"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 16, 2011

GAMBÁ CHEIRA OUTRO.

O vice-presidente da República, Michel Temer, saiu ontem em defesa do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, após denúncia de que ele teria multiplicado seu patrimônio por 20 em quatro anos.
"O PMDB confia plenamente na lisura do procedimento de Palocci e estará ao lado dele", afirmou, descartando "perturbação" no governo ou risco ao cargo do ministro.

Em viagem oficial à Rússia, Temer manifestou-se em tom semelhante ao da presidente Dilma Rousseff, que, segundo assessores, não foi surpreendida pelas informações publicadas ontem pelo jornal Folha de S. Paulo. Auxiliares da presidente informaram que ela está "tranquila", pois sabia desde dezembro que Palocci tinha uma empresa.

Segundo a reportagem, a Projeto, da qual o ministro tinha 99,9% do capital, comprou um apartamento de R$ 6,6 milhões em novembro e já era dona de um escritório de R$ 882 mil, ambos na região da Avenida Paulista, em São Paulo. Em 2006, Palocci declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 375 mil.

Os dados da Projeto, inclusive o faturamento, foram submetidos à Receita Federal e à Comissão de Ética Pública da Presidência antes da posse, segundo nota da Casa Civil. O texto diz que "as atividades da empresa e as medidas tomadas para prevenir conflito de interesses foram registradas junto à Comissão de Ética da Presidência".

Palocci informou que a Projeto, aberta em 2006, prestou consultoria econômico-financeira até 2010, quando "as atividades foram encerradas por força da função ministerial".

Origem.

Líderes peemedebistas e de outros partidos aliados arriscam um palpite: a denúncia faria parte da disputa entre grupos do PT dentro e fora do governo. "Não é possível que seja fogo amigo.

É pesado demais", contesta o líder petista no Senado, Humberto Costa, que também defendeu Palocci. "Ele é uma pessoa extremamente digna, séria."

Os aliados alegam não ter interesse em enfraquecer Palocci, que faz a interlocução com a base. Apesar do descontentamento com o ritmo de nomeações de cargos, ele goza da confiança dos principais líderes no Congresso.

Christiane Samarco e Karla Mendes O Estado de S. Paulo

"FUNDOS ABUTRES" E O COMÉRCIO DE CRÉDITO PODRE


A Jive Investments Holdings Ltda., uma misteriosa empresa baseada nas Ilhas Virgens Britânicas, foi a compradora do último ativo no Brasil do Lehman Brothers, que quebrou em setembro de 2008.

Por R$ 27 milhões, a Jive comprou do Lehman, no final do ano passado, a Libro Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros, que tinha empréstimos, notas e também créditos em atraso, os chamados créditos podres.

Os ativos haviam sido adquiridos anteriormente do ABN AMRO, hoje Santander, e do mineiro BMG. Procurados, os executivos da Jive e da Neointelligence, que assessorou a transação, preferiram não comentar.

O negócio, cujos detalhes não foram divulgados no Brasil, é parte integrante do discreto e crescente mercado brasileiro de compra de créditos podres. Com a explosão do estoque de crédito do sistema financeiro nacional, que passou de R$ 200 bilhões em 2001 para R$ 1,15 trilhão em março deste ano, é natural que os empréstimos em atraso cresçam, embora não necessariamente na mesma proporção.

Em um mundo com juros reais apertados, rendimentos que podem chegar a 20% ou 30% ao ano chamam a atenção. O segredo é comprar barato e recuperar parte da dívida em atraso.

Atraídos por esse tipo de ativo de alto risco e alta rentabilidade novos "fundos abutres" como a Jive estão sobrevoando o país. Alguns dos novos fundos, bancos e empresas de assessoria entrantes são Orey Capital, Brasil Distressed, Deutsche Bank, Gávea Jus, Arion (cujo investidor mais conhecido é o espanhol Enrique Bañuelos), Vision, Banco Fator, Banco Pine - em parceria com a Global Emerging Markets (Gem) -, Roots, Cultinvest, Ícone e Eton Park Capital Management.

Esses investidores vêm disputar os ativos com os mais tradicionais compradores, como a empresa de gestão RCB, os fundos PineBridge e Polo Capital, e os bancos Bank of America Merrill Lynch e Goldman Sachs.

Com Alexandre Camara, o BTG Pactual vem tendo uma atuação cada vez mais ativa nesse mercado, comprando crédito podre de consumo e muito empréstimo consignado, segundo executivos da área.

O Eton Park, um fundo de hedge no exterior fundado pelo ex-Goldman Sachs Eric Mindich, está entre os mais ativos fundos a financiar compradores.

Alguns são especializados em crédito podre de empresas do setor público e precatórios, como o Gávea Jus, uma parceria dos brasileiros da Jus com o Gávea, fundo de Armínio Fraga comprado pelo J.P. Morgan.

Outros focam apenas no crédito de atacado, como o Brasil Distressed, do ex-diretor do Unibanco e do Bank of America Carlos Catraio e do ex-diretor do Bradesco José Guilherme Lembi de Faria.

Outros preferem as pequenas e médias empresas e o crédito de varejo, como o RCB. Comprar participações de capital em empresas quebradas é o que fazem Orey Capital, Arion e o fundo do Banco Pine em conjunto com a GEM, que está sob os cuidados de Gabriel Andrade, executivo tirado da Arsenal Investimentos.

Mas há um empecilho ao desenvolvimento desse mercado: os maiores bancos brasileiros, como o Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, até por falta de tradição, não vendem suas carteiras inadimplentes para os investidores. Alguns bancos médios também não.

Principalmente no crédito de varejo, há bancos e investidores que veem alta de preços exagerada nos leilões, uma espécie de bolha de crédito podre no Brasil, o que poderia ser fatal para os investidores. Nem todos concordam.

"Essa conversa de alta de preços do crédito inadimplente é dos compradores que não querem ver novos entrantes disputando esse mercado", diz Salvatore Milanese, sócio responsável pela área de reestruturação da KPMG, que organiza a venda de créditos podres para empresas e bancos.

Um dos grande entusiastas desse mercado do qual depende o seu ganha pão, Milanese estima que o total de crédito podre com atraso de 90 a 360 dias chegue a R$ 150 bilhões. Cerca de 40% disso é crédito ao consumidor.

Ele estima que no ano passado o mercado secundário de crédito em atraso girou R$ 20 bilhões em valor de face e acredita que neste ano o mesmo irá se repetir, considerando-se inclusive o crédito vendido por empresas.

O desconto sobre o valor de face depende da qualidade do crédito, mas costuma superar 50%. Como a maior parte das negociações são feitas entre duas partes - o vendedor e o comprador, com a assessoria de advogados e empresas especializadas -, ninguém sabe ao certo seu tamanho.

"Muita gente conseguiu ganhos de mais de 50% ao ano com crédito inadimplente de varejo após a crise de 2008", diz André Suguita, responsável pela área de "trading" de crédito do Bank of America Merrill Lynch.

"Há investidores entrando agora atraídos por esses ganhos, mas os preços estão ficando elevados demais, inclusive porque a inadimplência está ainda baixa", avalia. "Estão assumindo um risco tremendo", diz.

Os bancos que vendem carteira de crédito inadimplente de varejo, como Santander, Citi e HSBC, geralmente organizam leilões entre vários participantes. "Realmente temos percebido lta de preços nesses leilões", confirma Nuno Correia, responsável pela área de mercado de capitais e soluções de tesouraria do Deutsche.

Ele diz que no fim de 2009, quando o Deustche criou um time com foco no mercado de crédito, passou a comprar também os empréstimos que estavam em atraso.

"Compramos mais crédito de varejo inadimplente, como empréstimos ao consumidor em geral, em toda a América Latina", diz. Ele acredita que, apesar dos preços "um pouco mais elevados", o mercado ainda é bastante "promissor" e há espaço para todos.

"Os casos de inadimplência da última crise de crédito, aquela de 2008, estão ficando maduros agora e os bancos e empresas credoras têm mais disposição para vender", afirma Carlos Catraio, diretor-gerente e sócio da Brasil Distressed, criada no início deste ano. No crédito podre de atacado, seu foco de atuação, Catraio não vê bolha de preços.

A empresa compra créditos de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, na média, podendo chegar a R$ 500 mil. O Goldman Sachs, o BTG Pactual e o Bank of America também compram dívida corporativa inadimplente, mas geralmente em valores maiores, de total de mais de US$ 10 milhões.

Outro novo fundo a entrar no mercado é o Roots, de Rafael Fritsch, filho do ex-secretário de política econômica do ministério da Fazenda Winston Fritsch. Luiz Fernando Rezende, ex-Santander, é sócio do Cultinvest, e Patrick Gontier, ex- Bradesco BBI e ex-Quest, está abrindo a Ícone Investimentos.

Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico

ENCASTELADOS E POLÍTICOS PROFISSIONAIS. XÔ ! MAIS UMA BOA INICIATIVA. MAS, E A SOCIEDADE? VAI PRESSIONAR?


Proposta de iniciativa popular quer limitar a dois mandatos o tempo de permanência de parlamentares no Congresso.
Se a regra valesse hoje, 35% dos deputados estariam fora da Legislatura


Cansados de esperar por uma reforma política que nunca chega, representantes dos movimentos sociais elaboram projeto de iniciativa popular propondo alterações nas regras eleitorais.
A ideia é encaminhar o texto da reforma política nascido no berço da sociedade civil ao Congresso, a exemplo da Lei da Ficha Limpa.

Uma das principais alterações pleiteada pelos movimentos sociais é o fim da política como profissão, limitando a dois mandatos o tempo máximo de permanência de um político no Congresso.

A proposta é capitaneada pelo ativista social Chico Whitaker, organizador do Fórum Social Mundial e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), e tem o apoio da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, que faz parte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


O “movimento por no máximo dois mandatos” é uma tentativa de mobilizar a sociedade a pressionar os políticos a aceitarem a regra “voluntariamente”, como forma de assumir compromisso de seriedade perante os eleitores.

E os parlamentares que aceitassem o compromisso do “no máximo duas” estariam mostrando que não “veem a função política como meio de enriquecimento pessoal e poder, além de um emprego garantido”, resume o manifesto do ativista.


Os movimentos sociais argumentam que a perpetuação do poder representativo é uma das distorções no sistema representativo do país. Na pauta da reforma política proposta pela sociedade, as discussões sobre financiamento público de campanha, coligações partidárias e lista fechada estão diretamente ligadas à criação de regra que vetasse o tempo infinito de permanência no Poder Legislativo.

“A desqualificação do Legislativo assim eleito abre então espaço para o mecanismo da ‘compra’ de parlamentares para constituir as ditas maiorias, o que torna os parlamentos um lugar extremamente atrativo para pessoas com nenhuma outra intenção senão a de ‘vender’, o mais caro que puderem, seu poder de votar leis e fiscalizar o Executivo”, pondera Whitaker.


Encastelados

Se a regra do “no máximo duas” estivesse valendo, 181 deputados, 35% do total, estariam fora da legislatura. Levantamento do número de mandatos dos parlamentares em exercício realizado pelo Correio mostra que a repetição infinita do poder é regra na Câmara.

O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) está na mesma cadeira há mais de 40 anos e renovou o mandato de quatro anos 11 vezes. Doze colegas do peemedebista estão na Casa desde o período de redemocratização e 54 superaram os 20 anos de mandato.
No Senado, Casa em que mandatos duram oito anos, existe maior rotatividade.

Da atual legislatura, seis parlamentares — ou 7,4% dos 81 senadores — têm mais de dois mandatos.
Os mais “antigos” do Senado são Eduardo Suplicy (PT-SP), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE),
Garibaldi Alves (PMDB-RN),
com três mandatos, José Agripino (DEM-RN) e Pedro Simon (PMDB-RS),
com quatro, e o recordista, José Sarney (PMDB-AP), que registra cinco mandatos.


O secretário executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz, Pedro Gontijo, explica que além da proposta de colocar fim na prática da política como profissão, os movimentos sociais também pretendem formar uma “assembléia constituinte” permanente, que funcionaria como órgão de representação popular para atuar paralelamente ao Congresso, recolhendo pleitos e manifestações da sociedade quando o povo não se sentisse representado pelo parlamento.

“A ideia é criar uma assembleia constituinte popular, pois o Congresso não tem se mostrado representativo. A assembleia teria mais facilidade de articulação para organizar os projetos de iniciativa popular, como a proposta de limitação de mandato que tem como perspectiva garantir maior rotatividade.
A função de representação se transformou em profissão de algumas figuras, pessoas encasteladas ali, como se fosse uma representação para a vida toda”, critica Gontijo.

Josie Jeronimo Correio Braziliense

MEQUI NUM VAI RECOLER LIVRU QUE ASEITA ERRU DE PURTUGUEIS.

Professores condenam distribuição da obra:
‘Mais uma vez, no lugar de ensinar , vão rebaixar tudo à ignorância’


O Ministério da Educação informou que não se envolverá na polêmica sobreo livro com erros gramaticais distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático, do próprio MEC, a 485 mil estudantes jovens e adultos.

O livro “Por uma vida melhor”, da professora Heloísa Ramos, defende uma suposta supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo a troca dos conceitos “certo e errado” por “adequado ou inadequado”.


A partir daí, frases com erros de português como “nós pega o peixe” poderiam ser consideradas corretas em certos contextos.
— Não somos o Ministério da Verdade. O ministro não faz análise dos livros didáticos, não interfere no conteúdo. Já pensou se tivéssemos que dizer o que écerto ou errado?
Aí, sim, o ministro seria um tirano — afirmou ontem um auxiliar do ministro Fernando Haddad, pedindo para não ser identificado.

Escritores e educadores criticaram ontem adecisão de distribuir olivro, tomada pelos responsáveis pelo Programa Nacional do LivroDidático. Para Mírian Paura, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uerj, as obras distribuídas pelo MEC deveriam conter a norma culta:

—Não tem que se fazer livros com erros. O professor pode falar na sala de aula que temos outra linguagem, a popular,não erudita, como se fosse um dialeto. Os livros servem para os alunos aprenderem o conhecimento erudito. Na obra “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver ,aprender”, a autora afirma num trecho: “Posso falar ‘os livro?’ Claro que pode, mas, dependendo da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito linguístico.”

Em outro, cita como válidas asfrases:
“nós pega o peixe” e “os menino pega o peixe”. Autor de dezenas de livros infantis e sobreMachado de Assis, o escritor Luiz Antônio Aguiar também é contra a novidade:
— Está valendo tudo. Mais uma vez, no lugar de ensinar, vão rebaixar tudo à ignorância. Estão jogando a toalha. Isso demonstra falta de competência para ensinar.

Segundo ele, o que estabelece as regras é a gramática.
— Imagina um jogo de futebol sem as linhas do campo. Como vão jogar futebol sem saber se a bola vai sair ou não? O que determina as regras é a gramática. Faltam critérios. É um decréscimo da capacidade de comunicação — observou Aguiar , também professor do curso “Formação de leitores e jovens leitores”, da Secretaria municipal de Educação do Rio.


Cássio Bruno O Globo

REFLEXÃO : NINGUÉM É SUBSTITUÍVEL

Momento de refletir
Em um e-mail recebido de uma leitora, havia uma mensagem com o título 'Ninguém é substituível', que me chamou a atenção por ser exatamente o oposto do que sempre ouvimos ou dizemos.

Em uma reunião de diretoria de uma empresa o presidente havia dito, em tom ameaçador, o tradicional -ninguém é insubstituível-, causando pânico em todos os dirigentes presentes, mas um deles se levantou e, pedindo a palavra, perguntou:
e Beethoven? Quem o substituiu?


Continuando, aquele diretor disse:
As grandes empresas como a nossa sempre falam em descobrir e reter talentos mas no fundo continuam tratando seus profissionais como peças dentro da organização, que quando uma sai, quebra ou falha, é só substituí-la para que toda a engrenagem continue funcionando normalmente, e muitas vezes até melhor, por agora contar com peças novas.


Dando ainda mais exemplos, perguntou quem substituíra Ayrton Senna, Frank Sinatra, Elvis Presley, Gandhi, Santos Dumont, Thomas Edson, Tom Jobim, Picasso, Einstein..., e após uma pausa disse que todos os citados haviam brilhado fazendo o que gostavam e sabiam fazer bem, marcando com isso seu nome na história e, portanto, eram sim insubstituíveis.

Lembrou ainda que ninguém se preocupava, ou mesmo se importava, em saber se Beethoven era surdo, Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico ou Elvis paranóico , mas sim de poder apreciar o resultado de suas obras talentosas, fossem sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis ou melodias inesquecíveis.

"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso. Algumas pessoas me amarão, e outras me odiarão pelo que sou, mas assim é a vida", disse o jovem, sugerindo que todos deveríamos nos acostumar a isso.

Todo esse comentário foi feito para, discordando do presidente da empresa, mostrar a ele que cada um dos presentes podia sim ter seus defeitos, mas também possuía qualidades e que estas eram as que deveriam ser melhor aproveitadas pela empresa.

Hoje, já bem diferente do jovem que pensava tudo saber, reconheço ser uma pessoa com infinitos defeitos, milhares que já descobri e outros milhares que ainda não consigo ver, mas que provavelmente outros enxergam, e algum dia também enxergarei.

A vida vai nos mostrando que sempre poderemos aprender algo mais, que sabemos sempre pouco, e vai nos dando também a humildade necessária para, compreendendo isso, buscarmos um crescimento dentro da engrenagem geral.

Essa engrenagem não se movimenta só, precisa da partida, e depois desse início, cada um vira um pouco e com sua rotação gira o vizinho, que também ajudará na virada de outro e assim por diante.
Dessa forma o homem inventou a lâmpada e chegou ao que hoje possuímos, em menos de 150 anos.


Para isso foi necessária a existência de milhares de homens capazes de criar, desde cabos elétricos, automóveis, aviões, poesias, computadores, vacinas, equipamentos médicos de última geração, mas também daqueles responsáveis pela limpeza das fábricas e das salas cirúrgicas, cada um fazendo o que sabia, e o que podia fazer.

Devemos ter consciência de nossas qualidades e importância, nos orgulhar de fazer parte da engrenagem que permite aos criadores criar, para depois usufruirmos dessa criação e com leituras, observações e escritos, divulgá-la para que se alastre e se perpetue.

João Bosco Leal/Via email

www.joaoboscoleal.com.br

maio 14, 2011

ALMA AUTORITÁRIA! NÃO SE LEGISLA SOB TACÃO.

A proposta do novo Código Florestal poderia ser uma bela oportunidade para exercício do debate político e para exibição de maturidade política. Da forma como está ocorrendo, porém, revela como o autoritarismo e a pouca disposição do Planalto para o contraditório vêm contaminando o ambiente parlamentar. Ao governo do PT só interessa os que dizem amém.

Na madrugada de quinta-feira, o governo manobrou sua base parlamentar para evitar que o relatório de Aldo Rebelo fosse a voto, contrariando acordo fechado horas antes pelas lideranças partidárias. Encontrou a resistência da oposição e de mais 88 deputados aliados que se recusaram a acompanhar a orientação da liderança governista.

Nesta matéria - como em todas as outras - há interesses muito divergentes em jogo, mas é inerente ao regime democrático a busca da conciliação, em prol do bem comum. A discussão do Código ainda se mantém um Fla-Flu, no qual se digladiam o PT e os partidos da base de apoio ao governo. A construção de um consenso vê-se prejudicada.

As confusões de quinta-feira - que incluíram a confissão de Rebelo de, como líder de Lula na Câmara, ter ajudado a acobertar irregularidades envolvendo o marido da então ministra Marina Silva - podem ter sido um basta dos parlamentares à forma truculenta com que as matérias têm sido impostas pelo Executivo ao Congresso. Com a gigantesca base de apoio de que dispõe, o governo Dilma Rousseff tem tentado transformar o Parlamento em mero carimbador de seus ditames.

"A principal lição da discussão do Código Florestal é que, a despeito da supermaioria do governo na Câmara, o governo não encontrará um Congresso subserviente", analisa o professor Rafael Cortez na Folha de S.Paulo.

O Estado de S.Paulo antevê "esgarçamento da base" do governo, que estaria insatisfeita com a "centralização nas mãos do alto petismo das nomeações para cargos-chave". Há dissidências e descontentamentos no PMDB, no PDT (ambos com cerca de 60% das bancadas contrárias à orientação do governo na votação do Código, segundo o jornal), no PP, no PR, no PC do B e até no PT (dois deputados do partido não seguiram as ordens do Planalto na quinta-feira).

O Código Florestal apenas ilustra a forma precária com que o petismo legisla. O modelo revela-se em todos os seus matizes na edição desbragada de medidas provisórias. São impostas aos montes ao Parlamento, misturam alhos com bugalhos, embutem contrabandos e tratam de maneira ligeira temas de enorme impacto na vida do país.

Atualmente, 11 medidas provisórias trancam a pauta da Câmara, algumas herança da gestão passada. Há desde a que espeta uma conta de R$ 50 bilhões nas tarifas de energia até a que se revela a mais deletéria delas: a 521, que dribla parte das regras da lei de licitações para as obras da Copa e das Olimpíadas.

O Planalto tenta impor as MP goela abaixo.
Mas tem encontrado resistência não só da oposição - que apresentou e aprovou no Senado uma proposta que disciplina a tramitação das medidas provisórias - mas também de órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público.

Ontem, o grupo de trabalho criado no Ministério Público Federal para acompanhar as ações da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 manifestou-se contrariamente à MP 521, que afrouxa as regras para a realização destas obras. Considerou-a inconstitucional.

"As obras vão ficar mais caras, vão acolher muitos aditivos contratuais e o governo vai ficar refém das empreiteiras. É um cheque em branco. O Ministério Público não é contra, o que não pode é rasgar a Constituição para fazer a Copa", afirmou à Folha de S.Paulo o procurador Athayde Ribeiro Costa, que integra o grupo.

A reação do governo foi típica. Para o líder do governo na Câmara, o parecer dos procuradores não passa de "um panfleto". Já o advogado-geral da União está menos preocupado com o erário do que com o Brasil fazer feio na Copa: "Nosso problema é 'timing', não podemos adiar a Copa", disse Luís Inácio Adams.

Em regimes democráticos sadios, Executivo e Legislativo dialogam na busca das melhores soluções para a sociedade. Não tem sido assim no Brasil da era petista. Reestabelecer o contraditório, adotar ritos condizentes com a importância das matérias, dar voz ao Parlamento poderia permitir um Código Florestal mais equilibrado e fechar a porteira para a excrescência em que se transformaram as medidas provisórias.
Não se legisla sob tacão.

Fonte: ITV

maio 13, 2011

O BUFÃO INCONSEQUENTE E A SUA : "A arte da coisa"



"O governo terá todo empenho para debelar a inflação, contanto, sem derrubar o crescimento. Derrubar a inflação, derrubando o crescimento, qualquer um faz. Não precisa de ministro da Fazenda para isso. Essa é a arte da coisa."

Foi assim que o ministro Mantega ressaltou na semana passada, em declaração reportada pelo "Estadão", a maestria que lhe vem sendo exigida na condução da política macroeconômica.


Há cerca de dois meses, noticiou-se que havia grande satisfação no PT com o fato de que o governo, afinal, adotara uma política macroeconômica que o partido poderia considerar sua.
Uma política que já não replicava a que havia sido adotada por FHC e que, sob choro e ranger de dentes, foi mantida e aprimorada por Lula durante os três anos iniciais do seu primeiro mandato.


De fato, a política de 2011 é bem diferente da de 2003-05. O celebrado tripé macroeconômico, consolidado a partir da crise cambial de 1999, já vinha sendo reconfigurado em grande medida desde 2008.
E, agora, mostra os sinais inequívocos dessa mutação.


Em vez de estrito cumprimento de metas fiscais, uma política fiscal ainda expansionista, marcada pela insistência na manutenção de farto orçamento paralelo no BNDES, alimentado por transferências diretas do Tesouro, sem contabilização no resultado primário e na dívida líquida.

Em lugar de câmbio flutuante, uma política disfarçada de câmbio fixo.
E, em vez de política de metas para inflação nas linhas habituais, nova proposta de condução da política monetária, com uso parcimonioso da taxa de juros.


A euforia do governo com sua política macroeconômica parece ter atingido o auge no final do primeiro bimestre, quando o ministro Mantega assegurou que, com as medidas prudenciais e o aumento de compulsório, a inflação começaria a cair.
Não só não caiu como acaba de romper o limite superior da meta.


O agravamento do quadro inflacionário parece ter acendido a luz vermelha no Planalto. E já há analistas sugerindo que, agora, sob o comando(?) da própria presidente(SIC), o processo de mutação da política macroeconômica estaria sendo rapidamente revertido. Alarmado com a inflação, o governo estaria disposto a se livrar da mair parte dos adereços heterodoxos que hoje entravam o combate à inflação.

Não é surpreendente que, em meio à insaciável demanda por interpretações róseas do que vem ocorrendo com a condução da política macroeconômica, esse tipo de análise tenha encontrado boa acolhida.
Mas a verdade é que não é convincente.

É como se, para reverter os equívocos envolvidos no combate à inflação, bastasse dar ao ministro da Fazenda e ao presidente do BNDES um comando "DESFAZER".
E, com isso, da noite para o dia, a mesma equipe econômica passaria a se pautar por princípios de condução de política macroeconômica em que sabidamente não acredita.


Não vai ser tão fácil.
Ideias equivocadas arraigadas custam a desaparecer.
O mais provável é que o governo persista nos mesmos erros antes de se dispor a incorrer no desgaste de reconhecê-los.
Na melhor das hipóteses, poderá tentar uma correção suave de rumo, começando pelo Banco Central, mas bem mais lenta do que o agravamento da situação parece exigir.


Seja como for, o governo já não esconde sua apreensão.
Resgatando um discurso que parecia ter sido enterrado para sempre em 1994, tenta agora convencer as empresas a "evitar remarcações de preços".

Alarmado com a reindexação e a sinalização que poderá advir das grandes negociações coletivas de reajuste salarial, num quadro de inflação próxima a 7% ao ano, o governo clama pela necessidade de que tais negociações sejam pautadas pela meta de 4,5%. E promete se empenhar para desindexar a economia.

O que só realça a inconsequência com que a política econômica vem sendo conduzida. Afinal, trata-se do mesmo governo que, há poucos meses, com ares de defensor da austeridade, fez o Congresso aprovar uma regra de superindexação que deverá exigir, em janeiro de 2012, um reajuste do salário mínimo de nada menos que 14%.



"A arte da coisa" está cada vez mais difícil.

maio 12, 2011

ANIMADOR? RSRSRS... AGORA SIM! O INDIVÍDUO ASSUME A SUA CONDIÇÃO DE ÉBRIO PALRADOR ,TRUÃO E FARSANTE .

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá palestra na manhã desta quinta-feira em evento fechado da cervejaria AmBev no resort Costa do Sauípe, no litoral da Bahia.

A multinacional o contratou para animar uma reunião de executivos brasileiros e de outros países da América Latina. Segundo a assessoria do ex-presidente, a participação não foi divulgada a pedido da empresa, que desejaria “fazer uma surpresa” a seus convidados. O valor do cachê também não foi informado.

No Brasil, estima-se que Lula tem cobrado cifras em torno de R$ 200 mil por cada palestra remunerada, com tempo médio de 40 minutos.

Em geral, ele alterna uma apresentação elogiosa do seu governo com piadas e referências à empresa que o convidou. À noite, Lula é esperado na festa de aniversário do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), onde iniciou a carreira política.

Bernardo Mello Franco/Folha Online

ILUSIONISMO E MENTIRA


A gestão Dilma Rousseff quer vender a ideia de que é capaz de governar com o gogó. Faz isso tanto no caso dos preços dos combustíveis, quanto na relação ambígua que estabelece com as prefeituras.
Apela ao ilusionismo, em lugar de mostrar transparência, executar ações e cumprir compromissos.


Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, saiu a campo para ser porta-voz de uma mistificação. Cumprindo ordem da presidente da República, disse que jogaria o peso da BR Distribuidora para "forçar" os postos a "derrubar" os preços da gasolina e do etanol cobrados ao consumidor - e, assim, ajudar a segurar a inflação. Queria que acreditássemos que o mercado curva-se a todo-poderosas determinações de Brasília.

Quando Lobão abriu a boca na segunda-feira - depois de meses vendo os custos e a inflação escalarem - os preços dos combustíveis já vinham em queda livre. Obedeciam a uma lei tão simples quanto eficaz: a de oferta e procura.

Com o fim da entressafra de cana-de-açúcar, os valores cobrados pelos usineiros caíram com força nas últimas semanas. Desde o momento de pico, no fim de março, o etanol hidratado já diminuiu 60% nas usinas, enquanto o preço do anidro baixou quase 30%.

No atacado, a queda também já vem acontecendo. Segundo a Fecombustíveis, que reúne os revendedores de combustíveis, desde a semana passada os postos BR em todo o país receberam o litro do etanol com redução média de 12%.
No preço da gasolina - que leva 25% de álcool anidro em sua composição - a queda foi de 5,7%, em média.


Coincidência ou não, Lobão disse ontem que os preços nas bombas cairão - aqui o verbo é no futuro - entre "6% e 10%". Ou seja, praticamente os mesmos percentuais que já caíram - aqui o verbo é no passado - no atacado. O governo petista "anunciou" o que naturalmente já vinha acontecendo.

As declarações de Lobão podem ser inócuas, mas não são, infelizmente, inofensivas. Fragilizam ainda mais a governança de uma instituição pública como a Petrobras, dona da BR, manipulada ao bel-prazer de Brasília.
Jogam mais incerteza no mercado de combustíveis e desincentivam a entrada de novos concorrentes. Quem se aventurará onde o Estado quer se mostrar manda-chuva?


Também na base da empulhação, o governo do PT tratou os prefeitos que marcharam a Brasília nesta semana - o encontro, com mais de 2 mil autoridades municipais, encerra-se hoje. Na terça-feira Dilma foi ao encontro da turma, mas lá só lhes vendeu vento.

Os municípios queriam a ampliação de prazo para usar os restos a pagar de Orçamentos passados; a regulamentação da emenda 29, que disciplina o repasse de verbas para a saúde; e a derrubada do veto do ex-presidente Lula à distribuição equânime dos royalties do petróleo. Não levaram nada disso.

Anteontem, Dilma só anunciou a liberação imediata de R$ 520 milhões para obras em andamento nos municípios e prometeu maior celeridade na liberação de verbas de convênios, além de um plano de saneamento em cidades de menor porte. O pacote que os prefeitos pleiteavam beirava R$ 28 bilhões.

Fica claríssimo que ao governo do PT interessa manter os municípios de joelhos. Ainda mais quando se sabe que as transferências constitucionais ou voluntárias representaram 68% do total das receitas de que as prefeituras dispõem.

Tanto no caso da Petrobras quanto no dos prefeitos, também desponta o velho desejo petista de sujeitar todas as instâncias - sejam econômicas, sejam políticas - à manipulação dos governantes.
Trata-se de estratégias que, expostas à luz do sol, mostram-se tão falsas quanto uma nota de três reais.


Fonte: ITV

ARNO AUGUSTIN,TESOURO NACIONAL DESSERVIÇO PÚBLICO.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, concedeu uma entrevista publicada no jornal Valor Econômico (clique aqui). Como a conta fiscal do governo federal é um dos temas de maior importância seja para quem está preocupado com inflação ou para aqueles interessados nas medidas de desoneração tributária para aumentar a competitividade da indústria, resolvi ler com cuidado a entrevista.

Infelizmente, não sei se por maldade ou por ingenuidade, o secretário do Tesouro Nacional mais confundiu do que esclareceu o debate.

Os erros de análise são muitos, sendo o maior deles a insinuação de que será possível controlar o crescimento do gasto público no Brasil apenas com maior rigor no crescimento do gasto com pessoal e no gasto que o secretário chama de custeio administrativo, que exclui gastos com educação, saúde, gastos sociais, e acho que previdência.

Se o secretário tivesse razão, posso garantir que vários políticos ficariam felizes, pois nada melhor para o discurso político que falar em “choque de gestão” para controlar o “desperdício da máquina pública”, ao mesmo tempo em que se mantém a política de valorização do salário mínimo e crescimento dos gastos sociais e despesas da previdência.

Acontece que esse diagnóstico do secretário do Tesouro Nacional está equivocado.

(...)

Depois das correções acima, você teria uma estimativa (ainda superestimada) do custeio administrativo. Digo super estimada porque o correto seria também retirar dos demais elementos da despesa (material de consumo, passagens de avião, etc) o gasto com a função saúde e educação e não apenas a conta ”contribuiçoes” como fiz. Mesmo assim, o resultado que se chega mostra de forma clara que o custeio administrativo não é o problema (ver tabela 1 abaixo).

Tabela 1 – Gasto Não Financeiro do Governo Federal – % do PIB de 1999 a 2010

Fonte: SIAFI. Elaboração: Mansueto Almeida.

OBS: 2010 exclui capitalização da Petrobrás.

Essa tabela acaba com o mito que podemos continuar aumentando os gastos sociais, os gastos com educação e saúde, manter a mesma regra da previdência social e a mesma política de reajuste do salário mínimo que ainda assim conseguiremos controlar a expansão do gasto público, controlando apenas as contas de pessoal e de custeio administrativo. Infelizmente, a conta não fecha.

Como se observa na tabela acima, do crescimento de quase 4 pontos percentuais do PIB no gasto público não financeiro do governo federal de 1999 a 2010; 3,4 pontos percentuais do PIB ou 86% do crescimento do gasto decorreu dos gastos de custeio com educação e saúde, gastos sociais e previdência.

Ademais, a única conta que se reduz como proporção do PIB de 1999 a 2010 é justamente o que o secretário do Tesouro Nacional deu a entender que seja custeio administrativo.

O secretário deveria ter esclarecido esse debate ao invés de “vender para a sociedade” a ilusão que podemos ajustar o gasto público sem renegociar o atual pacto social.

Ao basear sua recomendação de política em um diagnóstico que é claramente equivocado, começo a ficar preocupado se o governo de fato entende as decisões difíceis que tem pela frente e o peso que a a regra de reajuste atual do salário mínimo vai ocasionar no crescimento do gasto ao longo dos próximos anos.