"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 23, 2013

POIS É ! A HORA E A VEZ DO "JOGO" PING PONG DA JUSTIÇA : Recursos podem dar a 12 condenados do mensalão novo julgamento no STF, E A advertência de Barbosa

O ex-ministro José Dirceu e outros 11 condenados do mensalão terão uma espécie de "novo julgamento" no Supremo Tribunal Federal. Com isso, 
Dirceu, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) e outros petistas do chamado "núcleo político" do mensalão poderão se livrar de cumprir pena em regime fechado. 
 
Cinco ministros do Supremo ouvidos pelo Estado confirmaram a tese de novo julgamento por conta de recursos dos condenados. 
 
Esses ministros adiantam que há maioria na Corte para que sejam admitidos os chamados embargos infringentes – recurso previsto quando há pelo menos quatro votos contra a condenação do réu. 


No caso de Dirceu isso ocorreu na acusação de formação de quadrilha, enquanto com Cunha o placar que permite a revisão da pena foi registrado no crime de lavagem de dinheiro.

O prazo para os advogados entrarem no STF com os embargos infringentes é de 15 dias e começa a contar hoje, dia seguinte à publicação do acórdão. O acórdão – a íntegra do julgamento, com os votos dos ministros – foi publicado nessa segunda-feira, com 8.405 páginas.

Sendo admitidos os recursos – o que é a tendência, segundo apurou o Estado –, os ministros terão de julgar novamente os casos em que houve quatro votos pela absolvição. Com um novo julgamento, seriam abertos novos prazos. 

 
A composição do plenário do STF será diferente, já que os ministros Ayres Britto e Cezar Peluso – ambos votaram pela condenação dos réus – se aposentaram. No lugar de Peluso foi nomeado Teori Zavascki. 
E um novo ministro será indicado para a vaga aberta com a aposentadoria de Ayres Britto.

Valério & Cia 

 
No novo julgamento podem também ser revistas as penas do empresário Marcos Valério – o operador do mensalão –, seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, 

a ex-diretora financeira da SMP&B Simone Vasconcellos, 
a ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, 
o ex-vice-presidente da instituição, José Roberto Salgado, 
o ex-assessor do PP João Cláudio Genu 
e o ex-sócio da corretora Bônus Banval, Breno Fischberg. 
 
No acórdão publicado ontem, alguns ministros enfatizam, nos respectivos votos, que o Supremo é obrigado a analisar os embargos infringentes. 
É o que ocorre, por exemplo, no voto do ministro Celso de Mello. 
Ele cita o artigo do regimento interno do Supremo que permite o recurso "sempre que o juízo de condenação penal apresentar-se majoritário".

A ministra Cármen Lúcia já deu sua opinião em outro processo, em fevereiro de 2012, quando observou que o embargo infringente cabe para ações penais, caso do mensalão.

Outros ministros, que inicialmente se mostravam contrários aos embargos, agora adotam discurso distinto. Afirmam que mesmo tendo sido alterado o Código de Processo Civil, extinguindo a possibilidade de embargos infringentes, o Regimento Interno do STF mantém a possibilidade do recurso. Mudar agora o regimento, em meio ao julgamento do mensalão, poderia ser visto como casuísmo. 

 
Contrários aos embargos infringentes, os ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Marco Aurélio Mello deverão ser voto vencido.

Presidente do STF e relator do mensalão, Barbosa resistia a levar os recursos dos condenados para análise do plenário. Foi aconselhado pelos colegas a rever a postura. Com isso, o STF deu um prazo maior para apresentação de recursos após a publicação do acórdão. 

 
Toffoli enfatiza tese de inocência do ex-ministro

Econômico em suas manifestações durante o julgamento, o ministro Dias Toffoli deixou registrada no acórdão sua convicção sobre a falta de provas para condenar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Ele foi assessor de Dirceu quando este ocupou o cargo no governo Lula. 

 
Toffoli entendeu que não ficou demonstrado que Dirceu praticou corrupção ativa com a compra de apoio de partidos no Congresso. Na visão dele, Dirceu só foi acusado pelo cargo que ocupava. 
 
"A simples condição de chefe da Casa Civil, sem a demonstração de que tenha o réu oferecido ou prometido qualquer vantagem (...) não conduz automaticamente à tipificação do ilícito", diz. 
 
E ressaltou que a acusação a Dirceu se baseia essencialmente no depoimento de Roberto Jefferson.

Felipe Recondo, Mariângela Gallucci e Eduardo Bresciani
Estadão 
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Joaquim Barbosa 

(...) Ele considera absurda a possibilidade de haver um novo julgamento, pois o Supremo é a última instância do Judiciário, e diz que a sociedade brasileira não vai entender se houver uma mudança de posição do STF em tão pouco tempo. O presidente do Supremo não quis falar especificamente sobre os “embargos infringentes”, que considera não existirem mais, embora estejam previstos no regimento interno do STF.

Esse será o debate mais importante da próxima fase do julgamento, pois é através desses embargos, e não dos “embargos de declaração”, que alguns réus poderão ter suas penas reduzidas.

Assim como Barbosa, alguns ministros também consideram que os “embargos infringentes” não existem mais desde que a Lei 8.038, de 1990, regulamentou os processos nos tribunais superiores e não os previu para o STF. De lá para cá, será a primeira vez que o Supremo enfrentará essa questão, pois desde então não houve pedidos para “embargos infringentes” nos julgamentos ocorridos naquela Suprema Corte.

abril 22, 2013

No reino das Roses

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Rosemary Noronha é a melhor tradução dos interesses e da filosofia que movem o PT no trato da coisa pública. A ordem é predar o patrimônio de todos os brasileiros tratando-o como se fosse propriedade privada ou partidária. 
Neste reino de podridão, o mau exemplo vem de cima e funciona como salvo-conduto para a tropa.

As estripulias de Rosemary foram descritas em sindicância feita pela Casa Civil, iniciada depois que ela e seus bebês - um pessoal da pesada que agia em vários órgãos públicos desde a gestão Lula - foram flagrados pela Polícia Federal traficando interesses e vendendo influência a partir do escritório da Presidência da República em São Paulo. 
As conclusões, expressas ao longo de 120 páginas, foram reveladas pela edição da revista Veja desta semana.

No documento, está relatado que Rosemary teve tratamento de chefe de Estado em embaixadas brasileiras ao redor do mundo, como a de Roma; que, várias vezes, trocou favores no governo federal por mimos; que abusava das prerrogativas do cargo e usava de maneira desvirtuada a estrutura pública; que saiu rica da função que desempenhou no governo petista.


Não sem razão, mas só depois que foi flagrada em seus malfeitos pela PF, no fim do ano passado Rosemary foi afastada do cargo de chefe do escritório paulistano da Presidência da República. 
Encontra-se hoje indiciada por formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva, mas nunca se manifestou publicamente sobre sua rede de falcatruas.

"O relatório final da investigação, mantido em segredo por determinação expressa do próprio governo, é a síntese do que para alguns é a norma fria do serviço público em Brasília: uma grande loja de facilidades", resume a revista.


As revelações do documento são grotescas, mas podem ser pouco perto do que, de fato, pode ter sido feito por Rose e sua turma sob as bênçãos do ex-presidente Lula. É de se imaginar que, com franco acesso a todos os sistemas de informação e registro que um órgão público pode ter, a Casa Civil tenha se deparado com podres ainda maiores da preferida de Lula

O melhor detergente para sujeiras desta natureza é a luz do sol. 
Rosemary deveria ser chamada a falar e contar o que sabe. 
Diz a revista que ela está disposta a escancarar a boca, por se sentir "desamparada pelos velhos companheiros" a quem serviu com tanto carinho e entrega, como Lula e José Dirceu.

A própria Casa Civil parece ter ciência dos riscos.
  Tanto que tentou manter o relatório em segredo, por avaliar que, divulgado, ele poderia produzir "instabilidade institucional". 
Se é assim, mais motivos há para ir fundo nas investigações, botar o Ministério Público nos calcanhares desta gente e o Congresso a apurar, quem sabe até por meio de CPI.

Rosemary é a personificação do grupo político que passará para a história do Brasil como aquele que se valeu de uma azeitada estrutura de desvio reiterado de dinheiro público para compra de apoio parlamentar. Ela é a síntese do espírito mensaleiro, da predação dos petistas sobre o patrimônio público.

É possível que a ex-toda-poderosa integrante da entourage de Lula tenha se inspirado no modus operandi do chefe e de sua tropa, novamente descrito em detalhes na síntese do acórdão do julgamento do mensalão publicada na sexta-feira no Diário da Justiça Eletrônico.

Trata-se de "conjunto probatório harmonioso que, evidenciando a sincronia das ações de corruptos e corruptores no mesmo sentido da prática criminosa comum, conduz à comprovação do amplo esquema de distribuição de dinheiro a parlamentares, os quais, em troca, ofereceram seu apoio e o de seus correligionários aos projetos de interesse do governo federal na Câmara dos Deputados". 

Após dez anos de leniência e de complacência com malfeitos, com a roubalheira, com a ocupação corsária do aparato estatal, os petistas parecem ter perdido - se é que um dia tiveram - a noção de onde termina o interesse público e onde começam as esferas privada e partidária. 
Inspirados em maus exemplos que vêm de cima, agem como se predar o Estado fosse a coisa mais natural do mundo. 
Não é. 
A tudo isso, cabe um basta.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
No reino das Roses

ENQUANTO ISSO NO brasil maravilha DOS FARSANTES E A QUEBRA 1,99... Cheques sem fundos têm maior percentual desde maio de 2009


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Em março, 2,36% dos cheques emitidos no Brasil foram devolvidos, segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques sem Fundos, divulgado nesta segunda-feira (22). Foi o maior percentual verificado desde maio de 2009, quando o índice de devoluções fora de 2,52%.

Em fevereiro, o percentual de cheques devolvidos foi de 1,90%. Nos três primeiros meses do ano, do total de cheques, 2,09% não tinham fundos. O índice ficou acima dos 2,04% registrados no mesmo período de 2012.

Para os economistas da Serasa Experian, "março carrega sazonalidade no aumento dos cheques sem fundos, em decorrência da última parcela do IPVA e do parcelamento das despesas escolares". 
De acordo com a Serasa, neste ano, o indicador também foi impactado pela maior inflação nos alimentos, que reduz o poder aquisitivo dos salários.

Nos três primeiros meses de 2013, Roraima foi o Estado que apresentou o maior percentual de cheques sem fundos (13%). 
Na outra ponta do ranking está São Paulo, com 1,50%. Entre as regiões, a Norte foi a que apresentou o maior percentual de devolução de cheques (4,42%), enquanto a região Sudeste foi a que teve o menor índice, com 1,64%.

Do G1, em São Paulo

POBRE BRASIL ! Setor financeiro resiste a Dilma, mas aponta fragilidades de Aécio e Campos


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A lua de mel que o mercado financeiro viveu com o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dissipou-se na gestão da presidente Dilma Rousseff.

A atual política econômica tornou-se alvo de críticas do setor que, a um ano e meio da eleição, mostra preferência pelos nomes do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

O Estado conversou com dez influentes integrantes do mercado, entre os quais banqueiros, economistas de instituições financeiras, operadores e donos de fundos de investimento. Com o compromisso de não se identificarem, eles traçaram um diagnóstico convergente sobre a gestão Dilma.

Emitiram, ainda, opiniões sobre a sucessão do ano que vem e os demais presidenciáveis.

Apesar da resistência à presidente e, especificamente, ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, os integrantes do mercado avaliam que Dilma vencerá a eleição. E no 1.º turno. Aécio e Campos já buscam aproximação com o mercado, tradicional financiador de campanhas.

Neste ano, os dois se reuniram com donos de bancos e gestores de fundos.
Dilma, que manteve pouco diálogo com o setor nos dois primeiros anos de mandato, acatou conselho de Lula e, a partir de janeiro, começou a conversar com banqueiros no Planalto.

Dilma desperta mais restrição no mercado que Lula.
Após anos de desconfiança mútua, o petista começou a mudar o paradigma em 2002, quando prometeu honrar os contratos por meio da Carta ao Povo Brasileiro.

"Lula foi fantástico para pobres e ricos. Dilma, nem para ricos nem para pobres, que estão vendo a inflação corroer salários", disse o dono de um fundo de investimento.

A conjuntura econômica no governo Lula favoreceu a relação.
Na sua gestão, contou com cenário externo favorável, que, aliado a uma política de aumento real do salário mínimo e de ampliação dos mecanismos de transferência de renda, permitiu crescimento econômico.

Lula manteve integrantes do governo FHC na equipe, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, era executivo de banco.

Dilma recebeu um real valorizado de R$ 1,65 por dólar e assiste à queda no preço das commodities. Além da conjuntura, há o estilo:
com ela haveria menos diálogo e mais resistência à iniciativa privada e interferência no BC.

Na semana passada, a taxa de juros aumentou 0,25 ponto porcentual e foi para 7,5%, após declarações polêmicas da presidente sobre o tema que afetaram o mercado.

"A imagem de Dilma está em processo de deterioração galopante no mercado. Ela dá sinais conflituosos, interfere na economia com mão pesada e não tem agenda de reformas", afirmou o diretor de um banco estrangeiro.

Segundo um operador, Dilma não deve falar sobre juros, pois "descredencia" o Banco Central. Para um investidor, a presidente tem uma visão contrária à iniciativa privada ao tentar, por exemplo, diminuir as taxas de retorno dos investidores.

A posição de integrantes do mercado é ponderada por alguns acadêmicos. Para Francisco Lopreato, da Unicamp, a mudança no patamar de juros na gestão Dilma está por trás da insatisfação.

"Você tem que tirar um pouco o doce da boca da criança e, provavelmente, eles vão chorar mesmo."

Em 2011, primeiro ano de gestão Dilma, o BC inaugurou quedas sucessivas na Selic, estreando a primeira em agosto, quando foi de 12,5% para 12%. "Alexandre Tombini ( presidente do BC) não é tão market friendly. Meirelles deixava mais claro o passo que iria tomar. Agora, a relação mudou. Ficou mais incerta", disse Lopreato.

"A presidente fez mudanças importantes na economia, todas elas, aliás, reclamadas por amplos segmentos empresariais:
redução dos juros,
estabilização cambial,
redução do custo da energia,
desoneração da folha de pagamentos,
investimento em infraestrutura em parceria com o setor privado etc. Como em qualquer mudança, há sempre interesses contrariados, mas creio que são minoritários", disse Ricardo Carneiro, diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Reuniões.

Apesar das críticas a Dilma, o mercado já "precifica" a eleição de 2014. "Como ela vai ganhar no primeiro turno, deve minguar o financiamento para os outros candidatos. Ninguém vai por dinheiro sabendo que o candidato vai perder", afirmou o dono de um fundo de investimento.

Aécio desperta a confiança do setor em relação à condução da economia. "Ele é música para os ouvidos do mercado. Ele é visto como o resgate da agenda de FHC. É mais ortodoxo", disse o economista de um banco estrangeiro.

Há resistências, porém, sobre seu modo de vida.
"Ninguém acredita que, de fato, queira ser presidente. Sua vida pessoal é incompatível com a vida pública. E sua atuação como senador é uma piada", disse o diretor de um banco estrangeiro.

"Não sei se aguenta ser presidente, com uma rotina dura. Parece ficar dividido entre isso e abrir mão da sua vida atual", disse o dono de um fundo de investimentos.

Campos ainda é visto como uma incógnita, mas que suscita interesse.
"A opinião dele não está clara, mas não há rejeição do mercado a ele", declarou o banqueiro brasileiro.

"Campos tem história em Pernambuco, está com discurso muito alinhado, aberto a ouvir. É uma luz no fim do túnel, uma alternativa a Dilma", disse o diretor do banco estrangeiro. "Ele não é a primeira opção de ninguém que conheço, mas é definitivamente uma opção", afirmou o economista.


Julia Duailibi e Sonia Racy, de O Estado de S. Paulo 

abril 21, 2013

NO ANTRO DAS NULIDADES CANALHICES E TORPEZAS : Dinheiro público paga advogado de senadores

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Respaldado por normas internas, o Congresso Nacional usa o dinheiro do contribuinte para ressarcir parlamentares por gastos supostamente relacionados à atividade parlamentar, mas, em muitos casos, nem sequer exige a comprovação de que o serviço foi prestado. 

Na lista de reembolsos permitidos pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, duas rubricas, em especial, servem de guarda-chuva para uma série de despesas:
a que destina recursos para a divulgação da atividade parlamentar e a que permite a contratação de pesquisas, consultorias, trabalhos técnicos e, no caso do Senado, “outros serviços de apoio ao exercício do mandato”. 

Para justificar o gasto, basta apresentar uma nota fiscal. 
O recurso é usado, inclusive, para pagar advogados que, não raro, atuam em processos pessoais dos parlamentares. Entre 2011 e o início de abril de 2013, o Senado repassou mais de R$ 1 milhão a escritórios de advocacia. O valor equivale a 20% dos quase R$ 5 milhões gastos em contratações de consultorias.

O senador Sérgio Petecão (PSD-AC) usou recursos da cota parlamentar para pagar a equipe de advogados que o defende em processo no qual é acusado de crime eleitoral, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado que o representa no inquérito é Amaro Carlos da Rocha Senna. Entre abril e outubro de 2011, o parlamentar repassou R$ 65 mil ao escritório Senna Advogados Associados.

Foram seis parcelas nos valores de R$ 5 mil a R$ 25 mil. 
O inquérito por crime eleitoral não é o único a que Petecão responde no STF. Ele também é acusado de desvio de verbas parlamentares entre 1996 e 1998, quando era deputado estadual no Acre. 

Na ocasião, o parlamentar, que, nos autos, diz ser inocente, foi denunciado por desvio de recursos da cota de passagens aéreas a que tinha direito.
Ao Correio, o advogado Rocha Senna confirmou que defende o senador no processo por crime eleitoral, mas negou ter prestado consultoria jurídica ao gabinete de Petecão. 

Disse, ainda, que não sabia que havia sido pago com dinheiro da cota do parlamentar. Informado de que foram apresentadas ao Senado notas fiscais do escritório que representa, o advogado pediu um tempo para checar a informação.

Mais tarde, em novo contato telefônico, repetiu a mesma justificativa apresentada pelo gabinete do senador. A assessoria de imprensa do parlamentar informou que o escritório de advocacia forneceu orientação e consultoria em relação à Consulta nº 01/2011, que tinha o senador Petecão como relator. 

Em nota, o gabinete do parlamentar alegou que o assunto que demandou a contratação do advogado dizia respeito a um referendo feito nas eleições de 2010, sobre o fuso horário do Acre. 

Algumas horas após a primeira entrevista, Rocha Senna apresentou versão idêntica. Ele não soube dizer, no entanto, qual foi o advogado que prestou a consultoria. Admitiu que o contratado poderia ter sido ele mesmo. 
Nem o advogado nem o gabinete do senador apresentaram comprovantes de que o serviço foi efetivamente prestado.

Notas fiscais

O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) apresentou 24 notas fiscais emitidas pelo advogado Álvaro Figueiredo Júnior para receber reembolso de R$ 201,2 mil, entre janeiro de 2011 e janeiro de 2013. A assessoria do parlamentar afirmou que o escritório faz consultoria legislativa, análise de proposições e redige projetos de lei para o senador.

Versão diferente da sustentada pelo advogado, que disse defender e representar o senador em processos judiciais. Assegurou que não atua na elaboração de projetos; que, raramente, é consultado em relação à atividades de natureza parlamentar,e que nunca emitiu nota fiscal para o Senado, apenas para Cícero Lucena como pessoa física.

O senador paraense Mário Couto (PSDB) usou a cota parlamentar para pagar R$ 13 mil ao advogado que o defendeu em ação no STF. O repasse foi feito em maio de 2011. O senador justificou que a ação era “estritamente política”. 
“Ele não foi acionado para me defender em alguma ação particular, mas para defender um senador na Justiça”, disse, em nota.

JULIANA COLARES Correio Braziliense

BRASIL REAL ! NO país maravilha da GERENTONA/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA DE COISA NENHUMA E FALSÁRIA QUEBRA 1,99 DO CACHACEIRO PARLAPATÃO : CAOS LOGÍSTICO FAZ BRASIL PERDER R$ 6,6 BI NA SOJA


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Com estradas federais esburacadas, falta de armazéns e burocracia nos portos, o Brasil sofre prejuízo de R$ 6,6 bilhões por ano nas exportações de soja, segundo especialistas.

A infraestrutura precária faz com que 15% do frete da soja sejam gastos com pneus e manutenção, muito acima da média mundial de 3%, informam Henrique Gomes Batista e Danielle Nogueira.

Durante três dias, repórteres do GLOBO percorreram 2.450km, de Mato Grosso a Paranaguá (PR), e constataram o caos logístico.

O mesmo ocorre com a safra de milho, que terá perdas de R$ 1,4 bilhão, totalizando R$ 8 bilhões em prejuízos paira o país péssimas condições Estradas esburacadas, falta de armazéns e burocracia nos portos fazem o Brasil perder R$ 6 bi por ano na exportação de soja Sinop,
Lucas do Rio Verde (MT),
Campo Grande (MS),
Ourinhos (SP),
Paranaguá (PR) e Rio.

O Brasil parece não gostar de exportar soja.
As dificuldades de levar o grão do campo ao porto vão muito além da afamada fila de caminhões nos terminais portuários.

Acidentes e mortes em estradas federais esburacadas, propina, falta de armazéns e burocracia nos portos deixam um prejuízo de R$ 6,6 bilhões por ano ao país, segundo especialistas.

Para mostrar esse caos logístico, O GLOBO fez a principal rota da soja, de Lucas do Rio Verde (MT) a Paranaguá (PR), e inicia hoje a série de reportagens "Celeiro em xeque".

A bordo de um caminhão com 37 toneladas do grão, os obstáculos, até os mais triviais, ganham uma proporção do tamanho da safra recorde de 82 milhões de toneladas, prevista para este ano.

Para levar um dos produtos que mais recursos traz ao país - o complexo da soja briga com o minério de ferro pela liderança nas exportações - um exército de caminhoneiros vive a duras penas, com dificuldades de atender a necessidades básicas, como dormir e tomar banho.

A infraestrutura precária faz com que 15% do frete da soja sejam gastos com pneus e manutenção, muito acima da média mundial de 3%.

No fim das contas, ao vender uma saca de 60 kg de soja, o produtor recebe o equivalente a apenas 35 kg. O resto do dinheiro fica no caminho, pois o Brasil optou pela pior, mais cara e poluente via de transporte para longas distâncias:
as rodovias.

Pelas estradas seguem 82% da safra de soja, percentual muito acima dos EUA, onde os caminhões levam 25% da produção.
 
Carentes de armazéns, os produtores liberam a produção ao mesmo tempo, entupindo as estradas e ficando à mercê das cotações do dia.

Já o milho terá prejuízo estimado em R$ 1,4 bilhão com o caos logístico este ano, totalizando R$ 8 bilhões em perdas quando somado à soja.

abril 20, 2013

Tomates, pepinos e juro

O aumento dos juros é o recurso que sobra quando o govemo se abstém de tratar das coisas fundamentais ou as conduz de forma equivocada

Há uma síndrome que costu­ma acometer as autorida­des brasileiras quando se trata de inflação:
a dificul­dade em perceber que se trata de um esporte coletivo.

A inflação não é fruto de jogadas individuais que encantam ou irritam torcedores e dirigentes, de vilões ou heróis facilmente identificáveis, mas do trabalho de uma equipe muito grande manobrando atabalhoada­mente um transatlântico.

A confusão parece se ampliar em tempos recentes por outra síndro- me, esta de natureza pós-moderna, a do “protagonismo”. Não há dois parágrafos seguidos de qualquer tex­to sobre a diplomacia brasileira sem ao menos uma incidência de “prota­gonismo”.

Assim como o Banco Cen­tral se encantou com “resiliência”, que usava como uma espécie de autoelogio, e agora, desafortunadamente, pare­ce se aplicar muito mais à inflação que ao PIB.

O fato é que “protagonismo”, em opo­sição à delegação e representação, tem sido um dos mantras do novo ativismo social do qual o movimento “Occupy” é um dos maiores exemplos. É a democra­cia direta, a linguagem horizontal, a fala das ruas e das redes sociais.

O ativista é o sujeito da ação emancipatória, a histó­ria resumida à sua própria conduta. È a “performance” que se esgota em si mes­ma, visando a mídia e não a ação legislati­va conseqüente. Essa é inspiração dos nossos diplomatas, o protagonismo do Brasil. Já o do tomate, que já foi capa de revista, pode ser efêmero ou não, depen­dendo do que vier a seguir.

Claro que há um erro basilar nesse raciocínio que associa a inflação às hor­taliças:
sempre vai haver o feijão cario­ca, a batata inglesa e o chuchu crescen­do muito mais que a média dos outros preços, enquanto outras coisas registra­rão variações negativas.

O próprio toma­te esteve a 40 centavos o quilo não faz tanto tempo. Uma vicissitude das médias é a de reunir em torno de si diversas observa­ções formando um gráfico em forma de sino.

A designação técnica para os ex tremos da distribuição de frequência é “cauda”, o que serve também para des­crever a origem dos tomates vendidos no Brasil acima de R$ 12:
eles vêm de Urumqi, na China, a localidade que os­tenta. o recorde de maior distância de qualquer porto marítimo.

É desse lugar que o país dotado de mais área agricul- tável do mundo importa seus tomates. Algo deve estar errado, não?

Mas não vamos nos perder no detalhe pitoresco.

O essencial é que a inflação é um esporte de massa, um processo cole­tivo, que envolve o todo, que em maté­ria econômica, costuma ser amplamen­te maior que as partes. É exatamente nesse sentido que se diz que a inflação é uma doença caracterizada pelo aumen­to generalizado dos preços.

A palavra- chave aqui é justamente o “generaliza­do”, que expressa a natureza social do processo. Os fenômenos sociais, no di­zer, de um dos protagonistas (oops) da sociologia, Emile Durkheim, são exte­riores às consciências individuais e sua natureza tem a ver com o coletivo, cuja identidade é singular e diversa daquela de suas partes componentes.

Essa é a explicação “sociológica” para o fato de a inflação permanecer imune aos truques como o controle de alguns ou mesmo de todos os preços, e tam­bém às manipulações estatísticas: a ten­tativa de encobrir manifestações indivi­duais, ou a evidência amostrai, não in­terfere com o fenômeno social.

As causas da inflação são tão conheci­das que até os apóstolos não aguentam mais repetir. Quem quer ouvir sobre o “rombo”nas contas públicas? Isso sim é um pepino, o principal item da cesta bá­sica de qualquer autoridade, lidar com gastos excessivos.

Faz lembrar uma óti­ma frase de Giro Gomes ao deixar o Mi­nistério da Fazenda:

“Convencer gover­nadores a reduzir despesa é como expli­car o significado do Natal ao peru.” A heterodoxia está prevalecendo, en­tre outras razões, em face do tédio à con­trovérsia, ou ao cansaço em rebater a pseudociência.

A contabilidade criati­va, o voluntarismo e o “corpo a corpo” reconquistaram o protagonismo (não resisto) de outrora, vejam quem são os interlocutores da presidente, os espe­cialistas consultados. Por isso, talvez se diga que estamos revivendo o governo Geisel, inclusive com alguns persona­gens em comum.

Noutra época, as teses ortodoxas so­bre a inflação eram acusadas de “funda- mentalismo”, uma designação pejorati­va para o truísmo segundo a qual as febres derivam das infecções. A ideia pode parecer óbvia, e é, mas alguém precisa dizê-lo à presidente.

Pergunte- se ao nosso campeão Bernardinho so­bre a receita para o sucesso em espor­tes coletivos:
domínio dos fundamen­tos (sic), perícia técnica e trabalho de equipe 
(grifos meus).

Era com ele que a presidente deveria estar con­versando, em vez de flertar com a medicina alternativa e com a expe­riência pregressa em lidar com horta­liças indisciplinadas.

É preciso esclarecer, todavia, que o aumento nos juros não é o exercício do “fundamentalismo”. A política monetária é uma espécie de antitér- mico, e não funciona como antibióti­co.

É o recurso que sobra quando o governo se abstém de tratar das coi­sas fundamentais ou as conduz de forma equivocada, como tem feito com a nossa política fiscal. A ideia que o problema do crescimento se resolve assinando cheques, ou peda­ços de papel pintado, é tão tosca co­mo dizer que o problema social é um problema de polícia.

Diante desse quadro, entretanto, não há alternativa:

o Banco Central assumirá o ônus de reduzir a febre causada pela gastança e atrairá para si a zanga do “setor produtivo”, quan­do os verdadeiros culpados estão bem escondidos no emaranhado opa­co em que se tornaram as nossas con­tas públicas.

O Estado de S. Paulo 

PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA(DELES) . GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA QUEBRA 1,99 : antecipa Primavera 2013 e gasta 208 mil reais com flores

A Presidência da República adiantou a primavera e garantiu que a estação das flores perpetue para o ano inteiro. A Pasta firmou na última semana um contrato de fornecimento de flores nobres, tropicais e de campo com a empresa Cadmo Costa Oliveira. 
Do total de R$ 208 mil previstos no contrato, já foram empenhados R$ 206 mil para a compra de diversos tipos de flores, inclusive de coroas fúnebres.

As aquisições florais serão utilizadas, segundo assessoria da Presidência em datas natalícias, falecimentos de autoridades, arranjos para eventos com a presença da Presidenta da República, de Ministros de Estado e de autoridades estrangeiras, na decoração do Gabinete Pessoal, da Residência Oficial e dos Gabinetes Regionais da Presidência da República.

Mais da metade da verba será empregada na compra de flores ornamentais. Segundo a nota de empenho, bromélias, antúrios, crisântemos, azaleias, orquídeas com floração nova e botões abrindo e plantadas de forma artística compõem os pedidos da Pasta. 
As plantas devem estar em caxepôs (vasos com rodinhas) de vidro, cerâmica, em alguns casos, chinesas, vime ou madeira. 
As plantas podem ter ainda acabamentos artísticos.

Serão 992 plantas ornamentais, ao custo de R$ 105,5 mil. 
O ornamento mais barato, que consiste em crisântemos e azaléias, sairá por R$ 55. Já a orquídea do tipo Denfales, com cascas de madeira e musgo para acabamento custará R$ 122.

Outros 25% do valor total empenhado será utilizado para a compra de arranjos florais. Serão 1.850 arranjos, ao custo de 58,4 mil. 
O mais simples, composto por folhagens, asparagus, dracena eucalipto e outras folhas sairá por R$ 6,00. 
Por outro lado, o arranjo mais sofisticado será adquirido por R$ 250 cada. 
Esse é do tipo jardineira com caimento e contêm flores nobres de primeira qualidade como rosas, 
copos de leite, 
lírios, 
orquídeas e tulipas.

A terceira maior compra, segundo a nota de empenho, foi de 80 coroas fúnebres grandes, que custarão R$ 42 mil. 
O valor de cada coroa varia entre R$ 500 e R$ 550. 
As coroas são feitas de flores de primeira qualidade e medem 200 cm de altura por 150 cm de largura. 
Cada uma deverá ter, no mínimo, 200 flores.

A compra dos arranjos florais ocorreu por pregão eletrônico e cada item do edital foi “oferecido” separadamente para as empresas participantes. A instituição vencedora de todos os itens do leilão às avessas, isto é, porque ganha a entidade que oferecer o menor valor do que as outras, foi a Cadmo Costa Oliveira. 
 A mesma entidade venceu licitações semelhantes em 2011 e 2012. 
Em 2011, a Cadmo embolsou R$ 38,4 mil e em 2012, R$ 89,8 mil.

Segundo a assessoria da Pasta, a razão principal no aumento dos valores destinado à compra de flores diz respeito a mudanças no quantitativo de itens contratados. Tendo percebido aumento da necessidade ou da demanda de alguns itens em 2012, foi requerida a contratação de quantidade superior de alguns tipos de arranjos.

A Presidência afirmou ainda que, por se tratar de contrato para fornecimento de itens sob demanda, o gestor estima quantidades e variedades de itens conforme a experiência de anos anteriores, buscando evitar o esgotamento de itens contratados no período contratado, bem como a necessidade de realizar novo processo licitatório naquele período.

Confira aqui a nota de empenho

EM REPÚBLICA COM P artido T orpe... TEM, TRAMBIQUE/TRAPAÇA/TRAMÓIA : Em alerta, Planalto trabalha para abafar criação de CPI da Petrobras

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Nos últimos dias, o Palácio do Planalto ficou em alerta com as notícias de que cresce a adesão de deputados da base aliada para a criação da CPI da Petrobras. Só da bancada do PMDB já são cerca de 40 assinaturas no requerimento. 

A articulação política do governo teme ficar refém da base, caso essa CPI seja instalada. 

A preocupação no governo é com o potencial da CPI de fragilizar a maior estatal do país, que nos últimos anos perdeu de forma significativa valor de mercado.

A ordem no núcleo palaciano é de agir para retirar as assinaturas do requerimento. A proposta de criação da CPI foi feita por deputados do PMDB, PP e PR, inclusive pelo deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), que no ano passado abriu mão da candidatura à prefeitura de Belo Horizonte para apoiar o PT. 

Na recente reforma ministerial, Quintão foi preterido pelo Planalto para ocupar o Ministério da Agricultura.

Gerson Camarotti é comentarista político da Globo News e repórter especial de política do Jornal das Dez. 

REAÇONARIA : Depoimento de um idiota


Nossa história começa com a família do idiota.

Neto por parte de mãe de um casal que pertenceu ao Partido Comunista ainda na ilegalidade, o nosso herói cresce em um ambiente onde quanto mais à esquerda, melhor.

Seu pai não era muito chegado a discussões políticas, o que não o impediu de ser preso pela ditadura, passar a noite na cadeia, ser interrogado e depois solto sem que nada acontecesse.

Foi suficiente, no entanto, para que tanto pai quanto filho odiassem os militares. Uma das frases que o idiota, ainda na adolescência,
ouve de seu pai e que ajuda a formar sua convicção política foi :
“Toda propriedade é um roubo.”
Original, não?

Em 1989, o idiota, então com 14 aninhos, assiste a discursos do candidato operário à presidência. Não há como negar que o cidadão era carismático. O idiota é então convencido de que aquele é o caminho.

Sem nada questionar, pega sua bandeira com a estrela vermelha, coloca em sua bicicleta e sai pelas ruas de Brasília em campanha, “sem medo de ser feliz, quero ver chegar!”

Grande derrota, primeira decepção política de nosso herói.
Mas ele iria se vingar!

Em 1992, secundarista, cabeludo, alienado e com 17 anos, nosso herói faz história. Junto com outros imbecis de mesmo QI, o idiota se veste de preto e vai pedir o impeachment do candidato vencedor nas eleições.
Motivo?

Parece que tinha um esquema de corrupção, um irmão enciumado dedurou tudo, um motorista (ah sim, pobre é sempre bonzinho!) confirmou, tinha um carro velho no negócio, uma capa da Veja com umas cascatas, e portanto tudo fazia sentido.

O que ele estava fazendo estava certo?
Não importa!
Ele desafiou muita gente poderosa?
Não importa!
Ele teve direito de defesa?
Não importa!
A turma que o condenou é essa mesma que hoje rouba vinte vezes mais? Não importa!

O que importa mesmo é que somos nós contra eles,
e nós temos que dar o troco.
Camisa preta,
Esplanada,
impeachment, vitória!
Pela moralidade!

O idiota fica um pouquinho confuso quando o partido que apoiou o impeachment se recusa a participar do governo que surge, isolando a única com coragem de fazê-lo, Luiza Erundina.
Eles não queriam isso?
O idiota não entende….

De qualquer forma, o governo formado consegue, em dois anos, acabar com a inflação. O ministro da fazenda é eleito e reeleito em primeiro turno, contra o candidato do idiota. 
Parece que ele está fazendo um bom trabalho, nada demais, mas está funcionando.
“Não importa!”
- grita mais uma vez nosso herói –
“Ele comprou votos para a reeleição, tem corrupção no governo dele, precisamos de ética na política!”

Na eleição de 2002, o idiota começa a perceber que não fará muita diferença um ou outro, pois seu candidato praticamente assumiu que iria continuar tudo como antes. “Pelo menos eles são do bem, são legais, vão cuidar do social ”- pensa o idiota.

Nosso herói, agora com 27 anos, formado e com mestrado em engenharia, não se permite mais ilusões.
É isso mesmo, nada vai mudar muito, é essa porcaria e pronto.

Mas eis que nosso herói consegue uma bolsa de estudos de doutorado nos EUA (sim, ele era idiota político, mas sabia brincar com os números). Chegando nos EUA, o idiota começa a perceber que existem pessoas lá que tem a coragem de se dizer de direita!
“Que afronta!

Todos sabemos do que a direita é capaz!
Como esses americanos são imbecis,” pensa o idiota.
“Primeiro o Bush rouba uma eleição e depois eles reelegem o cara mesmo assim! Um bando de retardados, espertos somos nós que elegemos o Lula.”
 
O idiota começa então a tentar entender isso.
Na biblioteca existem livros de direita e de esquerda.
Ele lê ambas as correntes políticas.

O jornal apresenta colunas dos partidários de ambas as visões políticas. Primeiramente, o idiota fica decepcionado com seus heróis.

Não é que eles estão errados, é só que eles não sabem argumentar, pois se eles são de esquerda só podem estar certos.
Mas aí vem o grande baque…..

Não são apenas eles que estão errados.
O idiota, que se achava o cara mais esperto do mundo, inteligente, articulado, politizado, preocupado com os problemas, esteve todo esse tempo do lado errado.
 
Que vergonha!
“Como pude ser tão estúpido?”- pensa nosso herói.
Os sinais estavam por toda parte, ele que não quis ver.
 
Como encarar agora todos aqueles que acusava de direitistas, achando que isso era um debate? Começa pedindo desculpas a alguns, ficando calado, procurando mais informações.

Mas ainda faltava o grande embate:
sua família.

Se dizer de direita numa família de comunistas é um pouco pior do que assumir que é gay numa família de machistas.
A saída do armário não foi fácil, mas sua família acabou entendendo.
“Ele está maluco”, “Foi doutrinado”, “Isso passa”, etc.
 
Alguns tentaram salvar nosso herói desse caminho:
“Calma, meu filho, isso é apenas uma fase.
Eu acho isso muito elitista, você deveria pensar no povo.
E a miséria do país, quem que vai lutar para resolvê-la se não a esquerda?”

Aos poucos, foram cedendo, conformados com a presença daquele maluco, como um tio doido que só precisamos encontrar de vez em quando.

Mas a vergonha de ter sido idiota por tanto tempo ainda incomodava, especialmente quando encontrava amigos que tinham tido paciência com ele na sua época de imbecilidade, paciência essa nem sempre retribuída pelo nosso herói.

Mas sua vida fica mais leve quando lê o livro “O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano,” recomendado por um desses amigos.

Na melhor parte do livro, os autores colocam eles mesmos como idiotas, com citações da sua época de juventude e imbecilidade. Nem Mario Vargas Llosa, que escreve o prefácio e é pai de um dos autores, escapa.
Sua idiotice também está registrada.

Concluem então:
O problema não é ter sido idiota e sim continuar sendo.
O nosso querido idiota fica mais tranquilo.
Agora só falta explicar pros outros idiotas…..
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Apresentação