"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

novembro 13, 2011

E NO "BRASIL MARAVILHA" : O que nós somos: um país emergente ou um país rico?

De relance, a questão parece ociosa.

As transformações em curso no mundo começam a forçar uma resposta.
Parte é por conveniência do mundo rico, que espera ratear com os emergentes, sobretudo China e Brasil, o custo do ajuste da Zona do Euro.

E parte é porque nossa política externa é ambígua, com demandas ora de potência, ora de subdesenvolvido.

Demanda típica de quem se vê muito acima do pelotão de países sem voz ativa nos fóruns internacionais e em pé de igualdade com o que é chamado de potência — basicamente EUA, China, Rússia, Inglaterra e França, únicos com lugar cativo e poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas —, é o pleito por uma vaga permanente.
Outra é por maior poder no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Sob direção da francesa Christine Lagarde, o FMI deu sinal de que está pronto para atender o desejo, começando pela inclusão do real na cesta de moedas que compõem a divisa escritural do organismo.

É o chamado Direito Especial de Saque, SDR, na sigla em inglês, hoje composto apenas pelo dólar, euro, iene e libra. Em 2015, conforme a agenda do FMI, tais critérios seriam revisados.

Em nota oficial, porém, a direção do Fundo disse sexta-feira que vai antecipá-la.

A mudança viria para flexibilizar os conceitos de moeda como meio de pagamentos e reserva de valor. Hoje, o FMI aceita apenas moedas conversíveis, o que implica ao país emissor manter portas abertas para os fluxos de capitais.

Isso pode ser mitigado.
No contexto da crise global, parece uma mudança sob medida para enquadrar o real e o renminbi, a moeda da China.

Nem um nem outro tem portas 100% escancaradas para o capital estrangeiro.
Na China, há uma fresta.

Não só. O governo chinês mantém o renminbi (ou yuan, como também é conhecido) desvalorizado para alargar a competitividade de suas exportações industriais.

Mas a China tem US$ 3,2 trilhões em caixa como reservas, e o Brasil, US$ 352 bilhões. É nisso que o FMI está de olho? A entidade, sim.

Com maiores aportes, poderá contribuir mais com os planos de resgate de dívida dos países europeus.

Mas o time podre de rico, com caixa gordo e mão fechada, como a Alemanha, na Europa, mas também os EUA, e indiretamente a própria China, anseia por algo maior: novos mercados sem restrições para suas exportações, compensando a estagnação no mundo avançado.

O risco do precedente

Se abrir o precedente, aceitando incluir o real na cesta dos SDR, o governo Dilma Rousseff acabará forçado a novas concessões, como se comprometer com volatilidade baixa do real, maior transparência das regras monetárias e cambiais, talvez não mais impedir o FMI de divulgar o seu relatório anual de auditoria das contas nacionais — o chamado Anexo 4, a que todos os países associados se submetem.

A China também.
Mas lá o FMI checa o que lhe é permitido checar. No fim, tudo isso é bom, ninguém há de criticar. Mas dificilmente o governo poderá maquiar superávit primário, como fez em 2010, apropriando parte da capitalização da Petrobras feita com o aporte do Tesouro como se fosse receita operacional.

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o capital externo seria malvisto. No limite, seria crescente a pressão pela conversibilidade do real.

6º maior PIB; IDH, 86º

As ambiguidades se avolumam.
Somos a 6ª maior economia do mundo, por exemplo, pelo Produto Interno Bruto (PIB). Tal medida nos faz um país rico. Pela renda per capita, somos o 102º, segundo ranking do The World Factbook, da CIA, e 86º no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas. Somos pobres em tais listas.

Como tais coisas se encaixam com o pleito por maior poder no FMI e o status que a entidade cogita dar ao real?

Faz nexo com o real depreciado ou cercado para não se apreciar?
O governo poderia por trava na importação de carros, como fez em setembro, ou dizer que atrasará até dezembro a liberação de guias de importação?

Aliás, como uma coisa dessas é anunciada? Não se diz, faz-se somente.

Ambiguidade do crédito

A impressão é que se vai decidindo pontualmente, sem uma visão de conjunto. Vejam a decisão do Banco Central de afrouxar as medidas prudenciais tomadas em dezembro para esfriar o crédito ao consumo e, assim, a inflação.

Foi o que o liberou da neura da Selic. Mas agora, com o governo preocupado com a forte desaceleração do PIB, o BC quer vitaminar o consumo. Como o PIB rateia pela indústria e ela pelas importações, não pelo nível do consumo em baixa, o que pode ocorrer é o oposto do pretendido.

A demanda bombada a crédito vai vazar ainda mais para fora, não ajudando a indústria e o PIB.

A complexidade é maior

A questão mal trabalhada é que a economia, a sociedade, o jogo de poder no mundo, tudo isso já estava complexo demais para um estilo de administração pouco à vontade para discutir as decisões — e com o Congresso alienado, ministros grosseiros.

Onde se viu um deles — Carlos Lupi, do Trabalho — afirmar que, para tirá-lo do cargo, "só abatido à bala", desafiando a presidente.
Depois, intimado a se retratar, ele declarou:
"Eu te amo, peço desculpas todo dia".

Foi baixaria, acentuando a apreensão sobre se setores do governo estão à altura dos desafios do mundo em transformação.

É preciso maior qualidade, quando até velhas verdades da economia não servem mais.
Ambiguidades denotam dúvidas. E voluntarismo só as agrava.

Antônio Machado/Correio Braziliense

No Trabalho, o trem da alegria : Lupi dá aval, e PDT parte e reparte


Um trem da alegria está sendo conduzido pelo PDT no Ministério do Trabalho. Com o aval do ministro Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda, o comando das Superintendências Regionais do Trabalho por todo o país tem sido entregue a filiados do partido.

Levantamento feito pelo GLOBO identificou que em pelo menos 13 estados a chefia das unidades está nas mãos de dirigentes partidários ou candidatos derrotados na eleição de 2010.

De janeiro a outubro, Lupi nomeou dez novos superintendentes (Rio, Amazonas, Ceará, Pará, Paraná, Rondônia, Santa Catarina, Tocantins, Paraíba e Mato Grosso do Sul). Sete são filiados ao PDT e os outros têm algum tipo de relação com políticos da legenda.

Quando o assunto é gestão, essas unidades estão longe de ser exemplares. No Tribunal de Contas da União, na Controladoria Geral da União e no Ministério Público Federal elas são alvo de processos por irregularidades que vão de contratações sem licitação ao uso de funcionários ligados a sindicatos ou empresas em atividades-fim, o que é vedado por lei.

São 27 as Superintendências Regionais do Trabalho. Também conhecidas como Delegacias Regionais do Trabalho, representam o ministério nos estados e têm como função mediar e arbitrar sobre negociação trabalhista coletiva, supervisionar regionalmente as ações do ministério e emitir carteiras de trabalho.

Essas regionais custaram este ano R$10,1 milhões aos cofres federais. Mas não é o orçamento que desperta tanta cobiça pelo órgão.

Segundo representantes de sindicatos de trabalhadores e do setor patronal, a tarefa de fiscalizar o setor produtivo sobre o cumprimento da legislação trabalhista é o maior atrativo por causa do alto potencial arrecadatório de propina.


Essas estruturas também acabam sendo usadas como trampolim político para superintendentes.

Os representantes nomeados por Lupi nos estados têm dois perfis. O primeiro é de pedetistas derrotados na eleição de 2010. Dos dez nomeados em 2011, cinco estão nesse grupo. Um deles é o ex-vice-governador do Pará Odair Santos Corrêa, que concorreu ao cargo de deputado federal.
Em julho, foi nomeado por Lupi.


Também foram acomodados, após a derrota nas urnas, os superintendentes Julio Brizzi Neto (Ceará), Neivo Beraldin (Paraná), Dermilson Carvalho das Chagas (Amazonas) e Rodrigo Minotto (Santa Catarina).

A outra preferência é por dirigentes do PDT.
No Rio, o superintendente é o ex-assessor do ministro e integrante do Diretório Nacional da sigla Antonio Henrique de Albuquerque Filho.

No Rio Grande do Norte, a regional do Trabalho está sob o comando, desde 2008, do secretário-geral do PDT no estado, Jonny de Araújo da Costa.


- O fato de ser uma indicação política não tem comprometido o meu trabalho. Todo o tempo em que estou aqui não tivemos que responder a qualquer questionamento que possa colocar em dúvida o funcionamento da superintendência - disse Costa.

Cargos são de confiança de Lupi, diz ministério

A nomeação de filiados para os cargos de superintendente é a face mais visível do loteamento político promovido pelo PDT, à frente do ministério desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas há os casos de superintendentes que ocupam a vaga por indicação de um deputado ou governador.

Sem contar a ingerência política no preenchimento dos cargos de confiança nos escalões inferiores.

Há duas semanas o Ministério do Trabalho está na berlinda sob suspeita de desvio de dinheiro em convênios firmados com ONGs. Na semana passada, Lupi, após reunião com lideranças do seu partido, saiu com uma declaração de apoio da maioria para continuar no cargo.

Na distribuição de cargos país afora os parlamentares pedetistas têm sido bastante agraciados. No mês passado, o deputado Damião Feliciano (PDT-PB) conseguiu que um ex-assessor dele (Rodolfo Ramalho Catão) fosse nomeado para comandar a superintendência da Paraíba.

Flávia Morais (PDT-GO) indicou Heberson Alcântara para Goiás. Em Tocantins, a responsável pelo órgão é a mulher do pedetista e secretário estadual da Indústria e Comércio, João Telmo Valduga.

O GLOBO questionou o ministério sobre critérios usados para a escolha dos superintendentes. A pasta respondeu:
"A função de superintendente Regional do Trabalho e Emprego nos estados são (sic) cargos de confiança do ministro do Trabalho e Emprego e, portanto, de livre provimento, assim garantido pela Legislação".

O presidente do PDT em exercício, deputado André Figueiredo (PDT-CE), não se pronunciou.

Silvia Amorim O Globo

novembro 11, 2011

O AMOR BANDIDO PELO "GOVERNO" DA DISSIMULAÇÃO E HIPOCRISIA, OU SEJA, TORPE.

Virou dramalhão a saga de corrupção que se desenrola no governo Dilma Rousseff.

Em seu capítulo mais recente, desenrolado no Ministério do Trabalho, tem como protagonistas um ministro com pinta de canastrão e uma presidente com pose de superstar.

Ao distinto público, o que ambos oferecem é o escárnio.

Carlos Lupi foi ontem ao Congresso se defender das acusações de corrupção que assolam sua pasta. Adotou um estilo algo fanfarrão para esgrimir-se das críticas que lhe foram desferidas.
Mas coroou sua atuação diante dos parlamentares com um "te amo" endereçado à presidente da República.

"Presidente Dilma, desculpa se fui agressivo. Te amo. Só pede desculpa quem é humano e sabe que pode errar", disse Lupi, teatralmente, dois dias depois de ter declarado a plenos pulmões que só deixaria o cargo de ministro do Trabalho se fosse "abatido à bala".

A resposta de Dilma veio no mesmo tom galhofeiro.
"Sabe como é que é? Tinha, se eu não me engano, um líder gaúcho, que não vou dizer qual, antigo, que dizia o seguinte:
o passado simplesmente passou. Gente, o passado passou. Não tem crise com o ministro do Trabalho", afirmou ela, segundo O Globo.

Em que novela de TV esta gente está?

Se havia dúvidas de que a faxina que a presidente por vezes disse ensaiar nunca passou de mentirinha, agora fica claro que o que interessa a Dilma é passar uma bucha no que para ela é "passado".

Para a sociedade brasileira, porém, a roubalheira praticada e avalizada pelo governo petista continua sendo muito presente.
Mais que presente, é caso de polícia.

A Folha de S.Paulo mostra hoje que Lupi liberou verbas para a organização não governamental (ONG) de um pedetista mesmo depois de a entidade já ser alvo de inquérito da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades em convênio com o Ministério do Trabalho.

Os valores envolvidos chegam a R$ 6,9 milhões.
O Globo retrata caso parecido ocorrido em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em dezembro passado, o Ministério do Trabalho assinou convênio de R$ 1,9 milhão com uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) investigada pela PF, denunciada pelo Ministério Público e suspeita de desviar recursos públicos.

O objetivo do curso patrocinado pelo ministério de Lupi em Minas era treinar 2,4 mil operadores de telemarketing, mas até ontem, faltando um mês para o término do prazo do convênio, só 200 pessoas tinham sido capacitadas.

Ontem, O Estado de S.Paulo havia divulgado caso parecido: o da ONG Oxigênio, de um amigo do ex-presidente Lula, que recebeu R$ 24 milhões para projetos de qualificação profissional.

Sob investigação desde 2006, sob suspeita de não entregar o que promete, só na semana passada a entidade foi repreendida pelo ministério de Lupi.

O que, então, é passado, como diz a presidente Dilma, nesta saga de corrupção? "A onda que assola o País não é essa [de denuncismo], é a da corrupção. As denúncias são apenas consequência.

E a demissão de cinco ministros de estado por elas atingidos revela que todas têm tido fundamento", opina o Estadão em editorial.

Nos sinais que emite, o governo federal demonstra horror à luz desinfetante do sol.

Como, por exemplo, quando vetou, anteontem, o acesso da imprensa a um seminário destinado a discutir o novo "marco regulatório das organizações da sociedade civil", ou seja, ONG e assemelhados, várias das quais no foco das denúncias de corrupção.

Ou quando o ministério de Lupi desvirtua o trabalho de apuração da imprensa ao divulgar, antes da publicação pelos próprios meios, perguntas e respostas endereçadas por jornais, rádios e TV à pasta.

O mesmo estratagema, de constranger a investigação isenta dos veículos de comunicação, já fora adotado pela Petrobras em 2009.
O que resta claro é que a novela da corrupção protagonizada pelo governo Dilma entrou numa nova fase do enredo. Nos primeiros capítulos, com Antonio Palocci no papel, o denunciado estrebuchou por semanas a fio antes de cair.

Nos seguintes, com Alfredo Nascimento e Wagner Rossi como protagonistas, a queda foi rápida. Com Orlando Silva, tentou-se uma queda de braço com a opinião pública, que mais uma vez se sobrepôs.
Agora, com os escândalos no Ministério do Trabalho, Carlos Lupi e Dilma Rousseff ensaiam cenas de pura canastrice, com suas falas de menosprezo ao que pensa e quer a sociedade brasileira.

Ao agir desta maneira, relevar as denúncias e querer transformá-las em pretérito, a presidente da República mostra que só faz o que deve ser feito quando se torna impossível atuar de maneira diferente. Lupi está confortável no seu papel.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

novembro 10, 2011

ANP investiga vazamento de óleo na bacia de Campos

RIO DE JANEIRO (Reuters) -

A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) informou nesta quarta-feira que iniciou investigação sobre um vazamento de óleo em Campos, principal bacia marítima de produção no Brasil.

A mancha de óleo no mar se encontra a cerca de um quilômetro da plataforma do campo de Frade, onde a petroleira norte-americana Chevron mantém o controle da produção.

Embarcações de apoio foram deslocadas ao local para identificar a origem do vazamento e recolher o óleo do mar, informou a reguladora em comunicado.

A ANP informa ainda que tomou conhecimento do acidente na manhã desta quinta-feira.

A Chevron, que possui 51,7 por cento do campo de Frade, diz, em nota, que está "ciente de um vazamento de óleo localizado entre os campos de Frade e Roncador, na bacia de Campos".

O campo de Roncador, um dos maiores produtores de petróleo do país, é operado pela Petrobras.

"A Chevron está investigando a origem do vazamento. Todas as providências estão sendo tomados", informou a companhia, em nota.

A Petrobras possui participação acionária de 30 por cento no campo de Frade, enquanto o consórcio Frade Japão Petróleo detém os demais 18,3 por cento.

O grave acidente no Golfo do México com uma plataforma da BP elevou a atenção de empresas e do órgão regulador no Brasil para a possibilidade de acidentes no país, onde a maioria da produção de petróleo ocorre em mar.

A ANP tem aumentado as exigências em relação a segurança das instalações, o que inclusive provocou paradas não programadas de unidades de produção da Petrobras.

(Reportagem de Sabrina Lorenzi)

O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO! DESCONSTRUINDO UMA FARSA : A supergerente nascida para comandar tropeça na arrogância do ministro falastrão .

A líder de nascença, extraordinariamente articulada e mais sabida que qualquer homem, capaz de remover impasses de bom tamanho com outra ideia luminosa ─ essa Dilma Rousseff começou a morrer de inanição quando a ministra de pouquíssimas palavras virou candidata à Presidência e teve de destravar a garganta.

Meia dúzia de frases sem pé nem cabeça bastaram para escancarar o neurônio solitário. A primeira entrevista mais demorada denunciou um cérebro em permanente litígio com o raciocínio lógico.

A Joana D’Arc da guerrilha urbana é tão palpável quanto o Brasil Maravilha do cartório.

A superexecutiva onisciente, onipresente e onipotente, capaz de organizar em 30 minutos uma contrapartida administrativa do Barcelona ─ essa Dilma Rousseff morreu de anemia depois da saída de seis ministros (cinco por corrupção, um por alucinação) em menos de 10 meses de governo.

Um técnico de futebol que substitui meio time antes dos 25 minutos do primeiro tempo, para antecipar-se à expulsão inevitável e para subtrair-se às vaias das arquibancadas, só pode ser autorizado a escalar a seleção do hospício.

A arogância debochada de Carlos Lupi ameaça rasgar a terceira e última fantasia.

É a que enfeita a supergerente implacável, incansável e geniosa, capaz de fazer qualquer marmanjo folgado chamar a mãe já no início do pito arrasador, ou de emudecer até um cangaceiro aliado com aquele perturbador “meu querido…” rosnado ao pé da orelha.

“Pela relação que tenho com a Dilma, não saio nem na reforma”, jactou-se nesta terça-feira o ainda ministro do Trabalho, depois da conversa com a antiga companheira de PDT. Nada de “presidenta”, muito menos “presidenta Dilma Rousseff”.

Para Lupi, a chefe de governo éa Dilma”, com o artigo sublinhando a intimidade de comparsa.

Nesta quarta-feira, Lupi fingiu que a imprensa não entendeu direito o que disse. Negou ter desafiado a chefe, mas manteve a essência do falatório:
vai continuar no cargo ─ antes e depois da reforma ministerial de janeiro.

Dilma encarregou Gleisi Hoffmann de lembrar à nação que é a presidente quem nomeia e demite. Mas não demitiu o homem que instalou num gabinete desonrado por incontáveis maracutaias.

A permanência de Lupi no ministério arrendado ao PDT fortalecerá a suspeita de que os frequentes ataques de nervos protagonizados por Dilma Rousseff não têm parentesco com os associados a governantes enérgicos, exigentes, durões.

São apenas chiliques. São só grosserias.


Augusto Nunes

"PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO" : Resultado da Petrobras no trimestre deve decepcionar

A Petrobras deve divulgar nesta sexta-feira um dos piores resultados dos últimos anos devido a um conjunto de fatores que o BTG Pactual descreveu como "a tempestade perfeita" em relatório para clientes do banco.

O analista do banco Gustavo Gattass estima queda de 60% no lucro líquido da companhia, comparado ao trimestre anterior e de 45% na comparação com o terceiro trimestre de 2010.

O especialista prevê lucro de R$ 2,595 bilhões.
A receita deve ficar em R$ 40,5 bilhões e o Ebitda, em R$ 10,082 bilhões, o que representa um aumento de 6% e 3%, respectivamente, de um trimestre para outro.

Para efeito de comparação, o lucro da Petrobras no terceiro trimestre do ano passado foi de R$ 4,7 bilhões, quando contabilizou receitas de R$ 30,88 bilhões e Ebitda de R$ 8,1 bilhões.

As projeções do BTG são menores que as do Deutsche Bank, que espera um lucro líquido de R$ 4,779 bilhões e R$ 15,448 bilhões para o EBITDA no terceiro trimestre deste ano.

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O conjunto de fatores que deve jogar para baixo o resultado da Petrobras nos últimos três meses, com reflexos no consolidado de 2011, inclui falta de recuperação na produção de óleo e gás, paradas para manutenção de plataformas, câmbio desfavorável e baixos preços dos derivados no mercado doméstico, ressalta o analista do BTG Pactual.

Esse último problema foi minimizado pelos aumentos de 10% da gasolina e de 2% no diesel no fim do mês passado, mas que só farão realmente diferença nos últimos meses do ano.

A estimativa da própria Petrobras é que o aumento dos derivados - mesmo considerando que o diesel não agradou já que se mantém abaixo da paridade internacional em cerca de 15% - trará uma receita adicional de US$ 1,5 bilhão por ano, ou US$ 125 milhões mensais.

Entre julho e setembro o preço do petróleo do tipo Brent, que é usado como referência pela Petrobras, caiu 10,26%. O dólar, que teve variação de 20,49% no período, afeta a companhia porque ela tem dívidas denominadas nessa moeda, como também ativos e operações no exterior, incluindo importações de derivados a preços internacionais para atender o mercado brasileiro.

Já a produção é um assunto à parte.

Depois da euforia das descobertas do pré-sal, que foi seguida pela capitalização que tirou o humor de grande parte dos analistas do mercado financeiro, a Petrobras enfrenta uma preocupante dificuldade para aumentar sua produção nos níveis esperados tanto por ela quanto pelos acionistas privados.

O problema, causado em parte pela frequente paralisação de plataformas para manutenção - entre setembro e outubro onze unidades pararam -, está sendo potencializado por uma queda acelerada da produção de alguns campos gigantes e já maduros da bacia de Campos, entre eles Marlim, Albacora e Roncador, como destacou um relatório do Credit Suisse.

O banco suíço chamou a atenção para a taxa de depleção (redução da produção devido a um esgotamento natural dos reservatórios), que se acelerou a partir de 2009 e está em torno de 20% ao ano, quando a taxa média reportada pela companhia é de 7,5% a 10% ao ano.

Sobre isso, tanto o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, como o diretor financeiro, Almir Barbassa, explicaram recentemente ao Valor que o problema está sendo causado pela demora na entrega de sondas de perfuração para águas profundas.

Barbassa lembrou ainda que a partir de 2007 a empresa deslocou para a exploração do pré-sal equipamentos que deveriam ser usados para perfurar novos poços nos campos em produção.

"Deixamos de fazer para garantir os blocos [onde foram encontrados os campos do pré-sal]. E a estratégia foi um sucesso. Fomos responsáveis por um terço das descobertas mundiais nos últimos cinco anos, sem incluir as águas rasas e isso teve um preço em termos de manutenção da produção", disse o diretor.

O resultado negativo da Petrobras não será o único entre seus pares internacionais. A Shell teve queda de 19,46% no lucro em relação ao segundo trimestre.

Cláudia Schüffner | Do Rio Valor Econômico

novembro 09, 2011

FACA DE DOIS GUMES : APOSENTADOS DEVEM MAIS.

Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não estão preocupados em fazer economia ou estão mesmo precisando de dinheiro.

Em setembro, mês em que foi paga metade do 13º salário, eles voltaram a contrair mais empréstimos com desconto em folha (crédito consignado).

O volume de recursos contratados havia caído em agosto, mas, no mês seguinte, mesmo com dinheiro no bolso, os segurados voltaram a demandar uma quantidade maior de recursos e os valores subiram.

Segundo dados divulgados pela Previdência Social, as operações de crédito consignado realizadas por aposentados e pensionistas do INSS atingiram R$ 2,3 bilhões em setembro, quase 20% a mais que o financiamento obtido no mesmo mês um ano antes, que foi da ordem de R$ 1,9 bilhão.

Em relação a agosto, quando foram firmados contratos no valor de R$ 2,2 bilhões, o aumento foi de 3,41%.

Baixa renda
Quem mais buscou financiamento bancário foi o segurado de baixa renda, cujo benefício mensal corresponde ao piso salarial do país.

Eles foram responsáveis por 391,3 mil contratos no valor de R$ 879 milhões.
Em média, cada novo empréstimo comprometeu R$ 2,8 mil do orçamento familiar.

Os segurados na faixa salarial entre um e três salários mínimos fecharam 225,1 mil operações de crédito no mês, no valor total de R$ 729 milhões.
Em média, cada um deles aumentou sua dívida bancária em R$ 3,9 mil.

Já os segurados com renda acima de três salários mínimos assinaram 134,5 mil novos contratos de crédito consignado no valor de R$ 754 milhões.
O valor médio de cada contrato foi de R$ 6,3 mil.

Quase 87% dos novos empréstimos foram parcelados entre 49 a 60 meses, o que significa que os aposentados e pensionistas vão ficar com parte do salário mensal comprometido.

Vânia Cristino Correio Braziliense

UMA NOVA AGENDA (2)

O Brasil tem sérios problemas sociais a resolver, mas dispõe hoje de condições privilegiadas para equacioná-los.

Há recursos orçamentários suficientes para melhorar o atendimento na saúde, a qualidade da educação e os níveis de segurança pública.

O que tem faltado, e muito, é capacidade do governo petista de aplicar bem o dinheiro dos contribuintes em prol destas melhorias.

O que se percebe é que o poder do Estado para transformar a realidade tem sido desvirtuado para atender interesses localizados. É assim na economia, tanto quanto na área social.

"Temos um governo capturado por interesses espúrios, incapaz de produzir o bem comum", resumiu Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real e moderador do painel sobre a área social do seminário

"A Nova Agenda - Desafios e Oportunidades para o Brasil", promovido pelo Instituto Teotônio Vilela na segunda-feira no Rio.

Nenhum país se transforma de fato sem uma boa educação. Mas o que temos hoje no Brasil é um ensino dissociado da realidade dos alunos. No governo tucano, alcançamos o ideal de pôr todas as crianças na escola e o ensino fundamental praticamente se universalizou no país. Desde então o que mais foi feito?

Com a má qualidade do que se aprende em sala de aula, a evasão continua alta: entre os jovens com 15 anos de idade, apenas 43% estão na 8ª série ou no 2º grau. No ensino médio, as matrículas despencam. "Os estudantes perdem o caminho. É um problema que tem a ver com o conteúdo que é ensinado.

Falta uma ideia clara do que o aluno quer aprender", pondera Simon Schwartzman, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade.

Na saúde, é visível que um ciclo de importantes avanços foi rompido nos últimos tempos, a despeito de o setor contar com orçamentos crescentes, assegurados pela emenda constitucional nº 29. Nos últimos oito anos, saúde passou a ser o tema de maior preocupação dos brasileiros, de acordo com pesquisa da CNI. Por que é assim?

Porque o tempo de espera por consultas é alto; porque faltam medicamentos básicos e médicos; e porque a qualidade do atendimento ainda é precária. Programas importantes como o Saúde da Família foram simplesmente descontinuados: seu ritmo de crescimento caiu de 94% ao ano entre 1995 e 2002 para 8% desde então.

"O que vemos é ineficiência e maus resultados", disse André Medici, especialista e consultor do Banco Mundial.

Se os brasileiros não aprendem como deveriam, não obtêm o atendimento de saúde de que necessitam, também se veem diante da necessidade de suportar uma previdência social cada vez mais pesada e onerosa.

Com apenas 10% da população com idade acima de 65 anos, o Brasil tem gastos previdenciários equivalentes aos de nações onde esta faixa etária já representa um terço dos habitantes.

Com o aumento da expectativa de vida, são crescentes entre os brasileiros os casos de aposentados cujo tempo de contribuição à Previdência é menor ou igual ao tempo de fruição dos benefícios. "Não haverá carga tributária capaz de suportar o nível de gastos que temos hoje.

Quanto mais prorrogarmos o enfrentamento da questão, mais forte terá de ser a solução", alertou o economista Marcelo Caetano.

Problema cada vez mais aflitivo - e não só nos grandes centros - é o da segurança pública. O dado novo é que as ocorrências policiais estão migrando das capitais do Sudeste para os estados do Nordeste, que atualmente é a região onde se registra o maior número de casos: 36% do total no ano passado, ante 24% em 2004.

Claudio Beato, coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, vê a necessidade de mudanças institucionais na organização das polícias e a modernização da legislação processual como essenciais para melhorar os instrumentos de combate ao crime no país.

"São armadilhas institucionais que dificultam a ação dos estados no controle da violência", resume.

O seminário promovido pelo ITV mostrou que a oposição tem disposição e condições de apontar caminhos para um país melhor. E não é só para o futuro: administrações tucanas nos estados - oito são hoje governados pelo PSDB - também já têm obtido resultados animadores, por exemplo, no combate à violência, como São Paulo, e na melhoria na educação básica, como Minas Gerais.

Até por isso, a iniciativa do ITV foi saudada pelos principais jornais do país. "O seminário mostrou um partido ainda capaz de produzir ideias criativas. (...)

Uma democracia forte requer igualmente uma oposição vigorosa", opinou o Valor Econômico em editorial.

"O PSDB dá um primeiro sinal de ter reencontrado o caminho para se firmar como principal partido da oposição e se apresentar ao povo brasileiro como alternativa viável de poder no plano federal", agregou O Estado de São Paulo , também em editorial hoje.

"O PSDB mostrou que sabe reunir gente boa para pensar", comentou Dora Kramer.

Ninguém tem dúvida de que os tucanos sabem fazer melhor para o país. O grupo que anteontem se reuniu para debater ideias no Rio já mudou o Brasil uma vez e está pronto para mudar de novo.

Cada vez mais é preciso formulação e mobilização política. Em suma, perseverar no caminho que estamos seguindo.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

novembro 08, 2011

UMA NOVA AGENDA

Oposição existe para se opor.
E para fiscalizar e apontar erros e incapacidades de quem está no governo.

Mas existe, também, para pensar e propor novos rumos para o país. Foi assim no seminário realizado ontem pelo Instituto Teotônio Vilela no Rio. Novos caminhos se abriram, sempre voltados a buscar um Brasil melhor.

A constatação mais explícita é de que o país equilibra-se hoje sobre os avanços que o governo do PSDB conseguiu construir, e cujos passos iniciais caminham para completar 20 anos.

Tal constatação evidencia que uma nação que se transformou enormemente nestas duas últimas décadas precisa reinventar-se - e não regredir, como tem acontecido.

O PSDB deu mostras ontem, mais uma vez, de que é capaz de apresentar propostas coerentes e transformadoras para o Brasil.

Mais que isso, demonstrou coragem para enfrentar e romper interesses espúrios que se apoderaram do aparato estatal e o tornaram refém de grupos de pressão.

O que nos interessa é tornar o Brasil, de fato, um país de todos e não um país para poucos.

O seminário "A Nova Agenda - Desafios e Oportunidades para o Brasil" reuniu cerca de 600 pessoas. Foram dois painéis, tratando de temas econômicos e sociais.

Alguns de nossos melhores especialistas não se ocuparam apenas em apontar defeitos do modelo atual, algo que sempre foi uma marca do PT quando na oposição. Cuidaram, também, de sugerir alternativas, novos rumos. Construir, em suma.

É o caso, por exemplo, da proposta apresentada por Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central e um dos formuladores do Plano Real.
Ele sugere agora uma revolução na remuneração das três principais fontes públicas de crédito:
FAT, FGTS e poupança.

Hoje, tais fundos fornecem recursos a baixo custo a apenas alguns grupos de eleitos. Em contrapartida, remuneram mal seus cotistas, ou seja, a massa de trabalhadores e poupadores brasileiros.

A sugestão de Arida é tão singela quanto inovadora:
adotar para FGTS, FAT e poupança as mesmas taxas de juros de longo prazo praticadas pelo mercado.

O resultado seria a multiplicação do patrimônio dos trabalhadores, um aumento considerável da poupança doméstica e a redução de tributos, como PIS/Pasep. Trata-se, segundo ele, de "promover o bem geral em detrimento de privilégios localizados. Hoje, os mecanismos de crédito dirigido penalizam fortemente os trabalhadores".


Assim como a estabilização da moeda foi capaz de promover a maior justiça social que se tem notícia na história do país, as novas propostas em gestação na socialdemocracia também buscam estender a todos os brasileiros os benefícios de um mercado de consumo que se agiganta.

E também assegurar-lhes melhores condições de vida, saúde e educação para que progridam com as próprias pernas e não sob a tutela do Estado, como preza o modelo petista.

Assim, ficou explícita a necessidade de que novas reformas estruturais sejam levadas adiante, como sugeriu Gustavo Franco, também ex-presidente do BC.

"Elas atacam privilégios de minorias e geram benefícios para a maioria. Mas, exatamente por isso, sempre se chocam com a resistência destes grupos privilegiados".

Nos últimos anos, o que se viu no Brasil foi justamente o contrário disso: grupos de privilegiados ocupando e loteando cargos, numa briga desenfreada por poder.

"Estamos na direção errada:
a de um Estado capturado, cada vez menos eficiente e incapaz de suprir e preencher lacunas", resumiu Armínio Fraga, que também comandou o BC no governo Fernando Henrique Cardoso.

Junte-se ao cenário o baixo nível de investimentos públicos. Coube a Armando Castelar, da FGV, desmontar a falácia de que o PAC está redimindo os investimentos feitos pelo governo.

Em proporção do PIB, eles caíram de 5,4% na década de 1970 para 2,32% atuais.

Se tudo o que estiver programado se concretizar, em 2014 serão equivalentes a exatos 2,33% do PIB, ou seja, não sairão do lugar. "O problema não é falta de dinheiro; é de estratégia", disse ele.

Na síntese da economista Monica de Bolle, que atuou como moderadora do painel sobre a economia brasileira, o país está hoje estacionado sobre um "tripé perverso": elevadíssima carga tributária, taxas de juros muito altas e investimentos muito baixos.

"Temos de partir para a reconstrução de um Brasil que se tornou velho, clientelista e intervencionista".

O PSDB demonstrou que está começando a reinventar o futuro do Brasil. Deixou claro que tem opiniões próprias e diverge frontalmente da orientação que o governo do PT dá ao país, com sua impotência para produzir ideias novas e sua ineficiência para aproveitar as enormes potencialidades que se abrem.

Como disse o presidente Fernando Henrique:
"O país cansou de grandes tiradas genéricas; é hora de saber fazer". Uma nova agenda nesta direção começou a ser construída ontem.
(Continua amanhã.)

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

MUITO BOM! LEIAM : Continua a farsa da supergerente. AQUELA DO NÃO MENOS FARSANTE, O CACHACEIRO ASQUEROSO. AQUI NUNCA ENGANARAM."ROUBEM À VONTADE MAS NOS POUPEM"

Ilustrados pela foto do auditório auditório deserto, quatro trechos pinçados por Celso Arnaldo Araújo foram suficientes para escancarar de novo, sempre com apavorante nitidez, a superlativa mediocridade de Dilma Rousseff.

Mas o jornalismo oficialista é duro na queda: colunistas de grandes jornais continuam enxergando na chefia do governo a supergerente que nunca existiu. Justificadamente espantado com o que a turma andou escrevendo sobre a presidente que não diz coisa com coisa, Celso Arnaldo valeu-se de outro texto irretocável para tratar da epidemia de cegueira voluntária. (AN)

As dezenas de profissionais que integram a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República são pagos para defender a chefe.
E não há melhor forma de defesa do que a mistificaçãoarte de mentir sem faltar com a verdade, que no caso é uma questão de crença pessoal.

Por isso, não questiono jamais o tom e o teor das matérias do Blog do Planalto, que faz um trabalho parecido com o website oficial da monarquia britânica. Nós pagamos para essa gente defender a rainha. É a regra do jogo.

Mas a coisa muda de figura quando a tarefa de mistificar o perfil de Dilma se estende à nata de nosso jornalismo político – que, depois de dez desastrosos meses de governo, continua comprando, e vendendo aos leitores, a velha farsa de Dilma como a supergerente que comandou a escalada do Brasil das cavernas para o Primeiro Mundo, no governo Lula.

Na página A11 da Folha deste domingo, o sempre comedido Fernando Rodrigues ainda insiste no surrado mito, desmontado a cada razia da mídia no ministério da presidente, da chairwoman perfeccionista, onipresente e onisciente, perto de quem Steve Jobs se pareceria com o dono de uma falida oficina de máquinas de escrever.

Escreve FR, a pretexto de justificar o ritmo lento, quase parado, com que o governo toma decisões e implementa programas fartamente anunciados pela máquina de propaganda:
“Não há hipótese de a presidente receber algum interlocutor para tratar de alguma obra ou projeto governamental sem estar devidamente brifada a respeito
(…)
Dilma raramente vai se contentar com primeiras explicações. Fará perguntas adicionais e o encarregado terá de voltar aos estudos”.

Que lindo.
A presidente não se contenta com primeiras explicações, mas achou o programa Segundo Tempo mais perfeito que uma jogada de Neymar – aquele que “eu vi, deixei de ver, voltei a ver”.

Quem a brifou? Na certa, Orlando, depois de estudar muito o modus operandi dos ongueiros amigos.


Não fosse VEJA, o encarregado Orlando e sua quadrilha de malandros que roubam por esporte estariam ainda na zona do agrião, livres de marcação para estufar o cofre.

Quantos níveis de explicações – segundas, terceiras, quartas? – Dilma exigiu para compreender a tática “ladrão de bola” do Segundo Tempo?

Não é só.
Ao lado da “análise” de FR na Folha há outro texto, assinado por Natuza Nery, que traz o seguinte olho:
“Dilma criou ritual de ‘espancamento’ de projetos, em que faz questionamentos para ver se a ideia fica de pé”.

Quem, em sã consciência, de posse de suas faculdades mentais e decentes, realmente acredita nessa imagem tão pífia? Essa postura “épica-ética” de governar combina com os 10 meses da Presidência Dilma?

Não fosse a imprensa, a roubalheira dos projetos de ministérios até aqui implodidos ainda estaria de pé, apesar de cruelmente “espancados” por Dilma.
A mistificação se ramifica por todos os segmentos da mídia.

No circuito Elizabeth Arden, a revista Poder dedica sua capa a Dilma.
Mas a presidente manchetada na capa se parece com a que tomou posse em janeiro, não com a que vaza um ministro por corrupção a cada mês e meio:
SENHORA DO DESTINORigorosa com subordinados e aliados, elogiada até pela oposição, como a presidente Dilma vem mudando o jeito de governar o país.


Qual é, exatamente, o novo jeito de governar dessa mocinha da novela das 9?
O jeito de entregar ministérios com porteira fechada a larápios da base aliada? O jeito de levar a sério a promessa de construir 6 mil creches em quatro anos de governo? Madame, by the way, já inaugurou alguma, nesses 10 meses?

No corpo da matéria de oito páginas, a revista explica esse jeito novo de governar o país, reproduzindo fielmente o delírio de um assessor direto:
A presidente só faz perguntas difíceis. Na hora de despachar, é melhor estar preparadíssimo para respondê-la, caso contrário, é bronca na certa”.

Notaram?
É preciso estar preparado para “respondê-la” — bem ao estilo Dilma.

Um assessor com algum nível deveria estar preparado para responder ou responder a ela.
Na verdade, a presidente só faz perguntas difíceis porque não sabe fazê-las fáceis.

Quando se leu ou se ouviu em algum lugar uma pergunta ou uma resposta de Dilma que fosse fácil de fazer sentido?
É o caso de dizer:
roubem à vontade – mas nos poupem.