"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

dezembro 03, 2011

O BUFÃO, O "NOVO-RICO" E O FMI.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, aproveitou a visita da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, para mais um comentário digno de um novo-rico emergente:
"É uma satisfação que desta vez o FMI não tenha vindo para dar dinheiro ao Brasil, mas para pedir dinheiro".

Ele fez o comentário no fim de uma entrevista coletiva, em Brasília, ao lado da visitante. Ela já estava sem o fone usado para ouvir a tradução simultânea e talvez não tenha notado as palavras de seu anfitrião. Se notou, preferiu silenciar.

A possível participação brasileira no reforço de caixa do FMI foi discutida nas conversas da diretora-gerente com o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e a presidente Dilma Rousseff. Não houve notícia oficial sobre o assunto, mas o governo, segundo fontes qualificadas, estuda uma contribuição na faixa de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões.


O Brasil se comprometeu recentemente com o esquema de captação de recursos conhecido como New Arrangements to Borrow (NAB), criado depois da crise mexicana de 1995. Por esse esquema, o FMI fica autorizado, em situações de emergência, a sacar determinados valores dos países contribuintes - um acerto parecido com o dos cheques especiais.

Formado inicialmente por poucos países, na maior parte desenvolvidos, o grupo foi ampliado a partir de negociações iniciadas em 2009 e hoje inclui 40 participantes.
Só uma vez o esquema foi acionado para socorrer um país - o Brasil, em 1998.

Participar de arranjos desse tipo é geralmente um sinal de maturidade financeira.
Países capazes de assumir responsabilidades e papéis importantes na vida internacional normalmente o fazem sem bravatas e sem exibicionismo.

Bem antes do Brasil, o Chile integrou o NAB, por meio de seu banco central, e seu governo jamais alardeou isso.


As autoridades da China e da Rússia, habituadas há muito mais tempo a posições importantes - e com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas -, são em geral discretas e não costumam chamar a atenção para a sua importância.

Além disso, russos e chineses normalmente agem e negociam invocando em primeiro lugar seus interesses nacionais. Muito raramente falam em nome dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e é ainda menos frequente aparecerem como porta-bandeiras dos emergentes ou das economias em desenvolvimento.

Autoridades chinesas, indianas e russas não costumam aparecer no noticiário condicionando esta ou aquela ação a consultas prévias a seus parceiros de acrônimo - porque os Bric são, antes de tudo, um acrônimo e muito raramente agem como bloco.

O ministro Guido Mantega, no entanto, costuma agir como se os quatro países - ou cinco, se a agregação da África do Sul for levada a sério - tivessem muitos interesses comuns e formassem uma frente unida nos grandes foros internacionais. Por isso, segundo o ministro, a contribuição brasileira só será definida depois de uma confabulação do grupo.

Com isso, o governo brasileiro mostra-se incapaz de resolver por si se o País é suficientemente importante para assumir um papel de mais peso no combate a uma das maiores crises de todos os tempos. Mostra-se incapaz, igualmente, de expor suas condições para participar.

Mas os membros do Bric têm obviamente poucos objetivos comuns, como comprova - entre muitos outros fatos - a insistência chinesa em manter sua moeda subvalorizada.

Além disso, o governo chinês aliou-se ao americano para impedir a inclusão de um debate sobre o câmbio na próxima reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio. O Brasil havia proposto o tema.

Lagarde conhece as enormes diferenças entre os interesses dos Bric, mas não comenta a posição brasileira. Prefere elogiar a política do governo e apontar o País como um dos mais preparados para enfrentar a crise, por suas condições fiscais, pela solidez de seu sistema financeiro e pelo volume de reservas.
Também não faz bravatas.


O objetivo do FMI, disse ela em São Paulo, é obter resultados e não visibilidade. Por isso, explicou, boa parte de seu trabalho é feita nos bastidores. Isso inclui as negociações com os europeus.

O Estado de S.Paulo

LABIRINTO! ATIVIDADE ECONÔMICA NO "GOVERNO" : Ziguezague

O pacote de incentivos anunciado em (01/12) pelo governo coroa um ano em que a tônica da política econômica petista foi de ziguezague.

O país começou 2011 acelerado, viu a inflação decolar, puxou o freio de mão em seguida e reage agora a um resfriamento que começa a se generalizar no setor produtivo. Fomos do ápice ao vale sem saber ao certo aonde se quer chegar.

Tudo em excesso e descalibrado.


As medidas divulgadas ontem representam renúncia fiscal de R$ 7,6 bilhões. Em termos monetários, equivalem um terço da desoneração feita em 2009, no auge (pelo menos até agora) da crise econômica mundial.

O objetivo é incentivar o brasileiro a consumir, receita idêntica à adotada por Lula naquela ocasião. Dará certo agora, num cenário diferente?


O governo teme que, assim como ocorreu em 2009, a economia mergulhe no ano que vem. Neste ano, o crescimento já será, na melhor das hipóteses, igual a apenas metade do que foi em 2010.

No terceiro trimestre, o PIB cresceu no máximo zero ou pode mesmo ter caído - os números oficiais do IBGE sairão na semana que vem.


O pacote inclui redução de imposto para bens de consumo duráveis,
como geladeiras e fogões;
diminuição de IOF sobre operações financeiras;
desoneração de massas e trigo;
e aumento do limite de financiamento para moradias,
no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida.


Junta, pois, alhos com bugalhos.
Para impulsionar a produção brasileira como um todo, nada.


O ministro da Fazenda sintetizou numa frase que pretendia ser de efeito os resultados que busca com suas medidas:
"Você compra uma casa mais barata, um fogão novo e cozinha a massa desonerada de PIS/Cofins.O consumidor brasileiro pode ficar tranquilo, seu emprego está assegurado".

Vê-se como é de longo prazo a visão de Guido Mantega...


Ontem, houve duas reações imediatas às novas medidas:
redução de preços por parte de varejistas e aumento dos juros projetados pelo mercado financeiro.

A leitura que se faz é de que, ao estimular o consumo, o governo tira o espaço da política monetária e, assim, perde a oportunidade de cortar a taxa de juros com mais força, como mostra o Valor Econômico.


Os efeitos mais prováveis das medidas, segundo boa parte dos analistas ouvidos pela imprensa, será a mera antecipação de consumo futuro.

O consumidor corre para aproveitar o imposto menor e leva um fogãozinho novo para casa.

Benefícios duradouros para a economia como um todo?
Nem pensar.


Os estímulos são dirigidos muito mais ao consumo do que ao investimento produtivo.

Nenhuma providência séria para estimular o investimento, a inovação e o ganho de competitividade foi tomada, opina O Estado de S.Paulo em editorial, que classifica o pacote como "medíocre".

Como é praxe na gestão do PT, as medidas atuam sobre setores produtivos muito específicos - aliás, os beneficiados de sempre.

"O que mais chama a atenção nesse tipo de estratégia é o caráter discricionário das medidas. O governo escolhe os vencedores. Determina quem se beneficia", comenta José Júlio Senna no
Estadão.

Quem se sai melhor, como sempre, são os setores mais bem organizados e que se mobilizam com maior desenvoltura.


Terminando o primeiro ano da gestão Dilma Rousseff, não se viu até agora um plano estruturado e abrangente capaz de fazer a economia brasileira avançar com persistência.

Continuamos indo aos sobressaltos:
ora é preciso acelerar, ora frear. É como se estivéssemos num carro desgovernado. "O capital político do início do mandato foi queimado sem que se soubesse qual é o projeto do governo", sintetiza Míriam Leitão n'O Globo.


A percepção atual é de que as medidas tomadas no primeiro semestre para segurar a inflação foram fortes em excesso. A economia congelou.

Agora fica a dúvida se os estímulos monetários, de crédito e fiscais que estão sendo ora retomados não colaborarão para manter atiçada a fogueira dos preços - que ninguém é capaz, nesta altura, de garantir que esteja sob controle.


Com as medidas anunciadas ontem de afogadilho, o governo pode até ter conseguido um respiro para os próximos dias ou semanas.

Mas continua sem garantir instrumentos robustos e capazes de sustentar a atividade econômica por tempo mais prolongado.


O curto prazo continua sendo o máximo de horizonte que a gestão petista nos oferece.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

dezembro 02, 2011

RESUMO : A Crise sistémica global

Atenção redobrada ao ritmo da economia
O Globo

A economia brasileira perdeu fôlego neste segundo semestre, em parte por fatores próprios, mas também em decorrência do agravamento da crise em países da Europa, que fez a demanda global por vários bens e serviços encolher mais do que o esperado..


Em 2010 a economia brasileira cresceu a um ritmo insustentável, além dos 7%, e os resultados disso foram a aceleração da inflação e o aumento dos custos de produção de diversos setores.


Tornou-se necessário jogar água na fervura no começo de 2011 para que a inflação voltasse a uma trajetória mais próxima das metas perseguidas pelo Banco Central. Assim, as taxas básicas de juros tiveram de ser elevadas e entraram em vigor medidas de restrição ao crédito.

O governo também se convenceu de que era preciso segurar os gastos, que em 2010 haviam contribuído para pôr mais lenha na fogueira.
A pressão de demanda de fato diminuiu no mercado doméstico, embora não a ponto de derrubar a inflação para os patamares desejados.

Nesse sentido, surgiram muitas dúvidas sobre se o Banco Central estava agindo certo ao decidir cortar as taxas básicas de juros. Naquele momento, não estava claro se a inflação poderia ficar dentro da meta em 2011 (no máximo em 6,5%, teto da meta) e se recuará para o ponto central (4,5%) em 2012.


As dúvidas não foram completamente dirimidas, mas entende-se que as autoridades monetárias tenham ficado preocupadas com os sinais de agravamento da crise no exterior e não queiram correr o risco de ver a economia brasileira empurrada para a estagnação. O próprio governo já não espera 4% de expansão este ano.

Emergentes já patinam
A
ntônio Machado/Correio Braziliense


O socorro dos bancos centrais é pontual, mas bastou para atiçar o mundo do dinheiro pelo mundo, recuperando o valor do euro e até do real em relação ao dólar.

Mas não resolve a crise europeia, sem o que a economia global continuará patinando e, agora, já pegando os grandes emergentes, como a China, cuja atividade industrial recuou em novembro pela primeira vez em 33 meses, e a Índia, com expansão econômica no terceiro trimestre sobre o trimestre anterior de 6,9% — a menor taxa trimestral nos últimos dois anos.


Contração da indústria na China cria risco global
Jamil Anderlini | Financial Times, de Pequim Valor Econômico
A atividade industrial da China sofreu contração em novembro, a primeira em quase três anos.

A queda reforçou temores em torno da saúde da economia mundial.
As notícias do desaquecimento chegam um dia depois de o Federal Reserve, (Fed, banco central dos EUA) ter liderado uma iniciativa coordenada para tentar acalmar as preocupações em torno da liquidez mundial e de o BC chinês ter afrouxado sua política monetária.

Dados do governo chinês divulgados ontem mostraram que o índice oficial dos gerentes de compras caiu para 49 pontos em novembro, em relação aos 50,4 pontos de outubro.
Qualquer resultado inferior a 50 pontos indica uma contração da atividade.
A queda de novembro foi a primeira desde fevereiro de 2009.

O indicador vai intensificar os temores de a China possa estar se encaminhando para uma desaceleração mais forte num momento em que o resto do mundo a encara como um oásis em meio a um panorama mundial árido.


Numa iniciativa de surpresa calculada para neutralizar o impacto negativo do número do índice dos gerentes de compras, o BC chinês anunciou uma redução do depósito compulsório - diminuindo o valor dos recursos que os bancos têm de recolher ao BC - pela primeira vez em três anos.

"Os mercados receberam um combinação potente de dois golpes, na forma do índice chocante dos gerentes de compras e da redução agressiva da alíquota do depósito compulsório", disse Alistair Thornton, analista de China do IHS Global Insight.

"O recado é claro: a economia está desacelerando muito mais rápido que o previsto, e o governo entrou na briga".


Ao reduzir o volume dos depósitos que os bancos precisam recolher ao BC em 0,5 ponto percentual, o BC na prática injetou cerca de 400 bilhões de yuans (US$ 63 bilhões) no sistema bancário.

O crescimento do comércio da China com a União Europeia e os EUA desacelerou nos últimos meses. As exportações para a Europa, que está às voltas com a crise, foram as mais prejudicadas.

As vendas de imóveis também diminuíram significativamente, num momento em que os preços começam a cair.

A construção civil responde por cerca de 25% dos investimentos na China e 13% do Produto Interno Bruto (PIB).

dezembro 01, 2011

BALANÇA COMERCIAL : SALDO POSITIVO DE 583 milhões de dólares. UM TOMBO DE 75% EM NOVEMBRO, frente aos 2,355 bilhões de dólares em outubro.


O superávit da balança comercial brasileira teve forte queda em novembro na comparação com outubro, em meio à desaceleração da economia e à crise internacional, registrando o menor saldo desde janeiro, informou nesta quinta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em novembro, o saldo ficou positivo em 583 milhões de dólares, um tombo de 75,24 por cento frente aos 2,355 bilhões de dólares em outubro.

O resultado do mês passado veio de 21,774 bilhões de dólares em exportações e de 21,191 bilhões de dólares nas importações.

Das cinco semanas do mês, o saldo da balança foi negativo em três. Entre segunda e quarta-feira desta semana, por exemplo, houve déficit de 298 milhões de dólares.

Mas na segunda semana do mês passado as operações comerciais brasileiras tiveram um superávit de 1,575 bilhão de dólares, o que ajudou a manter o saldo do mês no campo positivo.

No acumulado do ano até novembro, as vendas externas superaram as compras em 25,971 bilhões de dólares. As exportações somaram 233,913 bilhões de dólares, enquanto as importações totalizaram 207,942 bilhões de dólares.

A economia brasileira vem dando sinais de esfriamento, devido principalmente ao agravamento da crise de dívida na zona do euro, que também já tem afetado a China, maior parceiro individual comercial do Brasil.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a comentar em outubro que a preocupação maior com a crise decorreria de uma desaceleração mais forte da China, o que poderia impactar o comércio externo brasileiro, conforme sugeriram os números de novembro. "Essa é a preocupação, porque aí sim nos afeta", disse Mantega na ocasião.

(Reportagem de José de Castro) Estado

Inflação medida pelo IPC-S acelerou em novembro

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) acelerou em novembro.

É o que informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ao anunciar avanço de 0,53% para o indicador de até 30 de novembro, acima do IPC-S de até 31 de outubro (0,26%).

A taxa foi também superior à da apuração imediatamente anterior do índice, encerrada em 22 de novembro (0,43%).

O desempenho anunciado hoje ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado, que projetavam elevação entre 0,42% e 0,58%. Mas foi superior à mediana das expectativas (0,47%).

Com o resultado, o IPC-S acumula altas de 5,52% no ano e de 6,29% nos últimos 12 meses.

Nesta apuração, todas as sete classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimos em suas taxas de variação de preços entre a terceira e a quarta quadrissemana de novembro.

Acelerações de preços em Alimentação (de 0,62% para 0,78%) e em Habitação (de 0,46% para 0,52%) conduziram à taxa maior do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), que subiu de 0,43% para 0,53% entre a terceira e a quarta quadrissemana de novembro.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), nestas duas classes de despesa, houve taxas de inflação mais intensas em produtos de peso no cálculo da inflação varejista.

É o caso de carnes bovinas (de 2,25% para 3,20%) e de tarifa de eletricidade residencial (de 1,03% para 1,35%), respectivamente.

Os cinco grupos restantes entre os sete pesquisados para cálculo do indicador também apresentaram aceleração de preços, ou fim de deflação, no mesmo período.

É o caso de Despesas Diversas (de 0,18% para 0,41%),
Vestuário (de 0,71% para 0,87%),
Transportes (de -0,03% para 0,08%),
Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,37% para 0,43%)
e Educação, Leitura e Recreação (de 0,38% para 0,39%)

Entre os produtos analisados, as mais expressivas elevações de preços na quarta quadrissemana de novembro foram encontradas em tomate (16,21%);
tarifa de eletricidade residencial (1,35%);
e mamão da Amazônia - papaya (19,10%).

Já as mais expressivas quedas de preço foram registradas em leite tipo longa vida (-3,79%);
alho (-11,49%);
e pimentão (-13,26%).

Alessandra Saraiva, da Agência Estado

Inconveniente, insatisfatório e fantasma


Se ainda faltava uma bala capaz de abater Carlos Lupi do cargo, ele a recebeu no peito ontem. O pedetista tornou-se o primeiro ministro de Estado do país a ter sua demissão recomendada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. É mais um ineditismo do governo Dilma Rousseff na seara de escândalos e corrupção.

Antes de Lupi, Orlando Silva, então à frente do Ministério do Esporte, tornara-se o primeiro ministro a ser alvo de investigação por parte da Procuradoria Geral da República. A maré de irregularidades e falcatruas que ameaça derrubar o sexto ministro envolvido em corrupção em menos de seis meses é algo nunca antes visto na história.

A Comissão de Ética Pública considerou que Lupi deu respostas "inconvenientes e insatisfatórias" às denúncias de que é alvo. Segundo o órgão, ele não esclareceu os desvios de recursos públicos para ONG de aliados, a suspeita de que seus assessores cobravam até 15% de propina para liberar verbas do Orçamento, nem a carona em um avião King Air providenciado por empresário beneficiado pelo ministério.

Não colaboraram em nada as reações espalhafatosas do ministro do Trabalho ao ver-se sob as acusações, que começaram a vir à tona há um mês. Lupi chegou a dizer que só sairia do cargo "abatido à bala". Depois, cobrado pelo Planalto pela impertinência, desculpou-se teatralmente e mandou um "eu te amo" ao vivo e a cores para a presidente da República. Lupi é mesmo um canastrão.

Ajudou menos ainda a revelação, feita no fim de semana, de que Carlos Lupi foi funcionário fantasma da Câmara dos Deputados por seis anos. Tampouco colaborará a descoberta, divulgada hoje pela Folha de S.Paulo, de que não apenas recebia sem dar expediente em Brasília, como também acumulava outro cargo público na Câmara de Vereadores do Rio.

Entre dezembro de 2000 e novembro de 2005, ao mesmo tempo em que era assessor-fantasma da liderança do PDT na Câmara dos Deputados em Brasília, Lupi também ocupava o cargo de assessor de um vereador do seu partido na Câmara Municipal do Rio, a quase 1.200 km da capital. Ambas as funções exigiam que ele estivesse, durante 40 horas semanais, nos locais de trabalho", informa o jornal.

Dizia-se ontem que Dilma irá decidir o que fazer com o ministro "sem pressa e sem pressão". Razões para já ter demitido Lupi, a presidente tem de sobras, há semanas. Não o faz porque, segundo a versão palaciana corrente, resiste a fazer papel de refém de denúncias da imprensa. Culpa, como sempre, o mensageiro pelo teor desagradável da mensagem. Moralidade no exercício do poder é o que menos parece importar.

O Código de Conduta da Alta Administração Federal, que se aplica a ministros, afirma que "no exercício de suas funções, as autoridades públicas deverão pautar-se pelos padrões da ética, sobretudo no que diz respeito à integridade, à moralidade, à clareza de posições e ao decoro, com vistas a motivar o respeito e a confiança do público em geral".

É tudo o que Carlos Lupi não fez no cargo que ocupa desde março de 2007, quando foi nomeado por Luiz Inácio Lula da Silva. Sua história pregressa, agora esmiuçada, mostra que ele tampouco prezou suas atitudes pela boa conduta. Por onde quer que se olhe, não há como enxergar qualidades que justifiquem permitir que alguém com tamanha ficha corrida ocupe a função de ministro de Estado.

Criada por meio de decreto presidencial em maio de 1999, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República só recomendou a exoneração de integrante da administração pública duas vezes, desde o início de seu funcionamento - a primeira, em 2008, para Carlos Lupi, e agora, em 2011, para Carlos Lupi", ironiza o Valor Econômico.

Casos como o do ministro do Trabalho, assim como o do ministro das Cidades, que terá que explicar ao Congresso porque ordenou uma fraude que encareceu em R$ 700 milhões uma obra para a Copa de 2014, ajudam a manter o Brasil entre os países mais corruptos do mundo, como mostrou a Transparência Internacional ontem.

Entre 2010 e 2011, a nota atribuída ao país não variou significativamente: passou de 3,7 para 3,8, numa escala que vai de 0 (muito corrupto) a 10 (nada corrupto). O desempenho é suficiente para nos manter em 73º lugar numa lista de 183 países.

Entre os fatores que pioram nossa situação estão nepotismo, compra de votos e venda de favores nas esferas governamentais. Com a avalanche de mutretas reveladas neste ano, é possível que figuremos ainda mais mal no ranking de 2012. Um governo que não se importa em abrigar um ministro como Carlos Lupi merece tal castigo.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

novembro 30, 2011

BRASIL MARAVILHA/SEM MISÉRIA/PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA/"OITAVA/SÉTIMA/SEXTA/QUINTA ECONOMIA" BLÁBLÁBLÁ... ENTÃO QUE PAÍS É ESSE? : Pobreza atinge mais de um terço dos adolescentes do país.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apresentou nesta quarta-feira um relatório no qual mostra que aumentou o número de adolescentes em situação de pobreza no Brasil.

Enquanto a situação atingia 11,9% da população nacional geral em 2009, entre os jovens de 12 a 17 anos, 17,6% estão inseridos em famílias cuja renda por pessoa não ultrapassa um quarto de um salário mínimo por mês.

Em 2004, eles eram 16,3%.

Os dados fazem parte do relatório "A situação da Adolescência brasileira 2011", que analisou esta parcela da população entre 2004 e 2009.

O Unicef revela também que a pobreza atinge mais os adolescentes (38%) do que a população nacional geral (29%).

Além do problema da pobreza, os adolescente brasileiros estão mais expostos à violência do que o restante da população. A taxa de homicídios nesta faixa etária é de 43,2 para cada 100 mil, enquanto que no resto da população a taxa é de 20 para cada 100 mil habitantes.

Os jovens também têm menos acesso à educação que as crianças.
Na infância, apenas 3% dos brasileiros estão fora da escola.
Na adolescência, 20% não estudam.

A representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, reconheceu os esforços que o governo vem fazendo para diminuir as desigualdades, como a inclusão dos jovens no programa Bolsa Família, mas diz que o país precisa focar as políticas públicas para defender quatro grupos de adolescentes mais vulneráveis:
os que se encontram em situação de exploração sexual,
mães,
meninos chefes de família e meninos e meninas de rua.

Segundo ela, no Brasil a proporção de jovens explorados sexualmente é maior do que no resto do mundo.

- O que sabemos é que a pobreza atinge mais os adolescentes. Essa situação nos preocupa. Temos que ver como construir respostas. O primeiro desafio é quebrar o ciclo infernal de pobreza - disse, apontando que jovens pobres têm menos chance de sair desta situação na idade adulta.

O Globo

PETROBRAS : Após fracassar em 2010 e adiar o objetivo para este ano, não deverá atingir pelo segundo ano consecutivo a meta interna de produzir 2,1 milhões de barris de petróleo por dia em território nacional.


A empresa deixará de produzir neste ano o equivalente a pelo menos 2,5% da oferta nacional de petróleo. Apesar de ter investido mais de R$ 50 bilhões entre janeiro e setembro, a Petrobrás tem quase o mesmo volume de produção de 2010.

Até o piso da meta da Petrobrás, de 2,050 milhões de barris diários, não deverá ser alcançado, projeção que ganhou força após a divulgação dos dados de outubro.


A maior dificuldade é a demora na entrega de equipamentos de exploração e produção, principalmente sondas. Segundo o diretor financeiro, Almir Barbassa, a estatal deverá receber 15 unidades de perfuração de águas profundas em 2012, o que ampliaria o número de sondas para 38.

"Isso permitirá não só um ramp up (aumento de produção) mais rápido das plataformas como um crescimento mais acelerado da produção do pré-sal", afirmou, em apresentação recente a analistas e investidores.


Com a chegada de novas sondas, a Petrobrás planeja acelerar o ritmo das atividades e eliminar o gargalo nos investimentos. Em 2011, segundo Barbassa, a estatal não conseguirá atingir a meta de investir R$ 84,7 bilhões.

"Esperamos que fique mais ou menos no mesmo nível do ano passado", ressaltou, comparando com os R$ 76,4 bilhões de 2010.


Outra barreira para que a produção não volte a ter crescimento discreto em 2012 são as paradas não programadas na produção. Elas ocorrem, muitas vezes, por inspeções inesperadas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para contornar a situação, a Petrobrás obteve um acordo que deverá garantir maior previsibilidade às operações.


A possibilidade cada vez maior de que a Petrobrás não consiga atingir nem mesmo o piso da meta é vista com conformismo por analistas.

"Não é novidade que a companhia divulgue uma meta e não a alcance", diz o analista da SLW Corretora, Erick Scott.
"A situação passou a ser recorrente", diz o analista do Banco Geração Futuro, Lucas Brendler.


O desempenho abaixo do esperado nos últimos anos também sustenta a projeção pessimista do diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, para quem a meta da Petrobrás, de produzir quase 5 milhões de barris por dia em 2020, não será alcançada.

"Do jeito que está, acredito que a companhia produzirá entre 30% e 40% a menos do que essa meta."


O potencial de crescimento de produção deverá ser mais bem dimensionado no ano que vem, quando cinco novos sistemas entrarão em operação.

Juntos, devem adicionar 414 mil barris diários de petróleo à capacidade de produção da estatal, o que equivale a cerca de um quinto da atual produção brasileira de petróleo.
André Magnabosco O Globo

novembro 29, 2011

A inadimplência das empresas continua em alta : Crescimento foi de 28% em outubro.

O Indicador Serasa Experian mostra crescimento de 28% em outubro, na comparação com mesmo período de 2010. No acumulado do ano, até outubro, a evolução é de 17,2%. Já na comparação com setembro, a alta é de 0,4%.

Dívidas

O valor médio das dívidas com cartões de crédito, lojas em geral e outras despesas não bancárias de janeiro a outubro foi de R$ 741,78, o que representa alta de 1,2% na comparação com igual período do ano anterior.

Já as dívidas com bancos tiveram no período valor médio de R$ 5.183,11 - aumento de 9,9%.

Os títulos protestados apresentaram valor médio de R$ 1.771,19 até outubro - elevação de 7,3% ante o mesmo período de 2010 - e os cheques sem fundos apresentaram valor médio de R$ 2.083,27 - aumento de 1,6%.

Agência Estado

NEXO DE TORPES! POBRE BRASIL : A Face (OBSCURA) do poder.

(Nosferatu da Rep/Dama testa de ferro mamulenga/O filho...do brasil parlapatão)

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa é a mais perfeita tradução do oligarca brasileiro. Começou jovem na política, conduzido pelo pai.

Aos 35 anos resolveu mudar de nome.


Tinha acabado de ser eleito governador do seu estado.

Foi rebatizado por desejo próprio.

Alterou tudo: até o sobrenome.


Virou, da noite para o dia, José Sarnei Costa.
O Costa logo foi esquecido e o Sarnei, já nos anos 80, ganhou um "y" no lugar do "i". Dava um ar de certa nobreza.

Na história republicana, não há personagem que se aproxime do seu perfil.
Muitos tiveram poder. Pinheiro Machado, na I República, durante uma década, foi considerado o fazedor de presidentes.
Contudo, tinha restrita influência na política do seu estado, o Rio Grande do Sul.

E não teve na administração federal ministros da sua cota pessoal.
Durante o populismo, as grandes lideranças lutavam para deter o Poder Executivo.

Os mais conhecidos (Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, entre outros), mesmo quando eleitos para o Congresso Nacional, pouco se interessavam pela rotina legislativa.

Assim como não exigiram ministérios, nem a nomeação de parentes e apaniguados.
Mas com José Ribamar Costa, hoje conhecido como José Sarney, tudo foi - e é - muito diferente.
Usou o poder central para apresar o "seu" Maranhão.

E o fez desde os anos 1960.
Apoiou o golpe de 1964, mesmo tendo apoiado até a última hora o presidente deposto.
Em 1965, foi eleito governador e, em 1970, escolhido senador.

Durante o regime militar priorizou seus interesses paroquiais.
Nunca se manifestou contra as graves violações aos direitos humanos, assim como sobre a implacável censura.


Foi um senador "do sim".
Obediente, servil.
Presidiu o PDS e lutou contra as diretas já.

No dia seguinte à derrota da Emenda Dante de Oliveira - basta consultar os jornais da época - enviou um telegrama de felicitações ao deputado Paulo Maluf - que articulava sua candidatura à sucessão do general Figueiredo - saudando o fracasso do restabelecimento das eleições diretas para presidente.

Meses depois, foi imposto pela Frente Liberal como o candidato a vice-presidente na chapa da Aliança Democrática.

Tancredo Neves recebeu com desagrado a indicação. Lembrava que, em 1983, em fevereiro, quando se despediu do Senado para assumir o governo de Minas Gerais, no pronunciamento que fez naquela Casa, o único senador que o criticou foi justamente Ribamar Costa.


Mas teve de engolir a imposição, pois sem os votos dos dissidentes não teria condições de vencer no Colégio Eleitoral.
Em abril de 1985, o destino pregou mais uma das suas peças: Tancredo morreu.

A Presidência caiu no colo de Ribamar Costa.

Foram cinco longos anos.


Conduziu pessimamente a transição.
Teve medo de enfrentar as mazelas do regime militar - também pudera:
era parte daquele passado. Rompeu o acordo de permanecer 4 anos na Presidência.


Coagiu - com a entrega de centenas de concessões de emissoras de rádio e televisão - os constituintes para obter mais um ano de mandato.
Implantou três planos de estabilização:
todos fracassados.

Desorganizou a economia do país.

Entregou o governo com uma inflação mensal (é mensal mesmo, leitor), em março de 1990, de 84%.

Em 1989, a inflação anual foi de 1.782%.

Isso mesmo: 1.782%!
A impopularidade do presidente tinha alcançado tal patamar que nenhum dos candidatos na eleição de 1989 - e foram 22 - quis ter o seu apoio.

O esporte nacional era atacar Ribamar Costa.
Temendo eventuais processos, buscou a imunidade parlamentar. Candidatou-se ao Senado.

Mas tinha um problema:
pelo Maranhão dificilmente seria eleito.
Acabou escolhendo um estado recém-criado: o Amapá.

Lá, eram 3 vagas em jogo - no Maranhão, era somente uma. Não tinha qualquer ligação com o novo estado. Era puro oportunismo. Rasgou a lei que determina que o representante estadual no Senado tenha residência no estado.


Todo mundo sabe que ele mora em São Luís e não em Macapá.
E dá para contar nos dedos de uma das mãos suas visitas ao estado que "representa". O endereço do registro da candidatura é fictício?
É um caso de falsidade ideológica?

Por que será que o TRE do Amapá não abre uma sindicância (um processo ou algo que o valha) sobre o "domicílio eleitoral" do senador?


Espertamente, desde 2002, estabeleceu estreita aliança com Lula.
Nunca teve tanto poder. Passou a mandar mais do que na época que foi presidente. Chegou até a anular a eleição do seu adversário (Jackson Lago) para o governo do Maranhão.


Indicou ministros, pressionou funcionários, fez o que quis. Recentemente, elegeu-se duas vezes para a presidência do Senado.
Suas gestões foram marcadas por acusações de corrupção, filhotismo e empreguismo desenfreado.


Ficaram famosos os atos secretos, repletos de imoralidade administrativa.

O mais fantástico é que em meio século de vida pública não é possível identificar uma realização, uma importante ação, nada, absolutamente nada.

O seu grande "feito" foi ter transformado o Maranhão no estado mais pobre do país.
Os indicadores sociais são péssimos.

Os municípios lideram a lista dos piores IDHs do Brasil. Esta é a verdadeira face do poder de Ribamar Costa. Como em uma ópera-bufa, agora resolveu maquiar a sua imagem. Patrocinou, com dinheiro público, uma pesquisa para saber como anda seu prestígio político.

Não, senador.

Faça outra pesquisa, muito mais barata.

Caminhe sozinho, sem os seus truculentos guarda-costas, por uma rua central do Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília.


E verá como anda sua popularidade.
Tem coragem?

A face do poder
Marco Antonio Villa O Globo