra a blindagem) do senhor Cavendish, nós vamos ganhar. Pode demorar uma semana, duas, três. Mas não tenho dúvida que essa vai ser uma enorme pressão social. E é injustificável não convocar uma pessoa que diz que compra político. E que varia de R$ 6 a R$ 30 milhões. Isto é injustificável.

O que o senhor sentiu do clima da sessão de hoje?

É claro que a chapa esquentou. Mas acho isso positivo. Eu acho que o debate político deve ser bem claro. E acho muito positivo que exponham ali as contradições existentes. Repare o seguinte: nas circunstâncias foi um placar apertado. Foi 17 a 13, ou seja, se dois mudam de lado, a coisa já muda.

Qual é o medo governo em relação ao que pode ser dito por Cavendish?

Eu não percebo o medo do governo. Mas percebo o medo de muitos parlamentares que são da base do governo. Houve parlamentares que votaram no sentido contrário da base. É curioso um placar muito apertado para o esforço que eles mobilizaram, para o desgaste que eles tiveram. É um placar com sabor de derrota para eles.

Há questionamentos sobre a atuação do relator Odair Cunha na comissão. O que o senhor acha da sua condução na comissão?

Penso que hoje ele teria uma ótima atuação se encaminhasse a favor da convocação que nós propusemos, deixando a data para uma oportunidade que o relator propusesse. O que ele pode achar ou dizer, ou justificar, que ele prefere 'ter outros elementos' para convidar o Cavendish... Está bom. Mas é absolutamente imperioso que se convoque o Cavendish. Agora, oportunidade nós vamos ter.

Enfim um apoio aos estados

O governo federal finalmente resolveu admitir o que há muito já se sabia: os estados são muito mais eficientes que o poder central para realizar investimentos. Em vista disso, é positiva a decisão da gestão Dilma Rousseff de transferir recursos às unidades subnacionais para destravar as obras necessárias ao desenvolvimento do país.

Estima-se que estados e municípios respondam por cerca de dois terços dos investimentos públicos no Brasil. Mas, ao invés de reconhecer isso, nos últimos anos o governo federal só agiu para atrapalhá-los, impondo-lhes entraves e retirando-lhes oxigênio e recursos - como no caso das desonerações fiscais baseadas na redução de impostos que compõem os fundos de participação.

A boa-nova é que, a partir de agora, os governadores deverão passar a contar com uma nova linha de crédito do BNDES no valor de R$ 10 bilhões, a ser provavelmente oficializada amanhã pela presidente. Também poderão tomar empréstimos no Banco do Brasil até o limite de R$ 39 bilhões.

É de se questionar por que o governo petista demorou tanto para enxergar o óbvio. É gritante a distância que separa a capacidade dos estados de executar investimentos da que exibe a União. Na área federal, o volume despendido em obras atualmente é o menor em três anos - razão pela qual a economia brasileira deverá sofrer severa desaceleração neste ano, com ritmo ainda menor do que o do pibinho de 2011.

Infelizmente, a medida ora conhecida não chegará a tempo de ajudar a levantar o PIB neste ano, seja por limitações fiscais, seja pelo cronograma eleitoral, que impede a concessão de empréstimos entre 7 de julho e a data de realização do segundo turno das eleições municipais.

Além disso, será importante atentar para a posterior regulamentação das operações de empréstimo e a fixação dos limites de endividamento de cada estado, função a cargo do Conselho Monetário Nacional. Há risco de manipulação.

"O CMN poderá favorecer governos regionais aplicando critérios meramente políticos, num momento em que as eleições municipais estarão na fase mais ativa. (...) É preciso que os critérios sejam unicamente técnicos, levando em conta as necessidades de cada estado e seus compromissos", alerta O Estado de S.Paulo em seu editorial econômico de hoje.

Também se espera que - da mesma forma que, ainda que tardiamente, enxergou na proeminência dos estados uma possibilidade de destravar os investimentos públicos - o governo central também acelere ações em favor dos empreendimentos privados nas demais áreas. Porque, até agora, tem feito justamente o contrário.

Tome-se o que acontece nas concessões dos aeroportos.
Apenas hoje, 45 dias após a data prevista no cronograma inicial, devem ser
assinados os primeiros contratos repassando a exploração de três terminais - Guarulhos, Viracopos e Brasília - a empresas privadas.

Com prazo exíguo para realizar as melhorias necessárias até a Copa de 2014, cada dia a menos é uma agonia a mais para concessionários e, principalmente, usuários.


Além da demora na assinatura dos contratos, frustrou-se a expectativa de hoje também ser anunciada a abertura do processo de privatização de mais terminais, entre eles Galeão e Confins. Novamente, a hipercentralização das ações do governo federal nas mãos da presidente da República postergou a decisão.

Até aqui, quando instado a agir para destravar obras emperradas, a única medida que o governo federal havia sido capaz de articular fora a implosão da Lei de Licitações, em favor do vale-tudo do Regime Diferenciado de Contratação, agora estendido a toda a carteira do PAC.

O incentivo à realização de investimentos públicos por parte dos estados pode ajudar a melhorar um cenário que se apresenta desolador.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Enfim um apoio aos estados

brasil maravilha : Perdas do setor aéreo em 2011 somaram R$ 1,4 bi


As companhias aéreas brasileiras encerraram 2011 com um prejuízo total em torno de R$ 1,4 bilhão, segundo estimativas divulgadas ontem pelo presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), José Márcio Monsão Mollo.

Cerca de R$ 1 bilhão foi o prejuízo somado de Gol e TAM, as duas únicas empresas nacionais de capital aberto, que divulgam seus resultados financeiros. O cálculo do Snea é que as demais companhias aéreas tenham perdido cerca de R$ 400 milhões no ano passado.

O desempenho ruim é reflexo do aumento de custos, afirmou Mollo, durante seminário sobre transporte aéreo realizado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O principal vilão foi o querosene de aviação (QAV), que representa cerca de um terço do custo das companhias aéreas. Em 2011, o preço do QAV subiu 33,55% e, neste ano, até maio, a alta acumulada é de 9,19%. O valor é reajustado mensalmente pela Petrobrás.

Mollo aproveitou o evento para criticar a forma como a Petrobrás faz o cálculo, que, segundo ele, faz o querosene brasileiro ser o mais caro do mundo. "Apesar de 80% do querosene de aviação ser produzido pela própria Petrobrás localmente, o preço é estabelecido como se ele fosse 100% importado, incluindo custo de frete e de nacionalização."

Além do preço do combustível, a elevação de 130% nas tarifas aeroportuárias promovida pela Infraero no ano passado também prejudicou o resultado das empresas aéreas. Em janeiro deste ano, as tarifas de comunicação e navegação também foram reajustadas - uma alta de 150%.

SILVANA MAUTONE O Estado de S. Paulo

COMO NUNCA ANTES NA "ISTÓRIA" DESTE PAÍS ... Corrupção continuada

Ao declarar a Delta Construções inidônea, o que a impede de participar de licitações e de assinar novos contratos com o poder público, a Controladoria-Geral da União (CGU) apenas confirmou o que já se sabia.

No centro das investigações dos escândalos de corrupção envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira, a Delta era, desde abril, objeto de um processo administrativo na CGU para apurar irregularidades na execução de obras rodoviárias.

O que se constatou, como declarou o ministro da CGU, Jorge Hage, "não foi um ato isolado de corrupção", mas "um procedimento costumeiro e repetitivo de suborno e concessão de vantagens ilegais e imorais a servidores, alguns deles incumbidos de fiscalização".

A investigação da CGU constatou essas irregularidades e também "flagrante contumácia na atuação delitiva" da Delta na execução de obras rodoviárias contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Ceará. Segundo a CGU, há provas de que a empreiteira "pagou valores e bens, como aluguel de carro, compra de pneus e combustível, além de passagens aéreas, diárias em hotéis e refeições a servidores responsáveis pela fiscalização de contrato".

A declaração de inidoneidade da Delta vem com muito atraso. Investigações realizadas em 2010, na Operação Mão Dupla, de responsabilidade da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria CGU, haviam identificado irregularidades em 60 contratos da empresa com o Dnit que estavam em execução entre 2007 e 2010. Esses contratos somavam R$ 632,3 milhões e previam obras em 17 Estados.

A excessiva demora na aplicação de sanções à empreiteira, como a declaração de inidoneidade que acaba de ser publicada - e que não afeta os contratos em vigor -, não é o fato mais surpreendente na relativamente curta história de seu relacionamento com o poder público, especialmente o governo federal.

O que mais espanta nesse relacionamento é o vertiginoso aumento dos valores pagos à Delta pelo governo federal, sobretudo depois do lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, em 2010, foi uma das principais plataformas da candidata do PT à Presidência. Recorde-se, também, que, antes de se tornar candidata oficial de seu partido, Dilma Rousseff era chamada de "a mãe do PAC" pelo então presidente Lula.

Entre 2003 e 2011, o total de recursos federais pagos à Delta cresceu mais de 1.400%, em valores corrigidos pelo IPCA. No primeiro ano do governo Lula (2003), a Delta recebeu R$ 38,7 milhões (em valores correntes, isto é, sem considerar a inflação do período). Os pagamentos à empreiteira saltaram para R$ 401,2 milhões em 2007, primeiro ano de execução do PAC, então gerenciado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Em 2009, quando Dilma ainda ocupava o cargo, o total alcançou R$ 766,1 milhões.

Já tendo se tornado a primeira empreiteira do PAC em volume de recursos, embora não estivesse entre as maiores do País em faturamento, a Delta recebeu, no ano passado, R$ 884,4 milhões da União. Em 2012, recebeu R$ 238 milhões.

No mês passado, quando já afundava em meio a denúncias de corrupção e outras irregularidades, a empreiteira teve homologados novos contratos com o Dnit, do qual recebeu também novas verbas.

Estima-se que, nos últimos 12 anos, a Delta recebeu R$ 4 bilhões da União. Ela tem 99 contratos ativos com o Dnit, que somam R$ 2,5 bilhões, dos quais R$ 1,4 bilhão já pago. Ou seja, ainda tem para receber R$ 1,1 bilhão.

O governo ainda não sabe se a Delta terá capacidade para tocar as obras já contratadas. Declarada inidônea, a empresa deverá enfrentar dificuldades financeiras crescentes. Se novas investigações constatarem vícios, fraudes ou outras irregularidades nas licitações que resultaram nos contratos em execução, nova licitação poderá ser realizada para a conclusão da obra ou poderá ser feita uma contratação de emergência.

O que é certo, desde já, é que está encerrada a fase de fartos pagamentos para a Delta com dinheiro público e os funcionários por ela subornados estão sob investigação.

O Estado de S. Paulo

INTERNAÇÃO DO PARLAPATÃO : "sobrecarga de exames locais" , Lula cancela presença na Rio + 20


O ex-presidente Lula cancelou sua participação na Rio+20, prevista para este sábado, por determinação médica e para poupar a voz.

Segundo sua assessoria, o ex-presidente passou nesta quarta-feira por uma "sobrecarga de exames locais" e uma biópsia que concluíram não haver mais vestígios do câncer na laringe, uma confirmação do diagnóstico de março deste ano.

Lula está internado no Hospital Sírio Libanês desde quarta-feira para retirada do cateter subcutâneo por meio do qual recebeu o medicamento quimioterápico que fez parte do tratamento para curar a doença, diagnosticada em outubro do ano passado.

Nesta sexta-feira o ex-presidente participaria de uma reunião com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para oficializar o apoio do PSB ao petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo.

No sábado, viajaria ao Rio para a inauguração da Arena Socioambiental da Rio+20. O cancelamento de sua participação nos dois eventos foi confirmada nesta sexta pela assessoria.

"Sua prioridade, agora, é seguir as recomendações médicas para se restabelecer definitivamente dos efeitos colaterais do duro tratamento a que foi submetido nos últimos meses", escreveu a assessoria em nota divulgada pelo Instituto Lula.

O ex-presidente descansa em um dos quartos do Sírio-Libanês, depois de passar pelo procedimento cirúrgico para retirada do cateter - um tubo de cerca de 10 centímetros de comprimento que estava implantado no peito e por meio do qual ele recebia medicamentos.

A cirurgia terminou por volta de 10h e Lula já está no quarto descansando, com previsão de alta às 17h desta quinta-feira. Ele está acompanhado da esposa Marisa Letícia.

Em nota oficial o hospital informou que a internação estava pré-agendada. Lula está sendo acompanhado pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz e Luiz Paulo Kowalski.

O Globo

REPÚBLICA TORPE ! NUNCA A CANALHA ESTEVE TÃO "SERELEPE" E IMPUNE. "Ouvi falar que existe um grupo que recebe dinheiro para impedir convocações"


O depu
tado Miro Teixeira (PDT-RJ) voltou a pedir a palavra, pouco antes do final da sessão administrativa da CPI do Cachoeira desta quinta-feira, para anunciar que pediu formalmente à presidência da comissão uma investigação junto ao Congresso sobre um possível encontro de deputados e senadores com o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish.


O encontro, segundo o deputado, teria acontecido em Paris, depois que parlamentares fizeram uma visita oficial a um país da África. Antes de voltar ao Brasil, eles teriam passado pela capital francesa.

Teixeira disse ainda que o objetivo da investigação é verificar se isso de fato ocorreu, e se dentre esses parlamentares, estariam incluídos integrantes da CPI. Caso isso se confirme, segundo ele, é preciso verificar se os votos desses parlamentares podem ter evitado a convocação de Cavendish em votação realizada nesta quinta, que teve placar de apertado de 16 votos pelo adiamento da decisão contra 13 pela convocação.

Antes, Miro Teixeira havia denunciado a existência da "tropa do cheque" ao comentar a decisão da CPI de Cachoeira de se recusar a ouvir o ex-presidente da Delta, e Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit).

- Reproduzi o que tenho ouvido por aqui - disse Miro ao Blog do Noblat.

- Esta CPI está com medo da verdade -, acusou Miro que sugeriu uma audiência informal no Congresso para ouvir Pagot. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) aceitou o convite para presidir a audiência.

Ainda hoje, a CPI quebrou o sigilo fiscal, bancário e telefônico dos governadores Agnelo Queiroz (PT-DF) e Marconi Perillo (PSDB-GO).

O Globo

QUANTO MAIS ABAIXA, MAIS APARECE A BUN... : Militares protestam contra placa comemorativa

Militares da ativa e da reserva estão em nova rota de colisão com a Secretaria de Direitos Humanos, chefiada pela ministra Maria do Rosário, que quer instalar uma placa na Academia Militar da Agulhas Negras (Aman), a escola de formação de oficiais do Exército, em memória de um cadete que teria sido torturado em sessão de treinamento, em 1990.

A causa da morte, encampada pelo Grupo Tortura Nunca Mais, foi apontada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos como resultante de maus-tratos e tortura baseada em alegações - isto é, sem provas cabais -, apesar de a Justiça Militar brasileira, após a realização de Inquérito Policial Militar, não incriminar ninguém.

Em função de um acordo, a Secretaria de Direitos Humanos reconheceu responsabilidade do Estado pela violação dos direitos à vida e à segurança da pessoa.

Tal reconhecimento ocorrerá em cerimônia pública, na Aman, e contará com a presença de autoridades federais e de convidados, ainda neste semestre, como apurou o Grupo Estado.


O general Marco Antônio Felício da Silva, autor do documento com apoio de militares da reserva contrários à criação da Comissão da Verdade, disse que, "para não deixar dúvidas quanto à subserviência e à afronta que representa tal acordo, a placa acintosamente levará o nome da Comissão Interamericana de Direitos Humanos", o que ele considera que "fere a soberania nacional".

O general, que lamentou a morte do cadete, diz ainda que o acordo "aponta a Aman como palco de torturas e denigre o seu corpo de instrutores".


A Secretaria de Direitos Humanos contesta as afirmações, diz que não propôs a placa e explica que apenas intermediou a negociação. A pasta ressalta ainda que o acordo para a instalação da placa foi assinado por várias autoridades, inclusive o Comandante do Exército.
A enorme insatisfação com o acordo levou militares da ativa e da reserva a questionarem, internamente, a decisão do comandante do Exército, general Enzo Peri, de aceitar a colocação da placa. Peri não quis comentar a decisão.

Obtido pelo Grupo Estado, um ofício do chefe de gabinete do Comandante do Exército, de 14 de maio, informa que o "acordo", em seu artigo 8.º, estabelece "o reconhecimento da responsabilidade do Estado (em relação à morte do cadete Lapoente) em relação à violação dos direitos humanos", "reconhecimento" que irritou os militares, que lembram que "no exercício da profissão militar, no seu dia a dia, o risco de vida é constante".

As informações são do jornal O
Estado de S. Paulo.