"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

dezembro 02, 2013

É hora de mudança



Neste fim de semana, saiu mais uma fornada de pesquisas de opinião. Seus resultados sobre intenção de votos, faltando ainda 11 meses para a disputa, importam menos do que as constatações a respeito dos anseios da população quanto a seu futuro. O recado é claro: o brasileiro quer mudança.

De acordo com pesquisa feita pelo Datafolha, publicada na edição de ontem da Folha de S.Paulo, 66% dos entrevistados querem que a "maior parte das ações do próximo presidente seja diferente" do que faz Dilma Rousseff. Apenas 28% querem um governo igual ao atual. Este sentimento já havia sido captado pelo Ibope há duas semanas. Que fatores levam a clamor tão forte?

O primeiro deles parece ser o temor quanto ao futuro. O brasileiro vê incertezas - principalmente econômicas - se apresentando no horizonte e quer para o país alguém que o conduza ao largo de tempestades, muitas delas produzidas pela própria inépcia dos atuais condutores.

Mais especificamente, o cidadão teme pela volta da inflação e pela perda do emprego. Ainda de acordo com a recente pesquisa do Datafolha, o receio quanto ao aumento dos preços e o medo da falta de trabalho cresceram muito nos últimos meses.

Entre os entrevistados, 59% acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos meses - esse percentual era de 54% em outubro, 53% em agosto e quase metade (33%) quando Dilma assumiu. O medo do desemprego acomete 43% dos brasileiros, alta considerável em relação aos 38% anotados no levantamento de outubro e aos menos de 30% do início do governo atual.

No seu dia a dia, o brasileiro percebe que seu salário compra cada vez menos e custa a chegar ao fim do mês. Nossa inflação oficial (em torno de 6%) é alta, mas a carestia real é ainda mais aguda: preços de itens não controlados pelo governo e de serviços sobem muito mais do que a média, penalizando o assalariado.

O mercado de trabalho ainda é praticamente de pleno emprego, mas as vagas abertas são de baixa remuneração e pouca qualidade. A cada mês, as estatísticas voltam a registrar que os postos criados pagam sempre salários abaixo de dois salários mínimos. Na era Dilma, mais de um milhão de empregos acima desta faixa salarial foram extintos.

Mas o desejo de mudança não se restringe a aspectos materiais - embora saibamos que estes determinam bastante a avaliação que as pessoas fazem de sua vida. Há, sobretudo, um cansaço com o estado atual das coisas. O brasileiro parece clamar por alguém que ponha fim ao ciclo de degradação de valores que o governo do PT pôs em marcha e tenta nos convencer diuturnamente que é legítimo.

O que se sonha é, também e principalmente, com uma mudança de padrões éticos. De respeito ao interesse público, de compromisso com a superação das dificuldades do cidadão, de valorização da verdade, em lugar do culto à mentira, com tão bem resumiu o presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado ontem.

Há, portanto, um cenário econômico pouco animador e uma crise ética que há muito passou do aceitável. O PT está completando 11 anos no poder; seu ciclo chegou ao fim, exauriu-se. A hora é de iniciar uma nova etapa, uma era de mudanças, para que as conquistas obtidas até aqui não se percam; uma era em que eficiência e compromisso com os direitos dos cidadãos caminhem juntos.


ITV

EM REPÚBLICA DE TORPES : Réus que fazem leis

Há 300 ações e 534 inquéritos contra políticos tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF), mercê do "foro privilegiado" de que gozam.
Nem todos mancham de forma indelével os seus currículos. 
Mas muitos representantes do povo são acusados de crimes pesados:
em 36% do total há indícios fortes de delitos como lavagem de dinheiro, 
desvio de recursos, 
falsidade ideológica 
e até homicídio.

Dois deputados federais são obrigados a cumprir penas por delitos passados em julgado, ou seja, cujos acusados não podem mais impetrar recursos em tribunais. O deputado Natan Donadon, expulso do PMDB depois de condenado por ter desviado recursos da Assembleia Legislativa de seu Estado, Rondônia, cumpre pena no presídio da Papuda, em Brasília, O ex-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino chegou a ser preso na Papuda e agora aguarda em prisão domiciliar que seja definido o lugar onde cumprirá pena.

E estão para ser presos outros dois réus do mensalão que exercem mandato legislativo federal: 
Valdemar Gosta Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). 
O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) também foi condenado, mas ainda tem um recurso em julgamento.

Apesar de sua repercussão maior, o escândalo do mensalão não é o único a levar políticos importantes ao STF. O ex-presidente do Senado Jader Barbalho (PMDB-PA) é réu num processo que julga a acusação de ter ele desviado dinheiro do Banco do Estado do Pará (Banpará) há 29 anos. 
Dos 81 senadores que exercem mandato atualmente 28 têm contas a prestar à Justiça - entre eles seu próprio presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), seus dois vices, Jorge Viana (PT-AC) e Romero Jucá (PMDB-RR), e quase toda a Mesa Diretora da Casa.

Antes do mensalão, o STF condenou seis deputados: 
o citado Natan Donadon e mais Cássio Taniguchi (DEM-PR), 
Abelardo Camarinha (PSB-SP), 
José Gerardo (PMDB-CE), 
José Tatico (PMDB-GO) 
e Asdrúbal Bentes (PMDB-PA).

Três vezes prefeito de Marília (SP), Camarinha responde a quatro processos por uso indevido de dinheiro público nessas gestões. Sua pena de quatro meses foi substituída por multa de R$ 40 mil. Ainda assim, ele considera um "engodo" o "foro privilegiado". Pois, garantiu, "se meus processos fossem para o I Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), eu ainda poderia recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)"!
Ou seja, segundo ele, o privilégio o teria privado de impetrar mais recursos, o que adiaria sua condenação.
Só que condenação nem sempre leva à prisão. 
Bentes foi sentenciado a três anos, um mês e dez dias de prisão por trocar cirurgias gratuitas de laqueadura de trompa por votos na campanha para prefeito de Marabá (PA) em 2004, mas a execução dessa pena nunca saiu. Este é também o caso de Tatico, condenado em 2010 por não recolher o pagamento da contribuição previdenciária de funcionários do curtume de propriedade de sua família. A defesa impetrou embargo declaratório, Tatico não é mais deputado, mas continua solto, apesar de Joaquim Barbosa ter pedido este ano sua prisão imediata.
A reportagem do Estado revelou o caso do ex-senador e atual deputado Sebastião Rocha (PDT-AP), denunciado na Operação Pororoca pela PF em 2004 de participação num esquema que teria desviado R$ 103 milhões de recursos federais 110 Amapá. Tendo aparecido preso e algemado na TV na ocasião, ele, atualmente em gozo de liberdade, acusa: "Agora, no caso do mensalão, o PT reclama da exposição de seus condenados. Mas foi Márcio Thomaz Bastos, na época ministro da Justiça, que mandou a PF me algemar. Foi o PT quem inventou essa história de algemas para expor as pessoas no Brasil".
Com algemas ou sem, a dura realidade é que pesam contra elevado número de deputados federais e senadores brasileiros evidências de delinquência no exercício de seus mandatos. É, para dizer o mínimo, esdrúxulo haver réus debatendo e votando leis. E o pouco que se vê é algum parlamentar punido pelos crimes de que é acusado e não raramente fica comprovado que os praticou.
O Estado de S. Paulo 

ENQUANTO ISSO NO brasil maravilha DOS FARSANTES E EMBUSTEIRA 1,99... Dívida de brasileiro nos bancos é de R$ 1,2 tri




Mesmo se fosse usado integralmente para pagar as dívidas, o 13º salário não seria suficiente. Os brasileiros chegam ao fim de 2013 devendo — somente aos bancos — um total de pouco mais de R$ 1,2 trilhão, o maior saldo da história, segundo dados do Banco Central (BC). O montante equivale a oito vezes a quantia que será injetada na economia brasileira neste ano com o benefício natalino, cuja primeira parcela caiu na conta dos trabalhadores na última sexta-feira. Ceia, presentes e viagens poderão até ser mantidos, mas o aperto nunca foi tão grande.

A situação das finanças domésticas se complica porque, com base nos números do BC sobre as operações de crédito, os consumidores têm mergulhado nas dívidas mais caras do mercado. O saldo devedor do cheque especial, por exemplo, é o maior já registrado, com alta acumulada de 20,9% no ano. Os débitos com o cartão de crédito na modalidade rotativa — quando se quita apenas o valor mínimo da fatura — cresceram 6,2% nos 10 primeiros meses, mais do que os pagamentos à vista com cartão, nos quais não incidem juros, com alta de 5,1%.

O ano não foi fácil para os brasileiros. 
A inflação se manteve persistente e bem acima do centro da meta do governo, de 4,5%. A cada ida ao supermercado, um novo espanto diante dos reajustes, sempre minimizados pela equipe econômica. Não bastasse, a expectativa para o início de 2014 é de mais alta dos preços, além dos gastos extras do período, como pagamento de impostos e matrícula escolar. A escalada da taxa básica de juros — que na última semana chegou a 10% ao ano, voltando à casa dos dois dígitos — encarecerá o crédito e poderá acelerar o inchaço das dívidas.

A soma do que os brasileiros devem às instituições financeiras representa, hoje, mais de um quarto (25,8%) do Produto Interno Bruto (PIB), também a maior proporção já identificada pelo BC. "Para diminuir o peso das dívidas, o consumidor foi obrigado a ficar mais seletivo e cuidadoso. Quem conseguiu limpar o nome não vai querer virar o ano no vermelho de novo", acredita o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fabio Bentes.

Nos últimos anos, com a ausência de projetos estruturantes no país, o consumo das famílias foi o que garantiu o crescimento econômico. O aumento da renda e do nível de emprego da população fizeram o governo estimular a fartura do crédito e, consequentemente, uma corrida às compras. A euforia deu resultado. Mas, no entender de analistas, esse modelo de desenvolvimento — que acabou abafando a falta de projetos sólidos — se esgotou.

Superação
Com o poder de compra estrangulado pela inflação e pelas dívidas, muitos brasileiros que iniciaram o ano na lista de maus pagadores deram a volta por cima e dizem ter aprendido a lição. Decidiram neste fim de 2013 não só diminuir o consumo, mas também estão mais dispostos a poupar. "Parece que há, de fato, uma maior conscientização. Mas não basta. As famílias precisam de uma "faxina financeira" e mudar hábitos", pondera o educador financeiro Reinaldo Domingos.

O auxiliar de cozinha Sidney Araújo da Silva, 34 anos, passou vários Natais "comendo e se divertindo na casa dos outros", como relembra ele. As dívidas com cartão de crédito e celular torravam o dinheiro da ceia. Desta vez, metade do 13º está reservado para garantir a festa da família, mesmo sem muita pompa. "Quem quiser esbanjar que esbanje. Vou cuidar das minhas contas para entrar em 2014 tranquilo", afirma.

A outra metade do salário extra, acrescenta Silva, será usada para ajudar a pagar as parcelas de uma televisão de plasma comprada recentemente — dividida em 12 vezes — e do novo aparelho de celular, que deve ser quitado em abril do ano que vem. Sem revelar para ninguém o quanto tem guardado, o morador de Planaltina defende a importância de poupar. "Se depender só do salário, o cara fica enrolado. Se o patrão atrasar o pagamento é problema. E se os bancos entrarem em greve?", provoca.

O medo de afundar em dívidas levou muitos brasileiros a abrirem mão de extravagâncias. É por isso, acreditam analistas, que, apesar do endividamento recorde das famílias — 63,2%, de acordo com levantamento mais recente da CNC —, a inadimplência tem recuado. "As pessoas gastam o que não têm. Estou cansado de pegar passageiro com salário de R$ 20 mil por mês, mas que quer viajar todo fim de semana, comprar tudo, e aí depois reclama", opina o taxista João Rodrigues, 64.

A casa própria segue como sonho e prioridade para a maioria dos brasileiros. A aposentada Ana Carvalho, 72, não se incomodou em comprometer um terço da renda com um financiamento imobiliário iniciado neste ano. Para compensar o arrocho programado, ela optará por presentes mais baratos para os filhos e netos no Natal. "Vou gastar menos, para juntar mais dinheiro e antecipar parcelas. Quero usar até o 13º para ajudar a diminuir o montante."

Esgotamento
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará amanhã o resultado do PIB do terceiro trimestre. Os números voltarão a mostrar que o consumo deixou de ser a principal mola propulsora da economia brasileira. O mercado aposta em recessão do indicador em 0,3%. "O consumo estagnou mesmo, chegou ao seu esgotamento. É algo que preocupa. Agora, ele terá de dar lugar à poupança", comenta o ex-diretor do BC e presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, Carlos Eduardo de Freitas.

Correio Braziliense

novembro 29, 2013

"EPICENTRO" DA FARSA : A EMBUSTEIRA 1,99


Até ontem, a presidente da República vinha sendo apenas conivente com a farsa que gente aloprada de seu governo e de seu partido vem promovendo para distorcer uma necessária e desejável investigação sobre a formação de cartéis por parte de empresas para lesar cofres públicos. Ontem, Dilma Rousseff se tornou cúmplice das falcatruas.

Dois jornais registram a participação direta da presidente na contraofensiva que o PT e integrantes do governo federal lançam para tentar se desviar da constatação de que aloprados petistas forjaram documentos incluídos na investigação tocada pelo Cade, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Segundo O Estado de S.Paulo, Dilma "coordenou pessoalmente o contra-ataque ao PSDB" que resultou numa entrevista coletiva - a segunda em três dias - em que José Eduardo Cardozo ameaçou processar quem desnudou a adulteração dos papéis. Já o Valor Econômico informa que a presidente deu aval à atitude do ministro da Justiça, numa "estratégia traçada ontem pela manhã em uma reunião no Palácio da Alvorada".
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A constatação é clara: 
os petistas se ressentem de que sua tentativa de enxovalhar a oposição tenha encontrado reação à altura dos supostos envolvidos em recebimento de propina. Apenas poucos dias após virem a público, depois de passar pelas mãos do ministro Cardozo, os papeluchos que deram origem às acusações começaram a esfarelar, desnudando mais uma farsa da fábrica petista de dossiês fajutos.
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A evidência mais forte da atuação aloprada é a adulteração de documento, enviado em junho de 2008 à direção da Siemens na Alemanha, em que as práticas do cartel são descritas. A versão em inglês ganhou tradução mequetrefe e criminosa em que são incluídas menções a "políticos (na sua maioria) do PSDB", que nem de longe constavam do original. (Aqui estão o documento original em inglês e a tradução adulterada em português.)

Desde a semana passada, quando o Estadão publicou as mais graves denúncias, dois dos principais envolvidos nas acusações também já as desmentiram enfaticamente. Ainda na sexta-feira passada, Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens, negou ser o autor das denúncias e afirmou que os documentos vazados foram "distorcidos e não condizem com a realidade".

Em sua edição de ontem, o Estadão publicou entrevista com o engenheiro Arthur Gomes Teixeira, sócio da Procint Projetos e Consultoria, na qual ele afirma que jamais pagou propina a políticos tucanos nem de outros partidos:
 "Isso é uma mentira, algo sem qualquer fundamento".

Pelo que veio a público até agora, sem que as investigações tenham chegado aonde precisam chegar, pode-se constatar que está havendo uma espúria utilização política do caso por parte do PT. E exatamente no mesmo momento em que foram levados para trás das grades, no presídio da Papuda, os petistas que lideravam o partido na sua ascensão ao poder. Por que será?

A atitude do Cade - hoje presidido por um ex-funcionário da liderança petista na Assembleia paulista, experiência que ele omitiu ao ser conduzido ao cargo - também colabora para indicar a instrumentação política do caso por parte dos petistas. O órgão federal, que investiga a denúncia a partir de um acordo de delação premiada firmado com a Siemens, tinha até a última sexta-feira para pedir abertura de processo contra os envolvidos. Mas resolveu ampliar, e bastante, o período para investigações.

Revela a Folha de S.Paulo hoje que o prazo já foi estendido por mais 60 dias, entrando pelo ano de 2014. O Estadão vai mais longe e diz que eventuais processos contra os envolvidos nas práticas delituosas só serão abertos no segundo semestre de 2014, "o que deve coincidir com a campanha eleitoral". Será mera coincidência ou é a tentativa desesperada do PT de dar o troco e igualar todos por baixo, na lama, onde o partido dos mensaleiros já se afundou? 

Diante destas constatações, a atitude que se esperava da presidente Dilma era de equilíbrio e, sobretudo, de respeito e preservação das instituições de Estado. 
Mas ela enveredou pelo caminho oposto, tomando diretamente parte na condenável trama. É lamentável e reprovável. Nem no partido dos mensaleiros seria possível imaginar que o nível de alopração pudesse chegar tão longe e tão alto na hierarquia do poder.


Dilma no centro da farsa
ITV


Brasil S.A. VALEU À PENA ?


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O Banco Central elevou a taxa de juro básica, a Selic, a 10% no último encontro do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), saindo de 7,25% em março, período durante o qual a inflação teve uma retração modesta de 6,59% em 12 meses para 5,84%. 

Valeu a pena tanto ônus e tão pouco resultado? 
Havia escolha? Não há respostas conclusivas.

A taxa de juros subiu 2,75 pontos de percentagem em oito meses — o que não é pouco, já que cada ponto a mais da Selic adiciona R$ 9,5 bilhões à dívida pública —, para a taxa anual de inflação encolher apenas 0,75 ponto percentual na métrica do IPCA, o índice de preços ao consumidor do IBGE. A dívida pública aumentou R$ 26,1 bilhões para a inflação, na prática, ficar estacionada pouco abaixo de 6%. 

O que explica a resistência endêmica da inflação brasileira? 
Essa é uma dúvida com um custo bilionário, mas aparece no debate como se fosse nota de rodapé. Provavelmente o seja para os dançarinos da “ciranda financeira”, a imagem símbolo anterior à reforma monetária de 1994. Desde então a orquestra da Selic nunca deixou de tocar. A última vez em que tivemos inflação abaixo da meta anual — de 4,5% — foi em outubro de 2009, a 4,17%, e nunca mais voltou. 

É a história dos preços da maioria dos bem e serviços no país:
 subiram, 
fincaram raízes, 
habituamo-nos ao inexplicável e perdemos as referências.

Valor: 
essa é a esfinge a ser decifrada para, e se, um dia existir uma mobilização pela normalidade da inflação. Se deixar como está, a “geração da inflação” (como a minha, que nasceu e envelheceu com a marca da corrosão inflacionária) dará lugar à “geração da Selic”. Não a que dança conforme sua taxa, mas que paga o que ela custa, e agradece a inflação dita comportada a 6% ao ano. 
Com inflação média anual de 270% depois de 1980, e anos a fio acima de 1.000%, chegando a 2.477% em 1993, foi pelo ralo a noção sobre o que é caro e barato.

Na “nova normalidade”, com IPCA de 6,5% ao ano entre 2000 e 2012, a estabilidade relativa veio sem desinflação, significando que boa parte dos preços relativos foi convertida ao real pelo pico, e não houve também desde então empenho para desinflá-los com competição, 
inovação tecnológica, 
desmanche de oligopólios 
e produtividade. 

Enigma do peru de festa
A suspeita é que não se resolverá a inflação no Brasil sem buscar respostas para questões prosaicas, dessas que levam economistas a suspirar de enfado. Considere-se, por exemplo, o preço do quilo do peru nos EUA, prato básico da ceia de Thanksgiving — o Dia de Ação de Graças, comemorado ontem. Estava em média a R$ 1,40 por kg, com o dólar a R$ 2,30. E no Brasil? O quilo do peru simples está sendo vendido a até R$ 15, 10 vezes acima do preço nos EUA.

Por que tanta disparidade? 
A tributação não explica tudo.
 No site quantocustaobrasil.com.br, apura-se que a carga tributária do peru e das carnes brancas é de 29,75%. Sem impostos, o preço do peru ainda é no Brasil sete vezes mais caro que nos EUA. Sem piada...

Fisco escalpela o iPhone
Exemplos assim não faltam. 
De passagem pelos EUA, um turista achou panetone Bauducco de 750 gramas, com chocolate, fabricado em Minas Gerais, por US$ 4,99, cerca de R$ 11,50 ao câmbio atual, vendido no Brasil por R$ 20 a R$ 25, embutindo 34,63% de impostos. Sem eles, chega-se quase ao mesmo preço do “panetone de exportação”, R$ 13. 

No mundo dos gadgets, imposto também é central na narrativa sobre a inflação. O iPhone 5S, versão de 16GB, está à venda no Brasil a R$ 2,8 mil e, em Miami, a US$ 649 desbloqueado, ou US$ 691,18 com a taxa local. Convertendo para reais, equivale a R$ 1.590, pouco mais que o preço no Brasil sem impostos, R$ 1.420, abatendo-se 49,29% da carga tributária, segundo o serviço Quanto Custa o Brasil, mantido pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional.

O BC não opera milagres
As respostas sobre o mistério da inflação “estabilizada” entre 5% e 6% ao ano, mas depois que os preços de produtos e serviços foram “estabilizados” pelo Plano Real no pico, despontam desses exemplos. Estruturas olipolizadas, como da indústria de alimentos, fisgaram os ganhos de produtividade da agricultura. 

O Fisco se apropriou da facilidade de tributar serviços de fornecimento contínuo (luz, gás, água, telefonia, dados), onerando além do razoável insumos básicos para toda a cadeia produtiva. Impostos e baixa concorrência também capturam o grosso dos avanços de produtividade dos bens de consumo da fronteira tecnológica em que a competição é intensa no mundo, e até a deflação industrial exportada pela China. 

Frente a tudo isso, controlar a inflação apenas com juros é esperar milagres do BC.

O atraso entranhado
Enquanto acharmos normal, tipo dever cumprido, taxas de inflação anual de até 6,5%, o teto do objetivo delegado pelo governo ao BC, o Brasil será caro, sem condições de competir com as potências globais, tipo China e EUA, onde ela não passa de 2% ou 3% ao ano. Não se trata só de meta, de uma percentagem. Qualquer planejamento de médio prazo parte da premissa de inflação anual. Agora, imagine montar um orçamento sem saber qual a tendência da inflação daqui a três, quatro anos. 


 O que se faz? 
Não se faz, e o investimento não acontece (a não ser que fortemente subsidiado com recurso público), ou se fermenta a projeção, como prestadores de serviços ao governo costumam fazer para compensar atrasos de pagamento. No dia a dia, é como inflacionar a produção e os cenários, tal como, aliás, fazem os parlamentares de todas as câmaras ao aprovar o orçamento anual. 

Em síntese, o problema não é a variação dos preços num mês, num ano, mas em todos os anos, implicando a cultura que visa antecipar surpresas. 
Só tem servido para cimentar a inflação e anular ganhos de produtividade, de tecnologia etc. 
É o atraso entranhado.

Antônio Machado Correio Braziliense 

Em vez de “fazer o diabo” para ganhar a eleição, melhor seria fazer as contas de quanto isso vai custar ao país.



O Banco Central (BC) fez seu papel.
Demorou, mas fez.

Ao aplicar mais um aperto de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), na reunião de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom), a autoridade completou a delicada tarefa a que se impôs de devolver as taxas ao nível de janeiro de 2012, ou o mais perto possível disso. Aparentemente forçado a participar da condução heterodoxa de uma política econômica que o governo Dilma Rousseff e alguns de seus conselheiros costumam chamar de desenvolvimentista, o BC afrouxou a política monetária.

Desde então, promoveu uma sequência de cortes na taxa até chegar a 7,25% acumulados em 12 meses, sob aplausos de parte da plateia governista, dos míopes de certas academias e de empresários saudosos dos tempos em que podiam remarcar preços sem medo da concorrência.

A ideia é tão velha quanto infeliz: mais importante que um pouco de inflação é o espetáculo do crescimento. E, para apimentar ainda mais o apetitoso banquete da felicidade geral, nada como abrir os cofres do gasto público, como se esse fosse o melhor combustível para a economia, movida a consumo a qualquer custo. Deu errado.

A ilusão da inflação controlada durou pouco. Pelo acumulado em 12 meses, ela havia baixado no primeiro semestre de 2012, caindo de 6,22% para 4,92% entre janeiro e junho, muito perto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para aquele ano. Foi tentador esquecer que as rédeas curtas da política monetária servem para inibir saltos do dragão para fora da jaula, motivados por fatores nem sempre controláveis, como a sazonalidade dos alimentos e as piruetas do câmbio.

Junho de 2013 (um ano depois) não foi mês de surpresas e tensões apenas nas ruas. Nas gôndolas do supermercado e nas vitrines das lojas, o consumidor percebeu que o salário tinha perdido poder de compra. A inflação acumulada em 12 meses bateu em 6,7%, rompendo o teto de tolerância (6,5%)


Quatro meses antes, o BC, que havia segurado a Selic desde outubro de 2012 em 7,25%, já tinha percebido que a missão de cumprir as metas de inflação corria risco. Convenceu o governo a retomar o caminho de volta, na expectativa de que teria algum apoio da política fiscal. Ledo engano. Ele pagaria sozinho o preço de ter afrouxado a política monetária tão rápido e de ter demorado tanto para inverter a curva, enquanto o governo continuou gastando e golpeando a credibilidade do país.

É por isso que o Brasil vai fechar o ano com taxa básica de juros de 10%, na contramão dos latino-americanos mais bem-sucedidos, como Colômbia (3,25%),
México (3,5%),
Peru (4%)
e Chile (4,5%),
em troca de inflação de 5,8% e crescimento anêmico de no máximo 2,5%.

Só resta esperar que, em 2014, o BC se mantenha alheio ao calendário eleitoral, olhos fixos no centro da meta de inflação de 4,5% e aguente o tranco dos abalos cambiais. Pois, além da pressão das urnas sobre o gasto público no Brasil, a previsão é de alta do dólar e taxas de juros internacionais com o fim da política de irrigação da economia dos EUA. 

Em vez de “fazer o diabo” para ganhar a eleição, melhor seria fazer as contas de quanto isso vai custar ao país.

Correio Braziliense 
 Gastança e retrocesso nos juros

O JEITO PETRALHA 1,99 DA GERENTONA/EXTRAORDINÁRIA EMBUSTEIRA DE "GUVERNÁ" : Mercado = intervenção + populismo.


Mercado = intervenção + populismo. 

É com essa definição que o governo elabora as políticas públicas para o setor de energia. A consequência são o caos e a total desordem pelos quais passa o setor no País.
No petróleo, o governo insiste numa política de preço para a gasolina e o diesel baseada no viés do controle da inflação. Não deixa os preços seguirem a tendência do mercado internacional e, como consequência, a Petrobrás é a única petroleira de capital aberto no mundo que, quanto mais vende gasolina e diesel, mais tem prejuízo. Faz um leilão da maior reserva do pré-sal e só aparece um consórcio. 

O governo, com seu olhar exclusivamente de curtíssimo prazo e sem nenhuma sensibilidade sobre temas globais como o meio ambiente, prefere desonerar combustíveis poluidores como agaso-lina e o óleo combustível em detrimento do etanol e do gás natural.

No gás natural a política não é diferente.
A Petrobrás vende gás natural para as térmicas, que são clientes flexíveis - ou seja, não compram o tempo todo -, pela metade do preço pago pelos clientes firmes, no caso as distribuidoras. Com muita intervenção e uma alta dose de populismo, o governo só cria incertezas regulatórias e insegurança jurídica. Isso diminui a atratividade dos investidores privados e a Petrobrás é obrigada a assumir as taxas de retorno patrióticas. 

Exemplo são as refinarias. 
Todas as 12 refinarias existentes no Brasil pertencem
 à Petrobrás e a estatal ainda é obrigada a construir mais 4. 
Enquanto isso, nos EUA, onde mercado é mercado, existem 144 refinarias, todas privadas, inclusive a famosa Pasadena, da Petrobrás. 
Faz sentido transportar de caminhão, de São Paulo, a gasolina e o diesel consumidos no Centro-Oeste? Faltam sinais econômicos que atraiam o privado para a construção de dutos.

No setor elétrico, com a publicação da Medida Provisória (MP) 579, em setembro de 2012, o governo tentou revogar a famosa lei da oferta e da procura, e com isso criou enorme bagunça regulatória e jurídica no setor. No que ficou conhecido como o 11 de Setembro do setor elétrico do País, o governo, na hora de renovar as concessões, resolveu, de forma autoritária e populista, reduzir os preços justamente num momento de escassez de energia.

Se algum cidadão estrangeiro desavisado chegasse ao País no dia 11/9/2012 e comprasse um jornal, leria duas notícias. 
A primeira era que os reservatórios brasileiros estavam com níveis baixos e isso obrigaria o governo a ligar as térmicas, que são mais caras.  

A segunda notícia era o governo anunciando uma redução no preço da energia. Essa política gerou enormes prejuízos para a Eletrobrás e empresas como Cesp e Cemig, que não aderiram à MP, hoje apresentam resultados positivos.  
Outra curiosidade:  no período úmido, quando chove, os preços da energia são mais caros do que nos períodos de seca. Dá para entender? 

Se algum de nós andar pelas ruas das principais cidades brasileiras, vai verificar que a maioria dos prédios comerciais e residenciais de luxo tem geradores a diesel. Qual seria a explicação? Falta de confiabilidade no sistema elétrico, afinal, comprar um apartamento de R$ 10 milhões ou mais e se arriscar a ficar sem elevador e ar-condicionado não dá. No caso dos estabelecimentos comerciais, no horário de pico, gerar com diesel é mais barato do que a tarifa da concessionária. É bom lembrar que o diesel é poluente e importado. Esse é o "mercado" elétrico brasileiro.

Ao desafiar as regras de mercado, tentando subvertê-las para controlar a inflação e, ao mesmo tempo, ser um ingrediente para ganhar eleições, o governo transformou as ações da Petrobrás e da Eletrobrás em ações preferenciais de especuladores. As ações das duas principais estatais brasileiras passaram a subir e descer impulsionadas por boatos e suposições, e não pelos seus fundamentos. 

Adriano Pires
É DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE)

novembro 28, 2013

E A GERENTONA/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA SEGUNDO UM CACHACEIRO PARLAPATÃO, SEGUE "MUDANDO" O brasil : Governo central tem menor superávit em outubro em 9 anos



As contas do governo central apresentaram em outubro um superávit primário de R$ 5,436 bilhões. Trata-se do resultado mais baixo para o mês desde 2004, quando foi de R$ 4,471 bilhões. Apesar de reduzido, o resultado inverte o dado negativo do mês anterior: em setembro, houve déficit de R$ 10,473 bilhões.

O governo central engloba entradas e saídas de dinheiro da União, da Previdência Social e do Banco Central.

O resultado divulgado nesta quinta-feira, 28, ficou abaixo do piso das projeções dos economistas consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O intervalo foi de um superávit de R$ 6,000 bilhões a R$ 10,200 bilhões, com mediana de R$ 8,000 bilhões.

No acumulado do ano, o governo central acumula superávit primário de R$ 33,432 bilhões. Há queda nos dados de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o Tesouro, o esforço fiscal do governo central caiu de 1,78% do PIB de janeiro a outubro de 2012 para 0,85% do PIB no mesmo período deste ano.

Os dados mostram que o Tesouro apresentou superávit de R$ 8,276 bilhões em outubro, acumulando saldo positivo de R$ 84,442 bilhões no ano. Por outro lado, a Previdência apresentou déficit primário de R$ 2,712 bilhões no mês passado e no ano até outubro teve resultado negativo de R$ 50,325 bilhões.

As contas do Banco Central ficaram com déficit primário de R$ 127,3 milhões em outubro. No acumulado do ano, o resultado é déficit de R$ 684,1 milhões. No período de 12 meses até outubro, o superávit do governo central é equivalente a 1,2% do PIB, ou R$ 57,2 bilhões. A meta até o final do ano do governo central é de R$ 73 bilhões.

Balanço negativo. 

As despesas totais do governo central subiram 14% no acumulado de janeiro a outubro de 2013 sobre o mesmo período de 2012. Enquanto isso, as receitas tiveram alta de 8,2%. O descompasso é negativo em 5,8 pontos porcentuais.

Os recursos com concessões no mês passado somaram apenas R$ 39,5 milhões e a transferência de dividendos de empresas estatais para a União foi de R$ 3,4 milhões. No acumulado de janeiro a outubro de 2013, as receitas com concessões totalizam R$ 7,041 bilhões, o que representa um aumento de 222,9% em relação aos dez primeiros meses de 2012.

O valor dos dividendos no ano foi de R$ 14,550 bilhões, o que representa uma queda 26,3% em relação ao período de janeiro a outubro do ano passado.

Agência Estado

GATO POR LEBRE OU EMBUSTEIRA 1,99 : Juros altos derrubam mais uma promessa DA GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA

Os juros brasileiros continuam sua escalada, forçada por uma inflação que o governo petista insiste em tratar como se fosse problema menor e alimenta com seus gastos em disparada. Voltamos a ter, com folga, a mais alta taxa real do planeta, jogando por terra mais uma promessa fajuta da presidente Dilma Rousseff.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem subir a taxa básica de juros do país para 10% ao ano. Foi a sexta alta seguida. Desde março último, a Selic aumentou 2,75 pontos percentuais, uma pancada e tanto.

O Brasil está na contramão do mundo, num momento em que a maioria das economias tem reduzido os juros - como ocorreu recentemente, por exemplo, em Chile, México e Peru. Na média, as 40 principais economias do planeta praticam juro real negativo de 0,6% - apenas 17 países têm taxas positivas.

Analistas de mercado preveem que a alta da Selic não irá parar aí. Os que mais acertam seus prognósticos estimam que a taxa possa chegar a 11% no ano que vem. Se isso acontecer, Dilma impingirá ao país um juro básico ainda maior do que o herdado do ex-presidente Lula (10,75%).

No início de seu governo, a presidente prometeu que faria a taxa real brasileira baixar a 2% ao ano. Em alguns momentos, até conseguiu: em dezembro do ano passado, chegou a atingir a mínima de 1,39%. Mas, como juro não cai na marra, a retomada das altas da Selic para conter a inflação acabou empurrando o juro real brasileiro novamente para cima. Muito para cima.

Agora, a taxa real está em 4,1% anuais, no topo do ranking mundial, segundo levantamento feito sistematicamente pela consultoria Moneyou. A China, que por um tempo liderou a lista, já aparece bem distante no segundo lugar, com 3,1%, seguida pelo Chile, com 2,8%. Ou seja, Dilma perdeu mais uma guerra.

Recorda O Estado de S.Paulo que "a presidente chegou a dizer que os juros haviam alcançado patamar 'mais civilizado' e que, graças ao 'compromisso com a solidez das contas públicas', havia criado um 'ambiente para que a taxa de juros caísse'". Onde mesmo isso teria acontecido, presidente? Só se for na lua...

O BC está tendo que aumentar os juros para combater uma inflação que se mostra renitente, mas, por causa do constante aumento dos gastos públicos, tem sua missão ainda mais dificultada. Mesmo a alta forte da Selic nos últimos meses não tem conseguido segurar os preços, como mostra hoje o Valor Econômico.

"Quando o Copom começou a subir os juros em abril, o IPCA estimado para o ano estava em 5,68% e para o fim de 2014 em 5,70%, com juro de 8,5% nos dois anos. Na última pesquisa Focus, com o mercado antevendo Selic de 10% neste ano e de 10,50% em 2014, os prognósticos inflacionários eram de 5,82% e 5,92% respectivamente."

Trocando em miúdos: com taxa de juros quase três pontos percentuais mais baixa, a expectativa de inflação era menor do que a atual. Isso significa, por um lado, que a alta da Selic não tem sido suficiente para acalmar a escalada de preços e, por outro, que a gasolina que o governo joga na inflação com o aumento das despesas públicas tem sido muito mais potente.

Além disso, mesmo com as idas e vindas da Selic, o governo petista continuou gastando como poucos países com o pagamento de juros. Na verdade, em todo o mundo, apenas Grécia e Líbano gastam mais do que nós, segundo levantamento feito pelo FMI.

Os juros hoje consomem 4,8% do PIB brasileiro, o que dá algo em torno de R$ 160 bilhões ou o equivalente a seis vezes o orçamento do Bolsa Família. Caíram pouco em relação aos 5,2% do último ano do governo Lula, porque "a administração petista criou novos custos financeiros ao se endividar no mercado para injetar dinheiro nos bancos públicos e elevar a oferta de crédito", conforme analisa hoje a Folha de S.Paulo.

A volta dos juros de dois dígitos é mais uma manifestação dos desequilíbrios em série que a gestão petista produz na economia. É o atestado do fracasso de uma política econômica baseada na experimentação e no voluntarismo. É a comprovação de que promessas e compromissos assumidos pela presidente Dilma Rousseff não passam de palavras ao vento, mas nos custam caro, muito caro.

ITV
Juros altos derrubam mais uma promessa de Dilma

ENQUANTO ISSO NA REPÚBLICA TORPE... Do lado de fora da Papuda



Se a prisão de José Dirceu e José Genoino foi realmente dramática, as tentativas nada sutis de fuga estão virando piada em Brasília e nas redes sociais.

Dirceu girar, girar e acabar virando gerente administrativo de um hotel que era justamente de Sérgio Naya, deputado que foi cassado e preso, é a realidade esbarrando na ficção. Ok, a vida dá voltas, mas não precisava tanto. As perguntas são as mais maliciosas: vai cuidar do "lobby"? Vai para a "lavanderia"? Ou vai carregar as "malas"?

Não bastasse, a chefe de Dirceu no hotel ganha R$ 1.800, mas o salário dele vai ser de R$ 20 mil por mês. E com um vidão. Suíte à disposição, bar 24 horas por dia, uma piscininha de vez em quando, entra e sai à vontade de amigos e correligionários. Aquilo vai virar uma festa.

Quanto a Genoino, exageraram na dose da vitimização e o remédio começa a fazer efeito inverso, criando uma nuvem de desconfianças.

Ele passou mal no voo para Brasília, mas tinha se recusado a fazer qualquer tipo de exame antes de embarcar. Já na Papuda, foi anunciado que ele teve um infarto, mas foi só um pico de pressão.

O Supremo avalia prisão domiciliar permanente, mas uma junta médica atesta que não é "imprescindível". Por fim, a Câmara tem de decidir sobre a aposentadoria por invalidez, mas uma segunda junta diz que a cardiopatia não é tão grave.

O processo de vitimização evoluiu para um estágio de constrangimento geral. No meio desse caminho, destaque para o artigo impecável do colega Marcelo Coelho, relatando fatos do mensalão e do julgamento, sem emoção, sem adjetivos, para concluir que, inocente, Genoino não é.

Segundo um velho ditado, "quanto mais alto, maior o tombo". Segundo outro, na mesma linha, "esperteza, quando é muita, vira bicho e come o dono". A hora é de humildade, gente. Tentar garantir o luxo de Dirceu e santificar Genoino vai ter efeito bumerangue. Aliás, já está tendo.

ELIANE CANTANHÊDE/Folha