"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 26, 2013

ENQUANTO ISSO NO brasil maravilha DOS FARSANTES ... Perigo nas contas externas

Com mau desempenho interno e externo, a economia brasileira está equilibrada pelo menos desse ponto de vista. Nenhum lado está em boas condições. Enquanto a indústria apenas começa, lentamente, a recuperação, depois de dois anos muito ruins, as contas externas continuam mal e assim devem ir até dezembro, segundo o Banco Central (BC).

O buraco na conta corrente do balanço de pagamentos, um déficit de US$ 57,95 bilhões de janeiro a agosto, já ultrapassou o rombo de todo o ano passado, de US$ 54,83 bilhões. A causa mais importante foi a queda do saldo comercial, do superávit de US$ 13 1) bilhões nos primeiros oito meses de 2012 para o déficit de US$ 3,76 bilhões neste ano. Essa piora reflete a perda de eficiência da economia nacional.

Para o ano todo, os economistas do BC mantiveram a projeção de um déficit em conta corrente de US$ 75 bilhões, equivalente a 3,35% do PIB. Alteraram, no entanto, as estimativas de alguns itens e reduziram de US$ 7 bilhões para US$ 2 bilhões o superávit comercial previsto para 2013 - um número quase 90% menor que o resultado efetivo do ano passado, um saldo de US$ 19,41 bilhões. As novas projeções terminam em dezembro, mas as perspectivas para 2014, por todos os dados conhecidos até hoje, também são ruins.

O País exportou até agosto US$ 156,65 bilhões, 2,45% menos que um ano antes, e importou US$ 160,42 bilhões, 8,79% mais que nos meses correspondentes de 2,012. Em seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff mencionou a contribuição dos emergentes para a superação da crise global.

Faltou explicitar o papel do Brasil, mas é fácil de imaginar a resposta. Deve ser essa ampla mudança de padrão do comércio exterior, com vendas em queda e compras em alta. Até aqui, tudo bem para os estrangeiros.

O resto do mundo poderá agradecer a ajuda brasileira, quando examinar os números da balança comercial, mas em breve descobrirá um motivo de preocupação. Se o País continuar nessa trajetória, a contribuição de hoje logo se converterá em problema tanto para os brasileiros quanto para a comunidade internacional, especialmente se for necessária mais uma operação de socorro.

O risco pode parecer remoto, quando se considera o volume de reservas internacionais, superior a US$ 370 bilhões. Até aqui, tudo parece administrável, mas tem piorado o padrão de financiamento do déficit em conta corrente. O investimento estrangeiro direto tem sido insuficiente para cobrir o buraco e o País se tornou mais dependente de empréstimos e de investimentos mais sujeitos a mudanças especulativas.

Três itens formam a conta de transações correntes, ou apenas conta corrente: 1. balança comercial, com exportação e importação de bens; 2. balança de serviços e rendas, onde aparecem viagens, fretes, seguros, juros, lucros e dividendos; 3. transferências unilaterais -registros de operações como envio de recursos a estudantes no exterior e recebimento de dinheiro mandado por trabalhadores em outros países.

A balança comercial e as transferências são tradicionalmente superavitárias. A conta de serviços e rendas é normalmente deficitária. A soma dos três componentes tem sido, há vários anos, negativa. O buraco tem sido fechado, na maior parte das vezes, com investimento direto estrangeiro, destinado ao setor produtivo e em geral associado a objetivos de longo prazo.

É a melhor forma de cobrir déficits em conta corrente.
Mas esse padrão tem mudado.

O déficit mensal de agosto, US$ 5,5 bilhões, foi apenas parcialmente coberto pelo investimento direto, de US$ 3,77 bilhões. O resto foi financiado com recursos de outros tipos, em geral mais sujeitos a movimentos bruscos. O déficit acumulado em 12 meses chegou a US$ 80,64 bilhões, enquanto o investimento direto ficou em US$ 61,08 bilhões, sobrando uma necessidade de US$ 19,556 bilhões de outras fontes.

Pelas projeções do BC, o investimento direto continuará insuficiente, até o fim do ano, para cobrir o déficit. O governo deveria preocupar-se com o assunto antes de uma onda de preocupação se espalhar pelo mercado.


O Estado de São Paulo

Dívida federal tem alta de 1,77% e chega a R$ 1,99 tri

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A dívida pública federal voltou a subir em agosto e fechou o mês em R$ 1,991 trilhão, com alta de 1,77% em relação ao mesmo período no ano passado. Segundo relatório divulgado ontem pelo Tesouro Nacional, o aumento se deveu a uma emissão líquida de títulos, de R$ 17,28 bilhões, e ao juro que corrige o estoque, que somou R$ 17,39 bilhões.

As emissões de papéis somaram R$ 40,33 bilhões em agosto. Deste total, R$ 1,45 bilhão foi destinado à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), usada pelo governo para subsidiar a desoneração das contas de luz e o uso de energia térmica. Já os resgates no mês atingiram R$ 23 bilhões.

Segundo o coordenador geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, as emissões de setembro serão ainda maiores que as de agosto e as mais altas do ano. Ele explicou que as condições de mercado melhoraram depois que o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) sinalizou que vai adiar a estratégia de reduzir suas compras de ativos. Ao fazer isso, o governo americano acalmou os investidores e evitou uma fuga de capitais de economias emergentes.

— Depois da reunião do Fed, houve queda das taxas de juros e aumento da demanda dos estrangeiros por nossos títulos.

Os estrangeiros têm hoje R$ 307,77 bilhões em títulos do governo, ou 16,23% do total da dívida mobiliária federal interna. Esse é o maior número já registrado pela série histórica do Tesouro, iniciada em 2007.

O Globo

Torrando a herança bendita

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Dilma Rousseff falou ontem nos EUA a investidores estrangeiros. Queria convencê-los de que está fazendo tudo certo no Brasil e deve merecer a confiança dos empresários. Difícil. Como a prática de seu governo não corresponde à imagem que quer vender, a presidente teve de lançar mão do único ativo capaz de lhe restituir alguma credibilidade: a herança bendita da gestão Fernando Henrique Cardoso.

O governo reuniu um time de ministros para assegurar a investidores estrangeiros que o Brasil "respeita contratos". Para comprovar a suposta veracidade de seus propósitos, a presidente disse que "há mais de 20 anos" é assim. Se tivesse que se valer do presente, seu discurso provavelmente seria encarado pela audiência como uma peça de ficção assemelhada às fábulas dos irmãos Grimm...

"Se tem um país que respeita contrato, é o Brasil. (...) Não interessa o governo que assinou. Você pode não gostar de quem fez o contrato. Você pode discordar do contrato. Mas ele foi assinado por uma autoridade e ele será cumprido. É uma questão de Estado, e não de governo", disse a presidente, para uma plateia formada por investidores reunidos pelo banco Goldman Sachs.

O pessoal da audiência deve ter se arrepiado. O que dizer da brutal intervenção patrocinada pelo governo Dilma nos contratos de energia? O que dizer da mudança no bem sucedido marco legal do petróleo, substituído por um salto no escuro? O que dizer da desenfreada manipulação das tarifas públicas, da qual a Petrobras é a maior, mas não a única, vítima?

Fernando Pimentel, um dos integrantes da comitiva presidencial, foi mais longe na estratégia de fiar-se na herança bendita tucana e até reconheceu que o PSDB tinha mais credenciais do que o PT para vencer a hiperinflação à época da edição do Plano Real, quase duas décadas atrás, conforme registra O Estado de S.Paulo.

Na realidade, é difícil comprar Dilma e seu governo pelo seu valor intrínseco. E os investidores estão carecas de saber disso. A atual administração é errática, titubeante, indecisa e, por que não dizer, só inspira insegurança em quem quer empreender. Muito diferente, portanto, de quem cumpre regras e imprime rumo claro à gestão, como era o caso do governo tucano.

Ontem mesmo, no mesmo momento em que a presidente vendia aos americanos uma suposta estabilidade, sua equipe anunciava, em Brasília, que, mais uma vez, as regras do programa de concessões serão alteradas. Empresas que antes não podiam disputar Galeão e Confins agora podem - vale lembrar que a proibição havia sido baixada por determinação da própria Dilma.

Com isso, há chance até de surgir um novo monopólio no setor, com risco de que venha a deter 85% da operação dos voos internacionais do país, concentrados em Guarulhos e Rio. Os leilões dos aeroportos, que seriam em outubro, devem ficar para dezembro. Provavelmente, não será a última mudança no processo.

Na prática o que vigora na gestão petista é um método peculiar de gestão: o "se colar, colou". Lançam-se propostas ao léu na esperança de que elas passem incólumes pelo crivo dos interessados. Só ao longo do processo é que vai se verificar se as iniciativas param ou não de pé. Em geral, derrapam na primeira curva.

Quem melhor explicitou isso foi a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. "Lançamos propostas e fazemos a interação com todos os atores que devemos fazer. É um processo de aperfeiçoamento com interação", disse ela ontem a'O Globo, para explicar por que o governo teve que rever, mais uma vez, as regras para a concessão dos aeroportos e, provavelmente, também terá de buscar alternativas para a privatização das BRs 101, 153 e 262.

Este método alucinado, evidentemente, já mostrou que não é capaz de render os resultados que o país precisa. No caso das concessões, a Folha de S.Paulo sintetiza hoje o tamanho do fiasco: dos 25 leilões de infraestrutura previstos para este ano, apenas oito, se tanto, deverão acontecer. E pensar que o governo petista encarava as privatizações como sua tábua de salvação...

Ferrovias? Os estudos ainda são muito superficiais para atrair interessados e até a estatal chave no processo será agora extinta. Portos? Os levantamentos são considerados ruins e os riscos jurídicos, elevados demais. Com isso, todos os leilões destes dois modais vão ficar para depois, quiçá para as calendas.

É forçoso constatar: o governo do PT só se manteve de pé enquanto os benefícios decorrentes das reformas e transformações levadas a cabo pela gestão Fernando Henrique perduraram. Depois que os petistas decidiram trilhar seu próprio caminho, mais ou menos desde 2009, o país descambou. Toda herança, se não é bem trabalhada, um dia acaba. A do país, o PT torrou sem legar quase nada aos brasileiros.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

PARA REGISTRO II ! Nova capa da The Economist: Brasil estragou tudo!


 
A revista britânica The Economist causou furor na esquerda quando colocou, em 2009, o Cristo Redentor decolando em sua capa, para sinalizar que o país agora iria decolar. Quatro anos depois, a capa que estará nas bancas hoje é oposta: o Cristo rodopiou e embicou rumo à Baía da Guanabara.


Transcrito de ;
Rodrigo Constantino

Atualizando : 

De um foguete que apontava para o alto para uma aeronave desgovernada nos céus. Essa é a comparação feita pela capa da revista britânica The Economist ao tratar da evolução do Brasil nos últimos quatro anos. A edição distribuída na América Latina, que chega às bancas neste fim de semana, tem na capa uma imagem do Cristo Redentor fazendo piruetas no céu do Rio de Janeiro com a pergunta: “Has Brazil blown it?”. A questão pode ser traduzida como “O Brasil estragou tudo?” ou “O Brasil se perdeu?”.

Na edição desta semana, a revista publica uma reportagem especial de 14 páginas sobre o Brasil assinado pela jornalista Helen Joyce, correspondente da revista no País. “Na década de 2000, o Brasil decolou e, mesmo com a crise econômica mundial, o País cresceu 7,5% em 2010. No entanto, tem parado recentemente. Desde 2011, o Brasil conseguiu apenas um crescimento anual de 2%. Seus cidadãos estão descontentes – em julho, eles foram às ruas para protestar contra o alto custo de vida, serviços públicos deficientes e a corrupção dos políticos”, diz a revista.

“Pode Dilma Rousseff, a presidente do Brasil, reiniciar os motores?”, pergunta a publicação. “Será que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos oferecerão ajuda para a recuperação do Brasil ou simplesmente trarão mais dívida”, questiona a revista. O conteúdo da revista ainda não está disponível na íntegra na internet.

Na capa, a Economist fez uma auto referência a uma capa da própria publicação que ficou conhecida no Brasil ao mostrar o mesmo Cristo Redentor decolando como se fosse um foguete. “O Brasil decola” foi capa da edição de 12 de novembro de 2009, quando a revista rasgava elogios ao País que, naquele momento, crescia rapidamente a despeito da crise financeira global.


Estadão
Fernando Nakagawa, correspondente

PARA REGISTRO ! Em NY, A NADA E COISA NENUMA 1,99 dá aula de como espantar investidores

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A presidente Dilma Rousseff mostrou, mais uma vez, nesta quarta-feira, que não só não simpatiza com investidores estrangeiros como também subestima sua inteligência. Dilma compareceu a um evento organizado pelo Goldman Sachs em Nova York para tentar atrair clientes do banco para investir em projetos de infraestrutura no Brasil.

Sua ida ao evento, por si só, é coisa rara.
A questão é que ela desperdiçou a oportunidade.

Mais: ela piorou, como se ainda fosse possível, a avaliação que fundos e empresários de fora têm do Brasil nos últimos três anos. Em vez de aproveitar o evento para tentar quebrar o muro que separa o governo dos investimentos privados, a presidente aumentou sua extensão. Repetiu que o país vai muito bem, obrigada, que os projetos de infraest

Para os investidores desavisados, dizer que o Brasil vai bem não é a maior das mentiras. Afinal, é fácil constatar que o país está em melhor situação que os endividados europeus ou que emergentes politicamente instáveis, como a Rússia. Contudo, colocar em evidência a atratividade das concessões de infraestrutura num momento em que planos fracassam, como no caso da BR-262, que não teve interessados, ou do trem-bala, que teve de ser engavetado por falta de consórcios, beira a ingenuidade — ou a falta de bom-senso.

No leilão do campo de Libra, por exemplo, apenas onze empresas pagaram a taxa para participar. O governo esperava, pelo menos, quarenta. As gigantes do setor, como Chevron, BP e Exxon, preferiram não entrar. "Estamos colocando o investimento em infraestrutura como prioridade para o crescimento do país", disse a presidente, em Nova York.

Mas nada soou mais nocivo aos ouvidos dos que estavam presentes do que a afirmação de que o Brasil cumpre contratos e não representa qualquer risco jurídico para investidores. O erro começa na própria necessidade de a presidente fazer tal afirmação. Um país que respeita contratos não precisa se afirmar aos investidores porque o fato é percebido como ponto pacífico.

O México, país latino-americano que vem sendo constantemente comparado ao Brasil, tem vindo a público anunciar reformas estruturais, e não dizer que respeita seus acordos.

A afirmação feita por Dilma contradiz de forma desconcertante os três anos de seu governo marcados por insegurança jurídica. Para citar alguns casos, o
acordo automotivo com o próprio México, que foi quebrado em 2011 — e foi para o lixo junto com o acordo de livre-comércio que vinha sendo costurado entre os dois países.

Outro momento histórico de risco jurídico conduzido por ideologia protecionista foi o aumento de 30 pontos porcentuais no imposto sobre produtos industrializados (IPI) dos automóveis importados, também em 2011 — que prejudicou consumidores e feriu a competitividade da indústria.

Mais tarde, houve o plano Inovar-Auto, que se propôs a flexibilizar o aumento do IPI para as montadoras que decidissem abrir fábricas no país. Tais mudanças fizeram com que empresas do setor paralisassem investimentos e reavaliassem seus planos para o Brasil, diante da insegurança.

O risco jurídico mais nocivo para a imagem do país, no entanto, veio apenas no segundo semestre do ano passado, com as mudanças no setor elétrico. As novas regras — que obrigavam as empresas a abandonar as concessões caso não se submetessem a uma redução de tarifas forçada pelo governo — foram vistas pelo empresariado como o início da degradação de um dos segmentos econômicos mais previsíveis do país.
E previsibilidade, no mundo dos negócios, é fator preponderante que Dilma parece desconhecer

Veja 
Em NY, Dilma dá aula de como espantar investidores

RUMO AO NADA II : Somos deuses fracassados

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Parece que perdemos a chance de transformar 2013 em ano histórico para o Brasil. Depois de o país, o velho gigante adormecido, ter se levantado em junho, em protestos que mobilizaram milhões de pessoas, estamos, ao que tudo indica, voltando à mesma vidinha de sempre em nosso miúdo e profano mundo social.

Mostramos, afinal de contas, que finalmente aprendemos a organizar protestos populares pelas redes sociais. As manifestações conseguiram mobilizar milhões de pessoas em todo o país, pela primeira vez. Tudo graças à vasta rede de smartphones, tablets, netbooks e a um espetacular sistema de gadgets eletrônicos adotados como parte da cultura tecno-eletrônica dos jovens de nossa época. 


O problema é que a onda de protestos pode ter deixado como saldo apenas o fato simbólico de que o Brasil descobriu como se faz protestos. Sabemos nos mobilizar e nos organizar. Mas parece que não sabemos o que fazer quando temos "o poder
da fala" em mãos.

Alguns dirão que conseguimos anular o aumento do preço da passagem em vinte centavos. Que conseguimos derrotar a proposta que queria promover a "cura gay". Que derrubamos a malsinada PEC nº 37. Que o governo liberou R$ 50 bilhões para investimentos em transporte urbano. E que o Rio
Grande do Sul aprovou passe livre para alunos carentes. 

Eu lembraria, inclusive, a leitura de
que o estopim social de toda essa movimentação de forças nasceu do mal-estar generalizado com o estado de coisas do país e teria sido imenso processo de catarse histórica e social, preso na garganta há mais de 500 anos. 

pimento da maior represa psicológica de nossa história. E, quando os diques romperam, o povo deu vazão a todo tipo de silêncios, angústias, desgostos e amarguras acumulados nos últimos séculos. Um gigantesco processo de faxina nas feridas, nas bugigangas e nos traumas, guardados no fundo dos porões do mundo inconsciente.

E o que mais?
O que foi plantado em 2013 e que ficará como conquista absoluta, sólida e permanente do povo brasileiro?

O problema é que tudo que conquistamos e tudo o que parece estar acontecendo pode indicar que nossos protestos podem ter tido apenas efeito moral, do mesmo modo e com o mesmo alcance que as bombas de efeito moral das tropas policiais.

Tudo pode não ter passado de um grande efeito moral que serviu para acordar e unir a população, mas que não resultou em mudanças práticas na corrente da história.

Será que 2013 foi apenas um grande processo de catarse social, vomitada pelos quatro cantos do país, depois de séculos de opressão?
Será que 2013 ficará para a história como o ano em que aprendemos que as redes sociais são ótimas para organizar e realizar protestos, mas que não sabemos o que fazer quando o protesto começa? 

O que eu sei, efetivamente, é que a lista que descreve "como tudo continua na mesma" começa a crescer e não deve parar de aumentar até o fim do ano. O item 11 pode decidir como 2013 será lembrado:

1. A ideia do plebiscito para a reforma política não deu em nada.

2. O Congresso absolveu, em votação secreta, o deputado Natan Donadon, condenado pela Justiça a 13 anos de prisão. Ele está preso, mas continua deputado.

3. Nova denúncia descobre corrupção no Ministério do Trabalho.

4. O Brasil adota lei de que agora é ilegal protestar com rosto coberto.

5. Os policiais podem continuar a rechaçar o povo com o rosto coberto.

6. O Congresso aprova o orçamento impositivo. A partir de 2014, o presidente terá que pagar obrigatoriamente o dinheiro das emendas ao orçamento da União, enxertadas pelos deputados para beneficiar seus currais eleitorais.

7. O pastor Marcos Feliciano continua no cargo e foi esquecido.

8. O senador Renan Calheiros continua no cargo e foi esquecido.

9. Mensaleiros serão julgados novamente.

10. A Petrobras já avisou que o preço da gasolina vai aumentar até o fim de 2013.

11. Em decorrência do aumento da gasolina, as passagens de ônibus vão aumentar novamente, 20 centavos ou mais.

P.S.: O título deste artigo deriva de uma frase de Sartre, para quem o ideal do ser humano é transformar-se em um deus, mas que a imperfeição humana impede que se iguale a um ser perfeito. 

 Leandro Marshall  Professor universitário

QUANDO A REPÚBLICA É TORPE... Restos a roubar

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O Orçamento público, com merecido O maiúsculo, deveria ser tratado como algo sagrado. É esse dinheiro que completa a aposentadoria do velhinho morador do grotão, que abre leito numa UTI neonatal para o bebê da favela e que compra remédios caríssimos para o soropositivo pobre. Mas o uso legal (nos dois sentidos) dos recursos da União que restam após os salários dos servidores serem depositados e dos juros mensais da trilionária dívida com bancos serem pagos é diariamente ignorado. E autoridades de todos os escalões continuam a perpetuar práticas denunciadas há décadas.

Numa mão, a má gestão e a falta de planejamento fazem escorrer suadas verbas recolhidas do contribuinte pelo mal cheiroso ralo do desperdício. Noutra, os corruptos posicionados dentro e fora da máquina de governo insistem em embolsar cada vez mais o que é de todos os brasileiros. Nem mesmo o humanitário programa Fome Zero escapou da avidez dos inescrupulosos. Graças a Deus que surgem, de tempos em tempos, operações independentes da Polícia Federal para nos situar sobre o quão deteriorada está a maioria das administrações governamentais.

A revolta com os fatos exibidos pelas manchetes dos jornais tende ainda a crescer ou a virar desânimo quando, meses e até anos depois, a punição aos ladrões desmascarados em frente às câmeras é branda ou nula. Isso tudo apesar do marketing dos agentes policiais e dos protestos populares. Não é por acaso que frases como "este país não tem mesmo jeito" ou "só no Brasil mesmo para uma coisa dessas" voltaram a circular com mais intensidade nas últimas semanas. E dá-lhe asfalto novo sobre ciclofaixas recém-pintadas e carrões de doleiros 

apreendidos pela PF.

Para piorar o quadro, políticos e funcioná
rios interessados em fazer algo para defender o erário e elevar a eficiência dos serviços prestados ao cidadão são punidos pelos próprios colegas, vaidosos e invejosos dedicados só ao umbigo. É igual àquela metáfora do caranguejo. Sozinho, ele se debaterá até agarrar a borda e conseguir sair.

Mas basta ser colocado com outr
os para ser tragado pelo individualismo alheio. Nosso herói até conhece o caminho da liberdade, mas logo outro vai vê-lo como escada e puxá-lo para baixo — infinitamente. No caso dos barnabés, quem se destaca é fuzilado pelo corporativismo.


Silvio Ribas Correio Braziliense

setembro 24, 2013

Eles não sabem o que fazem

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Se tudo tivesse corrido como planejado, nesta altura do campeonato a gestão petista estaria comemorando o sucesso das privatizações de um extenso e bilionário rol de obras de infraestrutura. Mas, no governo do improviso e da invencionice, até agora deu quase tudo errado. Eles não sabem o que fazem.


Passados um ano e um mês depois do lançamento do programa de concessões, o governo ainda está às voltas com a redefinição de regras que, na prática, se mostraram equivocadas, disfuncionais, alheias à realidade. Há furos técnicos, jurídicos e, principalmente, regulatórios. Eles não sabem o que fazem.

Ontem, foi a vez de os parâmetros para o leilão do aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, serem modificados. O governo foi forçado a diminuir as exigências, até para não produzir mais uma frustração e um novo leilão fracassado que engordasse uma lista que não para de crescer.

Anteriormente, dera-se o inverso: por determinação da presidente da República, o governo aumentara bastante o padrão mínimo exigido dos operadores estrangeiros a fim de evitar que novos aventureiros - como os que se apresentaram para explorar os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas - se candidatassem. Repete-se também neste caso o padrão decisório petista: vai e volta, estica e puxa. Eles não sabem o que fazem.

A nova mudança resultará também em novo adiamento dos leilões de Confins e do aeroporto do Galeão, que ficaram para 22 de novembro. Teme-se, porém, que o curto prazo após mais esta alteração no modelo dificulte a movimentação de grandes grupos, que não teriam tempo hábil para entrar no negócio. É a velha prática do improviso causando novas vítimas.

Há meses, o governo petista vinham alardeando que, nesta altura do ano, o país estariam em plena decolagem, beneficiado pelo empuxo benfazejo das privatizações. Numa linguagem juvenil, a nossa economia estaria bombando. Qual o quê...

As alquimias e as invencionices que os petistas enfiaram nos editais simplesmente detonaram as chances de que o processo seja um sucesso incontestável. As premissas não batem com as conclusões, as teses não conversam com as sínteses, as hipóteses não levam a consequências. Sobra ideologia, intervencionismo, improvisos.
Os fracassos se sucedem, a começar pelo frustrado leilão da BR-262, que forçou o governo a fazer uma "reavaliação grande" de todo o processo de concessão das rodovias, como disse a presidente Dilma Rousseff há duas semanas. Ela não sabe o que faz.

Os investidores avaliam que, dos nove trechos rodoviários que o governo ofereceu, apenas dois ou três se viabilizam. Por isso, todo o formato dos leilões está sendo revisto e, muito provavelmente, algumas rodovias serão retiradas do programa, como a BR-101 na Bahia. Eles não sabem o que fazem.
Para completar, o Regime Diferenciado de Contratações, imposto goela abaixo do país como panaceia para o atraso de obras, também mostrou-se inócuo, como informou a Folha de S.Paulo no domingo. Desde que o sistema foi instituído, em 2011, o Dnit, maior contratador de obras do governo, iniciou 150 licitações e, delas, 66 (44%) não deram certo e ficaram sem interessados. Eles não sabem o que fazem.

Destino não muito melhor que as estradas deverão ter os leilões de ferrovias. O primeiro - um trecho entre Maranhão e Pará - era previsto para outubro, mas deverá ser adiado. Os outros já nem se sabe mais se haverá, dado que os investidores não confiam num modelo que, para parar em pé, depende essencialmente da Valec. A estatal de lauta ficha corrida será agora extinta e substituída por uma nova empresa que ninguém sabe ao certo como funcionará.

Também apenas agora o governo se deu conta de que o modelo mirabolante que bolou para privatizar ferrovias carece de base legal. Por isso, só agora, mais de um ano depois do lançamento do programa, quando 10 mil km de trilhos já deveriam estar licitados, prepara uma medida provisória para dar base legal às concessões ferroviárias e mais segurança aos investidores, como mostra hoje
 O Estado de S.Paulo. Os leilões podem ficar para 2015. Seguramente, eles não sabem o que fazem.

Como desgraça pouca é bobagem, o leilão do gigantesco poço de Libra só teve 11 interessados, um quarto do que o governo previa. Como a maioria das inscritas são estatais, já se considera que o pré-sal acabará servindo mesmo é de reserva para garantir suprimento futuro a outros países, como a China. O governo petista está simplesmente rifando cerca de metade do petróleo de que o país dispõe, num tremendo salto no escuro.

Governar um país como o Brasil não é para aprendizes, não é para feiticeiros, não é para iniciantes. Diante de tantos e tamanhos equívocos, é de se pensar se os petistas cometem tanta lambança de caso pensado ou é puro desconhecimento, ignorância e despreparo. Será que eles acreditam mesmo que sabem o que fazem?
 
itv

ENQUANTO ISSO NO BRASIL REAL... Rombo nas contas externas cresce em agosto e já supera o de todo o ano passado


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O deficit nas contas externas do país alcançou US$ 5,5 bilhões em agosto, mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado, quando atingiu US$ 2,6 bilhões, e um recorde para o mês, informou nesta terça-feira (24) o Banco Central.

Com isso, o rombo acumulado no ano já chega a US$ 58 bilhões, superando em 7% o deficit verificado em todo o ano passado, de US$ 54,2 bilhões. Trata-se de outro recorde histórico, considerando a série iniciada em 1947.
O montante verificado no mês passado é superior ao esperado pela autoridade monetária, que havia previsto saldo negativo de US$ 5,0 bilhões..

Nos últimos doze meses encerrados em agosto, o deficit chegou a US$ 80,6 bilhões, o equivalente a 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto). Tal proporção não era alcançada desde março de 2002, de acordo com o BC.

As contas externas são analisadas a partir do saldo das transações correntes do país. Ela reflete as operações comerciais e financeiras do Brasil com outros países, incluindo importação e exportação de bens, gastos e receitas com viagens internacionais, remessas de dividendos de empresas, ganhos e pagamentos de juros.

A previsão do BC para o ano é que o deficit chegue a US$ 75 bilhões, um salto de quase 40% frente ao registrado em 2012.


INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

Apenas parte dessa diferença deve ser "coberta" pela entrada de investimentos estrangeiros diretos (IED), que indicam aportes produtivos no país. A expectativa da autoridade monetária é que essa conta alcance US$ 60 bilhões em 2013, abaixo do patamar alcançado no ano passado.

A estimativa foi revisada para baixo este mês. Antes era de US$ 65 bilhões.
Segundo Tulio Maciel, chefe do departamento econômico do BC, o cenário não preocupa a autoridade monetária.

"A parte que segue sendo financiada pelo IED ainda é muito significativa, cerca de 80%. É um quadro positivo e confortável em termos de financiamento para transações correntes", afirmou.

Em agosto, houve ingresso de US$ 3,8 bilhões em IED, redução de 25% frente ao ano passado. Apesar da queda, o resultado foi levemente acima do esperado pela autoridade monetária, cuja previsão era de US$ 3,5 bilhões para o mês.
No acumulado do ano, a conta chega a US$ 39 bilhões.

Segundo Maciel, a revisão para baixo do IED para o ano foi motivada pelos últimos meses, quando houve fluxo mais fraco do que o esperado. O diretor do BC credita o comportamento ao arrefecimento da economia mundial

"De uma maneira global os fluxos de IED no mundo foram menores do que o ano passado. Os países de uma forma geral receberam menos. Nesse sentido, o Brasil permaneceu bem situado com um patamar elevado", disse.


PRINCIPAIS FATORES

O resultado negativo das contas externas no ano pode ser explicado em grande parte pelo baixo desempenho da balança comercial, que mede a diferença entre as importações e exportações do país.

"A diferença de deficit no balanço de pagamentos é de US$ 26 bilhões [no acumulado do ano frente ao mesmo período de 2012]. Destes, US$ 17 bilhões decorrem do saldo da balança comercial", afirmou Maciel.

Entre janeiro e agosto deste ano, a balança apresentou deficit de US$ 3,8 bilhões contra superavit de US$ 13,1 bilhões registrado no mesmo período de 2012.

O BC estima agora que haverá saldo positivo no fim do ano de US$ 2 bilhões, frente a estimativa anterior de US$ 7 bilhões. A previsão, porém, ainda encontra divergência no mercado. A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) projeta deficit de US$ 2 bilhões para 2013.

O rombo nas contas externas foi impacto ainda pela conta de serviços, que contabiliza, por exemplo, as despesas dos brasileiros no exterior. Ela apresentou em agosto deficit de US$ 4,2 bilhões, 41,6% acima do verificado no mesmo mês de 2012.

Segundo o BC, o deficit nas contas externas é natural para um país como o Brasil, que precisa de investimentos.

"É sempre bom relembrar que deficit em transações correntes é característica de países emergentes, representa absorção de poupança externa e contribui para investimento. Nesse ponto, esse deficit é positivo. O Brasil se enquadra nessa característica, precisa de investimento", afirmou Maciel.


DÍVIDA EXTERNA

No mês passado, a dívida externa brasileira chegou a US$ 311,5 bilhões, redução de US$ 6,6 bilhões frente a julho deste ano.

O estoque líquido de reservas internacionais do país teve decréscimo de US$ 854 milhões em agosto em relação ao mês anterior, chegando a US$ 372,8 bilhões.
 
Folha

setembro 23, 2013

O NORDESTE É A SOLUÇÃO



O Nordeste tem sido uma das regiões do país que mais cresce nos últimos anos. A renda aumentou, o mercado de consumo cresceu e mais empregos foram gerados. É algo a comemorar, fruto de políticas que remontam há décadas, iniciadas com a estabilização da economia. Mas o Nordeste pode, quer e precisa de muito mais.

Os resultados já alcançados na região decorrem muito mais de políticas de transferência de recursos e de incentivo ao consumo. São, pois, de alcance limitado, insuficientes para superar os seculares atrasos que afligem a região. O poder público, em especial o governo federal, não tem buscado promover o desenvolvimento autônomo e altivo do Nordeste.

Não houve nos anos recentes nenhuma estratégia de desenvolvimento regional que efetivamente impulsionasse a economia nordestina e permitisse a implantação de um robusto parque produtivo local. O Nordeste continua dependente da boa vontade do poder central, e isso não pode continuar assim.

O Nordeste tem 18% da área, 13,5% do PIB, 27% da população, mas menos da metade da renda do Brasil: se fosse um país, a região teria apenas o 145° maior PIB per capita do mundo. É preciso fazer diferente e mudar esta realidade e esta desigualdade.

Para superar o atraso, o Nordeste precisa de um grande projeto estruturante, com alcance de longo prazo. Esta estratégia deve estar baseada na constituição de um amplo plano integrado de infraestrutura que interligue portos, ferrovias, rodovias, aeroportos, hidrovias e também integre a região ao mundo.

A solução para o Nordeste passa, também, pelo desenvolvimento de uma política séria de convivência com a seca, numa área onde 21 milhões de pessoas, o equivalente a 40% da sua população, vive no semiárido.

Não é nada disso o que temos hoje: 
nos últimos anos, o Nordeste viveu a sua pior seca em mais de cinco décadas, afetando 10 milhões de pessoas. No entanto, apenas 22% das obras emergenciais para seca prometidas pelo governo Dilma foram entregues.

A transposição do São Francisco poderia ser um primeiro passo, mas a obra arrasta-se: canais que deveriam estar transportando água desde 2010 hoje deterioram-se sob o sol, secos. Transportar água não é suficiente; é necessário fazê-la chegar aonde deve, com obras complementares que garantam melhor aproveitamento e distribuição dos recursos hídricos da região.

Além disso, também devem ser disseminadas tecnologias para produzir em áreas de pouca água e solos não muito férteis. Elas já existem, desenvolvidas, sobretudo, pela Embrapa: variedades de sementes adaptadas ao semiárido e mesmo a criação de caprinos, barata e viável com pouca água. 
Ou seja, solução há, basta aplicá-las.

Para promover a necessária arrancada que o Nordeste merece, é preciso um plano de longo prazo, planejamento cuidadoso e adequado. É tudo o que, infelizmente, a região não tem hoje. As promessas foram muitas, mas viraram um cemitério de obras inacabadas. A lista é longa.

Prometida para 2010, a Transnordestina tem hoje apenas 262 km dos 1.728 km previstos prontos. A ferrovia Oeste-Leste deveria estar concluída em julho passado, mas não tem um metro sequer de trilho assentado. A Abreu e Lima será a mais cara refinaria já feita no mundo: seu valor multiplicou-se por dez num intervalo de seis anos.

Hoje falta até energia para o Nordeste avançar: nos últimos dois anos, a região sofreu quatro grandes apagões – o último, há menos de um mês, deixou os nove estados no escuro. O Nordeste vê-se obrigado a importar energia de outras regiões, mesmo tendo 19 parques eólicos prontos, mas parados, porque não dispõem de linhas de distribuição.

Um número sintetiza esta incúria, este desleixo, esta parca atenção dispensada pelo governo petista ao Nordeste. Em 2011, o governo Dilma anunciou investimentos de R$ 215 bilhões na região dentro do chamado PAC 2. Deste valor, até hoje, quase três anos depois, apenas R$ 17 bilhões foram aplicados, o que equivale a 8% do prometido. Numa frase: falta compromisso.

Só se supera este estado de coisas com bom planejamento, capacidade de gestão e seriedade. É possível dar um salto adiante. O Nordeste tem enormes potencialidades, como o turismo, a fruticultura irrigada e indústrias em ascensão, como a de calçados.

Entretanto, a maior potencialidade do Nordeste é seu povo: o nordestino arretado, o sertanejo incansável e sua alegria infindável. Mas são especialmente os jovens nordestinos os vetores do salto para o futuro que a região precisa e vai dar.

Os nordestinos querem, e terão, mais e melhores empregos, formação profissional de maior qualidade e oportunidades para subir na vida com suas próprias pernas, sem paternalismo. Terão, também, mais segurança: não dá mais para assistir a escalada de violência que golpeia a região sem que a União sequer esboce reação.

Além disso, aqueles que dependem do Estado devem continuar contando com o apoio e o auxílio financeiro do poder público. Isso é um direito assegurado e não muda. Mas este deve ser um ponto de partida, jamais uma meta de chegada.

Chegou a hora de fazer do Nordeste um lugar melhor, mais justo com seu povo e sua história de luta. Até porque o Nordeste não é problema, o Nordeste é solução.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela