"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 12, 2011

Estimativa de inflação para este ano sobe pela quarta semana consecutiva e chega a 6,45%

A estimativa de analistas do mercado financeiro para a inflação oficial este ano subiu pela quarta semana seguida.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 6,38% para 6,45%, segundo o boletim Focus, publicação semanal do Banco Central (BC) elaborada com base em projeção de analistas para os principais indicadores da economia.

Pela segunda semana, o boletim projeta alta para 2012,
ao passar de 5,32% para 5,40%.


As projeções para o IPCA em 2011 e no próximo ano estão cada vez mais distantes do centro da meta de inflação de 4,5%, mas dentro do limite superior de 6,5%.

A expectativa mediana dos analistas para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2011 caiu de 12,38% para 11% ao ano. Para o fim de 2012, a projeção passou de 11,88% para 11% ao ano.

No último dia 31, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado financeiro ao reduzir a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 12% ao ano.
A expectativa era que a taxa seria mantida em 12,5% ao ano.

O boletim Focus também traz projeção para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe),
que passou de 5,68% para 5,82%, este ano,
e segue em 5%, em 2012.

A estimativa para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi ajustada de 5,47% para 5,67% este ano,
e de 5,01% para 5,03% em 2012.


No caso do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M),
a projeção passou de 5,61% para 5,80%, este ano,
e de 5,02% para 5,04%, em 2012.

A estimativa dos analistas para os preços administrados passou de 5,35% para 5,55% em 2011 e segue em 4,50%, no próximo ano.

Os preços administrados são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis, energia elétrica,
telefonia,
medicamentos,
água, educação,
saneamento e transporte urbano coletivo.

Kelly Oliveira
Agência Brasil

Perdendo de goleada

Não é só dentro do gramado que vai mal a paração do Brasil para a Copa do Mundo

O país corre sério risco de torrar uma fortuna nas obras para o torneio, fruto dos improvisos de um governo que demorou quase quatro anos para começar a agir.

A deficiência reflete-se em toda a infraestrutura nacional, em condições cada vez mais lastimáveis.

O Brasil foi escolhido sede da Copa em outubro de 2007, mas quem vê o andamento das obras tende a pensar que foi apenas ontem.

Faltando 1.004 dias para o início do Mundial de 2014, as intervenções na maior parte das arenas ainda são incipientes e as melhorias viárias e de mobilidade urbana, não mais que uma promessa.

Não espanta que, já agora, se tema que os orçamentos para o evento irão explodir. As estimativas privadas diferem severamente dos cálculos oficiais.
Num caso ou noutro, a conta da incúria será paga pelo contribuinte.

Enquanto o governo fala em gastar R$ 23,4 bilhões com obras em aeroportos, portos, segurança, arenas e mobilidade urbana, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) projeta gastos de R$ 84,9 bilhões, conforme mostrou a Folha de S.Paulo ontem.
O pior é que o fosso pode vir a ser muito maior.
Há pouquíssima transparência nos empreendimentos do Mundial. Não se conhece ao certo os orçamentos, que quase nunca são atualizados pelas fontes oficiais.
Os projetos técnicos das obras também são precários, dando conveniente margem a gordos aditivos contratuais.
É a farra da Copa.

Por isso, veio em boa hora a contestação ao Regime Diferenciado de Contratações (RDC) apresentada pela Procuradoria-Geral da República na última sexta-feira, por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin).

A nova fórmula, voltada às obras da Copa e das Olimpíadas do Rio, foi aprovada em julho pelo Congresso, eivada de críticas da oposição.

Roberto Gurgel vê "comprometimento ao patrimônio público" se as contratações das obras forem feitas por meio do RDC. A medida, diz o procurador-geral, "além de ofender a Constituição, conspira contra os princípios da impessoalidade, moralidade, probidade e eficiência administrativa".

Outra Adin nos mesmos moldes protocolada por PSDB, DEM e PPS já tramita no Supremo Tribunal Federal.

Em seu escopo inicial, o RDC era um cheque em branco e praticamente implodia as exigências impostas à realização de obras públicas em vigor, por meio da Lei de Licitações. Diante da repercussão negativa, o governo foi levado a atenuá-lo. Mesmo assim, persistiram exageros.

O principal é a contratação das obras sem que se conheçam seus detalhes, cuja definição caberá às empresas vencedoras fazer. Sem projetos básico e executivo, ninguém sabe ao certo o que está sendo contratado - e por quanto - com o dinheiro público. O limite para aditivos - hoje de até 50% do valor do orçamento original - também deixa de existir.

O RDC não seria tão necessário para livrar o país de um fiasco nunca antes visto num Mundial de futebol se o improviso não fosse regra no governo do PT. Os oito anos e oito meses no poder ainda não foram suficientes para que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu tomasse pé da situação e deixasse de agir como se ainda fosse oposição.

A condição dos estádios e empreendimentos vinculados à Copa é apenas uma pequena amostra do que acontece com a infraestrutura brasileira como um todo. O país está em queda livre em relação ao resto do mundo, como mostrou O Estado de S.Paulo ontem.

Entre 2009 e agora, o Brasil passou de 81º para 104º lugar no ranking global de competitividade elaborado pelo Fórum Econômico Mundial. Baseadas na opinião de cerca de 200 empresários, as avaliações abarcam 142 países.

Na edição deste ano, o Brasil saiu-se especialmente mal nos quesitos qualidade da infraestrutura portuária (130º lugar), aeroportuária (122º) e rodoviária (118º).

As melhores pontuações são obtidas em telefonia, justamente onde o Estado, a contragosto do PT, cedeu espaço para atuação da iniciativa privada.


O improviso e a farra com o dinheiro público que reinam nas obras da Copa e os resultados aferidos pelo Fórum Econômico Mundial oferecem um retrato acachapante da inépcia da gestão petista.

Não é com menos controle e exigências, como estipula o RDC, que se remedia uma situação assim.

A hora é de a sociedade redobrar a vigilância.

Fonte : ITV

setembro 11, 2011

NA MARÉ BAIXA É QUE A BUSANFA PRESIDENCIAL VAI APARECER : Prepare a vela e a paciência. Lá vem o apagão.


A escalada de apagões, iniciada nos últimos dois anos e acelerada no mês passado, confirmará 2011 como ano recorde de interrupções no fornecimento de energia, eliminando qualquer dúvida sobre a fragilidade do setor elétrico do país.

O auge dessa crise, alertam especialistas ouvidos pelo Correio, deverá ser o próximo verão.

Eles temem que as temperaturas elevadas de dezembro a março e uma forte demanda adicional por energia puxada pelo uso de aparelhos de ar-condicionado não encontrem o investimento necessário em linhas de transmissão (nacionais) e de distribuição (locais), estimado em R$ 20 bilhões.

O descompasso, acreditam, deve-se à ausência de fiscalização sobre as concessionárias.

Os transtornos recentes justificam essa preocupação, embora o governo nem sequer admita o termo apagão para definir grandes blecautes, por entender que a escassez energética está superada.

O fato é que sucessivas falhas na distribuição e, sobretudo, na transmissão estão deixando cada vez mais brasileiros no prejuízo. Este ano, o consumidor deverá ficar 20 horas sem luz, superando a marca de 18,82 horas de 2009 e bem acima da média histórica de 16 horas.

"O que mais impressiona é que um único raio ou parafuso defeituoso pode deixar 60 milhões de pessoas no escuro por horas seguidas", diz Célio Bermann, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP).

O professor lembra que a "robustez" do Sistema Interligado Nacional (SIN), realçada pelo governo a cada grande corte de eletricidade, também é fonte de sua maior fraqueza, evidenciada no efeito dominó que ocorre a cada problema na rede.

Instituído em 1976, o SIN tem por objetivo garantir aproveitamento máximo do potencial elétrico, já que, pelas dimensões continentais do Brasil, as usinas são insuficientes para abastecer cada região de forma completa, barata, segura e independente.

Amapá e Amazonas serão os últimos estados a aderir ao Sistema Interligado, em 2012. A vantagem da cobertura nacional esbarra, contudo, em episódios pontuais que ganham proporção gigantesca.

A urgência de investir no reforço da segurança da malha, na troca de materiais e na tecnologia do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), gestor do sistema, é evidente, diz Bermann.

Ele vê ainda lentidão e pouca transparência na apuração dos apagões ocorridos, além de esvaziamento político e orçamentário da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

"Ao contrário de 2001, quando o problema era de oferta, hoje falta qualidade na transmissão e distribuição", resume. Procuradas, Aneel, ONS e Associação Brasileira das Empresas de Transmissão (Abrate) preferiram não comentar o tema.

Sucateamento
"O governo Lula encarou o desafio de pôr fim a apagões só no lado da oferta. O resultado disso é que nossa fiscalização e regulação são de terceira categoria", reclama Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie).

Ele reconhece que os investimentos no setor, previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), são expressivos, "mas concentrados em novas linhas". Enquanto isso, os cortes de energia refletem problemas nas redes sucateadas.

"Assim, chegaremos ao modelo angolano, no qual quem pode adquire gerador para se preservar", provoca.

Descontados os exageros, a rotina de interrupções nas grandes cidades mostra que essa realidade parece estar próxima. Em Brasília, cerca de 500 geradores a diesel estão em atividade para dar suporte a shoppings, hospitais, hotéis e grandes eventos públicos.

Na capital federal, sete grandes empresas oferecem equipamentos desse tipo ao lado de 20 concorrentes menores. "Em regiões como Park Way e Lago Sul, cortes prolongados de luz causados por danos na distribuição são constantes, sobretudo no período de chuvas", conta Felipe Venâncio Soares, empresário de locação de energia auxiliar.

No resto do país, a situação é semelhante.
Só em 15 dias de julho, quatro apagões deixaram 700 mil pessoas sem luz na capital paulista. No mês seguinte, 360 mil enfrentaram dificuldade parecida no Rio, com caos no trânsito e outros prejuízos.

Também em agosto, a região metropolitana de Maceió sofreu por quase uma hora em razão de um defeito numa subestação.

Em Brasília, um blecaute deixou o Congresso e a Esplanada dos Ministérios sem luz.

Mas o pior ainda estava por vir: no último 2, um apagão afetou 14 estados, superando fevereiro, quando oito estados nordestinos ficaram no escuro.

Burocracia
Especialistas reconhecem a complexidade do sistema, mas acham que as autoridades poderiam ter um retrato mais claro das dificuldades. O próprio Ministério de Minas e Energia admite a burocracia para apurar e corrigir causas de apagões.

Por meio de sua assessoria, o ministro Edison Lobão diz que perturbações no SIN são identificadas apenas conforme um regulamento do ONS. Para a elaboração de um relatório, com indicação de responsáveis, providências e recomendações é preciso, primeiro, verificar se os parâmetros conferem.

Só então a falha se torna objeto de "criteriosa análise" e o órgão convoca uma reunião com o ministério, a Aneel e os agentes envolvidos para uma "avaliação conjunta".
(...)
"Não existe mágica. As tarifas não são capazes de cobrir despesas com expansão, outros investimentos e ainda financiar a mudança necessária da rede de distribuição, rumo a um perfil mais seguro", lamenta Nelson Fonseca, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).

Enquanto não chega um evento de escala do nível de 2009, que deixou no escuro um terço do país, o maior receio está mesmo na frequência crescente de cortes e na possibilidade de alta no preço da tarifa.

Cálculos do Instituto Acende Brasil mostram que o peso dos tributos da União na conta de energia dobrou nos últimos oito anos:
em 2002, era 7%; agora, chega a 14%.

Somados os encargos setoriais e sociais recolhidos pelo governo federal e o ICMS estadual, a carga tributária chega a 50% da conta de luz.

Desafio para governo e empresas
Especialistas ressaltam que investimentos até reduzem riscos de apagões e permitem restabelecimento mais rápido. Mas lembram que a melhora da confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) requer esforço de todas as concessionárias.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirma que o impacto das mudanças climáticas nas próximas décadas sobre as redes de transmissão e distribuição é um desafio a ser compartilhado entre governo e empresas.

A entidade propôs à Aneel parceria para desenvolver novo padrão de distribuição. Com a impossibilidade de transformar toda a rede em subterrânea, dez vezes mais cara e recomendada para as áreas urbanas mais populosas, a alternativa seria reforçar a proteção de fios e equipamentos expostos.

Sílvio Ribas Correio Braziliense

E O BRASIL SEGUE "MUDANDO" : Brasil cai 20 posições em ranking de infraestrutura

A qualidade da infraestrutura brasileira piorou em relação ao resto do mundo pelo segundo ano consecutivo. Desta vez, no entanto, o País despencou 20 posições no ranking global de competitividade do Fórum Econômico Mundial, de 84º para 104º lugar.

Em 2010, já havia perdido três colocações por causa da lentidão do governo para tirar projetos importantes do papel.

A tendência não é nada animadora. Na avaliação de especialistas, com a paralisia verificada em algumas áreas este ano a situação tende a piorar. É o caso da malha rodoviária.

No ranking mundial, elaborado com base na opinião de cerca de 200 empresários nacionais e estrangeiros, a qualidade das estradas brasileiras caiu 13 posições e está entre as 25 piores estruturas dos 142 países analisados.

A preocupação é que, depois dos escândalos de corrupção no Ministério dos Transportes, muitas obras estão paralisadas. Segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), foram suspensos 41 editais, que estão sendo liberados de acordo com a prioridade do ministério.

O órgão destaca, entretanto, que esses processos estavam em diferentes estágios, alguns na fase anterior à abertura das propostas. Apesar disso, afirma que conseguiu executar R$ 1,2 bilhão em agosto.

Mas será preciso bem mais energia para melhorar a posição no ranking mundial, avalia o consultor para logística e infraestrutura da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet.

Ele destaca que já esperava essa piora do País em relação ao resto do mundo.
"A economia brasileira está crescendo e a infraestrutura está estagnada, em deterioração." Um dos pontos críticos, na opinião do executivo, é o sistema portuário, que recebeu nota de 2,7 pontos (quanto mais próximo de 1, pior).

Com isso, a qualidade dos portos brasileiros caiu sete posições e está entre os 13 piores sistemas avaliados pelo Fórum Econômico Mundial.
Entre todas as áreas, os portos ocupam a pior posição, 130º.


"Precisamos dar um salto na infraestrutura, tanto em quantidade como em qualidade", destaca o diretor executivo da Associação dos Usuários dos Portos da Bahia (Usuport), Paulo Villa.

Segundo levantamento feito por ele, hoje há uma demanda no País para construir 29 terminais de contêineres. Mas, por enquanto, não há iniciativas para transformar esses números em realidade.

Em Salvador, exemplifica Villa, só existe um terminal de contêiner, que está sendo ampliado. Há projeto de uma nova área dentro do porto público, mas a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) deu 36 meses para fazer a licitação. "Já se passaram 14 meses e até agora não vi nada.

Só a ampliação do atual terminal não será suficiente para atender a demanda das empresas, que tem buscado portos do Sul e Sudeste para exportar seus produtos", diz ele.

Fayet, da CNA, completa que a situação é semelhante, se não pior, no Norte do País.
"Em Belém, a capacidade de exportação é zero; em São Luiz, o limite de 2 milhões de toneladas não muda há 18 anos; e em Santarém, o volume é o mesmo há dez anos.

Não houve nenhuma expansão em uma área que poderia atender a expansão do agronegócio."

Lentidão. A maior crítica é que, apesar da forte demanda e da existência de locais disponíveis, o governo não faz licitações de áreas públicas nem permite que a iniciativa privada faça terminais privativos.

"O governo é muito moroso para liberar a construção de um porto. Só de terminais públicos, há cerca de R$ 6 bilhões aguardando liberação", destaca o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli.

Desde que o novo ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, tomou posse as decisões estão um pouco lentas. O ex-prefeito de Sobral, no Ceará, demorou algum tempo para tomar pé da situação e entender como funciona o sistema portuário.

Enquanto isso, várias medidas importantes esperam por solução, como a tarifa pelo uso do espelho d’água (área onde ficam os navios)nos portos, que tem afastando investimentos privados, afirma Manteli. A cobrança foi suspensa, mas ninguém sabe o que ainda pode acontecer.

"O empresariado está bastante pessimista em relação à infraestrutura brasileira", afirma o coordenador do Núcleo de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda.

A fundação é responsável pelos dados brasileiros constantes no Relatório Global de Competitividade do Fórum Econômico Mundial.

Ele afirma que a qualidade das ferrovias brasileiras foi a que recebeu a menor nota: 1,9 ponto - a mesma classificação dada pelos empresários em 2009. Apesar disso, o setor caiu 4 pontos no ranking.

"É uma sinalização de que os outros países, que em 2010 estavam atrás do Brasil, conseguiram melhorar a sua infraestrutura", afirma o coordenador.

Ele conta que no geral a infraestrutura brasileira recebeu nota de 3,6.
"É uma posição muito ruim para o País."

Renée Pereira/O Estado de S.Paulo

O "BRASIL MARAVILHA" DO CHACHACEIRO PARLAPATÃO E A GERENTE DE R$1,99 :Indústria parou de crescer há 3 anos.

A indústria de transformação brasileira parou de crescer há três anos, freada pelo câmbio valorizado, pelo custo Brasil e pelo excesso de oferta mundial.

Desde julho de 2008, logo antes do início da crise global, praticamente não houve crescimento da produção de manufaturados nem do nível de emprego no setor.

Pelos números do PIB, a expansão da indústria de transformação de julho de 2008 a julho de 2011 foi de apenas 1%, comparada a 7,8% para a construção civil e 10,5% para os serviços.


Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange as seis maiores regiões metropolitanas, o emprego industrial cresceu apenas 2,2% naquele mesmo período. Enquanto isso, o emprego se expandia em 13,7% na construção civil e 11,8% nos serviços.

A pressão sobre a indústria fica clara na migração de fábricas de empresas nacionais para o exterior, como na recente decisão da Paquetá Calçados de transferir a unidade exportadora de Sapiranga (RS) para a República Dominicana.

A desaceleração do PIB do segundo trimestre para 0,8% (3,2% em ritmo anualizado) ante os três primeiros meses do ano, na série sem influências sazonais, teve como freio principal a quase paralisia da indústria. O ritmo foi de apenas 0,2% (0,8% anualizado).

No setor industrial, porém, o item que de fato segurou o crescimento foi a indústria de transformação, com expansão nula. A transformação corresponde a 62% da indústria, e abarca todas as manufaturas.

Não fazem parte da indústria de transformação o segmento extrativo-mineral, a construção civil e eletricidade, água, esgoto e limpeza urbana.

A fraqueza da indústria de transformação também fica clara no fato de que o seu nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) pode cair abaixo da média histórica nos próximos meses, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Todo esse quadro de enfraquecimento industrial pesou na decisão do Banco Central de cortar a taxa básica, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, para 12%, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Mas o fato de que a paralisia já dura três anos leva alguns economistas a defender a ideia de que o problema na indústria não é conjuntural, mas sim estrutural.

Nessa visão, a indústria está perdendo peso relativo dentro da economia, atingida por uma combinação de fatores que favorece a agricultura, as matérias-primas e o setor de serviços.

"A indústria da transformação hoje está no nível de três anos atrás e a inflação está fortíssima; não dá mais para fazer um diagnóstico da inflação olhando a indústria", diz Samuel Pessôa, economista da consultoria Tendências.

O câmbio valorizado é apontado consensualmente como a principal causa da estagnação na indústria, ao atrair a competição importada e dificultar as exportações.

A desvalorização desde junho, de 8,4%, de R$ 1,54 por dólar para R$ 1,68, é um pequeno alento, mas ainda está muito longe de resolver o problema de competitividade da indústria.

Em termos de quantidades, o Brasil exporta hoje menos produtos manufaturados do que em 2008, segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). A queda, comparando o primeiro semestre de cada ano, é de 17%.

Já a participação da indústria de transformação no total exportado caiu, entre 2008 e o primeiro semestre de 2011, duas vezes mais que entre 2002 e 2008, em pontos porcentuais. Dessa forma, a proporção era de 80% em 2002, 70% em 2008 e 50% no primeiro trimestre de 2011.

Fernando Dantas / RIO - O Estado de S.Paulo

/ COLABOROU ALESSANDRA SARAIVA.

setembro 09, 2011

Inflação "do aluguel" acelera alta na 1ª prévia de setembro

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acelerou a alta para 0,43% na primeira prévia de setembro, ante 0,22% no mesmo período do mês anterior, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira.

O indicador amplamente utilizado na correção de contratos de aluguel acumula variação de 3,93% no primeiro decêndio em 2011, enquanto a inflação em 12 meses é de 7,23%.

Empurrado pelo preço das matérias primas brutas, que apresentaram alta de 1,25%, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 0,49%, ante 0,28% em agosto.

"Os itens que mais contribuíram para a trajetória de aceleração deste grupo foram: minério de ferro (-1,94% para 2,97%), café (em grão) (-2,57% para 7,59%) e soja (em grão) (1,97% para 4,09%)", afirmou a FGV em nota.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também acelerou de 0,07% em agosto para 0,42% no primeiro decêndio deste mês.
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou desaceleração de 0,16% para 0,10%.


Inadimplência acumula alta de 5,14% no ano, diz CNDL

A inadimplência do consumidor brasileiro acumula alta de 5,14% de janeiro a agosto, em comparação com mesmo período de 2010, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com base nas consultas e inclusões de cadastros no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Na comparação com agosto de 2010, o avanço foi de 6,37%, a sétima elevação consecutiva neste tipo de relação.

"Podemos atribuir o resultado ao comprometimento de parte do orçamento das famílias com as parcelas de presentes para o Dia das Mães e dos Namorados, onde algumas excedem nos gastos e acabam tendo dificuldades de honrarem seus compromissos.

Deve-se também aos gastos realizados na euforia do mês de julho (férias) e que não foram planejados, não cabendo assim no orçamento das famílias", afirmaram as entidades em nota.

Em relação ao mês de julho, o aumento ficou em 5,1%. Apesar da alta, a tomada de crédito pelo consumidor vem aumentando.

O vice-presidente da CNDL, Vitor Augusto Koch, destacou que o consumidor deixa de pagar uma prestação não porque quer dar calote, mas porque em um determinado momento da vida foi obrigado a cobrir alguma outra despesa emergente.

Nos últimos quatro anos, mais 30 milhões de brasileiros passaram a comprar a crédito.

Segundo ele, o lojista também tem uma parcela de responsabilidade pelo aumento da inadimplência, porque "às vezes se entusiasma demais para fazer uma venda a prazo".

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) dispõe de ferramentas para orientar o comércio a conceder crédito de forma mais criteriosa, de acordo com o representante da CNDL.

As consultas ao SPC, que refletem o nível de atividade do comércio, tiveram alta de 8,37% em agosto em relação ao mesmo período de 2010 e de 6,36% ante julho deste ano.

As vendas a prazo cresceram 6,35% de julho para agosto e tiveram alta de 5,72% no ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

O cancelamento de registros, que mostra a recuperação de crédito, teve alta de 7,81% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo os dados divulgados pela CNDL.

Com informações da Agência Brasil.

BC confunde, não explica


A ata da reunião do Copom que reduziu os juros na semana passada não trouxe as respostas que se esperava para justificar o corte brusco da taxa básica. Se era para explicar, o que o Banco Central conseguiu foi confundir ainda mais. É difícil compactuar com as razões apresentadas sem temer pelo recrudescimento da inflação.

A decisão do BC de cortar a taxa básica, depois de mais de dois anos de manutenção e alta, coincide com o momento em que a inflação brasileira atinge o maior patamar em seis anos. É esta contradição que tem gerado as críticas a uma atitude que, fosse outra a situação, teria sido louvada e comemorada por todos.

A inflação medida pelo IPCA acumula alta de 7,23% nos últimos 12 meses. É o pior resultado desde junho de 2005. O índice que companha o comportamento dos preços no atacado (IPA) também subiu bastante em agosto, em especial os alimentos, após ter tido deflação em julho. Depois, a onda bate no varejo e no bolso do consumidor.

O regime de metas adotado no país estabelece que, neste e nos próximos dois anos, o índice a ser perseguido deve ser de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Ou seja, a inflação corrente já furou o teto. Mas o BC tem fé que ela cairá.

Simulações estatísticas indicam que a taxa acumulada tende a ceder no último trimestre do ano: sairão da base de cálculo meses em que a inflação foi muito elevada em 2010 e entrarão resultados supostamente mais favoráveis de agora.

Mas há vários fatores que conspiram contra isso: a persistente alta dos preços dos serviços, próxima de 9% em 12 meses, e o aumento, já contratado, de 13,6% para o mínimo em janeiro de 2012. Há também todo um mercado de trabalho ainda muito aquecido, com ganhos reais de salários sendo concedidos. Serão mais combustível na fogueira da inflação.

Diante disso, os motivos que o BC lista na ata divulgada ontem para sustentar a criticada decisão de cortar os juros básicos em 0,5 ponto percentual, para 12% ao ano, são muito mais apostas do que frias constatações. Crê-se numa freada forte da economia mundial, mas o lance mais arriscado é o que se fia no "cenário de contenção das despesas públicas".

De concreto, até agora, o que mais se aproxima disso foi a decisão do governo federal de aumentar em R$ 10 bilhões o superávit fiscal deste ano, anunciada na véspera da reunião do Copom. Note-se, porém, que estes bilhões nada mais são do que resultado de arrecadação atípica de tributos. Não é que a gestão petista gastou menos; o que aconteceu foi que ela arrecadou demais.

Já o que poderia ser efetivamente uma sinalização de austeridade fiscal passou longe disso. A proposta orçamentária para 2012 traz previsão de aumento de gastos acima da expansão do PIB e também superior à elevação das receitas. Ou seja, o governo Dilma Rousseff pretende gastar mais e não menos, como prefere apostar o BC. Na prática, a meta de superávit deve cair de 3,15% do PIB para 2,5%. Que "contenção" é esta?

"Em nenhum momento ficou demonstrado que a deterioração das condições externas seja tão forte e que a melhora dos indicadores fiscais internos seja tão relevante a ponto de justificarem a dosagem reforçada no corte dos juros. Há desproporção entre diagnóstico e a decisão tomada", comenta Celso Ming n'O Estado de S.Paulo.

Outro fator que tende a dificultar a vida do Banco Central doravante é o comportamento do dólar. Com a valorização verificada a partir de agosto, a moeda americana já está perto de zerar as perdas acumuladas desde janeiro. E a tendência é de novas altas. Com isso, o custo dos importados - que implodiu a produção nacional, mas serviu de contrapeso para a inflação geral - tende a subir, gerando mais pressão sobre os preços internos.

Todos querem que a taxa de juros brasileira deixe de ser tão elevada quanto ainda é. O que não se admite é que, para acabar com esta jabuticaba que só existe no Brasil, o Banco Central rife a maior conquista da sociedade brasileira em décadas: a estabilidade da moeda.

Por ora, o resultado da atuação da autoridade monetária tem sido apenas mais inflação e menos crescimento econômico.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Petróleo "esconde" déficit em derivados e os três embustes do "brasil maravilha" do cachaceiro parlapatão e sua "extaordinária gerentona".

O Brasil encerrou os primeiros sete meses deste ano com um pequeno superávit na balança comercial do setor de petróleo, revertendo o déficit de US$ 632 milhões obtido em igual período de 2010.

O superávit de US$ 59 milhões foi obtido com ajuda das exportações do óleo bruto, porque o déficit na importação de derivados aumentou 22,6% em relação ao mesmo período do ano passado e chegou a US$ 3,73 bilhões, segundo dados organizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A importação de petróleo também cresceu, mas menos do que as vendas externas de óleo bruto.

Apesar do aumento nas exportações de derivados (US$ 5,74 bilhões de janeiro a julho contra US$ 4,03 bilhões do ano passado), a demanda interna por combustíveis - principalmente gasolina - e a escassez de refinarias em solo nacional pressionaram a busca pelos produtos fora do país.

Até julho, o Brasil importou US$ 9,48 bilhões em derivados, 33,7% mais do que no mesmo período de 2010. E a tendência é de alta: enquanto na média dos primeiros três meses do ano o país comprou US$ 955 milhões para abastecer o mercado, de maio a julho a demanda subiu para US$ 1,66 bilhão.

O petróleo também teve aumento expressivo, mas no sentido contrário. O superávit obtido até julho da balança do óleo bruto, de US$ 3,79 bilhões, representou aumento de 56,7% frente ao mesmo período do ano passado.

A quantidade de barris, junto com a valorização do preço no mercado internacional, contribuiu para o número favorável: o país exportou 1,01 milhão de barris a mais e importou 6,55 milhões a menos na mesma comparação.

A reversão do déficit, no entanto, esconde uma dependência cada vez maior de refinarias fora do país. O aumento da importação dos derivados do petróleo é reflexo do aquecimento do mercado interno, que apresenta alta na demanda por carros e passagens de avião - entre itens que exigem maior consumo de derivados -, mas também de eletrodomésticos como geladeira e fogão, segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie).

"Desde 2008, como resposta à crise, o governo incentiva o consumo de bens duráveis, que necessitam de combustível. Somos autossuficientes em petróleo, mas não conseguimos produzir nafta, diesel, querosene de avião e gasolina, porque faltam refinarias."

Nos primeiros seis meses do ano, de acordo com a Petrobras, o consumo de gasolina no mercado doméstico cresceu 17% frente ao mesmo período de 2010. Outros combustíveis que passam por forte demanda, como querosene de avião e diesel, aumentaram 12,9% e 8,6% respectivamente.

A empresa brasileira tem planos de construção de quatro novas refinarias (Comperj, no Rio de Janeiro, Premium I, no Maranhão, Premium II, no Ceará, e Abreu e Lima, em Pernambuco) com a primeira com previsão de inauguração para o fim de 2013, e a última em 2017.

Com isso, a estimativa é que a produção diária de 2 milhões de barris de petróleo refinado aumente para 3,1 milhões. A última refinaria inaugurada no país foi a de Henrique Lage, em São José dos Campos (SP), em 1980. Até o início desse plano de expansão, a Petrobras acredita que a importação de derivados de petróleo vai aumentar e representar até 10% do total consumido no país. Hoje, a fatia estrangeira é de 5%.

Apesar de concordar com o cenário de maior pressão sobre a demanda de derivados, Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, prevê uma participação maior das importações no consumo interno.

"A curva vai se acelerar pelo menos até o fim de 2013, pois não podemos refinar mais petróleo e a safra de etanol não deve aumentar substancialmente. Para este ano e 2012, esquece. Teremos que seguir importando e não vejo a fatia parando em 10%, pois os próximos dois anos serão de forte demanda por gasolina."

Até abril do próximo ano, outro fator que vai provocar o aumento na importação de derivados é a decisão do governo de reduzir a participação de álcool anidro na gasolina de 25% para 20%.

Rodrigo Pedroso | Valor Econômico


Três embustes do Brasil Maravilha do parlapatão cachaceiro :

O milagre do álcool

A autossuficiência em petróleo e a eficiência espetacular da Petrobras. Na discurseira de Lula e Dilma Rousseff, são espantos de matar de inveja um magnata de filme americano.

No país real, só existem na papelada registrada em cartório pelo palanque ambulante. (AN)

O álcool…


Lembra da revolução energética anunciada pelo presidente Lula, em que o álcool de cana brasileiro seria um dos combustíveis mais importantes? Bom, o Brasil está importando álcool faz tempo ─ principalmente dos Estados Unidos.

Neste ano, a importação representa cinco vezes a de 2010: no total, 1,03 bilhão de litros contra 200 milhões do ano passado. E era para ser ainda maior, se o Governo não tivesse reduzido a mistura do álcool na gasolina de 25 para 20%.

…a gasolina…

Lembra da autossuficiência do Brasil em petróleo, também anunciada pelo presidente Lula? Neste ano, o Brasil já importou 3,1 milhões de barris de gasolina; e além das importações normais virão mais 550 mil barris por mês, para substituir os 5% de álcool a menos na mistura.

…o custo

No segundo trimestre do ano passado, o prejuízo da Petrobras com a importação de gasolina foi de R$ 108 milhões. No segundo trimestre deste ano, de R$ 2,28 bilhões.

Traduzindo: o prejuízo foi multiplicado por 20.

(Augusto Nunes)

Internet contorna cooptação lulopetista.

O feriado do Dia da Independência se tornou um marco na história das manifestações populares no país. Menos pela quantidade de pessoas que levou às ruas, e muito mais pela forma e contexto em que foram mobilizadas. Fica registrado que em 7 de setembro de 2011 alguns milhares de brasileiros decidiram protestar contra a onda de corrupção na esfera pública, sem atender qualquer das entidades outrora de praxe - UNE, sindicatos -, apenas conectando-se por meio de redes sociais, via internet. Aliás, decidiram fazer o que fizeram contra os interesses de UNE, sindicatos etc.

Este tipo de mobilização política espontânea entre cidadãos, à margem de governo, partidos e corporações, ganhou grande destaque mundial na luta (frustrada) da oposição iraniana contra a vitória eleitoral fraudada de Ahmadinejad, em 2009. Mensagens de twitter convocaram protestos, e cenas de conflitos registradas por telefones celulares foram transmitidas ao redor do mundo, fato inédito na fechada ditadura persa dos aiatolás.

No final, venceu a ditadura, inclusive valendo-se de recursos de tecnologia de ponta para rastrear opositores e jogá-los nas terríveis masmorras do regime.

No Brasil, a internet não é usada contra uma ditadura, óbvio, mas, no 7 de setembro, para romper uma couraça criada nos oito anos de poder lulopetista a fim de proteger o governo e o PT de qualquer ameaça política.

Na Primavera Árabe, ainda em andamento, foi de vez institucionalizado o manejo da rede mundial de computadores, das mais diversas formas, para inimigos das ditaduras se comunicarem e planejarem ações.

Longe de ser o caso do Brasil, também é claro. A peculiaridade brasileira é que desde 2003, com a chegada de Lula ao Planalto, entidades estudantis, organizações ditas sociais como o MST e grandes centrais sindicais (CUT e Força) - apenas para citar os elos mais importantes desta cadeia fisiológica - passaram a ter assento no grande banquete pago pelo dinheiro do Tesouro Nacional (leia-se, o contribuinte).

Na política de obter apoio em troca de vagas e verbas, o governo doou o Incra ao MST, o Ministério do Trabalho aos sindicatos, encheu os cofres da UNE de numerário, e, assim, chegamos ao ponto atual, em que, por conveniências bastante concretas, aguerridas entidades fingem que não há corrupção em Brasília.

Tampouco que a multiplicação de casos em que o Tesouro é assaltado deriva do toma lá dá cá adotado em Brasília há oito anos.

Forjou-se, até, a anedótica comparação entre os que pedem hoje lisura no manejo do dinheiro do Erário com a UDN de Carlos Lacerda, da década de 50, na campanha contra Vargas, acusado de corrupção. Os momentos históricos são distintos como água e vinho.

No fundo, paira a visão de que o roubo de direita tem de ser denunciado, enquanto o roubo de esquerda deve ser tolerado, em nome da "causa". Lamentável.

A mobilização que resultou nas quase 30 mil pessoas no asfalto de Brasília, sem que fossem admitidas faixas e cartazes alusivos a partidos, pode ser a ponta de algo maior existente no subsolo da sociedade. Merece alguma reflexão dos atuais donos do poder.

O Globo