"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

outubro 25, 2010

INIMIGO IMAGINÁRIO E A "DEMO-CRACIA" DO PARTIDO TORPE

O presidente Lula pautou toda a sua carreira política baseada no conflito.

É assim desde as greves do ABC, no fim dos anos 70.

Ele e seu partido só veem razão de existir num ambiente de conflagração e embates.

Com sua imensa dificuldade de construir o consenso e dialogar com oponentes, Lula e o PT não conseguem sobreviver sem um inimigo para atacar, mesmo que seja necessário inventá-lo.

O festival de desespero e hostilidade que o comando do PT exibiu nos últimos dias é efeito direto desta ética política - melhor seria dizer da falta dela.

O mau exemplo que vem de cima contagia a atitude da militância nas ruas e lhe serve como salvo-conduto.

Para os petistas, não há adversários a derrotar, há inimigos a dizimar.

O episódio da última quarta-feira em Campo Grande, zona oeste da capital fluminense, é o mais recente de uma galeria de instantâneos de truculência protagonizados pelos partidários de Dilma Rousseff.

Para o PT, não basta vencer os adversários políticos nas urnas, eles têm de "apanhar nas ruas" - na célebre pregação do czar-mor José Dirceu.

Não servem os cabos eleitorais; valem mais os cabos de vassoura.

(...)

O PT tentou escapar afirmando que Serra havia simulado ter sido atacado.

O próprio presidente da República embarcou pesadamente nessa história e disse que o candidato tucano havia "mentido descaradamente".

A raivosa declaração presidencial foi dada durante solenidade oficial, usando a estrutura oficial de comunicação.

Tudo posto a serviço da candidatura oficial, que a quilômetros de distância entoava a mesma cantilena de seu mentor.

Lula e Dilma não contavam com uma impecável reportagem exibida peloJornal Nacional no dia seguinte.

Nela, restou cabalmente comprovado que Serra sofreu sim uma covarde agressão. Lula e sua pupila escorregaram no popular "pega na mentira".

Quando agridem injustamente, pessoas de caráter costumam pedir desculpas. Não é o caso de quem vive e se alimenta cotidianamente de insultar adversários.

Aos escrúpulos, Lula e seu PT preferiram agarrar-se à mentira com intuito eleitoral.

Novamente, mesmo contra os fatos, insistiram em acusar Serra de ter fraudado o episódio do Rio.

Seus inimigos imaginários são a matéria-prima de sua prática política.

Só esse episódio já seria suficiente para jogar a turma petista definitivamente na lama.

Mas como o objetivo é "permanecer mandando", como eles não se cansam de afirmar, não há limites na maneira mafiosa de agir.

A manipulada ação da Polícia Federal na investigação da violação de sigilo fiscal de tucanos reforça o argumento.

Todo o contorcionismo de Lula, da PF e do PT para imputar a responsabilidade pelos crimes a uma suposta disputa interna do PSDB não resistiu aos fatos, estes eternos estraga-prazeres do petismo.

Apontado como aquele que comprou as informações sigilosas no mercado negro, o repórter Amaury Ribeiro Jr confessou aos policiais que todas as informações que obteve no submundo do crime acabaram nas mãos de Rui Falcão, proeminente coordenador da campanha de Dilma.

As pontas do novelo vão se entrelaçando. Estrela em ascensão no governo Lula, o secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, também admitiu em telefonema gravado divulgado pela revista Veja :

"Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. (...) Eu quase fui preso como um dos aloprados".

Soma-se a isso o fato de Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula, ter se tornado réu em ação envolvendo cobrança de propina na cidade de Santo André, na época em que o município era administrado pelo prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002.

São as vísceras dos subterrâneos petistas sendo reviradas. O que mais ainda está por se saber?

Por mais que o PT se esforce, a realidade teima em mostrar sua cara.

Contra os fatos, a receita da campanha de Dilma Rousseff mantém-se a mesma: manipular e continuar mentindo até o último instante; fabricar todos os dias inimigos imaginários a combater; pôr o Estado para sufocar quem pensa diferente.

Para nossa bênção, já ficou claro no primeiro turno da eleição que os brasileiros majoritariamente desaprovam este caminho.

São 54 milhões de pessoas que não compactuam com o que está aí.

Provavelmente reiterarão a mensagem no próximo domingo, porque ganharam nas últimas semanas mais alguns caminhões de motivos -

Original/Íntegra : ITV Inimigos imaginários

ELEIÇÕES :ANO APOTEÓTICO,ILUSIONISMO CONTÁBIL, CANDIDATA IMAGINADA NAS RODADAS DE BEBIDAS FORTES... MORAL DA HISTÓRIA? SÓ DEUS SABE!



Quem quiser uma dose especial de otimismo deve folhear o relatório Economia Brasileira em Perspectiva, edição de agosto/setembro, distribuído na semana passada pelo Ministério da Fazenda.

Com pouco texto e muitos gráficos e tabelas, o documento mostra um país avançando de vento em popa, com desempenho econômico invejável, contas públicas mais saudáveis que as do mundo rico e poucos sinais de perigo pela frente.

O próximo governo, a julgar pela mensagem, encontrará um Brasil em perfeita ordem, pronto para vencer qualquer turbulência e para se manter em crescimento por muitos anos.

De fato, a economia brasileira passou sem grande estrago pela crise internacional, voltou a crescer em pouco tempo, criou, de janeiro a setembro, 2,2 milhões de empregos formais e a inflação continua administrável.

Mas nem tudo é cor-de-rosa.

E esse quadro poderá mudar com alguma rapidez, se o governo continuar gastando de forma irresponsável, praticando o ilusionismo contábil e deixando as contas externas deteriorarem-se por falta de uma política de competitividade.

O Ministério da Fazenda elevou de 6,5% para 7,5% a previsão de crescimento do PIB neste ano, e de 5,7% para 5,9% a expansão média projetada para os anos 2010-2014.

O dinamismo da economia dependerá do investimento em máquinas, equipamentos, instalações produtivas e infraestrutura.

Até o fim do ano, segundo as novas estimativas, o País terá investido 19,1% do PIB.

A proporção deverá ficar pouco acima disso nos próximos anos.

Se o documento fosse um pouco mais realista, mostraria a necessidade de investimentos bem maiores - em torno de 25% do PIB - para a economia crescer de forma segura, sem gargalos, sem pressões inflacionárias e sem risco de crise nas contas externas.

Mas isso dependerá não só das oportunidades abertas ao setor empresarial, o único envolvido seriamente na ampliação da capacidade produtiva.

Dependerá também de um manejo melhor das contas públicas e de um aumento da poupança do governo.

O relatório passa longe desses detalhes.

Ao contrário.

Festeja o desempenho fiscal do Brasil.

De fato, o déficit público brasileiro é hoje muito menor que o da maior parte dos demais países do Grupo dos 20 (G-20).

Mas a maioria desses países tem infraestruturas muito melhores que a do Brasil.

Os emergentes mantêm taxas de investimento geralmente maiores e com resultados muito mais vistosos, no setor público, do que as obras até agora realizadas pelo PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento.

Por isso, e por outros fatores - como o maior empenho na formação da mão de obra e políticas tributárias mais inteligentes -, a maior parte dos países do G-20 é mais competitiva que o Brasil.

O poder de competição da economia brasileira está concentrado no setor empresarial, tanto do campo quanto da cidade.

O entorno das empresas - condições logísticas, padrão educacional, eficiência do setor público, tributação, etc. - entrava o setor produtivo e o enfraquece perante os competidores.

A solução desse problema depende, em boa parte, de uma drástica melhora da política fiscal e da condução da máquina pública.

A obtenção do superávit primário tem dependido, há muitos anos, da elevação da carga de impostos. Neste ano, também os dividendos pagos pelas estatais têm sido essenciais para o fechamento das contas.

A piora das contas externas é atribuível só em parte à valorização do real e à crise nos mercados mais desenvolvidos.

Convém observar com reservas, portanto, o otimismo exibido pelos autores do relatório quando tratam do balanço de pagamentos.

Segundo eles, o déficit em transações correntes - agora estimado em US$ 49 bilhões em 2010 e US$ 59 bilhões em 2011 - "é passageiro e não compromete o crescimento".

Se as projeções estiverem certas, esse déficit corresponderá a 2,7% do PIB no próximo ano. Será, em condições normais, facilmente financiável.

Mas poderá transformar-se rapidamente em grave problema, se o mercado continuar observando uma gestão imprudente das contas públicas, a erosão das bases da estabilidade e a manutenção de políticas prejudiciais à competitividade de nossas empresas.

Nenhuma exibição de otimismo eliminará esses dados da realidade.

O Estado de S. Paulo

ESTADO FORTE, BONANÇA : DEVAGAR COM O ANDOR...

O presidente Lula sempre foi contra a ideia de "Estado mínimo".

Sempre disse que isso era uma bobagem, que o Estado tem de ser grande e forte. A sua candidata, Dilma Rousseff, diz a mesma coisa.

Ainda no exercício da chefia da Casa Civil, diante de indagações sobre a necessidade de um ajuste fiscal para que as contas do governo não enveredassem para o rumo do desequilíbrio - como está acontecendo -, reagia com irritação: por que e para que fazer ajuste fiscal, se a economia está indo bem, só para judiar do povo?

A resposta, dada com frequência, embute a vontade de tingir com a pecha de contrário aos interesses do povo o conceito de ajuste fiscal e, de outro lado, a indicação de que a gastança governamental continuaria, o que agrada muito aos vorazes empreiteiros de obras públicas e a grande parte dos empresários do comércio.

O comerciante adora gastança governamental e, também, uma boa dose de inflação, que aumenta o giro dos estoques.

Mas a inflação, gerada pelo desajuste fiscal, é o que, de fato, mais judia do povo.

Os demagogos de todos os governos preferem, porém, chamar de "arrocho" qualquer política de austeridade nas contas públicas.

É evidente que o projeto político da era Lula-Dilma, e do PT, é de "Estado Grande". Bem grande mesmo.

Se todo mundo trabalhar para o Estado e para as empresas estatais, eis aí implantado, na prática, o socialismo, pela ausência da propriedade privada.

Fácil.

Sem necessidade de revolução, de paredón, de prisão de burgueses, de guilhotina para os nobres, enfim, o socialismo pacificamente instalado.

Como se faz isso sem disparar tiros?

Inchando o Estado até os limites máximos, de modo que nenhuma outra área de atividade disponha de qualquer parcela de poder para contraditar os governantes de plantão.

A confirmação de que a filosofia lulodilmista do Estado Grande não era da boca para fora podemos ler num artigo de Claudia Safatle, do jornal Valor, da última sexta-feira.

Não me entendam mal.

Claudia é uma competente jornalista, não afirma nem insinua nada parecido com o que estou dizendo aqui. Inocento-a desta análise.

Ela apenas pesquisou e relacionou fatos.

Eu é que tiro dos fatos que ela relacionou os fundamentos do que estou dizendo e a indicação de que caminhamos para o Estado Grande mais depressa do que supúnhamos.

E onde ela colheu os fatos?

Em duas publicações do governo: a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, e os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

(...)

Mas, deixemos de conversa mole, e vamos aos fatos pesquisados pela colega.

De março a setembro deste ano a administração pública criou 291 mil vagas: a indústria, 137 mil; o setor de serviços, 43 mil; o comércio, 7 mil - segundo a PME.

A soma dos empregos criados nos três setores privados é menor do que na administração.

O setor da construção civil, o mais dinâmico da economia brasileira atualmente, perdeu 67 mil vagas: tinha 1,706 milhão de empregados em março, ficou com 1,639 milhão em setembro.

Os dados do Caged, que são nacionais, mostram coisa diferente, mas da mesma natureza: a economia gerou menos emprego em setembro deste ano (comparado com setembro de 2008).

A indústria compareceu com 25 mil empregos, menos da metade dos 57 mil de setembro/2008; na construção civil a queda foi de 19 mil.

Enquanto isso, a administração pública manteve o mesmo ritmo de contratações: 82 mil no mês.

Ora, o governo tinha reduzido impostos para incentivar o consumo, portanto suas receitas caíam ou subiam menos, mas continuava a turbinar o empreguismo público.

Em março deste ano, eliminou os incentivos fiscais (melhorou suas receitas) e, logo depois, o Copom começou a aumentar a Selic (aumento de despesas para o setor privado): de lá para cá - aponta o artigo - a administração aumentou de 15,6% para 16,6% sua participação no estoque de pessoas empregadas no País, enquanto a do setor privado passou a diminuir.

De março a setembro deste ano a massa salarial nacional cresceu 7,2%.

Nela, a massa salarial da administração cresceu 15,6%, enquanto a do setor privado cresceu 4,5% (da construção civil, 3,9%; dos serviços, 2,8%; e do comércio, 1,5%).

Agora, uma conclusão pertinente da Claudia: excluído o setor público, o crescimento da economia, do emprego, dos rendimentos ocorre, de fato, de forma bem mais moderada do que parece.

Isso poderá aparecer mais nitidamente no ano que vem, quando o governo tiver de controlar melhor seus gastos, a contratação de funcionários, a expansão do crédito e outros fatores que ajudaram a carrear aplausos e votos para a sua candidata.

Marco Antonio Rocha O Estado de S. Paulo

outubro 24, 2010

R$ 17 bi DO FGTS EM INVESTIMENTO POLÊMICO EM EMPRESAS. CHEIRO DE MARACUTAIA.

O dinheiro do trabalhador criou um gigante no setor de infraestrutura e ampliou, indiretamente, o poder do Estado na economia.

Com dois anos de operação, o FI-FGTS – criado com recursos do Fundo de Garantia para investir em transportes, energia e saneamento – já detém participação em 15 empresas privadas, além de debêntures de 10 companhias e cotas de 3 fundos.

No total, 28 ativos receberam (ou ainda vão receber) quase R$ 17 bilhões desde o início de operação do fundo de investimento, em julho de 2008.

Nos próximos meses, mais quatro companhias deverão incorporar essa lista e receber algo em torno de R$ 700 milhões.

Outros 20 projetos estão sob a mesa da Caixa, gestora do FI-FGTS, para análise.

"Esse fundo provoca um círculo virtuoso na economia. Quanto mais invisto, mais crio empregos (estima-se que até agora o fundo criou um milhão de empregos diretos e indiretos), mais aumento a contribuição no FGTS e mais posso investir no próximo ano", afirma o superintendente nacional de Fundos de Investimentos Especiais da Caixa, Roberto Carlos Madoglio.

Ele explica que o FI-FGTS pode investir até o limite de 80% do patrimônio líquido (ativo menos passivo) do Fundo de Garantia do ano anterior.

Em 2010, o limite é de até R$ 22 bilhões.
No próximo ano, deverá haver um aumento, já que o Fundo de Garantia tem apresentado crescimento médio de 14,5% ao ano.

Ou seja, a tendência é o potencial de investimento do fundo crescer ano após ano.
Embora tenha se tornado um importante instrumento de financiamento do setor, há quem critique a atuação do fundo.

Uma das principais preocupações é a qualidade dos ativos que o FI-FGTS financia.
No primeiro ano de atuação, os gestores levaram um "puxão de orelha" da Controladoria-Geral da União (CGU), que fez uma série de recomendações.

Entre os pontos levantados está o pagamento de taxa de administração considerada acima da média do mercado à Caixa, sobreposição na cobrança de taxa de administração, investimentos em ativos de baixa rentabilidade e a ausência de critérios de risco para aquisição de ativos não cotados em bolsa.

Polêmica.

Até agora, as operação mais controversas são as participações nas empresas Nova Cibe Energia, do Grupo Bertin (que virou sócio da Hidrelétrica de Belo Monte), e Rede Energia. Ambas passaram por problemas financeiros nos últimos anos.

A Nova Cibe é uma espécie de subsidiária da Cibepar, que em 2008 arrematou 21 termoelétricas em leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com a crise internacional, a empresa não conseguiu apresentar as garantias exigidas na data prevista, o que resultou em multas milionárias (ainda não pagas) e atraso nas obras.

As pendências, porém, não foram suficientes para impedir que o FI-FGTS liberasse R$ 240 milhões para a companhia.
A justificativa de Madoglio é que o fundo participa de sete usinas que não foram multadas e estão com o cronograma em ordem.

"Amarramos o contrato a várias condicionantes que se não forem cumpridas disparam uma série de garantias", diz ele, sem lembrar que o histórico da empresa mostra exatamente a dificuldade para cumprir garantias estabelecidas.

A outra participação polêmica é a compra de ações do Grupo Rede, holding que administra nove distribuidoras de energia.

Em 2008, a companhia teve de recorrer ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para converter uma dívida de R$ 115 milhões em ações da companhia, que renderam ao banco uma fatia de 25% do capital do grupo.

Em meados deste ano veio a notícia de aporte de R$ 600 milhões do FI-FGTS.
A operação ajudou a empresa a respirar pouco mais aliviada e até permitiu que ela recomprasse parte das ações em poder do BNDES.

O superintendente da Caixa explica que o investimento feito no grupo faz parte de uma estratégia do fundo, que visualizou grandes potenciais de ganho no setor de distribuição.

A empresa, segundo ele, detém áreas de concessão que terão forte crescimento nos próximos anos, como Pará, Mato Grosso e Tocantins.

"Fizemos um raio-X do grupo que levou cerca de um ano. A empresa é cobiçada no mercado", diz Madoglio, garantindo que as operações do fundo passam por rígido processo de avaliação, além de ter de contar com a aprovação do comitê do fundo.

O comitê é formado por 12 membros com assento no Conselho Curador do FGTS, sendo três representantes da bancada de trabalhadores, três da bancada patronal e seis representantes dos órgãos e entidades do governo federal.

Para Madoglio, essa formação ajuda no direcionamento dos recursos do FI-FGTS para projetos eficientes e rentáveis e diminui o risco de manipulação.

"A minha tarefa é selecionar os melhores projetos, estruturá-los e levá-los ao comitê para aprovação. Se três quartos dos representantes não aceitarem, a proposta é recusada."

Apesar disso, muitos economistas acreditam que há espaço para interferências do governo federal e também de erros de avaliação.

"O comitê acelera o processo, mas não evita que haja algum direcionamento dos recursos do trabalhador para determinados projetos. Querendo ou não, o fundo dá um poder enorme ao governo", avalia o economista Ernesto Lozardo, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

O professor do Instituto Insper, Otto Nogami, também tem dúvidas em relação à forma pela qual o FI-FGTS tem atuado no mercado, entrando como acionistas nas empresas.

"O governo criou uma brecha para transferir dinheiro para as companhias, o que é bastante complicado".

Será que o volume transferido é justo?
Será que as empresas têm idoneidade suficiente para cuidar desse dinheiro?, questiona ele, que avalia a criação do fundo como prova da incompetência do governo em relação ao seu caixa.

As opiniões de Nogami e Lozardo ganham respaldo também do especialista em contas públicas Raul Velloso.

"Vendo as experiências anteriores acredito que o comitê só serve para dar respeitabilidade aos negócios do FI-FGTS."

Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo

QUANTO TOCA O TELEFONE NINGUÉM PERGUNTA QUEM FOI, É SEMPRE QUEM É .

Daqui a oito dias, no próximo domingo antes das 9h da noite, o presidente Luiz Inácio da Silva começará a vivenciar o passado, as urnas apontem a eleição de Dilma Rousseff ou de José Serra para lhe suceder na chefia da Nação.

É inexorável: eleito, as atenções se voltam para o novo, o próximo, aquele que de fato traduz mais que uma expectativa, representa o poder em si.

Político baiano da velha guarda, Afrísio Vieira Lima tem a seguinte filosofia: "Ninguém atende ao telefone ou à porta perguntando quem foi, todo mundo quer saber quem é."

Pois é.

Face à evidência de que a natureza humana não falha, o mundo político não foge à regra.

No momento seguinte à proclamação do resultado, o País - quiçá o mundo - voltará toda a sua atenção para a fala, os planos, os gestos, as vontades, os pensamentos, a biografia, a família, os amigos e tudo o mais que diga respeito à pessoa que a partir do primeiro dia de 2011 dará expediente no principal gabinete do Palácio do Planalto.

Quando a gente vê um presidente tomar a iniciativa de se desmoralizar em público apenas porque não resiste ao impulso de insultar o adversário, a boa notícia é que falta pouco tempo para que esse estilo comece a fazer parte de referências pretéritas.

Abstraindo-se juízo de valor a respeito de Dilma e Serra, chegará ao fundo do poço que o presidente Lula se deu ao desfrute de frequentar na semana passada.

Pela simples razão de que é impossível.

A novidade não esteve na distorção dos fatos - isso já faz parte da rotina.

O ineditismo foi o desmantelo da farsa.

Melhor dizer, das farsas, pois foram duas: uma engendrada com vagar, outra montada às pressas. Ambas malsucedidas, não duraram 24 horas.

No começo da semana, quando já se anunciara o adiamento do fim da sindicância da Casa Civil sobre Erenice Guerra para depois das eleições, eis que a Polícia Federal ressuscitou o caso da quebra do sigilo fiscal de parentes e correligionários do candidato Serra, anunciando a identificação do responsável: Amaury Ribeiro Jr., jornalista que à época do crime trabalhava no jornal Estado de Minas.

O PT tentou legitimar, assim, uma versão que fazia circular desde junho quando se descobriu que os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, apareceram em um dossiê que chegou ao jornal Folha de S. Paulo como originário do PT.

A versão - não de todo inverossímil, diga-se - era a de que as informações haviam sido reunidas por Amaury a serviço do Estado de Minas para municiar Aécio Neves de dados contra José Serra, que, por sua vez, mandara investigá-lo.

Segundo um delegado e o superintendente da PF, Amaury dissera em seu depoimento que o trabalho visava a "proteger" Aécio.

Antes da entrevista dos dois, o presidente da República anunciava que naquele dia a Polícia Federal teria novidades.

Pois no dia seguinte, sabe-se que nem Amaury estava a serviço do Estado de Minas na ocasião nem citara no depoimento o nome de Aécio Neves. Ou seja, o presidente Lula comandara uma falácia e a PF aceitara se prestar ao serviço, acrescentando que as investigações estavam encerradas.

Foi desmentida em seguida pelo Ministério Público, que avisou que a polícia não estava autorizada a determinar o rumo e os prazos das investigações.

Não satisfeito, depois da pancadaria promovida por petistas contra uma passeata do candidato tucano no Rio, o presidente resolveu acusar o adversário de ser um farsante.

Precipitou-se, insultou o candidato em termos zombeteiros, desqualificou um médico de respeitável reputação, foi de uma falta de modos ainda pior que o habitual.

Isso tudo para quê?

Para ser logo em seguida desmentido pelos fatos exibidos no noticiário de televisão com a maior audiência do País, o Jornal Nacional.

Tudo isso sem necessidade, pois pelas pesquisas sua candidata está com 12 milhões de intenções de voto de vantagem sobre o adversário.

Tudo isso pelo exercício de um estilo abusivo que não conhece limites, mas que daqui a oito dias começará a perceber que o poder passa e a ausência dele dói.

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo

outubro 23, 2010

ELEITORES BRASILEIROS! E FALA SÉRIO!

Grupo Guararapes - Estamos Vivos!




Entendam-se as razões que fazem o GRUPO GUARARAPES recomendar e votar no SERRA.

Até o coordenador da campanha de DILMA NO NORDESTE AFIRMA QUE ELE É O MAIS COMPETENTE.


CIRO AFIRMOU QUE O PMDB “É UM AJUNTAMENTO DE ASSALTANTES E QUE O CHEFE DESSA TURMA É O MICHEL TEMER”.
UMA QUADRILHA.

O PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA AFIRMOU QUE O MENSALÃO É O RESULTADO DE UMA QUADRILHA QUE ASSALTOU A NAÇÃO BRASILEIRA.

DUAS QUADRILHAS SE JUNTARAM E ESTÃO APOIANDO A SENHORA DILMA. O QUE SERÁ DO BRASIL?
VOTEM COM CONSCIÊNCIA! VOTEM SERRA!
SALVEM O BRASIL DAS QUADRILHAS.


Entrevista DE CIRO GOMES no programa É NOTÍICIA DA SBT.

“Ciro sobre o PMDB:

“É que, hoje, quem manda no PMDB não tem o menor escrúpulo: nem ético, nem republicano, nem compromisso público, nada! É um ajuntamento de assaltantes na minha opinião. Eu acho que o Michel Temer hoje é o chefe dessa turma.”

Aliança do PT com o PMDB

“Nas eleições gerais de 2010, vamos ter clareza, a aliança do PT com o PMDB é para traficar minutos de televisão; é para asfixiar o debate, não é para governar. Porque, para governar, a gente faz aliança depois”.

Sobre o Ibope

“O Ibope, o Montenegro vende até a mãe para ganhar dinheiro. Esse aí eu conheço de longuíssima data! Mas vende [pesquisa] e vende mesmo!”

Sobre Lula e o PT golpista

“Olhe aqui: o Lula e o PT ficaram contra a Constituição brasileira de 1988. Vamos lá! O Fernando Henrique começou a experiência de governança dele, como presidente da República, já com a obra fundamental para a história brasileira em curso, que era o Plano Real. E o PT ficou contra! O Lula ficou contra! O Lula ficou contra o governo Fernando Henrique a ponto de o PT, não Lula, ter feito uma campanha golpista: “Fora FHC”

Quem é o melhor candidato?

“Agora, perguntado, evidentemente, a gente tem de dizer a verdade. Todo mundo sabe que eu sou adversário do Serra desde sempre. Agora, o Serra é mais preparado do que a Dilma. Por quê? Porque já foi governador, porque já foi prefeito, porque já foi ministro duas vezes, já foi deputado, já disputou eleições, já ganhou, já perdeu, e ela nunca disputou nenhuma eleição.”

É de assombrar o que diz (ou desdiz) o agora novo coordenador da campanha de Dilma. Promessa de pegar uma fatia do bolo, caso a marionete do Lula ganhe o 2º turno?

– Que Deus livre o Brasil, que quer continuar uma Democracia.

BRASIL ACIMA DE TUDO!
GRUPO GUARARAPES
VOTE SERRA!
CONSIGA 5 VOTOS E O SERRA SERÁ ELEITO!

Estamos Vivos!
Grupo Guararapes
Personalidade Jurídica sob reg. Nº 12 58 93,
Cartório do 1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza.

outubro 22, 2010

DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL VAI PARA R$1,626 trilhão UM AUMENTO DE R$8,06 bilhões.

Juros que corrigem débito atingem R$9,2 bi em setembro. Participação de estrangeiros bate novo recorde: 10,23%

A retirada de títulos públicos do mercado no valor de R$1,14 bilhão não foi suficiente para segurar a dívida pública federal em setembro.

O estoque subiu 0,5% e fechou o mês em R$1,626 trilhão. Em termos nominais, o aumento foi de R$8,06 bilhões.


Isso porque o resgate líquido de papéis feito pelo Tesouro Nacional foi parcialmente compensado pelos juros que corrigem o endividamento e que somaram nada menos que R$9,2 bilhões no mês passado.

O total emitido pelo Tesouro em setembro somou R$103,714 bilhões, sendo que R$67,8 bilhões foram referentes a títulos usados para capitalizar o BNDES e a Petrobras.

Essas duas operações fizeram parte de uma manobra do governo para conseguir fechar suas contas em 2010, mas não tiveram impacto sobre o estoque da dívida mobiliária.

Manobra para capitalizar Petrobras teve efeito nulo

Como a Petrobras tinha que pagar a União pelos direitos de exploração de petróleo do pré-sal (a chamada cessão onerosa), os papéis dados pela estatal no montante de R$67,9 bilhões cancelaram o efeito da emissão.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, disse que o aumento da tributação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a entrada de investimentos estrangeiros no país não deve afetar a administração da dívida.


Ele lembrou que a intenção do governo foi reduzir a especulação de aplicadores em operações de curto prazo:
- O IOF tende a afetar os investimentos de curto prazo.

A tendência é de continuidade no aumento gradual da participação de estrangeiros na dívida pública, pois a maioria busca aplicações com prazos mais longos.

A participação dos estrangeiros no estoque da dívida subiu de 10,06% (R$150,6 bilhões) em agosto para 10,23% em setembro (R$154,1 bilhões). É o maior nível da série histórica do Tesouro, iniciada em 2006.

(...)

Só a dívida mobiliária interna cresceu 0,64% em setembro e atingiu R$1,534 trilhão.

O impacto de R$10,69 bilhões de juros no estoque do mês foi parcialmente compensado por um resgate líquido de papéis de R$89 milhões.


Já a dívida externa caiu 1,86% em relação a agosto e ficou em R$91,76 bilhões.


Em setembro, os títulos prefixados aumentaram sua participação na dívida.

Essa parcela do estoque subiu de 34,62% em agosto para 36,07%.

Já o endividamento atrelado à taxa Selic caiu: de 32,36% em agosto para 30,91% em setembro.


O Tesouro conseguiu ainda alongar a dívida.


O total do estoque com vencimento a curto prazo (12 meses) baixou de 26,37% para 25,03%.
Já o prazo médio do endividamento passou de 3,59 anos para 3,57 anos.

O Tesouro também informou que conseguiu captar R$1,1 bilhão no mercado internacional.


Pela primeira vez desde 2007, o governo emitiu bônus denominados em reais (BRL).
Os papéis, que vencem em 2028, foram comprados por investidores americanos, europeus e asiáticos.

Martha Beck O Globo

SALVE O BRASIL! NÃO DÊ CRÉDITO AO MENTIROSO, CRETINO, CÍNICO, E BÊBADO!

CANSADOS DE HIPOCRISIA

Estamos chegando ao fim da campanha eleitoral.
Assistimos a cenas que deixam o cidadão consciente deprimido.

Mente-se, rouba-se e tudo passa a ser aceito como normal, tal o estado de indiferença Da sociedade brasileira.

O GRUPO GUARARAPES de tudo fez para despertar o cidadão para a responsabilidade do voto.

Mostrou o perigo que estamos correndo com a eleição, não da senhora DILMA, e sim da continuidade de um bando de péssimos brasileiros que se apossaram do governo.

Faz-se uma LEI chamada Ficha Limpa e colocando-se mil e uma condições que facilitam o registro de participantes de quadrilhas.

Quem afirma que existe uma quadrilha que faz parte do governo é o Exmo. Sr. Procurador Geral da República do Brasil, no caso do MENSALÃO.

São 40 quadrilheiros ou sendo mais claro: 40 ladrões. Como ainda não foram julgados podem concorrer.

ISTO NÃO É HIPOCRISIA?

Uma nova dúvida na hipocrisia da lei ficha limpa.

Vamos supor que o senhor FERNANDINHO BEIRA-MAR tenha cumprido a sua pena condenatória.

Poderá ele concorrer a um cargo eletivo, mesmo da presidência da república?

O GRUPO GUARARAPES pensa que não, pois o seu comportamento social não o recomenda e que será um desastre para o País.

E quem colaborou em roubo de cofre e confessou em entrevista que assaltou banco e pegou em arma, pode?

ISTO NÃO É HIPOCRISIA?

Um Presidente da República renuncia ao cargo para não ser cassado, tal a sua implicação na administração pública e pode voltar a exercer cargo público?

Ele é um cidadão limpo para o cargo público?
Se ele pode por que outros que renunciaram para não serem cassados não podem?

ISTO NÃO é HIPOCRISA?

A Justiça, que não pode ser Hipócrita, pois é o sustentáculo da sociedade e a garantia do cidadão, pode ficar assistindo a tudo isto acontecer no País sem tomar nenhuma providência que salve a DEMOCRACIA?

Que justiça é esta que permite quadrilheiros, ladrões, fichas sujas, mentirosos, cínicos, cretinos serem candidatos num Estado e noutros não?

ISTO NÃO É HIPOCRISIA?

Que Poder Judiciário é este que não defende a Constituição?

Diz a CF: art 4º V e VIII- Defesa da paz e repúdio ao terrorismo e ao racismo.

Quem pegou em arma e quebrou a paz no País e se orgulha de ter sido terrorista pode ter fé pública?
E quem coloca o boné de aprovação de quem invade a propriedade privada que é garantida pela Constituição pode ser candidata, também?

ISTO NÃO É HIPOCRISIA DA NOSSA JUSTIÇA?

Perante tanto desmando pergunta-se:

POR QUE A JUSTIÇA BRASILEIRA NÃO CUMPRE A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA no seu artigo 142, que lhe dá o direito de iniciativa de solicitar às Forças Armadas para salvar a Nação do caos?

É POR MEDO, POR HIPOCRISIA OU DESCONHECIMENTO DA LEI?
ESTAMOS VIVENDO O MEDO, A HIPOCRISIA E A COVARDIA DOS HOMENS!

POBRE PAÍS!

VAMOS VOTAR NO SERRA E VIVER NUM PAÍS LIVRE!

Estamos Vivos!
Grupo Guararapes!
Personalidade Jurídica sob reg. Nº 12 58 93, Cartório do 1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza.

EMPREGOS : GOVERNOS É QUE GERAM MAIS. SETOR PRIVADO COM QUEDA DE ATIVIDADE ECONÔMICA. É O ANO APOTEÓTICO.


Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de setembro, divulgados ontem pelo IBGE, comparados aos resultados da PME de março, apontam para um fato instigante: foi a administração pública (excluídas as empresas estatais) nas três esferas de governo - federal, estadual e municipal - a responsável pelo maior número de postos de trabalho abertos no país e, também, pelo forte aumento da massa salarial.

Confrontando os dados de setembro com os de março - mês em que começou a aparecer uma mudança de tendência nas apurações da PME, a administração pública criou 291 mil vagas.

A indústria foi responsável pela abertura de 137 mil novos postos de trabalho; os serviços, 43 mil; e o comércio, 7 mil.

Curiosamente, o setor da construção civil, um dos mais aquecidos do país e grande empregador de mão de obra de menor qualificação, destruiu 67 mil vagas no mês passado, em relação aos empregos gerados em março.

Eram 1, 706 milhão de empregos em março e esses caíram para 1, 639 milhão em setembro, segundo a pesquisa do IBGE que abrange as seis regiões metropolitanas

Construção civil perde fôlego, segundo o IBGE

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados esta semana, corroboram com essa tendência. Ele faz uma radiografia da situação do mercado de trabalho em todo o território nacional, e não só nas regiões metropolitanas.

As últimas informações do cadastro (com ajuste sazonal) já indicavam que a economia gerou menos emprego em setembro deste ano do que em setembro de 2008, mês em que eclodiu a crise financeira global.

A indústria abriu 25 mil empregos novos no mês passado, menos da metade dos 57 mil postos de março; a administração pública manteve o mesmo ritmo de contratação, 82 mil; e a construção civil perdeu fôlego, caindo de 32 mil para 19 mil vagas em março e setembro, respectivamente.

É importante lembrar, também, que o governo, no fim de março, eliminou uma série de incentivos fiscais concedidos no auge da crise financeira mundial - para a compra de automóveis novos, linha branca, móveis.

E logo no mês seguinte, o Comitê de Política Monetária (Copom), fez o primeiro aumento da taxa de juros Selic do pós-crise: de 8,75% para 9,5% ao ano.

Depois disso, o comitê anunciou outros dois aumentos de juros : para 10,25% em junho e para 10,75% em julho, interrompendo aí o ciclo de aperto monetário.

De lá para cá, a administração pública aumentou de 15,6% para 16,6% sua participação no estoque de ocupados no país, ao mesmo tempo em que no segmento privado a desaceleração da contratação e da produção já aparece, embora ainda não de forma muito visível.

Embora o período eleitoral seja marcado por uma legislação que restringe a contratação de mão de obra pelo setor público nos três meses que antecedem o primeiro turno, muitos desses postos de trabalho já haviam sido objeto de concursos.

Os concursados foram sendo chamados a assumir as vagas ao longo dos meses. Os dados do IBGE, porém, não chegam a esse nível de detalhamento - se quem entrou foi por concurso ou por outras formas - assim como não é possível identificar as esferas de governo que mais contrataram.

Ainda com base nos dados de setembro sobre a performance de março, a massa salarial teve um crescimento de 7,2%.

Também nesse caso, quem mais contribuiu para sustentar o crescimento foi a administração pública, onde o aumento da massa de salários foi de 15,6%.

Fora dela, o aumento foi bem mais modesto: 4,5%.

Na construção civil, os salários cresceram 3,9% em setembro sobre março; no setor de serviços, 2,8%; e no comércio, apenas 1,5%.

Esses indicadores sugerem que o crescimento econômico e, portanto, a oferta de emprego e aumento dos rendimentos estão ocorrendo, no setor privado, de forma bem mais moderada do que parece à primeira vista.

Se essa for a avaliação correta da conjuntura, certo está o Banco Central, que vem, desde junho, alertando para uma queda abrupta do nível de atividade econômica desde abril, que já teria levado o PIB para um crescimento abaixo do seu potencial.

Tudo isso confirmado, seria mínimo o risco de descasamento entre oferta e demanda e, portanto, de um repique inflacionário à vista.

De qualquer forma, os dados da pesquisa de emprego do IBGE merecem uma análise acurada dos especialistas em mercado de trabalho e dos analistas econômicos, pois fornecem indícios de que a política fiscal é que está produzindo empregos e renda em ritmo muito além do que o motor do crescimento - o setor privado - consegue.

Claudia Safatle Valor Econômico/ é diretora adjunta de Redação e escreve às sextas-feiras.