"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 06, 2011

Petrobras já perde R$1,65 bi por não reajustar .


A Petrobras acumula uma perda de receita da ordem de R$1,65 bilhão de janeiro a abril deste ano, por causa da defasagem entre os preços da gasolina e do óleo diesel vendidos em suas refinarias e os comercializados no mercado americano.

Segundo cálculos realizados a pedido do GLOBO pelo Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), o valor da gasolina vendida pela Petrobras em suas refinarias, a R$1,05 o litro (sem impostos), está 27% menor em comparação ao preço cobrado nos Estados Unidos, que é equivalente a R$1,44.
Já o preço do óleo diesel vendido pela Petrobras, R$1,14, está 9% mais baixo que o do mercado americano, que corresponde a R$1,25.


Adriano Pires Rodrigues, diretor do CBIE, disse que a política nacional de preços dos combustíveis está provocando uma série de distorções no mercado:

- Com essa política de preços equivocada, a gasolina é subsidiada e compete com o etanol, que não é. A Petrobras tem seu caixa prejudicado, e o balanço de pagamentos do país também é afetado com a maior importação de gasolina.
Tudo para esconder a inflação debaixo do tapete.


Caso a defasagem nos preços da gasolina fosse eliminada, os preços ao consumidor subiriam entre 11% e 15%, segundo estimativas do CBIE. Um técnico do setor de combustíveis calculou que o aumento nos postos chegaria a R$0,33 por litro. Com isso, a gasolina vendida no Rio, que custa, em média, R$2,98 o litro, passaria para R$3,31.

Ainda de acordo com os cálculos do CBIE, somente em abril, a Petrobras acumulou uma perda em sua receita de R$ 535,9 milhões por não repassar para os preços da gasolina e do diesel a alta internacional do petróleo.
Só com a importação, principalmente do mercado americano, dos 2,5 milhões de barris de gasolina, feitas em abril e este mês, estima-se um prejuízo da Petrobras de R$ 153,7 milhões.

Por outro lado, a Petrobras teria acumulado uma receita de R$26,5 bilhões, entre outubro de 2009 e dezembro de 2010, por não ter repassado aos consumidores a queda das cotações internacionais do petróleo.

Ramona Ordoñez
O Globo

maio 05, 2011

GOVERNANDO COMO BIRUTA .

Clareza de objetivos é condição necessária para o sucesso de qualquer política. Na área econômica, então, é crucial. Passados quatro meses do início da gestão Dilma Rousseff, clareza é tudo o que não se vê nas ações empreendidas até agora. O governo mostra-se errático; não sabe se tenta controlar o câmbio ou se segura a inflação. Na dúvida, não consegue fazer nem uma coisa nem outra.

Pelo menos duas reportagens dos jornais de hoje mostram que o governo está jogando na lata de lixo a receita que seguiu até agora. Dilma parece ter percebido que apostou no cavalo errado contra a inflação e está vendo o equívoco cobrar seu preço. Vê-se agora empurrada a apelar para a ortodoxia dos juros altos e a deixar o real valorizar-se para debelar a escalada dos preços.

Segundo O Estado de S.Paulo, o câmbio será usado agora como mais um instrumento de combate à inflação. Significa que serão abandonados os esforços para evitar que o dólar fique cada vez mais baratinho. Significa que o país terá mais dificuldades para exportar e que muitas das indústrias nacionais correrão o risco de sucumbir diante da concorrência estrangeira.

Com isso, o governo admite que foi um fiasco sua política de enfrentar problemas a conta-gotas - como os sucessivos aumentos de IOF para segurar o dólar e as ações para diminuir o crédito para conter a demanda e a inflação. Segundo um auxiliar da equipe econômica ouvido pelo Estadão, "não podemos ficar de medida em medida". Já era tempo.

Vendo que sua equipe bate cabeça, a presidente da República teria decidido "pegar as rédeas da economia", segundo o Valor Econômico em sua manchete de hoje. Em termos práticos, diz o jornal, isso teria significado optar pelo aumento de juros, pelo corte de investimentos e pelo abandono das ações para conter o dólar.

Durante viagem à China, Dilma teria percebido que sua política inicial teria chegado ao "fundo do poço", nas palavras de um assessor graduado do governo reproduzidas pelo Valor. "Preocupada com a ineficácia da estratégia adotada [nos primeiros três meses de sua gestão], Dilma começou a mudá-la em meados de abril. A presidente considera maio o mês do verdadeiro início do seu governo".

O objetivo único agora é combater a inflação - que só "profetas do caos" enxergam, segundo disse o ex-presidente Lula numa de suas milionárias palestras. Demorou. Durante vários meses, Dilma recusou-se a admitir que a carestia estava voltando a ser algo a merecer especial atenção do governo. Desdenhou o problema, baseada em falsas convicções - a mais grave delas a de que os aumentos refletiam apenas um movimento especulativo global em torno dos preços das matérias-primas.

Num momento em que era necessário redobrar a atenção, o governo da presidente optou por medidas de laboratório, como as chamadas "macroprudenciais", com as quais preferiu restringir a oferta de crédito ao invés de agir para esfriar a demanda por meio da política monetária.
A tese em si não é má, só é bastante inadequada pra situações de descontrole, como a que atravessamos.


Diante de um orçamento engessado e sobrecarregado pelo absurdo aumento dos gastos nos anos recentes, a atual gestão também opta agora por garrotear os investimentos, que cresceram 2,5% abaixo da expansão do PIB no primeiro trimestre.

É a velha má receita sendo posta em prática: em lugar de diminuir seus gastos correntes, o governo deixa de investir na melhoria da estrutura do país e cobra mais tributos dos contribuintes. Sem norte, também apela para que empresas não remarquem preços.

Governantes costumam começar seus mandatos atacando de cara os principais problemas.
Não foi o que se viu na atual gestão.
A dura realidade não convive bem com vácuos; quando menos se espera a tempestade já invadiu.
À boca pequena, o governo já conta que a economia cresça neste ano metade do que cresceu em 2010. Não foi por falta de aviso.


Fonte: ITV

Quase 40% dos inadimplentes dizem não poder pagar dívidas

O Índice de Expectativa das Famílias (IEF), em pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 5, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que 51,5% das famílias brasileiras entrevistadas em abril disseram não ter nenhuma dívida.
No entanto, entre aquelas que admitem estar inadimplentes, 38,6% afirmaram não ter condições de pagar as contas atrasadas, um número considerado "preocupante" pelo Ipea.


O indicador sobre a perspectiva de inadimplência das famílias caiu 1,9 ponto porcentual no mês passado em relação a março (40,5%), mas cresceu 6,4 pontos porcentuais ante janeiro (32,2%).

A pesquisa do Ipea mostra que, na Região Norte, 54,2% das famílias afirmaram não ter como pagar suas dívidas.
Em seguida, está a Região Nordeste (37,6%),
Sudeste e Sul (ambas com 36,3%)
e Centro-Oeste (22,7%).
O valor médio da dívida das famílias que admitem ter contas atrasadas passou de R$ 4.194,97 em março para R$ 5.247,78 em abril.


Segundo avaliação do presidente do Ipea, Márcio Pochmann, o crescimento do valor médio da dívida nos domicílios pode ser explicado, em parte, pelo maior número de famílias que não conseguiram pagar suas contas nos meses anteriores, o que faz o valor da dívida crescer. Pochmann também levou em consideração o efeito das medidas do governo para conter o crescimento do crédito, que incluem aumento da taxa de juros.

A pesquisa mostra que, em abril, houve um ligeiro aumento no total de famílias com planos para tomar financiamentos ou empréstimos nos próximos três meses. O porcentual passou de 6,5% em março para 6,64% em abril.

O maior patamar foi verificado no Nordeste (10,2%) e no Sudeste (6,2%).
Entre março e abril, três das cinco regiões do País tiveram aumento na quantidade de famílias interessadas em empréstimos; no Sudeste e no Sul, essa intenção caiu.


O IEF é uma pesquisa mensal realizada pelo Ipea sobre a percepção das famílias, com entrevistas em 3.810 domicílios, em 214 municípios do País.

Pupança :

As cadernetas de poupança tiveram em abril uma captação líquida negativa de R$ 1,762 bilhão, segundo dados divulgados há pouco pelo Banco Central.
O número é resultado de depósitos de R$ 96,572 bilhões e saques de R$ 98,335 bilhões.

Circe Bonatelli, da Agência Estado

MAIS UM CALOTE? Aposentados correm o risco de não receber R$ 1,5 bilhão.

Com o corte de R$ 50 bilhões do Orçamento deste ano, o governo federal alega não ter dinheiro para pagar imediatamente R$ 1,5 bilhão a mais a 130 mil beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que se aposentaram entre 1991 e 2003.

Os benefícios desses aposentados foram calculados com um teto da Previdência Social inferior e, por isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o pagamento da diferença.

O Ministério Público Federal de São Paulo e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro ameaçam entrar com ação civil pública para garantir rapidez no pagamento. Segundo a assessoria de imprensa do INSS, o governo ainda estuda os critérios para pagar essa dívida com os aposentados, mas no momento há "indisponibilidade de recursos".

Em setembro do ano passado, o STF determinou que o INSS fizesse o pagamento retroativo a um beneficiário que pedia a correção de aposentadoria de acordo com o novo teto fixado pela Emenda Constitucional 20, de 1998.
Com a mudança, o teto de R$ 1.081,50 subiu para R$ 1.200.
O benefício foi garantido também às pessoas que se aposentaram antes de 1998 e em 2003
.


O acórdão da decisão do STF foi publicado no Diário Oficial da União de 15 de fevereiro deste ano.
Quase três meses se passaram e o pagamento não foi efetuado. Diante dessa situação, o Ministério Público Federal de São Paulo e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro enviaram ofício ao INSS questionando a demora.

Edna Simão, O Estado de S. Paulo

EM NOME DA PÁTRIA EFICIENTE.

Ética Natureza e Prosperidade
Em 1983, o então governador de São Paulo, Franco Montoro, dizia a um grupo de prefeitos que não havia recursos para construir o viaduto que pleiteavam.
Os prefeitos reagiam:
"O senhor não pode agir como um tecnocrata, a decisão é política."


Montoro pegou a deixa e arrematou:
"Então, politicamente está decidido. Quanto tiver dinheiro, a gente faz."


Nesta semana, em debate no Congresso, o presidente do Tribunal de Contas da União, Benjamin Zymler, disse que o TCU adotará uma "visão política" no exame das obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Há duas possibilidades na análise de uma obra pública, regular ou irregular.
A irregularidade pode ser leve ou grave, dolosa ou culposa, mas em qualquer caso trata-se de mau uso do dinheiro do contribuinte.
Como seria, portanto, uma reação política do TCU diante de indícios de irregularidades?


Zymler explicou:
"Devemos paralisar um estádio a seis meses da Copa do Mundo? Nestes casos, vamos levar em conta a importância do evento, o nome do Brasil como empreendedor eficiente."


Repararam a contradição?
Se o Brasil fosse mesmo um empreendedor eficiente, então as obras não estariam sendo feitas às pressas, com regras, digamos, mais flexíveis.
Se o TCU, portanto, detectar uma obra irregular e mesmo assim deixar que ela siga adiante, não estará defendendo a imagem de um Brasil eficiente, mas apenas fechando os olhos para uma ineficiência.


Eis a visão política à brasileira.
Esqueçam os números, a análise técnica, a lei e a ética.


Na história de Montoro, os prefeitos simplesmente ignoravam as restrições orçamentárias.
Como pode não ter dinheiro se a obra é necessária e, sobretudo, reivindicada por políticos eleitos, que a prometeram ao eleitor?
Essa é a visão que produz o déficit público e devolve a conta ao contribuinte.


Nos comentários de Zymler aparece uma visão política que passa por cima de restrições legais ou éticas.
Em nome da Copa e das Olimpíadas, pode-se ser mais flexível nas regras e mais tolerante na fiscalização.


A equação só fecha se a realização dos eventos esportivos entrar na categoria de interesse nacional.
Ou, falando francamente, se for um acontecimento patriótico.


Governos, em toda parte, tratam de vender isso.
O governo chinês claramente utilizou as Olimpíadas para apresentar ao mundo a China como a nova potência global.

No Brasil, o ex-presidente Lula e membros do governo Dilma consideram as críticas à administração das obras da Copa como atitudes de lesa-pátria.
Acham que a oposição quer ver o fracasso do Brasil só para atrapalhar o governo. Colocam a imprensa independente nessa categoria.


A pressão é tão intensa (lembram-se das broncas de Lula com o TCU?) que a "visão política" já prevalece. O atraso nas obras não é culpa da oposição, nem da imprensa, mas inteiramente do governo Lula.

Por exemplo, faz tempo que membros desse mesmo governo diziam que sem concessão os aeroportos não ficariam prontos. Agora, a presidente Dilma anuncia concessões, mas claramente já perdeu o prazo.

Lula reclamava das regras de licitação e de licenciamento ambiental.
Mas não encaminhou nenhuma medida de fundo para aperfeiçoar essas legislações.


Diante do evidente atraso, o governo Dilma propõe uma medida provisória para criar uma espécie de "via rápida" de licitações e fiscalização de obras.
O presidente do TCU apoia a MP, que certamente será aprovada pelo Congresso sob o argumento de que o Brasil não pode fazer feio.


Assim, caímos na "visão política" e no quebra-galho.
Nossa experiência diz que isso termina em obras malfeitas e caras.

Carlos Alberto Sardenberg O Globo

maio 04, 2011

SUBJUGADO? POBRE JORNALISMO INVESTIGATIVO.

O caso da censura imposta ao Estado pelo Judiciário "é emblemático de como é difícil, atualmente, fazer jornalismo investigativo no País".
E isso "é uma pena", porque o Brasil vive "um cenário de amplas liberdades como há muito não se via".

A avaliação é do diretor de Desenvolvimento Editorial do Estado, Roberto Gazzi, que participou nesta terça-feira, 3, do Fórum Democracia e Liberdade, promovido pelo Instituto Millenium em São Paulo para marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

A afirmação foi dada durante debate sobre Jornalismo Investigativo e Democracia, em mesa na qual estavam o jornalista Eugênio Bucci e Cláudio Weber Abramo, da ONG Transparência Brasil. Em discussão, os desafios que enfrentam os jornais, tendo de custear a busca de informação e enfrentar pressões de setores contrários às investigações.

Abramo e Bucci fizeram depoimentos pouco otimistas. O primeiro destacou que "cerca de 80%" dos 820 jornais diários brasileiros são de cidades pequenas e dependem de dinheiro público.
"Essa imprensa está nas mãos dos caciques em cada região", citando como exemplos "Sarney, Collor, Jader Barbalho, Alves ou Maia, Tasso".


Bucci citou a morte de Osama Bin Laden para questionar a transparência das informações:
"Como saber em que condições aquilo realmente ocorreu?".
E cobrou transparência das próprias empresas, principalmente a respeito de suas fontes de receita, já que, ressaltou, parte da publicidade é paga por estatais.


"Como falar em jornalismo investigativo nessa condição?"
Gabriel Manzano, O Estado de S. Paulo

O CAPITALISMO DE ESTADO DO (P) ARTIDO (T) ORPE

Guido Mantega confirmou ontem, no Senado, todos os temores e todas as suspeitas que vinham sendo apontados em relação ao excesso de ingerência do Estado em negócios privados no Brasil do PT.
Não resta dúvida de que está em marcha avançada uma estratégia de governo para subjugar as iniciativas empresariais aos interesses estatais.


Ao admitir que o governo quis "retaliar" a Vale por ela não ter se sujeitado às vontades de Lula, o ministro da Fazenda revelou uma linha de atuação perpetrada pelo ex-presidente e, possivelmente, avalizada também por Dilma Rousseff.
A sanha estatista do PT está pronta para engolfar quaisquer obstáculos privados que vir pela frente.


Mantega discorreu com a maior naturalidade do mundo sobre a ira de Lula contra o "senhor Roger Agnelli [presidente da empresa]".
O motivo teria sido duas decisões puramente empresariais tomadas pela Vale em meio a uma das maiores crises econômicas da história mundial, em 2008/2009:
quando demitiu 1,5 mil trabalhadores e quando se manteve fiel a sua política de investimentos, ignorou pedidos do Planalto e atrasou sua entrada no (atualmente) mau negócio da siderurgia.


Pelo raciocínio de Mantega, a irritação de Lula justificaria impor à empresa - que, ressalte-se, é privada, com milhões de acionistas, entre eles milhares de trabalhadores brasileiros que lá investiram seu FGTS - uma bordoada em forma de aumento de impostos.
Truculentas assim são as regras do capitalismo de Estado que o PT vai tentando impor ao país.


Fernando Rodrigues reproduz hoje na Folha de S.Paulo a frase mais reveladora do modus operandi petista, enunciada por Mantega na sessão de ontem no Senado:
"O presidente Lula, com justa razão, se manifestou democraticamente.
Veja, ele não tomou nenhuma atitude. Poderia ter retaliado a Vale. A Vale é uma concessão, né? Poderia ter aumentado impostos. Não fez nada disso. Apenas ele utilizou o chamado 'jus esperniandi' (...) Não vejo uma situação mais democrática do que essa". Lapidar.


"Além de revelar que o governo considera a retaliação uma possibilidade real, o ministro da Fazenda confirma a interferência por motivo torpe e admite o ato de vingança pessoal contra um presidente de empresa privada que ousou desagradar ao governo.
Menos democrático impossível.
(...)
Pelas declarações do ministro fica posto que as empresas cujas diretrizes operacionais desagradarem ao governo podem ser objetos de ações intervencionistas", avalia Dora Kramer na edição de hoje de O Estado de S.Paulo.


Mais correto seria dizer que as empresas não só podem como já têm sido objeto da ingerência estatal.
No apagar das luzes da gestão Agnelli, defenestrado da Vale por ter irritantemente "continuado a fazer o que queria", a maior mineradora do mundo foi agora forçada pelo governo a ingressar na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, maior projeto do PAC, considerado "prioritário" por Dilma.


No último dia 28, a Vale anunciou a compra dos 9% que o grupo Bertin - antigo frigorífico hoje metido em apuros por causa de negócios em que se enfiou na área de energia - detinha no consórcio que construirá Belo Monte.
Investirá cerca de R$ 2,3 bilhões no negócio, tido por boa parte do mercado como um dos mais micados do momento.


Os tentáculos do gigantismo estatal não param aí.
Também se manifestaram em
medida provisória editada na última sexta-feira pela qual os Correios ficam autorizados a abrir um monte de novos negócios.

Caixa de escândalos que alimentou o mensalão, a empresa, que atua sob monopólio no mercado postal, poderá investir no trem-bala, vender linha de celular, adquirir empresa de transporte aéreo de carga, abrir banco, oferecer serviços de internet etc etc etc.


Pela ótica do PT, o livre mercado é um estorvo.
No capitalismo de Estado que vem avançando no Brasil, os vencedores são os ungidos pelo toque divino do governo de turno - que decide quem perde e quem ganha, e exige suas contrapartida$.
O PT vampiriza na eficiência privada os recursos com que pretende eternizar seu projeto de poder.


Fonte: ITV

O BRASIL DOS "ESPERTOS" : Nove anos depois, Luiz Estevão quer pagar dívida por desvio na obra do TRT .

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9LUT5pbwmVdMlS3pYQA5cHdzJBBpbr4KQzsPTrSDuoNq8PJqMdeXZvGn9yBKCPxwqxwTlzebi4DQWJdzO3V0jfXFDl3jLmmNDOTmuZSGrBViHdKNqHP4BI5Wo9XkGCGNIGdark5a37m1Y/s320/CH%2520-%252023.05.07
A ideia é desembolsar R$ 465 milhões em prestações mensais de R$ 2 milhões, equivalente ao que o senador cassado lucraria por dia com o desbloqueio dos bens. Para a União, porém, o valor atualizado é R$ 1,1 bi

O empresário Luiz Estevão de Oliveira Neto perdeu o mandato de senador, foi condenado a 31 anos de prisão e a ressarcir o erário em R$ 169.491.951,15 desviados da obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo.

Ele nega o interesse em qualquer mandato eletivo, embora siga filiado ao PMDB.
Da ação penal, na qual cabem recursos, não fala.
Mas quando o assunto é a dívida, dispõe-se a conversar.


Estevão declarou formalmente à Advocacia-Geral da União (AGU) o desejo de quitar a fatura. Segundo ele, a quantia atualizada é R$ 464.814.726,83 — de acordo com a AGU nunca um valor tão alto foi ressarcido à União.

“Hoje chegamos à convicção de que é mais barato, mais conveniente encerrar a discussão”, diz Estevão em entrevista ao Correio, sentado em uma cadeira de couro no escritório de um de seus advogados, Marcelo Bessa, que se espalha por uma casa na Península dos Ministros, a QL 12 do Lago Sul.


Pagar, para Estevão, não significa reconhecer a culpa.
“Não tenho nenhuma relação com a obra do TRT.”
O Ministério Público discorda, elencando provas de que a Incal, construtora do prédio, agia em nome do Grupo OK, de Luiz Estevão, na obra.
Mas então por que pagar?


“Não quero ficar mais 10 anos nessa briga.”
Com todas as possibilidades de recursos judiciais, a discussão, iniciada há uma década, vai consumir outra.
O problema é que há discordância de valores.


Luiz Estevão usa em suas contas a Selic não capitalizada, que reajusta dívidas com a União. Mas a AGU tem outra conta, na qual a dívida é corrigida pela inflação mais juros, que variam conforme a data, resultando em R$ 1,1 bilhão.
O advogado Marcelo Bessa afirma, porém, que será fácil derrubar esse fator de correção. “Há jurisprudência demonstrando que é errado usá-lo”, diz.


O incentivo para Estevão buscar um acordo sobre os valores é grande.
Há 1.255 imóveis do Grupo OK em Brasília bloqueados pela Justiça, como garantia do pagamento da dívida, a maior parte desde o ano 2000 — isso inclui um terço do shopping Iguatemi, no Lago Norte.
A inflação acumulada pelo IPCA é de 120%.

Mas os imóveis residenciais do Plano Piloto ficaram aproximadamente 600% mais caros no período (o cálculo do Correio considera um conjunto de imóveis anunciado na época e outros semelhantes anunciados recentemente).


O ex-senador afirma que tudo o que tem hoje vale R$ 20 bilhões, ou US$ 12 bilhões, sem detalhar de quanto é a participação dos imóveis e dos outros negócios, que incluem fazendas de soja, concessionária de veículos e outras empresas.
Tal valor faz dele o terceiro homem mais rico do Brasil, perdendo apenas para os empresários Eike Batista e Jorge Paulo Lemann (veja quadro abaixo).


Estevão pretende multiplicar rapidamente esse patrimônio.
Com a construção de edifícios residenciais e a venda de apartamentos, ele afirma que é possível lucrar R$ 800 milhões por ano nos próximos seis anos, o que vai resultar em R$ 4,8 bilhões no período.

É muito mais do que o rendimento atual do Grupo OK, em cerca de R$ 120 milhões. Pelas regras do bloqueio judicial em vigor, ele pode alugar os imóveis que já possuía, ou mesmo construir novos imóveis em seus terrenos e locá-los, o que dá menos lucro, porém, do que a construção para venda.


Além de render menos, o aluguel traz outro problema:
uma parte cada vez maior do que entra é também bloqueada pela Justiça. Atualmente, dos R$ 120 milhões, 25% viram depósitos judiciais.
O estoque de depósitos acumulados desde 2000 é de R$ 80 milhões.
Abatendo-se isso da dívida calculada por Luiz Estevão, chega-se em R$ 384 milhões.


Essa dívida pode ser suavizada em 180 prestações, de acordo com a Lei nº 12.249, de 2010, na qual Luiz Estevão quer se enquadrar.

A AGU nega que seja possível.
Se for, a prestação inicial seria de pouco mais de R$ 2 milhões.
Isso coincide com o valor que Luiz Estevão poderia ganhar diariamente caso seus imóveis fossem desbloqueados.

Ou seja: ele vai embolsar a cada dia o que terá de pagar por mês à União.
Para o ex-senador, é uma questão de justiça.

A lei não pode ser feita para o Luiz Estevão nem vedada ao Luiz Estevão”, diz o ex-senador.


Confira o patrimônio de Luiz Estevão comparado ao de outros brasileiros (em dólares)

Eike Batista / 30 bilhões

Jorge Paulo Lemann / 13,3 bilhões

Luiz Estevão / 12 bilhões

Joseph Safra / 11,4 bilhões

Antônio Ermírio de Moraes / 5,3 bilhões

10º Abílio Diniz / 3,4 bilhões

Fonte: Luiz Estevão, sobre o próprio patrimônio, e revista Forbes nos demais casos


Mais :

BOVESPA : PERDA DE 65 MIL PONTOS COM FUGA DE CAPITAL EXTERNO.


A Bovespa tombou 1,75% ontem, na 4ª baixa em cinco sessões, perdeu os 65 mil pontos e aproximou-se do menor patamar do ano (64.217,64 pontos), registrado em 9 de fevereiro, aos 64.318,18 pontos.
O recuo refletiu, principalmente, a saída de investidores estrangeiros, movimento que ajudou a amparar a demanda por títulos públicos e também a elevar o preço do dólar ante o real.

A dúvida sobre a capacidade de o governo local conter a inflação e a expectativa de novas altas de juros estão por trás do ajuste de posições, além do desempenho fraco dos índices acionários internacionais.
As bolsas norte-americanas e europeias caíram, reagindo ao noticiário corporativo, à queda de commodities e à postura defensiva dos investidores.

Além da possibilidade de uma retaliação pela morte do líder do Al-Qaeda, Osama bin Laden, havia expectativa pelos indicadores dos EUA, como os dados de emprego do setor privado norte-americano, hoje, e que antecedem os números oficiais do mercado de trabalho, na sexta-feira.


No câmbio, a saída de recursos da Bovespa vem contribuindo para manter o dólar acima de R$ 1,58. Ontem, a moeda dos EUA terminou a R$ 1,5870 (+ 0,63%).

Declarações do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, em audiência no Senado, de que o governo precisa de uma ação cambial forte para evitar o capital especulativo e que nenhuma medida está descartada, favoreceram ainda a subida da divisa pelo segundo dia seguido.


Os juros de longo prazo avançaram após Mantega gerar preocupações ao afirmar também que ""é coisa do passado"" a mentalidade de que aumento de salário gera pressão inflacionária.

Claudia Violante O Globo

PETROBRAS ; Encomenda aos EUA é de 1 milhão de barris. O BUFÃO(MANTEGA) ADMITE REAJUSTE.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbp6nDJzfYb3M3HF6q0O0Gy9lMfSFo4xXt5y_Xzyl5902pS-O-ryLY9kEuq5Aw9Tbq04MbdVbJCefbM9VCMGaheTT95Vsiq6NyLBcxFs-TPKW4T73eEPn6M19iDNHjElfTNsp49zK2m-M/s320/gasolina_charge_ok.jpg
Pelo segundo mês consecutivo, a Petrobras terá de importar gasolina para atender ao forte aumento do consumo nos últimos meses.
O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, informou ontem que a companhia vai comprar dos Estados Unidos mais um milhão de barris do combustível.
Em abril, a Petrobras já havia importado, também do mercado americano, 1,5 milhão de barris.

O consumo da gasolina, assim como dos demais combustíveis, cresceu em torno de 4,5% no primeiro trimestre deste ano.
Hoje, está em torno de 400 mil barris por dia.
- Não vai faltar gasolina, o abastecimento está garantido - assegurou Costa.

O diretor de Abastecimento da Petrobras explicou que a importação tem como objetivo fazer estoques de segurança, uma vez que o total de 2,5 milhões de litros de gasolina comprados dos Estados Unidos é suficiente para aproximadamente seis dias de consumo no Brasil. No ano passado, a Petrobras se viu obrigada a adquirir 3 milhões de barris no exterior.

Costa afirmou que a empresa continua acompanhando a evolução dos preços internacionais do petróleo, mas garantiu que a Petrobras não planeja um aumento nos preços da gasolina e do diesel.
- Temos de avaliar ainda um pouco mais para tomar essa decisão. Dentro da política de longo prazo, continuamos analisando, diariamente fazemos avaliações. Mas nesse minuto não temos qualquer posição a respeito - disse.

Em Brasília o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem que a Petrobras poderá ser obrigada a reajustar os preços da gasolina se a cotação do barril de petróleo continuar elevada no mercado internacional.
Mesmo assim, ele adiantou que o governo vai reduzir a Contribuição sobre Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para evitar que um eventual aumento pese no bolso dos consumidores e pressione ainda mais a inflação.

- Se permanecer essa situação do barril elevado no exterior, pode ser que em algum momento a Petrobras tenha de aumentar, não será agora.
Mas aí nós podemos regular o preço com a Cide, de modo a não criar aumento nos preços da gasolina - disse Mantega enquanto participava de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

O ministro destacou aos senadores que o maior impacto do aumento recente dos combustíveis no país partiu do etanol.
Mas, segundo ele, com o fim da entressafra da cana-de-açúcar, o valor do produto deve cair e reduzir a pressão sobre o preço final nas bombas dos postos.

Ramona Ordoñez e Marta Beck O Globo