"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 03, 2012

SEM "POBREMA" ! 300/200/100%"PREPARADO" ? Brasil perderá R$ 35 bi em investimentos até 2015 por crise mundial

O Brasil não vai poder contar com o entusiasmo das empresas para estimular a economia. Depois de crescimento de apenas 0,2% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre do ano, em grande parte por causa da queda dos investimentos, um mapeamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que as empresas vão investir R$ 35 bilhões a menos em quatro anos, uma retração que preocupa o governo.

Segundo os dados do BNDES, o País deve ter R$ 579 bilhões em investimentos em oito setores industriais entre 2012 e 2015 - valor 6% menor que os R$ 614 bilhões estimados no ano passado para o período 2011-2014. "Não dá para negar que fomos afetados pela crise mundial. Mas o Brasil ainda é um dos países onde há mais oportunidades", diz Fernando Puga, chefe do departamento de acompanhamento econômico do BNDES.

Outra pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com 1.202 empresas, aponta na mesma direção. O levantamento mostra que o volume de investimentos em máquinas e equipamentos será 11% menor este ano que em 2011, quando foram aplicados R$ 97,28 bilhões. As empresas vão deixar de investir R$ 7,6 bilhões na expansão da produção em 2012.

"Uma parte da indústria está ociosa por falta de demanda no mercado externo. Outra parte não consegue competir com os importados. Se você vende menos no mercado interno e a exportação cai, por que vai investir?", questiona José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp. Dos 14 setores pesquisados pela Fiesp, 11 vão reduzir os investimentos em 2012.

Vários fatores contribuem para o desânimo. No front externo, aumenta a expectativa sobre a saída da Grécia da zona do euro e a China desacelera mais forte que o previsto, derrubando os preços das commodities. No front interno, o crescimento baixo do PIB no trimestre também afeta o humor. "A indústria está estagnada, o que elevou a ociosidade e inibiu os investimentos", diz Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Os especialistas estão mais receosos com o impacto da crise nos investimentos hoje do que quando a crise começou, em 2008. Naquela época, não houve cancelamento de projetos, porque a economia local se recuperou rápido e ainda havia esperanças que os países ricos fossem mais ágeis para sair da crise.

No primeiro trimestre, os investimentos diminuíram 1,8% em relação ao quarto trimestre de 2011, segundo o IBGE. Em abril, o consumo de máquinas caiu 6% em relação a março. "Está um clima de pasmaceira no mercado", diz Carlos Pastoriza, diretor da Abimaq, associação dos fabricantes de máquinas.

Raquel Landim e Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo

STF monta blindagem para evitar atrasos do mensalão

O surgimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no radar do julgamento do mensalão alertou para um movimento subterrâneo detectado pelo Supremo Tribunal Federal (STF): manobras projetadas para embaraçar o processo e jogar a sentença final para depois das eleições.

Diante disso, o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, prepara em conjunto com os colegas alguns antídotos para anular estratégias que podem ser usadas pelos advogados dos réus do mensalão para retardar o julgamento do processo.

Com 38 réus a serem julgados e número ainda maior de advogados envolvidos com o caso, os ministros sabem que todos os subterfúgios legais e chicanas poderão ser usados nas sessões de julgamento.


Britto pediu à Defensoria Pública que preparasse de cinco a sete defensores para que fiquem de sobreaviso. Eles serão sacados para atuar no julgamento caso algum dos advogados peça adiamento da sessão por estar doente ou se algum dos réus convenientemente destituir seu advogado e pedir prazo para contratar um novo defensor.

Problemas como esses poderiam provocar o adiamento da sessão por semanas. Esses defensores públicos estudam o caso desde abril e estarão, de acordo com integrantes do tribunal, prontos para defender os réus de imediato, sem permitir atrasos no julgamento do processo, que deve se alongar por dois meses.

Os ministros antecipam também estratégias para garantir a execução das penas daqueles que forem condenados. Terminado o julgamento, o tribunal precisa publicar o acórdão - com a íntegra do relatório do caso, os votos de cada ministro e os debates travados na sessão, e a ementa do julgamento.

Nessa etapa do processo, o Supremo costuma perder meses.
Cada um dos ministros revê seus votos, lê os apartes que fez aos colegas durante a sessão, retira partes que considerar impróprias - caso haja, por exemplo, alguma discussão mais áspera em plenário - e só então o documento é publicado.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

E NA REPÚBLICA DE TORPES DO brasil ASSENHOREADO : Construtora Delta ainda arremata contratos públicos

A crise de confiança apontada pela holding J&F para cancelar a compra da Delta Construções não impediu que a empreiteira ganhasse novas licitações e aditivos em obras por todo o País no mês de maio.

Mesmo com um diretor preso, outro foragido, os dois principais executivos afastados, os sigilos fiscal, bancário e telefônico quebrados pela CPI e sob a ameaça de ser considerada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU), a empresa de Fernando Cavendish ampliou seu faturamento no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na Prefeitura do Rio de Janeiro nos últimos 30 dias.


A superintendência do Dnit em Mato Grosso do Sul foi mais longe. No dia 16, homologou o resultado da concorrência n.º 276/2011-19, vencida pela Delta, cujo valor é de R$ 30,9 milhões. O edital estabelece execução de obras de revitalização em trechos das rodovias BR-163, BR-267 e BR-463, mas ainda não há data prevista para o início das empreitadas.

O processo de licitação foi iniciado em janeiro e o preço inicial era de R$ 35,4 milhões.

A Delta ainda faturou novas verbas para obras do Dnit em andamento em outros cinco Estados no mês passado. Anteontem, o Diário Oficial da União publicou extrato com o quinto termo aditivo em favor da empreiteira para a conservação e recuperação da BR-242.

Com valor inicial de R$ 4,4 milhões, o serviço contratado pela Superintendência do Dnit na Bahia em 2008 já rendeu R$ 5,4 milhões à construtora - segundo o Portal da Transparência, do governo federal. Os demais aditivos publicados nos últimos 30 dias foram destinados para obras da Delta no Espírito Santo, Pará, Piauí e Tocantins.

Considerada a principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Delta foi a empresa que recebeu o maior volume de recursos do governo federal nos últimos três anos. Foram R$ 2,4 bilhões em obras e serviços nesse período.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

“O povo vai se decepcionar ”


Esse é o desfecho que o deputado do PSB prevê para a CPI mista do Cachoeira

Da mesma maneira como “vestiu à vera” as camisas dos times e da Seleção Brasileira, o deputado Romário (PSB-RJ) resolveu assumir oficialmente o figurino de político. Admite que até acostumou com o terno, algo impensável para alguém conhecido pelas chuteiras, meiões ou sandálias de dedo. Mantém, contudo, a língua afiada e critica a CPI mista do Cachoeira:
“Mais uma vez, o povo vai se decepcionar, com certeza”, disse, em entrevista exclusiva ao Correio.

Durante papo de quase 45 minutos (um tempo inteiro de futebol fora os acréscimos), reclamou que não tem espaço no PSB — “a minha relação com eles é zero” — jurou que está apaixonado por Brasília — “você pode até não acreditar porque às vezes eu também não acredito nas pessoas” —, mas mantém ressalvas quanto às baladas sertanejas: “Estou acostumando, não me dói tanto quanto no início”.

Apesar de aparecer em terceiro lugar em uma pesquisa avulsa para a prefeitura do Rio de Janeiro, afirma que ainda não pensa em política pós-2014. Disse que a grande motivação para candidatar-se foi o nascimento de sua filha, Ivy, portadora da síndrome de Down. E avisou:
“Eu penso em lutar muito nestes últimos dois anos por essas causas que eu acredito”. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Qual sua avaliação sobre a CPI mista do Cachoeira?

Era para ser um grande exemplo. Mas pelo que a gente vê, ouve e percebe, muitos dos que deveriam pagar pelas coisas que fizeram poderão se safar. Mais uma vez, o povo vai se decepcionar, com certeza.

É possível ser, na política, tão autêntico como o senhor era no futebol?

Tanto é possível que eu continuo sendo o mesmo Romário, falando aquilo que vejo e acredito. Por causa disso, não tenho nenhum espaço no partido. Talvez alguns grandes do PSB estejam achando que estou crescendo acima do que eles esperavam. A minha relação com eles é zero.

Essa postura atrapalha?

Atrapalha inclusive dentro da Câmara, porque tem alguns colegas que não estão acostumados a ouvir algumas coisas. Não tenho como mudar. O dia que eu acordar e falar: “Mudei”, vou parar de falar e com certeza as pessoas vão imaginar: “Esse cara tá corrompido”. E uma coisa que a política não vai fazer é me corromper.

Como surgiu o interesse pela política?

Comecei a prestar atenção em política depois do nascimento da minha filha Ivy (portadora da síndrome de Down). Comecei a ver a Constituição, estudar os direitos que essas pessoas têm e que não são cumpridos. Como ex-jogador, ídolo, sabia que poderia dar uma contribuição maior ao assunto.

Algum outro assunto interessa ao senhor?

Eu vim da favela, alguns amigos meus morreram por drogas. Tem o crack invadindo o país. Nunca quis ser exemplo para ninguém, mas eu sou meio que espelho para essas pessoas, esses jovens, que sabem de onde eu vim e, pelo esporte, consegui chegar aonde cheguei.

Pensa em política pós-2014?

Quando eu jogava no Vasco e ia jogar contra o Olaria, eu pensava no Olaria. Três semanas depois o jogo era contra o Flamengo. Claro que era um clássico. Mas eu só pensava no Flamengo quando acabava o jogo anterior. Política é mais ou menos por aí. Eu penso em lutar muito nestes últimos dois anos por essas causas que eu acredito. Em julho de 2014, eu vou ter que decidir.

O senhor chegou a manifestar o desejo de ser candidato a prefeito do Rio?

Foi feita uma pesquisa espontânea e meu nome apareceu em terceiro lugar. Muitos deputados estaduais e vereadores do partido falaram que poderia ser uma maneira de o PSB crescer mais no município. Até hoje, sete meses depois, estou esperando a resposta do presidente do meu partido.

Está preparado para ser prefeito?

Há seis meses, eu achava que não. Hoje, eu entendo que, para ser um bom administrador, você tem que ter um grande grupo trabalhando para você. Pessoas técnicas, capazes.

Antes da posse, indagaram-lhe se você conseguiria usar terno. Já se acostumou?

Foi inclusive bem rápido. Quando estou de férias ou de recesso, sinto até falta. Muitas vezes, no Rio, nem precisa, eu coloco terno para me sentir político. Posso dizer que estou amarradão nesse aprendizado.

Como é Brasília na visão do Romário, um típico carioca?

Conheço Brasília há quase 20 anos. Antes de 2 de fevereiro do ano passado (data da posse como deputado federal), já tinha tido a oportunidade de passar alguns fins de semana aqui.

O que você faz aqui nas horas vagas?

Gosto de jogar futebol e futevôlei. Sair para comer bem e aqui tem bons restaurantes. Gosto de ir para a noite, ouvir hip-hop, funk, apesar de aqui em Brasília tocar muito eletrônico. Sertanejo, estou começando a me acostumar.

Mas está gostando?

Não é gostar, é se acostumar.
Não me dói tanto como no começo.
Talvez não passe tanto tempo como todo mundo em uma balada sertaneja, mas hoje eu já vou. Você tem até o direito de não acreditar, porque às vezes eu também não acredito nas pessoas, mas estou apaixonado por Brasília.

O time de coração é mesmo o América?

É o América.
Sempre respeitei o Vasco porque é o time que abriu a porta para eu entrar no futebol e de uma forma ou outra fechou com o gol 1.000. Com o Flamengo, tenho uma relação de carinho muito grande com a torcida. E no Fluminense, apesar de eu não ter passado muito tempo lá, tentei fazer o máximo para ajudar. Claro que não poderia ser o Romário de 10 anos antes.

O jogo inesquecível foi a final contra a Itália?

Foi, porque fomos campeões do mundo. Mas o melhor jogo com a camisa da Seleção foi o Brasil e Uruguai nas eliminatórias de 1993.

E com as camisas de clube?

A final Vasco e Palmeiras (Copa Mercosul de 2000) que nós viramos para 4 x 3. Tem um Barcelona e Sevilha. Eu tinha prometido, no primeiro período de 1993, que faria 30 gols. Eu só estava com 11 e tinha passado quase a metade do campeonato. Os caras achavam que eu era um doente. O último jogo era Barcelona e Sevilha. Eu estava com 29 gols, jogando mal. Sobrou uma bola e eu fui e botei, 1 x 0. Abri o placar e fiz os 30 gols.

E o América?

Por ser meu time de coração, por ser o time do meu pai, eu queria jogar com a camisa do América. Quando subimos da segunda para a primeira divisão do Rio, depois de termos sido campeões, ainda faltava um jogo para acabar a competição. E eu, oficialmente, joguei um tempo.

O gol 1.000?

O jogo, em si, foi mais um jogo. Mas o ato do gol 1.000 é algo que tem que marcar. Outro jogo que marcou foi Flamengo e Botafogo, final da primeira competição que eu disputei pelo Flamengo (Taça Guanabara de 1995). Fiz três gols e foi 3 x 2. Com a camisa do Fluminense, teve o meu único gol de bicicleta.

Futebol e política são dois ambientes extremamente competitivos. Dá para ter amigos?

Amigo é um conceito muito complexo.
A maioria dos meus amigos é de fora. Tenho alguns no futebol, que vão à minha casa, vou à casa deles. Mas é diferente da relação que tenho com o Batata, com o Gaguinho, com o Dentinho, amigos que vocês não conhecem. Eu acho que é possível encontrar na política pessoas como eu: firmes, dignas e cumpridoras da palavra.

"Nunca quis ser exemplo para ninguém, mas eu sou meio que espelho para essas pessoas, esses jovens, que sabem de onde eu vim e, pelo esporte, consegui chegar aonde cheguei”


PAULO DE TARSO LYRA Correio Braziliense

junho 02, 2012

SEM "MARQUETINGUE" ! 300/200/100%"PREPARADO" : Ritmo de expansão do Brasil perde até para nações em crise

Quando se toma o ritmo de expansão das economias no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o Brasil figura apenas na 22ª posição entre os 33 países que já divulgaram os seus dados.

E se distancia de seus pares do Brics (grupo das cinco maiores economias emergentes, Rússia, Índia, China e África do Sul), aproximando-se das economias mais afetadas pela turbulência europeia, como os Estados Unidos (2,1%) e Alemanha (1,7%).

A China, que cresceu 8,1% de janeiro a março, aparece no topo do ranking, com a Índia em quarto (5,3%) e a Rússia em quinto (4,9%). Com expansão de 2,1%, a África do Sul é a 14 no ranking, oito postos à frente do Brasil.

No fim da lista, que tem a Grécia como lanterna (em 33 lugar, com retração de 6,2% no PIB trimestral), estão ainda Portugal (32 colocação e queda de 2,2%), a Itália (31 lugar e PIB negativo de 1,3%) e a Holanda (30 colocação, cujo PIB encolheu 1,1%).

O Brasil é um país com características semelhantes às dos grandes emergentes mas que cresce no ritmo dos europeus compara Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, que compilou os dados para o ranking dos PIBs do primeiro trimestre.

Isso é reflexo dos problemas estruturais (Previdência, estrutura tributária, inexistência de planejamento de longo prazo) que persistem no país, cuja solução é adiada governo após governo.


Mesmo com a economia quase estagnada no primeiro trimestre, o Brasil conseguiu se manter à frente do Reino Unido como a sexta maior economia do mundo. Mas a diferença conseguida no fim do ano passado, quando deslocou os britânicos para a sexta posição, agora é bem pequena: enquanto o PIB brasileiro acumulado nos quatro trimestres encerrados em março somava US$ 2,483 trilhões, o do Reino Unido era de US$ 2,417 trilhões.

O cálculo é do banco WestLb e leva em conta o dólar médio do primeiro trimestre. Com a alta da moeda americana ante o real nos últimos dois meses, ressalva o banco, o país muito provavelmente voltaria para a sétima posição.

Não houve alteração no ranking comparando-se com o resultado fechado de 2011, apesar da diferença em relação ao Reino Unido ter diminuído. Mas o efeito do câmbio depreciado deve ser maior neste segundo trimestre diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do WestLb.

Estados Unidos se mantêm como maior economia

No agregado dos quatro trimestres até março, os Estados Unidos se mantêm com folga no posto de maior economia do mundo, com PIB de US$ 15,4 trilhões, seguidos da China (US$ 7,56 trilhões), e do Japão (US$ 5,95 trilhões).

Apesar do agravamento da crise na Europa, a Alemanha se mantém como a quarta economia, com geração de riquezas de US$ 3,5 trilhões.

O PIB de US$ 2,76 trilhões garante a permanência da França em quinto.

O Globo

junho 01, 2012

300/200/100%"PREPARADO" V : O PIB com o pé no freio

A economia brasileira começou o ano com pé no freio. No primeiro trimestre, o PIB cresceu apenas decepcionante 0,2% sobre o trimestre anterior, informou o IBGE nesta manhã.

Repete-se o que tem sido uma sina no governo Dilma Rousseff:

mais uma vez, as esperanças estão depositadas num futuro que, infelizmente, nunca chega.

Na taxa acumulada nos últimos 12 meses, o PIB cresceu apenas 1,9%. Para se ter ideia do que isso significa, há um ano a economia brasileira rodava à velocidade de 6,3% anuais. Desde então, foi decaindo progressivamente até chegar agora a menos de um terço do que era.

Nesta toada, até os 2,7% do pibinho de 2011 começam a parecer uma miragem para este ano. Segundo a LCA Consultores, ouvida pelo blog Casa das Caldeiras, do Valor Econômico, para crescer 3% em 2012, o PIB precisaria avançar 7% ao ano, na média, de agora até o fim do ano.

Não parece nem um pouco crível.


Os resultados do IBGE vieram recheados de más notícias - vale destacar que apenas as previsões mais pessimistas esperam um valor tão baixo quanto 0,2% no trimestre.
A agricultura conseguiu sair-se pior que a indústria e foi o setor com maior queda: 7,3% sobre o trimestre anterior.


Na mesma base de comparação, os investimentos também caíram 1,8%. Por esta ótica, apenas o consumo, tanto o do governo quanto o das famílias, cresceu. A taxa de poupança caiu de 19,5% do PIB no primeiro trimestre de 2011 para 18,7% agora.

No trimestre, o Brasil saiu-se pior que os Brics, que economias mais maduras como EUA, Japão e Alemanha e também em relação a alguns países vizinhos, como Chile e México.

Só ganhamos de algumas das economias mais problemáticas do mundo hoje, como Espanha, Portugal e Itália, mostrou a
Agência Estado

As perspectivas para o segundo trimestre também não são boas, a considerar os primeiros resultados já conhecidos para abril. É o caso, por exemplo, da produção industrial, em movimento definitivamente ladeira abaixo.

Ontem, o IBGE havia mostrado que o setor encolheu 2,9% em abril na comparação com mesmo mês de 2011.


Curiosamente, no cômputo do PIB a indústria foi a de melhor desempenho, com alta de 1,7% sobre o trimestre anterior. Uma das explicações seria o peso da construção nas contas nacionais, diferentemente da sua participação na produção industrial pesquisada pelo IBGE, mais calcada nos setores de transformação.

Com todo este desalento, o único que não demostra preocupação em relação ao comportamento geral da economia é justamente quem mais deveria estar incomodado com o ritmo decepcionante:
o ministro da Fazenda.

Em mais uma de suas previsões alienadas, Guido Mantega
disse hoje pela manhã que ainda espera uma alta de até 4,5% no ano. Só pode estar faltando seriedade.

Observe-se o desempenho de segmentos que ajudam a antever comportamentos futuros da economia, como os bens de capital - isto é, maquinário usado pelos demais elos da cadeia para expandir a produção. Eles exibem queda de quase 10% no ano até abril. A produção de bens duráveis - como carros, eletrodomésticos e celulares, por exemplo - também cai na mesma proporção.

Por todos estes sinais, não restam dúvidas de que os impulsos que o governo vem dando à economia não estão surtindo efeito. Há um problema crônico, que já vem de longa data, mas que não tem obtido atenção oficial adequada:
a repetida baixa da produtividade industrial.

Entre 2000 e 2009, a queda foi de 0,9% ao ano. As condições de competitividade como um todo também mantêm-se sofríveis.


O governo já tentou de tudo para "levantar" o PIB - usando uma acepção cara a Mantega. Incentivos esparsos e fragmentados à indústria, por meio da edição de sete pacotes desde 2008. Desonerações tributárias a conta-gotas, concedidas a quem dispõe de mais poder de pressão sobre Brasília, além da imposição de barreiras comerciais que transformaram o Brasil no campeão mundial do protecionismo - como mostra hoje O Estado de S.Paulo.

Entretanto, aquilo que cabe estritamente ao governo, ele não faz:
pôr em marcha um programa ousado de investimentos públicos que melhore a competitividade do país e destrave o ímpeto empreendedor privado.

Não há rigorosamente nada sendo executado hoje a contento pelo poder público federal. Na realidade, os investimentos estão em queda:

-3,5% até abril, como informou o Tesouro Nacional anteontem.

Com os números conhecidos hoje, vão se confirmando as previsões mais sombrias para o país neste ano. Caminhamos para o segundo ano de naufrágio do governo Dilma.

É um filme que se repete, e que ninguém gostaria de assistir de novo. Seria bom a presidente rever, urgentemente, o rumo que tem dado à gestão da economia.
Parece evidente que o atual não está dando certo.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
O PIB com o pé no freio

ENROLAÇÃO ! CPI DA "SOBRIEDADE E FOCO" : CPI investiga pouco Cachoeira e fica travada por polêmicas


Falta de documentos, informações de sigilos ininteligíveis e muita disputa política sobre outros temas tornam a CPI do Cachoeira, instalada há mais de um mês, uma investigação inócua até agora, sem avanços na apurações da Polícia Federal feitas nas operações Vegas e Monte Carlo, que servem de matéria-prima para os parlamentares.

Esses problemas são acrescidos de um comando confuso dos trabalhos decorrente principalmente da inexperiência do presidente, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e do relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), em CPIs.

Rêgo, por exemplo, admite que comandar uma investigação parlamentar é um terreno ainda inexplorado na sua carreira.

"Quando eu era líder do governo, eu lutava para impedir CPIs. Quando eu fui oposição, lutei para instalar CPI, mas nunca consegui. Então, essa é uma experiência completamente nova para mim", contou o senador à Reuters lembrando dos tempos de atuação parlamentar na Paraíba.

Ele e outros membros da comissão ponderam também que essa CPI é diferente de outras que o Congresso já fez, porque começou com uma investigação detalhada da PF. Normalmente, os parlamentares investigam uma denúncia ou um fato específico que dá origem a uma série de pequenas apurações ao longo dos trabalhos.

Nesse caso, a investigação está pronta e o Congresso tenta aprofundar a amplitude das atividades do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, no meio político e empresarial.

O foco definido e a investigação de anos dos policiais federais deveria colaborar para a produtividade da CPI, mas não é isso que ocorreu até agora.

Desde os primeiros dias de instalação, os membros da comissão gastaram mais tempo enfrentando polêmicas que não estava diretamente relacionadas com Cachoeira. É o caso da disputa envolvendo os parlamentares e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Foram pelo menos duas semanas de debates sobre a conveniência de levar Gurgel à CPI para explicar sua atuação na operação Vegas, que foi concluída em 2009 e usada somente neste ano pelo procurador para apresentar denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) pelo seu estreito relacionamento com Cachoeira.

Os membros da CPI querem saber por que ele demorou tanto para usar o inquérito para apresentar a denúncia.

Gurgel reagiu e disse que os parlamentares que o questionavam queriam apenas desestabilizá-lo pela proximidade do julgamento do mensalão, escândalo deflagrado em 2005, durante o governo Lula, e esquema em que parlamentares receberiam recursos em troca de apoio político ao governo.

A CPI debateu o tema à exaustão e pediu explicações por escrito a Gurgel que atendeu ao pedido.

E somente nesta semana os membros da CPI pediram a quebra de sigilo de Demóstenes, que deveria ser um dos focos da investigação.

"Isso tem acontecido porque o relator é muito fraco. Sofre muita pressão. De dia diz uma coisa e à noite diz outra", avaliou um parlamentar do PT que integra da CPI ao se referir ao petista Odair Cunha (MG), que relata os trabalhos da comissão.

A reclamação demonstra ainda que a base governista está desarticulada na CPI e sofre com disputas internas nas bancadas do PT e do PMDB e entre elas também

Exemplo disso, foi a convocação, na quarta-feira, do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT, para depor da CPI. Mesmo com ampla maioria no plenário, os partidos aliados não impediram o constrangimento a um governante do partido da presidente Dilma Rousseff.

O PMDB tentou articular na terça-feira com o PT para que a quebra do sigilo bancário da construtora Delta fosse seletiva e atingisse apenas as contas que abasteceram empresas ligadas a Cachoeira. Mas os petistas não cumpriram o acordo e aprovaram a quebra irrestrita.

A desarticulação é comemorada pela oposição, que vê a situação como uma oportunidade de evitar que as investigações se restrinjam ao governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.

"É verdade, nunca houve uma base governista tão desarticulada", analisou o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), que admite que a situação de Perillo "não é fácil".

Fora a desarticulação e a falta de documentos, o presidente da CPI disse que fica "angustiado" de ter de lidar com o ego dos deputados e senadores, sempre dispostos a fazer discursos para os eleitores nas sessões da comissão.

Rêgo costuma dizer que "se não fosse aquela luzinha vermelha" das câmeras da TV Senado e das demais emissoras sua vida seria muito mais fácil.

Outra dificuldade que tem sido enfrentada pela comissão é o silêncio dos depoentes. Todos os nove suspeitos de participar no suposto esquema convocados para prestar esclarecimentos se recusaram a responder às perguntas dos parlamentares, entre eles Cachoeira e Demóstenes.

Mas Rêgo espera que nas próximas semanas a investigação parlamentar avance, já que muitos documentos estão chegando à comissão de forma acessível e que os parlamentares finalmente se debrucem sobre eles para apurar a atuação de Cachoeira

JEFERSON RIBEIRO/Estado

SAMBA DE UMA NOTA SÓ ! AGORA VAI ? 300/200/100%"PREPARADO" IV : DE NOVO A EXPECTATIVA E A REALIDADE.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu na manhã desta sexta-feira que o desempenho do Produto Inter Bruto (PIB) no segundo trimestre será melhor que o registrado nos primeiros três meses do ano 0,2% de alta na comparação com o desempenho do último trimestre do ano passado.

No primeiro trimestre repetimos o crescimento do último trimestre do ano passado. Então, não houve aceleração nem desaceleração. O segundo trimestre terá crescimento maior que o primeiro disse o ministro.

O crescimento ocorrerá sobretudo por conta das medidas de incentivo à economia que o governo tem tomado ao longo dos últimos meses, afirmou Mantega. A redução dos juros e o controle do câmbio, segundo o ministro, serão os grandes responsáveis pelo aquecimento econômico.

Para ele, o segundo semestre será ainda mais favorável, porque os juros menores, câmbio controlado e as desonerações de produtos para incentivo ao consumo surtirão ainda mais efeito.

Vamos chegar ao segundo semestre com essas medidas fazendo mais efeito e com o crédito mais abundante às empresas e ao consumo. No segundo semestre, devemos atingir o crescimento que queremos de 4% a 4,5% estimou.

Tombini vê recuperação gradual

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que o resultado do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre deste ano, de 0,2% frente os três últimos meses de 2011, confirma que a recuperação da atividade econômica tem sido bastante gradual.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, Tombini destaca que ficou a cargo da demanda doméstica a sustentação do crescimento. A demanda doméstica continuou sendo o principal suporte da economia, com o consumo das famílias sendo estimulado pela expansão moderada do crédito, pela geração de empregos e de renda, afirmou o presidente.

Tombini afirmou ainda que o ritmo de crescimento da economia deve aumentar ao longo do ano. Os sólidos fundamentos e um mercado interno robusto constituem um diferencial da economia brasileira.

Dessa forma, mesmo diante do complexo ambiente internacional, as perspectivas apontam intensificação do ritmo de atividade ao longo deste ano

Delta aciona Supremo para impedir quebra de sigilo na CPI

Os advogados da Construtora Delta deram entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) com um mandado de segurança para tentar impedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empreiteira.

A quebra dos sigilos foi aprovada esta semana pela CPI do Cachoeira, que apura denúncias de corrupção envolvendo o empresário goiano Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Segundo a defesa da Delta, a CPI não fundamentou a decisão de violar os sigilos da empresa. A citação de reportagens jornalísticas sobre o suposto crescimento financeiro da empresa Delta, por si só, não é fundamento para se devassar as ligações telefônicas efetivadas pelos trinta mil funcionários, argumentam os advogados.

No mandado de segurança, os advogados alegam que o único elo entre Cachoeira e a construtora encontrado pela CPI é a filial do Centro-Oeste, o que não justifica a quebra de sigilo dos dados nacionais da empresa. Eles também criticam a abrangência do período da devassa dos dados, de 2002 até hoje, pois acreditam que a única suspeita apontada pela CPI, a cooptação de dinheiro ilícito para campanha eleitoral, ocorreu em 2010.

Os advogados pedem decisão liminar devido ao risco de dano de difícil reparação. A relatora do caso é a ministra Rosa Weber.

O Globo

HOLDING J&F DESISTE DE COMPRAR CONSTRUTORA DELTA DELTA


A holding dos irmãos Batista, a J&F Participações, acaba de anunciar a desistência da compra da construtora Delta – empreiteira líder em obras do PAC, fundada pelo empresário Fernando Cavendish e que está envolvida nas denúncias que mostram as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos de todo o país.

A companhia também comunicou que está de saída da gestão da construtora.

Em 8 de maio, o grupo havia anunciado a entrada na administração da Delta e apenas a intenção de adquiri-la. Uma decisão de compra definitiva só ocorreria após a conclusão de um processo de auditoria, conduzido na companhia pela KPMG, cujo objetivo era fazer um levantamento completo da situação financeira e dos contratos da Delta.

No mercado, há rumores de que a desistência guarda relação com a quebra do sigilo fiscal da empreiteira, determinada pela CPI do Cachoeira. A assessoria de comunicação da Delta, contudo, nega a informação.

O comunicado da J&F explica que a desistência deve-se à própria deterioração dos negócios da Delta, sobretudo nos últimos dias. "O prolongamento da crise de confiança sobre a Delta tem deteriorado o cenário econômico-financeiro da construtora, gerando um fluxo financeiro negativo e alterando substancialmente as condições inicialmente verificadas", diz o documento.