"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 12, 2011

CURTO-CIRCUÍTO NO BOLSO DO CONTRIBUINTE .

Toda vez que o governo edita uma medida provisória é bom o contribuinte atentar para o bolso:
sempre vem mais uma mordida.

Isso é especialmente verdadeiro quando envolve o setor elétrico e acontecerá mais uma vez se prosperar a
MP 517, que tramita no Congresso e tem votação prevista para os próximos dias.


A cobrança da RGR deveria ter sido extinta em 31 de dezembro passado, depois de 53 anos de vigência. Não foi. Na undécima hora, o governo petista enfiou a prorrogação do encargo numa MP que estava sendo editada naquele dia para tratar de assuntos tão correlatos como internet banda larga, marinha mercante e usinas nucleares, entre outros.

É assim que o PT legisla:

à base de contrabandos.

O governo argumenta que a RGR financia o programa Luz Para Todos. Pelo menos admite agora que é o consumidor quem paga por uma das vedetes da propaganda petista, explorada à exaustão na campanha eleitoral passada como se fosse uma dádiva de Brasília. O problema é que apenas uma parcela do encargo serve para isso.

Boa parte da RGR funciona mesmo é para engordar o caixa do Tesouro e fazer superávit fiscal - como, aliás, acontece com outros fundos setoriais que deveriam cumprir nobres funções sociais, como o Fust, destinado à universalização das telecomunicações.

Há R$ 15,6 bilhões do encargo de energia depositados nestas condições.

Criada em 1957, a RGR deveria permitir o pagamento de indenizações a concessionárias em caso do retorno dos serviços à União. Nunca foi usada para isso. Hoje uma das principais beneficiárias do encargo é a Eletrobrás. A estatal abocanha perto de 70% dos recursos da RGR a custos módicos e joga-os no saco sem fundo de suas subsidiárias deficitárias, mostrou o Valor Econômico em abril. Tudo devidamente arcado pelos consumidores de energia.

A RGR onera em mais 2,7% as contas de luz. É, porém, apenas um dos 11 encargos pendurados nas faturas, além dos 12 tributos embutidos nas tarifas do setor cobradas dos brasileiros. Tudo considerado, 45% do que é pago pelos consumidores de energia fica com o governo, tanto o federal, quanto os estaduais.

Isso faz do Brasil um dos países onde se paga uma das mais altas tarifas no mundo. A energia elétrica fornecida para residências no Brasil é mais cara do que em países como Estados Unidos, França, Suíça, Reino Unido e Japão - todos mais ricos e bem sucedidos que nós; por que será?

No Brasil, o preço médio da energia elétrica residencial gira em torno de US$ 0,25/kWh. É um dos mais elevados do mundo e o dobro, por exemplo, do americano, mostrou o blog Radar Econômico.

Como se não bastasse, a RGR não é o único estorvo elétrico que o governo do PT briga para jogar nas costas do contribuinte. Nesta quarta-feira, o Senado deve apreciar projeto que prevê a ampliação dos pagamentos ao Paraguai pela energia gerada na usina hidrelétrica de Itaipu. A votação guarda proximidade com caprichos petistas: a presidente da República vai a Assunção no fim de semana e quer levar o presentinho ao presidente Fernando Lugo.

O projeto de decreto legislativo nº 2600/10 triplica o que é pago ao governo paraguaio pela energia cedida ao Brasil: o valor passaria de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões anuais. O impacto financeiro da proposição atinge R$ 6 bilhões até 2023, prazo remanescente de vigência do tratado. O governo garante que não repassará os custos adicionais para as faturas de energia - o que significa que, se não paga consumidor, paga o contribuinte.

Pressionado pela crescente constatação da sociedade de que paga muito mais do que deveria, o governo começou a falar em baixar os encargos do setor de energia. Demorou.

As regras do setor elétrico estão em vigor há sete anos, gestadas pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.

É hora de quem pariu Mateus o embalar. O pior é que de onde deveria partir luz pode sair, mais uma vez, apenas curtos-circuitos.

Fonte: ITV

CARRO NOVO E BOLSO VAZIO : FINANCIAMENTO DE VEÍCULO FAZ CALOTE AUMENTAR.

O ímpeto dos brasileiros em gastar mais do que podem tem motivado uma onda de calotes no país.
O indicador de inadimplência do consumidor, divulgado ontem pela Serasa Experian, registrou alta de 1,5% em abril ante o mês anterior, representando o maior avanço para o período desde 2002.

O resultado não foi bem recebido pelos economistas da instituição, que esperavam queda no volume de dívidas.

As despesas com financiamento de veículos geraram grande impacto no índice, mostrando a falta de controle do brasileiro, que não pensa duas vezes antes de parcelar um carro novo e se esquece de que as despesas vão muito além das prestações — incluem combustíveis, seguros e impostos.

Por causa disso, a expectativa é de que haja um aumento ainda maior nos calotes, com os bancos e as montadoras enchendo os pátios de veículos tomados dos inadimplentes.
Também se espera uma desaceleração nos financiamentos de carros, pois a expectativa é de que o governo baixe novas medidas para conter o crédito e, por tabela, o consumo e a inflação.

Ainda há uma procura grande por diversos tipos de financiamento. As regras que o governo adotou no fim do ano passado para tentar diminuir as vendas não surtiram tanto efeito”, disse o economista da Serasa Carlos Henrique de Almeida.

Mas o grande dilema enfrentado pelo governo é conseguir equacionar a diminuição dos índices inflacionários sem que isso afete o desenvolvimento do país. “A grande dúvida é saber com que intensidade as autoridades planejam fazer o desaquecimento da economia. Reduzir a inflação gera impacto no crescimento”, lembrou Almeida.

Dificuldades
Após o crescimento da inadimplência em 3,5% no terceiro mês do ano, a expectativa era de queda no indicador. Mas, com a alta da inflação, que está tirando o poder de compra dos brasileiros, o calote avançou 1,5% em abril, mostrando que o brasileiro não está conseguindo mais encaixar as dívidas no orçamento doméstico.

O custo de vida cresceu bastante, especialmente nos últimos três meses. Isso resulta em uma dificuldade maior para o pagamento das despesas”, explicou Almeida.
O calote só não foi maior por causa dos feriados de semana santa.

Com menos dias úteis em abril, a inadimplência deveria ter caído. E o pior resultado em nove anos mostra que há algo mais profundo do que o simples endividamento da população”, analisou.
Porém a Serasa não acredita que o índice possa bater qualquer recorde ou fugir muito da previsão para o ano, de 8% do crédito total.

Na comparação com abril do ano passado, o calote do consumidor teve alta de 17,3%, registrando a décima segunda elevação consecutiva. No acumulado dos primeiros quatro meses, o avanço foi de 20,3%.
Dívidas bancárias e não bancárias (contas de água, luz, faturas do cartão de crédito e outras despesas) representaram 87% dos atrasos de pagamento no período.

Cheque sem fundo de R$ 1.287
No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, o brasileiro deixou de pagar, em média R$ 312,44 com as despesas gerais. Já o calote nos bancos atingiu valor médio de R$ 1.284,76.
Os cheques sem fundos continuam sendo o principal motivo para dores de cabeça. De acordo com a Serasa Experian, em média, o brasileiro não honrou em ia R$ 1.286,89 nesta forma de pagamento.

Fábio Monteiro Correio Braziliense

maio 10, 2011

TÁ TUDO DOMINADO : “Eles têm trajetória profissional e currículo”, “Assuntos menores não vão diminuir os indicados", “Tenho tranquilidade de votar”,


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta terça-feira os nomes dos três indicados ao Superior Tribunal de Justiça - Antonio Carlos Ferreira, Sebastião Alves dos Reis Jr. e Ricardo Villas Boas Cuêva – apesar de denúncias envolvendo os dois primeiros advogados. Os nomes ainda dependem de aprovação do Plenário do Senado.

Em seu discurso inicial de dez minutos, Antonio Carlos Ferreira não citou a denúncia revelada na edição de VEJA da semana passada, em que ele é acusado de ameaçar e punir funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) que ingressaram com ações trabalhistas contra o banco estatal. Na época ele era diretor jurídico da instituição.

VEJA mostrou que o advogado teve atuação distante dos holofotes no cargo de diretor jurídico até ser acusado de violar o artigo 5º da Constituição – que garante a qualquer cidadão o direito de acesso à Justiça.

Minha experiência na Caixa, quando ocupei a diretoria jurídica, foi no sentido de pacificação de conflitos, promovendo conciliações e reconhecendo direitos, desistindo de recursos e extinguindo de mais de dois milhões de processos judiciais”, afirmou o advogado.

Ferreira foi obrigado depois a explicar o assunto, ao ser indagado pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Citando a reportagem de VEJA, ele perguntou: “Não seria contrário ao espírito do que Vossa Senhoria pretende ser hoje? Vossa Senhoria se acha na condição de ter lesado direitos a seus subordinados?”.

Ferreira, então, respondeu: “Se tenho dez empregados e um deles tem ação trabalhista, é razoável pelo interesse público e pela ética escolher um advogado que não tenha ação porque haveria conflito de interesses. Não teve qualquer discriminação em relação aos participantes”.

O advogado também negou que tivesse conhecimento da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa na época em que trabalhava na Caixa. O caseiro teve dados sigilosos violados a pedido do então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. “Tão logo soube do conteúdo, fiz questão de ir à Polícia Federal prestar depoimento na condição de testemunha. Em nenhum momento se cogitou qualquer participação minha neste episódio. Foi uma ocorrência amplamente investigada e meu nome nunca surgiu em inquérito policial”, defendeu-se. Ele teve o nome aprovado por dezesseis votos a cinco, sendo que houve uma abstenção.

Omissão - Sebastião Alves - cujo nome foi aprovado por dezoito votos a quatro - também preferiu omitir em seu discurso a denúncia de “patrocínio simultâneo” contra ele, revelada pelo site de VEJA. “Tenho orgulho de chegar ao STJ em um momento tão importante de sua história. O tribunal é um conjunto de pensamentos, vivências e ideias”, disse.

O advogado é acusado de atuar em duas partes contrárias no mesmo processo, o que é crime e pode render de seis meses a três anos de prisão.

Questionado pelo senador Demóstenes Torres sobre o caso, o advogado disse: "Foi um acidente, não houve má-fe. Não houve atuação efetiva minha no processo". No último dia 4, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que relatou a escolha do advogado Sebastião Alves, aprovou o nome sem citar as acusações contra ele. Detalhe: Sebastião Alves é mineiro, o que pesou na decisão de Aécio.

Outros senadores também optaram por rasgar elogios aos indicados, como o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). “Eles têm trajetória profissional e currículo”, avaliou.

O senador Lobão Filho (PMDB-MA) foi além: desqualificou as denúncias contra os indicados Antonio Ferreira e Sebastião Alves. “Assuntos menores não vão diminuir os indicados”, defendeu.

O senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) foi na mesma linha: “Tenho tranquilidade de votar”. "Estou satisfeito pela qualidade das respostas", completou Gim Argello (PTB-DF).

Até agora não há denúncias envolvendo o nome do terceiro indicado a uma vaga no STJ, Ricardo Villas Boas Cuêva. Ele teve o nome aprovado por dezenove senadores, dois votaram contra ele e houve uma abstenção.

Luciana Marques

VALE-TUDO CONTRA A INFLAÇÃO


Vai mal um país que precisa importar porcas e parafusos.
Vai muito mal um país cuja maior empresa vira um joguete nas mãos do governo de turno.
Vai de mal a pior um país que tem de usar mecanismos tão díspares para conter um problema que seus próprios governantes, oportunisticamente, geraram.
Vai mal o Brasil diante da inflação.

Facilitar a importação de componentes e abusar da Petrobras tornaram-se armas da gestão Dilma Rousseff para segurar os preços no país. Atira-se para todo lado.
O governo está tendo de apelar para todo o tipo de arsenal depois que sua política anti-inflacionária de laboratório foi fazendo água.
Vai, assim, impingindo custos adicionais e muitas vezes desnecessários à sociedade.

É o que está ocorrendo, por exemplo, com a Petrobras. O ministro Edison Lobão avisou ontem que vai usar a BR Distribuidora, subsidiária da estatal, para "forçar a queda dos preços dos combustíveis aos consumidores finais", informa O Globo em manchete. Ele considera que, agindo assim, pode quebrar a espinha de um "um processo de cartelização" que estaria em marcha no setor.

É fato que os custos do etanol e da gasolina têm ajudado a empurrar a inflação para cima. Juntos, subiram 6,53% em abril e levaram o IPCA acumulado em 12 meses a romper o teto da meta estipulada pelo Banco Central.
Mas é igualmente verdade que os aumentos aberrantes têm muito mais a ver com a ausência de uma política clara de combustíveis no país.

O ciclo funciona mais ou menos assim.
Com base nas condições de mercado, os usineiros definem o que vão produzir com a cana:
ora etanol,
ora açúcar.
Neste ano, o mercado estava um doce e a maior parte da garapa foi usada para fabricar açúcar.
A oferta de etanol, então, diminuiu, os preços dispararam e o país teve de buscar combustível até nos EUA.
Como gasolina tem álcool anidro na sua composição, o efeito se estende a ela.

O governo assiste, impotente, às decisões dos usineiros. Mas usa, prepotente, a Petrobras para tentar conter os preços na economia, uma vez que combustíveis são insumo básico de qualquer custo. A presidente da República e seu ministro da Fazenda recusam-se a permitir que a companhia reajuste seus preços, mesmo o barril de petróleo já tendo subido 22% no ano.

A manipulação da Petrobras como instrumento anti-inflacionário tem custado caro à empresa. Estima-se que, por não ter elevado os preços da gasolina e do óleo diesel na proporção em que as cotações de petróleo aumentaram no mercado internacional, a estatal tenha perdido R$ 1,65 bilhão neste ano.

Sofrem também os acionistas da companhia, entre eles os 310 mil que investiram parte de seu FGTS em seus papéis em 2000. Neste ano, suas ações já caíram 8,92% e são uma das principais razões para o fato de a Bovespa ser a bolsa com pior desempenho no mundo em 2011.

O índice Bovespa retrocedeu aos níveis de agosto de 2008 e acumula queda de 6,76% no ano. No mesmo período, o índice americano Standard & Poor's 500 subiu 7,05%. A bolsa brasileira perde até mesmo em relação aos países emergentes, cuja alta média é de 0,96% no ano, compara o Valor Econômico.

Os analistas têm uma palavra empolada para tratar do problema da Petrobras: governança.
Em linguagem simples, significa que, como acionista majoritário, o governo está metendo o bedelho na empresa e atravancando sua gestão.
Subir ou não o preço do produto que vende deveria ser decisão empresarial, mas no Brasil petista não é.

Num ambiente desta natureza, procedimentos negociais e processos decisórios ficam muito mais sujeitos a humores político-partidários. Empresa assim não funciona bem, gasta mais, rende menos. O mesmo fantasma assombra a Vale, cujos papéis estão igualmente em baixa no mercado depois que o governo defenestrou o executivo responsável por levar a companhia a lucrar como nunca. Suas ações já caíram 6,55% em 2011.

Não bastasse isso, O Globo também informa que "o governo já recorre às importações para evitar altas ainda mais elevadas de preços em geral, mesmo reconhecendo que sua escolha pode impor sacrifícios ao crescimento da economia". Será facilitada a compra no exterior de itens como algodão, porcas e parafusos. O aço pode ser o próximo a ter tarifa de importação reduzida.

É legítimo que o governo busque alternativas para combater o mal maior da inflação.
O que não cabe é a adoção de medidas cada vez mais conflitantes.
Com a escalada de preços, o PT vai conseguindo pôr o Brasil na incômoda companhia de países onde o descontrole já é total e onde o poder do Estado tornou-se tentacular, como a Argentina e a Venezuela.
Talvez esteja se materializando, por vias transversas, o sonho da nossa diplomacia companheira.

Fonte: ITV

GOVERNO DE ÉBRIO, FINGIDOS E DISSIMULADOS, RESULTA : A múltipla 'herança maldita' das eleições .

O termo foi criado no início do primeiro governo Lula para justificar as medidas (corretas) de corte de gastos e elevação dos juros, para defender a estabilização da economia, afetada pela natural reação do mercado ao risco da chegada do próprio PT ao Executivo federal.

O dólar disparou e a inflação foi atrás, por inevitável, com a fuga de investidores diante da proximidade da chegada ao poder de um grupo político conhecido pela defesa de medidas radicais como calotes nas dívidas externa e interna, corte de juros por decreto, aumento desregrado de gastos públicos, entre outros delírios.



A primeira reação defensiva do partido e do ainda candidato Lula, diante dos efeitos do próprio veneno, foi, antes da fase final da campanha, em meados de 2002, se comprometerem, na Carta ao Povo Brasileiro, com as regras de uma economia de mercado, sem quebra de contratos e atentados à ordem jurídica.

Foi um avanço, mas não o suficiente para conter a fuga de capitais e a remarcação de preços em função da disparada do dólar.
Engendrou-se, então, a desculpa da "herança maldita" dos tucanos, para justificar uma política econômica oposta a tudo que o PT e o já presidente da República pregaram.


A ironia é que o termo serve muito bem para designar a relação de problemas deixados por Lula para sua candidata vitoriosa, Dilma Rousseff, com a peculiaridade, também irônica, de a presidente, ministra nos oito anos dos dois mandatos petistas, ser coautora da agenda de dificuldades.

No plano macroeconômico, restou para Dilma administrar uma enorme pressão inflacionária, causada basicamente pelo excesso de gastos feitos em 2009 e 2010, com o objetivo declarado de compensar a pressão recessiva decorrente da crise mundial, mas com a intenção oculta de eleger a ministra.


Reportagem do GLOBO acrescentou a esta herança um rastro de obras inacabadas, malfeitas ou sequer iniciadas, e que serviram apenas de palanque para o presidente Lula fazer campanha eleitoral.

Na época, era previsível que a falta de limites com que o presidente se lançou à campanha iria prejudicar muito eleitor ingênuo.
Fez-se comício em assinatura de contrato, lançamento de pedra fundamental, até em visita a canteiro de obras.


A reportagem listou alguns exemplos lapidares de manipulação de obras públicas com objetivo eleitoreiro:
no Piauí, o hospital da universidade federal no estado, palco de ensurdecedora fanfarra na campanha petista, não funciona por falta de funcionários; um trecho da ferrovia Norte-Sul, anunciado para ser completado em 20 de dezembro, continua na mesma até hoje; projetos de saneamento e habitação popular para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, "inaugurados" na campanha, ainda estão nas pranchetas.

Há, ainda, conjuntos habitacionais inaugurados de fato, mas que, pouco depois de entregues, começaram a apresentar graves falhas de construção.
Esta herança deveria ensinar ao eleitor a se precaver quando um governo investe com vigor, sem nada temer por se sentir ungido por alta popularidade, para eleger alguém a qualquer preço.


Serve também de peça pedagógica para a Justiça, por ela não ter feito cumprir a legislação existente a fim de impedir uma disputa desigual em campanha entre situação e oposição. Os tribunais parecem ter temido os índices de aprovação do governo.
Erro grave.

O Globo

A CONSEQUÊNCIA DE DOIS GUMES : Metade dos brasileiros já gasta mais do que ganha

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A grande oferta de crédito levou o brasileiro a gastar mais do que ganhou em 2010. Segundo pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas), o gasto médio mensal do consumidor foi de R$2.171; já sua renda não passou de R$2.146.
Pela sondagem, 53% dos entrevistados disseram estar nessa situação - que não era registrada pelo conjunto da população desde 2005.

O buraco mensal médio de R$25 no orçamento foi coberto por empréstimos. Encomendada às consultorias Nielsen e Kantar WorldPanel, a pesquisa teve amostra de 8.200 lares em cidades com mais de 10 mil habitantes.

- O desejo de consumo, aliado à oferta de financiamentos, fez o consumidor se embebedar no crédito - disse Martinho Paiva, diretor de Economia e Pesquisa da entidade.

A pesquisa mostra que, em relação a 2009, os gastos mensais apresentaram uma variação de 16%. Já a renda média mensal subiu menos, 13%.

Desembolso das empresas com juros foi de R$42,4 bi

Enquanto o desembolso das classes D e E avançou 14%, os grupos de renda média e alta aumentaram o consumo entre 10% e 13%. Para a Apas, até o fim do ano, a população pertencente à classe C supera pela primeira vez aquela das classes D e E. Hoje 38% da população, a classe C deve chegar a 41%, contra 36% das D e E e 23% das A e B.

A entidade não vê um descontrole de gastos. O cenário é de equilíbrio do orçamento.
- O próprio consumidor corrigirá essa rota - disse Sussumu Honda, presidente da Apas.

A forte expansão das operações de crédito em 2010 fez os brasileiros desembolsarem R$54,4 bilhões apenas para pagar juros dos financiamentos nos primeiros quatro meses do ano, segundo a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP).

Desse total, R$4 bilhões resultaram da alta dos juros médios dos financiamentos bancários no período, que passaram de 38% ao ano no fim de 2010 para 45% ao ano em 30 de abril.

- Essa alta é relevante, pois R$4 bilhões são um quarto de todo o desembolso previsto para o Bolsa Família este ano - diz Fábio Pina, economista-chefe da Fecomércio-SP.

Supondo que os bancos não repassem os três aumentos da Selic desde janeiro, o aumento dos juros no primeiro quadrimestre resultou em uma despesa adicional às famílias superior a todos os repasses previstos pelo programa oficial do governo, de R$15 bilhões este ano.

- Esse valor crescerá, pois os financiamentos antigos estão sendo quitados, e os novos são contratados a juros de 45% ao ano - diz Pina, que estima que a carteira de financiamentos bancários a pessoas físicas estaria em torno de R$600 bilhões atualmente; em 2010, o brasileiro gastou R$129,2 bilhões em juros.

Entre as empresas, segundo a Fecomércio, os gastos com juros chegaram a R$42,4 bilhões de janeiro a abril. Juntas, famílias e empresas desembolsaram com os juros R$96,8 bilhões.
Aguinaldo Novo e Ronaldo D"Ercole O Globo

maio 09, 2011

"PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO" :Prédios em construção desabando. A VEZ DA DESONRA.

O PT tem uma tremenda dificuldade de passar das palavras à ação. Quando é criticado, culpa os outros. Quando realiza, o faz na base do improviso. O DNA palanqueiro sobrevive no sangue petista. O partido mostra-se incapaz de ser e agir como governo. Suas poucas realizações têm a marca da empulhação.

Tome-se o tão propalado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sua vistosa carteira de obras e ações continua a ser apenas isso: uma extensa lista de boas intenções. Os empreendimentos custam a sair do papel e, quando saem, lembram uma canção de Caetano Veloso: mal deixam de ser construção e já são ruína.

O jornal O Globo dedicou-se a excursionar pelas obras do PAC inauguradas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado ao lado da então candidata Dilma Rousseff. Encontrou um roteiro de empreendimentos parados ou inacabados. Dá até para oferecê-lo a uma agência de turismo, tantas são as atrações. Tem pedra fundamental com placa de cobre que não acaba mais. Mas coisa que funcione bem não tem.

O festival de obras inconclusas é até democrático: há ferrovias, conjuntos habitacionais, hospitais, aeroportos, obras de saneamento e rodovias. Em alguns casos, os empreendimentos foram paralisados tão logo terminara o comício da então candidata ou tão logo a caravana presidencial passara. Queimado o foguetório, sobraram poeira e degradação.

O filho está tão feio que sua "mãe" agora nem fala mais dele...

Um dos exemplos mais gritantes é o da ferrovia Norte-Sul, ligando o Maranhão a Goiás. Pelo cronograma oficial, os últimos batentes deveriam ser fixados em dezembro passado. Foi o que anunciou o então presidente quando, a apenas 12 dias do primeiro turno das eleições, visitou a sonhada obra. "No dia 20 de dezembro preparem uma grande festa", disse Lula em Porangatu (GO).

(...)

Os exemplos de descompromisso não têm fim. Em agosto, em cima do palanque, Dilma e Lula anunciaram a construção de 700 casas populares em Campo Grande (MS). Nada aconteceu, como, aliás, tem sido a marca do Minha Casa Minha Vida - cujos financiamentos despencaram neste ano, como mostra hoje o Valor Econômico.

Na comunidade da Rocinha, no Rio, um dos cenários mais disputados pelos petistas durante a campanha, o conjunto habitacional entregue há cinco meses já apresenta rachaduras, infiltrações e falta de água.

"Disseram que iam passar tinta por cima das rachaduras das paredes. Meu medo é que desabe tudo", afirma uma moradora.

É o que já aconteceu no Ceará na decantada obra da transposição do rio São Francisco. O pior de tudo isso é que o PT dá mostras claras de não aprender com os erros. O grau de improviso assombra as obras associadas à Copa de 2014.

Há duas semanas, o governo de Dilma anunciou que deixaria de lado seus dogmas e concederia os aeroportos à iniciativa privada. O processo, disse o ministro Antonio Palocci, seria rápido.
(...)

Durante os anos Lula, o PT aproveitou-se de avanços institucionais e estruturais legados pelas gestões anteriores. Esta herança esvaiu-se. Dilma Rousseff agora se depara com um país que está em construção, mas ao mesmo tempo já está desabando, porque foi muito pouco o que se fez pelo país nos últimos oito anos.

Não dá mais para continuar improvisando.
Não dá mais para continuar enganando.
Muita coisa está muito fora da ordem.


Fonte: ITV

NO DESEJO DO PODER PERPÉTUO: BEBEDEIRA/ATOS INDIGNOS/TORPES/SÓRDIDOS/FRENÉTICOS E EXTRAORDINÁRIOS NA DESONRA.

O cenário não poderia ser mais emblemático:
o então presidente da República, ao lado do então governador do estado, fixando sobre o solo um lance de trilhos de aço na divisa de Goiás e Tocantins.
Era 21 de setembro de 2010.
Faltavam apenas 12 dias para o acirrado primeiro turno das eleições presidenciais.

Quem esteve por lá recebeu Luiz Inácio Lula da Silva como o portador da boa notícia:
aquele trecho da Ferrovia Norte-Sul, ligando o Maranhão a Goiás, estaria pronto para ser entregue em dezembro.


"No dia 20 de dezembro preparem uma grande festa", afirmou Lula em Porangatu (GO).
Entre acenos e sorrisos, Lula foi embora e deixou para trás a realidade:
a obra não foi inaugurada em dezembro. Nem em 30 de abril, como foi estabelecido no balanço de quatro anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Nem mesmo será em julho, como se cogitou mais tarde.


A Valec, empresa estatal ligada ao Ministério dos Transportes e responsável pelo empreendimento, hoje, limita-se a informar que os trens finalmente correrão sobre os trilhos em algum momento no "segundo semestre" deste ano.

O marco zero da Norte-Sul está em Anápolis, cidade goiana que já se prepara com o porto seco para se transformar em um entreposto da produção agrícola e de minério da região Centro-Oeste.
O prefeito Antônio Gomide (PT) admite que o prazo ficou na promessa, por causa das contestações feitas à licitação de um túnel no último trecho da obra. Segundo o prefeito, a ferrovia só vai operar a partir do ano que vem.

- Queremos crer, com as garantias da presidente Dilma, que os recursos estão assegurados, que em janeiro de 2012, ano que não tem eleições presidenciais, essa obra esteja concluída - afirmou Gomide.

Como no caso da Norte-Sul, outras promessas foram feitas por Lula, cabo eleitoral número um de Dilma, ao longo do ano passado, principalmente no segundo semestre.
Prazos foram dados e expectativas foram criadas.
Porém, os canteiros de obras mostram, em muitos casos, uma história diferente daquela vendida no ano das eleições.


Quando esteve em Vitória, no Espírito Santo, em 15 de julho de 2010, Lula se valeu do prestigiado Batalhão de Engenharia do Exército, que põe a mão na massa quando emergem os desvios em contratos públicos, para criar expectativas sobre a reforma da pista do aeroporto da capital capixaba.
Com o Exército, a obra da pista começaria imediatamente.


"Eu trabalho com a certeza que em agosto (de 2010), o Exército começa as obras na pista do Aeroporto de Vitória. É um atraso absurdo que aconteceu em Vitória, como também em Goiânia", disse Lula.

Na última sexta-feira, a Infraero apresentou o quadro atual:
o projeto de engenharia deve ficar pronto em agosto, mas agora deste ano.
A obra "pode" começar em outubro
, frisou a estatal.


Rodovia no ES também atrasada

Ainda em Vitória, em entrevista ao jornal "A Gazeta", o então presidente afirmou que a obra de adequação do contorno rodoviário da capital capixaba, na BR-101, seria concluída em junho de 2011.

Mas, segundo dados extraídos do Sistema Integrado de Informações Financeiras (Siafi), de R$30,6 milhões autorizados no Orçamento de 2011, nenhum centavo ainda foi pago.
A conclusão dos trabalhos deve ocorrer apenas em 2012.


Em suas andanças em ano eleitoral, Lula se viu diante de um impasse quando foi a Santa Catarina inaugurar quatro trechos da duplicação da BR-101, entre Palhoça (SC) e a divisa com o Rio Grande do Sul.

Em 13 de setembro de 2010, diante da complexidade da obra de 249 quilômetros - com túneis e pontes - Lula decidiu trocar a fixação de prazo por pesadas críticas à fiscalização e aos órgãos ambientais.
Chegou a condenar o que chamou de "indústria da fiscalização".


"Nós criamos uma indústria de fiscalização e de proibição que é uma coisa maluca. (...) E eu, junto com vocês, ainda iremos ver essa estrada toda duplicada", frisou, ao explicar porque não poderia fazer a promessa:
"Em campanha política as pessoas podem falar tudo. A única coisa que as pessoas não podem prescindir é de falar a verdade".


O balanço do PAC informa que o conjunto de obras da BR-101 (SC) será concluído em julho de 2012. Questionado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que a obra termina no final de 2013.

Entretanto, o secretário-executivo de Articulação Nacional do governo do estado, Acélio Casagrande, afirma que a duplicação deve terminar só em 2015. Além dos obstáculos ambientais, o Dnit teria identificado um grave problema nos contratos:


- As empreiteiras mergulharam os preços e, agora, não conseguem executar a obra. Entregamos documentos ao Dnit pedindo para agilizar as obras, mas está difícil. A perspectiva é finalizar a obra em 2015 - afirmou o representante do governo do estado.

Apesar do fosso que separa os prazos dos discursos e o ritmo das máquinas, o governo mantém o fluxo de investimentos em obras pelas quais Lula passou na reta final da disputa presidencial. No caso da BR-101 (SC), a União pagou, em 2010, 70% do valor autorizado no Orçamento. Este ano, executou 19,7% do total previsto até dezembro.

Em outras cinco obras - a ferrovia Norte-Sul, a adequação do contorno rodoviário de Vitória (ES), a expansão do Trensurb em Novo Hamburgo (RS), a recuperação do molhe do Porto de Itajaí e o rebaixamento da linha férrea de Maringá (PR) -, a execução ficou em 92,8% do previsto no ano passado.

Em 2011, a execução dos mesmos empreendimentos - excluindo o molhe do Porto de Itajaí - estava em 15,1% do montante autorizado para ser gasto até dezembro, segundo dados do Siafi atualizados no último dia 5 de maio.

Roberto Maltchik /O Globo

maio 06, 2011

QUANTO VALE A VALE.

Roger Agnelli deixa o comando da Vale no próximo dia 21, mas fatos conhecidos ontem simbolizam os acertos e desacertos dos interesses em jogo que acabaram por afastá-lo da empresa.

A maior mineradora do mundo
divulgou um lucro recorde no primeiro trimestre, confirmando o sucesso da estratégia que vem perseguindo nos últimos anos.
A Vale chegou aonde chegou fazendo tudo o que o governo do PT gostaria que ela não fizesse.


No último balanço com Agnelli no comando da companhia, o lucro líquido da empresa alcançou R$ 11,3 bilhões até março.
Foi o maior da história de uma companhia aberta no Brasil para um primeiro trimestre.
O ganho cresceu em todas as bases de comparação, chegando a ser 292% maior que o lucro atingido no mesmo período do ano passado.
Pelo padrão contábil em dólares, o aumento foi ainda mais expressivo:
325%, para US$ 6,8 bilhões.


Nunca a Vale lucrou tanto num único trimestre. Foi o coroamento da gestão de dez anos com Agnelli à frente da companhia. Preveem analistas que o resultado no segundo trimestre será maior ainda.
Isso por causa dos mecanismos empresariais que a Vale adotou.
"Antes a Vale subsidiava a siderurgia mundial", diz um analista ouvido por O Globo.


Agnelli deixa o posto daqui a 15 dias depois de ter se recusado a seguir diretrizes que o PT achava mais adequadas para a empresa.
Entre suas decisões, esteve demitir 1,3 mil trabalhadores - durante crise em que mais de 700 mil pessoas foram postas na rua por empresas em todo o país - e exportar menos minério e mais aço, cujo preço hoje é francamente decadente em todo o mundo.


"Adicionar valor ao produto não significa adicionar valor à empresa e ao Brasil. Adicionar valor ao produto pode só representar menos valor ao acionista e menos desenvolvimento à empresa.
Qualquer país pode investir em siderurgia; é só captar recursos para montar uma unidade e comprar minério.

Mas poucos conseguem exportar matéria-prima.
O recurso estratégico é justamente o minério", analisa Sérgio Lazzarini, professor do Insper, na Folha de S.Paulo de hoje.


O lucro recorde foi divulgado no mesmo dia em que a Vale levou ao mar o primeiro cargueiro de uma frota de 19 embarcações encomendadas junto a estaleiros coreanos e chineses.
Anunciada em 2008, a decisão de comprá-los no exterior, o que envolve US$ 2,35 bilhões, foi duramente criticada pelo então presidente Lula.
Foi outro dos motivos de atrito entre Agnelli e o petismo.


O navio entregue ontem, o "Vale Brasil", é o maior para minério do mundo. Saiu por US$ 110 milhões e foi feito na Coreia.
A Vale preferiu os coreanos porque quis? Não, por uma questão de sobrevivência.


A Vale tentou que o navio fosse feito no Brasil, como gostaria Lula.
Para tanto, procurou o Estaleiro Atlântico Sul - uma das vedetes da propaganda nacionalista petista - em Pernambuco e ouviu que o mesmo navio made in Brazil sairia por US$ 236 milhões e só poderia ser entregue em 2015.

A Vale agradeceu e partiu pra luta; comprou-o na Ásia, pela metade do preço e com metade de prazo para entrega.


Brasileiro, o projeto de engenharia do "Vale Brasil" permite triplicar a capacidade de carregamento e acelera a operação.
A economia gerada equivale a cortar dez de um total de 45 dias necessários para levar minério à China.
Isso é crucial para a competitividade da Vale, já que o trajeto a partir da Austrália - por onde suas concorrentes BHP e da Rio Tinto escoam seu minério - demora cerca de 15 dias.


A decisão não trouxe benefícios apenas para a Vale.
A empresa reduziu seus custos com fretes e pôde transferir os ganhos para os preços do minério que vende.
Fez isso firmando contratos de longo prazo.
Assim, a balança comercial brasileira engordou mais US$ 4 bilhões nos últimos dois anos.


Decisões empresariais são para ser tomadas assim, com base no que pode render mais. Ainda mais num mercado como o que opera a Vale, altamente competitivo e altamente sujeito a volatilidades - como ontem ficou claro, mais uma vez, quando o preço das principais commodities despencou, revertendo uma contínua ascensão de meses.

É escandaloso que, deixando um legado como este, Agnelli tenha sido defenestrado do comando da Vale.
Se dependesse do petismo, provavelmente a mineradora não estaria hoje comemorando os resultados que alcançou.

Estaria, talvez, explicando ao mercado por que seus custos com fretes foram altos ou por que teve de pagar tantos tributos - que teriam sido impostos à companhia como retaliação por ter contrariado as vontades de Lula e do PT.


Fonte: ITV

IPCA de abril fica em 0,77%.


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril teve variação de 0,77%, muito próxima da taxa de março (0,79%).
O acumulado em 2011 está em 3,23%, 0,58 ponto percentual acima da taxa relativa a igual período de 2010 (2,65%).

Nos últimos 12 meses, o índice situa-se em 6,51%, também acima dos 6,30% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.
Em abril de 2010 a taxa havia ficado em 0,57%.

As informações são do IBGE.


A taxa dos alimentos foi de 0,58% em abril ante 0,75% de março, totalizando uma alta de 2,74% nos quatro primeiros meses do ano.
Produtos importantes com preços em queda contribuíram para a redução do resultado do grupo no mês, a exemplo do tomate (-18,69%),
do açúcar cristal (-2,68%),
do arroz (-2,13%)
e das carnes (-0,20%), entre outros.


Dentre os alimentos que tiveram aumento em abril,
estão a batata inglesa (17,71%),
o feijão carioca (9,79%),
os ovos (4,41%),
o leite pasteurizado (2,66%),
a refeição fora do domicílio (1,25%)
e o pão francês (0,54%).


Além de alimentação e bebidas, outros quatro dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IPCA mostraram desaceleração na taxa de março para abril.

Transporte, com variação de 1,57%, muito próxima à de 1,56% do mês anterior, continuou sendo o grupo de maior alta.
Os preços do etanol, que haviam subido 10,78% em março, atingiram 11,20% em abril, totalizando 31,09% no ano.
Com isso, influenciaram o preço da gasolina, que ficou 6,26% mais cara em abril, após 1,97% em março, num total de 9,58% no ano.

Juntos, os combustíveis tiveram alta de 6,53% no mês e foram responsáveis por 0,30 ponto percentual do IPCA, sendo 0,05 do etanol e 0,25 da gasolina.


Vestuário ficou com a segunda maior variação entre os grupos:
1,42% em abril, após 0,56% em março.
Quase todos os itens apresentaram variações expressivas, destacando-se as roupas infantis, que aumentaram 1,97%.


A seguir veio o grupo saúde e cuidados pessoais, que passou de uma taxa de 0,45% em março para 0,98% em abril.
O reajuste médio de 4,77% nos preços de um conjunto de remédios, a partir de 31 de março, resultou em uma variação de 2,41% no IPCA.
Em março os preços dos remédios haviam registrado uma taxa de 0,15%.


Já no grupo habitação, que passou de 0,46% em março para 0,77% em abril,
as pressões vieram da taxa de água e esgoto (de 0,66% para 1,00%),
energia elétrica (de 0,34% para 0,94%),
condomínio (de 0,60% para 0,99%)
e aluguel residencial (de 0,40% para 0,76%).

Para a taxa de água e esgoto, as altas ocorreram em Belo Horizonte (2,09%), Curitiba (10,12%)
e Brasília (0,82%).
Quanto à energia elétrica, a alta foi decorrente das contas do Rio de Janeiro (0,93%),
Porto Alegre (2,49%)
e Salvador (0,86%).


Dessa forma o agrupamento dos não alimentícios passou de uma taxa de 0,80% em março para 0,83% em abril.

INPC varia 0,72% em abril

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,72% em abril, 0,06 ponto percentual acima do resultado de março (0,66%).
Com isso, o acumulado em 2011 está em 2,89%, abaixo da taxa de 3,05% relativa a igual período de 2010.
Nos últimos 12 meses, o índice situa-se em 6,30%, próximo dos 12 meses imediatamente anteriores (6,31%).
Em abril de 2010 o INPC havia ficado em 0,73%.


Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,63% em abril, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,76%.
Em março, os resultados haviam sido 0,72% e 0,63%, respectivamente.


Jornal do Brasil