"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 04, 2011

SUBJUGADO? POBRE JORNALISMO INVESTIGATIVO.

O caso da censura imposta ao Estado pelo Judiciário "é emblemático de como é difícil, atualmente, fazer jornalismo investigativo no País".
E isso "é uma pena", porque o Brasil vive "um cenário de amplas liberdades como há muito não se via".

A avaliação é do diretor de Desenvolvimento Editorial do Estado, Roberto Gazzi, que participou nesta terça-feira, 3, do Fórum Democracia e Liberdade, promovido pelo Instituto Millenium em São Paulo para marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

A afirmação foi dada durante debate sobre Jornalismo Investigativo e Democracia, em mesa na qual estavam o jornalista Eugênio Bucci e Cláudio Weber Abramo, da ONG Transparência Brasil. Em discussão, os desafios que enfrentam os jornais, tendo de custear a busca de informação e enfrentar pressões de setores contrários às investigações.

Abramo e Bucci fizeram depoimentos pouco otimistas. O primeiro destacou que "cerca de 80%" dos 820 jornais diários brasileiros são de cidades pequenas e dependem de dinheiro público.
"Essa imprensa está nas mãos dos caciques em cada região", citando como exemplos "Sarney, Collor, Jader Barbalho, Alves ou Maia, Tasso".


Bucci citou a morte de Osama Bin Laden para questionar a transparência das informações:
"Como saber em que condições aquilo realmente ocorreu?".
E cobrou transparência das próprias empresas, principalmente a respeito de suas fontes de receita, já que, ressaltou, parte da publicidade é paga por estatais.


"Como falar em jornalismo investigativo nessa condição?"
Gabriel Manzano, O Estado de S. Paulo

O CAPITALISMO DE ESTADO DO (P) ARTIDO (T) ORPE

Guido Mantega confirmou ontem, no Senado, todos os temores e todas as suspeitas que vinham sendo apontados em relação ao excesso de ingerência do Estado em negócios privados no Brasil do PT.
Não resta dúvida de que está em marcha avançada uma estratégia de governo para subjugar as iniciativas empresariais aos interesses estatais.


Ao admitir que o governo quis "retaliar" a Vale por ela não ter se sujeitado às vontades de Lula, o ministro da Fazenda revelou uma linha de atuação perpetrada pelo ex-presidente e, possivelmente, avalizada também por Dilma Rousseff.
A sanha estatista do PT está pronta para engolfar quaisquer obstáculos privados que vir pela frente.


Mantega discorreu com a maior naturalidade do mundo sobre a ira de Lula contra o "senhor Roger Agnelli [presidente da empresa]".
O motivo teria sido duas decisões puramente empresariais tomadas pela Vale em meio a uma das maiores crises econômicas da história mundial, em 2008/2009:
quando demitiu 1,5 mil trabalhadores e quando se manteve fiel a sua política de investimentos, ignorou pedidos do Planalto e atrasou sua entrada no (atualmente) mau negócio da siderurgia.


Pelo raciocínio de Mantega, a irritação de Lula justificaria impor à empresa - que, ressalte-se, é privada, com milhões de acionistas, entre eles milhares de trabalhadores brasileiros que lá investiram seu FGTS - uma bordoada em forma de aumento de impostos.
Truculentas assim são as regras do capitalismo de Estado que o PT vai tentando impor ao país.


Fernando Rodrigues reproduz hoje na Folha de S.Paulo a frase mais reveladora do modus operandi petista, enunciada por Mantega na sessão de ontem no Senado:
"O presidente Lula, com justa razão, se manifestou democraticamente.
Veja, ele não tomou nenhuma atitude. Poderia ter retaliado a Vale. A Vale é uma concessão, né? Poderia ter aumentado impostos. Não fez nada disso. Apenas ele utilizou o chamado 'jus esperniandi' (...) Não vejo uma situação mais democrática do que essa". Lapidar.


"Além de revelar que o governo considera a retaliação uma possibilidade real, o ministro da Fazenda confirma a interferência por motivo torpe e admite o ato de vingança pessoal contra um presidente de empresa privada que ousou desagradar ao governo.
Menos democrático impossível.
(...)
Pelas declarações do ministro fica posto que as empresas cujas diretrizes operacionais desagradarem ao governo podem ser objetos de ações intervencionistas", avalia Dora Kramer na edição de hoje de O Estado de S.Paulo.


Mais correto seria dizer que as empresas não só podem como já têm sido objeto da ingerência estatal.
No apagar das luzes da gestão Agnelli, defenestrado da Vale por ter irritantemente "continuado a fazer o que queria", a maior mineradora do mundo foi agora forçada pelo governo a ingressar na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, maior projeto do PAC, considerado "prioritário" por Dilma.


No último dia 28, a Vale anunciou a compra dos 9% que o grupo Bertin - antigo frigorífico hoje metido em apuros por causa de negócios em que se enfiou na área de energia - detinha no consórcio que construirá Belo Monte.
Investirá cerca de R$ 2,3 bilhões no negócio, tido por boa parte do mercado como um dos mais micados do momento.


Os tentáculos do gigantismo estatal não param aí.
Também se manifestaram em
medida provisória editada na última sexta-feira pela qual os Correios ficam autorizados a abrir um monte de novos negócios.

Caixa de escândalos que alimentou o mensalão, a empresa, que atua sob monopólio no mercado postal, poderá investir no trem-bala, vender linha de celular, adquirir empresa de transporte aéreo de carga, abrir banco, oferecer serviços de internet etc etc etc.


Pela ótica do PT, o livre mercado é um estorvo.
No capitalismo de Estado que vem avançando no Brasil, os vencedores são os ungidos pelo toque divino do governo de turno - que decide quem perde e quem ganha, e exige suas contrapartida$.
O PT vampiriza na eficiência privada os recursos com que pretende eternizar seu projeto de poder.


Fonte: ITV

O BRASIL DOS "ESPERTOS" : Nove anos depois, Luiz Estevão quer pagar dívida por desvio na obra do TRT .

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9LUT5pbwmVdMlS3pYQA5cHdzJBBpbr4KQzsPTrSDuoNq8PJqMdeXZvGn9yBKCPxwqxwTlzebi4DQWJdzO3V0jfXFDl3jLmmNDOTmuZSGrBViHdKNqHP4BI5Wo9XkGCGNIGdark5a37m1Y/s320/CH%2520-%252023.05.07
A ideia é desembolsar R$ 465 milhões em prestações mensais de R$ 2 milhões, equivalente ao que o senador cassado lucraria por dia com o desbloqueio dos bens. Para a União, porém, o valor atualizado é R$ 1,1 bi

O empresário Luiz Estevão de Oliveira Neto perdeu o mandato de senador, foi condenado a 31 anos de prisão e a ressarcir o erário em R$ 169.491.951,15 desviados da obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo.

Ele nega o interesse em qualquer mandato eletivo, embora siga filiado ao PMDB.
Da ação penal, na qual cabem recursos, não fala.
Mas quando o assunto é a dívida, dispõe-se a conversar.


Estevão declarou formalmente à Advocacia-Geral da União (AGU) o desejo de quitar a fatura. Segundo ele, a quantia atualizada é R$ 464.814.726,83 — de acordo com a AGU nunca um valor tão alto foi ressarcido à União.

“Hoje chegamos à convicção de que é mais barato, mais conveniente encerrar a discussão”, diz Estevão em entrevista ao Correio, sentado em uma cadeira de couro no escritório de um de seus advogados, Marcelo Bessa, que se espalha por uma casa na Península dos Ministros, a QL 12 do Lago Sul.


Pagar, para Estevão, não significa reconhecer a culpa.
“Não tenho nenhuma relação com a obra do TRT.”
O Ministério Público discorda, elencando provas de que a Incal, construtora do prédio, agia em nome do Grupo OK, de Luiz Estevão, na obra.
Mas então por que pagar?


“Não quero ficar mais 10 anos nessa briga.”
Com todas as possibilidades de recursos judiciais, a discussão, iniciada há uma década, vai consumir outra.
O problema é que há discordância de valores.


Luiz Estevão usa em suas contas a Selic não capitalizada, que reajusta dívidas com a União. Mas a AGU tem outra conta, na qual a dívida é corrigida pela inflação mais juros, que variam conforme a data, resultando em R$ 1,1 bilhão.
O advogado Marcelo Bessa afirma, porém, que será fácil derrubar esse fator de correção. “Há jurisprudência demonstrando que é errado usá-lo”, diz.


O incentivo para Estevão buscar um acordo sobre os valores é grande.
Há 1.255 imóveis do Grupo OK em Brasília bloqueados pela Justiça, como garantia do pagamento da dívida, a maior parte desde o ano 2000 — isso inclui um terço do shopping Iguatemi, no Lago Norte.
A inflação acumulada pelo IPCA é de 120%.

Mas os imóveis residenciais do Plano Piloto ficaram aproximadamente 600% mais caros no período (o cálculo do Correio considera um conjunto de imóveis anunciado na época e outros semelhantes anunciados recentemente).


O ex-senador afirma que tudo o que tem hoje vale R$ 20 bilhões, ou US$ 12 bilhões, sem detalhar de quanto é a participação dos imóveis e dos outros negócios, que incluem fazendas de soja, concessionária de veículos e outras empresas.
Tal valor faz dele o terceiro homem mais rico do Brasil, perdendo apenas para os empresários Eike Batista e Jorge Paulo Lemann (veja quadro abaixo).


Estevão pretende multiplicar rapidamente esse patrimônio.
Com a construção de edifícios residenciais e a venda de apartamentos, ele afirma que é possível lucrar R$ 800 milhões por ano nos próximos seis anos, o que vai resultar em R$ 4,8 bilhões no período.

É muito mais do que o rendimento atual do Grupo OK, em cerca de R$ 120 milhões. Pelas regras do bloqueio judicial em vigor, ele pode alugar os imóveis que já possuía, ou mesmo construir novos imóveis em seus terrenos e locá-los, o que dá menos lucro, porém, do que a construção para venda.


Além de render menos, o aluguel traz outro problema:
uma parte cada vez maior do que entra é também bloqueada pela Justiça. Atualmente, dos R$ 120 milhões, 25% viram depósitos judiciais.
O estoque de depósitos acumulados desde 2000 é de R$ 80 milhões.
Abatendo-se isso da dívida calculada por Luiz Estevão, chega-se em R$ 384 milhões.


Essa dívida pode ser suavizada em 180 prestações, de acordo com a Lei nº 12.249, de 2010, na qual Luiz Estevão quer se enquadrar.

A AGU nega que seja possível.
Se for, a prestação inicial seria de pouco mais de R$ 2 milhões.
Isso coincide com o valor que Luiz Estevão poderia ganhar diariamente caso seus imóveis fossem desbloqueados.

Ou seja: ele vai embolsar a cada dia o que terá de pagar por mês à União.
Para o ex-senador, é uma questão de justiça.

A lei não pode ser feita para o Luiz Estevão nem vedada ao Luiz Estevão”, diz o ex-senador.


Confira o patrimônio de Luiz Estevão comparado ao de outros brasileiros (em dólares)

Eike Batista / 30 bilhões

Jorge Paulo Lemann / 13,3 bilhões

Luiz Estevão / 12 bilhões

Joseph Safra / 11,4 bilhões

Antônio Ermírio de Moraes / 5,3 bilhões

10º Abílio Diniz / 3,4 bilhões

Fonte: Luiz Estevão, sobre o próprio patrimônio, e revista Forbes nos demais casos


Mais :

BOVESPA : PERDA DE 65 MIL PONTOS COM FUGA DE CAPITAL EXTERNO.


A Bovespa tombou 1,75% ontem, na 4ª baixa em cinco sessões, perdeu os 65 mil pontos e aproximou-se do menor patamar do ano (64.217,64 pontos), registrado em 9 de fevereiro, aos 64.318,18 pontos.
O recuo refletiu, principalmente, a saída de investidores estrangeiros, movimento que ajudou a amparar a demanda por títulos públicos e também a elevar o preço do dólar ante o real.

A dúvida sobre a capacidade de o governo local conter a inflação e a expectativa de novas altas de juros estão por trás do ajuste de posições, além do desempenho fraco dos índices acionários internacionais.
As bolsas norte-americanas e europeias caíram, reagindo ao noticiário corporativo, à queda de commodities e à postura defensiva dos investidores.

Além da possibilidade de uma retaliação pela morte do líder do Al-Qaeda, Osama bin Laden, havia expectativa pelos indicadores dos EUA, como os dados de emprego do setor privado norte-americano, hoje, e que antecedem os números oficiais do mercado de trabalho, na sexta-feira.


No câmbio, a saída de recursos da Bovespa vem contribuindo para manter o dólar acima de R$ 1,58. Ontem, a moeda dos EUA terminou a R$ 1,5870 (+ 0,63%).

Declarações do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, em audiência no Senado, de que o governo precisa de uma ação cambial forte para evitar o capital especulativo e que nenhuma medida está descartada, favoreceram ainda a subida da divisa pelo segundo dia seguido.


Os juros de longo prazo avançaram após Mantega gerar preocupações ao afirmar também que ""é coisa do passado"" a mentalidade de que aumento de salário gera pressão inflacionária.

Claudia Violante O Globo

PETROBRAS ; Encomenda aos EUA é de 1 milhão de barris. O BUFÃO(MANTEGA) ADMITE REAJUSTE.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbp6nDJzfYb3M3HF6q0O0Gy9lMfSFo4xXt5y_Xzyl5902pS-O-ryLY9kEuq5Aw9Tbq04MbdVbJCefbM9VCMGaheTT95Vsiq6NyLBcxFs-TPKW4T73eEPn6M19iDNHjElfTNsp49zK2m-M/s320/gasolina_charge_ok.jpg
Pelo segundo mês consecutivo, a Petrobras terá de importar gasolina para atender ao forte aumento do consumo nos últimos meses.
O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, informou ontem que a companhia vai comprar dos Estados Unidos mais um milhão de barris do combustível.
Em abril, a Petrobras já havia importado, também do mercado americano, 1,5 milhão de barris.

O consumo da gasolina, assim como dos demais combustíveis, cresceu em torno de 4,5% no primeiro trimestre deste ano.
Hoje, está em torno de 400 mil barris por dia.
- Não vai faltar gasolina, o abastecimento está garantido - assegurou Costa.

O diretor de Abastecimento da Petrobras explicou que a importação tem como objetivo fazer estoques de segurança, uma vez que o total de 2,5 milhões de litros de gasolina comprados dos Estados Unidos é suficiente para aproximadamente seis dias de consumo no Brasil. No ano passado, a Petrobras se viu obrigada a adquirir 3 milhões de barris no exterior.

Costa afirmou que a empresa continua acompanhando a evolução dos preços internacionais do petróleo, mas garantiu que a Petrobras não planeja um aumento nos preços da gasolina e do diesel.
- Temos de avaliar ainda um pouco mais para tomar essa decisão. Dentro da política de longo prazo, continuamos analisando, diariamente fazemos avaliações. Mas nesse minuto não temos qualquer posição a respeito - disse.

Em Brasília o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem que a Petrobras poderá ser obrigada a reajustar os preços da gasolina se a cotação do barril de petróleo continuar elevada no mercado internacional.
Mesmo assim, ele adiantou que o governo vai reduzir a Contribuição sobre Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para evitar que um eventual aumento pese no bolso dos consumidores e pressione ainda mais a inflação.

- Se permanecer essa situação do barril elevado no exterior, pode ser que em algum momento a Petrobras tenha de aumentar, não será agora.
Mas aí nós podemos regular o preço com a Cide, de modo a não criar aumento nos preços da gasolina - disse Mantega enquanto participava de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

O ministro destacou aos senadores que o maior impacto do aumento recente dos combustíveis no país partiu do etanol.
Mas, segundo ele, com o fim da entressafra da cana-de-açúcar, o valor do produto deve cair e reduzir a pressão sobre o preço final nas bombas dos postos.

Ramona Ordoñez e Marta Beck O Globo

maio 03, 2011

A ESCALADA DO FUNCIONALISMO NO GOVERNO DO ÉBRIO.

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Síntese:
Os números finais da política de recursos humanos da gestão Lula mostram que nenhuma despesa cresceu tanto nos últimos oito anos quanto a destinada ao pagamento do funcionalismo público federal.

Desde 2002, os gastos subiram 56% acima da inflação e devem bater em R$ 200 bilhões neste ano, numa folha de mais de 2 milhões de servidores.


Um dos órgãos da administração federal que mais incharam nos anos Lula foi a Presidência da República, enquanto em áreas onde a melhoria do atendimento ao público é premente, como na saúde, o contingente de funcionários
diminuiu.

Os cargos comissionados aumentaram 25% e somam hoje 86 mil.
Há algumas semanas, o Ministério do Planejamento divulgou a edição do Boletim Estatístico de Pessoal (BEP) que traz os números definitivos da gestão Lula nesta área.

Uma das conclusões mais relevantes a que se chega é que provavelmente nenhuma despesa tenha crescido mais nos últimos oito anos do que a destinada ao pagamento do funcionalismo público federal.
Em 2010, o gasto da União com pessoal atingiu R$ 183,3 bilhões. Isso equivale a mais de R$ 500 milhões por dia.

Em 2002, havia sido de R$ 75 bilhões, em valores correntes.
O salto registrado ao longo do governo petista foi astronômico: em termos nominais, isto é, sem considerar a inflação, as despesas cresceram 144%.

Em valores reais, o ganho do funcionalismo foi de
56%, ou seja, muito acima da elevação do custo de vida no período.

Íntegra/Gráfico :
Brasil 74: A escalada do funcionalismo federal nos anos Lula - Abril/11

44 MILHÕES SEM VOZ NO CONGRESSO. É PRECISO URGENTEMENTE FAZER OPOSIÇÃO.

Se o país mantém sua economia em um ritmo razoável, que permite aprovação raspando, com nota cinco; a política vai muito mal. É curioso o descolamento da política em relação à economia. Lembra um pouco, guardadas às devidas proporções, o período do milagre brasileiro, durante o regime militar.

E se a ausência da política - devido a repressão - acabou mostrando que sem discussão não há nenhum crescimento sustentável da economia (basta recordar a crise do milagre), o mesmo caminha para acontecer na Presidência Dilma.


A economia dá sinais de que o ciclo iniciado em 2005 deu tudo o que tinha de dar. Caminhamos, caso nada mude, para dar um grande salto para trás. Como em um jogo de ludo, devemos voltar para a "casa" 1994, antes do Plano Real. Gastos públicos sem controle, falta de um projeto econômico e inflação, combinado com taxas espasmódicas de crescimento.

O mercado está descrente. Recebe cada declaração do ministro Guido Mantega com a mesma confiança quando a ministra Zélia Cardoso de Mello dizia, no governo Collor, que tudo na economia estava caminhando bem. E quanto mais o governo insiste que a inflação está sob controle - desmentindo a realidade - maior a desconfiança.

Apesar da falta de rumo na economia, dos sucessivos escândalos - mantendo a média da Presidência anterior, diga-se -, da incompetência administrativa, da inexistência de uma política estratégica e de tantas outras coisas, a presidente Dilma governa absolutamente tranquila.

Entregou para os oligarcas, sempre sedentos para saquear o Erário, rendosos cargos; usa e abusa do BNDES, oferecendo, como uma rainha absolutista, fortunas ao grande capital parasitário; soldou uma aliança com as grandes construturas - importantíssimas para financiar os partidos da base governamental, especialmente o PT - danosa ao interesse público, e cooptou as centrais sindicais, que foram adquiridas por um valor baixo, comparado ao que custou o apoio do grande capital.


Se durante o auge econômico do regime militar a repressão impedia a existência da política, hoje o quadro é distinto. A primeira diferença é que o país caminha a passo de tartaruga, a segunda - e mais importante - é que vivemos em um regime de plenas liberdades democráticas.

Agora é o abandono da política que não possibilita uma saída para a economia. O mais incrível é que o governo agrega apoio não pela sua competência política ou econômica, mas pela recusa consciente da oposição ser oposição. O mérito, portanto, não é produto da eficiência da presidente. O problema da oposição reside nela própria.


Fernando Henrique Cardoso escreveu um longo ensaio propondo a discussão pública dos rumos da oposição. Como, especialmente, o PSDB, seu partido, recebeu o desafio? Negando-se a discuti-lo.
O autoproclamado líder da oposição parlamentar, Aécio Neves, disse:
"Vejo o futuro da oposição numa ótica mais otimista."

Pela declaração é possível concluir que o senador não leu o ensaio.
Ou confundiu o tema com um livro de autoajuda.
O mais triste é que ele se julga, desde já, o candidato oposicionista à Presidência em 2014.

Como?
O que pensa sobre o Brasil?
Consegue debater seriamente os principais pontos do ensaio do ex-presidente?
A resposta é óbvia: não.
Ele é a mais fiel representação do primarismo da oposição brasileira: personalista, vazia de ideias e pouca disposta a combater o governo.


O desafio para qualquer oposição em um regime democrático é ter votos. A oposição brasileira, no segundo turno, teve 44% dos votos válidos. Isso após uma campanha errática e despolitizada.
O problema, portanto, não é ter votos. A oposição tem - e muitos.

A questão é outra: quer agir como na República Velha, garantir um canal privilegiado com o governo e só no momento eleitoral se apresentar para os eleitores. Essa estratégia pode até dar certo, mas na esfera estadual e onde não existe debate político. No campo federal está fadada ao fracasso.


Em meio a este vazio, os eleitores oposicionistas mais politizados ficam sem saber para onde ir. Não têm representação partidária. Seus representantes no Congresso Nacional estão silenciosos. Como explicar que o senador mais votado do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, até hoje não tenha feito um pronunciamento analítico sobre os rumos da oposição?

E como justificar que José Serra, que recebeu 44 milhões de votos, continue em uma espécie de silêncio obsequioso? Se a oposição não tem líderes, como fazer oposição?


Em política não existe vazio.
O PT sabe muito bem disso.
E vai ocupando todos os espaços na máquina pública e desde já estabelecendo alianças eleitorais para 2012.
Age profissionalmente, sem piedade ou sentimento.
O que vale é ampliar o poder, custe o que custar.
E custa muito, como sabemos.

As empresas e os bancos estatais estão entregues aos partidos da base. O PT reservou para si o que é mais lucrativo, e que permita estabelecer a conexão com o grande capital, negócio muito bom para ambos os lados e péssimo para o Brasil.


Para o governo, quanto menos política, melhor. Quer banalizar o debate. Não precisa convencer politicamente ninguém. Para os parlamentares usa o método delubiano. Quem tem de fazer politica é a oposição.
Não é possível assistir um governo destruindo o que foi edificado com tanto sacrifício.

Não é plausível recusar a construir canais efetivos de participação da sociedade civil nos partidos (que sequer ocorre nos momentos pré-eleitorais).


Marco Antonio Villa O Globo

CAPITALISMO DE ESTADO.

"O Estado é melhor como jardineiro, que deixa as plantas crescerem, do que como engenheiro, que desenha plantas erradas." Roberto Campos


Devemos tomar cuidado com rótulos simplistas, que muitas vezes podem confundir mais do que elucidar. Feito o alerta, socialismo é quando o Estado detém os meios de produção, enquanto no capitalismo eles são privados.

Partindo desta definição, não há país puramente socialista ou capitalista no mundo; todos eles são uma mistura, em graus distintos.
Coreia do Norte, Cuba e Venezuela são exemplos quase socialistas, enquanto Suíça, Austrália e Canadá são países bem mais capitalistas.

O modelo mais próximo do socialismo também pode ser chamado de capitalismo de Estado.
Ele existe quando o poder do Estado é tão grande a ponto de influenciar absurdamente os resultados econômicos do país, asfixiando a iniciativa privada.
O Estado, neste caso, é visto como a grande locomotiva que garante a prosperidade da nação. Os indivíduos precisam se "encostar" nele como fonte de enriquecimento.

A crença de que o Estado é o "pai do povo" permite a privatização do espaço público por uma "patota" populista.
O Estado fica muito mais forte do que a sociedade.
Burocratas e políticos passam a controlar a máquina estatal.
A privatização do Estado ocorre através das práticas de nepotismo e clientelismo, e as leis deixam de ser isonômicas, passando a representar um braço dos privilégios da "grande família" no poder.

Como definiu Octavio Paz, "o patrimonialismo é a vida privada incrustada na vida pública".
No capitalismo de Estado, a política deixa de ser um meio para alavancar os negócios; ela é o grande negócio em si.
O princípio básico do modelo é a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos.

Quem não faz parte do andar de cima acaba pagando a conta.
A variável política tem preponderância sobre a econômica. A troca de favores é o meio para o sucesso, não a meritocracia ou a eficiência.
O melhor atributo é ser um "amigo do rei".

Este modelo leva ao autoritarismo, por meio da crescente concentração de poder na casta governante.
Infelizmente, a América Latina parece longe do dia em que tais características serão apenas um triste capítulo do passado.
Se antes figuras como Perón e Getúlio Vargas representavam os ícones deste modelo, atualmente temos Hugo Chávez e Evo Morales como novos "patriarcas".

E o Brasil nesta história?
Jamais tivemos um modelo efetivamente liberal, mas "nunca antes na história deste país" tivemos um capitalismo de Estado tão evidente.
O aparelhamento da máquina estatal tem sido assustador.
A ingerência no setor privado, como no caso da Vale, aumentou exponencialmente.

E, talvez o exemplo mais sintomático, o BNDES foi transformado numa gigantesca máquina de transferência de riqueza dos pagadores de impostos para os grandes empresários aliados ao governo.

O banco estatal foi o que mais cresceu nos últimos anos. Seus desembolsos subsidiados ficavam na faixa dos R$35 bilhões por ano antes de o PT chegar ao poder, e hoje os empréstimos chegam a quase R$150 bilhões por ano. As cifras são impressionantes. Igualmente impressionante é a concentração de grandes empresas no destino final dos recursos.

Trata-se de uma verdadeira "bolsa-empresário". O governo seleciona as empresas "vencedoras" de cima para baixo, com base em critérios políticos. Metade do crédito no país já depende do governo, o maior banqueiro do país!

O governo brasileiro é um dinossauro com apetite insaciável.
Ele arrecada quase 40% do PIB em impostos, a fundo perdido para os cidadãos.
Além disso, a dívida pública se aproxima dos R$2 trilhões, pressionando a taxa de juros da economia.
A burocracia insana representa outro enorme custo indireto para as empresas.


O governo brasileiro se mete até na escolha das nossas tomadas! Com esta hipertrofia toda, a corrupção toma conta do país.
E, com gastos e crédito crescentes, a inflação já passa de 6% ao ano.

Trata-se de um modelo insustentável que beneficia basicamente os governantes e seus apaniguados.
E, para desespero de todos aqueles que compreendem isso, não há lideranças políticas confrontando este ultrapassado modelo, apesar dos 44 milhões de votos na oposição.

Parece que os políticos atuais disputam apenas o controle da "cosa nostra".

Falta quem lute efetivamente pela substituição deste modelo por outro com mais economia de mercado, império da lei e ética.
Precisamos de uma alternativa urgente ao atual capitalismo de Estado, que concentra privilégios e distribui injustiças.

Rodrigo Constantino O Globo

maio 02, 2011

IPC-S : NO ANO ALTA DE 3,42% E EM 12 MESES 6,05%

O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), divulgado nesta segunda-feira pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), fechado em 30 de abril, apresentou variação de 0,95%, 0,15 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada na última divulgação.
Com este resultado, o indicador acumula alta de 3,46% no ano e 6,05% em 12 meses.

Após duas semanas em recuo, a taxa do grupo Alimentação (0,91% para 1,04%) voltou a apresentar aceleração.
Entre os destaques estão:
hortaliças e legumes (3,71% para 4,20%),
panificados e biscoitos (-0,43% para -0,22%),
laticínios (2,12% para 2,51%)
e carnes e peixes industrializados (0,74% para 1,16%).
Também houve aumento na taxa de alimentação fora de casa.
Os custos nesse item subiu de 0,70% para 0,89% até o fim de semana.


Também apresentaram acréscimos em suas taxas de variação os grupos:
Transportes (1,82% para 2,10%),
Despesas Diversas (0,53% para 0,81%),
Vestuário (1,06% para 1,34%),
Saúde e Cuidados Pessoais (0,87% para 1,10%)
e Habitação (0,38% para 0,47%).

Nestes grupos, os destaques partiram dos itens:
gasolina (4,66% para 5,98%),
cigarro (1,57% para 2,30%),
roupas (1,11% para 1,51%),
medicamentos em geral (1,71% para 2,82%)
e tarifa de eletricidade residencial (0,45% para 1,00%), nesta ordem.


Em contrapartida, o grupo Educação, Leitura e Recreação (0,36% para 0,32%) registrou decréscimo em sua taxa de variação.
A principal influência para este movimento partiu do item passagem aérea, cuja taxa passou de 3,08% para -1,04%.

O BRASIL DOS FATOS E DAS VERSÕES.

Tem sido assim desde o começo da nossa História.
É incrível como nossa trajetória é contada!
Quem se debruça sobre os fatos fica escandalizado com a diferença entre eles e as suas "consagradas versões".


Esse comportamento fraudulento faz com que, em nosso país, todo historiador seja levado a trabalhar como um arqueólogo, que tem de cavar, raspar poeiras, decifrar hieróglifos e tentar entender os obscuros textos dos pergaminhos. Sempre na busca da verdade dos fatos.

Para alegria nossa, o Brasil tem sido presenteado com obras estupendas, realizadas por excelentes pesquisadores. Eles têm conseguido divulgar um conhecimento cada vez mais correto dos fatos da nossa História. E essa tarefa saneadora de desmitificação das versões tem alcançado enorme sucesso de vendas para as editoras.

Está claro que obras desse padrão não constarão jamais da lista dos livros adotados pelos técnicos ideológicos do Ministério da Educação (MEC). Para eles, quanto mais os brasileiros forem enganados pelas versões oficiais, melhor para a turma que comanda o atraso de nossa formação cultural.

Mas não é apenas nos livros "oficiais" que a nossa História é deturpada. Fazem parte dessa lavagem cerebral os demais instrumentos de comunicação dependentes do governo. Rádios e TVs, oficiais ou agregados. Todos subvencionados generosamente, à custa dos nossos impostos.

No nosso dia a dia somos bombardeados pelas versões que o Planalto divulga sem cessar. Informações erradas, dados falsificados, episódios distorcidos, explicações mentirosas, enfim, um povo tratado como se todos fossem idiotas e sem nenhum espírito crítico.

Veja-se agora o que está acontecendo com o famoso episódio do mensalão do PT. Já está quase esquecido! Foi, no entanto, o mais vergonhoso episódio ocorrido em nossa História recente. Um plano frio, cínico, típico de um grupo que só tinha um objetivo em suas supostas lutas pela ética e pela moralidade:
chegar ao poder e se vingar. Vingar de quê?
Os autores desse plano eram, e ainda são, indivíduos ressentidos, cheios de raiva contra as "elites" - letradas, bem alimentadas, patrões e chefes. Para eles, chegar ao poder era a suprema desforra.

Esse tem sido sempre o sentimento da esquerda sem estudos, valores e visão do mundo. Entre uma esquerda raivosa e uma direita sem escrúpulos, o entendimento sempre se dá muito bem.

A chegada de Lula ao poder mostrou que essa é a mentalidade deles. Para ganhar a eleição tinha de mudar o discurso? Era preciso mudar a rota? O PT não teve dúvidas: mudou.

Mudou, mas chegou ao Planalto com as mesmas disposições de antes. E mesmo usando as receitas do governo anterior, tratou de vender ao País a ideia de ter recebido uma "herança maldita". Sempre o mesmo processo de criar versões, apagar os fatos e vender uma "nova História" ao Brasil.

Quando foram apanhados rou

A desenvoltura dos integrantes da quadrilha do mensalão e da quadrilha do dossiê contra José Serra já vem despertando muitas suspeitas. Os réus andam muito à vontade nos palácios. Muitas declarações, muitas aparições públicas, muitas articulações, enfim, muita recuperação de terreno.

Tudo isso leva a crer que está em marcha uma grande manobra para tornar vitoriosa a versão criada pelo então presidente Lula: "O mensalão não existiu. Foi tudo armação da oposição"!


Colocar o mensaleiro João Paulo Cunha na presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados é mais do que um acinte, é uma ameaça para constranger o Supremo Tribunal Federal.

A presença desenvolta de José Dirceu nos acontecimentos recentes e o seu evidente prestígio junto à ocupante da Presidência da República, tudo isso é uma sinalização mais do que evidente.
Das tentativas feitas para apagar fatos e divulgar versões, essa de Lula é a mais ousada de quantas têm marcado o comportamento dos líderes petistas.


Há dias a Polícia Federal conseguiu terminar o seu relatório a esse respeito. Entregou o penoso e bem feito trabalho ao procurador-geral da República. Está, pois, nas mãos dele ajudar na luta entre os fatos e as versões.

Tenho medo.
O mês de agosto não me traz boas recordações.
A tentativa de assassinar Carlos Lacerda.
A morte do major Rubens Vaz.
O suicídio de Getúlio Vargas.
Anos depois, também em agosto, a renúncia jamais explicada, e jamais entendida, de Jânio Quadros.

Renúncia que abriu para Brizola e Jango a tentação de, por golpe e com o apoio de pequeno grupo militar, implantar aqui uma República sindicalista, com a ajuda de Cuba e da Rússia.

Se não fosse o patriotismo da maior parte das nossas Forças Armadas, em 31 de março de 1964 o Brasil teria dado um dos passos mais tristes de sua História.

Mas a tradição de criar versões e negar os fatos não muda. A mídia tem passado os últimos tempos divulgando exatamente o contrário da realidade. Na maioria das reportagens, os fatos cederam às versões.

Os golpistas Jango e Brizola são saudados como legalistas.
Os legalistas, que seguiram Castelo Branco e impediram o golpe, são apontados como golpistas.
As Forças Armadas nem podem mais comemorar o 31 de Março!


Que agosto não nos traga desgosto. Vamos ver o que acontece com os "heróis" do mensalão...

Sandra Cavalcanti O Estado de S. Paulo