"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

dezembro 18, 2012

Tenebrário NO APAGÃO DE "CADA DIA" do brasil maravilha dos FARSANTES


O tenebrário é um enorme candelabro triangular usa­do pela Igreja Católica na li­turgia do Oficio de Trevas da Semana Santa. Ao longo da cerimônia, suas 15 velas são progressivamente apa­gadas, até a treva total, 
o governo Dilma parece sugerir que esse é o formato do sistema elétrico brasileiro.

 Nesse sábado, o País sofreu o sétimo apagão de graves proporções em qua­tro meses. Foram atingidos oito Esta­dos e população estimada em mais de 3,5 milhões de pessoas.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avisou em nota oficial que as perdas de geração na usina de Itumbiara, administrada pela central de Fumas (grupo Eletrobrás), alcan­çou 1.180 MW, mas os desligamentos sucessivos a partir desse epicentro in­terromperam o fornecimento de 8,2 mil MW - nada menos que 13,4% da carga total do Brasil.

A cada episódio, fuzilam-se os suspei­tos de sempre: 
fatores naturais - como ventanias, raios, incêndios em pastagens ao longo das linhas de transmissão, coisas assim. Ontem, por exemplo, o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp , apon­tou o dedo acusador para "descargas at­mosféricas". Deveria bastar para demonstrar que o sistema é tremendamente vul­nerável a tempestades tropicais.

Depois, também como sempre, o ONS convoca técnicos dos agentes envolvidos para averiguar as causas do problema, que, meses depois, aparecerão minuciosa­mente em taludos relatórios. Mas, antes, outras ocorrências de proporções simila­res terão provocado novos estragos e no­vos procedimentos equivalentes.

As autoridades da área lidam com os fatos como se fossem coisas que o brasileio tem de aturar ou os usam para fazer seu jogo. Em outubro, o então ministro interi­no de Minas e Energia, Márcio Zimmer-mann, insinuou que o apagão da ocasião poderia ter origem em atos de sabotagem das grandes companhias de energia - co­mo reação contra a Medida Provisória 579, que obriga os fornecedores a derru­bar em ao menos 20% as tarifas. 

 
Depois admitiu que, uma a uma, interrupções no fornecimento de energia elétrica têm a ver com falta de investimentos ou com descuidos de manutenção.
 
Às vezes, o governo Dilma parece igno­rar o impacto desses problemas sobre a atividade econômica. Dá a impressão de desconhecer os prejuízos provocados pe­la paralisação das linhas de produção, pelo bloqueio das comunicações e pela enor­me quantidade de produtos que se dete­rioram nas gôndolas dos supermercados, nos freezers e nas câmaras frigoríficas.

 
Que sentido fazem tantos apelos ao em­presário para que mobilize seu espírito animal e despeje seu dinheiro em novos negócios, se o governo não garante supri­mento regular de energia? 


 Dá isenção de IPI à compra de geladeiras pelo povão, mas não dá importância para o estrago causado na economia familiar em perdas de alimentos provocadas por fatos assim.
 
A sucessão de apagões e apaguinhos in­dica que o sistema sofre de doença grave. Mas as autoridades a subestimam. De que adianta, por exemplo, insistir em preços baixos da energia (modicidade tarifária), se não há segurança de fornecimento?

Assim aumentam as dúvidas sobre a eficácia da nova política. A já mencionada MP 579 impõe que investimentos em ma­nutenção dos sistemas não sejam repassa­dos para as tarifas antes de serem submeti­dos aos burocratas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 


São eles que operam o tenebrário? 

Celso Ming/Estado de S.Paulo

brasil marvilha dos FARSANTES : Apagão da Eletrobras


O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou ontem que o mais recente apagão, de uma série de seis iniciada em 22 de setembro, se originou numa subsidiária da Eletrobras, a exemplo de quase todos os demais. A interrupção do último sábado, que atingiu 12 estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste, se deveu a uma falha da subestação Itumbiara (GO), de Furnas.

Segundo nota do órgão, 8,8 mil megawatts (MW) de carga foram desligados às 17h55 e o sistema só foi normalizado cerca de uma hora depois. Em 25 de outubro, quando 50 milhões de pessoas ficaram sem luz em 11 estados, o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, admitiu que a sequência de apagões não era "algo normal".

O incidente lançou dúvidas sobre o efeito que a renovação antecipada de contratos de concessão promovida pelo governo poderá ter na segurança do sistema. A Eletrobras será o grupo que mais perderá receita e tem a maior parcela dos planos de investimento do setor. A estatal poderá ser indenizada em R$ 25 bilhões por ativos não amortizados

Para Luiz Vicente Gentil, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), os apagões ilustram a fragilidade do sistema elétrico. "São 103 mil quilômetros de linhas vulneráveis a pequenos acidentes, de raios a queimadas", afirmou. O país também corre risco por causa da explosão da demanda. "É preciso fazer algo logo, pois caminhamos para repetir a crise de 2001", alertou.

SÍLVIO RIBAS Correio Braziliense

CIÚME NO FECHAMENTO DO "CAIXÃO MENSALÃO" : Para fechar o julgamento, mais um desentendimento entre ministros

 
O julgamento do mensalão começou e terminou com brigas. Na primeira sessão, em 2 de agosto, o relator e hoje presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, discutiu com o revisor do processo, Ricardo Lewandowski.

Ontem, o último diálogo em plenário foi um desentendimento entre Joaquim e Marco Aurélio Mello, que bateram boca várias vezes ao longo do julgamento. 

Ao fim da sessão, o relator, visivelmente feliz com o dever cumprido, agradeceu a três assessores de seu gabinete que participaram da instrução do processo. Marco Aurélio ficou irritado. Disse que o plenário não era lugar adequado para elogiar funcionários.

- Antes de declarar encerrado esse julgamento, não poderia deixar de fazer uma breve alusão às pessoas que colaboraram comigo ao longo desses sete anos. Foi uma longa jornada. Na primeira fase desse processo, eu tive a colaboração indispensável de dois então assessores, a doutora Carla Ramos, defensora pública do estado do Rio de Janeiro, e o doutor Rodrigo Bolívio, hoje procurador da República - começou Joaquim.

- Mas em sessão do tribunal? - protestou Marco Aurélio. 
- Posso fazer? O caso é tão inusitado, ministro Marco Aurélio, interferiu tanto na vida dos réus e dos meus colaboradores, que faço questão de fazer isso - justificou o relator.

- Não cabe o registro - insistiu o colega. 

- Mas eu faço. 
Qual é a proibição? 
Onde está a proibição? - questionou Joaquim.

- Está implícita, isso nunca houve no tribunal - reforçou Marco Aurélio.

O relator continuou sua homenagem, ressaltando que o processo "causou traumas". E acrescentou o nome de Leonardo Faria, juiz estadual do Rio que participou da condução do processo, em "colaboração inestimável". 

 
Foi quando Marco Aurélio perdeu a paciência e saiu:
- Peço licença para me retirar, não ouvir o que Vossa Excelência está colocando. 

 
Já sem o colega em plenário, Joaquim lembrou os problemas de saúde que, segundo ele, foram causados pela dedicação ao processo do mensalão. O ministro tem um problema crônico nos quadris que o impede de ficar por muito tempo sentado:
- Não vejo qualquer problema em enaltecer o trabalho indispensável dos colaboradores que todos temos. Faço questão de deixar público os traumas e problemas, de saúde, inclusive, que a condução desse processo causou. Não só a mim, mas também a essas três pessoas que colaboraram com o processo.

Joaquim alfinetou os demais ministros, dizendo que vários têm o hábito de enaltecer autoridades em público. Por isso, não via problemas em fazer o mesmo com colaboradores. 
 
O ministro Luiz Fux foi o único a comentar a discussão no plenário, dando apoio a Joaquim. Disse que a atitude do presidente foi "muito importante".

Carolina Brígido , André de Souza O Globo 

ENQUANTO NA REPÚBLICA TORPE HÁ QUEM DEFENDA CANALHAS CONDENADOS... UMA "JUSTIÇA" INJUSTA : 52 anos detido por furtar alimentos.

 
Nelson Leopoldo Filho, 77 anos, personifica a prisão perpétua no Brasil. Ele é resumo vivo de um sistema falido que condena, com carimbo oficial, homens e mulheres ao apodrecimento. Preso em 1955, aos 19 anos, por furtar alimentos da geladeira de um vizinho, envelheceu trancafiado por mais de meio século em um leito prisional do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, no Rio de Janeiro. 
 
É parte de um Brasil medieval, que desconhece direitos fundamentais previstos na própria legislação e transforma manicômios judiciários em eternos depósitos de gente. No segundo dia da série de reportagens sobre a realidade dos loucos infratores no país, a história de Nelson inquieta e indigna.

Não é necessário nem ler os documentos oficiais sobre o paciente para medir o tamanho do absurdo. Basta olhar duas fotografias anexadas ao dossiê: o Nelson jovem de 1955 e o velho com cabelos brancos ao deixar o hospital, 52 anos depois, em 2007, para ser abrigado numa residência terapêutica na cidade de Seropédica, no Rio de Janeiro. 
 
Pouco tempo depois de ser preso, o vizinho dele até tentou retirar a queixa na delegacia. Era tarde. Nelson já havia sido apresentado ao lugar em que passaria praticamente o resto de sua vida. 
 
É história que corta e envergonha. 
 
Ao instaurarem o chamado Incidente de Insanidade Mental, os médicos constataram que ele tinha apenas um retardo mental leve. Por isso, a Justiça determinou que cumprisse um ano de medida de segurança. Nada disso ocorreu.

Só em 1973, um laudo técnico, assinado pelos psiquiatras Paulo Marchon e Talvane Marins de Moraes, atestou que "o paciente Nelson Leopoldo Filho não apresentava mais periculosidade". No mesmo documento, os dois médicos indicam que as condições psíquicas dele "permitem ser transferido para hospital-colônia em zona de regime não penitenciário".

As assinaturas chegaram atrasadas. O tempo havia passado. Nelson já não tinha mais nenhum laço familiar. Não poderia voltar para casa simplesmente porque ela não existia mais. Pior: não havia ninguém para reclamar, para dizer "ele é meu parente." E, sem ter para aonde ir, o lar continuou sendo a prisão. 
 
Durante boa parte do tempo no Heitor Carrilho, era medicado a base de insulina, tratamento arcaico para "acalmar" o paciente. Os prontuários médicos mostram doses e doses.

O coordenador de Saúde do Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro, Marcos Argolo, reconhece que muitos pacientes são condenados praticamente à prisão perpétua. Relata que o transtorno mental pode ser acentuado em razão do longo período confinado. 
 
"O sujeito passa o resto da vida com pessoas determinando a roupa que ele vai vestir, a hora em que vai comer, o momento de dormir e de acordar. Se seu Nelson sofresse de esquizofrenia, após passar este tempo todo no hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, certamente sua recuperação seria bem mais difícil."

Parceria
Em 2007, após um censo realizado no sistema penitenciário do Rio de Janeiro, constatou-se que um terço daqueles que estavam cumprindo medida de segurança já poderia ser "desinternado". A partir desse diagnóstico, há uma tentativa de se consolidar um sistema em que exista parceria com a rede de saúde mental do Estado.
 
 "O legado que a Lei de Execução Penal deixa, com o cumprimento da medida de segurança no Brasil, aproxima-se a uma prisão perpétua", declara Argolo.

Ele só conseguiu, com o uso da Lei nº. 10.2162, de 2001, que trata de direitos fundamentais dos doentes mentais no país, viabilizar uma residência terapêutica para Nelson em 2007, exatos 52 anos após o paciente conhecer o inferno chamado manicômio judiciário. Responsável pela saúde dos presos do Rio de Janeiro, Argolo traçou um plano para tentar evitar a perpetuação das medidas de segurança. 
 
"Diante desse cenário, pensamos numa ação de inserção dessas pessoas em cumprimento de medidas de segurança na rede de saúde mental do Estado."

As grades foram retiradas do Heitor Carrilho, mas o hospital ainda guarda muitas características de prisão. Muros altos e portão de ferro. Os pacientes permanecem vigiados por agentes penitenciários. A unidade de saúde, agora, abriga apenas os que já cumpriram medida de segurança, mas que perderam os laços familiares. 
 
"A gente tem um hospital (Heitor Carrilho) específico para pacientes "desinternados". Todo um aparato de segurança de um hospital de custódia e tratamento foi desativado e, na verdade, toda a equipe, inclusive o agente penitenciário, trabalha articulado com a rede de saúde mental do Estado e do município", explica Argolo.

A tarefa é difícil. João Pedro Barbosa, 39 anos, está há 18 sem conseguir se libertar do sistema manicomial judiciário do Rio de Janeiro. Depois de passar grande parte da vida entre dois hospitais de custódia e tratamento fluminenses, foi "desinternado" e levado ao Heitor Carrilho. Mesmo com direito a ir e vir, ainda sente-se como um prisioneiro. 
 
A família não o quer de volta. Ele diz que perdeu a alegria de viver.
 
 "Eu penso em trabalhar, mas as coisas não fazem mais sentido. Quero alugar um quartinho para ficar só." João Pedro cumpriu medida de segurança por ter matado a irmã.
 
JOÃO VALADARES Correio Braziliense

E NO brasil maravilha(DELES) OS CANALHAS... "PRESIDENTE DA CPI" DO CACHOEIRA E SUA NECESSIDADE (VITAL) DE ESCOAR DINHEIRO PELO (REGO) : Senador dá verba a times de várzea



As torcidas dos dois times de futebol de Campina Grande, cidade do interior da Paraíba, já têm um ídolo em comum: 
o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que acaba de fazer uma proposta para dedicar R$ 600 mil de suas emendas individuais para o clube Campinense, que joga pela série D, e para o Treze, que atua na C. 
 
O valor é três vezes maior do que dinheiro empenhado pelo parlamentar para a compra de equipamentos hospitalares para a Fundação Assistencial da Paraíba, no mesmo município. Ainda precisa de aprovação pela Comissão de Orçamento e depois passar pelo crivo do Congresso Nacional.

Na proposta orçamentária de 2013, cada um dos 81 senadores e 513 deputados terão o direito de propor até R$ 15 milhões em emendas desse tipo, geralmente voltados para ajudar em questões de saúde, educação e infraestrutura do estado de origem do parlamentar.

Indagado pelo Estado sobre qual foi o critério adotado para incluir times de futebol entre os beneficiados, Rego respondeu:
"Não é dinheiro para time de futebol. A verba vai para a Secretaria de Esportes que então a destinará para que esses clubes desenvolvam projetos sociais com crianças carentes. E um projeto educativo".

Ele afirmou que sua proposta é completamente diferente de um caso hipotético de, "por exemplo, um senador de São Paulo que dá dinheiro para o Palmeiras. Não existe isso. Se fosse, seria absurdo".

Rego negou que esta seria uma iniciativa eleitoreira, voltada para agradar os torcedores dos dois clubes. Campinense de coração, destacou a importância de contemplar também o arquirrival. "Não poderia beneficiar só meu time, não é?"

Tanto o hospital quanto os clubes ficam em Campina Grande, cidade natal, colégio eleitoral e onde o senador já foi vereador. Aliás, o prefeito do município, Veneziano Vital do Rêgo, é irmão do parlamentar.

O senador, que é presidente da CPI do Cachoeira e trabalha
para ajudar na investigação da conduta de parlamentares e servidores públicos suspeitos de envolvimento de corrupção, propôs ajuda também ao Hospital Napoleão Laureano, de João Pessoa, que trata doentes de câncer.

O montante que sairá pela caneta do senador à unidade de saúde é de R$ 200 mil R$ 100 mil a menos do que o destinado para cada um dos times de várzea. "Neste caso, a bancada trabalha em conjunto, são 15 pessoas, cada uma passa R$ 200 mil e no fim dá bastante."


O Estado de São Paulo

POVO SUBMISSO = BRASIIL ASSENHOREADO PELA CANALHA : Contra o interesse público

Uma recente investigação da Policia Federal alertou a sociedade para a necessidade de compreender a real dimensão de projetos de lei que fragilizam instituições tão caras à construção da segurança jurídica.

Tal reflexão traz a noção do risco de aprovação de projetos como os que reestruturam a Advocacia-Geral da União ou a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo para a estabilidade e lisura das relações jurídicas integradas por entes estatais.

Por outro lado, na mesma proporção em que evidencia uma crise no íntimo de instituição tão cara ao equilíbrio do sistema de Justiça, a deflagração da operação policial Porto Seguro impõe discussões em torno da real dimensão da autonomia dos órgãos de Advocacia Pública, para que se possam apontar soluções para o atraso que lhes é imposto, se comparados com as demais estruturas essenciais à Justiça.

Não podemos deixar de acreditar que foram as circunstâncias anunciadas, de vendas de pareceres chancelados por agentes da cúpula da Advocacia-Geral da União, um dos elementos fundamentais da admissibilidade da PEC 452/2009 pela CCJ da Câmara dos Deputados, no último dia 27 de novembro, possibilitando maiores discussões sobre o tema.

O pensamento político do século passado modificou a ótica simplista da ilegalidade formal, para pensar a corrupção em seu sentido etimológico, pautando o problema como algo referente à putrefação da ordem constituída, na sua ligação não mais apenas com a ideia de arbitrariedade, usurpação, desvio, mas também de justificação, desocultação e responsabilidade. Trouxe à tona, portanto, um novo e mais complexo sentido de justificação normativa de fundo moral da política e de organização e controle de qualquer parcela do Poder.

A construção da identidade pública é um processo fundamental, e, quando essa identidade não é clara, a sua apropriação privada se torna ainda mais possível.

Infelizmente, foi isto o que sempre se procurou fazer com a Advocacia Pública através da confusão do seu papel com o do Ministério Público, num extremo, ou com o de uma simples advocacia de governo, em outro.

Com a desnaturação das suas características profissionais se procura subordiná-la e submetê-la ao contágio de interesses alheios ao conjunto dos interesses da sociedade, em prejuízo do objetivo de lhe fornecer informação de progressiva institucionalidade de combate à corrupção no Brasil.

A Advocacia Pública, assim, permanece à mercê do oportunismo corrupto, fruto do inchaço da máquina pública e da criação e distribuição desenfreada de cargos com critérios exclusivamente políticos, que rompem o equilíbrio de forças legitimadoras dos atos estatais, em claro favorecimento de grupos que, por si, não representam o interesse público.

A sua organização institucional imposta pela Constituição Federal refuta projetos como o de Lei Complementar nº 205/2012, enviado ao Congresso Nacional pelo advogado-geral da União, sem maiores discussões, e com regras que afrontam princípios jurídicos consagrados e fragilizam vários pressupostos de atuação dos advogados públicos.

Será impossível consolidar o estado democrático sem assegurar a boa atuação dos agentes responsáveis por sua preservação e defesa. A condição de autoridade refém de conveniências políticas compromete a atuação do advogado público e garante um porto seguro a grupos desvirtuados que estilhaçam a aura de decência exigida das instituições públicas.
 
Marcello Terto O Globo 

dezembro 16, 2012

SEM MARQUETINGUE ! O brasil marvilha DOS FARSANTES E GERENTONA/FRENÉTICA EXTRAORDINÁRIA DE NADA E COISA NENHUMA II : Apagão da noite de sábado atingiu ao menos seis estados

O apagão que ocorreu na noite de sábado afetou, além de municípios de Rio, 
São Paulo e Minas Gerais, 
Cuiabá 
e regiões de Acre e Rondônia, informou neste domingo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Com isso, sobe para seis o número de estados afetados. 
 
O ONS ainda apura as causas do apagão. Furnas informou que ainda está à espera do relatório do operador e não confirma problemas em sua Subestação de Samambaia, em Goiás, como havia informado ontem a Cemig, concessionária de energia de Minas Gerais.

Pelo menos 2,7 milhões de pessoas ficaram sem luz apenas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o ONS, apenas durante a semana, após reunião com os demais agentes do setor elétrico, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia, as causas do blecaute serão apresentadas.

No Rio, 26 municípios foram afetados. Na área atendida pela Light, foram 700 mil clientes nos bairros de Campo Grande, 
Cascadura, 
Bonsucesso, 
Penha, 
Jacarepaguá, 
Benfica, 
Vila Isabel, 
Inhaúma, 
Lins de Vasconcelos, 
Santíssimo,
 e nos municípios de Duque de Caxias, 
Mesquita, 
Três Rios, 
Nova Iguaçu.
 Seropédica,
e Belford Roxo. 
 
Segundo a Light, uma anormalidade no sistema interligado do ONS causou perda no suprimento de energia e algumas subestações da companhia foram desligadas por dispositivos automáticos de controle. Segundo a Light, a interrupção ocorreu às 17h55m e começou a ser normalizada às 18h05. Belford Roxo foi a última área a ter a luz restabelecida, às 22h. 
 
Na área de responsabilidade da Ampla, 488 mil clientes ficaram sem energia das 17h45m às 18h25m. Foram 20 municipios atingidos: 
Niterói, 
São Gonçalo, 
Magé, 
Araruama,
 Angra, 
Bom Jesus de Itabapoana, 
Cabo Frio, 
Campos, 
Caxias, 
Iguaba, 
Itaboraí, 
Itaperuna, 
Macaé, 
Maricá, 
Petropolis, 
Resende, 
Rio das Ostras, 
Saquerema, 
Teresópolis e Santo Antônio de Pádua.

Já de acordo com a Eletropaulo, 1,5 milhão de pessoas ficaram às escuras na capital e algumas cidades do interior paulista por pelo menos 20 minutos. A companhia também argumenta que sua rede foi afetada por problema no sistema integrado do ONS. 
Mooca, 
Itaim Paulista, 
Tatuapé, 
Ipiranga, 
Vila Maria, 
Vila Guilherme estão entre os 20 bairros afetados na capital. 
Outros nove municípios, como Diadema, São Bernardo e Taboão da Serra, foram atingidos pela interrupção.

Em Minas, a Cemig registrou falta de luz em 211 municípios. Nas cidades de Belo Horizonte, 
Juiz de Fora, 
Uberlândia, 
Araxá, 
Patos de Minas, 
Ibiá, 
Nova Lima,
Sete Lagoas e Passos o problema foi parcial e nos outros 202 municípios houve suspensão total do fornecimento. 
O problema começou às 17h55 e só foi totalmente resolvido às 20h05.

De acordo com a empresa, o problema ocorreu na Subestação de Samambaia, em Goiás, administrada por Furnas. Nas redes sociais, internautas reclamaram de queda de energia em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O ONS informou que às 17h43m o sistema regional de alívio de carga foi ativado, causado por um obstáculo no sistema. E dois minutos depois a energia começou a ser restabelecida.

Especialista aponta possibilidade de problema climático

Problemas climáticos é uma das hipóteses apontadas pelo economista Nivalde de Castro, coordenador Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da UFRJ, para o apagão que atingiu, pelo menos, seis estados na noite deste sábado.

_ É uma época de situação climática muito adversa. Há uma frente fria avançando pelas regiões Centro-Oeste e Sudeste. E o sistema elétrico está sujeito a isso.

O especialista não vê relação do apagão com a nova regulação do setor elétrico, determinada na Medida Provisória 579:

Todas as empresas de transmissão aceitaram renovar as concessões, portanto, vão continuar investindo afirmou.Segundo Castro, o Ministério de Minas e Energia está revisando a rede de transmissão de todo o país, principalmente os procedimentos de segurança, depois dos últimos apagões que aconteceram em outubro
 
O Globo 

MAIS UM EVENTO DE GRANDE PORTE DO brasil marvilha da GERENTONA/FRENÉTICA EXTRAORDINÁRIA DE NADA E COISA NENHUMA : Apagão deixou 2,2 milhões às escuras só no Rio de Janeiro de São Paulo



Pelo menos 2,2 milhões de pessoas ficaram sem luz durante parte da noite deste sábado apenas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo por causa de um apagão, que também atingiu Minas Gerais e, possivelmente, algumas outras regiões do país.

No Rio, 27 municípios foram afetados. Na área atendida pela Light, foram 700 mil clientes nos bairros de Campo Grande, 
Cascadura, 
Bonsucesso, 
Penha, 
Jacarepaguá, 
Benfica, 
Vila Isabel, 
Inhaúma, 
Lins de Vasconcelos, 
Santíssimo, 
e nos municípios de Duque de Caxias, 
Mesquita, 
Três Rios, 
Nova Iguaçu 
e Seropédica e Belford Roxo. 
Segundo a Light, uma anormalidade no sistema interligado do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) causou perda no suprimento de energia e algumas subestações da companhia foram desligadas por dispositivos automáticos de controle. Na área Ampla, outros 20 municípios ficaram sem energia, entre eles Niterói, São Gonçalo e Magé. A empresa não informou o número de clientes prejudicados, apenas que a interrupção durou das 17h54 às 18h25.

Já de acordo com a Eletropaulo, 1,5 milhão de pessoas ficaram às escuras na capital e algumas cidades do interior paulista por pelo menos 20 minutos. A companhia também argumenta que sua rede foi afetada por problema no sistema integrado do ONS. Foram atingidos bairros como Mooca, Itaim Paulista, Tatuapé, Ipiranga, Vila Maria, Vila Guilherme e cidades como Diadema, São Bernardo, Taboão da Serra.

Em Minas, a Cemig registrou falta de luz em cidades do Norte e Noroeste do estado. De acordo com a empresa, o problema ocorreu na Subestação de Samambaia, em Goiás, administrada por Furnas. Nas redes sociais, internautas reclamaram de queda de energia em Cuiabá, em Mato Grosso; e em Biguaçu, em Santa Catarina

As causas do apagão ainda não são conhecidas. O ONS informou que às 17h43m o sistema regional de alívio de carga foi ativado, causado por um obstáculo no sistema. E dois minutos depois a energia começou a ser restabelecida.

O comerciante José Ricardo Vieira, de 47 anos, afirmou que parte do Centro e do bairro 25 de Agosto, em Duque de Caxias, ficou sem luz. Segundo ele, por causa da falta de energia, os sinais de trânsito na região ficaram em pane e o trânsito teve problemas em toda a região central do município.

Gilberto Miranda, um profissional do submundo da política. Ex-professor de natação, ex-senador fez amigos poderosos, ficou milionário e, agora, deve explicações à Justiça


Um carro antigo sobre o piso de mármore chama a atenção de qualquer visitante. Nas paredes, obras de arte disputam espaço com a decoração espalhafatosa.

Era nessa mansão de 1.422 metros quadrados, no bairro dos Jardins, em São Paulo, que Paulo Vieira, apontado como chefe da quadrilha desbaratada na Operação Porto Seguro, fazia reuniões para negociar a venda de pareceres jurídicos em órgãos federais.

A casa, segundo a Polícia Federal, pertence ao ex-senador Gilberto Miranda, filho de família pobre de São José dos Campos, ex-professor de natação, que se tornou figura influente no mundo político. Afastado do Congresso Nacional desde 2005, teve o nome envolvido em uma série de escândalos, mas jamais perdeu o poder de influenciar decisões em Brasília.

O que se sabia até então sobre a casa das negociatas do grupo de Paulo Vieira era que o local servia de palco para as badaladas festas oferecidas por Miranda a seus amigos. Foi na casa de festas, por exemplo, que o publicitário e apresentador de TV Roberto Justus comemorou os seus 55 anos, em maio de 2010. Miranda e a mulher vivem em outra mansão, também nos Jardins.

A mansão de festas dos Jardins também é usada para hospedar convidados do ex-senador de passagem por São Paulo. A Polícia Federal flagrou dormindo no local, no dia 23 de novembro, quando deflagrou a Operação Porto Seguro, o então diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) Tiago Pereira Lima. O flagrante foi fundamental para que Lima fosse denunciado à Justiça pelo crime de corrupção passiva pelo Ministério Público Federal, na última sexta-feira.

O imóvel havia sido negociado em 2006 por R$ 10,8 milhões. Está registrado hoje em nome da Brasil Empreendimentos e Participações Ltda (Braemp), que tem como principal proprietária uma empresa com sede na Holanda. A empresa tem capital social de R$ 103,9 milhões e seu objeto social é a participação em outras empresas.

Esquerda, direita

Desculpem-me por falar na ilha tão seguidamente, mas é que acho que algumas novidades de lá apresentam certo interesse, diante da delicada conjuntura nacional.

É o caso dessas graves questões de direita e esquerda, agora trazidas à baila o tempo todo, para vexatória confusão de grande parte da coletividade e os cidadãos da ilha não são exceção.

A baralhada vem logo de cima, porque o ex-presidente Lula já disse que nunca foi de esquerda, mas agora parece que as coisas mudaram e, no momento, ele é de esquerda e não abre, e quem não está com ele é de direita. Como bem observou Beto Lindo Olhar, num raro momento de exasperação, assim fica difícil até puxar o saco.

Justiça seja feita, a confusão já vem de muito longe.
Lembro o tempo do finado Naninho Balaio, muito mais comunista do que Zecamunista hoje em dia.

Bem verdade que Naninho não regulava bem da ideia e cansou de ir à praia de terno preto e gravata, mas ninguém pode negar que era comunistíssimo e completamente de esquerda, até porque não nasceu canhoto, mas treinou anos a fio e acabou conseguindo fazer tudo com a mão esquerda, só usando a direita em último caso.

Também dizem que aprendeu a falar russo, mas ninguém entendia russo nem nunca apareceu um russo na ilha, de maneira que a controvérsia jamais foi esclarecida.

E também comentam que ele fugiu para Moscou ambicionando embarcar num Sputnik, mas isso é amplamente desmentido pelo fato notório de que acabou seus dias como gerente de um estabelecimento de Nazaré das Farinhas denominado Lupanar do Moura, onde distribuía aos clientes um cartão de visitas: "Hernani M. Balaio Lupanar do Moura Ltda. Mulheres-Damas, buffet ou à la carte."

Nos círculos esportivos, aonde dificilmente os temas políticos são levaos, é bem possível que, entre os veteranos, a noção de esquerda se restrinja à inextinguível recordação de Chupeta, indiscutivelmente o melhor jogador de futebol que todos já viram em ação, não excluindo disso nem Pelé, nem Messi, nem ninguém.

Chupeta lembrava um pouco Maradona, mas isso muito antes de Maradona, que, aliás, ainda que mal me expressando, nunca lhe chegou aos pés. Ele escondia a bola no lado de fora do pé esquerdo e saía ciscando pelo campo, até ficar cara a cara com o goleiro e aí dar um passe para quem vinha de trás.

Não gostava de fazer gols, achava dar o passe mais bonito, bom de assistir. Compadre Edinho, que está aí e não me deixa mentir, e eu nos juntávamos para marcar Chupeta com toda a deslealdade possível e Edinho ainda jogava um bolo de areia na cara dele, mas assim mesmo ele passava. Sem dúvida, para esse setor de opinião, a esquerda é e sempre será Chupeta.

Que mais? Ah, sim, não podem ser esquecidas as implicações religiosas. Como não se ignora, entre as centenas de alcunhas por que se conhece o Inimigo, está a de Canhoto. Ninguém na ilha tem nada contra os canhotos, mas, por exemplo, todo mundo sabe que o feiticeiro e o mandingueiro do Mal, ao firmarem ou confirmarem seus acordos com Satanás, se persignam com a mão esquerda.

Há quem alegue que Padre Ptolomeu, que era de outra paróquia mas veraneou na ilha muito tempo, dava a Bênção dos Canhotos todo ano, borrifando água benta nas crianças canhotas, para ver se elas se recuperavam. Com algumas, funcionava e Mário Gaguinho e Zenóbio Merdinha estão aí mesmo para testemunhar de viva voz, embora enfrentando pequenas dificuldades, porque ambos estão curados do canhotismo, mas ficaram gagos.

Ainda no terreno da fé, a julgar pelo que sempre se disse dos esquerdistas comunistas, eles não devem ser muito boa companhia para o cristão, porque são todos ateus hereges. Hoje em dia o pessoal não liga muito para essas coisas, mas a grande verdade, como lembrou outro dia Ioiô Ranulfo, é que o Santo Papa Pio XII, no tempo sério da missa em latim e do padre de batina, decretou que estava excomungado qualquer um que se misturasse com eles.

E Zecamunista mesmo diz para quem quiser ouvir que não acredita em religião nenhuma, embora haja quem assevere que ele se garante dissimuladamente com Santo Antônio e que, apesar da foice e martelo no boné, o que usa por baixo da camiseta são umas continhas de Ogum ele nega, mas desconversa.

Por aí se vê que grassa forte inquietação entre aqueles que, como Lindo Olhar, querem assumir a postura ideológica correta, seja para exercer o puxa-saquismo com conhecimento de causa, seja para não passar a vergonha da ignorância na frente das visitas. O que é ser de esquerda, afinal? É ser canhoto, é ser a favor do ponta-esquerda como no tempo de Zagallo e Chupeta? É ser herege, quer dizer, tem que ser ateu para apoiar o homem? É ser comunista, o homem é dos comunistas? Por que ninguém aceita ser de direita?

Bonita pergunta! exclamou uma voz roufenha à entrada do Bar de Espanha e ninguém precisou virar o pescoço para saber que, inesperadamente mais uma vez, ali estava Zecamunista. Cuidava-se que se encontrava em sua turnê de pôquer de fim de ano, mas, pelo visto, ele já tinha raspado o dinheiro todo dos parceiros e terminara antes do previsto. Na condição de intelectual e calejado político, certamente daria uma resposta definitiva àquelas dúvidas.

Bonita pergunta, pois me permite um esclarecimento e um conselho prático a todos os conterrâneos que querem subir na vida ensinou ele. Direita no Brasil é xingamento, não pega as mulheres, nada de direita. Meu conselho é o seguinte: não interessa o que vocês pensem ou em quem votem, o importante é ser de esquerda, no máximo de centro, que por sinal é meio mal recebido nas festas do Sul do país.

E ser de esquerda é fácil, é só concordar com tudo o que ele diz e faz. Como não é o meu caso, me vejo obrigado a admitir que hoje em dia sou um comunista de direita, este mundo é cruel.

João Ubaldo Ribeiro