"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 12, 2012

QUANDO A REPÚBLICA É DE TORPES... Uma CPI para a Mídia


A campanha do PT contra a imprensa reincide em velhos jargões autoritários do passado, cometendo, desta vez, um erro crasso:
o de querer fulanizá-la.

O repórter de Veja, Policarpo Junior, tornou-se o alvo da atual investida.
E o que fez ele?

Cumpriu sua função. Ouviu uma fonte – no caso, Carlinhos Cachoeira -, em assuntos no quais o contraventor tinha mais informações que a própria polícia. Separou o joio do trigo e utilizou o que convinha às investigações que fazia.

Qualquer um que já tenha exercido o ofício sabe que é indispensável ouvir todos os lados envolvidos numa história. Não importa se a informação está no inferno: terá que buscá-la onde estiver. O que fará com ela são outros quinhentos.

Policarpo publicou-a, prestando um serviço público; Demóstenes Torres, o senador, vendeu-a a um contraventor.

Tim Lopes, o repórter martirizado pelo narcotráfico carioca, subia os morros e conversava com bandidos, em busca de notícia. Contribuiu, e muito, para expor ao público o mapa do crime organizado do Rio de Janeiro e suas conexões.

O crime, porém, não se faz presente apenas nas favelas e periferias. Há muito, chegou às instituições e frequenta a Praça dos Três Poderes. Se o repórter quer mapear esse submundo, será inútil conversar com políticos ficha limpa (que também os há).

Eles podem apenas compartilhar sua perplexidade, não informá-lo, já que não circulam no submundo. Dependendo do assunto, terá que conversar com gente ainda pior que Cachoeira.

O equívoco de fulanizar a luta contra a imprensa decorre de algo simples: se for comprovado que o jornalista delinquiu, o órgão para o qual trabalha simplesmente o demitirá, preservando-se.

O mau jornalista passa, mas a imprensa fica.

Leia a íntegra em Uma CPI para a Mídia

O "ISPETÁCULO DO LIMITE DO CRESCIMENTO" !O brasil maravilha + PALADINA DA ENGANAÇÃO = pibinho no crescimento da economia e luz amarela.

Emprego na indústria recua pela segunda vez no ano e, somado a outros indicadores negativos, põe o governo em alerta

Um dos maiores desafios que a presidente Dilma Rousseff enfrenta hoje é o de manter o crescimento da economia brasileira. A decepção com o pibinho (diminutivo de Produto Interno Bruto, PIB, que é a soma de todas as riquezas) no primeiro trimestre (de 2,2%, na variação anual) — abaixo do esperado pelo mercado (de 2,7%) —, acendeu a luz amarela, que ficou ainda mais clara com os primeiros dados macroeconômicos de março e abril.

Levantamento divulgado ontem pelo IBGE mostra que o emprego na indústria caiu 0,4% entre fevereiro e março, confirmando a desaceleração. A desejada valorização do dólar, a R$ 1,90, para estimular exportações também acabou se revelando um problema, com impacto na inflação, que pode comprometer a redução da taxa básica de juros (Selic).

Além disso, o brasileiro "está mais endividado, com mais de um terço de sua renda comprometida com financiamentos", explica o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) José Luis Oreiro. A seu ver, o governo não conseguirá mais contar com o mercado interno para estimular a economia como fez em momentos de turbulência passados.

"O modelo de crescimento impulsionado pelo consumo doméstico esgotou porque a renda da classe média avança no ritmo do PIB, e o cenário daqui para frente será de baixo crescimento", sentencia.

A situação da indústria preocupa cada vez mais.

"O setor trabalha com ociosidade elevada, de 81,5% (1,2 ponto percentual do registrado em 2011)", destaca o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo de Ávila, da CNI. Ele lembra ainda que os custos aumentam em ritmo maior que a receita.

"A massa salarial, por exemplo, saltou quase 9% em março enquanto o faturamento do setor cresceu apenas 3%", completa.

Na opinião de Oreiro, resta ao governo traçar uma estratégia clara de longo prazo, investir em infraestrutura e enxugar a máquina pública. "Para estimular a indústria, Dilma ainda será obrigada a continuar mexendo no câmbio.

A indústria só irá se recuperar quando o dólar chegar a R$ 2,40", afirma o professor da UnB. "Mas aí haverá inflação. Resolver essa equação será bem difícil", alerta.

O economista sênior para América Latina da Economist Intelligence Unit, Robert Wood, também destaca que a desvalorização de 15% do real frente ao dólar desde fevereiro ajudou a indústria brasileira a recuperar um pouco da sua competitividade, mas ela continua com problemas estruturais.

"A falta de infraestrutura e de logística nos portos, nos aeroportos e nas rodovias onera ainda mais a produção", diz Wood.
A mesma opinião é compartilhada por Oreiro:
"O governo precisa dobrar os investimentos, passando de 3% para 6% do PIB".

ROSANA HESSEL Correio Braziliense

O seu dinheiro no bolso deles

Há poucas coisas tão maçantes como uma sessão no plenário do Senado. Mesmo com o recinto lotado, como na última quarta-feira.
Ali, além do nobre Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), tinha mais.

Discursos dramáticos como o do tucano Mário Couto (PA) — xingando os petistas — e até emotivos, como o do petista Eduardo Suplicy (SP), preocupado com a voz da ex-mulher, Marta, que comandava os trabalhos e àquela altura estava afônica. Aquela noite, entretanto, foi especial.


Um projeto histórico foi aprovado.

A sessão de 9 de maio acabou com os 14º e 15º salários dos parlamentares. Antes das comemorações, um pouco da história da picaretagem. Os extras foram institucionalizados em 1995 para bancar os gastos com a mudança de políticos recém-eleitos para Brasília, como se os camaradas fossem de fato morar aqui, e não nos estados de origem.

A partir da lógica torta dos beneficiados, o 14º pagaria a chegada ao Congresso. O 15º, por sua vez, serviria para cobrir o custo da volta, no fim do mandato, quando o parlamentar fosse defenestrado pelo eleitor ou assumisse cargo no estado natal.

Mesmo assim, a justificativa de araque só seria razoável se os ilustres deputados e senadores desejassem de fato passar o período do mandato em Brasília, e não apenas as terças, as quartas e as quintas. O absurdo, entretanto, é ainda maior. Os nossos políticos decidiram incorporar o benefício ao contracheque.

Todos os anos, como se fizessem uma mudança a cada 12 meses para o estado de origem. Do Congresso, a prática estúpida com o dinheiro do contribuinte se espalhou por assembléias estaduais e câmaras municipais, incluindo a casa onde habitam os nossos nobres deputados distritais.

Dificuldades

Pois bem, na noite da última quarta-feira algo começou a mudar no Congresso. Os senadores derrubaram, por unanimidade, os salários extras, depois da votação da Lei Geral da Copa, do discurso irado de Mário Couto e da intervenção cuidadosa de Suplicy.

Foi o primeiro e decisivo passo para aprovar um projeto apresentado ainda no ano passado pela hoje ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que acaba com a estupidez. Um ponto: ainda falta a tramitação na Câmara dos Deputados.

Apesar do otimismo da vice-presidente da Casa, Rose de Freitas (PMDB-ES) — "é um projeto com forte apelo popular, dificilmente enfrentará resistência" —, os líderes do PMDB e do PT ouvidos pela reportagem do Correio deixaram claro o desconforto em tratar do assunto na Câmara.

O peemedebista Henrique Eduardo Alves e o petista Jilmar Tatto, depois de desconversarem, disseram que não discutiram o tema com as bancadas. E, assim, jogaram um balde de água fria na expectativa de o projeto ser aprovado com rapidez. "Estávamos tratando de outros temas", disse Tatto.

É preciso que seja dito que os benefícios extras dos senadores e deputados — e por tabela dos distritais, estaduais e vereadores — são esdrúxulos para qualquer cidadão brasileiro, que, no máximo recebe 13 salários por ano. Por mais que amparado nas regras do Congresso, é um acinte, afinal, na prática que os paga é o trabalhador que não os recebe.

É o seu dinheiro, meu caro leitor, que enche o bolso dos camaradas duas vezes por ano. Se há bons combates para a sociedade, o fim dos rendimentos extras dos congressistas é um dos principais. Abaixo os 14º e 15º salários de uma vez por todas.

Outra coisa

A aprovação do fim do 14º e do 15º salários no Senado foi celebrada pelos repórteres deste Correio, que desde a derrubada do benefício na Câmara Legislativa, ainda em fevereiro, pautou o tema numa série de reportagens. Uma das mais significativas: a revelação de que os senadores não pagavam o Imposto de Renda dos rendimentos extras recebidos.

No fim da sessão da última quarta-feira, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) — ao cumprimentar a Presidência do Senado por ter colocado o projeto na pauta —, destacou:
"Parabenizo o Correio, um jornal da nossa cidade, por ter levantado e discutido essa bandeira".

O trabalho de reportagem continuará durante a tramitação do projeto na Câmara dos Deputados.

Leonardo Cavalcanti

Contratação de pistoleiros pela quadrilha - NUNCA NA "ISTÓRIA DEZTE PAIZ" OS CANALHAS FORAM TÃO " LIVRES, LEVES E SOLTOS",

As interceptações telefônicas dos comparsas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, realizadas pela Polícia Federal com autorização judicial, indicam que quadrilha era composta por um braço armado responsável por homicídios e ações de intimidação para manter os negócios do grupo.

Duas conversas monitoradas entre quatro integrantes do grupo de Cachoeira em 6 de abril e em 25 de junho de 2011 fizeram os investigadores suspeitarem da existência de esquema de pistolagem, paralelamente à rede ilegal de Cachoeira.

Grampos envolvendo responsáveis pela rede de segurança da quadrilha trazem diálogo entre dois homens identificados apenas como Jefferson e Marco, tramando a contratação de pistoleiros. Jefferson entra em contato com Marco e dá a entender que o comparsa conhece criminosos que já realizaram execuções anteriormente.

Marco fica em dúvida se a contratação seria para intimidar alguém, mas Jefferson explica. "Não é para arrochar, é para tomar bênção lá em cima."

Outros dois interlocutores, integrantes da quadrilha de Cachoeira, também investigados por supostamente contratar pistoleiros, tiveram telefonemas monitorados pela Polícia Federal.

Na conversa, um relata ao outro que está "com um problema aí pra resolver" e pede a indicação de um policial militar ou civil da quadrilha para "resolver" o "negócio".


O comparsa ainda questiona se o "problema" seria relativo a máquinas caça-níqueis, e o interlocutor responde que não. "Né não. É outro trem aí...tem um vagabundo dando trabalho aí."

Perfil violento
As conversas grampeadas pela polícia revelam um perfil violento do grupo, informação confirmada pelo delegado Raul Alexandre Souza, em depoimento à CPI do Cachoeira.

De acordo com o delegado, integrantes da quadrilha foram flagrados durante a investigação discutindo sequestro de um explorador de máquinas caça-níqueis que estaria enganando o grupo.


O próprio Cachoeira foi flagrado nos grampos ligando para um policial pedindo que a autoridade "desse um jeito" em um homem que ameaçou de morte o filho de um amigo do contraventor.

Durante a desavença, o bicheiro pediu a intervenção policial na briga, como um favor. "Ele não mexe com droga, só pode ter mexido com a mulher do cara. Dá um jeito nesse cara", pede.


De acordo com o jurista Emanuel Messias Oliveira Cacho, conselheiro da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, as apurações da Operação Monte Carlo, que focam a atuação do contraventor, podem dar origem a diversos outros inquéritos, inclusive um para apurar o crime de pistolagem.

"Da CPI podem se formar vários inquéritos. Se a CPI descobrir crime de pistolagem, pode mandar para a polícia investigar, a Polícia Civil terá que conduzir, pois os homicídios deverão ser analisados pela Justiça estadual."

Interceptação
Dois integrantes do grupo de Cachoeira, identificados como Jefferson e Marco, conversam sobre a contratação de dois pistoleiros. Veja a transcrição:

Marco:
Oi, doutor.


Jefferson:
Oi, meu irmão, como você está, meu parceiro?


Marco:
Vou indo.


Jefferson:
Eu estou com dinheiro jogando fora.


Marco:
O senhor mudou de área, está no Plano Piloto, como está a concorrência para roubar?


Jefferson:
O trem está bonito.
Estou com um negócio pra gente ganhar dinheiro.


Marco:
É bom.


Jefferson:
O cara requer dois caras bons, de profissão, entendeu?
Eu falei pra ele que tenho uma indicação sua, você leva R$ 1 mil.


Marco:
O que o cara quer, é pra arrochar quem?


Jefferson:
Não é para arrochar, é para tomar bênção lá em cima.


Marco:
Tô ligado.


Jefferson:
Então você indica duas pessoas pra mim, pra poder trabalhar, pra poder o pessoal subir lá pra cima.


Marco:
Tô ligado.


Jefferson:
Amanhã vou estar entrando em contato com você, pra conversar diretamente com o pessoal.
Falei:
Eu não tenho, mas tenho pessoas que trabalha já na área com isso há muito tempo e tem experiência disso.


Marco:
Limpinho.


Jefferson:
Você vai passar, vai levar R$ 1 mil só pra indicar duas pessoas.

Josie Jeronimo Correio Braziliense

maio 11, 2012

Um espectro ronda o Brasil: a condenação de José Dirceu!


Um espectro ronda o Brasil caso o chefe de quadrilha (segundo a Procuradoria Geral da República) José Dirceu seja condenado pelo STF. Segundo ele anda espalhando por aí, pode haver graves reações de inconformismo. Abaixo, algumas das ameaças que ameaçam tirar o nosso sossego:

- Evo Morales pode invadir o Brasil e tomar, desta vez, a sede da Petrobras — duas refinarias nossas, ele já tomou. Uma semana antes de roubá-las, com armas na mão, reuniu-se com o Zé…;

- Cristina Kirchner pode liderar os fascistoides do grupo La Cámpora, dar um beiço na nossa Constituição e empastelar jornais e revistas que não apoiam o Zé;
- Hugo Chávez pode usar alguns parlamentares de sua base no Congresso, em Brasília, e fazer votar uma lei que obrigue os poderosos a se tratar de câncer em Cuba;

- Mahmoud Ahmadinejad vai determinar que as mulheres só frequentem as praias e as piscinas com o corpo devidamente coberto para que pobres tarados não caiam vítimas de seus ardis;

- Rafael Correa dará um basta na farra da imprensa burguesa e vai exilar alguns proprietários dos meios de comunicação que não reconhecem a força do “povo popular”;

- Daniel Ortega imporá uma lei estabelecendo o tamanho mínimo das orelhas para que alguém possa governar o Brasil: nunca menor do que as de um jumento e nunca maior do que as suas.

- Raúl Castro vai determinar o fim da produção de papel higiênico no país. A exemplo dos cubanos, os brasileiros também serão obrigados a usar as páginas do jornal Granma, do Partido Comunista Cubano. Afinal, para ler e refletir, já existe na rede o Granma.cu!!!

E você, leitor?
O que acha que pode acontecer caso se consuma essa terrível injustiça?


Original :
Reinaldo Azevedo

É NOSSO DIREITO SABER :


* Até que ponto a Delta, essa fantástica empresa que em seis anos se tornou uma das grandes empreiteiras deste imenso país, se enfronhou em nossa vida?

* Onde está o presidente da Delta, Fernando Cavendish?

* Por que uma empresa que ganhava rios de dinheiro com obras que qualquer empreiteira sonha em conseguir, abriu mão do que fazia?

* Por que a Delta vai ser vendida a um frigorífico que tem como acionista o BNDES?

* Por que essa negociação está sendo tão rápida, quando aqui a burocracia é de tal ordem, que todos os negócios para abrir ou fechar levam o dobro de tempo que levariam em qualquer outro lugar do mundo?

* Até quando a água dos cariocas vai ficar nas mãos da Delta? Que ganhou esse contrato sem licitação?

* Por que querem nos convencer que a Grande Imprensa quer derrubar o governo?

* Por que insistem em nos fazer crer que dona Dilma não sabe bem o que faz, que demite ministros apenas porque leu na VEJA?

* Será que essas criaturas, senadores e deputados, não percebem que os vazamentos farão muito mais mal que a verdade?

* Ou será que nossos netos e bisnetos vão ter que lutar por outra Comissão da Verdade, dentro de 50 anos, para saber dos crimes que estão sendo cometidos agora?

Íntegra/Blog do Ricardo Noblat :
O Sigilo e a Verdade - Ou quando o PT gostava da VEJA

QUEDA DE JUROS : O PORCO E O TOUCINHO E O "MARQUETINGUE" DA PALADINA DA ENGANAÇÃO

Começam a surgir indícios de que a queda de juros propalada pelo governo tem fôlego mais curto do que o prometido. Há muita pirotecnia nas ações anunciadas, mas até agora elas só se mostraram boas para poucos.

Com as evidentes limitações da economia brasileira, a inflação também ameaça.


Desde o 1° de maio, quando lançou sua ofensiva contra a "lógica perversa" dos juros, Dilma Rousseff indicou que as instituições privadas deveriam fazer o dever de casa e seguir os bancos oficiais, baixando agressivamente as taxas.

Deveria ter olhado antes para o próprio umbigo e percebido que não tinha lições a dar.


O discurso oficial não resiste ao cotejo da realidade. Levantamento divulgado anteontem pelo Banco Central mostra que Banco do Brasil e Caixa não estão entre os que cobram menos para emprestar a seus clientes.

Em alguns casos, pelo contrário, estão entre os mais usurários - mesmo com os cortes recentes.


Numa das linhas divulgadas pelo BC, a de conta garantida, o BB aparece como dono da nona taxa mais alta num ranking com 38 instituições, informou a agência Reuters. Na concessão de linhas de crédito pessoal, Caixa e BB apresentaram apenas a 13ª e a 32ª melhores taxas, respectivamente, de um total de 91 instituições consultadas.

Ou seja, em banco de ferreiro, o juro é de pau.


Ontem, em nova rodada de foguetório, o Banco do Brasil anunciou a redução de suas taxas de administração. É ótimo que isso aconteça e teria sido melhor ainda se o governo tivesse cortado os encargos antes de ter tungado a poupança dos brasileiros.

Mas se é para cortar, a conversa tem que ser para valer, ser boa pra todos.


O que o BB fez, porém, foi mero malabarismo. Os oito fundos cujas taxas foram reduzidas cobravam até 3,5% para administrar o investimento de seus clientes. Isto é quase metade do rendimento projetado.

Agora, os encargos caíram para entre 1,5% e 2,6% - portanto, ainda altíssimos.


Para não apanhar das cadernetas de poupança, os fundos de renda fixa que o governo diz estar oferecendo baratinho para a clientela só poderiam cobrar taxa de administração de, no máximo, 0,64%, calcula o professor Marcelo Moura.

O BB não apenas cobra muito mais, como também obriga seus correntistas a aderir a um programa pelo qual espetam até R$ 54 de mensalidade na carteira do cliente.


Outro aspecto da estratégia voluntarista do governo é o efeito das ações sobre a contabilidade dos bancos oficiais e, em última instância, sobre o bolso dos contribuintes.

Ontem, a Caixa anunciou que, em função de sua agressiva concessão de empréstimos, precisará de aporte "urgente" da União:
estima-se algo como R$ 10 bilhões, segundo a
Folha de S.Paulo.

Não é apenas o marketing em torno da redução dos juros que se mostra distante da realidade cotidiana. Limitações de ordem econômica geral começam a indicar que a inflação não será amansada apenas no gogó, restringindo o espaço e as possibilidades de cortes mais incisivos na taxa básica de juros.

Em abril, os preços subiram num ritmo três vezes maior do que no mês anterior. O IPCA passou de comportado 0,21% para um ousado 0,64%. A alta não foi só do cigarro, como disse ontem Guido Mantega, mas disseminada por 2/3 dos preços.

Neste mês de maio, os índices virão pressionados também por aumentos de tarifas de energia elétrica, água e esgoto.


Para piorar, o índice que mede exclusivamente o comportamento dos preços dos serviços disparou: de janeiro a março, tinha subido 2,86% e em abril escalou a 3,62%, mostrou ontem O Estado de S.Paulo.

Nesta dinâmica, a subida do dólar - com alta de 7% nos últimos 30 dias - não ajuda.

A redução dos juros é muito bem-vinda.
Mas é preciso muito mais do que ações cosméticas, voltadas a produzir mais fagulha do que luz.

O governo deveria ocupar-se de medidas que gerassem efeitos benéficos duradouros sobre o ambiente econômico.
Da forma atabalhoada como age, pode acabar atiçando mesmo é fogo.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Bom para poucos

E NA CPI DA "SOBRIEDADE E FOCO" ....


A turma do deixa disso entrou em ação, ontem de manhã, na CPI. O senador Humberto Costa (PT-PE) foi contido depois de partir para cima do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Tudo começou quando Onyx disse:
"Isso aqui pode virar um circo".

Costa respondeu:
"Já virou".

Onyx perguntou:
"Como é que é?".

Costa retrucou:

"Já virou e o senhor é o palhaço".

Onyx devolveu:
"Sanguessuga!”, referindo-se ao escândalo pelo qual Costa deixou o Ministério da Saúde.

Costa, absolvido pela Justiça, reage indignado:
"Como? Por que você está me chamando disso?".

Onyx ainda devolveu:
"Ué, só falei a palavra. Se a carapuça serviu...".

"PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO" COM PALADINA DA ENGANAÇÃO : INFLAÇÃO - SINAIS DE DESARRUMAÇÃO.

Não dá mais, por exemplo, para continuar afirmando que a inflação não é problema.

O avanço do IPCA de abril, de nada menos que 0,64% (foi de 0,21% em março), e, mais do que isso, o nível de difusão dessa alta (63%) mostram que ela não pode ser atribuída apenas à estocada dos preços dos cigarros - como sugeriu ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega.


A primeira prévia do IGP-M de maio também apontou uma guinada forte dos preços no atacado (de 1,15%). E, como o atacado de hoje tende a ser o varejo de amanhã, em consequência desse fator alguma inflação adicional está encomendada.

A força das remarcações no atacado, por sua vez, reflete em alguma medida a escalada das cotações do dólar no câmbio interno, de 6,5% nas últimas cinco semanas, induzidas por ação do Banco Central.

A ânsia por puxar pela desvalorização do real parece ter impedido o governo Dilma de entender que, nos dois últimos anos, a indústria ficou muito mais dependente das importações.

Para enfrentar custos crescentes dos fatores de produção, sobretudo da mão de obra, o setor industrial recorreu mais pesadamente às importações de matérias-primas, insumos, peças e conjuntos.


A alta do dólar no câmbio interno criou um custo adicional de produção que está sendo repassado quase automaticamente para os preços finais.

Essa nova alta de preços vai sendo desenhada num ambiente em que o consumo cresce entre 5% e 6% ao ano sem contrapartida da atividade econômica, que vai ficando para trás.

Por falar nisso, a presidente Dilma enfrenta agora a perspectiva de não poder entregar, pelo segundo ano consecutivo, o crescimento econômico anual prometido, desta vez entre 4,0% e 4,5%.

O discurso oficial ainda conta com essas projeções.
Mas o mercado, consultado semanalmente pelo Banco Central por meio de sua Pesquisa Focus (que atinge cerca de 100 instituições), já trabalha com crescimento do PIB para 2012 de só 3,2%.

Mas um punhado de analistas passou a projetar números inferiores a 3,0%. O mau desempenho da indústria, reafirmado por um punhado de estatísticas de origens diversas, parece confirmar essa percepção.

Em outras palavras, o comportamento insatisfatório do setor produtivo vai mostrando os limites da atual política econômica voluntarista da presidente Dilma, construída com sucessão de puxadinhos e expedientes improvisados. Parece mais difícil agora esticar a alta do dólar e derrubar os juros para elevar a competitividade da indústria.

Essa desarrumação foi ontem enfaticamente desmentida pelo ministro Guido Mantega. Mas está cada vez mais difícil confiar nas declarações dele, ultimamente contrariadas pelos fatos. O último objeto dos reiterados desmentidos do ministro foram as mudanças nas cadernetas.

Mantega argumentava que não havia o que alterar nas regras das cadernetas, porque não detectara migração significativa de aplicações dos fundos de renda fixa para elas. Agora, insiste em que a alta do dólar no câmbio interno não provoca inflação relevante.

Tomara que o ministro esteja certo e que, no final deste ano, possa comemorar um crescimento do PIB de ao menos 4,5%.

Celso Ming O Estado de S. Paulo

E NA REPÚBLICA TORPE DAS NEGOCIATAS : INSEPULTO ! Preocupação com Pagot

O Palácio do Planalto dá sinais de preocupação com o depoimento que o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot poderá prestar à CPI do Cachoeira.

Ontem, lideranças do PR, partido ao qual Pagot era filiado até cerca de um mês atrás, estiveram no Planalto para discutir o assunto. Durante a conversa, ministros palacianos foram avisados de que Pagot será convocado à comissão para prestar esclarecimentos sobre denúncias que fez em entrevistas contra dir igentes do PR.

A ideia é fazer com que Pagot recue das acusações de que Valdemar da Costa Neto (PR -SP), um dos chefes da legenda, teria atuado para beneficiar a Delta.

O temor do Planalto é que Pagot envolva o governo federal no furacão.

Segundo interlocutores, Pagot teria informações sobre arrecadação para campanhas de pessoas-chave do governo e estaria disposto a revelar à CPI como funcionavam esquemas no Dnit. A cúpula do PR se comprometeu a tentar acalmar o ex-diretor do Dnit, mas avisa que será cobrada uma fatura.

A legenda já avisou que a indicação da presidente para que o ex-senador Cesar Borges (PR-BA) substitua Ricardo Oliveira na vice-presidência de Governo do Banco do Brasil não contempla o partido. O pleito do PR continua sendo retomar o controle do Ministério dos Transportes.

JÚNIA GAMA Correio Braziliense