"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

dezembro 09, 2013

Mais comércio, mais progresso


À primeira vista, o tema não parece ser dos mais palpitantes. 
Mas comércio internacional é fundamental para o progresso das nações. Daí a relevância do acordo fechado neste fim de semana em Bali, na Indonésia, e suas implicações para as opções equivocadas que o Brasil vem adotando nos últimos anos nesta seara, isolando-se do mundo.

Fazia 12 anos que a Organização Mundial do Comércio (OMC) tentava fechar um acordo multilateral de liberalização dos negócios entre países. Ocorre que, num grupo formado por 159 nações, as regras da instituição só admitem decisões por consenso. Quase impossível, mas saiu alguma coisa.

Pelo que foi costurado, com o brasileiro Roberto Azevêdo à frente, haverá menos burocracia e mais eficiência nas alfândegas (algo chamado de "facilitação de comércio", por buscar melhorar as práticas aduaneiras), compromissos para eliminar subsídios que distorcem as exportações agrícolas e alguns benefícios para países mais pobres, de forma a possibilitar seu maior desenvolvimento.

Estima-se que o consenso global acordado neste fim de semana na Indonésia representa apenas 10% das pretensões iniciais da OMC à época em que as negociações começaram, em 2001. Mesmo assim, será capaz de injetar US$ 1 trilhão no comércio global e criar 21 milhões de empregos, o que demonstra a força que os negócios entre nações têm.


Se o acordo da OMC tivesse naufragado, o Brasil estaria num mato sem cachorro, ou, sendo mais preciso, num oceano sem bote de salva-vidas. Isto porque, na era petista, nossa diplomacia jogou todas as suas fichas em negociações multilaterais de comércio - estas que envolvem plenárias globais e em que Cuba ou Venezuela valem tanto quanto EUA, Alemanha ou Japão - e praticamente se eximiu de buscar acordos bilaterais com países e blocos.

"O governo [brasileiro] não disfarçava o medo de que, com um colapso, a OMC fosse abandonada pelas grandes potências, que passariam a fechar acordos comerciais entre elas. O temor era de que essas iniciativas reformulassem as regras do comércio mundial, desta vez sem a influência ou participação do Brasil ou de outros emergentes", resumiu O Estado de S.Paulo em sua edição de ontem.

Enquanto o Brasil aguardava a OMC acertar o passo, o mundo girou e a Lusitana rodou. Multiplicaram-se as negociações bilaterais entre países e blocos. Há, hoje, 543 acordos desta natureza sendo negociados ao redor do mundo.
Na última década, o Brasil só fechou três deles: 
com Egito, Israel e Palestina. 
Não parece muita coisa. E não é mesmo.

Ao mesmo tempo em que o Brasil ficava a ver navios, vizinhos como Chile, Colômbia, México e Peru firmaram a Aliança do Pacífico, liberalizando 90% dos produtos comercializados entre si num mercado de US$ 2 trilhões que concentra 49% dos investimentos diretos estrangeiros na América do Sul. Mas não foi só.
Os Estados Unidos lançaram tratativas para firmar, com a União Europeia, o Acordo Transatlântico, que, se bem sucedido, envolverá mercado equivalente à metade da produção e a um terço do fluxo de comércio no mundo. E ainda mantêm em negociação uma parceria com as poderosas economias do Pacífico. São, como se vê, movimentos capazes de alterar a dinâmica da economia global e reconcentrá-la nos seus polos mais robustos.

Enquanto as movimentações ao redor do mundo seguiam frenéticas, o Brasil manteve-se atado ao abraço de afogados do Mercosul. Pior ainda, fez opção por se associar a governos ainda mais refratários à abertura e ao livre comércio, como a Venezuela, admitida no ano passado, e a Bolívia, que chegou há mais tempo no bloco.

O Brasil continua sendo um dos países mais fechados do mundo. 
Somos a sétima economia global, mas apenas o 25° maior exportador. Nossas exportações equivalem a 1,3% do total mundial e a 12,5% do nosso PIB, enquanto a participação das importações na economia brasileira é de apenas 13%, menor percentual entre 176 países analisados pelo Banco Mundial.

Por isso, é urgente uma reversão da orientação dada pelo PT a nossas estratégias de integração com o mundo. O Brasil precisa voltar a liderar as negociações regionais no continente e reorientar o Mercosul, aproximando-o dos objetivos de quando o bloco foi concebido, ou seja, mais comércio e mais abertura de mercados. Também deve jogar todos os esforços necessários para fechar um acordo com a União Europeia, deixando de ficar a reboque, por exemplo, da Argentina, que continua se recusando a aprofundar negociações.


Não é difícil perceber que as melhores perspectivas de desenvolvimento e progresso econômico estão na ampliação do comércio internacional, e não no contrário, como gostam de fazer crer os especialistas petistas e seus colegas bolivarianos. Basta constatar que a visão míope que esta turma tem sobre o lugar que o Brasil deve ocupar no mundo deve nos levar a ter neste ano o primeiro déficit comercial desde 2000.

Com eles, andamos para trás, enquanto todo o
resto do mundo avança.

ITV

dezembro 08, 2013

HERANÇA MALDITA ! JEITO EMBUSTEIRO 1,99 DE "GUVERNÁ" RESULTA EM : Governo terá novo gasto bilionário com setor elétrico



Mais um ano depois de o governo anunciar R$ 20 bilhões em indenizações ao setor elétrico pela renovação antecipada de contratos de geração e transmissão de energia que possibilitou a redução das contas de luz, outro gasto bilionário que terá de ser pago pelo Tesouro Nacional às empresas do setor ainda nem sequer foi calculado. Faltando menos de um mês para o fim do ano, o governo nem mesmo fechou a metodologia para apurar parte significativa desse valor.

A maior conta que pesará sobre os cofres públicos a partir de 2014 se refere à remuneração por linhas de transmissão construídas antes de maio de 2000, que foram simplesmente ignoradas pelo governo no fim do ano passado, quando as indenizações para as empresas transmissoras de energia somaram R$ 13 bilhões.

Na época, todas as companhias reclamaram da metodologia empregada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Ministério de Minas e Energia. O governo precisou voltar atrás e prometer que esses ativos também seriam considerados.

Somente o grupo Eletrobrás espera receber mais uma bolada de R$ 8,3 bilhões por linhas de transmissão construídas no século passado, e fontes do setor projetam um conjunto de indenizações superior a R$ 10 bilhões para o conjunto das empresas transmissoras de energia. O problema é que, um ano após a promessa de um novo pagamento, o governo ainda não fechou a metodologia para realizar o cálculo desses valores.

A Aneel manteve uma consulta pública aberta entre 9 de setembro e 11 de outubro sobre os critérios que serão usados nessa conta, mas até hoje não concluiu a análise das contribuições do setor privado e publicou as normas definitivas.

Uma portaria do Ministério de Minas e Energia obriga a agência reguladora a concluir esse processo até o fim deste ano, para só então as empresas enviarem ao órgão suas listas de equipamentos não depreciados até o fim de 2012.

Investimentos. 

Um segundo esqueleto do pacote de desconto na conta de luz que também será solucionado em 2014 é o pagamento pelos investimentos feitos pelos geradores de energia ao longo dos contratos antigos.

Essa outra promessa do governo foi feita às pressas em dezembro do ano passado, na véspera do prazo final para as companhias aderirem ao pacote. A medida foi considerada a última cartada para convencer os executivos insatisfeitos com as indenizações oferecidas.

Exatamente um ano depois, ninguém - nem governo e nem empresas - tem ideia do tamanho dessa conta. As companhias têm até 21 de dezembro para entregarem à Aneel suas relações de reformas, ampliações, melhorias e modernizações realizadas nos bens das concessões.

Nada disso foi levado em conta no cálculo das primeiras indenizações, que considerou apenas o custo atual para se construírem novas usinas conforme os projetos originais - o chamado Valor Novo de Reposição (VNR).
O reconhecimento pelos investimentos das companhias de geração poderia ser feito pelo governo tanto por meio de indenizações quanto nas tarifas desses concessionários.

Como as autoridades do setor escolheram a primeira alternativa, o Tesouro fatalmente terá de realizar um novo aporte de recursos, visto que os fundos setoriais que garantem uma espécie de reserva para a quitação de indenizações já se esvaziaram, por causa do primeiro pacote de compensações.

Em meio à negociação com o governo, nenhum executivo das associações de geradores e transmissores de energia se arriscou a divulgar o tamanho dos pedidos das empresas. O Ministério de Minas e Energia se limitou a comentar que a Aneel abriu consultas públicas para a definição das metodologias de cálculo desses valores.
Eduardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo

ENQUANTO ISSO NO brasil maravilha DOS FARSANTES/CACHACEIRO PARLAPATÃO"ALCAGUETE" E EMBUSTEIRA 1,99... Mistura tóxica : inflação, estagnação e crise fiscal

Ninguém vai jogar a toalha.
A inflação já estourou a meta, com 4,95% até novembro.
A economia encolheu 0,5% no terceiro trimestre e cresceu apenas 2,3% em 12 meses. Mas a presidente Dilma Rousseff ainda poderá falar em vitória se o ano terminar com alta de preços inferior a 5,84%, resultado final de 2012, e expansão do produto em torno de 2,5%.

A essa altura, poucos lembrarão a maior parte dos micos de 2013, incluída a entrevista ao jornal El País, quando ela anunciou a revisão do crescimento do ano passado para 1,5%. Houve revisão, sim, mas de 0,9% para 1%, como informou nesta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Talvez numa próxima correção apareça a taxa de 1,5%, mas quem se importará, além da presidente?
 
 
Em qualquer país governado por gente comum, a mistura de crescimento econômico em torno de 2,5% com inflação acima de 5% seria considerada um desastre. Neste Brasil de governantes incomuns, as autoridades torcem por esse resultado. Que mais poderiam ambicionar, neste momento? Além disso, cantam vantagem, apontando países com crescimento menor, mas, curiosamente, em posição bem melhor na escala de risco de crédito. 
 
Agências de classificação cometeram erros notáveis nos últimos 20 anos, mas seus critérios, de modo geral, fazem sentido e suas avaliações são levadas a sério no setor financeiro. 
 
No mercado, todo mundo sabe do risco de rebaixamento da nota do Brasil. 
O ministro da Fazenda até já se mostrou preocupado com essa possibilidade. Mas nem por isso decidiu cuidar seriamente das contas públicas, admitir os problemas e pôr de lado a contabilidade criativa e a política de remendos fiscais.

Há poucos dias o ministro desistiu de mais uma operação para maquiar as contas federais - uma jogada com participação da Caixa e da Eletrobrás. 
Mas só mudou de ideia quando uma reportagem do Valor escancarou a manobra e toda a imprensa foi atrás da história. A armação de um lance desse tipo havia sido mencionada algum tempo antes na cobertura do Estado.Segundo o plano, a Caixa financiaria, com garantia do Tesouro, pagamentos devidos por subsidiárias do setor de energia a um fundo setorial. 

Isso pouparia ao Tesouro uma transferência de R$ 2,6 bilhões. 
Assim ficaria um pouco mais fácil obter o superávit primário de R$ 73 bilhões prometido pelo ministro. Se o governo alcançar esse resultado, será principalmente graças a manobras e a receitas extraordinárias, como os bônus de concessões de infraestrutura e as parcelas do programa de refinanciamento de dívidas tributárias, o Refis. 

Este programa deverá render uns R$ 20 bilhões.
Só a Vale deverá entrar com uns R$ 6 bilhões nessa coleta.
E só o bônus do leilão do campo de Libra, no pré-sal, deverá proporcionar R$ 15 bilhões. A soma desses valores garantirá quase metade do resultado primário fixado para o governo central. 

O desarranjo das contas públicas tem sido apontado como um dos principais fatores da inflação. A alta de preços está obviamente vinculada ao descompasso entre a demanda e a oferta interna, reconhecido por boa parte dos analistas e de novo mencionado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC). O presidente do BC, Alexandre Tombini, citou num discurso, nesta semana, o recuo das taxas acumuladas de inflação, mas é necessário muito otimismo para festejar os números conhecidos. 

 inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegou a 4,95% no ano e a 5,77% em 12 meses. A variação mensal ficou em 0,54%, ligeiramente abaixo da observada em outubro (0,57%). 
Cinco dos nove grupos de despesas encareceram mais que no mês anterior. 
O índice de difusão - parcela de itens com aumento de preços - passou de 67,7% em outubro para 68,2%, confirmando, mais uma vez, a ampla disseminação das pressões inflacionárias.

Não há como sustentar - nem havia antes - a tese oficial de uma inflação derivada da alta dos alimentos ou da valorização internacional das commodities. O custo da alimentação tem subido menos, assim como os preços das matérias-primas, como confirma a Fundação Getúlio Vargas (FGV). 
Entre outubro e novembro a alta dos preços no atacado passou de 0,71% para 0,12%, enquanto a dos preços ao consumidor acelerou de 0,55% para 0,68%.

 Nem um resultado final abaixo dos 5,84% do ano passado está garantido, porque o IPCA de dezembro vai registrar os aumentos de preços de combustíveis, cigarros, eletricidade, água e esgoto, como observou o economista Fernando Parmagnani, da consultoria Rosenberg & Associados. 
Além disso, um ligeiro recuo da inflação neste ano - por enquanto, só uma hipótese - de nenhum modo garante uma nova redução do acumulado em 2014, advertiu Salomão Quadros, da FGV.

Houve "coisas atípicas" neste ano, disse ele, lembrando a interferência política nos preços administrados.

 Inflação alta e contas públicas em baixa combinam de forma desastrosa com a indústria emperrada. A produção industrial cresceu 0,6% de setembro para outubro - uma bela notícia, depois do fiasco do terceiro trimestre. Mas a comemoração pode ter sido exagerada.

É bom examinar as médias móveis trimestrais de dois anos. 
Como a indústria foi mal em 2011, a evolução em 24 meses ficou abaixo de pífia. Nos três meses terminados em outubro, o índice de produção praticamente repetiu o de igual período de 2011, no caso da indústria geral. 
O indicador do segmento de bens de capital (máquinas e equipamentos), 17,6% superior ao da média de agosto a outubro do ano passado, parece espetacular.

Mas o aumento em dois anos ficou em 6,03%. 
Isso combina com uma taxa geral de investimento - público e privado - na altura decepcionante de 19% do PIB. Não haverá crescimento muito maior com esse investimento.

Rolf Kuntz - O Estado de S.Paulo

dezembro 06, 2013

A turma do escárnio


Há 20 dias os mensaleiros foram recolhidos ao presídio da Papuda para começar a pagar pelos delitos e pelas práticas criminosas cometidas por eles no maior escândalo de corrupção da nossa história recente. Desde então, os presos petistas protagonizaram uma série de tentativas de se livrar deste inevitável encontro de contas. Parecem tratar com escárnio os desígnios da Justiça brasileira.

Pelo jeito, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares creem que podem continuar caminhando pelo lado pantanoso da vida para se dar bem. 
Suas tentativas de se safar da cadeia revelam o pouco caso que devotam às instituições do país, em especial ao nosso Judiciário. 
Só isso é capaz de explicar seus atos nos últimos dias. 
Parecem até chacota. 
E são. 

Comecemos por Dirceu. 
Ele se acha um detento especial, mais especificamente um "preso político", embora seja apenas um político preso. Nesta condição, partiu em busca de um emprego que o livrasse do xadrez, pelo menos durante o dia, e, melhor ainda, lhe pagasse R$ 20 mil em salário, com registro em carteira e tudo. 
Instalado na gerência de um hotel no coração de Brasília, frequentado por parlamentares e lobistas, Dirceu seria a própria raposa cuidando do galinheiro. 
Não conseguiu.

Ainda por cima, o hotel em questão não é um estabelecimento qualquer. 
Seu dono é dirigente de um dos partidos da base aliada de Dilma, o PTN, e também proprietário de redes de rádio beneficiadas por polêmicas decisões tomadas pela Anatel há poucos dias, quase no mesmo momento da contratação de Dirceu. Recorde-se que esta mesma área, a de comunicações, era um dos alvos prediletos das "consultorias" que o ex-ministro deu nos últimos anos. 
A fome das galinhas se junta à vontade de comer da raposa...

Nesta semana, soube-se mais: 
o estabelecimento que quer escalar Dirceu como gerente tem na sua composição acionária um panamenho que não faz nem ideia do que seja ser dono de um negócio no Brasil. Ou seja, é um laranja, como mostrou o Jornal Nacional anteontem. O hotel brasiliense reproduz em tudo o ambiente pantanoso em que o ex-todo-poderoso ministro de Lula move-se com desenvoltura. 

Mas Dirceu quer mais. Quer ter vida normal na cadeia, usar computador, escrever em blog, receber jornal do dia, revista da semana e até viver dando entrevista e recebendo visita de amigos petistas (sem pegar fila no sol, é claro!), como mostra a Folha de S.Paulo hoje. Parece se sentir numa temporada de veraneio - como aquela em que estava quando teve sua prisão decretada pelo STF. É escárnio ou não é?

Dirceu não está sozinho. José Genoino também protagonizou uma pantomima dos diabos para se livrar das grades. Tudo bem que o presidente do PT à época em que o mensalão correu solto para sustentar o projeto de poder de Lula e do partido é, de fato, um cardiopata. Mas uma penca de médicos de várias origens atestou que seu estado nem de longe inspira os cuidados e riscos que o mensaleiro preso tentou fazer crer.

Ainda assim, Genoino conseguiu escapulir da Papuda, não sem antes estampar capas de revistas posando como preso político e militante imbatível. 
Ato contínuo, vendo-se na iminência de ter seu mandato de deputado federal cassado pelos seus pares em função da sua condenação e prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha, renunciou.

Delúbio Soares, por sua vez, se inspirou em Dirceu e também tentou achar logo uma boquinha para empregar-se e livrar-se do incômodo das grades da Papuda. O ex-tesoureiro do PT na época de ouro do mensalão quer exercer um cargo com salário de R$ 4,5 mil no setor de formação da CUT, a central sindical petista que também já teve o mensaleiro como responsável por suas finanças. É mais uma raposa na granja ou é só escárnio mesmo?

Mas Dirceu, Genoino e Delúbio não agem como solistas.
 Há uma orquestra inteira do PT a lhes fazer coro. 
A ponto de o partido dos mensaleiros preparar para a próxima semana um "ato de desagravo" em favor de seus presidiários mais ilustres. 
Há uma plena sintonia de sentimentos: 
afinal, o partido também se sente "prisioneiro de um sistema eleitoral que favorece a corrupção", segundo resolução que pretende aprovar em seu congresso.
José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e a turma do mensalão condenada pelo Supremo são parte de uma triste história que faz o Brasil afundar num mar de lama e nos coloca em péssimas posições nos rankings mundiais de corrupção, como o divulgado nesta semana pela Transparência Internacional. 
O escárnio que os mensaleiros petistas exibem deve ficar guardadinho, bem trancado num pavilhão do presídio da Papuda. É lá, e não à solta, que eles devem pagar pelos crimes que cometeram.

ITV

brasil maravilha DOS FARSANTES E EMBUSTEIRA 1,99 : PAC: construtoras reclamam de atraso em pagamento. Empresas citam obras de saneamento, combate a cheias e drenagem. Governo nega retenção de recursos



Construtoras de várias regiões do país estão reclamando de atrasos nos pagamentos de obras de infraestrutura fínanciadas com recursos federais, inclusive empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Elas afirmam que, desde agosto, o fluxo de pagamentos foi reduzido ou até interrompido. E creem que o governo está cortando os gastos para melhorar o superávit primário (economia para pagamento de juros).

— De agosto para cá, há dificuldades de receber em obras do PAC. O receio é que isso prossiga até o fim do ano — disse Luciano Amadio, presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop).

Segundo Luiz Antônio Messias, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção em São Paulo, com os atrasos, construtoras tiveram de fazer empréstimos para pagar a parcela do 13° salário de funcionários.

— Têm chegado a mim muitas reclamações desesperadas, pois pararam os pagamentos, particularmente obras de saneamento, combate a cheias e drenagem urbana. Alguns poucos pagamentos, que não chegam a 5% do devido, foram feitos. A situação está gravíssima. A impressão que temos é que está se fazendo superávit justamente no pior lugar, que é no investimento.

Segundo técnicos do Tesouro, os desembolsos do PAC estão dentro do normal. Mas admitem que, como pagamentos são descentralizados e por ministérios, podem ocorrer problemas. A Caixa diz que "recursos são solicitados aos ministérios por boletim de medição atestados pela fiscalização, ratificados pela Caixa e informados semanalmente aos ministérios, que repassam recursos de acordo com fluxo financeiro" O Ministério do Planejamento nega atraso no PAC.

Danilo Fariello e Martha Beck O Globo

dezembro 04, 2013

Anos de incerteza, anos perdidos

O desempenho atual da economia brasileira é a crônica de um fracasso anunciado. O medíocre crescimento que a gestão Dilma Rousseff tem entregado aos brasileiros é fruto de um experimento equivocado e mal sucedido, empreendido à revelia de reiterados alertas contrários. Já são anos sob clima de incerteza; não sabemos quantos anos ainda serão perdidos.

Até agora, a única coisa que Dilma conseguiu foi colocar o Brasil figurando entre as economias de pior desempenho no mundo. 
Mas nosso modelo é mais ruinoso do que outros pelo planeta afora: 
produz não apenas crescimento baixo, como também inflação alta, regada a taxas de juros elevadíssimas. 
Uma receita de professor Pardal.

Dilma e sua turma jogaram no lixo um modelo que ajudou o país a empreender uma lenta, porém persistente, travessia rumo a um ambiente econômico mais próspero e estável, iniciada no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O sistema baseado na trinca metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante foi posto de lado pela atual gestão em favor de uma dita "nova matriz econômica". 
Que bicho isso deu?

A receita dilmista persegue a clássica combinação de um pouquinho mais de inflação para um tantão maior de crescimento - algo no que só os petistas ainda acreditam. Mas o que a mistura produziu foi, na realidade, muita inflação e nenhum crescimento - a menos que alguém considere que crescer uma média de, no máximo, 2% ao ano seja alguma coisa digna de nota...

Esta receita baseia-se em mais gasto público, mais crédito, leniência com a inflação e desafogo nos juros. Em momentos de crise mais aguda, como a que se seguiu à debacle mundial de 2008, até produz algum benefício. 
Mas é a velha história: 
remédio em excesso pode acabar matando o paciente. 
Foi o que aconteceu: 
o Brasil hoje está pior do que a maioria dos países do mundo.

O triênio 2011-2013 já foi rifado pela presidente. 
Mas o estrago, infelizmente, tende a ser muito maior. 
O Brasil entrará num ano difícil para todo o mundo, como se prevê que será 2014, com o pé esquerdo. Além de crescermos pouco e termos inflação muito alta, nossas contas públicas estão em completo desarranjo, o crédito está ficando caro e o dólar, com tendência de alta, não deve nos ajudar nadinha, pelo contrário.

Para complicar, nosso investimento é pouco e decadente - no trimestre, caiu 2,2%, no pior resultado desde o primeiro trimestre de 2012. 
Nossa taxa de poupança doméstica (15% do PIB) recuou ao pior nível desde 2000, elevando a dependência de recursos estrangeiros num momento em que o dinheiro fica mais caro no mundo e as contas externas do país já estão no fio da navalha.

Algumas expressões, salpicadas ao longo de páginas e páginas de avaliações negativas publicadas nos jornais de hoje, retratam o ânimo reinante. 
O momento é de "instabilidade", num "clima de incerteza" e de "perda de confiança", diante de uma "condução da política econômica que, focada no curto prazo, encurta o horizonte de planejamento de empresas e consumidores e contribui para variações bruscas da atividade econômica", como resume o Valor Econômico.

Com os resultados do terceiro trimestre conhecidos ontem, com queda de 0,5% sobre os três meses anteriores, a perspectiva para 2014 turvou-se de vez. Há quem acredite que o crescimento do PIB brasileiro no ano que vem mal supere 1%. Mas a média mais comum é de uma expansão de 2%, ainda assim muito, muito ruim para um país que precisa crescer e se desenvolver para superar o enorme fosso de desigualdade e injustiça social como o que ainda persiste entre nós.
Dilma começou seu governo prometendo crescimento de até 5% ao ano. Nunca passou nem perto disso: fez 2,7% em 2011, 1% no dado revisado de 2012 e deve fechar este e o próximo ano com algo em torno de 2%. Neste momento, o Brasil é, em todo o mundo, a economia com o pior desempenho, conforme mostra O Globo.

O governo petista aposta nas privatizações para evitar uma catástrofe pior no ano que vem. Mas esquece-se de que, tivesse ele feito a coisa certa, nesta altura as concessões já poderiam estar produzindo algum resultado, se não tivessem demorado tanto a transpor a resistência ideológica do PT aos investimentos privados.
Um dos aspectos mais lastimáveis de tudo isso é que a maior preocupação do governo da presidente Dilma não tem sido em como lidar com o buraco em que o país se meteu, e como tirar-nos de lá. Mas, sim, em como definir uma "narrativa" que cole na população e a dificulte perceber os problemas que se agigantam antes que as eleições cheguem, como informa hoje O Estado de S.Paulo. A propaganda é a alma do negócio petista.

Tudo considerado, o país vive hoje à sombra do "risco Dilma". 
Paga-se um preço muito elevado por decisões equivocadas. 
Paga-se ainda mais caro pela persistência num caminho que nos conduziu a um beco sem saída. 

O Brasil não tem mais tempo a perder. 
O Brasil não aguenta mais ficar à mercê do projeto de poder do PT. 
O Brasil precisa, e quer, urgentemente mudar.

ITV

BRASIL REAL SEM O MARQUETINGUE DOS VELHACOS II : Rombo recorde R$ 43,9 bilhões.

O Brasil fechou o terceiro trimestre do ano com necessidade de financiamento externo de R$ 43,9 bilhões, a maior da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciada em 2000. Segundo especialistas, o rombo é resultado de desequilíbrios causados por políticas equivocadas e terá como consequência novas dificuldades a médio e longo prazos.

Em relação ao segundo trimestre, as importações caíram 0,1%, mas as exportações despencaram 1,4%. Na comparação com o terceiro trimestre de 2012, houve elevação muito maior das compras de produtos de outros países (13,7%) do que das vendas para fora (3,1%). Com isso, as necessidades de financiamento cresceram R$ 13 ,8 bilhões entre os dois períodos.

Flávio Serrano, do Espirito Santo Investment Bank, explicou que a disparidade reflete os incentivos dados pelo governo ao consumo, mas não ao investimento e à produção. “As empresas não conseguem sequer atender a demanda interna, quanto mais exportar”, disse.

Poupança
A economista Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, também aponta o descompasso, mas, por ora, não vê problemas no financiamento do deficit externo. “A curto prazo, isso não atrapalha. Mas uma hora o mundo pode dizer para o Brasil: basta, você já consumiu demais”, alertou.

Serrano destacou que o desempenho negativo das contas públicas é a causa da baixa poupança do país, que caiu para 15% do PIB no terceiro trimestre, a menor desde 2001. Se o Estado não se apropriasse de parte do que as famílias guardam para se financiar, a taxa estaria em patamar adequado.

PAULO SILVA PINTO Correio Braziliense 

BRASIL REAL SEM O MARQUETINGUE DOS VELHACOS : O PIB do Brasil encolhe e há risco de recessão

A economia brasileira ficou menor.
Apesar de todos os estímulos dados pelo governo, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre registrou queda de 0,5% ante os três meses imediatamente anteriores, o maior tombo desde janeiro a março de 2009, quando a atividade encolheu 1,6% e o Brasil mergulhou na recessão, empurrado pelo estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos. O resultado, que provocou comoção no Palácio do Planalto e elevou o tom das críticas da oposição, superou a média das projeções do mercado, de queda de 0,3%. 


O recuo refletiu, sobretudo, a desconfiança do empresariado em relação à política econômica da presidente Dilma Rousseff, que tem sido leniente com a inflação, elege setores específicos para receber benefícios, intervém na condução dos juros pelo Banco Central, recorre a truques fiscais para mostrar uma saúde que as contas públicas não têm e congela as tarifas públicas. Não à toa, os investimentos produtivos cederam 2,2%, a grande surpresa negativa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a agropecuária, que tombou 3,5%. O saldo só não foi pior graças à força do consumo das famílias, com incremento de 1%, e à gastança do governo, que teve alta de 1,2%.
 
“Infelizmente, o risco de haver uma recessão no país não é desprezível. A maioria dos indicadores antecedentes de atividade e as condições financeiras sinalizam contração na atividade nos últimos três meses do ano”, disse Vagner Alves, economista da Franklin Templeton.

Mas não é só.

 “Também estamos vendo uma economia muito fraca no primeiro trimestre de 2014”, acrescentou. Com isso, ele reduziu, de 2,4% para 2,2%, a projeção de crescimento para o PIB neste ano e acredita que o resultado de 2014, quando a presidente Dilma tentará a reeleição, será inferior a 2%. Pelos cálculos do banco inglês Barclays, o avanço no próximo ano será de 1,9%, na melhor das hipóteses.

Dificuldades
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, mantém o otimismo. Para ele, a economia brasileira está em trajetória de expansão gradual, que deve se manter nos próximos trimestres. “A recuperação talvez não esteja na velocidade que gostaríamos”, reconheceu. “Mas ainda é possível que o PIB avance 2,5% neste ano”, emendou. No entender dele, “houve uma concentração de crescimento no segundo trimestre (quando o PIB teve alta de 1,8%)”, por isso, “o país teve dificuldade de crescer agora”. “A base de comparação fica mais difícil após um bom resultado”, justificou. Segundo ele, isso pode explicar o fato de o Brasil ter sido o país com o pior desempenho, em todo o mundo, entre julho e setembro.

Mantega reconheceu que a altas dos juros promovida pelo Banco Central teve impacto negativo sobre a atividade econômica. Em abril passado, a taxa básica (Selic) estava em 7,25%, a menor da história, mesmo com a inflação em disparada. Agora, chegou a 10%, a fim de conter o custo de vida por meio do encarecimento do crédito e da restrição ao consumo. A expectativa dos analistas é de que, com o PIB minguando, a presidente Dilma obrigue o BC a encerrar o arrocho em janeiro, no máximo, com mais uma alta de 0,25 ponto percentual, para 10,25%.

Entre integrantes da equipe econômica, a avaliação, quase consensual, é de que o próximo ano deverá ser ainda mais difícil para o Brasil, diante da redução dos estímulos dados à economia dos Estados Unidos, que resultará em fuga de recursos de países emergentes e, por tabela, na alta do dólar. A desconfiança em relação ao governo, que já é grande, tende a se agigantar, pois não se espera corte de gastos públicos em um período eleitoral.
 

Na lanterna
Entre julho e setembro deste ano, de 13 países listados pelo IBGE, o Brasil teve o pior resultado. Ficou atrás até da Espanha e de Portugal, economias cambaleantes, que avançaram, em relação ao segundo trimestre, 0,1% e 0,2%, respectivamente. No grupo dos Brics, que agrega os principais emergentes, o Brasil, com salto de 2,2% ante o terceiro trimestre de 2012, ficou bem distante da China, que cresceu 7,8%, e da Índia, com 4,8%. Mas superou a África do Sul, com aumento de 1,8% e a Rússia, com 1,2%. 

Para o economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, qualquer que seja o parâmetro de comparação, os dados do PIB brasileiro são decepcionantes. “Os números mostram que não conseguimos crescer, embora existam diversas medidas para estimular o consumo. Os resultados práticos das ações do governo são deficit recorde nas contas externas e mais inflação, consequências de um desequilíbrio macroeconômico de pouca produção para muito consumo”, assinalou.

 Segundo ele, a indústria, que deveria estar em plena atividade para atender o consumo das famílias, ficou estagnada, com avanço de 0,1%. O mesmo ocorreu com o setor de serviços. Segundo Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e um dos conselheiros da presidente Dilma, o dólar barato por muito tempo acabou com a indústria de manufaturados. 

Com a queda do PIB, a oposição criticou o governo. 
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, disse que o Brasil atravessa uma crise de expectativas que começa a afetar o desempenho da atividade econômica.

Segundo o Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB, “o PT mergulhou o país num mar de desconfiança, que implode diariamente os alicerces que nos fizeram chegar até aqui. A experiência com Dilma Rousseff é desastrosa”.

Vicente Nunes
Correio Braziliense

SEM MARQUETINGUE DOS VELHACOS ! brasil maravilha DOS FARSANTES E EMBUSTEIRA 199 : PETEBRAS saca R$ 28 bi de fundo em três meses

Com um dos maiores caixas do país, a Petrobras teve de resgatar, em três meses, R$ 27,8 bilhões de um fundo de curto prazo para cumprir investimentos e obrigações com fornecedores e bancos.

O patrimônio desse fundo (chamado FIC Olimpo), que tinha, no auge, em 27 de agosto, R$ 45,7 bilhões, foi reduzido em 67%, para R$ 15 bilhões, na quinta-feira passada, dado mais recente segundo a agência Bloomberg.  

 Esses saques, segundo analistas, demonstram a crescente deterioração das contas da empresa e sinalizavam que a estatal não teria outra saída além de reajustar a gasolina ou captar recursos no mercado de capitais.

Criado em agosto do ano passado, o Olimpo procurou manter um patrimônio médio de R$ 30 bilhões ao longo do ano, patamar considerado confortável para a empresa. No fim de setembro, o fundo tinha R$ 32 bilhões -93,6% do total de aplicações da empresa, de acordo com o balanço do terceiro trimestre.

Os saques foram ocorrendo enquanto a companhia estatal aguardava o momento do reajuste, anunciado no fim da semana passada.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem que a previsão inicial era que o aumento ocorresse no meio do ano, mas "não foi possível" devido às "manifestações" de junho e julho.
Em agosto, os saques somaram R$ 1,7 bilhão, 
seguidos por R$ 8,8 bilhões, em setembro, 
R$ 9,6 bilhões, em outubro, 
e R$ 7,7 bilhões, em novembro (até o dia 28).

O Olimpo é um fundo com taxa de administração baixíssima, de 0,00425% ao ano (os grandes aplicadores pagam, normalmente, 0,5%).
Ele investe em outros 12 fundos das mais variadas instituições financeiras: 
BTG Pactual, 
Itaú Unibanco, 
Santander, 
Caixa Econômica Federal, 
Banco Alfa, 
JPMorgan, 
GAP, 
Votorantim, 
Schroder, 
BNP Paribas, 
Banco do Brasil e Bradesco.

Em comum são todos fundos de alta liquidez (facilidade de resgate) que aplicam em títulos públicos, a maioria ligados ao CDI.
No ano até o dia 27 de novembro, o rendimento bruto foi de 6,16% -abaixo dos 7,15% do CDI e dos 7,29% da taxa Selic no período, segundo a Economática.

Procurada, a Petrobras preferiu não comentar. 

TONI SCIARRETTA/DE SÃO PAULO  
Folha

A divida e conta de juros do setor público no Brasil



No mês de outubro, quando o relatório da OCDE sobre o Brasil foi divulgado, o nosso Ministro da Fazenda falou o seguinte: 
“O Brasil é um dos países com o maior superávit primário, economia para pagamento de juros da dívida pública. Mesmo em momento de crise, mantivemos um desempenho fiscal satisfatório”.

Na mesma linha, o Secretário de Política Econômica, Márcio Holland, falou em outubro que:
 “O FMI carrega muito nessa discussão fiscal desnecessariamente. O principal problema deve estar em outros países, que estão sofrendo com relação entre dívida e PIB de mais de 100% do PIB. O Brasil tem uma relação de dívida bruta em torno de 59% ….”

Há que se ter cuidado com essas declarações por dois motivos. 

Primeiro, 
se tivéssemos com um superávit primário (sem truques) por volta de 2,5% do PIB e com a economia crescendo por volta de 3,5% ao ano, poderíamos ficar relativamente tranquilos. Esse não é o nosso caso. O Brasil está com um superávit primário por volta de 1,5% do PIB , com uma economia crescendo próximo a 2% ao ano.

Dada a nossa elevada conta de juros do setor público de 5% do PIB e o baixo crescimento, o nosso superávit primário não é mais suficientemente elevado para sinalizar uma queda consistente da dívida pública. Vale lembrar que se hoje a diferença entre a divida liquida e bruta do setor público fosse a mesma de 2007, a nosso divida bruta deveria estar próxima a 47% do PIB e não perto de 60% do PIB. Aumentamos fortemente a divida bruta por decisão de política econômica.

Segundo, 
o mercado não nos olha como Alemanha, 
EUA, 
Espanha, 
França 
ou Reino Unido (Tabela 1). 

Esses países têm dívida bruta superior a 80% do PIB, mas uma conta de juros do setor público entre 2,2% e 2,5% do PIB (dados de 2012). Se eles crescerem 2% ao ano, uma taxa razoável dado que se trata de países desenvolvidos, o esforço fiscal que eles têm que fazer será muito inferior ao do Brasil que gasta mais do que o dobro com juros.

Tabela 1 – Dívida Bruta e Conta de Juros do Setor Público (% do PIB) – 2012


Fonte: FMI

O mercado não nos olha nem mesmo como Portugal, 
Itália, 
Irlanda 
e Grécia; 
que têm uma conta de juros mais próxima a nossa para um nível de endividamento que é quase o dobro (Tabela 2). 

O mercado nos olha como a Índia, que tinha em 2012 uma divida bruta de 66,7% do PIB, ante 68% do PIB para o Brasil pelo critério do FMI, e uma conta de juros de 4,4% do PIB ante 4,9% do PIB para o Brasil, em 2012. 

Tabela 2 – Dívida Bruta e Conta de Juros do Setor Público (% do PIB) – 2012


Fonte: FMI

Em resumo, para o nosso nível de renda, o Brasil tem uma dívida elevada (68% do PIB em 2012 pelo critério do FMI) e pagamos uma conta de juros alta (5% do PIB). Temos um histórico de calotes (se lembram do Plano Color), inflação elevada e não estamos ainda na categoria de países que se dão ao luxo de ter uma divida alta (acima de 80% do PIB) e uma conta de juros baixa inferior a 2,5% do PIB.

E por que não baixar os juros do Brasil na marra? 
Bom, tentamos isso recentemente não foi? 
vale lembrar que nossa dívida é preponderantemente financiada no mercado doméstico e, assim, não podemos nem mesmo culpar o resto do mundo. 
Mas para um País que já precisa e vai precisar ainda mais da poupança do resto do mundo para crescer, não vamos conseguir pagar juros reais de 2% na marra.

Assim, teremos que continuar fazendo um esforço fiscal relativamente elevado (superávit primário entre 2% a 2,5% do PIB) para reduzir a nossa divida bruta para uma faixa inferior a 50% do PIB para começarmos a sonhar com uma conta de juros do setor público e um esforço de superávit primário menor. 

Se fizermos o dever de casa, em algum momento poderemos cometer alguns dos excessos dos países desenvolvidos. Até lá é melhor nos compararmos aos demais países emergentes e, por essa comparação, a nossa dívida bruta, mesmo pelo nosso critério de 60% do PIB, é muito maior que a média dos países emergentes (35% do PIB).

Transcrito do original em :