"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 14, 2011

"Eu tenho pay per view, vou ver em casa".

Autor da ideia de incluir o superclássico espanhol entre Real Madrid e Barcelona na agenda de uma viagem oficial da Câmara, o deputado e ex-jogador de futebol Romário (PSB-RJ) desistiu de participar da missão na Espanha porque precisou antecipar uma cirurgia no ombro.

Disse ainda que mesmo à distância não vai perder o jogo: "Eu tenho pay per view, vou ver em casa".

Como foi que entrou o jogo na agenda?

Na verdade, essa coisa do jogo eu ouvi durante os últimos seis, sete dias. Talvez, se eu estivesse em Madri no dia do jogo e a gente já tivesse cumprido o nosso objetivo que é o da missão oficial, eu poderia ter ido ao jogo. Não tem como dizer se ia ou não, mas não vejo nenhum problema em ir ao jogo já que a gente ia estar lá. E vai ser um grande jogo.

Menos mal que o próprio presidente e os outros já assumiram que não vai ter nenhum gasto para o contribuinte, vai ser tudo pago do próprio bolso.


Depois de ser visto jogando futevôlei em horários de sessões parlamentares em Brasília e de desistir da polêmica viagem à Espanha que incluía no roteiro uma partida entre o Real Madrid e o Barcelona, o ex-jogador e deputado federal Romário (PSB-RJ) teve outra atitude polêmica.

Ele nomeou a atriz Isabella Rodrigues Moreira, de 25 anos, e o amigo de infância Luiz Cláudio Henriques das Neves para trabalharem em seu gabinete regional no Rio.

Os dois foram contratados para o cargo de secretário parlamentar. A atriz, que gravou ontem uma participação no programa "A Turma do Didi", trabalhou para o parlamentar na sua campanha.

Bella Rodrigues, como é conhecida, reagiu ao falar sobre a nova função que assumirá:

- Acho isso preconceito porque sou artista. Se eu fosse advogada, não teria essa polêmica.

Bella contou que conheceu o ex-jogador há sete anos e fez um projeto social com crianças de rua.(SIC)

Do Extra

abril 13, 2011

RISCO BRASIL : EMBI+ FECHA EM 171 PONTOS, ALTA DE 0,59%

Considerado um dos principais termômetros da confiança dos investidores, o índice EMBI+, calculado pelo Banco JP Morgan Chase, encerrou o dia aos 171 pontos, alta de 0,59% em relação aos 170 de ontem.

Sobre o EMBI+ Brasil

O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios pagos por esses títulos em relação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo.

O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa dizer que, a cada 100 pontos expressos pelo risco Brasil, os títulos do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos EUA.

Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação dos investidores é de que quanto maior a pontuação do indicador de risco , mais perigoso fica aplicar no país.

Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado" deve oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo risco.

(Valor)

BRASIL DE TOLOS : “Era uma casa, muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada”

“Era uma casa, muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada”.
A letra da canção soa divertida, mas em Governador Valadares, região Leste de Minas Gerais, tomou forma de descaso.

Um conjunto habitacional construído pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, para retirar famílias de uma área de risco, foi erguido em terreno condenado.

De 96 moradias, 14 estão sem condições de uso, ameaçadas por erosão, conforme relatórios do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da prefeitura.
Oito famílias foram removidas.

Entre as residências interditadas, que já foram parcialmente demolidas para evitar invasões, está a visitada e usada como modelo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração do conjunto, em fevereiro de 2010, quando esteve na cidade ao lado da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O conjunto, construído próximo à encosta de um morro às margens da BR-116, custou, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 18,8 milhões, segundo dados do Ministério das Cidades. Serviria para abrigar moradores do bairro vizinho de Altinópolis, do outro lado da rodovia, onde morava a cozinheira Luciene Pereira, 48 anos, dona da casa visitada pela comitiva presidencial.

“O Lula reconheceu que ainda faltavam coisas. Afirmou que mandaria colocar cerâmica no piso e muro. Cumpriu a promessa, mas acabei ficando sem ter onde morar”, relata a ex-moradora, transferida pela prefeitura para um bairro próximo. Entrou em um programa de auxílio aluguel.
“Mas não pagam tudo. O aluguel é de R$ 450. Dão R$ 300 e atrasam o repasse. Lá, era nosso”, reclama a cozinheira”, que mora com a filha, o genro e duas netas.

Menos de um ano depois de entrar na casa própria, foi obrigada a sair em 30 de dezembro, às vésperas do réveillon. “Falaram que a casa ia cair por causa das chuvas”, conta Luciene. “Hoje temos de deixar de comer um pedaço de carne para pagar parte do aluguel”.
O secretário municipal de Assistência Social, Jaime Luiz Rodrigues Júnior, admitiu atraso nos pagamentos, mas afirmou que os repasses serão regularizados.

O secretário de Obras de Governador Valadares, Cézar Coelho de Oliveira, afirma que a prefeitura vem tentando convencer as seis famílias moradoras das casas condenadas que relutam em deixar o conjunto habitacional.
Todas correm risco, assume o secretário, sobretudo nos períodos de chuva.

Cézar afirma que a atual administração da cidade, que tem a ex-deputada estadual Elisa Costa (PT) como prefeita, não foi a responsável pelo início das obras. “A indicação foi feita no governo anterior”, argumenta. O antecessor de Elisa é o atual deputado estadual Bonifácio Mourão (PSDB).

Questionado se a obra não poderia ser paralisada, já que se tratava de um terreno condenado, o secretário afirmou que apenas parte da área está sob risco e que a suspensão não seria possível porque o projeto já estava “80% concluído”.

Erosão
Segundo Cézar Coelho, o morro onde o conjunto Palmeiras foi construído tem três pontos de erosão. O mais grave está voltado para a BR-116 e, conforme a prefeitura, depende de obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para ser contido.

A reportagem tentou contato com o responsável pelo Dnit em Governador Valadares, Ricardo Luiz de Freitas, mas não obteve retorno. Segundo o ex-prefeito Bonifácio Mourão, o terreno foi indicado com base em laudos elaborados por engenheiros da prefeitura. O deputado ressaltou que a área foi fiscalizada e aprovada também pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Não havia risco à época da escolha, no fim de 2007”, diz. Além disso, o deputado atribuiu a obras do Dnit para duplicação da rodovia Rio-Bahia o surgimento dos problemas. “A obra causou um assoreamento que não existia anteriormente”, afirma.

Mesmo com ruas asfaltadas, linha de ônibus e saneamento, o conjunto habitacional perdeu em qualidade de vida. As oito casas que começaram a ser demolidas — as residências têm tamanho padrão de dois quartos, sala, banheiro e cozinha — passaram a ser utilizadas como depósito de lixo.

Dentro das casas, o acúmulo de entulho da demolição favorece o surgimento de insetos.
Responsável pelo repasse de recursos do PAC, o Ministério das Cidades informou, pela assessoria, que não havia ninguém para falar sobre as obras do programa em Governador Valadares.

Leonardo Augusto e Maria Clara Prates Correio Braziliense

DA CHINA, ATÉ AGORA VENTO.

http://i1.r7.com/data/files/2C95/948F/2F49/5A95/012F/4A38/145D/370F/dilma1-g-afp-20110412-700x450.jpg
É preciso ser versado em "diplomatiquês" para enxergar resultados significativos na visita da presidente Dilma Rousseff à China.
Outra opção é recorrer a porta-vozes oficiais prontos para traduzir em versões convenientes ao governo brasileiro as embromações que constam do
comunicado conjunto firmado ontem entre os dois países.

Muito do que lá está é puro vento.
A começar pelo "apoio", segundo algumas leituras, supostamente dado pelos chineses à pretensão brasileira por um assento no Conselho de Segurança da ONU.


O trecho do comunicado mais destacado pela imprensa brasileira sobre o assunto foi este:
"A China atribui alta importância à influência e ao papel que o Brasil, como maior país em desenvolvimento do hemisfério ocidental, tem desempenhado nos assuntos regionais e internacionais, e compreende e apoia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas."


O Estado de S.Paulo tratou o assunto em manchete. Disse que "Pequim deu um passo adiante ao tratar da defesa do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU", mas lembrou que tal apoio já vem de tempos atrás e nunca passou de mera "retórica".

Já a Folha de S.Paulo lembrou que "trata-se de posição semelhante à adotada há cerca de um ano, quando o dirigente máximo da China, Hu Jintao, visitou o Brasil", ainda no governo Lula. Até hoje, não passou disso. Na leitura do jornal, o Brasil até agora "não obteve o respaldo chinês" à vaga na ONU.


Já segundo O Globo a declaração chinesa teria sido "a segunda vitória de Dilma em relação ao tema". O jornal escorou-se na "avaliação de um alto funcionário do Itamaraty" para chegar a esta conclusão. Só podia.
Dentro desta visão, edulcorada no mais puro diplomatiquês, a "primeira vitória" teria sido a declaração de Barack Obama, durante visita ao país em março, de "apreço" pela pretensão brasileira.
Vitórias de Pirro, como se vê.


O comunicado conjunto também é frouxo naquilo que mais interessava aos brasileiros:
melhorar os termos das trocas comerciais entre os dois países. Diz o texto diplomático que "a parte chinesa manifestou disposição de incentivar suas empresas a ampliar a importação de produtos de maior valor agregado do Brasil".
Nada poderia ser mais etéreo.


Foi preciso que a presidente brasileira reforçasse a leitura positiva do texto, em entrevista à imprensa, na tentativa de dar ares mais verossímeis à possibilidade de os chineses alterarem alguma coisa de sua política de comércio com o Brasil. Disse ela que "o que valer para o Brasil, vale para a China e vice-versa".

Difícil crer, como já havia demonstrado anteontem Robson Andrade, presidente da CNI e um dos quase 250 empresários que compõem a missão brasileira à China:
"Os chineses definem o que querem importar e da maneira que querem".

Ou como desnuda um diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China ouvido por
Miriam Leitão :
"A visita de Dilma não vai levar a nenhuma mudança drástica nas relações comerciais entre os dois países. O Brasil continuará vendendo commodities e a China, manufaturados".


Um dos itens mais comemorados foi o anúncio - que saiu da boca de um ministro brasileiro pré-candidato às eleições de 2012 - de que uma gigante chinesa aportará US$ 12 bilhões para fabricar telas de cristal líquido no Brasil.

Não se sabe muita coisa a respeito, exceto que na planta que tal empresa mantém em Shenzhen, perto de Hong Kong, nove trabalhadores se mataram em razão das péssimas condições de trabalho...


Afora isso, os chineses, por exemplo, "não deram resposta à reivindicação dos produtores de aço brasileiro, que se queixam da recusa em autorizar investimentos no setor siderúrgico chinês" - que responde por 44% da produção mundial, segundo o Valor Econômico.

Em contrapartida, prometeram concluir "de forma expedita" os trâmites burocráticos para autorizar produtores brasileiros a vender "gelatina, milho, folha de tabaco da Bahia e de Alagoas, embriões e sêmen de bovinos e frutas cítricas". Com tamanha generosidade chinesa, do que mais o Brasil poderia se queixar?


Já sobre a defesa dos direitos humanos, que Dilma quer alçar à condição de marca de sua política externa, o comunicado conjunto também não trouxe quase nada. A referência ao tema foi "genérica e lacônica", de acordo com o Estadão.

"O assunto é abordado como se fosse uma questão de garantir a inclusão social e a distribuição de renda. Em nenhum momento se trata da falta de liberdade de expressão e das violações nessa seara", registra o jornal.


Até agora, não houve qualquer referência de Dilma ou do Itamaraty à mais nova onda de repressão chinesa contra dissidentes políticos, desencadeada desde fevereiro por Pequim como uma espécie de salvaguarda contra o risco de que as manifestações pró-democracia no mundo árabe também seduzissem os chineses.

Diz O Globo que "organizações chinesas de defesa dos direitos humanos calculam que, nas últimas quatro semanas, cerca de 50 pessoas foram presas ou desapareceram sob a custódia de autoridades".
A missão brasileira deu de ombros.


Felizmente, o Itamaraty também utilizou sua habilidade de versar em diplomatiquês para não alimentar a pretensão chinesa de ter sua economia reconhecida como "de mercado".
Trata-se de algo que Lula prometeu em 2004, mas até hoje não saiu do papel. Se os chineses já inundam as prateleiras brasileiras com suas quinquilharias, se ganharem tal reconhecimento não sobrará empresa brasileira em pé para fazer-lhes frente.


Fonte: ITV

LER E ENTENDER! OVELHAS DESGARRADAS : UM RESUMO HONESTO.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo caudaloso, tenta agir como um bom pastor ao ver as ovelhas desgarradas:
reunir o rebanho, afastar os predadores e conduzir sua criação ao pasto farto e seguro.

Publicado na revista Interesse Nacional, o artigo tenta, de certa forma, definir também a nova classe média como o novo rebanho a ser pastoreado pelo PSDB. Dá como perdida para o PT e seus aliados no governo Dilma Rousseff a população mais pobre do país.

Segundo o ex-presidente da República — cujo legado não foi devidamente defendido nem pelo ex-governador José Serra, nem pelo governador Geraldo Alckmin, ambos paulistas —, as realizações de seu governo seriam o maior acervo patrimonial dos tucanos, mas isso é insuficiente para conquistar novos adeptos.

Para FHC, o papel da oposição é debater os novos problemas do país e encampar as demandas dessa nova classe média na saúde, na educação, na segurança e nas demais questões do dia a dia.

Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense

abril 12, 2011

" A CULTURA DE QUE TUDO PODE, DESDE QUE NÃO SE TORNE PÚBLICO".

Depois do Fantástico

Há mais de dez anos este foi o título de um texto que escrevi, no qual apontava que as medidas dos governos em combate a algum problema só vinham após denúncias no famoso programa de TV.
Isso servia para o governo federal, para os estaduais, para os municipais e até para quaisquer instituições, mesmo as organizações não governamentais, e muito mais nas ligadas direta ou indiretamente a Administração Pública.

Pois, após dez anos, não há problema que seja detectado antes pelas autoridades; as medidas só veem depois de denúncias na imprensa. O caso do menino baleado por policiais em Manaus apenas exemplifica. Porém, todas as autoridades só tomam uma medida, sempre tímida, sempre recheada de desculpas, depois de se tornarem públicas.

Logo após as denúncias pela imprensa, as primeiras negativas vem dos envolvidos.
Eles negam afirmações gravadas há poucos minutos, ou até há algumas horas.
Depois, vêm as explicações das autoridades por que nunca fizeram nada antes. A população encaminha inúmeras cartas às seções dos jornais e revistas, telefonemas indignados às emissoras de rádios e de televisões. Nada mais.
As famosas sindicâncias são abertas e os resultados todos já conhecem.

Anteriormente as denúncias geralmente só recaíam sobre funcionários do baixo clero. Mas, a corrupção foi galgando postos e já chegou a derrubar dois ministros da Casa Civil.
Os casos são tantos que talvez ninguém mais se lembre de Waldomiro Diniz, José Roberto Arruda, Maurício Marinho, que desencadeou a máfia do mensalão, Ari Artuzi, prefeito de Dourados, todos flagrados recebendo dinheiro, de Erenice Guerra.
Nenhum superior sabia de nada.

Existem fatos mais amplos que causam prejuízos e mortes sem nunca haver punição alguma. Em 2007 um pedaço do estádio da Fonte Nova voou e 8 vidas se foram. Na final de 1992, outros tantos morreram no Maracanã. Assassinatos de torcedores viraram rotina e por muito tempo só se ouviu desculpas.

Depois de muitas mortes, algumas medidas óbvias praticamente resolveram o problema. Mortes existiram, assassinos punidos, nenhum. Além desses, assassinatos em pacotes também existiram, sem nenhum culpado.

Somente a negligência institucionalizada explica por que as medidas só são tomadas após a publicidade. Quando os filhos mudam de comportamento em casa, seus pais ou responsáveis percebem.
Quando um funcionário de empresa privada muda de comportamento, seu chefe percebe. Quando um departamento vai mal, os diretores da empresa desconfiam.
Apenas nos serviços públicos a percepção cabe à gente de fora, especialmente à imprensa.

Não pode ser razoável que haja necessidade da imprensa mostrar as condições das estradas, da qualidade do ensino público fundamental e médio, de mostrar o atendimento médico, dos ônibus lotados, da sujeira das cidades.
Bastaria que as autoridades superiores exigissem dos seus subalternos que cumprissem suas funções; dos órgãos fiscalizadores que investiguem e tomem medidas preventivas; e da Justiça que puna imediatamente como determina a lei.

Efetivamente criou-se a cultura de que tudo pode, desde que não se torne público. Decorre dessa cultura a ação só vir como punição à publicidade e não em razão do fato.
Não raro o punido é quem dá publicidade e não quem cometeu o erro.

Além dessas iniciativas, seria preciso tornar público todos os atos.
Hoje, ninguém consegue os dados estatísticos sobre as diversas atividades dos governos, nem saber como andam os procedimentos e processos relativos aos episódios citados.
A Rede Globo precisaria ter mais consciente de seu papel de órgão fiscalizador e aumentar a vigilância.

Resta apenas a todos os cidadãos esperarem a próxima denúncia no Fantástico e as explicações muito “convincentes” das nossas autoridades.

Pedro Cardoso da Costa é bacharel em Direito - Via avozdocidadão.

A CASTA DA CASA DAS TOLERÂNCIAS.

A assessoria de Comunicação do Senado informou nesta terça-feira (12) que é superior a 1,2 mil o número de servidores da Casa dispensados da obrigação de bater o ponto todos os dias. O quadro funcional do Senado tem atualmente 6.018 servidores.

Segundo o órgão, o número vem aumentando com a decisão de senadores de liberar seus assessores do controle de jornada. Um levantamento deve ser divulgado ainda nesta terça para mostrar a realidade exata dos funcionários liberados da exigência.

Há dez dias, o Senado inaugurou o sistema de identificação biométrica do servidor para o ponto eletrônico. Nesta segunda-feira (11), o Boletim Administrativo de Pessoal do Senado publicou decisão do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que dispensou quase um terço dos funcionários de seu gabinete pessoal da obrigação de bater o ponto todos os dias.

Dos 26 funcionários do gabinete de apoio de Sarney, oito foram liberados. A assessoria do senador disse que a medida foi tomada de acordo com as regras da Casa, mas não deu detalhes dos motivos que levaram Sarney a dispensar os subordinados do sistema que a Casa considera tão eficaz.

Sarney justificou a medida na manhã desta terça afirmando que os servidores continuam a cumprir a jornada de trabalho normal, mas em horários diferenciados dos demais. Sarney acrescentou que tratam-se de funcionários encarregados em lidar com questões ligadas diretamente com assuntos do estado do parlamentar junto aos ministérios.

Uma brecha da regulamentação do sistema de ponto no Senado permite aos senadores dispensar seus funcionários do ponto. No mesmo boletim que traz a decisão de Sarney está a dispensa de mais 162 servidores de oito gabinetes.

Robson Bonin Do G1, em Brasília

REALMENTE! COMO NO BRASIL DO PERÍODO COLONIAL : ESPELHINHOS CHINESES.

A presidente Dilma Rousseff está desde ontem na China, para visita oficial que durará cinco dias. É a terceira viagem internacional dela no cargo e a mais importante até agora.
O governo brasileiro indica estar pondo em marcha uma espécie de "diplomacia de resultados", mas é bom ficar de olhos bem abertos para não voltar do Oriente carregando espelhinhos na bagagem.


A China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil, numa velocidade nunca antes vista. Dez anos atrás, a corrente de comércio entre os dois países somava US$ 2 bilhões. No ano passado, já atingira impressionantes US$ 56 bilhões.

A China é a maior compradora de produtos brasileiros exportados - foram US$ 30,8 bilhões em 2010, ultrapassando em quase 60% o comércio com os EUA - e a segunda maior origem das nossas importações - compramos US$ 25,6 bilhões deles. O fluxo ainda é favorável ao Brasil, mas não se sabe por quanto tempo.

O maior problema é a composição da pauta comercial entre os dois países. Nada se assemelha tanto ao que ocorria no período colonial do que as atuais relações bilaterais Brasil-China.
Eles levam nossas riquezas naturais e também nos entopem de quinquilharias.


Segundo a Fiesp, 97,5% das importações brasileiras vindas da China em 2010 foram de bens manufaturados, numa lista liderada por aparelhos transmissores e receptores e dispositivos de LCD. Em contrapartida, 80% das vendas do Brasil para os chineses concentram-se em apenas três produtos:
minério de ferro, soja em grãos e celulose - todos, portanto, matérias-primas.


Ontem, a diplomacia brasileira comemorou o anúncio de alguns acordos com os chineses. O principal deles permite a venda de um dos modelos de avião fabricados pela Embraer em solo chinês. Travas impostas pelos camaradas de Pequim deixaram a fábrica erguida pela empresa brasileira lá quase inoperante - maldição da qual não escapou a Marcopolo, que abandonou seu projeto para produzir ônibus por falta de aval do governo chinês.

Também foram permitidas vendas de carnes suínas.
Correspondem a mais ou menos uma migalha:
no ano passado, o setor apresentara uma lista de 26 estabelecimentos brasileiros para serem inspecionados pelo governo chinês, mas apenas 13 foram visitados em novembro e somente três finalmente credenciados ontem.


É positivo que o Itamaraty empenhe-se na defesa dos interesses comerciais brasileiros na China. Conseguirá fazer, porém, apenas leve contraponto à agressividade comercial que os chineses exibem com muito mais desenvoltura.
Não apenas aqui, como em todo o mundo.


Outro estudo da Fiesp constatou que, em uma década (até 2009), o Brasil perdeu US$ 18,2 bilhões para os chineses nos dois maiores mercados do mundo: EUA e União Europeia.
O dano espraiou-se por dezenas de segmentos da economia e acentuou-se nos dois últimos anos.
A diplomacia companheira ficou vendo a caravana passar...


Mesmo entre empresários nacionais é difícil achar quem aposte no êxito da nossa diplomacia no sentido de melhorar a qualidade do comércio entre os dois países. Diz Robson Andrade, presidente da CNI: "Os chineses definem o que querem importar e da maneira que querem". Desde 2008, a invasão chinesa já levou ao fechamento de 46 mil vagas na indústria nacional.

Além de comprar o que querem, vender o que desejam e empurrar o produto brasileiro para fora de mercados suculentos, os chineses agora estão tomando ativos no Brasil de assalto. Desde 2003, US$ 37 bilhões foram investidos aqui, dos quais praticamente a metade (US$ 18 bilhões) em setores ligados à extração e à produção de matérias-primas, como petróleo, gás e mineração. No ano passado, dos US$ 17 bilhões investidos, 84% destinaram-se a produzir commodities.

É desproporcional a força das duas economias, embora o Brasil goste de encenar o teatrinho dos Brics com os coleguinhas chineses. Há uma quase unanimidade em reconhecer que as condições de produção na China são imensamente mais favoráveis que aqui:
impostos menores, juros inexistentes, mão-de-obra tão abundante quanto desumanamente barata.


Para enfrentar esta batalha desigual, seriam necessárias reformas mais profundas na nossa estrutura produtiva. Nada que Dilma esteja disposta a fazer, a julgar pelos seus cem primeiros dias no cargo.
A "diplomacia de resultados" será pouco para compensar esta falta de resultados.


Fonte: ITV

"CARGOLÂNDIA" : 6,7 mil SEM CONCURSO.


Cargolândia de Dilma

O retrato da máquina pública no início do governo Dilma Rousseff revela a existência de 6.689 funcionários não concursados nos cargos de confiança da Presidência e dos ministérios - o equivalente a quase um terço do total de postos preenchidos por nomeações.
Destes, quase 500 estão nas duas faixas salariais mais altas do funcionalismo.


Dilma herdou da gestão Luiz Inácio Lula da Silva uma estrutura burocrática que permite a nomeação de cerca de 21,7 mil pessoas para cargos de confiança - os chamados DAS, exercidos por quem tem função de chefia ou direção e pela elite dos assessores da presidente, de ministros e de secretários.

Em fevereiro deste ano, 31% desses cargos eram ocupados por não concursados, e 64% por servidores de carreira, segundo dados do Portal da Transparência do governo federal.
Há ainda uma pequena parcela de servidores cedidos por órgãos de outras esferas - do Legislativo, de governos estaduais e de prefeituras municipais, por exemplo.


Os postos DAS, que em conjunto consomem quase R$ 100 milhões por ano em salários, estão entre os mais visados pelos partidos que buscam acomodar seus representantes na Esplanada dos Ministérios.

Como Dilma procurou barrar o atendimento de indicações políticas para o segundo escalão até a votação do salário mínimo na Câmara, em fevereiro, é provável que o quadro retratado pelo Portal da Transparência ainda não reflita com exatidão o rateio de espaços na "cargolândia" da Esplanada.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

BOCA FALA, C... PAGA! O CRIADOR E SENHOR DA VERDADEIRA "HERANÇA MALDITA"

A expressão "herança maldita" foi cunhada no Éden. Quando Adão foi flagrado consumindo a maçã proibida, disse: "Não fui eu, foi a mulher que Tu me deste." Eva, por sua vez, acusou a serpente. Apesar do jogo de empurra, ambos foram expulsos do paraíso. A partir daí, segundo a crença, homens e mulheres herdaram o pecado original.

Na política, a expressão tornou-se conhecida quando Lula passou a utilizá-la atribuindo aos governos anteriores tudo o que supostamente encontrou de errado ao assumir a Presidência da República. Na prática, uma forma de desconstruir as administrações anteriores, justificando as imperfeições da própria gestão.

Exageros à parte temos novas perspectivas. O Brasil adquiriu presença internacional, subiu no ranking das maiores economias mundiais e expandiu consideravelmente o mercado interno por meio da inclusão social e ampliação da classe média.

Na realidade, essas conquistas foram obtidas em cenário internacional favorável e com a colaboração de vários governos, inclusive dos ditos "ruins".
Até de onde pouco se esperava veio algo de bom. Sarney, por exemplo, realizou a transição democrática, criou a Secretaria do Tesouro Nacional e o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Collor, com todos os males, promoveu a abertura comercial e reduziu, à época, o tamanho do Estado. Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso criaram o real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e domaram a inflação.


No momento, há que se perguntar: que legado Lula deixou para Dilma? Com certeza, até por lealdade, a presidente só irá comentar os diversos fatos positivos. Mas, na verdade, também são inúmeras as dificuldades e os desafios que ela enfrentará nos próximos anos.
Para começar, os ventos internacionais mudaram.
A elevação abrupta dos preços das commodities (29% nos últimos 6 meses) está pressionando a inflação, que já toca no teto da meta.
Adicionalmente, a dinheirama que o banco central americano injetou no planeta faz com que boa parte desses dólares passem férias no Brasil. Tal fato vem derrubando a cotação da moeda americana, que, na última sexta-feira, chegou a R$1,574.


Finalmente, as revoluções democráticas na África e Ásia levaram o barril de petróleo a US$112, o maior valor alcançado há dois anos e meio. Assim, chegamos ao fim do primeiro trimestre do atual governo com inflação e juros altos, superávit e câmbio baixos.
Arrumar esse vespeiro não será tarefa fácil.


Paralelamente, como nenhum governo aumenta salários e outras despesas de custeio impunemente, a conta da festa política chegou. Sob o ponto de vista orçamentário, Dilma herdou restos a pagar de aproximadamente R$128 bilhões, valores que estavam comprometidos nos orçamentos dos anos anteriores e não foram pagos nos respectivos exercícios.
Como a arrecadação é finita, os gestores estão tendo que optar entre pagar as despesas roladas dos anos Lula ou aquelas previstas no orçamento de 2011.


Na tentativa de arrumar a casa, nos primeiros 3 meses do seu governo Dilma investiu apenas R$306 milhões com o orçamento de 2011, enquanto pagou R$7,9 bilhões de restos a pagar. Além disso, pretende cancelar, em 30 de abril, cerca de R$17 bilhões de compromissos assumidos em 2007, 2008 e 2009 que sequer foram iniciados. A ideia é boa mas, como diria Garrincha, é preciso combinar com os adversários - neste caso, os políticos, que certamente vão espernear.

Enquanto busca o equilíbrio econômico, o governo terá que realizar grandes investimentos em infraestrutura para evitar vexame internacional por ocasião da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.
Para mencionar apenas o principal gargalo, no primeiro bimestre de 2011 a Infraero investiu R$53,8 milhões, somente 2,4% do montante anual previsto.


A missão da presidente inclui ainda a modernização institucional, necessária tanto à democracia quanto ao sistema produtivo.
A bem da verdade, as reformas política, tributária e trabalhista, itens fundamentais dessa pauta, não saíram do papel durante os oito anos do presidente Lula.


Como se vê, há muito pela frente devido ao que não foi feito no governo passado, fato até natural em processo histórico. Porém, considerando a relação política da atual presidente com o seu antecessor, a herança, quando maldita, não será mencionada. Nesse paraíso, a eventual culpa não será de Adão, Eva, Lula ou Dilma. Vai acabar sobrando para a serpente ou para a maçã...

Gil Castello Branco O Globo