"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 20, 2011

A HORA E A VEZ DA VOZ DAS RUAS.

Milhares de pessoas foram às ruas no feriado de 7 de Setembro protestar contra a corrupção.

Ao contrário do que estamos acostumados a ver, não foi um evento com patrocínio de movimentos "sociais" mobilizados pela esquerda; estes aderiram ao constrangedor silêncio de quem parece satisfeito com as gordas verbas estatais.

Desta vez, os grupos se organizaram de forma espontânea e apartidária pelas redes sociais. Nas palavras de uma revista, tratou-se do "despertar das consciências".


A iniciativa merece apoio daqueles cansados de tanto descaso no uso do dinheiro público. Bilhões são desviados todo ano, políticos são pegos em flagrante, mas nada acontece.

O ex-presidente Lula ajudou muito a criar este clima de anestesia geral, utilizando sua popularidade para proteger aliados corruptos. Parece que as pessoas estão finalmente acordando para o fato de que a letargia de hoje será paga com mais abusos amanhã.


Já era hora de as pessoas honestas, saturadas de tanto abuso dos governantes, partirem para alguma ação efetiva.

A pressão popular é uma arma legítima em qualquer democracia. O ideal é que este movimento se mantenha blindado contra o oportunismo político.

Desta forma ele ganha mais legitimidade, até porque o combate à corrupção é uma bandeira da sociedade contra o corporativismo político, não contra um partido específico.


A corrupção tem muitas causas, mas creio que duas merecem destaque: impunidade e concentração de poder. Quanto à impunidade, a arma mais eficaz talvez seja justamente a pressão popular, com passeatas de protesto.

Lembremos que o "mensalão" ainda nem foi julgado e corre o risco de prescrever. Os brasileiros decentes não podem aceitar tanto escárnio!


Já quanto à concentração de poder, será preciso atuar no campo das ideias, com foco no longo prazo. A mentalidade predominante no país, que desconfia do livre mercado e deposita fé quase religiosa no governo, terá que mudar.

Mas isso não ocorre num piscar de olhos. É preciso investir nas ideias, apostar no poder dos bons argumentos. Esta mudança cultural será crucial para a sustentabilidade de um modelo com menos corrupção.


A ONG Transparência Internacional possui um ranking com os países percebidos como menos corruptos por seus cidadãos. Já o The Heritage Foundation publica anualmente o Índice de Liberdade Econômica.

Não será surpresa alguma para quem compreende a teoria econômica saber que há enorme correlação entre ambos, ou seja, os países menos corruptos são também os países com maior liberdade econômica.

Nada menos que 15 países estão entre os 20 primeiros colocados de ambos indicadores.

Já o Brasil está na rabeira dos dois. E ainda culpam os "neoliberais" por nossos males!


Quanto mais recursos da economia forem canalizados para o governo central, maior será a tentação de grandes empresas tentarem capturar tais recursos por meio de propinas.

Quando o destino de um setor inteiro depende da poderosa caneta de um burocrata, parece natural supor que o preço desta caneta vai às alturas no mercado negro. Subornar governantes passa a ser bem mais lucrativo do que investir na competitividade.


Milton Friedman destacava quatro formas de se gastar dinheiro. A primeira é quando gastamos nosso dinheiro conosco, com total foco no custo e no benefício.

A segunda é gastar nosso dinheiro com terceiros, como na compra de um presente. O benefício já perde alguma importância. Já as duas últimas são as piores: gastar dinheiro dos outros com os outros e com nós mesmos.

O famoso "dinheiro da viúva", sem dono e, portanto, sem grandes preocupações com o custo. Estas são as formas estatais de gasto. Alguém ainda fica surpreso com tanto desperdício?


A verdade é que ninguém cuida tão bem de um carro alugado.

A tendência natural é cuidar melhor daquilo que nos pertence. Por isso é tão comum o descaso com a coisa pública, especialmente quando tudo importante sobre ela é decidido lá longe, em Brasília.

Em nossos condomínios ainda investimos algum tempo, pois sabemos que temos maior poder de influência. Mas com tanto poder concentrado no governo central, quanto vale o meu único voto entre tantos milhões?


Estava mesmo na hora de os brasileiros saírem às ruas contra a impunidade. Talvez seja a melhor medida de curto prazo contra a corrupção. Mas também devemos investir em ideias, para reduzir a concentração de poder no governo central. Governo obeso é um convite à corrupção.

Até agora já pagamos este ano mais de R$1 trilhão em impostos, o grosso para o governo federal. Acorda, Brasil!

Rodrigo Constantino

setembro 19, 2011

BRASIL S.A : Os três ministros e as carroças.


Foi, no mínimo, constrangedor ver os ministros Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) anunciando o aumento de 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) cobrado dos carros importados.

Sem argumentos consistentes, forçaram a população a engolir a justificativa de que o governo estava protegendo os empregos no país.

Se não fosse fechada logo a porteira para os veículos de vêm de fora, o Brasil assistiria a uma onda de demissões nas montadoras que produzem em terras nacionais — todas elas, estrangeiras, ressalte-se.


Na verdade, o que o trio informou foi um golpe nos consumidores, impedidos de se beneficiarem de uma concorrência nunca vista no país no setor automotivo. Justamente por causa da chegada dos carros importados, os preços dos veículos caíram, em média, 2,41% neste ano, enquanto a inflação oficial, o IPCA, acumulou elevação de 4,42%.

Quem vai às concessionárias hoje consegue excelentes descontos só em apresentar o orçamento de um modelo de outra fabricante. Mais que isso:
é tratado com respeito, pois acabou o abuso das ditas montadoras nacionais de cobrarem até pelos tapetes dos veículos.

Como os importados são ofertados a preços acessíveis,
com todos os itens de conforto e segurança incluídos,
as empresas que o governo quer proteger tiveram de mudar a forma de atuar.

Para um país que, durante décadas, se acostumou a conviver com carroças motorizadas, a chegada dos importados se tornou um alento.

Mas, enquanto o dólar permaneceu caro e a concorrência beneficiando apenas os mais ricos, nenhuma das empresas aqui instaladas se preocupou em investir em pesquisa e tecnologia para oferecer veículos de qualidade, modernos, econômicos, comprometidos com o meio ambiente.


À medida, porém, que a moeda norte-americana foi perdendo valor, a classe média pôde driblar o descaso. Tão logo se deparou com a combinação de preços competitivos e qualidade, não pensou duas vezes em sair do cerco armado pelas tradicionais empresas.

Mas, independentemente de todo o apetite por importados, eles representam apenas 7% de todos os automóveis comercializados no país. Ou seja, nada.


O que torna a decisão do governo mais absurda é que, dos 40 principais veículos importados pelo Brasil, mais da metade não será afetada pelo aumento do IPI. Os carros são produzidos na Argentina e no México, países com os quais há acordos comerciais.

Não é só:
são justamente as montadoras que dobraram Brasília com um lobby fortíssimo as que trazem veículos dessas localidades, onde têm fábricas e geram empregos.

Quer dizer: elas continuarão importando e, com a concorrência restrita, poderão aumentar, sem constrangimento, os preços e empurrar a conta para os consumidores.


Caixa-preta
Sob o beneplácito do governo, o Brasil sempre foi um paraíso para as montadoras. Aqui, elas não prestam conta a ninguém.

Apesar de, nos países de origem, terem ações negociadas em bolsa e serem obrigada a publicar balanços sistematicamente, informando aos acionistas e ao mercado de onde vem e para onde vai o dinheiro que faturam, aqui são companhias fechadas.

Nem mesmo ao governo abrem os números para justificar medidas protecionistas como a anunciada na última quinta-feira.


No país, por venderem os carros mais caros do mundo, as montadoras registram lucros tão espetaculares, que, desde 2008, quando o mundo ruiu com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, tornaram-se a tábua de salvação de suas matrizes, sobretudo as dos Estados Unidos.

Desde então, têm sido as companhias que mais remetem lucros e dividendos para o exterior, em vez de reinvestirem os recursos no país para desenvolver novas tecnologias.

O que, por sinal o governo espera que elas façam a partir de agora, ao condicionar o aumento do IPI à aplicação de 0,5% do faturamento bruto em pesquisas.


Sindicato de pelegos
O que dá alento aos consumidores é que, mesmo com a barreira imposta pelo governo para proteger a ineficiência e o lucro fácil, as montadoras coreanas e chinesas, as mais afetadas pela alta do IPI, vão levar adiante os projetos de abrir fábricas no Brasil.

E, ao que tudo indica, continuarão a oferecer automóveis mais baratos, forçando a concorrência. O país oscila entre o quarto maior produtor de carros do mundo e um dos mais promissores mercados consumidores.

Todas as empresas que têm visão estratégica sabem da importância de fincar os pés por aqui.


Sendo assim, as companhias que se acostumaram a buscar proteção em Brasília verão que a guerra é para valer. Não adiantará usar sindicatos de pelegos para propagar o medo e anunciar férias coletivas fictícias, porque erraram no planejamento da produção, para impressionar as autoridades.

Os consumidores viram que têm muito a ganhar com a maior oferta de modelos e marcas no país.

Não será por meio de canetadas que os brasileiros serão obrigados a se locomover por meio de carroças motorizadas, das quais Mantega, Pimentel e Mercadante poderiam ser garotos-propaganda.

Você compraria um carro anunciado por eles?
Eu não!


Vicente Nunes é editor de Economia/Correio

AQUI : "Ela morreu em 15 dias, de septicemia." NA ONU "PRESIDENTA" elogia seus programas de Saúde.


Faz 26 anos que o Brasil criou a 1ª Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), ligada ao Ministério da Saúde.


Passados quase 30 anos, o país ainda não tem dados sobre quantas pessoas morrem anualmente por conta dessas infecções ou o índice de infecção que seria, por exemplo, aceitável na UTI, no berçário ou para doentes que estejam com pneumonia.

No entanto, informações retiradas de estudos realizados por todo o país pela Associação Nacional de Biossegurança (Anbio) trazem números alarmantes: em média, 80% dos hospitais não fazem o controle adequado, o índice de infecção hospitalar varia entre 14% e 19%, podendo chegar, dependendo da unidade, a 88,3%, e cem mil pessoas morrem por ano por conta das infecções.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, estima que as infecções hospitalares atinjam 14% dos pacientes internados no país.


- Os números que temos são estimativas. E, sem números, não sabemos quantos morrem por infecção ou por outros fatores. No que se refere às comissões, cada hospital tem a sua, e a grande maioria funciona burocraticamente.

Então, o índice de infecção hospitalar depende da unidade onde o paciente estiver - diz Edmundo Machado Ferraz, fundador e presidente da comissão de controle de infecção hospitalar do Hospital das Clínicas da UFPE e consultor da OMS. - Esse problema só se resolve com transparência.

É preciso saber o que acontece nas unidades, com processos controlados por protocolos. Não pode ter segredo. Tem que saber se o profissional se esqueceu de lavar as mãos corretamente, se o paciente fez uso inadequado de antibiótico.


Presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), Leila dos Santos Macedo diz que "o risco não pode ser eliminado nunca, mas é possível bloqueá-lo para que chegue perto de zero":

- O paciente internado está suscetível. E infelizmente o cumprimento das normas de higiene é aquém do esperado. A gente vê profissionais de jaleco no refeitório, e aí eles levam agentes de risco para fora e trazem outros para o hospital.

Outros não lavam as mãos corretamente ou não usam máscaras.
Em muitas unidades, a troca de filtro do ar-condicionado não é feita frequentemente ou existe alta rotatividade dos profissionais de limpeza, e aí o pano de chão é usado em mais de uma enfermaria.

O país tem mais de sete mil hospitais e eu diria que 1% tem um programa de biossegurança rotineiro.


Superlotação facilita contaminação

Um levantamento feito pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), a pedido do Ministério Público Estadual de SP, em 2009, mostrou a necessidade de os programas serem mais seguros:
em mais de 90% das unidades, o controle da infecção hospitalar era deficiente.

Foram visitadas, ao todo, 158 instituições, na capital e no interior do estado. Dessas, 65 eram públicas e 93, privadas.
De acordo com o estudo, 92,4% dos programas deixaram de atender a pelo menos um dos itens verificados, e 82% das comissões de controle não funcionavam adequadamente em pelo menos um dos itens analisados.

Além disso, o Cremesp constatou que 28,1% das unidades não tinham "de forma adequada o conjunto para lavagem das mãos nas áreas críticas".


- É revoltante. Os dados mostram que no Brasil muita gente morre de problemas evitáveis. As comissões foram implementadas, mas não funcionam corretamente. Auditorias regulares nos hospitais podiam contribuir.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCVJIfFAW0H-qR-VuzVsAI748x050YdAmwInYlBlTD9aT4BxSKukxJU-nY4Fsny_Nr5-kKB3hIwHLXlKB-G55XQduWnd31uueqeYL6Y5yGgS8PxQeku6UTydMZY5WS6kZjwRirkeDcfDi2/s1600/infec%C3%A7%C3%A3o.png
E o governo devia obrigar as unidades a criarem taxas máximas para infecções, por exemplo, nos berçários, em unidades de terapia intensiva e nos centros cirúrgicos, e para infecções urinárias e respiratórias.

Hoje, a pessoa morre por estar no hospital. Em casa, não pegaria bactérias adversas - diz Ferraz.


É a sensação que X. tem depois de ter levado uma parente, de 41 anos, para ser internada no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio:

- Ela ficou num ambiente infecto. A emergência parecia um depósito de gente e fedia a xixi. No primeiro dia, estava numa maca de metal, sem roupa de cama. De lá, foi para uma enfermaria com três leitos.

No dia da visita, nós a encontramos suja. Estava com diarreia, e a enfermeira disse que já a tinha limpado três vezes. Ao lado, as outras pacientes comiam. Nenhuma higiene.

Ela implorava para ir embora.
A gente leva para o hospital para tentar aliviar o sofrimento, e fica arrasada com essas cenas. Ela morreu em 15 dias, de septicemia.


- Com superlotação, o risco de infecção hospitalar é maior. Quando se deixa macas umas ao lado das outras, por mais que haja vigilância, não se consegue controlar isso.

É quase impossível manter o paciente numa situação adequada se ele está amontoado. Começam a surgir bactérias mais resistentes - diz Julio Noronha, chefe da emergência do Hospital Geral de Bonsucesso, no Rio.


Enquanto isso, em NY...

Na mesma semana em que a Câmara dos Deputados discute a questão do financiamento da Saúde e deve votar a regulamentação da Emenda 29, a presidente Dilma Rousseff falará hoje sobre programas brasileiros de sucesso no setor, durante debate promovido no âmbito das Nações Unidas (ONU).

A presidente reclamou, ainda no Brasil, semana passada, da falta de recursos para a Saúde. Dilma vai discursar na reunião sobre doenças crônicas não transmissíveis, seu primeiro compromisso oficial numa agenda pesada de cinco dias em Nova York.


Carolina Benevides O Globo

setembro 18, 2011

A BURACA "DAZ OBRA" DO CACHACEIRO E A SUA GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA NA FALÁCIA DO : "PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO".


Maria José e os outros 105,4 milhões de brasileiros, mais da metade da população nacional com renda familiar entre R$ 1,2 mil e R$ 5,1 mil, sentem no bolso o mal da inflação.

A escalada dos preços, principalmente de alimentos e serviços, está corroendo o orçamento dessa gente.

Nos últimos 12 meses, o custo da alimentação e das bebidas saltou 10,41%, bem acima da inflação média do período, de 7,23%.

O vestuário e o transporte também subiram:
9,37% e 5,67%, respectivamente.

No caso da moradia, a elevação foi de 6,42%.
Diante dessa realidade, as famílias da classe média — que se tornaram mais exigentes nos últimos tempos, lotaram supermercados, passaram a viajar de avião e a comprar computadores, carros e imóveis — terão de rever os hábitos.


Maria José já está sentindo o baque da mudança.
Em sua casa, são cinco pessoas sustentadas por uma renda total de R$ 4 mil por mês.

Para se adequar a um cenário que preocupa o Brasil e ameaça empurrar milhões de pessoas de volta para a pobreza, ela passou a controlar as despesas na ponta do lápis.

"Estamos gastando mais com alimentação. Não posso cortar, por exemplo, as frutas da minha neta. O jeito foi diminuir as viagens a deixar faltar produtos na mesa", diz.


Motivos não faltam para tamanha cautela.
Dados do Data Popular revelam que os compromissos mais pesados da classe média estão relacionados justamente às categorias mais impactadas pela inflação.

Alimentação, habitação e transportes consomem, juntos, 62% do orçamento dos lares.

O impacto final da inflação, contudo, varia bastante. Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que a alta dos serviços, que incluem viagens, hotelaria e restaurantes, prejudica, sobretudo, os menos abastados.

"Cada 10% de aumento na inflação implicam queda de 6% no poder de compra da população que está no topo da pirâmide, nas classes A e B. Nas demais, com esse mesmo aumento nos preços, o poder de consumo cai 8%", calcula.


Tendência
Até para ficar bela está mais caro.
Nos últimos 12 meses, serviços pessoais, que incluem cabeleireiro,
manicure
e costureira dispararam 11% —
os serviços, em geral, subiram 9%.

Os números já pesam no bolso das mulheres da classe média. Estima-se que 60% delas frequentem salões de beleza regularmente. Entre 2002 e 2011, o gasto desse público com beleza saltou 228%, de R$ 6 bilhões para R$ 19,7 bilhões.


As perspectivas não são boas. Para Elson Teles, economista-chefe da Máxima Asset Management, a alta nos serviços tende a se manter. "As elevações devem continuar acima da inflação", prevê.

Ele observa, ainda, que o reajuste do salário mínimo aguardado para o início de 2012, de 13,6%, pressionará mais os preços, pois os prestadores tendem a repassar tal correção à clientela.

"Pessoas que ascenderam à classe média e passaram a consumir com vigor devem sofrer. A remuneração aumenta e, consequentemente, cresce também a procura por bens. Mas a oferta não acompanha", diz.

Na economia, o resultado dessa equação é óbvio:
mais inflação.


Menos luxo
Ninguém, contudo, assiste ao aumento de preços parado.

A reação dos consumidores às turbulências no mercado costuma ser imediata, explica Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular.

Primeiro, em vez de abrir mão de uma certa categoria de artigos, o brasileiro opta por itens mais baratos.

"Em todas as classes sociais, antes de excluir algo do carrinho de compras, a opção é trocar a marca. Mas isso também é diferente em cada camada da população", diz.


Para driblar os aumentos dos preços, as famílias da classe média trocam os produtos mais caros pelos mais em conta no caso dos produtos supérfluos — entram na lista requeijão, iogurte, sobremesas, leite, congelados, biscoitos, sorvetes e geleias.

As da classe A, por sua vez, fazem a migração, mas apenas dos produtos de limpeza e da cesta básica, como arroz, feijão e macarrão.

Elas preferem manter a qualidade nas categorias que lhes dão status social. "No caso da classe D, o impacto é maior. Em vez de comprar dois quilos de carne, leva-se apenas um para casa", observa Meirelles.


Troca de marcas
Na visão de especialistas, os brasileiros precisam se preparar. Se os preços continuarem a subir, para fechar as contas no fim do mês, em vez de apenas trocar as marcas, a classe média terá que suprimir itens da lista de compras.

Para não tirar o alimento da mesa, primeiro deverá cortar o lazer, que responde por apenas 2% do orçamento, conforme números do Data Popular. É justamente o que a família de Maria José já está fazendo.

"Eu e meu irmão íamos todo fim de semana a shoppings e a barzinhos. Gastávamos sem nos preocupar. Mas, agora, a diversão teve de ser sacrificada. Estamos saindo só uma vez por mês", diz Andrezza Lopes Faria, 24 anos, filha mais nova da dona de casa.


Nesse novo contexto econômico, o comércio também já sabe que venderá menos para a classe média.
"Bens de maior valor agregado, como automóveis e eletroeletrônicos de última geração, já não estão saindo tanto", reconhece o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior.

Ele explica que a redução do prazo dos financiamentos faz com que a prestação se eleve acima da capacidade de pagamento de parte expressiva dos consumidores.


O professor de finanças da FGV e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Fábio Gallo Garcia, ressalta que os brasileiros não imaginam o que vem pela frente. A dica, diz, é colocar as contas no lugar: "As despesas contornáveis devem ser revistas, como a academia de ginástica e as idas ao cinema", ressalta.

O conselho de Cristina Helena Pinto de Mello, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é para que os brasileiros não façam novos compromissos no fim do ano.

O 13º salário, por exemplo, pode ser guardado para emergências. "O momento é de cuidado, de alerta. O brasileiro deve pensar mais antes de tomar decisões e deve gastar com consciência para não se colocar em situação difícil", analisa.


Riscos do retrocesso
O governo está preocupado com os problemas vividos pela nova classe média. O medo é de que a crise atual corroa a renda dessa camada da população, cuja ascensão foi um dos motes da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010.
De olho nas eleições municipais de 2012, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República planeja lançar, até o fim do ano, um conjunto de medidas que impeçam o retorno do novo estrato social aos antigos padrões de pobreza.


Cristiane Bonfanti e Ana Carolina Dinardo Correio Braziliense
(Colaborou Vânia Cristino)


A REPÚBLICA DA VADIAGEM REMUNERADA : "Horinha" a mais que custa caro


A Câmara estava cheia e o painel registrava que 464 deputados apareceram em plenário na última terça-feira.

Às 19h, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), que presidia a Mesa Diretora naquele momento, prorrogou a sessão por mais uma hora.
É a partir desse horário que se forma uma fila de servidores no térreo do Anexo IV, um prédio a 500m do plenário, afastado das dependências reservadas à rotina legislativa da Casa — ali, as luzes já estão apagadas e as salas fechadas.

Esses funcionários têm único objetivo:
faturar horas extras mesmo sem ter trabalhado.
Os servidores, que já encerraram o expediente e estão longe da Câmara, monitoram se a Presidência da Mesa vai prorrogar a sessão. Prorrogada, deslocam-se para o térreo do Anexo IV para registrar a presença nos dois pontos de controle biométrico próximos aos balcões das companhias aéreas — há outros desses pontos próximos ao plenário, esses sim utilizados por quem de fato está em atividade.

Eles têm até as 19h20 para concretizar a fraude.
Depois, precisam aguardar até as 20h30 para marcar a saída e garantir o pagamento no contracheque.

Alguns aguardam o relógio marcar 20h30 dentro do carro, acompanhados das famílias.


Uma hora extra custa entre R$ 90 e R$ 134, conforme o cargo. Apesar de a Câmara ter investido R$ 2,8 milhões no sistema biométrico de registro de ponto para acabar com as fraudes, o Correio esteve no térreo do Anexo IV na noite de terça-feira e flagrou o drible dos servidores na norma.

Eles chegam pela garagem — muitos com roupas informais, destoantes do vestuário habitual da Câmara —, registram o ponto e aguardam o horário da saída.

A Casa já desembolsou, somente neste ano, R$ 33 milhões com o pagamento de horas extras.


A assessoria de imprensa da Câmara diz que há dois tipos de adicionais:
as horas extras propriamente ditas, com um custo de R$ 2,3 milhões, e as sessões noturnas, principalmente às terças e às quartas, que já custaram R$ 31,1 milhões.

No primeiro grupo, estão seguranças e técnicos que estendem a jornada de trabalho, inclusive no fim de semana. No outro estão os servidores flagrados pelo Correio. "Historicamente, o valor registrado neste ano está na média dos dois anos anteriores", justifica a assessoria.


A irregularidade flagrada na Câmara é uma das razões para os gastos com horas extras no Legislativo serem tão altos. Mas o dispêndio com serviços extraordinários faz parte da rotina administrativa nos Três Poderes, independentemente das fraudes detectadas.

Um levantamento dos pagamentos extraordinários do Executivo,do Legislativo e do Judiciário mostra que a União tem desembolsado em acréscimos salariais valores semelhantes a todo o montante gasto em 2010 na erradicação do trabalho infantil.

Em 2011, as horas extras dos Três Poderes custaram R$ 270 milhões, segundo informações da execução orçamentária obtidas até a primeira quinzena de setembro.


O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), do Ministério do Desenvolvimento Social, recebeu durante todo o ano passado R$ 290 milhões para a proteção de crianças.


A cifra das despesas com serviços extraordinários é uma prévia.
Histórico de gastos da União com horas extras mostra que o governo tem desembolsado uma média de R$ 500 milhões anuais com a rubrica.


O valor é duas vezes maior do que o orçamento do Ministério da Pesca e equivale aos recursos direcionados a grandes programas, como o assentamento de trabalhadores rurais, proteção aos povos indígenas e segurança de voo e controle do espaço aéreo.


Josie Jeronimo, Vinicius Sassine e Júnia Gama Correio Braziliense

setembro 17, 2011

O brasil SEGUE MUDANDO : Alimentação e bebidas em 12 meses : aumento de 10,41%. Inflação acumulada : 7,23%

Os brasileiros estão preocupados com a subida dos preços dos alimentos, que atinge mais o bolso da população de baixa renda.

A inflação acumulada em 12 meses até agosto ficou em 7,23%, a taxa mais alta dos últimos seis anos, segundo o IBGE.

Os preços foram puxados para cima pelo grupo alimentação e bebidas que, em 12 meses, teve aumento de 10,41%, como mostra o gráfico abaixo.

Vale a dica de sempre: pesquisar e aproveitar as promoções.

O Globo

setembro 16, 2011

Mil dias entre céu e inferno

Faltam mil dias para a bola rolar na Copa do Mundo do Brasil de 2014. Quem vê a forma como o país está se preparando para receber o evento não consegue crer que tudo estará pronto a tempo.

O governo gastou anos dando toquinho de lado e agora precisa partir para o ataque, apelando até para gol de mão.


Eventos como o Mundial de Futebol são oportunidades de ouro para que um país dê saltos à frente no seu nível de desenvolvimento.

O enorme afluxo de dinheiro, a atenção e os interesses que o torneio atrai em todo o mundo permitem que se gerem benefícios duradouros para a sociedade.


Infelizmente, a perspectiva no Brasil não é esta.
Visto de hoje, dificilmente a Copa de 2014 deixará um legado para a população na forma de melhoria expressiva das condições de infraestrutura e qualidade de vida, principalmente em termos de mobilidade urbana - algo cada vez mais premente para quem circula nas nossas caóticas metrópoles.

O Brasil terá de fazer em mil dias o que não fez nos 1.417 que se passaram desde a data em que foi escolhido pela Fifa para sediar a Copa do Mundo de 2014. O país foi oficialmente confirmado como anfitrião do Mundial em 30 de outubro de 2007. É difícil conceber que nestes quase quatro anos tenhamos feito tão pouco.


Balanço oficial divulgado anteontem pelo governo Dilma Rousseff mostra que 64% dos empreendimentos voltados para a Copa ainda não saíram do papel.

De 81 obras, incluindo construção e reforma de estádios, ampliação de aeroportos, intervenções urbanas, melhorias viárias, adequações em portos, 52 simplesmente não começaram.


A situação é pior justamente onde mais interessa aos cidadãos:
nas intervenções voltadas a melhorar as condições de mobilidade urbana. De um total de 49 obras desta natureza, só nove foram iniciadas até hoje, o que dá menos de 20%.

Das 40 restantes, três estão em fase de projeto, 27 por licitar e três encontram-se em licitação.

Os investimentos previstos para mobilidade urbana somam R$ 12,1 bilhões. Das 12 cidades-sedes da Copa, em sete nenhuma intervenção desta natureza - o que inclui linhas de trens, monotrilhos, metrô, corredores de ônibus e melhorias viárias - foi iniciada.

Em portos e aeroportos, a penúria é igual ou pior. Todas as sete obras de infraestrutura portuária, orçadas em R$ 898 milhões, continuam no papel. Dos 13 aeroportos que terão melhorias - já que Viracopos, em Campinas, também será contemplado - somente oito tiveram obras iniciadas; neles, prevê-se investir R$ 6,4 bilhões.

O governo Dilma prefere ver calmaria onde impera tempestade.
Tenta chamar a atenção para o fato de que as arenas estão, em sua maior parte, em obras e com cronograma razoavelmente em dia.

"O mais importante é o estádio",
acha o ministro dos Esportes.
Só pode ser brincadeira.


Desdenha, também, do fato de o custo dos estádios ter subido assustadoramente, além do que um gasto que deveria ser eminentemente privado está, em boa medida, sendo bancado por dinheiro público.

Vendo que o cronômetro do jogo já vai avançado, o governo vai alterando as regras do jogo. Acaba de eliminar o prazo para que obras da Copa fossem pelo menos licitadas, que venceria em dezembro.

Mas concentra sua maior aposta para fazer os empreendimentos deslancharem na adoção do Regime Diferenciado de Contratações (RDC). Trata-se de uma espécie de gol de mão de desesperado.


Como se sabe, o RDC afrouxa as regras para contratação de obras públicas, abre um flanco na zaga para aumentos de preços e dificulta a vigilância e a fiscalização do juiz, por sua parca transparência.

Em razão disso, está sob fogo cruzado tanto dos partidos de oposição (PSDB, PPS e DEM) quanto da Procuradoria-Geral da República, que o considera inconstitucional.


Com o RDC, os orçamentos da Copa, que já não eram pequenos, correm risco de ir para a estratosfera. As estimativas hoje disponíveis são suficientemente divergentes para justificar temores e exigir mais, e não menos, rigor dos sistemas públicos de fiscalização e controle - tudo o que o governo do PT não quer.

Os atrasos e as delongas da gestão petista já estão custando bastante caro à sociedade. O que se cobra é que, nesta altura do campeonato, os improvisos nos preparativos para a Copa do Mundo tenham chegado ao seu limite.

Que a bola vai rolar a partir de 12 de junho de 2014, ninguém duvida.
Mas os que os brasileiros esperam é que sobre algum benefício para contar história depois que a festa do futebol acabar.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Brasil cai no ranking das telecomunicações

Embora tenha apresentado crescimento relativo de 3,72 para 4,22 pontos, o Brasil caiu duas posições, de 62º para 64º lugar, entre as 152 nações que mais cresceram na área de telecomunicações no período de 2008 a 2010.

O país ficou atrás de Uruguai (54º),
Chile (55º) e Argentina (56º),
e apenas um ponto à frente da Venezuela (65º).
A Coreia do Sul é a primeira da lista, seguida por Suécia,
Islândia,
Dinamarca e Finlândia.


Os dados são do Índice de Desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicações (TICs), elaborado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), no relatório "Medindo a Sociedade da Informação". O documento faz uma ampla análise da situação no mundo.

Segundo o estudo, os Emirados Árabes e a Rússia são os melhores em suas regiões. Já o Uruguai ocupa a primeira posição na América do Sul. Arábia Saudita, Marrocos, Vietnã e Rússia foram os que mais melhoraram entre 2008 e 2010.

Também se constatou que os brasileiros ainda pagam caro pelos serviços de telecomunicações (telefonia fixa, móvel e banda larga). Os gastos representam 4,8% de sua renda média.

Preço da banda larga cai, mas é alto nos emergentes

O relatório revelou que a média do preço dos serviços nos 152 países pesquisados teve queda de 18% entre 2008 e 2010. O maior decréscimo foi nos serviços de banda larga fixa, cujos preços despencaram 52%.

A UIT alertou que, enquanto nos países desenvolvidos os preços médios dos serviços correspondem a 1,5% da renda mensal do usuário, nas nações em desenvolvimento eles chegam a 17%.

Em 19 países, o gasto com o acesso à banda larga é maior do que 100% da renda média da população. E na África, no fim de 2010, os serviços de banda larga fixa custavam até 290% da renda mensal.


Para o secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré, que apresentou a pesquisa, um dos fatores que levam a preços muitas vezes proibitivos é a alta carga tributária brasileira, principalmente os impostos cobrados pelos governos estaduais.

Da 'Sorboninha' ao Turismo, sempre com o 'empurrão' da família Sarney

Citado no Congresso como "o intelectual do grupo Sarney", Gastão Vieira virou ministro do Turismo porque, além do peso do presidente do Senado na escolha, passou pelo pente-fino do Palácio do Planalto na sua ficha política. Na noite de quarta-feira, quando a bancada do PMDB na Câmara tinha uma lista de quatro nomes para o cargo, seus colegas brincavam: "Ele passou pelo crivo do Google, por enquanto".

Disputavam a indicação com Gastão os colegas de bancada Marcelo Castro (PI), Manoel Junior (PB) e, com menos chances, Lelo Coimbra (ES). Os dois primeiros não passaram pelo crivo no quesito "ficha limpa".

- Dilma não queria nomear num dia e ver o cara caindo no fim de semana. Sarney já tinha feito intervenções para manter o Turismo com o Maranhão e entrou de novo nesse momento. Deu Gastão - contou um dirigente do PMDB.

De fato, o novo ministro não tem problemas na Justiça nem foi citado em esquemas de corrupção. Frequentou o noticiário com aspectos negativos quando empregou uma das filhas no seu gabinete na Câmara, mas a demitiu depois que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu regras contra o nepotismo.

Também por conta das filhas voltou ao noticiário ao deixá-las no apartamento funcional da Câmara, em Brasília, quando assumiu o cargo de secretário de Educação de Roseana Sarney, no Maranhão. Alegou que, se tivesse que devolver o imóvel, voltaria ao mandato, pois sua família morava lá desde 1995. A Câmara não lhe tirou o apartamento. Entre 2009 e 2010, voltou ao governo de Roseana, como secretário de Planejamento.

Gastão, de 65 anos, é advogado, mas no Congresso sua atuação foi voltada quase que exclusivamente para a área de educação em cinco mandatos de deputado federal. Sua grande vitrine foi a elaboração do Plano Nacional de Educação.

Por sua atuação no Congresso, tem entre seus doadores de campanha empresários da área de educação.

O maior problema de Gastão, como se diz reservadamente no governo, é o fato de ser fiel aliado da família Sarney. A aproximação começou em 1985, quando foi convidado por Roseana Sarney, que então secretariava o pai na Presidência da República, para formar um grupo que foi batizado de "Sorboninha", em referência à universidade de Sorbonne, na França, para estudar os problemas do Maranhão e apresentar projetos. Indagado ontem se a indicação de Sarney o diminuía, rebateu:
O novo ministro sempre foi aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA), e tem uma relação próxima com a governadora Roseana sarney ( Jose Varella/CB/D.A Press )
- Absolutamente não. Sou ligado à família Sarney há muito tempo, mas o Sarney nunca impôs que eu fizesse nada. Eu tenho objetivos e programas bem claros na minha cabeça.

Desempenho fraco na disputa por prefeitura

O apoio da família Sarney não foi suficiente para evitar seu maior fiasco político, quando foi o sexto colocado nas eleições para a Prefeitura de São Luís, em 2008, com apenas 9.508 votos. Mas, em 2010, ele se recuperou e foi o deputado federal mais votado no estado, com 134.665 votos. Entre os adversários de Sarney, o novo ministro é criticado pela relação com a família mais poderosa do Maranhão.

- O Gastão é um cara que tem um potencial razoável, mas segue os Sarney cegamente. Não tenho notícia dele em coisa suja. Em quatro anos como secretário de Educação de Roseana ele construiu três escolas. E como secretário de Planejamento, a informação é que gastou o dinheiro todo antes do tempo - afirmou o deputado Domingos Dutra (PT-MA).

Maria Lima O Globo

IGP-10 triplica e sobe para 0,63% em setembro


Os alimentos, mais uma vez, aparecem pressionando a inflação e, assim, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu para 0,63% em setembro - mais de três vezes acima do que se viu em agosto (0,20%).

No atacado, os produtos agropecuários chegaram a subir 1,48% neste mês e os alimentos in natura, 1,56% - influenciados por aumentos nos preços de produtos como soja (4,02%) e café (6,88%).

Em 12 meses, o IGP-10 variou 7,79%.
No ano, a alta é de 4,02%.
O IGP-10 é calculado a partir de preços coletados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.


O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) variou 0,73%, em setembro, ante 0,26% em agosto. Para Salomão Quadros, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o IPA apresentou uma "elevação bastante generalizada".

Além da aceleração em produtos agrícolas, Quadros acrescenta que já aparecem efeitos da subida do dólar em alguns itens.
Caso do minério de ferro que, por causa do câmbio, saiu de -0,31% para 2,69%.


- Os agrícolas tiveram pequena aceleração, porque alguns produtos como soja e café estão em alta no mercado internacional. Enquanto outros, mais voltados para o mercado interno, como o milho, encontram-se em queda de preço - disse Quadros.

Segundo Quadros, a taxa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 0,58%,
está praticamente concentrada na alimentação -
que passou de -0,57% para 1,23%.

Destaques para hortaliças e legumes (de -6,90% para -1,71%),
frutas (-0,13% para 8,47%)
e carnes bovinas (-0,22% para 2,19%).

Também apresentaram avanços em suas taxas os grupos de
Vestuário (-0,25% para 0,86%),
Educação, Leitura e Recreação (-0,15% para 0,17%),
Saúde e Cuidados Pessoais (0,35% para 0,46%)
e Transportes (0,14% para 0,19%).


- Se a economia estiver realmente em desaceleração, como espera o Banco Central, repasses do atacado para o varejo podem ser menores - disse Eduardo Velho, economista da Prosper Corretora.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em setembro, taxa de variação de 0,10%, abaixo do resultado do mês anterior, de 0,31%.

Fabiana Ribeiro O Globo