"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 29, 2013

PARA REGISTRO E UMA SUGESTÃO : NAS "CASAS DAS NULIDADES" ASSENHOREADA POR TORPES, VOTE MAS NÃO REELEJA : Plenário da Câmara absolve Natan Donadon do processo de cassação do mandato

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O plenário da Câmara acaba de absolver o deputado Natan Donadon do processo de cassação de mandato. Foram 233 votos a favor do parecer do relator, Sergio Sveiter (PSD-RJ), 131 votos contra e 41 abstenções.

Para que Donandon perdesse o mandato, o parecer de Sveiter precisaria de, no mínimo, 257 votos. Faltaram 24 votos para que o deputado fosse cassado e perdesse o mandato parlamentar.

Em função do resultado da votação, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), anunciou que, enquanto estiver na presidência da Casa, nenhum processo de cassação será em votação secreta. Prometeu trabalhar para aprovar o mais rápido a proposta de emenda à Constituição (PEC), que institui o voto aberto nos processos de cassação de mandato.

Alves disse que tendo vista a rejeição do parecer de Sveiter, a presidência da Câmara acatava a decisão do plenário. “Todavia, uma vez que, em razão do cumprimento de pena em regime fechado, o deputado Natan Donadon encontra-se impossibilitado de desempenhar suas funções, considero-o afastado do exercício do mandato e determino a convocação do suplente imediato, em caráter de substituição, pelo tempo que durar o impedimento do titular”.

Segundo Henrique Alves, enquanto Donadon estiver preso ele não terá direito a salário e nem a moradia funcional. O suplente é o ex-senador Amir Lando, que deverá assumir o mandato enquanto o titular estiver preso.
No final da tarde, Natan Donadon deixou o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, para fazer a propria defesa no plenário da Câmara. Por mais de 30 minutos, ele tentou convencer os deputados de sua inocência e das perseguições do Ministério Público (MP) de Rondônia, que fez as denúncias contra ele de desvio de dinheiro público da Assembleia Legislativa do Estado, onde exerceu o cargo de diretor financeiro.

Donadon também falou que está passando por serias dificuldades, inclusive financeiras, pois está há mais de dois meses sem receber salário da Câmara. Citou, inclusive, as dificuldades que sua família está encontrando para alugar uma casa em Brasília. Ele criticou o parecer do relator do processo, deputado Sergio Sveiter (PSD-RJ). Segundo Donandon, o parecer está repleto de “absurdos e asneiras”.

Por diversas vezes, disse que é inocente e que nunca fez nada de ilícito. “Nunca desviei um centavo da Assembleia Legislativa”. Declarou que todos os pagamentos feitos por ele na diretoria financeira foram atestados pelo controle interno da instituição e feitos de acordo com os parâmetros legais. Donadon disse ainda que assumiu a diretoria financeira com contratos já feitos.

Natan Donadon acompanhou toda a votação do processo sentado no plenário ao lado dos parentes. Ao ser proclamado o resultado da votação, Henrique Alves determinou a retirada do parlamentar do plenário. Durante a votação, Donadon pediu que as autoridades melhorem a qualidade da alimentação do presídio da Papuda. “A gente tem dificuldade na alimentação. Eu tenho síndrome do estômago irritável”, disse.

agosto 28, 2013

POBRE BRASIL REAL ! CÉU OU INFERNO ? Razões humanitárias


Na mitologia da política brasileira, o Partido dos Trabalhadores sempre se apresentou como defensor dos fracos e dos oprimidos, como o partido dos pobres e da justiça social. Isso nunca correspondeu à realidade, mas a experiência do PT no poder reforça ainda mais a distância entre suas pregações e sua prática.
 É como a amplidão que separa o céu do inferno.


Em lugar do apreço a valores éticos e morais universais, o governo petista exercita a truculência. Em vez da defesa dos direitos humanos, prefere advogar a favor da pesada hierarquia. Ao sagrado direito de ir e vir, opta pela interposição de limites e barreiras. À liberdade, escolhe ficar com o claustro.

Tais constatações emergem da atitude petista em dois episódios recentes: a intempestiva reação do governo da presidente Dilma Rousseff à transferência do senador boliviano Roger Pinto Molina para o Brasil por um diplomata, feita à revelia do Itamaraty, e o tratamento dispensado pela administração federal aos médicos cubanos que virão servir nos rincões e periferias brasileiras.

No caso do incidente diplomático, está claro que Eduardo Saboia - o diplomata encarregado de negócios da embaixada brasileira em La Paz que trouxe Molina ao Brasil - agiu puramente por razões humanitárias ao protagonizar a quixotesca viagem que permitiu ao senador fazer o que há 15 meses ele aguardava sem sucesso: deixar a Bolívia.

Saboia atuou para evitar que a vida de um ser humano continuasse em risco, já que era sabido que as condições de saúde do político boliviano encontravam-se frágeis. Fez, na prática, o que a presidente da República defendeu ontem ser a atribuição de um "Estado democrático civilizado" como o Brasil: 
"Um governo age para proteger a vida".

O senador oposicionista é pedra no sapato do presidente Evo Morales e, em razão disso, não obteve do governo boliviano salvo-conduto que lhe permitisse deixar seu país em segurança. Nem as mais sangrentas ditaduras agem desta maneira. A diplomacia companheira do PT tampouco se esforçou por obter tal aval de La Paz, a quem trata com luvas de pelica. Quem, afinal, agiu efetivamente para proteger a vida de Molina?

Em resposta ao traslado do senador ao Brasil, a presidente Dilma defenestrou o chanceler Antonio Patriota, submeteu o diplomata Saboia a um processo de sindicância e, ontem, cancelou a transferência do embaixador na Bolívia, Marcelo Biato, para um posto mais valorizado em Estocolmo. 
Além disso, o senador Molina agora também corre risco de ser extraditado para a Bolívia. Ao gesto heroico, a gestão do PT retrucou com pesado tacão.

A mesma atitude indecorosa está presente no tratamento que o governo petista está dispensando aos médicos que estão chegando de Cuba para atuar no país. Ninguém, absolutamente ninguém, é contra ampliar o número de profissionais de saúde à disposição da população, principalmente a que vive mais distante. Mas daí a aceitar como normais as condições impostas ao trabalho dos cubanos vai longa distância.

Sabe-se, até agora, que os médicos cubanos receberão como remuneração apenas uma fração do que ganharão os profissionais vindos de outros países. Quanto, ninguém é capaz de afirmar, nem mesmo o governo - em tese, seu patrão e maior interessado em garantir a qualidade do serviço que prestarão aos brasileiros.

De antemão, aos médicos cubanos também será vedada a possibilidade de concessão de asilo, caso algum deles decida não retornar ao regime ditatorial da ilha. Seus passos serão vigiados e sua liberdade de ir e vir, cerceada.

Os cubanos também não poderão trazer suas famílias para o Brasil, numa das mais duras privações a que um ser humano pode ser submetido. Discriminados, não disporão de igualdade de tratamento nem de condições de trabalho e remuneração similares às dos demais profissionais importados.

Há, portanto, assim como no caso do senador Molina, razões humanitárias que levem à discordância em relação à prática adotada pelo governo da presidente Dilma Rousseff - embora não se justifiquem gestos extremos, agressões e atitudes xenófobas. Entre as boas intenções que a gestão petista manifesta e suas práticas vai distância maior que a que separa céu e inferno.

ITV

BRASIL REAL ! Apagão atinge a Região Nordeste do País DOS FARSANTES E GERENTONA MAIS "PREPARADA QUE "ISTRUTUROU" O SISTEMA ENERGÈTICO .

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Um apagão atinge oito Estados do Nordeste do País na tarde desta quarta-feira, 28 (Piauí, Paraíba, Alagoas, Ceará, Sergipe, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte).

Várias cidades, incluindo as capitais do Piauí, do Ceará, do Pernambuco e da Paraíba, sem energia desde 15h03. O apagão atinge até emissoras de rádio e TV e sites de jornais da região.

A concessionária de energia Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) está apurando as causas do problema e a sua dimensão. A própria Chesf informou que a sede da empresa está sem energia. O site da companhia também está fora do ar. A Chesf tem redes de abastecimento de energia em 8 dos 9 Estados do Nordeste.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que está avaliando a dimensão do apagão. De acordo com a entidade, técnicos estão trabalhando no momento para restabelecer o fornecimento de energia e, em seguida, farão um diagnóstico da causa do apagão.

GERENTONA 1,99 diz que país tem 'bala na agulha' para enfrentar câmbio

Srª. Presidente:
A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (28) que o Brasil tem "bala na agulha" para enfrentar a situação de variação cambial que afeta o real. Ela reafirmou que o câmbio é flutuante, mas que as intervenções no mercado feitas pelo Banco Central são para impedir que essas flutuações sejam "abruptas".

Por isso, segundo Dilma, o Brasil não tem uma meta de valor para a moeda brasileira em relação ao dólar.

Dilma deu entrevistas na manhã desta quarta-feira a duas emissoras de rádio de Belo Horizonte e disse que o que acontece atualmente com a variação do dólar diz respeito a uma situação provocada pelas ofertas da moeda feita pelos Estados Unidos.

"Nós temos o que se chama bala na agulha para encarar esse processo que ocorre internacionalmente, que independem das decisões de política econômica. Eles são frutos dessa globalização financeira que impera no mundo", disse ela.

Ela disse ser "óbvio" que isso tem algum impacto na economia do país, mas que o Brasil tem reservas de dólar para suportar essa variação.

"Nós estamos entre os cinco, seis países com maior volume de reservas do mundo. É como se a gente tivesse um colchão. Sabe aquela história de guardar dinheiro no colchão? A gente não guarda no colchão, mas o Brasil tem US$ 372 bilhões de reservas", afirmou.

É essa reserva que ela chama de "bala na agulha" para enfrentar a situação de mais dólares no mercado internacional, o que afeta também o Brasil.

"Nossa política é de dólar flexível. Nós não temos um dólar alvo. Você não fica defendendo uma posição, nós deixamos o dólar flutuar", disse.

"Nós entramos no mercado para atenuar essas flutuações, para não deixar que elas sejam abruptadas, para não deixar que elas criem processo de pânico. Enfim, a gente atua de forma a suavizar essas oscilações", completou a presidente.

De novo, ela repetiu que o governo não trabalha com meta de dólar e disse para desconfiar de quem disser o contrário: "Nós não temos meta de dólar. Se você perguntar para alguém e alguém responder que tem, você desconfia, porque ninguém tem condições de dizer isso".

A presidente voltou a pintar um cenário bom para a economia do país, com desemprego baixo e "muito boa situação fiscal".

Com relação ao crescimento do PIB, Dilma não citou possíveis números das previsões para o Brasil, mas disse que nos Estados Unidos a previsão é de 1,7% em 2013 e que a Europa ainda está em recessão, embora alguns países estejam saindo disso.

"Você tem um quadro internacional nas economias de muito baixo crescimento e de recessão. A própria China está passando por um período assim. Nós estamos em uma situação de manter o crescimento e de manter as conquistas também", disse ela, citando ainda o controle da inflação.

INTERVENÇÕES

O Banco Central anunciou na última quinta-feira (22) um plano para injetar até US$ 54,5 bilhões no mercado de câmbio até o final do ano. O objetivo é conter a escalada da moeda americana, que passou de R$ 2 no início do ano para R$ 2,45 na semana passada.

O plano do BC, que começou a valer na última sexta-feira (23), prevê a realização de leilões de swap cambial tradicionais --que equivalem à venda de dólares no mercado futuro-- de segunda a quinta-feira, com oferta de US$ 500 milhões em contratos por dia, até dezembro.

A autoridade monetária já tem feito esses leilões com frequência no mercado para tentar conter a alta da moeda americana. O anúncio do programa de prazo mais longo, porém, ajuda a dar previsibilidade aos investidores a respeito das intervenções.

Às sextas-feiras, o BC oferecerá US$ 1 bilhão por meio de linhas de crédito em dólar com compromisso de recompra --mecanismo que pode conter as cotações sem comprometer as reservas do país.

Apesar de ajudar a conter a alta do dólar, o plano do BC não impede que a moeda americana continue subindo, segundo especialistas.

Isso porque a perspectiva de que investimentos estrangeiros nos mercados emergentes deverão voltar aos Estados Unidos diante da melhora econômica naquele país vai continuar pressionando as moedas internacionais, que perdem valor diante do dólar.

No Brasil, há um agravante: o elevado deficit em conta corrente e a insatisfação com a política econômica do governo, que têm prejudicado o apetite dos estrangeiros por aplicações no país.

Às 11h41 (horário de Brasília), o dólar à vista --referência para as negociações no mercado financeiro-- caía 1,67% em relação ao real, cotado em R$ 2,355 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial --utilizado no comércio exterior-- cedia 0,54%, também a R$ 2,355.

Colaborou ANDERSON FIGO, de São Paulo, e reportagem de Brasília
Folha

'Pôr meu filho como bode expiatório seria lamentável', diz pai de diplomata "Respeitar os limites entre ética e hierarquia é fundamental"



O embaixador aposentado Gilberto Vergne Saboia se diz aflito, mas orgulhoso, de ver o filho no olho do furacão após trazer o senador boliviano Roger Molina para o Brasil. Com uma longa carreira diplomática, inclusive como membro da Comissão de Direito Internacional da ONU, Gilberto Saboia defende como legítima e legal a ação do filho. 

Ao comentar as declarações da presidente Dilma Rousseff, Gilberto Saboia disse que entende a reação de Dilma, mas pediu que ela aja de forma "desapaixonada" e entenda os limites entre ética e hierarquia. Ele está indo do Rio, onde mora, para Brasília, onde está o filho, para dar apoio e ajudar na defesa no processo administrativo aberto pelo Itamaraty. 
- Pôr meu filho como bode expiatório seria lamentável! 

Entendo que a presidente está aborrecida, mas peço que faça uma análise desapaixonada de toda essa questão. Que entenda que nada do que foi feito, foi ou será dito tem como alvo seu governo. Eu e meu filho somos altamente disciplinados. Mas respeitar os limites entre a ética e a hierarquia é uma coisa fundamental - disse o embaixador aposentado. 

Ele disse que, ao procrastinar uma solução, as autoridades bolivianas acabaram transformando a generosidade do asilo brasileiro em prisão domiciliar do desafeto de Evo Morales: 
- Uma autoridade boliviana das grandes chegou a dizer que o senador podia apodrecer na cadeia. E o asilo na embaixada se transformou numa prisão, gerando uma situação de enorme desgaste físico para ele e todos que com ele conviviam. 

Sobre o processo que o filho vai enfrentar, além das implicações políticas e da irritação da presidente, Gilberto Saboia pediu cuidado ao Itamaraty: 
- Estou ao lado do meu filho. Nem ele nem eu queremos sair atacando. 
Temos carinho pelo Itamaraty, e o Brasil democrático é uma conquista. 
Não temos essa visão incendiária e catastrofista.
Meu filho vai se defender, e eu vou defendê-lo também. 

O Itamaraty precisa tomar cuidado, em consonância com a longa tradição de respeito e defesa de seus funcionários. Eduardo Saboia recebeu apoio de políticos e integrantes da carreira diplomática.

"Há muita gente do seu lado", escreveu no título de extensa carta publicada ontem o ex-porta-voz do Itamaraty e da Presidência diplomata Pedro Luís Rodrigues.

"Não há como não reconhecer que era imoral e insustentável a situação do senador boliviano Roger Pinto Molina. Posteriormente à concessão do asilo, o governo boliviano brandiu uma série de acusações contra o asilado, aparentemente para tentar fazer o Brasil modificar sua decisão", diz Rodrigues, na carta. 

A carta e as mensagens de diplomatas, colegas da UnB e parentes, que se multiplicam nos últimos dias, foram postadas na página pessoal de Saboia. Também foram criadas uma petição de apoio da ONG Avaaz e uma página de apoio no Facebook. Familiares também postaram de mensagens de apoio e agradecimento a orações. 

O filho de Saboia, André, afirmou:
"Pai, não se preocupa, todo mundo está te apoiando e de acordo com sua esplêndida e brava atitude. Deus sabe o que faz! Tudo vai dar certo, sem dúvida alguma. Um grande beijo e um forte abraço, te amo. pai!". (Maria Lima)

O Globo 

O FUTURO A DEUS PERTENCE ! CAIXA DE PANDORA : BNDES já usou 95% dos R$ 300 bi do Tesouro



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tinha, no final do segundo trimestre, apenas R$ 15 bilhões restantes do total captado junto ao Tesouro Nacional para fazer frente aos desembolsos deste ano. A informação consta no relatório de prestação de contas ao Congresso Nacional, relativo ao segundo trimestre de 2013, sobre o uso dos recursos recebidos do Tesouro Nacional.

De 2009 a 2013, o BNDES captou R$ 300,25 bilhões junto ao Tesouro Nacional, dos quais aplicou R$ 285,25 bilhões em vários projetos, de acordo com o documento. O banco de fomento investiu também R$ 90,65 bilhões provenientes do retorno dessa carteira de contratos, totalizando aportes de R$ 375,9 bilhões no período, a partir do aportes extras da União.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, já havia afirmado, durante coletiva para comentar o desempenho do banco, em 14 de agosto, que tinha recursos próprios para fazer frente aos pedidos de financiamento somente até setembro deste ano. "No último trimestre nós vamos precisar de algum complemento para fechar o ano", disse, na oportunidade. O banco estima que 2013 tenha desembolsos recordes de R$ 185 bilhões a R$ 190 bilhões. 

"Estamos em tratativas com o Ministério da Fazenda e eu não quero antecipar quanto que nós vamos precisar", Os aportes do Tesouro acumulados de 2009 a junho de 2013 equivalem a 43,52% do total desembolsado pelo BNDES em igual período, que foi R$ 689,8 bilhões.

Conforme o relatório, do total de recursos investidos em projetos, 47,8% (ou R$ 179,67 bilhões) foram para o Finame, onde estão agrupadas operações de produção e comercialização de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional. O segundo maior volume, R$ 72,51 bilhões, ou 19,3% do total, foram para o Finem, onde estão agrupados grandes projetos de investimento voltados principalmente para implantação, expansão e modernização de empreendimentos.

Em terceiro lugar na ordem de aportes, está o BNDES Pré-Embarque, que recebeu R$ 39,06 bilhões, ou 10,4% do total de recursos no período de 2009 a junho de 2013. A modalidade financia a produção para exportação de bens aprovados pelo banco. Ainda segundo o relatório, o total de recursos investidos, R$ 375,9 bilhões, beneficiou 1.025.530 operações de financiamento em todo país.

Sob a ótica industrial, foi o setor de transformação que recebeu a maior parte dos desembolsos feitos pelo BNDES, com os recursos aportados pelo Tesouro. Do total investido de 2009 a junho de 2013, o setor ficou com 38,5% dos recursos, totalizando R$ 144,6 bilhões. A área de infraestrutura recebeu 33,9% dos recursos, o equivalente a R$ 127,4 bilhões dos desembolsos no período. Dentro do ramo da indústria de transformação, merece destaque o gênero de atividade de fabricação de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, que absorveu R$ 34,7 bilhões.

Já no ramo de infraestrutura, o mais beneficiado foi o setor de transporte terrestre, com desembolsos de R$ 82,6 bilhões. Os destaques ficaram com os subsetores de transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos, transporte dutoviário e transporte rodoviário de passageiros - municipal. Outro gênero de destaque foi eletricidade, gás e outras utilidades, com participação de R$ 28,1 bilhões.

Pela ótica das regiões, Sudeste e Sul receberam a maior parte dos recursos captados junto ao Tesouro Nacional de 2009 a junho 2013. As duas regiões representam mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Do total de recursos investidos no período, 45,3% foram desembolsados para projetos no Sudeste com destaque para apoio a Petrobras, Telemar, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Finep. Já a região Sul recebeu 22% dos desembolsos no intervalo, com destaque para operações para a Renault e a WEG Equipamentos Elétricos.


Elisa Soares | Do Rio
Valor Econômico

agosto 27, 2013

JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" : Percepção de risco da Petrobras dobra no ano e é a maior do mundo


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Custo para proteger dívida da Petrobras por 5 anos usando CDS quase dobrou neste ano para 280 pontos-base, maior nível entre 20 petrolíferas integradas no mundo, segundo dados da CMA.

Dívida líquida/Ebitda de 3x é a maior entre petrolíferas com valor de mercado acima de US$ 50 bi, segundo dados compilados pela Bloomberg. 

“Nós vemos o CDS como provavelmente o comentário mais em tempo real sobre como os credores estão vendo o risco”, diz Thomas Coleman, analista da Moody’s Investors Service, por telefone de Nova York. “Há muita pressão sobre o rating. O momentum é mais negativo agora”.

Petrobras preferiu não comentar sobre o aumento de seus gastos e dívida ou sobre a percepção de risco dos investidores e seu rating.


NOTA: 
Moody’s tem rating A3 para Petrobras com perspectiva negativa para possível rebaixamento.

NOTA:
 Fitch disse semana passada que contratos indicam rating BB+, um nível abaixo do grau de investimento e 2 abaixo da nota BBB da Petrobras.

Apertando a tecla SAP para os mais leigos em linguajar de mercado financeiro: O CDS (Credit Default Swap) mede o risco de default dos títulos emitidos pela empresa. Ele é uma espécie de seguro que investidores compram, e bancos vendem, para o caso de algum evento de crédito no futuro.

Se a empresa deixar de efetuar um pagamento em seus títulos, quem comprou o CDS se protege em parte, ou quem apenas especulou, apostando no pior sem ter os papéis, coleta um bom lucro. Foi o que fez John Paulson ganhar bilhões na crise de 2008.

O CDS, portanto, é um bom indicador da percepção de risco de um ativo por parte dos investidores. Se ele começa a subir muito, ou seja, se o prêmio para contratar esse seguro ou apostar na catástrofe fica mais caro, isso é sinal de que há muito nervosismo entre os investidores. Quanto maior o prêmio do seguro, maior a percepção de risco de sinistro.

A Petrobras perde credibilidade perante os investidores, tanto de renda fixa como variável, dia após dia. A empresa sofre forte ingerência política, não tem liberdade para praticar preços de mercado, não consegue crescer sua produção, e ainda tem um gigantesco programa de investimentos à frente. O endividamento sobe sem parar.

Em bilhões de reais. Fonte: Bloomberg

Os riscos são grandes e crescentes. 
É o que mostra o termômetro do CDS.
 Ou a Petrobras muda o rumo de sua gestão e o governo libera o preço do combustível, ou as chances de um problema no pagamento de seus títulos serão cada vez maiores.

Via :  
Rodrigo Constantino

Herói tratado como delinquente

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A demissão do chanceler Antonio Patriota em razão da transferência do senador boliviano Roger Pinto Molina de La Paz para território brasileiro ilustra a pequenez que orienta nossa diplomacia na era petista. Também demonstra que, nestes tempos bicudos, Brasília preza mais a ideologia do que direitos fundamentais e humanitários – algo que o tratamento dispensado aos médicos cubanos já havia revelado.

Molina foi transferido no último fim de semana a Brasília pelo encarregado de negócios da embaixada do Brasil na Bolívia, o diplomata Eduardo Saboia. Estava há 452 dias confinado num cômodo da representação brasileira em La Paz depois de ter obtido asilo do governo brasileiro. Aguardava, desde então, que o governo Evo Morales lhe concedesse, como preveem as boas regras de conduta do direito internacional, salvo-conduto para poder deixar o país. Sem sucesso.

As condições em que vinha vivendo o senador – o mais aguerrido político de oposição ao governo Morales – eram precárias. Ele não via a luz do sol, não saia do quarto (na realidade, uma sala sem ventilação onde fica o telex da embaixada) e mal encontrava pessoas. Da família, só teve contato com a filha mais nova, Denise, ao longo destes 15 meses. Sua saúde estava em estado deplorável.

"Você imagina ir todo dia para o seu trabalho e ter uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai? (...) O senador estava havia 452 dias sem tomar sol, sem receber visitas. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi. O asilado típico fica na residência, mas ele estava confinado numa sala de telex, vigiado 24 horas por fuzileiros navais”, relatou Saboia à Folha de S.Paulo.

Há uma semana, Molina foi examinado por um médico, depois que Saboia informara o Itamaraty que seu quadro de saúde piorava a olhos vistos. O laudo apontou uma série de problemas, como candidíase (infecção que indica enfraquecimento do sistema imunológico), taquicardia, hiporexia (perda de apetite), taquicardia, dificuldade respiratória, pressão alta e síndrome depressiva, como informa o Valor Econômico.

O governo Dilma, porém, continuou sem agir. Foi aí que Saboia, fortemente movido por valores cristãos, levou adiante a transferência do senador boliviano para solo brasileiro. Deixou de lado regulamentos frios e optou por princípios que nossa diplomacia sempre prezou, em especial a defesa dos direitos humanos, mas que claramente vinham sendo violados no caso de Molina.

Para levar seu intento a bom termo, o diplomata teve que cruzar 1.600 km de estradas, cortar áreas dominadas pelo tráfico de drogas e, finalmente, desembarcar em Corumbá (MS) depois de uma epopeia quase heroica. Por sua postura valorosa e ousada, Saboia receberá como retribuição do governo brasileiro um processo administrativo e deverá ser "severamente punido” por "grave quebra de hierarquia”, segundo O Estado de S.Paulo.

Entre ficar com valores que historicamente orientam nossa diplomacia e agradar um governo pouco afeito à democracia, o governo da presidente Dilma Rousseff ficou com a segunda opção. Sacrificar o chanceler Patriota e punir Saboia com rigor transformou-se em gesto de mesura de Brasília junto ao governo de Evo Morales, ao qual, mais uma vez, a gestão petista se curva – numa tradição que vem desde a desapropriação acintosa de um bilionário ativo da Petrobras logo no início do mandato dele, em 2006.

O que Eduardo Saboia fez é o que qualquer pessoa de bem faria: ajudar um cidadão a não sucumbir à tentação de desistir da vida. Entre praticar o que os preceitos humanitários indicam e defender a liberdade de um homem ou dizer amém a um governo insensível e despótico, ficou com suas convicções cristãs. Deveria ser tratado com honrarias, mas, para a apequenada e pusilânime diplomacia brasileira, ele não passa de um delinquente.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

"Que bom", diz o senador

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O senador Roger Pinto Molina, que chegou ao Brasil na madrugada do último domingo, comemorou a demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

“Que bom, estamos no caminho certo”, disse, ao ser informado da saída do diplomata brasileiro do cargo.

O parlamentar boliviano passoua segunda-feira na casa do seu advogado, Fernando Tibúrcio Pena, no Lago Norte. Em boa parte do tempo, falou com a família pela internet. Molina ainda recebeu a visita do senador brasileiro Sérgio Petecão (PSD-AC), que já mantinha contato antes da vinda dele ao país.

Ele o abraçou longamente e ficou emocionado. 
O ex-deputado estadual do Acre Fernando Melo também o visitou. No fim da noite, jantou comida chinesa e se reuniu com mais amigos.
À tarde, o senador apareceu por três vezes na parte externa para registro de i
magens da imprensa.


“Eu amo o Brasil”, disse, bem humorado, ao lado de um dos quatro cachorros da residência.

Ele evitou, porém, responder as pergunt
as feitas pelos jornalistas.
Molina dará, hoje, uma entrevista coletiva na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Segundo relatos da defesa, ele está muito feliz por chegada ao Brasil. “Foi duro ficar sem ver o sol. Nem prisioneiro passa o que passei”, afirmou Molina ao Correio.

Molina permaneceu 455 dias na embaixada do Brasil em La Paz, que lhe concedeu asilo. A Bolívia se recusava a dar autorização para que ele viajasse para território brasileiro. Na última sexta-feira, ele saiu da embaixada em um carro diplomático, escoltado por militares brasileiros.

A cada parada para passar por revista no trajeto de 22 horas de viagem até chegar a Corumbá (MS), ele achava que seria impedido de chegar ao destino. Mas, como estavam em carro diplomático, a comitiva era liberada. Havia o receio de que narcotraficantes que atuam na região o reconhecessem. O advogado do parlamentar, Fernando Tibúrcio Pena, afirmou que “não existe a possibilidade” de o boliviano ser extraditado.


Outros casos

 Nome: Cesare Battisti
Situação: refugiado
Quando: janeiro de 2009
Caso: 
O ex-militante político italiano foi condenado em seu país por homicídios entre 1978 e 1979. Os advogados de Battisti alegam que ele foi condenado à revelia e sem direito de defesa. Na decisão de conceder refúgio, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, citou o Estatuto dos Refugiados, de 1951, e a Lei nº 9.474, de 1997, que traz como um dos motivos para o abrigo o “fundado temor de perseguição por motivos de raça (...) ou opinião política”. Para Genro, a Itália reconheceu a conotação política dos crimes, uma vez que a sentença de Battisti traz o trecho: “com a finalidade de subverter o sistema econômico e social do país”.
 
Nome: Guillermo Rigoundeaux e Erislandy Lara
Situação: 
extraditados
Quando: 
agosto de 2007
Caso: 
Os dois boxeadores cubanos abandonaram a delegação do seu país durante o Pan 2007, com a intenção de se instalarem no Brasil, mas acabaram deportados poucos dias depois da fuga. Na época, a Polícia Federal informou que eles estavam sem documentos e que isso já era “motivo suficiente” para a extradição.  
Nome: Lúcio Gutiérrez
Situação: 
recebeu asilo, mas “renunciou”
Quando: 
desde abril de 2004
Caso: 
O ex-presidente do Equador, Lúcio Gutiérrez, chegou ao Brasil três dias depois de ser deposto da presidência, em 24 de abril de 2004, em meio a protestos populares. Após pedir e obter asilo político no país, renunciou ao “status” dias depois.
 
Nome: Raúl Cubas Grau
Situação: 
ficou asilado no país durante sete anos e depois voltou ao Paraguai
Quando: 
entre 1999 e 2006
Caso: 
O ex-presidente do Paraguai foi tirado do poder sete meses depois de assumir a presidência do país por um “golpe parlamentar” de seus adversários políticos, em março de 1999. Conseguiu asilo político no Brasil, mas surpreendeu seu país e, em 2006, apresentou-se a um juiz paraguaio para responder a processos.
 
Nome: Lino Oviedo
Situação: 
ficou asilado no país e depois voltou ao Paraguai
Quando: 
entre 2000 e 2004
Caso: 
O ex-candidato à Presidência do Paraguai em 1998 foi condenado a 10 anos de prisão em 1999. Ele foi acusado pelos aliados do ex-presidente Juan Carlos Wasmosy (1933-1998) pelo assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, também inimigo político de Oviedo. Em 2001, conseguiu asilo político no Brasil depois de pedido do Paraguai para que fosse deportado. Voltou ao seu país em 2004. Morreu este ano em acidente de helicóptero na província de Chaco. Ele concorria novamente à Presidência do Paraguai.
 
Nome: Alfredo Gustavo Stroessner
Situação: 
recebeu asilo
Quando: 
1989
Caso: 
Em 1954, Stroessner proclamou-se presidente do país, tendo sido reeleito por sete mandatos consecutivos em eleições consideradas fraudulentas, com um governo marcado pela repressão ferrenha a qualquer oposição. Foi derrubado por um golpe militar em 1989, quando recebeu asilo do Brasil, onde viveu até os 94 anos. Morreu em 2006, de complicações pós-cirúrgicas depois de uma operação de 
hérnia inguinal.

PAULA BITTAR e LEANDRO KLEBER Correio Braziliense

Era uma vez o juro baixo...


Mercado encara o BC e faz a moeda norte-americana aumentar 1,3%, para R$ 2,384. Amanhã, Selic deve passar para 9%, mas instituições que mais acertam projeções veem a taxa básica chegando a dois dígitos em janeiro

Os investidores deram ontem uma amostra consistente de que não será fácil a vida do Banco Central para controlar os preços do dólar, que já impactam a inflação. Apesar de a autoridade monetária ter mostrado um arsenal de mais US$ 60 bilhões a ser usado até o fim do ano, a moeda norte-americana voltou a subir ontem e a romper os R$ 2,40, refletindo toda a insegurança dos investidores em relação aos rumos da economia brasileira, que combina baixo crescimento e custo de vida elevado.

A divisa dos Estados Unidos encerrou a segunda-feira cotada a R$ 2,384 para venda, com alta de 1,3% no dia e de 16,6% no ano.

Diante do fracasso do BC, que cumpriu a promessa de vender dólares no mercado futuro, a onda de desconfiança se espraiou. Tanto que as cinco instituições que mais acertam as projeções colhidas semanalmente pela autoridade monetária, os Top 5, passaram a prever que a taxa básica de juros (Selic), hoje de 8,50% ao ano, voltará à casa dos dois dígitos até janeiro de 2014, puxada pelo dólar e pela constante inflação próxima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%.

Para esse grupo, a Selic chegará a 10% e, na melhor das hipóteses, permanecerá nesse patamar ao longo de todo o ano em que a presidente Dilma Rousseff tentará a reeleição.




No entender dos especialistas, o novo patamar de câmbio — e a baixa garantia de eficácia do plano em vigor do BC — dificultará ainda mais a missão da instituição de controlar a escalada dos preços. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne hoje e amanhã e a aposta quase unânime é que os dirigentes da autoridade monetária decidirão por uma alta de 0,50 ponto percentual nos juros, com a Selic passando de 8,5% para 9% ao ano.

Ainda restarão dois encontros até dezembro, nos quais a taxa básica terá novos aumentos.



Reajustes

Por mais que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, diga que o governo não permitirá “o contágio do câmbio na inflação”, a desvalorização do real ante a moeda norte-americana já provocou reajustes de até 12% nas tabelas de setores como os de informática e de alimentos e bebidas.

“Há uma alta probabilidade de subida mais rápida da taxa de juros”, comentou o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn. A inflação, no entender dele, está longe de dar trégua.

Não à toa, o mercado financeiro, de acordo com o Boletim Focus, voltou a elevar a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2013, algo que não ocorria há sete semanas. A estimativa do indicador oficial de inflação saiu de 5,74% para 5,80%.

“O governo deixou de lado o crescimento para segurar o custo de vida, mas acabou ficando sem nada”, avaliou a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Virene Macedo. A carestia continua no teto da meta e a expansão da atividade, apontando para o chão.


Com discurso semelhante ao adotado pela maior parte dos empresários, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), Fabio Arruda Mortara, criticou duramente o governo. O provável aumento dos juros é considerado “remédio amargo para segurar a inflação”. “O governo ficou refém da Selic em decorrência de erros da política econômica”, atacou ele, que prevê imediata retração da demanda, da rentabilidade das empresas e do nível de emprego no segmento.

Em entrevista ao Correio, Mortara lembrou, ainda, que o menor patamar de juros da história — de 7,25% ao ano, registrado em outubro de 2012 — não se sustentou por inoperância do governo. “Foi uma alegria que durou pouco”, disse. A equipe econômica, acrescentou o presidente da Abrigaf, deu vários “tiros no pé” ao insistir em equívocos, como não reduzir os gastos públicos e segurar indefinidamente os reajustes dos combustíveis, que agora só potencializam a “minicrise” de Mantega.

Com juros mais altos e a pressão do dólar sobre os preços, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 segue despencando. Em janeiro, o mercado previa alta de 3,26% no ano. Ontem, com o registro de mais um recuo pelo Focus, o índice esperado pelos analistas caiu para 2,20%. O cenário pode piorar depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar, na próxima sexta-feira, o PIB do segundo trimestre. No primeiro, o Brasil avançou pífio 0,6%.

O maior problema para o governo, disse economista e ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas Gomes, é o impacto do câmbio no custo de vida. “Inflação alta e baixo crescimento é tudo o que a presidente Dilma não queria”, sobretudo com a campanha eleitoral batendo à porta do Palácio do Planalto.

“Está difícil cravar para onde vai o dólar. Ainda há muita volatilidade no mercado”, completou ele, que chefia a divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Pelas suas contas, o PIB deste ano deverá fechar ao redor 1,8%. No mês passado, ele ainda acreditava em um resultado acima de 2%. Em janeiro, falava em 3%.

Mão pesada
Para o economista e ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas Gomes, a autoridade monetária terá de ir além dos arsenal de US$ 60 bilhões anunciados na semana passada para segurar a desvalorização do real e acalmar o mercado.

“O desempenho do dólar neste começo de semana mostra que o BC será obrigado a agir mais. Talvez, até tenha de elevar, amanhã, os juros acima do 0,50 ponto percentual previsto inicialmente pelo mercado”, apostou.

DIEGO AMORIM » ROSSANA HESSEL Correio Braziliense