"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 30, 2012

E no brasil maravilha da carinhosa(MENTE) : Brasil ainda tem 1 milhão sem escola

São apenas cinco letras, mas rabiscá-las é um tremendo desafio. Com um caderno sobre as pernas, Mário, de 11 anos, quase desenha seu nome, a única palavra que sabe escrever, manuseando o lápis sem intimidade. O nome é fictício, a história, real.

A deslumbrante paisagem que se vê da casa do menino, que só entrou para a escola há cerca de um mês, revela um problema que ainda persiste mesmo nos estados mais ricos. O franzino Mário vive seu drama particular no Morro do Vidigal, em São Conrado, debruçado sobre os bairros de maior renda do Rio.

Os números do Censo do IBGE mostram que, apesar de o problema ser mais grave nas regiões Norte e Nordeste, nenhum estado conseguiu até hoje incluir todas as crianças de 6 a 14 anos na escola. Esta população de não estudantes representa 3% do total da faixa etária.

Pode parecer um percentual pequeno, mas é grave quando se considera que é quase um milhão de crianças que ainda não têm garantido um de seus direitos mais básicos, previsto pela Constituição de 1988:
estudar.

Se a esse grupo forem incorporados as crianças de 4 e 5 anos e os jovens de 15 a 17 (que passam a fazer parte da faixa etária de escolaridade obrigatória a partir de 2016), o número aumenta para 3,8 milhões, ou 8% do total.

Tabulações feitas pelo GLOBO nos microdados do Censo mostram que o problema é maior entre os mais pobres e crianças com algum tipo de deficiência. Os números também revelam que a maioria (62%) das crianças que não estudam dos 6 aos 14 chegou um dia a frequentar a escola, mas abandonou os estudos.

O problema é ainda mais grave se consideradas as faixas etárias de 4 e 5 anos e de 15 a 17, que desde 2009 passaram a ser também obrigatórias, mas com prazo para adequação dos sistemas até 2016.

As razões mais citadas por especialistas para isso são falta de interesse, repetência, gravidez precoce e necessidade de trabalhar.

Mas há situações difíceis de entender. Como a de Mário (nome fictício). No Morro do Vidigal, há uma creche municipal e uma escola, a poucos metros da casa dele. Tímido, ele é um menino saudável, apto a aprender e que não esconde de ninguém que queria muito, muito estudar.

- Agora eu estou feliz - sorri e mais não diz o menino, que não conhece sequer o "i", uma das vogais de seu nome (o verdadeiro também tem a letra). Ele revela apenas o que pretende fazer com os conhecimentos que começa a adquirir com seu primeiro professor. - Quero ler jornal e gibi.

Ex-representante da Unesco no Brasil e doutor em Educação pela Universidade de Stanford, o assessor internacional para a área de educação, Jorge Werthein, diz que o primeiro passo, nada fácil, é identificar essas crianças e adolescentes.

- O Brasil é um país de contrastes. Há estados importantes com uma grande periferia urbana e muitas desigualdades econômicas. Há estados com uma área rural significativa que sofrem com a falta de escolas. Num país continental, é uma tarefa árdua chegar a essas crianças e adolescentes por estado, por capital, por região metropolitana. Mas é preciso achá-los e depois convencê-los a ingressar ou a voltar para a escola - diz.

- Depois, nós temos que repensar a escola para que ela seja um espaço não apenas prazeroso, mas em que os alunos sintam que estão aprendendo. Uma escola ruim em qualquer lugar do mundo expulsa os alunos, com repetências e abandono. Deixa para eles a mensagem de que não são capazes, o que marca de forma brutal meninos e meninas - completa Werthein.

- Houve uma evolução inegável nos últimos dez anos. Mas ainda há muita criança fora da escola, situação agravada pelas desigualdades. Entre 4 e 5 anos, há 83% estudando no Sudeste, o que ainda é ruim, mas pior é haver só 69% dentro de sala de aula no Norte - afirma Andrea Bergamaschi, do movimento Todos pela Educação.

- Para reverter este quadro, precisamos de políticas públicas cirúrgicas, específicas para cada situação.

Carla Rocha/Antônio Gois
O Globo

OS ONZE "PILOTOS" DO SUPREMO ! HORA DA VERDADE? OU O "ONZE DE SETEMBRO" DO NOSSO SUPREMO...

Já valeu!

No país da jabuticaba e do jeitinho, do esperto que leva vantagem em tudo e da impunidade que beneficia os mais influentes e endinheirados, dá gosto ver 38 notáveis do governo passado enfrentando anos de incerteza quanto ao seu futuro próximo.

Na condição de réus são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Acabarão condenados?

Convenhamos: foram condenados, embora possam ser absolvidos pela Justiça.

Lembra-se de Fernando Collor?

Acusado de corrupção, renunciou ao cargo de presidente para escapar do impeachment no Senado. Ignorou-se sua carta-renúncia. Decisão política, meus caros!

O mandato de Collor foi cassado por larga margem de votos. Mais tarde, o Supremo Tribunal Federal (STF) o absolveu por falta de provas de que prevaricou.

Mudou a situação de Collor? Ele passou a ser apontado como uma triste inocente vítima de escandalosa injustiça?

Collor pode se reeleger senador em seu Estado quantas vezes queira ou quantas os alagoanos desejem. E ser tratado pelos poderes da República com as mesuras reservadas a todo ex-presidente.

Pouco importa. Daí não passará.

Está escrito com tinta irremovível na memória coletiva que ele deixou roubar antes e durante o seu governo. E que desfrutou do roubo. Isso é suficiente para impedi-lo de sonhar com a recuperação da sua imagem.

Mesura nada tem a ver com respeito. Tem a ver com protocolo. Collor é um morto-vivo, um fantasma que vaga pelos corredores do Senado.

As prerrogativas dele são iguais às dos seus colegas. Nem por isso Collor é igual a eles. Faz parte de um passado que desejamos envergonhadamente esquecer.

O "caçador de marajás" foi uma fraude. Hipnotizou a maioria dos brasileiros ansiosos por mudanças. Os candidatos da mudança foram para o segundo turno. Collor derrotou Lula.

Por que Lula, que considerou "prática inaceitável" o suborno de parlamentares, confessou sentir-se traído por antigos companheiros e foi à televisão pedir desculpas?; por que ele, agora, se refere ao "mensalão" como uma farsa montada com o único propósito de derrubá-lo?
O que o fez mudar de lado?
Não vale responder que Lula é uma "metamorfose ambulante". E que se reconhece como tal.

A verdade - ou algo parecido: o julgamento dos mensaleiros é também o julgamento de Lula e do PT. Lula quer ser lembrado como o "pai dos pobres". Não como o chefe dos mensaleiros. Nem dos aloprados. Nem...

O julgamento marcado para começar nesta quinta-feira não revelará o PT que temos por que esse já sabemos qual é.

Revelará o STF que temos.
Um STF capaz de ignorar o clamor popular pela condenação dos acusados - e assim afirmar sua independência. Ou um STF capaz de ouvir o clamor - e assim dar o basta mais forte à impunidade.


Da redemocratização do país para cá, dois dos três poderes da República se viram expostos a sucessivas avaliações da sociedade – o Executivo e o Legislativo. Esse último foi reprovado todas as vezes.

Chegou a hora do Judiciário, o poder mais refratário a qualquer tipo de exame. O mais fechado. O mais autocrático.

Oremos por ele!

Hora da verdade/Transcrito/Original de :
Ricardo Noblat

brasilva E O "JOGO DA CORPORAÇÃO" DA ERA CACHAÇA NA REPÚBLICA DE TORPES


Texto guardado em sigilo há mais de seis anos revela alterações no relatório final da CPI dos Correios, que investigou o mensalão, para omitir menções ao filho mais velho do ex-presidente Lula.

O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi redigido pela equipe do deputado ACM Neto (DEM-BA), sub-relator da CPI dos Correios para o tema fundos de pensão.

ACM Neto confirmou à Folha que se trata do texto original. Do texto enviado ao relator Osmar Serraglio (PMDB-PR), foram suprimidas menções a Fábio Luís, o Lulinha, e ao fato de a empresa investigada Gamecorp pertencer a ele. Serraglio tinha poderes para alterar o texto do sub-relator.

Chama atenção que só tenham sido suprimidos trechos que citavam Lulinha ou eram críticos a ele e a Lula.

Fábio Luís foi investigado porque a Telemar (atual Oi) investiu R$ 5 milhões na Gamecorp em 2005, um ano após ter sido criada por Lulinha, com capital de R$ 10 mil. Dois fundos de pensão investigados pela CPI tinham participação na Telemar, que recebera aporte do BNDES.

Foram suprimidos trechos como “por envolver, naturalmente, como beneficiário, o filho do presidente da República”. Ficou de fora um parágrafo inteiro que criticava o Ministério da Fazenda e juntas comerciais de diversos Estados que não responderam aos pedidos da CPI por informações sobre a Gamecorp.

A Fazenda, segundo o texto de ACM Neto, respondeu que repassar essas informações “poria em risco os interesses legítimos da empresa”.


O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse à Folha que conversou com Lula diversas vezes e que houve pressão “de todos os lados”, mas silenciou sobre a origem da ordem para retirar o nome de Lulinha. Serraglio confirma as pressões do Planalto. “Essas informações chegavam para gente, ‘ou vocês retiram ou nós vamos criar dificuldades para aprovar’”, disse.

“Tinham pessoas mais próximas [do Planalto] que acompanhavam, o Carlos Abicalil (PT-MT), o Jorge Bittar (PT-RJ), era a tropa da frente.”

Para Delcídio e Serraglio, se o nome de Lulinha tivesse sido mantido, o relatório não teria sido aprovado. Mencionar Lulinha seria o mesmo que citar o presidente. A CPI não quebrou o sigilo da Gamecorp.

Andreza Matais e Rubens Valente/Folha

julho 28, 2012

MP suspeita que Andressa seja laranja de Carlinhos Cachoeira. Ela negociou fazenda de R$ 20 milhões no interior de Goiás

Andressa Mendonça, a loira que provocou alvoroço na CPI do Cachoeira, pode ser mais do que uma simples namorada do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Na última quarta-feira, o Ministério Público Federal pediu à Polícia Federal que abra inquérito para apurar o suposto uso de Andressa como laranja de Cachoeira.


Documentos apreendidos na Operação Monte Carlo indicam que Cachoeira negociou a compra de uma fazenda de R$ 20 milhões entre Luziânia e Santa Maria, a cem quilômetros de Brasília, e passou para o nome da namorada.

Diálogos interceptados na operação mostram que Cachoeira planejava fracionar e revender pequenos lotes da propriedade. A venda de todos os lotes, perto de Luziânia, poderia render R$ 58 milhões ao bicheiro.

Ou seja, o negócio renderia lucro de quase R$ 40 milhões.


Um dos documentos obtidos pela polícia indica que Cachoeira ofereceu como entrada três carros Mitsubishi, e o restante seria parcelado até a legalização da fazenda. A terra está sendo pleiteada pelos supostos proprietários por usucapião.

Tal aquisição já foi objeto de relatório específico o qual demonstrou que no caso da compra da fazenda Santa Maria integrantes da ORGCRIM (organização criminosa) confiaram que o investimento de milhões de reais seria viabilizado mesmo com dificuldades, que seriam barreira para qualquer investidor sem ramificações ou influência no setor público uma vez que a fazenda Santa Maria encontra-se sub-judice, informa relatório da Polícia Federal obtido pelo GLOBO.

O processo para a legalização da fazenda tramita na Justiça, em Brasília.

A polícia começou a desconfiar do uso de Andressa como laranja da organização de Cachoeira depois de apreender, no computador de Gleyb Ferreira, a cópia de um contrato particular de compra e venda com recibo de sinal em nome da namorada do bicheiro.

Pelo documento, a fazenda seria comprada de Dinah Cardoso Mendes e Norgente Pereira Mendes e repassada para a namorada de Cachoeira. Como sinal, foram oferecidos três veículos automáticos da Mitsubishi.

O restante seria dividido em parcelas de R$ 65 mil por mês a partir de março deste ano até a legalização da terra, com o julgamento final da ação de usucapião. O negócio era de alto risco. Afinal, não seria possível antecipar o resultado de uma decisão judicial. Mas, ainda assim, a organização de Cachoeira apostou alto no negócio.

Em 2 de fevereiro, 26 dias antes de ser preso, Cachoeira tratou da compra da fazenda com Andressa. O diálogo foi gravado na Operação Monte Carlo.


Cachoeira orientou conversa com contador

Depois de um rápido cumprimento, Cachoeira orienta a namorada a passar alguns dados pessoais para Geovani Pereira da Silva, contador da organização.

Pega a empresa sua, passa pro Geovani o nome, CPF, tudo, pra escriturar 25% de uma área que nós compramos aqui, e põe ela no ramo imobiliário, tá! Loteamento, essas coisas, ok? orienta o contraventor.

Ok! Então tem que sentar com o meu contador, né? Mas eu já vou passar os dados, pra ele agora, pedir pra minha secretária passar obedece Andressa.

Tá bom, faz isso agora que passa a escritura aqui, tchau! encerra Cachoeira.

Num outro diálogo, também interceptado na Monte Carlo, Cachoeira acerta com Gleyb o fracionamento da propriedade em 570 lotes. A venda dos lotes, numa área em que a urbanização avança celeremente, renderia R$ 58 milhões, pelos cálculos da organização.

Procurada pelo GLOBO, Andressa se defendeu com o argumento de que o contrato de compra e venda, com data de 30 de janeiro deste ano, não está assinado.

Este contrato está assinado? Não está. Não existe imóvel nenhum. Não tem nada no meu nome. Eu bem que gostaria de ter uma fazenda para lazer com meus filhos no fim de semana, mas não tenho. Provavelmente era uma vontade do Carlos disse.

Andressa também negou que tivesse conversado com Cachoeira sobre a compra da fazenda. Depois, confrontada com os diálogos interceptados na Monte Carlo, mudou a versão.

Ele (Cachoeira) foi grampeado durante dois anos. Não meu lembro (de falar sobre a fazenda). Conversava com o Carlos todos os dias afirmou.


O Globo

SEM "MARQUETINGUE ! A CIGARRA EUFÓRICA PODE ESTAR ENTRANDO NA FASE DA RESSACA :Crescem, e preocupam, os sinais negativos na economia brasileira

Ao contrário do que se viu quando a turbulência financeira assombrou o mundo há três anos, o Brasil não vive mais uma onda forte de crescimento.

O consumo travado por causa do endividamento das famílias já não consegue dar fôlego para a economia. A indústria, por sua vez, ainda se ressente da fraca demanda e da falta de competitividade.

Ainda assim, o país ainda mantem um mercado de trabalho com desemprego baixo e redução da informalidade. O que, contudo, não é forte o suficiente para criar condições para a recuperação da atividade, que vem sendo adiada a cada trimestre que passa.

De todo modo, apesar de números pessimistas, o país deve encerrar 2012 com crescimento baixo.


Há razões para que analistas comecem deteriorar as expectativas. Setores alvos de benefícios do governo como o automotivo começam a demitir. As previsões para a indústria entraram no campo negativo e uma retração de 0,04% é esperada para este ano.

O setor industrial fala em semestre perdido, por causa da queda de produção e emprego, baixa utilização dos pátios das fábricas e aumento de estoques.


Já o comércio teve a primeira queda das vendas desde 2009, de 0,8%, em maio. A confiança da indústria voltou para patamares da crise há três anos.

A arrecadação de impostos caiu 6,5% pela primeira vez no ano, porque as empresas lucram menos. E também remeteram 47% menos lucros e dividendos para o exterior no primeiro semestre. Mesmo com o dólar alto como queria a indústria nacional houve uma retração das exportações de 45% nos seis primeiros meses do ano.

A criação de empregos com carteira caiu quase 33% nesse período.
A Previdência Social fechou junho com déficit de R$ 2,7 bilhões:
38% maior que em igual período de 2011.
Menos dinheiro entra no país:

o fluxo cambial foi negativo em US$ 1,9 bilhão em julho, por causa do desempenho negativo de exportações e das saídas de investidores.


Grandes bancos como Santander, Itaú e Bradesco perdem lucratividade e culpam o alto índice de inadimplência que começa a recuar, mas está ainda em nível recorde.

Bradesco prevê queda de 1,5% na indústria

Para o professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzo, um dos principais interlocutores do Palácio do Planalto no campo econômico, as famílias estão no maior nível de endividamento, de 43,3%, e no fim de um ciclo de consumo de bens duráveis.

As limitações são maiores, o nível de renda é menor disse Belluzzo. Não sou eu, mas a torcida do Flamengo, gregos e troianos acham que o governo tem de ir pelo caminho do investimento em infraestrutura para sair dessa crise.

Segundo José Márcio Camargo, da consultoria Opus, o sinal de fraqueza é o da indústria que não tem força para reagir nem aos menores juros da história. Hoje, a Selic é de 8% ao ano.

Ele argumentou que, além de não gerar empregos, os salários no setor subiram 10% no último ano. Isso comprimiu a competitividade da indústria já achatada pelo período de câmbio desfavorável e perda de espaço para importados:

Ficou ainda mais caro produzir no Brasil, mas ao mesmo tempo continua a circular dinheiro, a renda ainda está alta e isso faz com que o crescimento dependa do comércio e dos serviços daqui para frente.

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, espera uma queda de 1,5% para a indústria neste ano e não vê uma retomada muito forte no ano que vem, porque há uma sobreoferta de produtos no mundo devido à crise.

Segundo ele, para o PIB brasileiro
crescer 4%, uma produção industrial avançando 1,5% já seria suficiente em 2013.


O Globo

julho 27, 2012

E NA REPÚBLICA TORPE DO ENGANA CRÉDULOS : A criativa contabilidade do PAC

O governo federal divulgou ontem mais um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De tão maquiados, os números agora já nem atraem mais tanta atenção da imprensa; com raras exceções, os jornais dedicam espaços exíguos à contabilidade oficial.

Também pudera:
criatividade tem limite.


Só com muito reforço nas colunas de ativos e passivos, a contabilidade do programa para de pé. Mais uma vez, o que segurou o desempenho do programa foram empréstimos e desembolsos do Minha Casa, Minha Vida.

O Ministério do Planejamento diz que a segunda etapa do PAC, lançada há um ano e meio, concluiu R$ 211 bilhões em obras, das quais R$ 129,3 bilhões (ou 61%) referem-se a incentivos habitacionais.


Mas como computar como investimento em infraestrutura, ou seja, pedra, tijolo, areia e concreto, o que, na maioria dos casos, é apenas assinatura em papel? Sim, porque o valor do Minha Casa, Minha Vida incluído nos balanços do PAC representa meramente financiamento concedido a mutuários.

É como se um empréstimo tomado nas Casas Bahia para comprar um fogão fosse contabilizado como aplicação na melhoria da infraestrutura do país...


Ainda assim, os financiamentos habitacionais caíram no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2011:
passaram de R$ 35 bilhões para R$ 33,5 bilhões, com queda de 4,3%, segundo a

Folha de S.Paulo.


Também diminuíram as obras de infraestrutura bancadas com recursos do Tesouro Nacional: 7,8%, de R$ 9 bilhões para R$ 8,3 bilhões no semestre.


O que nem o mais carregado pó-de-arroz oficial consegue disfarçar é que o ritmo dos empreendimentos de transportes, essenciais para que o país deslanche, continua deixando muito a desejar. Em média, estes investimentos apresentam queda em torno de 40% na comparação com o mesmo semestre do ano passado.

Um dos casos mais gritantes é o da ferrovia Transnordestina. O Valor Econômico mostra hoje que a obra simplesmente travou no semiárido nordestino. O número de trabalhadores no canteiro caiu a praticamente um terço; o ritmo de colocação de dormentes é de um quilômetro por dia, ante capacidade para 2,5 km diários; e um trecho de 600 km entre Salgueiro (PE) e Pecém (CE) está parado.

Pior que isso, outros dois trechos, já na chegada ao litoral, não foram sequer iniciados. "Sem uma ligação portuária, o trecho atual, do ponto de vista econômico, liga nada a coisa nenhuma", sentencia o jornal. No entanto, na contabilidade do PAC a Transnordestina - que deveria estar pronta em 2010, mas só sairá no próximo governo - caminha em compasso "adequado".

A ferrovia não é a única com cronograma atrasadíssimo. A Norte-Sul, a extensão da Ferronorte e a duplicação da BR-101 também já deveriam estar prontinhas, mas só serão concluídas entre fins deste ano e dezembro de 2014. Na criativa contabilidade do PAC, todas estão, porém, em ritmo normalíssimo. Assim fica fácil...

Seria ótimo se as estimativas oficiais correspondessem à realidade. Mas o que os números do balanço do PAC tentam mostrar os olhos dos cidadãos não vêem no dia a dia.

Onde estão as ações de melhoria da mobilidade urbana, de modernização dos terminais portuários, as ampliações de aeroportos, as expansões de metrôs? No máximo, o que se avista são placas de publicidade em locais onde deveria haver obras.


Tão importante quanto eficiência e agilidade na execução de investimentos estruturais que gerem benefícios diretos e conforto à vida dos brasileiros é a transparência no trato da coisa pública. Ao apelar para malabarismos em suas prestações de contas do PAC, o governo Dilma Rousseff ludibria a sociedade.

Mais desejável seria entregar o que a vultosa propaganda oficial promete; até agora, os gastos publicitários são os únicos realmente bem executados pela gestão petista.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
A criativa contabilidade do PAC

"uma boa notícia ou uma situação de crise moral na vida pública" ?

O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro não aprovou as contas de 499 cidadãos que ocuparam cargos públicos em seus municípios - quase todos ex-prefeitos e ex-presidentes de Câmaras de Vereadores - no estado.

E o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Luiz Zveiter, anunciou o óbvio:
nenhum deles poderá ser candidato nas eleições de outubro. Todos estarão inelegíveis por oito anos.

A existência desse prazo é curiosa:
parece indicar a confiança de que, nos oito anos, políticos desonestos ou incompetentes em alto grau aprenderão a governar ou abandonarão o feio costume de meter a mão nas verbas públicas.

Com uma pitada de cinismo, é bom não esquecer que a inelegibilidade sempre castiga - mas raramente conserta.

Nas eleições deste ano, 21 mil cidadãos do Estado do Rio são candidatos a mandatos diversos. Esse número sugere uma de duas conclusões:
ou existe por aqui extraordinário índice de devoção aos interesses da coletividade, ou os cargos a serem preenchidos pelo voto popular são, por assim dizer, apetitosos.

O eleitor saberá qual das duas explicações é verdadeira.

No caso da primeira, estamos todos de parabéns; na outra hipótese restará aos cidadãos a possibilidade - melhor dizendo, o dever - de tomar nota dos nomes daqueles que se dedicam a usar o poder em benefício próprio.
É certo que existem políticos dos dois tipos. Aqui, como em qualquer outro país.

É difícil saber se os 499 que caíram na malha fina do Tribunal de Contas representam uma boa notícia ou uma situação de crise moral na vida pública:
falta-nos a comparação com anos anteriores.

Não parece improvável que a resposta correta às nossas preocupações seja a de que tudo continua com sempre foi:
nem aumento de safadeza, nem o resultado animador de uma operação de enérgica limpeza nos quadros partidários.

Afinal, a turma parece ser a de sempre, numa mistura de cidadãos honestos e dedicados ao bem comum com aqueles que enxergam na carreira pública aquilo que uma gíria antiga batizou de "boca rica". Durante a campanha eleitoral, é difícil saber. Depois da posse dos eleitos, logo se saberá.

O número dos castigados pelo Tribunal de Contas não é animador. Como também não é excesso de pessimismo imaginarmos que os oito anos de inelegibilidade transformarão em varões de Plutarco, como se dizia antigamente, os 499 agora - mas não submetidos a qualquer pena de cadeia ou multa, o que não deixa de ser curioso.

Afinal de contas, ser apanhado numa malha fina deveria ser apenas a prova de mau comportamento, primeiro passo no caminho para uma punição exemplar.

Luiz Garcia O Globo

E NO THE ECONOMIST... Julgar mensalão é avanço contra impunidade

Historicamente, uma reputação desonesta não impede políticos de terem uma longa carreira (no Brasil).

Assim começa o artigo A corrupção no Brasil publicado nesta semana na revista inglesa
THE ECONOMIST que dedicou uma análise sutil da impunidade no Brasil às luzes do maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal (STF):
o mensalão.


O periódico afirma que o processo no Supremo é um sinal de avanço das instituições brasileiras na luta contra sua cultura de impunidade dos poderosos, cuja punição ainda que improvável, não é mais impensável e só de o caso ter chegado ao tribunal já é um progresso. O STF começará a julgar o processo na próxima quinta-feira, dia 2 de agosto.

A revistas cita casos famosos de políticos que foram acusados de corrupção e, alguns, até julgados como o do ex-presidente Fernando Collor de Mello cassado em 1992 e hoje senador pelo estado de Alagoas e do ex-prefeito e ex-governador do São Paulo, Paulo Maluf, que está na lista de procurados da Interpol, para lembrar que a impunidade sempre esteve atrelada ao dia a dia da política brasileira.

Sobre a família do ex-presidente relembra o caso do pai de Collor, Arnon de Mello, autor do disparo que matou um colega de Senado em 1963 e nunca foi julgado.

A publicação destaca avanços recentes no combate à corrupção e menciona ainda a necessidade de uma reforma no sistema político e judiciário para que o Brasil possa lidar com a questão da impunidade em um futuro próximo.

Segundo a Economist, a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação proporciona uma maior transparência sobre os gastos públicos e está dificultando o roubo de recursos do tesouro. Além disso, a ação mais contundente das agências reguladoras tem dificultado o desvio de verbas em projetos superdimensionados.

A análise cita de forma indireta as constantes recomendações do TCU sobre os sobrepreços na construção dos estádios para a Copa de 2014.

Processo não deve atingir Dilma, diz revista

Na avaliação da revista, a presidente Dilma Rousseff teve o risco de ser atingida pela repercussão negativa do processo reduzido quando demitiu ministros suspeitos de corrupção no ano passado.

Sobre o caso, o artigo mostra que o julgamento pode ser lento e que entre as estratégias de defesa está o objetivo de postergar o veredicto até depois das eleições municipais, para não ferir quaisquer convicções do partido em corridas apertadas.

Ao fim e ao cabo, diz que a consequência política a partir do julgamento do mensalão será provavelmente modesto, já que parte dos acusados não está diretamente ligados ao poder. Mas que o escândalo envolvendo o PT pode representar um novo passo para uma política mais limpa.

E conclui que o principal efeito do julgamento será acabar com a cultura do Brasil de impunidade para os poderosos.

Abolir tais táticas exige reformas ambiciosas, provavelmente no futuro próximo. Sem elas, os esforços para limpar o governo devem trabalhar dentro do quadro jurídico existente.


Que o caso mensalão veio mesmo a julgamento é o progresso:
prisão para políticos corruptos ainda pode ser improvável, mas já não é impensável.

O MENSALÃO EXISTIU.

Nos próximos dias, o país assistirá a um verdadeiro tiroteio de versões sobre o mensalão e as condições que envolveram sua existência.

Pouco interessa.
O que importa é que houve, patrocinado pelo governo petista, um gigantesco esquema de desvio de dinheiro público para comprar o apoio de parlamentares no Congresso.

Há farta documentação a respeito; o resto é esperneio de quem deve, e muito, à Justiça.


Sete anos atrás, o país tomou conhecimento de que, para perpetuar-se no poder, o PT estava usando recursos públicos, desviados de contratos firmados por empresas estatais com agências de publicidade, para garantir o voto de deputados no Parlamento. Nascia, então, o mensalão, uma das maiores máculas da história política brasileira.

Uma das principais fontes de recursos que alimentou o esquema foram contratos de publicidade firmados entre o Banco do Brasil e a DNA Propaganda, agência de Marcos Valério, o operador do mensalão.

Dali saíram exatos R$ 152.833.475,00. Da Visanet, operadora de cartões de crédito na qual o BB tem participação expressiva, também vieram outros R$ 74 milhões, conforme pode ser lido no
relatório do ministro Joaquim Barbosa finalizado em dezembro.

Diante de tão aterradoras provas de que o dinheiro do contribuinte foi surrupiado, o PT, candidamente, insiste em dizer que, na realidade, tomou empréstimos bancários para quitar dívidas de campanha.

Seria, portanto, tudo legal e parte de mera operação financeira. Entretanto, nem a instituição por onde a dinheirama da corrupção foi movimentada corrobora esta torpe versão.


Em suas alegações sobre o mensalão, o Banco Rural assegura que o dinheiro tomado pelo PT veio, sim, de fontes públicas, conforme informa O Globo em sua edição de hoje.

Os recursos que irrigaram o "valerioduto" chegavam ao Rural originados de créditos recebidos de instituições públicas por outra agência de Valério, a SMP&B. Dali, saíam para engordar o bolso de parlamentares.


A alegação do Rural - que tem quatro dirigentes entre os réus do processo - é, apenas, mais uma evidência de que o dinheiro do contribuinte, que deveria ser utilizado para melhorar a vida dos cidadãos brasileiros, foi gasto para benefício do PT e de seu projeto de poder.

Um milionário esquema que só veio à tona porque um dos comensais se sentiu prejudicado por embolsar menos do que lhe prometeram.


As provas de que o mensalão existiu e de que se constituiu no maior duto de dinheiro público para bolsos privados que se conhece na história do país são abundantes na denúncia oferecida pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, em 2006.

"Negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia", rememorou ele, em maio, em entrevista à revista
Veja.

Da perspectiva de quem fez a denúncia e acompanhou o processo até 2009, Souza não tem nenhuma dúvida:
o PT usou dinheiro público no seu organograma da corrupção.
"Digo que existe prova pericial mostrando que dinheiro público foi utilizado.
Repito: há prova pericial disso.

E o Supremo, quando recebeu a denúncia, considerou que esses fatos têm consistência", afirmou o ex-procurador-geral na entrevista de maio.


Não por acaso, a denúncia da PGR indica a montagem, pelo PT, de uma "sofisticada organização criminosa" dentro do aparelho estatal.

Os 38 réus do processo respondem por acusações de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, peculato, evasão de divisas, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Muitos dos delitos já foram reconhecidos e confessados pelos réus.


O PT, por meio de porta-vozes da estirpe de José Dirceu e Delúbio Soares, bate na tecla de que o "valerioduto" movimentou "apenas" recursos de caixa dois de campanha - o que configuraria, meramente, crime eleitoral, já prescrito.

Contudo, do ponto de vista ético e jurídico, isso não altera nada:
quando há apropriação de dinheiro público, não é a sua finalidade que vai descaracterizar o crime.


Não há a menor sombra de dúvida de que, assim que chegou ao Planalto, o PT montou um esquema para drenar os cofres do Estado e assegurar, assim, sua eternização no poder.

O mensalão foi descoberto e está prestes a ser punido pelo STF, no histórico julgamento que começa na semana que vem.
Não há versão ou tentativa de farsa que conseguirá reescrever esta história.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

E NO brasil maravilha... Nos maiores bancos privados, calote é de R$ 32 bi

A economia desaquecida, juros em queda e a escalada da inadimplência derrubaram os lucros dos três maiores bancos privados do país no primeiro trimestre e deixaram uma conta de mais de R$ 32 bilhões em prestações de empréstimos em atraso nos balanços dessas instituições.

Levantamento da Austin Rating mostra que o lucro líquido acumulado por Itaú Unibanco, Bradesco e Santander de janeiro a junho somaram R$ 13,78 bilhões, valor 4,7% menor que os R$ 14,46 bilhões dos primeiros seis meses de 2011.

Os R$ 32 bilhões referem-se a prestações já vencidas. Se consideradas as prestações que ainda não venceram desses contratos em atraso, a conta chega a R$ 81 bilhões, ou quase 10% das carteiras totais de crédito desses bancos, que, no fim de junho, tinham R$ 841,5 bilhões de saldo.

Esses volumes de atrasos são com certeza um recorde, mas não são preocupantes do ponto de vista de solvência porque esses bancos têm provisões mais que suficientes.

E também porque atraso não significa perda e eles irão recuperar boa parte do créditos em atraso diz Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, que estima que as perdas efetivas nas operações dessas instituições devem ficar de 3% a 4% do total das carteiras.


Bancos abusaram dos financiamentos de carros

O elevado índice de inadimplência que essas instituições ostentavam no fim do trimestre passado de 4,2% na média da carteira do total do Bradesco, de 4,9% do Santander e de 5,2% do Itaú Unibanco refletem em parte o endividamento elevado de pessoas físicas e empresas, mas também estratégia equivocadas para a concessão de crédito em alguns segmentos, observa Rodrigues.

Ele cita os financiamentos a veículos, em que as instituições abusaram de linhas com baixa entrada e prazos muito longos, que resultaram numa explosão de calotes.


A combinação de lucros em queda e apuros na frente dos financiamentos indica, para ele, que 2012 será um ano difícil para os bancos. Bem diferente dos últimos anos, em que mesmo com a crise de 2008 e 2009 conseguiram elevar os lucros e os volumes de suas carteiras de crédito a taxas de dois dígitos.

Os bancos vão ter que se adaptar ao novo cenário, de juro baixo, mais competição e inadimplência alta diz.

O Globo