"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 19, 2011

O BRASIL DOS CANALHAS : VERBA DA MERENDA ESCOLAR PAGA UÍSQUE/BONECA/SUPERMERCADO/RAÇÃO PARA CACHORRO.


Em intervalo de menos de um ano, os alagoanos viram a realização de duas operações da Polícia Federal e um desfile de prefeitos, secretários, funcionários públicos e primeiras-damas presos, acusados do desvio de R$8 milhões, verba da merenda escolar.

Em 21 de outubro de 2010, foram cumpridos oito mandados de prisão temporária e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios de Maceió, Arapiraca, Craíbas, Limoeiro de Anadia, Lagoa da Canoa e Traipu.

Entre os presos, o prefeito de Traipu, Marcos Santos (PTB).
Em 30 de março último, a mulher dele, a primeira-dama Juliana Kummer, e o filho, Marcos Santos, tiveram o mesmo destino, a prisão, durante a segunda operação da PF, a Mascotch.

Na operação, cinco primeiras-damas foram acusadas de trocar verba da merenda por caixas de uísque, boneca, compras em supermercado e ração para cachorro.


Alagoas tem, proporcionalmente, o maior número de analfabetos e de abandono escolar do país.

FALÊNCIA MORAL DA DEMOCRACIA BRASILEIRA.


A sociedade brasileira está em crise.

Não sabemos, como povo organizado, qual é o nosso padrão de comportamento. Nas últimas décadas estivemos preocupados com outras coisas, que encheram a nossa agenda, ao ensejo da saída do último ciclo autoritário para a construção da Nova República. Não foi resolvida, no entanto, a questão da moral social, que daria embasamento às instituições.

Acontece que sem equacionar essa questão tudo o mais fica no ar:
Constituição, Códigos de Direito Civil e Penal, funcionamento adequado dos poderes públicos, pacto federativo, respeito às leis, organização e funcionamento dos partidos políticos, fundamento das práticas econômicas em rotinas de transparência que dariam ensejo ao que Alain Peyrefitte denominava "sociedade de confiança", governabilidade, etc.

Definamos o que se entende por moral:
como frisa mestre Antônio Paim no seu Tratado de Ética, ela consiste num "conjunto de normas de conduta adotado como absolutamente válido por uma comunidade humana numa época determinada".

A moral tem uma dupla dimensão, individual e social.
A primeira se identifica com o que Immanuel Kant denominava "imperativo categórico da consciência".

A segunda consiste na definição do mínimo comportamental que uma sociedade exige dos seus indivíduos para que se torne possível a vida em comunidade. A moral social pode ser de dois tipos:
Vertical, quando um grupo de indivíduos impõe ao restante o padrão de comportamento; social, quando o padrão de comportamento é adotado por consenso da comunidade.

A moral social consensual constitui, no mundo contemporâneo, o fundamento axiológico da vida democrática. No plano da moral social, no entanto, herdamos modelos verticais que não se ajustam aos ideais democráticos.

Os arquétipos de moral social sedimentados na História quadrissecular da Nação brasileira ressentem-se do vício do estatismo e da verticalidade que ele implica.

É evidentemente vertical o modelo de moral social herdado da Contrarreforma; nele os indivíduos deveriam agir, em sociedade, seguindo à risca os ditames provenientes da Igreja mancomunada com o trono, no esquema de absolutismo católico ensejado pelos Áustrias na Península Ibérica, ao longo dos séculos 16 e 17.

De outro lado, o modelo imposto pelo despotismo iluminista de Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, no século 18, não mudou radicalmente as coisas, pois pecava por manter a verticalidade da formulação do código de moral social, ao ensejo da "aritmética política" que passou a vigorar, ao redor dos seguintes princípios:
Compete ao Estado empresário, alicerçado na ciência aplicada, garantir a riqueza da Nação. É da alçada do Estado fixar a normas que consolidam a moralidade pública e privada.

O cidadão, em razão de tais princípios, ficava desonerado das incumbências de produzir a riqueza e de se comprometer com a definição da moral social, que nas democracias modernas terminou sendo configurada de forma consensual pelas respectivas sociedades.

Tudo se resolveria mediante a tutela do Estado modernizador sobre os cidadãos, considerados como simples peças da engrenagem a ser gerida pelo governo.

O ciclo imperial, com a preocupação da elite em prol da constituição e do aperfeiçoamento da representação, mantendo a unidade nacional contra os separatismos caudilhescos, num contexto presidido pelos ideais liberais, foi abruptamente rompido pelo advento da República positivista.
Frustraram-se assim, talvez de forma definitiva, a aparição e o amadurecimento de um modelo ético de moral social consensual.

Ora, a partir do arquétipo pombalino firmaram-se os modelos de moral social vertical que têm presidido a nossa caminhada ao longo dos dois últimos séculos, de mãos dadas com a cultura patrimonialista, que sempre entendeu o Estado como bem a ser privatizado por clãs e patotas, desde a República iluminista apregoada por frei Caneca, no início do século 19, à luz da denominada "geometria política", passando pela "ditadura científica" positivista, que se tornou forte ao ensejo do Castilhismo, no Rio Grande do Sul, nas três primeiras décadas do século passado, passando pelo modelo getuliano de "equacionamento técnico dos problemas" (elaborado pela segunda geração castilhista, com Getúlio Vargas e Lindolfo Collor como cérebros dessa empreitada, e cooptando, como estamento privilegiado, as Forças Armadas).

A última etapa dessa caminhada estatizante foi o modelo tecnocrático efetivado pelo ciclo militar, à sombra da "engenharia" política do general Golbery do Couto e Silva. Com o advento da Nova República tentou-se retomar a questão da representação política como meio para configurar, no País, a formulação de uma moral social consensual.

No entanto, o fracasso da reforma política que levaria ao amadurecimento da representação terminou dando ensejo, no ciclo lulista e na atual quadra do pós-lulismo, à consolidação de modelo vertical de moral social formulado no contexto do que se denomina "ética totalitária", segundo a qual os fins justificam os meios.

A cooptação de aliados pelo Executivo hipertrofiado, no seio de uma consciência despida de freios morais, terminou dando ensejo à atual quadra desconfortável de corrupção generalizada, que ameaça gravemente a estabilidade econômica, duramente conquistada nas gestões social-democratas de Fernando Henrique Cardoso.

O Brasil perde o seu rumo, num mundo agressivo e cada vez mais interdependente, assombrado pela ética totalitária petista, aliada, na síndrome lulista do "herói sem nenhum caráter", a desprezíveis formas de populismo irresponsável, que elevou como ideal o princípio macunaímico de levar vantagem em tudo, num sórdido cenário de desfaçatez e incultura.

Tudo presidido pela maré estatizante que se apropria da riqueza da Nação para favorecer a nova casta sindical e burocrática que emerge ameaçadora, excludente e voraz.

Ricardo Vélez Rodriguez O Estado de S. Paulo

Focus: mercado prevê aumentos da inflação e da taxa básica de juros

Os esforços do Banco Central (BC) para conter a inflação, por meio de elevações da Selic (taxa básica de juro) e aperto no crédito, ainda não convenceram os analistas, que voltaram a prever aumento do IPCA para os próximos 12 meses.

Segundo a pesquisa semanal Focus, divulgada ontem pelo BC, a projeção do mercado para o índice em 12 meses subiu pela quinta semana seguida e ficou em 5,37%. Na anterior, esse percentual era de 5,29%.

O pessimismo também ficou claro nas expectativas para a Taxa Selic de 2012, que passou de 12,5% ao ano para 12,63%. Para 2011, ela permaneceu em 12,75%. O Focus manteve as projeções para o IPCA fechado em 2011, em 6,31%, e para o próximo ano, em 5,20%.

As estimativas para o crescimento da economia também sofreram pouca alteração: para 2011, a projeção é de um crescimento de 3,94%. Para 2012, o percentual caiu de 4,1% para 4%. Já o prognóstico para a taxa de câmbio no fim deste ano permaneceu em R$1,60.

- As medidas adotadas pelo Banco Central para conter a inflação têm um efeito comedido sobre a atividade. Elas estão aquém do necessário. O vigor da economia continua bastante forte - afirmou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, destacando que, por isso, o mercado trabalha com a perspectiva de alta dos juros até o fim do ano.

Economistas divergem sobre número de altas da Selic
Ele prevê que o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, vai elevar em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic em sua reunião que começa hoje. Em agosto, segundo ele, haverá nova alta com o mesmo valor.

A taxa está hoje em 12,25% ao ano:
- Em 2012, o quadro pode se complicar. Por isso, parte do mercado prevê que o ciclo de alta dos juros terá de ser maior. -
Na cabeça do mercado, a avaliação é que a inflação permanece alta no horizonte de 12 meses e que o aperto monetário em curso não é suficiente para trazê-la para o centro da meta - diz a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

A Tendências é mais pessimista que o Focus em sua expectativa para o comportamento da Selic até o fim do ano que vem.

A consultoria espera mais três movimentos de alta na taxa ainda em 2011, até atingir 13% ao ano em outubro, nível que poderá ser mantido em 2012. Outros 11 analistas ouvidos pelo GLOBO também apostaram em alta de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom que começa hoje.

Há consenso entre esses economistas de que a pressão inflacionária vai se manter no segundo semestre, puxada pelo setor de serviços, cujos preços subiram cerca de 9% nos últimos 12 meses. Os economistas divergem, porém, sobre a continuidade do processo de alta de juros nas reuniões de agosto e outubro do Copom.

Enquanto o HSBC, por exemplo, acredita que a reunião dessa semana será a última em alta da Selic no ano, o Santander espera que o BC faça mais duas elevações de 0,25 ponto.

Martha Beck, Geralda Doca, Paulo Justus e Wagner Gomes O Globo

E NO "PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA" : A ÉPOCA DE OURO DA CORRUPÇÃO.

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(...)
Desde sábado, mais uma série de denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, no Dnit e na Valec foram divulgadas pela imprensa.
É um manancial sem fim:
aditivos contratuais que se multiplicam, contratos sem licitação que se avolumam, contratações fraudulentas de empresas de fachada para empregar cupinchas.


Na sexta-feira, mais duas pessoas foram afastadas do governo, elevando para seis o número de demitidos em função das irregularidades nos Transportes reveladas ao longo das últimas duas semanas.

Um ponto em comum os une:
todos operaram o balcão de negócios escusos de forma superlativa no mesmo período em que transcorria a campanha eleitoral que levou Dilma Rousseff à presidência.


O segundo semestre do ano passado, quando corria a disputa pela sucessão de Lula, emerge como a "época de ouro" das irregularidades nos bilionários contratos de obras da área de transportes, cevados pelo marketing enganoso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Senão, vejamos.


Entre julho e dezembro passados, os aditivos contratuais no Dnit mais que dobraram em comparação com o mesmo período de 2009, mostrou a Folha de S.Paulo em sua edição de ontem.

Nos últimos seis meses de 2009, o órgão assinou 53 termos aditivos, que aumentaram o valor dos contratos em R$ 309 milhões. No mesmo período de 2010, os aditivos saltaram para 113 e a quantia extra liberada chegou a R$ 787 milhões, com crescimento de 154%.


Um exemplo gritante, citado na edição da revista Veja desta semana:
a duplicação da BR-101, no trecho entre Palhoça (SC) e Osório (RS).
Seu preço foi aumentado em 73% por meio de aditivos, determinados pelo petista Hideraldo Caron, diretor de Infraestrutura do Dnit.


Outros casos, relatados pela IstoÉ:
BR-265 e BR-317. Vale lembrar que a Lei de Licitações estabelece que aditivos não podem ultrapassar 25% do valor original do contrato...


Ainda segundo a reportagem da Folha, 59% do valor dos aditivos concedidos no segundo semestre do ano passado (R$ 466,7 milhões) foi para contratos firmados com empresas que registraram doações para políticos ou partidos da base aliada. A conexão entre a campanha petista e os dutos da corrupção parece, pois, mais que evidente.

Não foram só os aditivos que incharam ao longo da disputa presidencial. Mostra a edição d'O Globo de hoje que em 2010 o Dnit também aumentou em 33% o valor de contratos feitos por meio de dispensa de licitação.

"Em 2009, o órgão gastou R$ 171,4 milhões em 90 contratos que não passaram pelo processo de concorrência pública. Em 2010, R$ 228,2 milhões foram destinados a empresas sem licitação, em 80 contratos".


Tem mais, ainda n'O Globo:
também os valores repassados por meio de convênios a estados, municípios e outros órgãos governamentais decolaram no ano eleitoral.
Saíram de R$ 78,8 milhões em 2009 - quando foram celebrados 18 - para R$ 116,5 milhões no ano passado, quando o Dnit firmou apenas três convênios.


Mas o esquema de desfaçatez também opera a ocupação da máquina pública por meio de pequenas sucursais. Revela O Estado de S.Paulo hoje que empresas de fachada são usadas pelo Dnit, e também pela Valec, para contratar profissionais para a gestão de obras do PAC sob suspeita de corrupção.

Os escolhidos para trabalhar - a maioria advogados - são indicados pelo PR e recebem salários de até R$ 16 mil. Os contratos envolvem pelo menos R$ 31 milhões, dos quais R$ 13 milhões sem licitação.

Num deles, oito empresas que ofereceram propostas mais baratas foram desclassificadas pela comissão de licitação do Dnit.


A lista de suspeitas, irregularidades e indícios de corrupção é extensa e cresce a cada dia. A presidente da República prometeu limpar a área, mas escalou para a função um funcionário que lá esteve durante todo o período em que as maracutaias se desenrolaram - Paulo Sérgio Passos era, inclusive, o ministro de fato no período eleitoral de 2010.

São fundadas as suspeições e premente a necessidade de se aprofundar as investigações. Se não deve, o governo Dilma não precisa temer a instalação de uma CPI para investigar a atuação do Dnit e dos demais órgãos da área de transportes.

Enquanto isso não acontece, a raposa continua solta e fagueira dentro do galinheiro.


Original/Íntegra :
A época de ouro da corrupção

E NO GOVERNO DO (p)ARTIDO (t)ORPE... ROUBO CONTRA CRIANÇAS E DOENTES : DAS VERBAS DESVIADAS POR CANALHAS, 70% SÃO DE SAÚDE E EDUCAÇÃO

desvio da saúde no Governo de SP geraldo Alckmin e Serra PSDB
Educação e Saúde, os dois maiores orçamento do governo, são também os principais focos de corrupção no país e responsáveis por cerca de 60% a 70% dos desvios de recursos públicos.

Irregularidades em reformas de escolas e hospitais, verba de merenda, construção de quadra esportiva, compra de medicamentos, procedimentos do SUS, entre outros, estão entre os principais ralos dos desfalques dados no Erário.

O levantamento é do Departamento de Patrimônio e Probidade da Advocacia Geral da União (AGU). O foco da corrupção está nos repasses de valores geralmente inferiores a R$100 mil, mais difíceis de serem identificados e, portanto, menos detectados pela fiscalização.
No caso da Saúde, estão incluídas também obras de saneamento.

Para o diretor do Departamento de Patrimônio e Probidade da AGU, André Luiz de Almeida Mendonça, as obras menores dão mais trabalho para fiscalizar e evitar o dano:
- Quando você trata de uma grande obra, naturalmente várias pessoas estão em torno dela.

Quando você pulveriza o dinheiro público, dificulta a fiscalização e a percepção de que tem que fiscalizar. Nas pequenas obras e nos pequenos repasses é que encontramos o maior fluxo de casos de desvios. Um fator que contribui para os desvios nos ministérios da Saúde e da Educação é o tamanho do orçamento das duas pastas.

Os dois têm mais recursos que qualquer outro ministério (com exceção da Previdência, que incorpora os gastos com custeio no pagamento aos aposentados). No Orçamento de 2011, são R$77,15 bilhões para a Saúde e R$63,71 bilhões para a Educação. "O SUS virou balcão de negócios"

Para Francisco Batista Jr., ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde, o grande problema é o SUS:
- O SUS hoje virou um grande balcão de negócios com o setor privado do país. Está sem controle. Na Educação, Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, diz que é comum o uso de recursos da área para pagar folha de outros setores.

Além disso, segundo ele, é comum a contratação de empresas privadas para fornecer serviços que já são prestados pelo poder público. - Outro problema corrente, bastante grave, é a contratação de serviços de empresas privadas que não deveriam ser contratados. Isso porque as necessidades já são supridas por programas nacionais, caso dos livros didáticos - diz Cara.

André Mendonça diz não ser possível apontar exatamente onde, nos serviços de Saúde, ocorrem mais desvios. Isso porque o volume de recursos para o sistema é muito alto e com várias divisões. Há casos, diz ele, em que médicos atendem pelo SUS e, ainda assim, cobram por fora do paciente, embolsando duas vezes. Mendonça diz ainda que a fiscalização na Educação é mais falha que na Saúde.

Em março, O GLOBO revelou que só 5% do dinheiro repassado pelas chamadas transferências fundo a fundo - diretamente aos cofres de estados e prefeituras - caem na rede do controle, pelo programa de sorteio de municípios da Controladoria Geral da União (CGU).

Apenas as tomadas de contas concluídas entre 2007 e 2010 somavam desvios apurados de R$662,2 milhões nas duas áreas. Faltam mecanismos para verificar como o dinheiro federal foi gasto em estados e municípios. O Ministério da Saúde não consegue checar a veracidade dos relatórios dessa prestação de contas.

Outro problema é a falta de autonomia dos conselhos municipais de Saúde e Educação para fiscalizar as prefeituras. Relatório da CGU apontou que metade dos conselhos está desestruturada ou não funciona adequadamente.
(...)
O principal mecanismo é a restrição dos saques em dinheiro na boca do caixa, com a garantia de que o dinheiro sairá das contas dos fundos municipais e estaduais de Saúde e Educação diretamente para a conta do prestador do serviço ou do fornecedor. Essas medidas foram tomadas após recomendações de CGU, TCU e Ministério Público.

Agência o globo

julho 18, 2011

PARLAPATÃO CACHACEIRO.

Que raciocínio tosco o de Lula ao traçar um paralelo entre gastos do governo com anúncios em rádio, televisão e jornal, e gastos com patrocínio de congressos como o da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizado na semana passada, em Goiânia. Lula está cansado de saber que feijoada com paio nada tem a ver com Cid Sampaio. Mas como aposta na ignorância alheia…

Cid Sampaio foi um político da extinta União Democrática Nacional (UDN). Governou Pernambuco entre 1959 e 1963. Químico industrial e usineiro, se opôs ao golpe militar de 1964, mas em seguida aderiu à Arena, partido do governo. Elegeu-se deputado federal. E, mais tarde, como suplente, assumiu uma vaga no Senado.

Entrou nessa história por causa do paio, que ganhou lugar aqui por causa da mania de Lula de apelar para falácias. É mestre do engodo. Por que o governo gasta muito dinheiro com anúncios? Ora, para “vender suas realizações”. Em muitos casos, para contar também com a boa vontade de uma imprensa servil, colaboracionista e chapa-branca.

Anunciar, portanto, atende aos seus interesses – dos legítimos aos inconfessáveis. Um veículo de comunicação só pode se comportar com independência, exercendo seu papel de fiscal rigoroso dos poderes públicos e privados, se for economicamente independente. É uma pena que por toda parte tão poucos de fato o sejam.

Mas desses, registre-se, não se queixam políticos como Lula. Pelo contrário.Queixam-se, sim, daqueles que não podem controlar de um jeito ou de outro. Daqueles que não se orientam por sua cartilha ideológica. Daqueles que acertando ou errando teimam em tentar corresponder às expectativas do distinto público.

A presidente Dilma Rousseff tem demonstrado compreender melhor do que Lula para que serve a imprensa. Um governo sábio tira partido das críticas da imprensa para tentar governar melhor. Um governo sábio enxerga na imprensa um aliado e aproveita suas denúncias para corrigir o que anda mal.

Quanto ao Congresso da UNE… O dinheiro gasto com ele por ministérios e empresas estatais atende a um único e censurável objetivo: o de manter sob rédea curta, curtíssima, a mais conhecida das entidades estudantis. Cooptá-la já não é mais preciso. Cooptada ela já foi desde que chegaram ao poder os partidos que a dominam.

Até o golpe militar de 1964, a UNE freqüentava os salões da República, mas não era sócia dos seus donos. A eles se opunha com alguma freqüência e com maior ou menor virulência. Talvez por isso fosse respeitada e temida. Mais de uma vez os presidentes Juscelino Kubistchek e João Goulart, por exemplo, foram obrigados a negociar com ela.

Formalmente extinta pelo golpe, a UNE sobreviveu ao incêndio de sua sede no bairro do Flamengo, no Rio, articulou-se com o resto da oposição e liderou em todo o país gigantescas manifestações de massa contra o regime dos generais. As reivindicações específicas dos estudantes cederam a vez à reivindicação coletiva por liberdade.

Em 2003, o partido que manda na UNE há décadas, o PC do B, subiu a rampa do Palácio do Planalto junto com o PT de Lula. E foi a partir daí que a UNE esqueceu a sua história e vendeu sua alma. Apequenou-se. Acabou entrando para o elenco dos chamados “movimentos sociais”, todos eles alimentados por verbas do governo.

A lei da anistia só prevê reparações de caráter pessoal a familiares e vítimas da ditadura de 64. O governo Lula aprovou outra lei no Congresso para permitir que a UNE recebesse a título de reparação uma bolada de R$ 44.6 milhões destinada à construção de sua nova sede – um prédio de 13 andares, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Hoje, a UNE que em 1940 defendeu o fim da ditadura do Estado Novo, que em 1942 pregou o apoio aos Aliados contra o nazismo, que em 1956 combateu nas ruas do Rio o aumento do preço da passagem dos bondes, e que no início dos anos 60 criou o Centro Popular de Cultura, não passa de uma fotografia desbotada pela ação do tempo.

O Mestre do engodo

COLUNA DE RICARDO NOBLAT,O GLOBO

"A verdade não se impacienta, porque é eterna"... UM DOM QUIXOTE CONTRA A CORRUPÇÃO.

Perguntado se, na sua luta de quase uma décadas, as decepções foram capazes de derrubá-lo, o advogado respondeu citando Rui Barbosa:

- Não há que desesperar da sorte do bem. A verdade não se impacienta, porque é eterna. Uns plantam a semente da couve para o prato de amanhã, outros a semente do carvalho para o abrigo no futuro. Aqueles cavam para si mesmos. Estes lavram para o seu país, para a felicidade dos seus descendentes, para o benefício do gênero humano.

A batalha do advogado mineiro José Edgard Amorim Pereira, de 80 anos, é das mais inglórias.

O advogado José Edgard / Foto: Pedro Pereira

Sozinho, ele briga há dez anos na Justiça para que antigos deputados estaduais de Minas devolvam aos cofres públicos os altos pagamentos recebidos de forma secreta, no contracheque, a título de auxílio-gabinete, entre 1999 e 2001.


Quando se descobriu que os deputados conseguiam embolsar mais de R$100 mil por mês graças à manobra, os pagamentos extras foram cortados, mas nenhum centavo foi devolvido.


Amorim nunca concordou com isso.
E, como um herói do sonho impossível, buscou a Justiça para propor uma ação popular e buscar a reparação a um dano que, em valores corrigidos, calcula em mais de R$200 milhões.
Perguntado se já leu o livro mais famoso de Miguel de Cervantes, ele reage.


- O senhor me acha meio quixotesco? Eu não me acho. Sou apenas comprometido com o bem público - afirma.

O advogado mineiro lembra mais Dom Quixote quanto antepõe seus ideais à sua conveniência. E por mais inútil que pareça a luta contra os moinhos de vento, ela é necessária ao seu desejo e, no seu entender, ao mundo.
No entanto, por causa da saúde e da idade avançada, sua batalha está chegando ao fim.


- Lutar contra toda essa estrutura é meio quixotesco mesmo - admitiria um pouco depois.

A estrutura a que ele se refere é algo mais do que os 77 deputados réus na ação -- dos quais 20 ainda estão no Legislativo estadual. Quem vinha comparecendo aos tribunais mineiros para defender os parlamentares não eram seus advogados particulares, mas os procuradores da própria Assembleia, pagos com dinheiro público.

No fim das contas, é como se todos estivessem contra Edgard Amorim - não apenas os deputados, mas também os cidadãos em geral, financiadores da atividade pública.


- Não há cabimento que o erário estadual arque com os custos da utilização de sua procuradoria jurídica para defender o indefensável. Quando a própria Assembleia aprovou decreto no plenário acabando com os supersalários, era de se esperar que o estado passasse a figurar no polo ativo, ao meu lado, para recuperar valores pagos ilegalmente - diz ele.

O que aconteceu foi exatamente o contrário.
Em 10 anos de briga judicial, os procuradores da Assembleia se armaram para protelar a ação. Pensaram em anulá-la com recursos ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais e ao Superior Tribunal de Justiça.

Brigaram para que fossem citados não apenas os deputados da 14ª Legislatura, mas também os de duas legislaturas anteriores, que teriam se beneficiado da verba extra. Triplicar o número de réus (que ultrapassariam 200 nomes) era uma forma de inviabilizar a disputa.


Embora o episódio dos supersalários seja antigo, nem todos os personagens ficaram no passado. É o que mostram as 149 páginas mais impressionantes dos 17 volumes de processo, onde está relatada a contabilidade dos pagamentos secretos.

Além de um rendimento fixo de pouco mais de R$18 mil mensais a título de salário e penduricalhos diversos - como auxílio-moradia, adicional da atividade parlamentar, subsídios e até gratificação de Natal -, os parlamentares recebiam um extra classificado como "apoio de gabinete variável", por meio do qual eram cometidos os abusos.


Na época vice-presidente da Assembleia e atualmente vice-governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP) recebeu em dois anos e meio um extra de R$1,9 milhão. No mesmo período, o atual presidente da Assembleia, o deputado Dinis Pinheiro (PSDB), embolsou R$1,6 milhão. Recém-eleito para um cargo no Tribunal de Contas do Estado, o então deputado Mauri Torres (PSDB) faturou R$2,3 milhões.

Da ação popular, também consta a dupla que atualmente é o principal calo no pé do governador Antonio Anastasia (PSDB):
o deputado Rogério Correia (PT), atual líder do bloco da oposição, recebeu entre 1999 e 2001 um extra de R$1,4 milhão.

Antonio Júlio (PMDB), hoje líder da minoria, R$2,2 milhões.

Por meio da assessoria, Pinto Coelho e Antonio Júlio disseram que nada comentariam porque o caso está sub judice.
Pinheiro, Torres e Correia não retornaram os contatos.


Em todos esses anos, Amorim atendeu sozinho as demandas da ação.
Professor aposentado da Faculdade de Direito da UFMG e do Banco Brasil, dedicou todas as suas energias à questão.

Há um mês, a juíza da 2ª Vara da Fazenda Estadual, Lilian Maciel Santos, determinou o encerramento do processo sem o julgamento do mérito, por considerá-lo semelhante a outra ação popular, com o mesmo objeto, ingressada anteriormente.

A medida contraria decisão do juiz antecessor da mesma vara.
Seria a hora de o advogado levantar novamente as armas e recorrer da decisão.

Mas ele decidiu entregar os pontos.


- Estou indo para 81 anos, não dou mais conta de enfrentar essa história toda - diz Amorim, que, semana passada, encaminhou despacho solicitando a intimação do representante do Ministério Público para que se assegure o prosseguimento da ação.

O MP atendeu ao chamado e já decidiu continuar a batalha.


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ESTADO PELEGO : Governo abre brecha para aparelhamento nos Correios (20.000/POSTOS/NÍVEL ESTRATÉGICO AO TÁTICO-OPERACIONAL).

Uma mudança cirúrgica no estatuto dos Correios, feita em maio deste ano, permite ao Partido dos Trabalhadores aparelhar os principais cargos de direção, chefia e gerência da estatal.

"Dono" dos Correios no governo da presidente Dilma Rousseff, após uma longa hegemonia do PMDB na era Lula, o partido poderá agora levar funcionários de carreira de outros órgãos do governo para assumir vagas de presidentes de comissões de licitação, diretores regionais, superintendentes executivos, diretores regionais, chefes de departamento, coordenadores de negócios e de operações, entre outros cargos.


Até então, essas funções só podiam ser ocupadas por servidores concursados da estatal. A partir de agora, o governo está livre para tirar os funcionários de carreira e trocá-los por apadrinhados políticos.

A manobra está no Decreto 7.483, assinado no dia 16 de maio pela presidente Dilma Rousseff e pelos ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Miriam Belchior (Planejamento). A decisão, que não precisou passar pelo crivo do Congresso, criou dois artigos que não existiam antes, os de número 43 e 44.

Os artigos permitem aos Correios requisitar, da administração pública direta e indireta, funcionários para ocupar "funções gerenciais e técnicas" na estatal. Serão atingidas as unidades regionais e as vinculadas à diretoria executiva da empresa.

A estatal foi palco de grandes escândalos no governo passado, incluindo o do mensalão, em 2005, e a queda de Erenice Guerra da chefia da Casa Civil no ano passado. Erenice era o braço direito de Dilma quando a petista comandava a pasta.
Agora, no governo Dilma, o PT foi escalado para tentar mudar a fama ruim dos Correios.

Reação interna

As mudanças nos estatutos foram coordenadas pelo vice-presidente de Administração, Nelson Luiz Oliveira de Freitas, e abriram uma crise interna na empresa. Entidades ligadas a servidores de carreira da estatal apontam um aparelhamento por gente de fora, sem experiência com os Correios.

"Isso vai prejudicar a profissionalização da empresa e certamente atingirá o serviço à sociedade", diz Luiz Alberto Menezes Barreto, presidente da Adcap, associação dos servidores de nível superior dos Correios.
Para a entidade, cerca de 20 mil funções técnicas e gerenciais podem ser alvo da nova regra estabelecida por decreto.

A direção da estatal rebate a informação e alega que a mudança se restringe a 761 funções:
"A cessão (de servidores de outros órgãos) é uma oportunidade de compartilhamento de experiência entre pessoas que são subordinadas ao mesmo patrão:
o governo".


Segundo a assessoria dos Correios, pelo menos 15 pessoas já assumiram cargos na empresa pegando carona na mudança do novo estatuto.

Exemplos

Os artigos 43 e 44 abriram a brecha que permitiu, por exemplo, nomear Adeílson Ribeiro Telles chefe de gabinete do presidente dos Correios, o petista Wagner Pinheiro. Filiado ao PT, Telles também é dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Wagner Pinheiro chegou ao comando da estatal pelas mãos da presidente Dilma Rousseff depois de presidir o Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás.
Três dirigentes do Instituto Federal de Santa Catarina foram deslocados para cuidar da Universidade dos Correios, que capacita seus funcionários.

Diretorias

Até o governo passado, as 27 diretorias regionais dos Correios só podiam ser ocupadas por funcionários de carreira. Agora, os cargos, estratégicos dentro da empresa, também poderão ser assumidos por servidores de outros órgãos públicos.

Os superintendentes executivos, que atuam abaixo dos vice-presidentes, também poderão ser requisitados de outras áreas. A empresa tem hoje pelo menos 230 gerentes espalhados pelo Brasil, todos agora enquadrados na nova regra, assim como coordenadores e assessores.

Os cargos abrangidos pelas mudanças foram especificados no Manual de Pessoal dos Correios, documentos elaborado por sua direção.
Hoje, a estrutura dos Correios só permite que o presidente e os vice-presidentes sejam de livre nomeação, ou seja, não precisam ter vínculo com órgãos públicos. Os demais funcionários são concursados.

Cada vice pode ter apenas dois assessores de livre nomeação, ou seja, não precisam de concurso público. No mais, os Correios não possuem em sua estrutura cargos de confiança. É por meio deles que os partidos políticos conseguem aparelhar órgãos públicos para comandá-lo.

Sem essa possibilidade na estatal, a saída foi permitir que petistas que trabalham em outros órgãos do governo possam assumir funções de chefia, de gestão, dentro da empresa postal.

A mudança no estatuto permitirá, por exemplo, que um carteiro seja alçado a um cargo vinculado à diretoria dos Correios.
Foi o que ocorreu recentemente no Rio Grande do Sul.

Rui Nogueira e Leandro Colon O Estado de S. Paulo

REDUÇÃO DE R$ 50 bi : TESOURADA FICOU SÓ NA TEORIA E NÃO SAIU DO PAPEL. HOUVE AUMENTO DE GASTOS ONDE NÃO DEVERIA.

Assim que escalou sua equipe econômica para anunciar o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano, no fim de fevereiro, o Planalto quis passar a sensação de que a promessa política de ajuste fiscal seria, de fato, concretizada.

E apontou diversas soluções para a redução das despesas por meio de um decreto de "reprogramação orçamentária", no qual planejou um "esforço administrativo", a fim de diminuir despesas livres e obrigatórias — meta difícil de ser cumprida, na avaliação de economistas.

Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, anunciaram auditoria externa a ser realizada pela Fundação Getulio Vargas para os gastos com pessoal, auditorias especiais, hoje em fase de conclusão, em 61
instituições federais de ensino superior e combate a desvios no seguro-desemprego.

Além disso, planejaram adiar concursos públicos e revisar novas admissões.
Nada disso, porém, surtiu efeito.

Nos primeiros seis meses do ano, os gastos com a folha de pagamento do funcionalismo público aumentaram 12% em relação ao mesmo período de 2010, assim como o valor desembolsado com o seguro-desemprego, que apresentou crescimento de 14%.

O montante repassado para funcionários e docentes dos institutos de ensino superior também subiu mais de 30%.
Para piorar, a promessa de aumentar os investimentos públicos em infraestrutura foi por água abaixo.

Os R$ 17,8 bilhões desembolsados com verba do Orçamento da União em obras no primeiro semestre são 7% inferiores ao montante registrado no mesmo período do ano passado.

"O anúncio do governo, feito logo depois da posse da presidente, foi muito mais político do que econômico. Não que a proposta não seja factível, mas a pressão que o governo sofre, incluindo até a disputa por cargos, dificulta esse processo", avalia o vice-presidente do Sindicato dos Economistas de São Paulo, Paulo Brasil.

Segundo ele, a queda dos investimentos em infraestrutura também é preocupante, principalmente diante dos dois eventos internacionais que serão realizados no país: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

"Estamos vendo esses escândalos (no Ministério dos Transportes) pipocando na imprensa, o que demonstra que que o ralo é muito maior que o imaginado. Não há gestão austera que sobreviva a isso", afirma.

No fim de junho, Mantega garantiu que o governo está cumprindo a sua parte. "A execução orçamentária está caminhando de acordo com o planejamento que fizemos.

Temos cumprido o (superavit) primário e até passando do estabelecido. A despesa está crescendo menos do que o PIB. Portanto, estamos alcançando a meta de contenção das despesas. Vamos cumprir todos os compromissos que assumimos", prometeu.

O Ministério do Planejamento, que gerencia as despesas na Esplanada, reconhece o aumento da folha de pagamento. A pasta atribui o crescimento a três fatores: "aumento vegetativo" da folha, implementação da parcela de julho de 2010 e ingresso de 28,6 mil concursados, sendo o último motivo, "de longe, o fator preponderante".

Como a maioria das novas contratações foi feita por meio do Programa de Expansão e Interiorização das Instituições Federais de Ensino Superior (Reuni), do Ministério da Educação, também houve considerável aumento nas instituições.

A pasta, via assessoria de imprensa, argumenta ainda que a redução dos investimentos "é muito pequena" e faz parte do ciclo normal dos desembolsos.

"Esse tipo de gasto não possui, diferentemente do custeio, uma regularidade ao longo dos meses, haja visto o cronograma de etapas a que estão sujeitos", informa.

O ministério também reconhece que a auditoria externa que seria feita pela FGV ainda está em fase de diagnóstico, definições e planejamento. Além disso, aponta o órgão, a Controladoria-Geral da União e o Ministério da Fazenda colaboram com a fiscalização da folha de pagamento.

Leandro Kleber Correio Braziliense

CONSCIENTE/LENIENTE OU INCONCIENTE/INDOLENTE? MALES DA SOCIEDADE BRASILEIRA : FUROR ARRECADATÓRIO, DELÍRIO REGULATÓRIO E IMPUNIDADE.

A sociedade brasileira de forma consciente ou inconsciente tem sido vítima ao longo da história de três grandes males:
o furor arrecadatório,
o delírio regulatório
e a impunidade.

Há anos clamamos contra a elevação constante da carga tributária em relação ao PIB. A Associação Comercial de São Paulo disponibilizou, inclusive, um "Impostômetro" em sua sede para chamar a atenção de como somos vítimas do estado arrecadador. Acho que são poucos os que dão atenção a esse sinal vermelho.

Pior do que isso é que nosso sistema tributário penaliza de forma injusta os mais pobres, que sequer têm educação para saber o quanto pagam de imposto em cada produto que consomem ou em cada serviço que utilizam.

Certa vez questionei um secretário da Receita Federal, aliás muito competente, sobre aumentar a eficiência da arrecadação, e ele me respondeu, corretamente, que cumpria o seu papel de viabilizar o pagamento das despesas públicas.

De fato, ele tinha razão.
O grande responsável pelo furor arrecadatório é o gasto público.

O gasto do governo, entretanto, é mal direcionado. Gasta-se R$8 mil per capita para pagamento de aposentadorias e pensões, R$2 mil per capita para saúde, educação e segurança, e menos de R$200 per capita para investimentos.

Por conta da demanda por gastos públicos, o Brasil convive há anos com os juros mais elevados do mundo, atraindo, no atual cenário de excessiva liquidez do mercado mundial, capital especulativo, provocando uma forte valorização do real. A solução do problema é gastar menos e melhor.

Somos vitimas ainda de um outro mal, talvez pior, que é o delírio regulatório, pois é responsável não só pelo aumento dos gastos públicos, como dos custos de empresários e consumidores.

Há alguns anos vi uma matéria num jornal que dizia que desde a constituição de 88 já tinham sido baixados no Brasil mais de dois milhões de medidas regulatórias, desde emendas constitucionais a portarias dos diversos órgãos públicos.

Há poucas semanas, um jornal publicava que há no Congresso mais de 30.000 projetos de leis para serem votados! Ilude-se a sociedade, que de forma crescente é envolvida pelo delírio regulatório, na ilusão de que novas leis ou regulamentos farão a sociedade funcionar melhor.

Acho que o Brasil é o país líder no mundo em "leis que não pegam". Mas não são apenas os atos do governo que inibem o grau de eficiência e reduzem a produtividade da economia.

De companhias aéreas, também vítimas de ausência de investimento na infraestrutura de seu setor, mas que frequentemente criam novas regras que infernizam a vida de seus passageiros, a quase todos os prestadores de serviços que impõem práticas a seus usuários, que muitas vezes inviabilizam o bom atendimento aos seus clientes, toda a sociedade brasileira tem que conviver com esse delírio regulatório.

Li recentemente uma entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, falando sobre a dificuldade de levar a julgamento de forma mais rápida os mais ricos e mais influentes da sociedade brasileira, e concluía dizendo: "O sistema penal brasileiro pune - e muito - principalmente os negros, os pobres, as minorias em geral."

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou seu relatório ao Supremo Tribunal Federal para julgamento, que terá como relator o ministro Joaquim Barbosa, dizendo: "A instrução comprovou que foi engendrado um plano criminoso voltado para compra de votos dentro do Congresso.

Trata-se da mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber." Não nos livraremos do furor arrecadatório nem do delírio regulatório enquanto a impunidade dos grandes crimes prevalecer.

Thomas Tosta de Sá O Globo