"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 17, 2011

É PRECISO CUIDAR! PERDAS DA PETROBRAS :R$1,5 bilhão na gasolina e R$2,2 bilhões no diesel. Só em 2011, R$55 bilhões do seu valor de mercado .


A Petrobras é hoje, sem dúvida alguma, a empresa petrolífera com a melhor perspectiva de crescimento no mundo. Isso é explicado por uma série de fatores.

Nos últimos anos a Petrobras foi a empresa que mais agregou reservas de petróleo, a estatal é a número 1 do mundo em tecnologia de exploração off-shore, tem um dos melhores quadros técnicos entre as empresas de petróleo e com o pré-sal vai duplicar ou até triplicar as suas reservas provadas.

Com todo esse horizonte azul pela frente, por que o comportamento das ações da empresa tem sido tem ruim e, consequentemente, o valor de mercado da empresa vem caindo?

De janeiro até junho de 2011 a Petrobras perdeu R$1,5 bilhão na gasolina e R$2,2 bilhões no diesel pelo fato de estar sendo obrigada pelo governo a vender os dois derivados abaixo do preço no mercado internacional.

Esse rombo no caixa da Petrobras, provocado por uma intervenção do governo, é uma das explicações do porquê de as ações da empresa estarem abaixo do seu valor patrimonial. Chama à atenção o fato de o ministro da Fazenda ser o presidente do Conselho de Administração da estatal.

A presença do ministro na presidência do Conselho estaria impedindo a aprovação do novo Plano de Investimentos da estatal, dado que o ministro privilegiaria as contas públicas e as metas de inflação em detrimento dos investimentos da empresa.

Essa descida da ladeira do valor de mercado da estatal se acentuou quando da realização do processo de sua capitalização. Apesar de a Petrobras agregar 5 bilhões de barris de petróleo às suas reservas, o mercado não gostou do preço do barril e, principalmente, de o Estado aumentar a sua participação na estatal.

Na realidade, o mercado vem precificando a politização na gestão da estatal, que cresceu muito depois do anúncio das descobertas do pré-sal e durante o processo de capitalização. O clima implantado pelo governo anterior e sustentado pelo atual de "O petróleo é nosso" só faz aumentar a desconfiança do mercado quanto ao futuro da empresa.

Acrescente-se ainda a escolha de investimentos de pouca qualidade e rentabilidade como a construção de cinco refinarias, produção de etanol e biodiesel e construção de termelétricas. Sem falar na adoção do modelo de partilha que obriga a estatal a ter um mínimo de 30% dos blocos e o monopólio da operação dos campos.

Causa preocupação a política do governo que está destruindo o valor da Petrobras. Só em 2011, a empresa perdeu R$55 bilhões do seu valor de mercado.

A Petrobras, que chegou a estar entre as cinco maiores empresas de valor de mercado no mundo, encontra-se agora em 11º lugar. O fato é que o valor de mercado da Petrobras está pela primeira vez, desde 1999, abaixo do patrimônio liquido da empresa.

Isso seria um indicador para comprar suas ações? A resposta é que nada garante que seja o momento adequado. Basta que a ingerência política permaneça ou até aumente, e com isso a qualidade do investimento continuará ruim.

É bom não esquecer que hoje a relação preço sobre o valor patrimonial da ação preferencial da Eletrobras é de 0,45, e o da Petrobras, 0,98, portanto, ainda há espaço para piorar.

Afinal, em vez de a Eletrobras se transformar na Petrobras como anunciava o presidente Lula, o mais provável parece ser a Petrobras virar a Eletrobras.


É preciso cuidar da Petrobras, entendendo que é uma empresa de capital aberto e que para desenvolver sua grande joia que é o pré-sal necessitará de executar um ambicioso Plano de Negócios. E não será com a ótica da Fazenda que isso ocorrerá.

ADRIANO PIRES é diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura.

SOLUÇÃO CONTRAINDICADA : UPAS DE LATA NO RIO CUSTAM MAIS CARO DO QUE HOSPITAIS.

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Na lógica de gastos do poder público do Rio, a menor diferença entre custo e benefício nem sempre é o melhor preço.

Um comparativo feito pelo GLOBO mostra que a utilização de contêineres ou módulos pré-moldados de aço para erguer as Unidades de Pronto-Atendimento 24h (UPAs) custa, em média, 25% mais caro que construir um hospital inteiro de alvenaria.

Apesar da diferença, o uso das estruturas metálicas virou uma febre no estado, desde que o governo inaugurou a primeira UPA na Maré, em 2007. Desde então, já foram instaladas mais 41 unidades com esse tipo de material.

Outras secretarias, como as de Governo e Segurança, além de municípios do interior, da prefeitura da capital e da Guarda Municipal, passaram também a adotar os pré-moldados metálicos.


Os custos de instalação das UPAs já chamaram a atenção dos promotores da área de saúde do Ministério Público estadual. Eles investigam suspeitas de superfaturamento na compra das estruturas de aço.

Nos tribunais de Contas do Estado (TCE) e do Município (TCM), tramitam processos nos quais os técnicos questionam os valores e os processos licitatórios de instalação das UPAs.


Pelos dados fornecidos pelo governo estadual e pela prefeitura, os módulos de aço das UPAs têm um custo de R$2.385 por metro quadrado. O preço supera em 25% os R$1.900 que a prefeitura de São Carlos, em São Paulo, investe na construção do Hospital Escola Municipal.

A unidade, que está parcialmente pronta, tem mais de 30 mil metros quadrados. No custo total de R$58 milhões estão incluídas as despesas com paisagismo, instalações elétricas e hidráulicas, além de sistema de refrigeração.

A obra conta ainda com a assinatura do arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé), responsável pelos projetos dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek.


UPA fica pronta, mas faltam funcionários

Das 42 UPAs já inauguradas no estado, 22 foram feitas a partir de contêineres e 20 com módulos metálicos. Cada UPA de contêiner custou cerca de R$3 milhões. Para aquelas de maior porte (1.300 metros quadrados), o valor do metro quadrado foi R$2.300.

Para fazer a comparação com os custos das obras de alvenaria, O GLOBO levou ainda um engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) à UPA da Tijuca.
O projeto de alvenaria para a unidade, já com sistemas elétricos e hidráulicos, jardinagem e sistema de ar-condicionado, poderia ser executado por até R$1.750 o metro quadrado.


Assim, o valor pago pelo estado e pela prefeitura é 36% mais alto. No caso da prefeitura, as Clínicas da Família, feitas parte de alvenaria e parte de módulos metálicos, são ainda mais caras: R$3 mil o metro quadrado.


- A estrutura (da UPA de metal) é aparentemente simples, com um espaço para recepcionar os pacientes, consultórios e salas de laboratório.

Nesses termos, mesmo considerando os custos com os encanamentos de água e gás e estrutura elétrica, o metro quadrado de uma unidade semelhante feita em alvenaria seria de R$1.170.

Se incluirmos jardinagem e refrigeração, o valor poderia chegar a 1.460.
A esse valor devemos acrescentar mais 20% do remuneração da construtora (num total R$1.750) - explica Abílio Borges, que trabalha como assessor da presidência do Crea.


O engenheiro do Crea utilizou como parâmetro de cálculo a tabela de Custo Unitário Básico da construção, definida pela Norma Técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e que serve de referência para o Sindicato das Empresas de Construção do Rio (Sinduscon).

Numa comparação do quanto os projetos de alvenaria poderiam gerar de economia, os dados são ainda mais evidentes.
Na tomada de preços feita pelo governo do estado em 2009 - ou seja, quando informou ao mercado a disponibilidade de comprar até 264 mil metros quadrados em módulos de aço -, a despesa total, caso todos fossem adquiridos, seria de R$629 milhões.


Com o metro quadrado a R$1.750 da alvenaria, o custo passaria para R$462 milhões, uma economia de R$167 milhões.


Duas das principais alegações apresentadas pela Secretaria estadual de Saúde para o uso das estruturas de ferro no lugar de obras de alvenaria são a mobilidade e a rapidez com que as unidades ficam prontas - em média, em 90 dias.

Mas este é também o mesmo prazo, segundo o Crea, para erguer uma unidade semelhante feita de alvenaria. E a pressa ao utilizar os módulos de aço nem sempre é uma variável que favorece os usuários do sistema de saúde.

A UPA de Nilópolis, por exemplo, ficou pronta no fim do ano passado e, segundo moradores, até hoje continua sem uso. Um atraso no cronograma de contratação de funcionários por parte do município emperrou o projeto.
A unidade só deve ser aberta ao público em agosto.


Para o vice-presidente da Comissão de Saúde do Rio, vereador Paulo Pinheiro (PPS), as UPAs ajudaram a desafogar as emergências dos hospitais.
Mas a rapidez para construir essas unidades não é sinônimo de boa prestação de serviços:

- Há um problema mais urgente para resolver, que é a falta de profissionais para trabalhar nas UPAs.

Estado alega outras despesas

A Secretaria estadual de Saúde informou que os custos do metro quadrado das UPAs levam em conta as despesas com as "instalações elétrica e hidráulica, mais a rede de gases e a rede lógica - internet, telefonia e dados -, aparelhos de ar-condicionado e paisagismo da área externa".

Segundo o órgão, também estão incluídos os gastos com a construção de rampas e pistas de acesso para as unidades, além de um ano de seguro. O órgão acrescentou que mais de 95% dos pacientes que vão às UPAs aprovam as instalações.


Já a prefeitura do Rio explicou que o metro quadrado das Clínicas da Família, que também têm áreas feitas de alvenaria, envolve despesas com a urbanização do entorno das unidades.

O município ressaltou ainda que as suas UPAs foram construídas a partir da adesão feita ao registro de preços realizado pelo estado em 2009, que estabeleceu o preço do metro quadrado em R$2.385.

Fábio Vasconcellos e Natanael Damasceno O Globo -

MOVIMENTOS "SOCIAIS" : VERBAS E APATIA CRESCENTES, "PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO".


NDIGNAÇÃO EM FALTA
Letargia de entidades estudantis e sindicais coincide com o aumento dos repasses que recebem do governo federal

A apatia dos movimentos sociais, de trabalhadores e estudantes, em relação à corrupção coincide com um aumento substancial dos repasses de recursos federais para entidades que representam esses segmentos.

Em 2010, somados, os recursos transferidos às centrais sindicais por meio do imposto sindical e os repasses do Orçamento federal para entidades que executam programas de qualificação chegaram a R$264 milhões.


Desde 2008, com a vigência da lei que incluiu as centrais no rateio do bolo da contribuição sindical - iniciativa do governo Lula -, essas entidades já abocanharam R$246 milhões em recursos. Só no ano passado foram R$102 milhões, sem necessidade de prestar contas do uso do dinheiro.

Já os repasses do Orçamento a entidades sociais, de trabalhadores e de estudantes crescem a cada ano. E a qualificação é um dos principais motes para essas transferências.
Entre 2007 e 2010, houve aumento de 91,7% no repasse desses recursos, que passaram de R$80,6 milhões para R$154,6 milhões.


Cláudio Abramo, diretor- executivo da Transparência Brasil, ONG que se dedica ao combate à corrupção, crê que há relação entre os repasses de recursos federais às entidades do terceiro setor, de trabalhadores e de estudantes, e a falta de entusiasmo desses setores em erguer bandeiras com críticas ao governo.

- Certamente, há uma relação. Uma boa parte dessas entidades existe para conduzir alguma espécie de política pública. Não se pode esperar que essas entidades sejam críticas em relação ao Estado - afirma.

Abramo diz que pode contar nos dedos de uma mão o número de entidades que se dedicam ao monitoramente do Estado e do uso dos recursos públicos.

- Quem deveria estar trabalhando não está. Há muito dinheiro repassado, e as entidades ou são dependentes ou são inativas - destaca.

Um exemplo de alinhamento dos movimentos estudantis com o governo federal encontra-se na estrutura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes), que afirma representar três milhões de alunos do ensino médio.

Em 2010, a Umes recebeu R$2,9 milhões do Ministério do Turismo, por meio de convênios para a promoção de cursos de capacitação profissional.

A contrapartida política aparece no site da entidade :

"O governo federal tem tomado diversas medidas que estão permitindo o avanço e o crescimento do Brasil. As condições de emprego melhoraram, o Bolsa Família tirou muita gente da miséria absoluta", diz carta da presidente Ana Letícia Oliveira Barbosa.

Entre as bandeiras da Umes, a Educação está em segundo lugar.
Em primeiro, aparece a conjuntura nacional, com destaque para movimentos como

"O Pré-sal É Nosso. Leil
ão É Privatização!".

Regina Alvarez e Roberto Maltchik O Globo

NUNCA O BRASIL ESTEVE TÃO ASSENHOREADO POR TANTOS CANALHAS:Pagot e Maggi: juntos desde o "velho oeste". É O "PADRÃO" DO Partido Torpe

Famílias do diretor afastado do Dnit e do senador integraram, na década de 1970, um grupo investigado pela PF por roubo de terras e compra de votos no Paraná

No início da década de 1970, o Serviço de Informação da Polícia Federal demonstrava preocupação com um grupo que definia como criminoso no oeste do Paraná.

Mais precisamente em São Miguel do Iguaçu, a poucos quilômetros de Foz do Iguaçu. A organização, segundo registros da época, roubava terras de pequenos agricultores, comprava vereadores e se envolvia com o tráfico de drogas.


Os documentos, obtidos com exclusividade pelo Correio, revelam que a relação entre o senador Blairo Maggi (PR-MT) e o diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) é de longa data. É hereditária.

O grupo investigado pela PF era capitaneado por André Maggi, pai do parlamentar, e pelo ex-prefeito da cidade Ferdinando Felice Pagot, pai do funcionário do Dnit que protagonizou a crise instalada nas últimas semanas no Ministério dos Transportes.


“O grupo Maggi é formado por capitalistas que continuam fazendo reuniões secretas onde são vinculados (sic) que os mesmos já dispõem de 800 mil cruzeiros para comprarem oito vereadores através do voto, pois um já é deles, João Batista de Lima, que é despachante do Detran e foi eleito anteriormente usando documentos do Detran e outras promessas”, revelam os despachos dos agentes do serviço de informação, que acompanharam de perto a rotina dos políticos e dos empresários da cidade entre 1969 e 1979.

Os documentos narram ainda a aprovação de uma lei na Câmara de São Miguel do Iguaçu em março de 1976, com a finalidade de atualizar o sistema tributário do município. Os únicos beneficiários seriam André Maggi, Arlindo Cavalca, Ferdinando Felice e mais seis moradores.

Cavalca é fundador da empreiteira Cavalca, que aumentou em mais de 1.000% o valor dos contratos com o Dnit entre 2009 e 2010, conforme revelou o Correio.


Segundo a PF, a organização era composta por membros do extinto PTB gaúcho e contava com a colaboração do vereador eleito João Batista de Lima.

“Há fontes que dizem que João Batista participa de reuniões secretas realizadas na casa de Ferdinado Felice Pagot e André Antonio Maggi”, dizem os agentes, completando que o parlamentar recebia propina.

“Esse dinheiro é para derrubar projetos que o prefeito apresentar à Câmara e tentar comprar votos dos demais vereadores.” Os agentes reforçam, ainda, ligações de Batista com o trafico de drogas.


Jagunços
A informação nº 00229 de 1977 define o pai de Blairo como um elemento político integrante dos ex-partidos PTB e PSD, vereador pelo PTB, com Francisco Kontorski e Arlindo Cavalca. Durante as atividades em uma serraria, logo que chegou à cidade, teria contratado o serviço de jagunços.

“Conseguiu ficar rico e ludibriar tomando terras do cidadão Joes Fabris.” Em 1963, teria procurado um falsário, pegado dinheiro falso e distribuído na Argentina. No ano seguinte, acabou preso após tomar terras de algumas famílias. Chegou a mandar incendiar a casa de uma delas.


Já Ferdinando Felice Pagot, ex-prefeito, é tido como agitador político. Depois de pedir o afastamento da Arena, teria comandado adeptos contrários ao partido. Maggi e Pagot têm origem no Rio Grande do Sul, mas ambos participaram do processo de interiorização e migraram para o oeste do Parana.

André Maggi chegou com os filhos — Blairo ainda bebê — sem dinheiro. Virou vereador e presidente da Câmara Municipal de São Miguel do Iguaçu. O segundo prefeito da cidade foi seu primo Nadir Maggi.


A relação entre os filhos não foi diferente. Luiz Pagot foi secretario de governo de Blairo Maggi, coordenador de campanhas eleitorais e só conseguiu o cargo no Dnit pelo apoio do amigo. Pagot chegou a ingressar na carreira militar, mas pediu desligamento em 1982.

A Marinha nega que ele tenha atuado em órgãos de repressão ou no serviço de inteligência. Procurados pela reportagem do Correio, nem Blairo Maggi nem Luiz Antonio Pagot retornaram as ligações.

Alana Rizzo Correio Braziliense

Corrupção não é o único mal dos Transportes : Brasil ainda tem 87% das estradas sem pavimentação

Enquanto o Ministério dos Transportes passa por uma crise, com denúncias de corrupção, superfaturamento de obras e demissão de ministro e diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), a situação das estradas brasileiras continua caótica, num retrato do atraso no setor.

Esburacadas, sem acostamento e, em sua maioria, sem asfalto, são um dos gargalos para que o país cresça em condições de competir com seus concorrentes entre os países emergentes.


Em 2010, do 1,5 milhão de quilômetros de estradas brasileiras, apenas 212 mil quilômetros, ou 13%, eram pavimentados, de acordo com o Dnit.
Os outros 87% não têm qualquer tipo de pavimentação.


Uma pesquisa feita ano passado pelo instituto Ilos, com cerca de 15 mil profissionais de logística das maiores empresas do Brasil, revelou que 92% deles apontaram a má conservação das estradas como o principal problema de infraestrutura do país.
A malha rodoviária insuficiente foi citada por 68% dos entrevistados
.


A duplicação da BR-101, assim como as dragagens portuárias, são os projetos da primeira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Segundo o Ilos, para que as estradas atuais sejam avaliadas como boas ou ótimas, é preciso investir R$64,7 bilhões em recuperação e R$747 bilhões em pavimentação das estradas já existentes.
A soma, que chega a R$811 bilhões, é 19 vezes maior que os R$43,5 bilhões previstos no PAC 1, de acordo com o instituto.


Investimento caiu, diz especialista

O estudo do Ilos mostra que, em relação à quantidade de quilômetros pavimentados em estradas, o Brasil está muito atrás da maioria dos outros países que compõem o bloco de emergentes Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A Índia, por exemplo, cuja extensão territorial representa 35% da brasileira, tem 1,5 milhão de quilômetros de rodovias pavimentados.


- No Brasil, a primeira estrada pavimentada foi a Rodovia Presidente Dutra, em 1950. Os outros países começaram a investir antes, no século XIX.

A outra razão é que, até 1974, o governo investia de forma crescente em rodovias. Em 1974, os investimentos chegaram a 1,8% do PIB. Ano passado, o investimento foi de apenas 0,8% do PIB - explica o presidente do Instituto Ilos e professor da Coppead-UFRJ, Paulo Fleury.


A qualidade das rodovias brasileiras também deixa muito a desejar.
Apesar de a última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) - feita em 90 mil quilômetros de rodovias no ano passado - apontar que aumentou o índice de rodovias com estado geral considerado ótimo ou bom, em comparação com 2009, o percentual de vias ruins ou péssimas chega a 25%.


Segundo a CNT, na Região Norte do Brasil, 55% das estradas são consideradas ruins ou péssimas.

- É muito buraco, estradas sem acostamento. A situação está de ruim a pior. Na BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, tem crateras. Eu tive muita esperança quando colocaram um ministro de Transportes de Manaus (Alfredo Nascimento) e aconteceu o que aconteceu. O que a gente vai esperar agora? - pergunta o presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários da Região Norte, Manoel Farias Rodrigues.

O Ministério dos Transportes alega que o investimento no sistema rodoviário tem aumentado anualmente e que, em 2010, investiu R$11 bilhões no setor.
Até junho, foram aplicados R$4,4 bilhões, e a previsão é que mais R$13 bilhões sejam gastos.


Segundo o Dnit, cerca de 4,1 mil quilômetros de rodovias federais estão sendo pavimentados e 915 quilômetros passam por duplicação. Além disso, 27 mil quilômetros estão sendo recuperados e 32 mil quilômetros serão recuperados até 2012.

Marcelle Ribeiro O Globo

julho 16, 2011

UM ARTIGO MUITO BOM, LEIA : TROVOADA SEM CHUVA. (A NADA E COISA NENHUMA, AQUELA QUE FOI BANHADA NO ALAMBIQUE DO CACHACEIRO ASQUEROSO)

Uma das principais dificuldades do governo Dilma Rousseff, pelo que foi possível perceber nestes primeiros seis meses, é que a presidente da República vive brava.

Diante de todo e qualquer problema que aparece, o noticiário diz sempre a mesma coisa:
Dilma ficou brava, ou muito brava.
Está irritada.
Ou está impaciente.
Ou não gostou.
Ou passou uma descompostura geral à sua volta.
Ou deixou de castigo os doutores fulano, beltrano e sicrano, e por aí se vai.

E quanto ao problema real que causou esse mau humor todo ─
ficou bem resolvido?
Não vai acontecer de novo?
Alguma coisa melhorou?
Nada disso; fica tudo igual e, às vezes, pior.

A presidente acha que está, com os seus pitos, corrigindo os erros cometidos e mostrando que tem braço firme para governar.
Na prática, o que está fazendo é outra coisa.
Está confundindo cara feia com autoridade; é o governo através da bronca.

Talvez seja bom para a máquina de propaganda do Palácio do Planalto, que pode vender a imagem de uma presidente capaz de botar na linha qualquer peixe graúdo que lhe apareça pela frente, que age rápido e não tolera serviço mal feito.

Mas na prática, até agora, a qualidade de seu governo não melhorou nada com isso, pois Dilma não muda, e talvez nem possa mudar aquilo que realmente está criando os problemas. É trovoada que vai embora e não traz um pingo de chuva.

O que está criando os problemas é o avanço cada vez mais rápido da privatização do estado brasileiro ─ ou, em linguagem mais direta, a utilização da máquina do governo em benefício de interesses privados e a transferência de renda pública para bolsos particulares.

É história que está aí há muito tempo, mas que atravessa, na atual administração, fronteiras nunca atingidas antes neste país. Os exemplos são constantes, custam caro e acontecem praticamente à vista de todos.

Basta olhar, para começo de conversa, as empreiteras de obras públicas ─ jamais mandaram tanto no governo como agora.
Decidem preços, falsificam licitações, alteram contratos, ignoram prazos e dão ordens nos ministérios.

O empresário Abílio Diniz se comportava até outro dia como presidente do BNDES, que se dispunha a lhe oferecer mais de 4 bilhões de reais para a realização de um negócio de seu interesse pessoal no Grupo Pão de Açúcar; o projeto acabou em naufrágio, mas deixou claro como empresários amigos do governo se sentem à vontade diante do patrimônio público.

O notório deputado Valdemar Costa Neto, dono de um dos mais extensos prontuários da política brasileira, despachava até outro dia dentro do Ministério dos Transportes, foco do último escândalo classe “A” da administração federal.

Amigos, aliados e parceiros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não tem cargo oficial nenhum e teoricamente é um cidadão particular, circulam nos ministérios, empresas estatais e outros órgãos públicos como se estivessem em casa.

Jatinhos de magnatas que têm negócios pendentes com o governo são hoje o meio de transporte regular de Lula e da companheirada.

Enquanto as coisas forem assim, e elas são cada vez mais assim, não adianta nada a presidente ficar brava.
A braveza de Dilma pode assustar os subordinados mais inseguros, mas não causa a menor impressão em profissionais calejados como o deputado Costa Neto ─ podem até trocar de sala, mas não mudam de atividade.

O desfecho da mais recente calamidade fornecida pelo Ministério dos Transportes, onde reportagens de VEJA flagraram práticas grosseiras de corrupção, é um excelente exemplo disso.

O ministro Alfredo Nascimento, depois de receber a “confiança” de Dilma, acabou sendo colocado na rua junto com os burocratões mais vistosos do seu entorno.

Mas para o seu lugar foi nomeado o número 2 do ministério, que está lá há anos; a menos que não comparecesse ao local de trabalho, viveu esse tempo todo no meio da ventania.

Qual é a mudança, então?
O PR, grupo que foi presenteado com o Ministério dos Transportes pelo presidente Lula, não vai largar o osso; a “base aliada” e as gangues partidárias que mandam em Brasília não vão mudar de conduta.

Alteração, mesmo, só continua acontecendo com o PT, em consequência de sua caminhada ao lado de gigantes da política brasileira como o PR e bandos semelhantes.

O partido-farol das massas populares, em algum momento dessa viagem que já dura mais de oito anos, acabou trocando de lado.

Na pose e no palavrório, ainda se apresenta como a vanguarda das forças do bem. Na vida real, fica cada vez mais parecido com o deputado Costa Neto.


Artigo Publicado na Edição de VEJA
José Roberto Guzzo

COMO É BOM SER "PARLAMENTAR" :Pagamento a licenciados e suplentes é de R$ 44 mi. CUSTO AOS COFRES PÚBLICOS É MAIS QUE O DOBRO NOS ÚLTIMOS QUATRO ANOS.

Em 2011, salários desses parlamentares custarão aos cofres públicos mais que o dobro dos valores gastos nos últimos quatro anos

O Congresso Nacional gastará, este ano, cerca de R$ 44 milhões em salários de políticos que se licenciaram para comandar secretarias estaduais ou ministérios e dos suplentes que assumiram as respectivas vagas.
O valor é 120% do que a média dos últimos quatro anos, quando a despesa anual atingia cerca de R$ 20 milhões.


Apesar do número de parlamentares que atuam nos estados ser praticamente o mesmo da legislatura passada, a conta aumentou em 2011 porque, desde fevereiro, o valor pago aos congressistas é o teto constitucional, hoje de R$ 26,7 mil, e nenhum licenciado optou por ser pago pelos cofres estaduais, cujas remunerações mais altas são de R$ 15 mil.

Na Câmara, são 49 suplentes em exercício.
Eles recebem 13 salários, além de uma "ajuda de custo" no valor do vencimento para ajudar no início do mandato e o 15° proporcional aos dias que ficarem no cargo.
Os titulares dessas vagas também continuam recebendo pagamentos dos cofres federais. A soma dessa duplicidade chega a R$ 39,2 milhões por ano.


No Senado, são seis parlamentares licenciados, sendo que três comandam ministérios, com remuneração semelhante, e que também sai dos cofres públicos federais. A conta paga pelo Senado para os 12 senadores (titulares fora do cargo e suplentes), incluindo os três salários extras, é de R$ 4,8 milhões por ano.

Jetons
Além de gerarem despesas dobradas para os cofres públicos, os parlamentares que se licenciaram para assumir cargos nos estados estão prestes a ganhar autorização formal do parlamento para receberem jetons quando participarem de conselhos de estatais.

Apesar de a Constituição vedar o recebimento de subsídios extras para deputados e senadores, há o entendimento extraoficial de que quem está licenciado não pode ser considerado parlamentar.

Como ocorre com ministros, congressistas que atuarem como secretários também devem receber permissão para ultrapassar o teto constitucional e serem remunerados por participação em conselhos de estatais nos estados.

A permissão deve ser oficializada neste segundo semestre, quando a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vai responder a uma consulta do presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), sobre o assunto.

O questionamento é resultado do pedido feito pelo deputado licenciado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que se afastou do cargo em fevereiro para desempenhar função de secretário da Fazenda do Paraná. Agora, quer participar do conselho da Companhia Paranaense de Energia Elétrica S.A. e receber jeton como conselheiro.

Deve receber o apoio do relator da matéria, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que defende a permissão alegando que quem assume ministérios no Executivo federal recebe jeton sem que haja questionamentos.

A matéria conta com o voto em separado do deputado Fabio Trad (PMDB-MS), que usa como argumento uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2007.

No julgamento, os ministros decidiram que, ainda que licenciado, deputados e senadores precisam obedecer a vedações e incompatibilidades inerentes ao estatuto constitucional do congressista, assim como às exigências ético-jurídicas que a Constituição e os regimentos internos das casas legislativas estabelecem.

FATURA DA CRISE MUNDIAL CHEGOU : BRASILEIROS PERDEM R$230bi/BOVESPA CAIU 15% E TOMBO PODE CRESCER.

A crise que assola a Europa e o medo de calote dos Estados Unidos estão custando caro aos investidores brasileiros que destinaram parte de sua poupança para o mercado de ações.

Do início do ano até ontem, as perdas acumuladas chegam a R$ 230,1 bilhões, quase 10% do que as famílias do país devem gastar neste ano.
Os prejuízos se referem ao recuo no valor de todas as empresas com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).


O tombo foi provocado, principalmente, pela saída de investidores estrangeiros do país — eles já retiraram quase R$ 500 milhões do pregão paulista — e pela desistência de muitas pessoas físicas em esperar a recuperação do mercado.

"Neste momento, a ordem é ter muito sangue frio. As incertezas são muitas no cenário internacional e todos se perguntam o que acontecerá com a economia brasileira caso a Europa afunde de vez e os EUA deixem de honrar os compromissos com seus credores", disse um experiente analista.

Ele ressaltou que a semana encerrada ontem foi a segunda pior para a Bovespa em 2011: registrou baixa em quatro dos cinco pregões.

O Ibovespa, índice que mede a lucratividade das ações mais negociadas, computou perdas de 3,3%, ao ceder para os 59.478 pontos, o nível mais baixo desde 25 de maio do ano passado.
Ontem, especificamente, o indicador recuou 0,34%. No ano, a baixa está em 14,18%.


Desconfiança
No início da sexta-feira, tudo levava a crer que a Bovespa teria um dia de recuperação. Mas bastaram notícias ruins inundarem o pregão para que os preços das ações voltassem a ceder.

Os investidores não escondem a preocupação com as dificuldades do presidente dos EUA, Barack Obama, de chegar a um acordo com o Congresso para aumentar o teto da dívida daquele país, que já está em US$ 14,3 trilhões.

Apesar de apostarem em um acerto entre o governo e o Partido Republicano, de oposição, os norte-americanos não escondem o pessimismo.

Tanto que o índice de confiança medido pela Universidade de Michigan caiu para o patamar mais baixo desde março de 2009, devido ao recuo da renda e a alta do desemprego.


"Os EUA estão em uma grande cilada. E o mundo pode pagar caro por isso", sentenciou um executivo de um banco estrangeiro.

60 PARCELAS DE R$ 704,SEM ENTRADA : BRASILEIRO TROCA MOTO POR CARRO CHINÊS.


Anáise Chery QQ

Na quarta-feira, o metalúrgico Fábio Aparecido Bezerra saiu da concessionária Amur, na zona leste de São Paulo, dirigindo um Chery QQ zerinho, o primeiro automóvel próprio em seus 29 anos.

"Ter um carro era sonho antigo, parece que ainda não acordei", dizia ele na sexta-feira.

Bezerra e a esposa, que trabalha no Poupatempo, têm renda mensal de R$ 3,8 mil e compraram o QQ em 60 parcelas de R$ 704, sem entrada

Pensávamos em um modelo nacional básico, mas escolhemos esse porque já vem com ar condicionado, direção hidráulica, air bag e vidros elétricos, itens que não conseguiríamos adquirir nos outros carros que vimos, diz.

O compacto QQ, importado pela chinesa Chery, começou a ser vendido em maio por R$ 22.990. Hoje, é um dos modelos com maior fila de espera.

"Tenho 400 pedidos e, se for mantido o ritmo de entregas, só conseguirei atender todos em janeiro de 2012", diz Wilson Goes, diretor comercial do grupo Pequim, com quatro lojas em São Paulo.
"Tudo o que chega já está vendido", confirma o dono da Weimotors, Abílio Tastaldi. "Tenho 113 unidades vendidas para chegar nos próximos 30 a 40 dias."

Inaugurada há um mês e meio na avenida Marechal Tito, tradicional reduto de venda de carros velhos no bairro de São Miguel Paulista, na periferia da zona leste, a Amur, única concessionária de veículos novos na via, esgotou o primeiro lote de QQ em dois dias.

Somando os negócios de outra loja do grupo em Mogi das Cruzes, foram 36 unidades.

Parcela significativa dos clientes do modelo dá como parte do pagamento carros velhos, como um Escort 98 recebido na Amur, informa o proprietário da loja Carlos Gambarotto.

Na Pequim, em 10% a 15% das vendas o que entra na troca são motocicletas, informa Goes.
O grupo já estuda abrir uma loja de motos usadas.

Para parte dos brasileiros, o Chery QQ tem papel similar ao do Tata Nano, na Índia, desenvolvido para dar oportunidade a famílias que dependem apenas da moto para se locomover.

O modelo nacional mais barato, o Fiat Mille, custa R$ 23,2 mil, sem equipamentos que no QQ vêm de série, assim como em outros modelos chineses.

"Comprei um carro com ar condicionado, direção hidráulica, air bag duplo, vidros elétricos e farol de milha por R$ 30 mil; por esse preço, só conseguiria um nacional sem nada", diz a supervisora de ensino Fernanda Amorin, de 40 anos, moradora de Sorocaba (SP).

Há dois meses, ela adquiriu um hatch Lifan 320.
Passaram-se 13 anos desde que ela havia comprado o primeiro carro zero, um Fiat Palio 98.
Críticas de que o Lifan é barulhento e o acabamento apresenta rebarbas nas peças plásticas não influenciaram a decisão de Fernanda.
"Assumi o risco", diz.

Bezerra também não se deixou levar pelas dúvidas em relação à qualidade do produto chinês. "Ouvi falar da falta de estabilidade por problemas na suspensão, mas nada do que a gente compra é 100%", diz. "Já vi reclamações de carros nacionais que custam bem mais caro".

O modelo da Chery tem três anos de garantia e Bezerra pagou R$ 1,58 mil pelo seguro, valor, segundo ele, próximo ao da apólice de um Chevrolet Celta.

Tastaldi diz que sua loja, instalada na zona oeste, tem clientela diversificada. "Tem gente que compra o primeiro carro novo, mas há clientes que já têm um ou dois carros e compram o QQ para dar ao filho ou como opção para os dias de rodízio."

A Chery também importa os modelos Face (R$ 31,9 mil),
Cielo (R$ 42,9 mil)
e Tiggo (R$ 51,9 mil).
Tastaldi, que atua no comércio de veículos há 40 anos, deve abrir mais três lojas da marca chinesa na zona oeste.
"Brasileiros gostam de novidades e a marca é muito dinâmica", diz.

Por três décadas, Sérgio Chamon foi concessionário de marcas nacionais como Ford e GM. Desde 2007, mudou de bandeira e tem nove lojas das chinesas Chana, Towner e Topic, todas no segmento de utilitários. A décima será aberta em agosto e outras cinco até o fim do ano

No primeiro semestre, o grupo vendeu 900 veículos, ante 800 em todo o ano passado.

"A rentabilidade nesse segmento é maior, pois a concorrência não é tão acirrada", atesta Chamon.

Vitorioso e titular de uma vida extraordinária, rancor de Lula só se explica pela Psicologia

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Amigos, goste-se ou não dele, de sua carreira e de suas realizações, o ex-presidente Lula é titular de uma vida por todos os títulos extraordinária.

Mas seu rancor, seu ressentimento, sua permanente impressão de que não é aceito, sua insistência em ver-se vítima de “preconceitos sociais”, sua tendência a dividir o Brasil entre “nós” e “eles”, de enxergar conspiração contra seus feitos e confundir oposição ao lulo-petismo com ser “contra o país” só encontram explicação em profundos manuais de Psicologia.

Lula requer terapia de grupo — como diria um amigo meu, ele e um grupo de terapeutas.

Trajetória espetacularmente vitoriosa é pouco

Poucos, entres os quase 7 bilhões de habitantes da Terra, podem ostentar uma trajetória tão espetacularmente vitoriosa — do migrante nordestino que veio de Pernambuco para São Paulo ainda criança, seguindo a mãe e um cacho de irmãos rumo a um pai que providenciara uma segunda família, ao líder que virou de pernas para o ar o sindicalismo brasileiro, desafiou a ditadura, fundou da estaca zero um partido político, fez, aconteceu, chegou ao Palácio do Planalto, governou 8 anos e se tornou o presidente mais popular da história.

Não bastasse isso, retirou do absoluto anonimato uma candidata a presidente que, para sucedê-lo, obteve uma vitória estrondosa contra um político sólido e experimentado.

Mais:

com falhas e defeitos como presidente — alguns gravíssimos, no terreno da moralidade pública — enxergados no Brasil mas não levados em conta no exterior, se tornou um dirigente respeitado mundialmente, incensado pela grande mídia internacional, aclamado em toda parte — seja na China ou em Wall Street, no clube de ricos que é o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ou nos cafundós da África, em diferentes rincões da América Latina ou no Oriente Médio.

Além de tudo, o homem ficou rico. Ganha fortunas com suas palestras mundo afora, há tempos mora bem, dispõe de todos os confortos que a vida pode proporcionar.

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Tudo isso parece pouco para Lula.

Nostalgia do poder

Sua fala cheia de peçonha no congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Goiânia — falar diante dos picaretas oportunistas que dirigem a UNE é um cenário mais do que apropriado –, mostra que têm razão interlocutores recentes do presidente que o consideram irritado, denotando sentir grande nostalgia do poder e com ímpetos de radicalização ideológica e retorno a posições do passado.

Dirigiu golpes baixos à oposição. “Estão torcendo para a inflação voltar”, acusou, atacando também, uma vez mais, a imprensa. “Chegou a se falar em herança maldita”, disse, esquecendo-se de que quem criou a expressão foi ele próprio, para referir-se à herança na verdade bendita recebida de seus antecessores Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

E delirou, acenando com sabe-se lá o que como instrumento de informação da sociedade: “É que eles [a grande imprensa] não reconhecem que o povo não quer mais intermediário entre eles e a informação”.

Quem se opõe ao lulo-petismo é contra o Brasil

Voltou à oposição: “Os que governam para um terço da população estão incomodados em ver os pobres andando de avião”, vociferou.

“Tem gente que se incomoda vendo pobre andando de carro novo porque eles adoram ver um pobre andando de Brasília, ou de Chevette com o pára-choque arrastando”, insistiu. “Essa gente não está acostumada a ver um progresso”.

Ou seja, a oposição ao lulo-petismo é contra o Brasil. Quem não se alinha a Lula e seus seguidores significa, automaticamente, que não gosta de ver os brasileiros felizes e deseja mal a seus compatriotas. São milhões de brasileiros de oposição que ficam infelizes em ver os outros melhorarem.

O lulo-petismo (e, talvez, seus aliados políticos) é o titular absoluto, incontestável e único, é o monopolista do amor ao país, do patriotismo. Daqui a pouco, como ocorria durante a ditadura militar, vão querer ser também os donos exclusivos do Hino Nacional, da bandeira… de que mais?

Quem não pensa como o chefe não é opositor, é inimigo — do chefe, de seus acólitos e seguidores e do país.

Stálin não faria muito diferente.

Lula, como disse no início, é um caso para área da Psicologia ou da Psicanálise.

Via/Original/Ricardo Setti