"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

outubro 08, 2010

NOVA ELEIÇÃO E FIM DE UM TABU.


A partir de hoje, quando recomeça a propaganda eleitoral na televisão e no rádio, se saberá de que forma e com que intensidade a campanha do tucano José Serra assumirá o legado do governo Fernando Henrique, aceitando enfim, à sua maneira, o desafio da candidata Dilma Rousseff e do seu mentor, o presidente Lula, de confrontar o atual período com o que o antecedeu.

Foi o que os seus principais aliados - a começar do ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves - defenderam enfaticamente no encontro que marcou a largada para o segundo turno, anteontem em Brasília, com a presença dos governadores e parlamentares eleitos pela coligação oposicionista.

(...)

O mantra de Serra era discutir quem tinha de fato visão, experiência e capacidade para "fazer mais" no pós-Lula. Não funcionou.

Se dependesse exclusivamente disso, Dilma seria a esta altura a presidente eleita do Brasil, graças ao seu patrono.

(...)

Salvo na 25.ª hora por mudanças para as quais não contribuiu - a migração de votos dilmistas para Marina Silva e a preferência pela candidata verde de muitos dos até então indecisos -, Serra acabou premiado com a chance de, na pior das hipóteses, perder ganhando no tira-teima do dia 31.

Até hoje, nenhum candidato a presidente e raros candidatos a governador conseguiram virar o jogo no segundo turno. Ainda que o retrospecto se confirme, a oposição pelo menos sairá da peleja com a coluna vertebral no lugar se fizer com que a coerência prevaleça sobre a conveniência.

Se não exatamente com essas palavras, foi seguramente com esse espírito de catar o touro à unha que os serristas partiram para a nova empreitada.

"Seja mais Serra do que marketing", exortou, sob intensos aplausos, o ex-presidente e senador eleito, Itamar Franco.

Trata-se de adaptar a estratégia de comunicação ao foco político da campanha - e não o contrário. E esse foco só se firmará se o candidato se dispuser a ir além da rememoração das realizações de sua trajetória para encaixá-las na moldura da ideologia que as inspirou - e que chegou ao poder com Fernando Henrique.

"Não precisa esconder ninguém", aconselhou Itamar.

"Devemos defender isso com altivez e iniciar o segundo turno falando dele", apontou por sua vez Aécio Neves, credenciado por seu sucesso nas eleições mineiras a ocupar um lugar central na campanha pelo Planalto.

O ex-governador mostrou, ele próprio, o que isso significa - e o que Serra não disse no horário eleitoral.

"Não teria havido o governo Lula se não tivesse havido o governo Itamar, com a coragem política de lançar o real, e se não tivesse havido o governo FHC, que consolidou e abriu a economia", começou, antes de encarar a questão até aqui tabu.

"Se querem condenar as privatizações, estão dizendo a cada cidadão brasileiro que pegue o celular no seu bolso, na sua bolsa e jogue na lata de lixo mais próxima", provocou.

"Foi a privatização do setor que permitiu a universalização de acesso da população, por exemplo, à telefonia celular."

Abertas as comportas, Serra lembrou que "o governo Lula continuou a privatizar", citando os casos do Banco do Estado do Maranhão e do Banco do Estado do Ceará, no primeiro mandato.

"Se privatizou, não era tão contra."

Ao devolver a bola para o campo do adversário, o PSDB finalmente virou a página da equivocada conduta no segundo turno de 2006, quando o então candidato Geraldo Alckmin ficou na defensiva diante da propaganda lulista que o acusava de desejar a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil.

Nesse sentido, o segundo turno de agora é, sim, uma nova eleição.

O Estado de S. Paulo

A VOLTA DO PESADELO.

IPCA chega a 0,45% em setembro, pressionado pela alta dos alimentos. Alguns produtos já começam a deixar os carrinhos de compras dos brasileiros.

Para analistas, o BC tem um dilema:
subir os juros, frear a inflação e atrair ainda mais dólares,
ou deixar a Selic onde está


Após três meses na lona, a inflação voltou a incomodar o bolso do brasileiro e a embalar os seus piores pesadelos.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,45% entre agosto e setembro.


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os vilões do mês foram os alimentos, grupo de produtos responsável por mais da metade desse encarecimento.

Em 12 meses, a carestia chegou a 4,7%, valor que já supera em 0,2 ponto percentual o centro da meta definida pelo Banco Central.

No levantamento, a capital do país foi o destaque negativo.


Alimentar-se em Brasília ficou 1,79% mais caro em setembro e os preços, no geral, subiram 0,8% — quase o dobro da média nacional.

Consumidor

Enquanto economistas debatem a questão cambial e os efeitos de possíveis altas nos juros, o consumidor amarga a perda do poder de compra e reclama do encarecimento dos alimentos, que têm diminuído a fartura que havia se tornado habitual na mesa dos brasileiros.

Cleber Francisco da Silva, 32 anos, recorre a produtos de marcas diferentes das que costumava comprar para tentar driblar o aumento de preços e vai a mais de um supermercado fazer pesquisas.

Silva tem uma renda mensal de R$ 2,5 mil e uma despesa de cerca de R$ 800 para encher a despensa da casa onde mora com a esposa, uma filha, uma sobrinha e a mãe.

“O açúcar e as frutas mais caros vão me obrigar a comprar sucos adocicados. Também vou procurar carnes mais baratas”, disse.




Victor Martins Correio Braziliense

O INFERNO ASTRAL DA PETROBRAS .


A conclusão da maior oferta de ações da história poderia ter sido um alívio para a Petrobras, que enfim se veria livre da especulação que atingiu seus papéis meses antes do fim da operação.

Mas os últimos pregões têm mostrado que a expectativa era infundada.

As ações da Petrobras caíram ontem para o menor preço desde março de 2009, o maior recuo entre as principais produtoras de petróleo do mundo.

No mês, perderam 7,3%, em 20 dias, 13% e no ano, 30%.

A estatal passou da quarta empresa mais valiosa no mundo, no início de setembro, para a 11ª colocação, com valor de mercado de US$ 203,05 bilhões.

Petrobras manteve-se ladeira abaixo ontem, movimento que começou com a revisão para baixo de projeções de preços e, em alguns casos, de recomendações, e passou a ser alimentado por uma onda de boataria envolvendo irregularidades na companhia.

As ações da estatal chegaram a cair quase 5%, mas reduziram as perdas no fim do dia, ao atrair compradores técnicos.
As preferenciais (PN, sem voto) fecharam com queda de 2,16%, negociadas a R$ 25,30, menor preço desde março de 2009.

As ordinárias (ON, com voto) cederam 2,98%, a R$ 28,31.

O volume financeiro do papel superou os R$ 2 bilhões.Rodrigo Campos, da Fator Corretora, afirma que o fluxo de notícia negativa, que afastou o investidor estrangeiro que já não estava contente com o processo da capitalização, começa a espantar o local.

Ninguém quer se arriscar, já que, no curto prazo, a ação deve continuar pressionada.

Pior para o Ibovespa, já que Petrobras representa 11,25% da carteira teórica. Ontem, o índice recuou 0,88%, caindo abaixo dos 70 mil pontos.

Alessandra Bellotto Valor Econômico

SOS BRASIL : O AFLORAMENTO DAS METÁSTASES DO PARTIDO TORPE NA PETROBRAS.

Ilustração Toinho de Passira

Diretor de Gestão Corporativa da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia, lbanês César Cássel tem a Petrobras como cliente de sua empresa particular de eventos.

Cássel é ligado à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, desde que ela foi secretária de Energia do Rio Grande do Sul.

Sua empresa, a Capacità Eventos Ltda., assinou com a Petrobras, em 2008, dois contratos no valor total de R$ 538.755,65. Cássel está na EPE desde 2005, a convite da então ministra Dilma. Cássel disse que tem 1% de participação na Capacità.

A mulher dele, Eliana Azeredo, é diretora-geral da empresa.

Ontem, rumores acerca da publicação de reportagens sobre irregularidades na Petrobras derrubaram ações da companhia na Bovespa.

A ação ordinária fechou em queda de 2,98%.

Diretor de estatal do Ministério de Minas e Energia é sócio de empresa com contratos com Petrobras

Diretor de Gestão Corporativa da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), Ibanês César Cássel tem a Petrobras como cliente de sua empresa de eventos.

Ligado à candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff,assinou dois contratos com a estatal do petróleo no total de R$538.755,65 em 2008 desde que ela foi secretária de Energia, Minas e Comunicações no Rio Grande do Sul nos anos 90, Cássel , por meio da Capacità Eventos Ltda, sediada em Porto Alegre.

A Capacità tem Cássel como sócio e a mulher dele, Eliana Azeredo, como diretora-geral. Um dos contratos foi assinado sem licitação. Informações sobre Ibanês Cássel, entre outros rumores de denúncias que afetariam a Petrobras, circularam no mercado ontem e derrubaram as ações da empresa.

Cássel assumiu o cargo estratégico na EPE em 2005, convidado pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.

Um dos contratos com a Petrobras (número 4600285827), de R$438.755,65, refere-se à inauguração da plataforma P-53, em 18 de setembro de 2008 em Rio Grande (RS), com a presença do presidente Lula.

Houve licitação pelo modelo de carta-convite, no qual pelo menos três empresas precisam ser convidadas para a disputa.

A Petrobras também foi cliente da Capacità no contrato de patrocínio do evento "Porto Alegre - Uma visão de futuro", realizado pela Câmara Municipal de Porto Alegre em 2008 e que tratou de "diversos temas relacionados à vida urbana das cidades".

Este contrato (número 4600283697) foi assinado sem licitação e somou R$100 mil. A Petrobras se valeu do decreto 2745 de 1998 - que flexibilizou as regras para licitação - para não abrir uma concorrência.

Cássel: "Não tenho ingerência na Capacità"

No Portal da Transparência do governo federal, consta o primeiro contrato entre a Capacità e a União em 2005, com a Casa da Moeda. No ano seguinte, a empresa assinou contratos de R$753 mil com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os contratos visavam à "administração da unidade" e à "formulação e avaliação da política de desenvolvimento agrário".

Este último contrato foi assinado no mesmo ano em que Guilherme Cassel assumiu o MDA. O ministério disse que, apesar do sobrenome, ele não tem parentesco com Ibanês Cássel, e que os contratos foram assinados por pregão eletrônico para "organizar, produzir e pagar cachês de artistas que atuaram na 2ª Conferência Internacional de Reforma Agrária".

O GLOBO enviou por e-mail uma lista de perguntas para Ibanês Cássel, que respondeu a apenas parte delas, de forma genérica. Ele diz que tem 1% de participação na Capacità Eventos, adquirida antes de sua posse na EPE.

- Tal participação foi analisada, antes da minha nomeação, pelos órgãos competentes e não constitui impedimento de ordem legal ou de qualquer natureza para o exercício do cargo - disse, por e-mail.

Cássel confirmou ter sido convidado pela então ministra para o cargo na EPE e afirmou que "minhas relações com Dilma Rousseff decorrem dessas experiências profissionais". Disse ainda que "não participou da administração da Capacità" nem tem "ingerência sobre os contratos por ela celebrados."

A assessoria de Dilma informou que a Capacità não presta serviços para sua campanha.

A diretora-geral da Capacità Eventos, Eliana Azeredo, mulher de Cássel, negou interferência do marido ou qualquer favorecimento:

- O Ibanês tem um 1%. Não atua na gestão. A Petrobras fez uma licitação em São Paulo com várias empresas e eu ganhei com o menor preço. Não vejo nada errado. É licitação.

Sobre o contrato de organização do seminário em Porto Alegre, ela disse que a Capacità foi "recebedora de patrocínio de um contrato para pagar fornecedores".

Não é a primeira vez que o nome da EPE aparece ligado a denúncias. No mês passado, no rastro do escândalo de tráfico de influência que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil, foi descoberto que a estatal tinha contrato com o escritório Trajano & Silva, onde Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice, costumava despachar. Uma irmã de Erenice trabalhou na EPE.

Bruno Villas Bôas e João Guedes* O Globo

outubro 07, 2010

NESSA GENTE NÃO SE PODE CONFIAR, JÁ TIVERAM SEU MOMENTO DE "GLÓRIA ".CHEGA! E CINCO VERDADES!

PETROBRÁS DEVE ENCERRAR 2010 SEM CUMPRIR META DE PRODUÇÃO PELO SEXTO ANO CONSECUTIVO

A Petrobrás deve encerrar 2010 sem cumprir sua meta de produção pelo sexto ano consecutivo.

Segundo admitiu ontem o gerente de Exploração e Produção da estatal, José Antônio de Figueiredo, a produção média diária deve encerrar o ano entre 2% e 3% abaixo dos 2,1 milhões de barris, volume previsto no seu plano de investimentos 2010-2014.

Em agosto, a empresa teve média diária de 2,022 milhões de barris e não há novas plataformas entrando em operação até o fim do ano, que sejam capazes de elevar a média anual na proporção necessária.

De acordo com Figueiredo, não houve um problema específico, mas uma série de atrasos pontuais que comprometeram a meta.
(...)
Durante este ano, a Petrobrás deu início à fase de produção das plataformas FPSO Cidade de Santos, no campo de Uruguá, na Bacia de Santos, e FPSO Capixaba, no Parque das Baleias, na Bacia de Campos.

Ambas contribuíram para que a companhia mantivesse uma curva ascendente de produção no ano.
(...)
O Plano de Negócios da Petrobrás para 2010-2014 estabelece metas de crescimento para a companhia de 9,4% ao ano até 2014 ou 7,1% ao ano até 2020. A meta de produção de petróleo no País em 2014 é de 2,98 milhões de barris por dia e em 2020, de 3,95 milhões de barris.

De acordo com analistas do setor, as metas são arrojadas para qualquer companhia petrolífera, mas poderão ser cumpridas, caso o cronograma de encomendas de plataformas de produção siga os prazos fixados.

Já existe, porém, atraso na licitação dos oito cascos de plataformas que deverão atender o pré-sal da Bacia de Santos.
No pré-sal, a meta é de 152 mil barris de óleo em 2014 e 1,183 milhão em 2020.

Figueiredo lembrou que, no caso da plataforma P-57, que será inaugurada hoje em Angra dos Reis pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve cancelamento da licitação por sobrepreço.

"A Petrobrás simplificou a encomenda, dividindo-a em módulos, isso reduziu o preço final e o tempo de construção. Agora o modelo de encomendas servirá para que a companhia encomende outros clones com estrutura idêntica às suas."

Com investimento de US$ 1,2 bilhão, a unidade terá capacidade para produzir 180 mil barris por dia e será a maior já instalada no Espírito Santo.

A previsão da Petrobrás é de que o Estado deverá dobrar sua produção, de 250 mil barris, para 500 mil barris por dia em 2015, especialmente com as atividades no Parque das Baleias, área formada por sete campos petrolíferos na Bacia de Campos, a cerca de 80 quilômetros da costa capixaba.


Estimativas

2,022 milhões
de barris foi a média diária de produção da Petrobrás em agosto

2,2 milhões
de barris/dia é a meta fixada no plano de investimentos da Petrobrás para 2010

2,98 milhões
de barris/dia é a meta para 2014

3,95 milhões
de barris/dia é a meta para 2020

Kelly Lima O Estado de S. Paulo

MANO A MANO - E POUCO ESPAÇO PARA O ME ENGANA QUE EU GOSTO.


Se o PT pode retirar o tema do aborto do programa aprovado pelo partido porque atrapalha a campanha eleitoral, com a mesma facilidade pode repor o assunto na agenda quando achar que não há mais obstáculos.

Esse tipo de gesto dificilmente convenceria alguém e poderia representar um grave risco para a candidata Dilma Rousseff: os grupos religiosos não ficariam satisfeitos, as pessoas que concordam com a descriminalização do aborto ficariam insatisfeitas e a campanha deixaria a impressão geral de que quis fazer todo mundo de bobo.

Conforme ficou demonstrado pelo resultado do primeiro turno, o brasileiro não está naquele estado de idiotia que se imaginou.
Ainda sabe fazer umas contas, discerne razoavelmente umas coisas das outras e não se deixa levar pelo cabresto.

Por isso mesmo a maquiagem tem limite e, principalmente agora no segundo turno, os poderes do marketing também.
Há controvérsia sobre o velho dito segundo o qual eleição do segundo turno é outra eleição.

Quem discorda fala da quase impossibilidade de primeiro e segundo colocados inverterem as posições.
De fato, a virada não é a regra.
Mas é um outro tipo de processo.

Nele, há muito pouco espaço para enganação:
o mano a mano põe os candidatos face a face numa luta sem segunda chance.

O horário eleitoral deve prender atenção do eleitorado muito mais:
porque é mais curto - dez minutos para cada lado - e porque não tem mais aquele desfile de candidatos aos parlamentos.

São vinte e poucos dias de adrenalina.
Nesse período conta muito menos a propaganda e muito mais a estratégia.
Ou seja, a política, tudo o que faltou no primeiro turno.

Ambos os grupos adversários estarão com suas figuras de ponta eleitas e liberadas para cair na batalha.
Há vantagens e desvantagens para Dilma Rousseff e José Serra.

Ela continua com duas imensas vantagens:
o presidente Lula na chefia dos trabalhos e a dianteira de muitos milhões de votos.

Ele tem em seu favor o espaço de conquista de eleitores nos dois maiores colégios eleitorais, cujos governadores eleitos são do PSDB, e o ânimo renovado de militantes e eleitores pela possibilidade real de vitória, sentimento que tinha sido arquivado havia uns dois meses.

Dilma carrega passivos importantes:
os ecos do escândalo Erenice Guerra, os temas polêmicos (aborto, imprensa, casamento gay, direito de propriedade) que o partido abraça e que o governo incorporou no Plano Nacional de Direitos Humanos 3, achando que a concessão à esquerda não renderia problemas e poderia dar até certo charme à candidata.

Serra vem de uma campanha horrível em que ele errou mais que todos, mas não errou sozinho.
Achou que ganharia a eleição por gravidade, por sua bela formação, sua excelente trajetória.
Esqueceu-se apenas de compartilhar essa maravilha com o País e de dar a ela uma forma política que pudesse construir na cabeça das pessoas uma representação de alternativa de poder.

O PSDB tem as próximas semanas para mostrar se tem unidade, vontade e inteligência para falar direito com o eleitor.

A grande vantagem do tucano é que a campanha não pode piorar.

Já os petistas que achavam que a campanha não precisava mudar nada, tiveram de se deparar com a dura realidade relatada pelos governadores na primeira reunião pós-primeiro turno.
Aliás, realizada no Palácio da Alvorada, sob a égide da ilegalidade - para não perder o hábito.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, puxou o assunto e vários concordaram:
Lula errou ao ser tão agressivo e o PT inteiro, candidata inclusive, ao se comportar como se a eleição estivesse ganha.

Consta que Lula prometeu ser elegante nos modos, que Dilma falará com Deus em público quando necessário e que os petistas serão humildes como discípulos de Francisco, o santo.

Isso com a colaboração de Ciro Gomes, que agora passa a integrar a coordenação de campanha, onde se prometeu também lugar de destaque para o PMDB.

Para quem?
Para o partido que segundo Ciro pode ser definido como um "ajuntamento de assaltantes".
Serão dias inesquecíveis.

Dora Kramer/O Estado de São Paulo

NA HISTÓRIA DESTE PAÍS ELE SERÁ ÚNICO : EBRIOSO,PARLAPATÃO E DISSIMULADO. ASSIM É O CRIADOR ! COMO SERÁ A CRIATURA?

Parece ter sido escrito pelo presidente Lula o Decálogo do Chefe, criação humorística que de há muito corre o mundo.

Reza o seu primeiro mandamento que “o chefe sempre tem razão”.

O segundo determina que, “na improvável hipótese de alguma vez o chefe não ter razão, vale o mandamento anterior”.

Foi rigorosamente isso que Lula quis transmitir nos encontros de segunda e terça-feira com ministros, governadores e parlamentares eleitos, aliados da candidata Dilma Rousseff.

As reuniões, a propósito, ocorreram no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República.

Mas, para quem se esmerou em transgredir a legislação antes e durante a campanha, não faz a menor diferença servir-se de novo de um bem público para fins eleitorais.

Tratava-se, na reunião do Alvorada, do que foi considerada uma derrota, apesar da ampla vitória de Dilma nas urnas de domingo: a necessidade de um segundo turno para a decisão final.

E entre os correligionários de Dilma ali presentes alguns dos mais importantes atribuíram ao comportamento agressivo de Lula na fase crítica da disputa a migração de uma parcela dos votos dilmistas para Marina Silva.

Os escândalos na Receita e na Casa Civil e a polêmica do aborto fizeram o resto.

Por sinal, foi a divulgação das violações do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao tucano José Serra e do balcão de negócios instalado no centro do governo o que levou Lula a voltar-se com esbugalhada hostilidade contra os meios de comunicação.

Quando, alertado, trocou a mordida pelo assopro, já no fim da campanha, o estrago estava feito.

A mídia não foi o único alvo da sua ira.

Num comício em Santa Catarina, concitou seus comandados à “extirpação” do DEM, aguçando a inquietação daqueles setores da sociedade para os quais nem os êxitos do governo nem a popularidade estelar do seu condutor podem absolvê-lo pelo surto autoritário de que foi acometido.

Eis que agora, numa das reuniões no Alvorada, ele invocou, para se justificar, um acerto de contas eleitorais.

“Fui muito duro em alguns Estados por onde passei, mas precisava ajudar a eleger alguns senadores”, confessou, candidamente.

No íntimo, ele há de saber que a truculência o situou na contramão da sua absoluta prioridade - eleger Dilma.

Em público, porém, se conduz de acordo com o segundo mandamento do Decálogo: quando o chefe erra, prevalece a lei de que o chefe jamais erra.

Lula, como se sabe, não tolera más notícias, para as quais sempre encontrará um causador que não ele. Assim, tão logo se confirmou que a sucessão ia para o segundo turno, entrou na muda e saiu de cena.

Não teve nem sequer a dignidade de aparecer no domingo à noite ao lado da candidata de sua criação - e se manteve em silêncio decerto por mais tempo do que em qualquer outro momento de seu governo.

É do caráter de Lula jamais assumir parcela de responsabilidade pelos erros e fracassos das equipes que comanda - no governo e em campanha eleitoral -, e, por outro lado, assumir com exclusividade os louros por seus êxitos e vitórias.

Por isso, quando recobrou a voz, tratou de avisar que não tinha nada a ver com o que havia acontecido.

“Teve sapato alto e clima de já ganhou, no primeiro turno”, criticou, cobrando do PT “mais humildade”.

Logo ele que, no palanque que comandou, foi o único que proclamou a certeza de tal vitória.

Não foi apenas para eleitor ver.

Muitos dos companheiros a quem se dirigia no Alvorada já tinham ouvido uma vez e outra de sua boca que a sucessão era assunto liquidado.

Se, ao fim e ao cabo, der tudo errado, não faltarão culpados - a começar da própria Dilma, que não soube ser simpática com o eleitor.

Se der tudo certo, o mérito, naturalmente, será todo dele.

Falta combinar com o eleitorado.

A tática petista para o segundo turno terá a volta, de um lado, do Lulinha, paz e amor.

De outro, da cantilena de que a ascensão de um tucano ao Planalto abrirá as portas para novas privatizações.

A fórmula funcionou no segundo turno de 2006, mas, à parte qualquer outra consideração, não é fácil impingir ao público a visão de um Serra privatista.

Afinal, o resultado do primeiro turno mostrou que pelo menos 51,9% do eleitorado conserva sua capacidade de discernimento.

Editorial do Estadão

outubro 06, 2010

DENTRO DA "MARGEM DE ERRO" PRODUÇÃO DE PETRÓLEO DA PETROBRÁS FICARÁ ABAIXO DA META DE 2010.


A produção média de petróleo da Petrobras em 2010, no Brasil, deverá ficar 2% ou 3% abaixo da meta de 2,1 milhões de barris/dia, afirmou nesta quarta-feira José Antônio de Figueiredo, gerente executivo de Exploração no Sul-Sudeste.

Segundo o técnico da estatal, a diferença para baixo em relação à meta estipulada para o ano é pouco significativa, considerando a quantidade de variáveis na atividade.

"Quem lida com atividade de petróleo, perfuração de poços, construção de plataformas, condições ambientais, necessidade de fazer paradas programadas... para chegar a 2,1 milhões de barris, ficar com uma margem de erro de 2% a 3%, nós consideramos uma margem de erro muito boa", afirmou a jornalistas durante evento para apresentar o navio-plataforma P-57.

"A gente poderia até falar pra vocês uma coisa (meta) menor e sempre ultrapassar, mas a gente bota uma meta maior pra ter um desafio", acrescentou Figueiredo.

Reuters

PETROBRÁS : AÇÕES CAEM MAIS DE 4%.

As ações da Petrobrás mais uma vez catalisam as ordens de vendas nesta quarta-feira, 6.

Às 16h32, os papéis PN da estatal recuavam 4,56% e os ON cediam 4,57%, liderando a lista de maiores baixas do Ibovespa.

A pressão deve-se à divulgação de novos relatórios de bancos reduzindo a recomendação para papéis da estatal.
Hoje foi a vez do Barclays.

A instituição rebaixou a recomendação para a ADR2 (PBRA) da estatal de "overweight" para "equalweight" e reduziu o preço-alvo para US$ 34,00, ante US$ 39,00 mantido anteriormente.

Para a ADR (PBRN), o banco manteve a recomendação em "equalweight" e reduziu o preço-alvo de US$ 40,00 para US$ 35,00.

O relatório, assinado pelos analistas Paul Y. Cheng, Christina Cheng e Danielle Diamond, explica que a redução dos preços reflete os efeitos da diluição da oferta de ações da estatal.

Pressionada pela queda dos papéis da Petrobrás, a Bovespa opera em queda desde o início da sessão.

A divulgação de indicadores econômicos mistos na Europa e Estados Unidos também deixa investidores mais cautelosos na jornada desta quarta-feira.

A alta de ações da Vale, empresas de varejo e telefonia ajuda a impedir uma baixa maior do principal índice da Bolsa paulista, mas não evitou a perda dos 71 mil pontos.

No mesmo horário, o Ibovespa operava com desvalorização de 1,18%, aos 70.443 pontos, após alcançar a mínima de 70.343 pontos. O giro financeiro era de R$ 7,39 bilhões, com previsão de R$ 9,77 bilhões para o fechamento.

No mesmo momento, o Dow Jones operava em leve alta de 0,04%, enquanto o S&P 500 recuava 0,35%.

Já a Vale, outro peso pesada na Bolsa, opera em alta, beneficiada mais uma vez pela alta das commodities no mercado internacional.

O papel PNA sobe 0,30% e ON avança 0,60%.

Mais cedo os contratos futuros dos metais básicos negociados na London Metal Exchange (LME) ampliaram o rali desta semana, impulsionados pela alta das bolsas e a queda do dólar em relação ao euro.


Beth Moreira, da Agência Estado