"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

março 14, 2015

#VEM PRA RUA ! MOTIVO PARA QUE AMANHÃ A RUA SEJA DO POVO? Com Dilma, economia retrocede dez anos em dois


"O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar". A frase proferida pelo economista e ex-ministro Roberto Campos, morto em 2001, remonta à década de 1970, mas não causaria estranhamento se fosse dita em 2015. O atual desenho macroeconômico do Brasil - com juros a 12,75%, inflação acima de 7% e dólar a 3,24 reais - mostra os efeitos danosos de uma política de governo intervencionista executada pela presidente Dilma Rousseff desde 2011 e que, agora, cobra seu preço. 

Diante dos ajustes necessários para que o país não sucumba a uma crise mais aguda, as medidas de subsídios, desonerações e estímulos têm sido desarmadas. Os impostos, elevados. E os brasileiros se deparam com problemas que há mais de uma década pareciam vencidos. Terão de pagar um preço alto para financiar o conserto dos fundamentos econômicos que balizavam o Brasil de outros tempos, mas que foram sistematicamente rompidos. Há cerca de dois anos, o país passa por uma deterioração econômica apenas comparável à era Collor - e esse tombo fez com que uma década de avanços virasse pó.

Na tentativa de manter, a todo custo, o crescimento vigoroso registrado em 2010, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 7,5%, o governo Dilma empreendeu uma mudança drástica de filosofia. Se o lulismo pregava uma política econômica ainda com viés desenvolvimentista, porém, com algum pragmatismo, a sucessora, no intuito de 'deixar sua marca', resolveu trocar a orquestra e a música. Numa espécie de anexação do Banco Central e do Ministério da Fazenda como secretarias do Palácio do Planalto, a presidente interferiu no câmbio, na taxa de juros e ofereceu subsídios à indústria nacional com o intuito de reduzir a dependência das importações. 

"Houve um afastamento paulatino dos instrumentos que compõem o tripé de política econômica, o qual garantiu a consolidação da estabilidade da economia conseguida com o Plano Real, além de intervenções na formação de preços em alguns mercados (energia elétrica e combustíveis), com efeitos importantes sobre a economia", afirma Gesner Oliveira, da GO Associados.

A sinalização da presidente frustrou observadores econômicos e os donos do dinheiro. Contudo, como o Brasil ainda era a bola da vez em 2011, a frustração demorou pelo menos dois anos para se transformar num sentimento generalizado. Com isso, a partir de 2013, o país assistiu a uma piora progressiva de seus indicadores econômicos - tanto aqueles que reproduzem a economia real quanto os que capturam expectativas futuras. 

De lá pra cá, as consequências se tornaram visíveis na indústria, no investimento, no mercado de trabalho, e, em última instância, na renda dos brasileiros, que é corroída pela inflação e juros mais altos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, está atualmente em 7,70% em 12 meses até fevereiro, o maior nível desde maio de 2005, quando atingiu 8,05%. Já a Selic está em 12,75%, o maior patamar desde janeiro de 2008.

Um número exemplar do retrocesso é o consumo das famílias brasileiras, mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e que responde por 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Tal indicador tem sido o catalisador do crescimento há pelo menos dez anos, mas deve começar a ruir em 2015. A previsão da Tendências Consultoria é de um recuo de 0,1% - o primeiro desempenho negativo desde 2003, quando caiu 0,8%.

Do lado produtivo, a indústria também não tem nada a comemorar - e não é de hoje. O setor acumula queda de 3,15% em 12 meses até janeiro, o resultado negativo mais intenso desde janeiro de 2010 (- 4,8%). E mesmo o dólar a 3,24 reais não deve resolver os problemas do setor. Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da Fiesp, lembra que "a mesma mão que afaga, estapeia". 

Traduzindo:
a moeda mais cara beneficia quem exporta, mas penaliza quem depende de insumos importados. Empresas que têm dívidas cotadas em moeda americana também podem ser pegas desprevenidas. De qualquer forma, a atual cotação confere algum alívio. "Se não fosse isso, a indústria doméstica não teria chance. De qualquer forma, o ano de 2015 já está desenhado como ruim", diz.

O retrocesso não ocorre apenas do ponto de vista macroeconômico. O economista Alexandre Schwartsman pondera que o que mais preocupa é a piora significativa observada no ambiente de negócios. "Temos um intervencionismo crescente, a paralisação de uma agenda importante que tínhamos avançado. De forma geral, temos um retrocesso claríssimo em diversas dimensões." Ele critica a errática agenda microeconômica adotada desde 2011, que privilegia determinados setores e empresas, e diz que, em relação à macroeconomia, ainda falta uma liderança por parte da presidente.

 "Dilma terceiriza o que é que mais importante. Colocou Levy na linha de frente e se escondeu atrás dele", diz, referindo-se à condução do ajuste fiscal que foi colocado em prática este ano no intuito de reverter os problemas. Uma das consequências mais preocupantes é o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. A situação do país está sendo olhada com lupa por agências de classificação de risco, como Standard & Poor's (S&P) e Fitch.

Neste cenário nebuloso, aumentou o "risco-Brasil", indicador que aponta, em linhas gerais, a percepção dos investidores em relação à capacidade do país de honrar suas dívidas. Segundo o Embi+Br, calculado pelo banco JP Morgan, o "risco-Brasil" estava em 338 pontos na última sexta-feira, o maior patamar desde maio de 2009, auge da crise financeira internacional. "Vale lembrar que a tendência é de alta, considerando o agravamento das crises político e econômica, incluindo os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras. Tudo isso deixa o mercado muito mais temeroso", afirma Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

Para o economista Otto Nogami, do Insper, a principal diferença entre a conjuntura atual e a dos anos 2000 é o sentimento dos agentes do mercado. Se, naquela década, a sensação era de que as coisas poderiam melhorar, o que se apresenta agora é um cenário de constante deterioração. "No início da década passada, ainda vivíamos um processo de recuperação, após a implementação do Plano Real. Tivemos uma melhoria do ambiente externo, uma busca por equilíbrio macroeconômico interno, que marcaram os dois governos do presidente Lula", lembrou Nogami. 

A conjuntura atual, no entanto, espelha visão oposta. Em diversos setores, índices de confiança atingem mínimas históricas, de acordo com sondagens elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Na indústria, por exemplo, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu em fevereiro o menor patamar desde abril de 2009.

Há uma tentativa incisiva do governo, capitaneada pelo ministro Levy, de reverter a situação. Não porque a presidente acredite que tenha feito algo errado. Prova disso é que dias atrás, diante de uma crítica feita por Levy a políticas passadas, o governo rebateu como represália, classificando a crítica como "infeliz". As medidas que o ministro briga para implementar atingem em cheio o bolso do trabalhador, em especial aquelas que reduzem benefícios trabalhistas. São duras, mas necessárias. 

O povo brada reparação, pois se sente enganado pelas promessas de manutenção das políticas feitas durante as eleições. O petrolão acrescenta pólvora à indignação. E a presidente, até o momento, parece fechar os olhos ao problema.

Luís Lima/Veja (Com reportagem de Teo Cury)

março 11, 2015

A 'ELITE' QUE VAIA DILMA


A presidente pôde ver de perto que 'elite' é esta que tanto reclama dela: pedreiros, pintores, faxineiras, marceneiros, modelos e empresários. Ou seja, uma amostra do povo brasileiro

Sempre que é questionado, o PT tenta desqualificar a crítica e circunscrevê-la a grupos isolados que, segundo o discurso oficial, "não representam a sociedade". Foi assim nas manifestações de 2013, foi assim na Copa do Mundo e novamente agora após o panelaço de domingo. Como sempre, a fábula não resiste a um sopro da realidade.

Os defensores do governo sustentam que os protestos são de uma elite que reclama "de barriga cheia". Coisa de dondoca que não tem mais o que fazer ou de playboy mimado. (Os termos aqui empregados parecem conversa de adolescente, mas o linguajar dos petistas é assim mesmo: pueril, básica, primária.)

Ontem, em São Paulo, a presidente da República pôde ver de perto que "elite" é esta que tanto reclama do governo dela. Lá estavam - segundo registros da imprensa - pedreiros, pintores, faxineiras, montadores de estandes, marceneiros, modelos, comerciários e empresários. Ou seja, lá estava uma amostra do povo brasileiro.

A Dilma Rousseff, os manifestantes ("dezenas", segundo os jornais) dedicaram palavras carinhosas como "vagabunda", "bruxa" e "ladra". Foi uma resposta ao desgoverno a que estamos assistindo e foi, especialmente, uma réplica indignada ao escárnio travestido de pronunciamento à nação que a presidente levou à TV na noite de domingo.

Os sinais do constrangimento ficaram visíveis. Enquanto Dilma mostrava-se abatida por mais um apupo sofrido, o cerimonial do Palácio do Planalto tentava apartar a imprensa do protesto. Não funcionou. A presidente preferiu abortar a caminhada que fazia pela feira e correu para o conforto do auditório onde faria sua palestra. Lá encontrou vazios metade dos 799 lugares.

Os limites da narrativa enganadora do PT também foram expressos no depoimento dado ontem por Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, à CPI que investiga a estatal. Mais uma vez ele deixou claro: o esquema criminoso foi instalado na empresa de forma "institucionalizada" com a chegada do PT ao governo. O que houve antes foram "atitudes isoladas" do engenheiro.

Barusco é o mesmo que revelou que mais de meio bilhão de reais podem ter sido desviados da Petrobras para o PT. Ontem, ele agregou que US$ 300 mil de propina foram repassados à campanha que elegeu Dilma em 2010 pela firma holandesa SBM. Não há qualquer registro de doação desta empresa na Justiça Eleitoral.

Dilma deve estar percebendo, da pior maneira possível, os limites de um governo cuja existência sempre se ancorou em marketing. Se acha que o que viu e ouviu até agora nas ruas é exagero, é melhor a presidente esperar pelo que vem por aí. Se as promessas não viram realidade, se a vida torna-se cada dia mais difícil, se o quadro geral é cada vez mais desalentador, a resposta do povo vem a galope. Motivos para protestar não faltam.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

março 10, 2015

LENHA NA FOGUEIRA


A cada tentativa de criar algum fato político favorável ao governo, Dilma piora sua situação. Ela não compreende que as manifestações são atos espontâneos de indignação
A inépcia de Dilma Rousseff para governar o país é evidente e está comprovada em números. Já sua incapacidade de comunicar-se com a população revela-se episodicamente: basta ela abrir a boca em público. É certo que, a cada tentativa de estabelecer algum fato político favorável ao governo, a presidente piora sua situação, como aconteceu no domingo.

A pretexto do Dia Internacional da Mulher, a petista usou rede nacional de rádio e televisão para defender as medidas do arrocho fiscal. Foi tão enganosa e insincera que colheu, em tempo real, uma das mais explícitas desaprovações que se tem notícia no país, um panelaço gigante. Pôs mais lenha na fogueira da insatisfação contra ela.

Mostra de sua inépcia, no dia seguinte ao pronunciamento Dilma estava falando às câmeras de TV sobre o risco de sofrer impeachment, com o que ganhou todas as manchetes do dia. Ou seja, o enredo saiu totalmente do script bolado pelo marketing petista.

Os protestos que se vê e ouve nas ruas são sinais da cidadania. São manifestações democráticas, dentro dos limites institucionais, que ecoam a indignação dos brasileiros com o estado atual das coisas. Mas para Dilma e o PT não passam de afrontas ao poder constituído.

Para a presidente, trata-se de coisa de quem busca um "terceiro turno" para as eleições que ela, com todas as suas armas sujas, venceu em outubro passado. Para o PT, são mera "orquestração de viés golpista" promovida pela "burguesia" e pela "classe média alta". É esta, pois, a maneira como eles convivem com o contraditório.

O que Dilma e a turma dela parecem não haver compreendido é que as manifestações são atos espontâneos de quem não suporta mais a incapacidade latente do governo para lidar com o momento de dificuldade que o país atravessa. Mais: de quem não aguenta mais ligar a TV e ver que o comando do país vem sendo movido à base de grossa corrupção.

Com sua inépcia para tratar do momento delicado, Dilma está conseguindo transformar o que era dificuldade econômica numa crise política. Os descaminhos do governo da petista aumentam o custo do ajuste e dificultam ainda mais a vida de quem trabalha e produz.

Haja vista que todos os prognósticos para a economia do país pioraram desde que a presidente iniciou seu segundo mandato. A inflação aproxima-se dos 8%, longe até do teto da meta. O crescimento será negativo, com previsão agora já na casa de -0,7% - mas é possível que o tombo acabe sendo o dobro disso.

Desnorteada, a presidente da República novamente recorrerá a seu tutor. Mas é certo que não será nos maus conselhos de Lula que Dilma encontrará alguma luz a iluminar seu governo. Seria melhor que ela interpretasse melhor o que vem das ruas, antes que não lhe sobre mais tempo algum.

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BRASIL REAL(DESMORALIZADO) ! O brasil maravilha DO PT QUE O MARQUETINGUE VELHACO NÃO MOSTRA NA TV : Brasil dá calote de US$ 8,1 milhões na OEA


O Brasil não pagou sua contribuição obrigatória à Organização dos Estados Americanos (OEA) no ano passado. Segundo relatório da entidade obtido pela Folha, o governo brasileiro pagou apenas US$ 1 em 2014, em vez dos US$ 8,1 milhões que devia. O país tampouco informou à OEA quando e se pretende pagar os US$ 10 milhões da cota de 2015.

Esse é apenas o último dos compromissos com organismos internacionais que o governo brasileiro deixa de honrar. O país não contribui financeiramente com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) há cinco anos. 
O jornal "O Estado de S. Paulo" revelou que o Brasil perdeu direito a voto na Agência Internacional de Energia Atômica, depois de acumular uma dívida de US$ 35 milhões.

O país também perdeu seus direitos no Tribunal Penal Internacional após acumular US$ 6 milhões em dívidas. Além disso, o Brasil deve US$ 76,8 milhões para atividades regulares da ONU e US$ 87,37 milhões para operações de paz. 
O corte de recursos determinado pelo ajuste fiscal do governo neste ano, aliado à diminuição progressiva do orçamento do Itamaraty, está por trás dos atrasos.

"O não pagamento das cotas da OEA significa o descumprimento deliberado e irresponsável de uma obrigação internacional do Brasil", diz Camila Asano, coordenadora de Política Externa da ONG Conectas Direitos Humanos. 
Esse descumprimento impacta diversos órgãos que dependem de repasses regulares da organização, como é o caso da Comissão Interamericana, o principal órgão de defesa dos direitos humanos na região." 
Procurado, o Itamaraty apenas confirmou que a dívida não foi paga.

A relação do governo brasileiro com a OEA azedou depois de a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à entidade, ter solicitado, em 2011, que o Brasil suspendesse o processo de licenciamento da usina de Belo Monte por causa do impacto sobre a comunidade local.

Na época, a presidente Dilma Rousseff mandou chamar de volta o embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes. Faz quatro anos que o país não tem representante na entidade. "Por não ter embaixador, o Brasil passa uma mensagem política de que a OEA não é prioridade para o país", diz um diplomata.
Tradicionalmente, Brasil, Bolívia, Venezuela e Argentina se opõem à OEA, que acreditam ser influenciada excessivamente pelos EUA. Os países também criticavam a entidade por ter suspendido Cuba em 1962, após a revolução comunista. A suspensão foi revogada em 2009, mas o país ainda não voltou para a OEA.



PATRÍCIA CAMPOS MELLO/DE SÃO PAULO
Folha

A grande mentira

"A questão central é a seguinte: estamos na segunda etapa do combate à mais grave crise internacional desde a grande depressão de 1929." Foi com essa estarrecedora desculpa que Dilma Rousseff jogou no lixo todos os indicadores econômicos e se eximiu de qualquer responsabilidade pela grave crise nacional que o Brasil enfrenta depois de quatro anos de seu desgoverno. 

Falando em rede de rádio e de televisão sob o pretexto de comemorar o Dia da Mulher, a presidente garantiu que, "como temos fundamentos sólidos", as "dificuldades conjunturais" são passageiras e começarão a ser superadas "já no final do segundo semestre deste ano". Os brasileiros não têm, portanto, com o que se preocupar, porque todas essas dificuldades "conjunturais" significam "apenas a travessia para um tempo melhor, que vai chegar rápido e de forma ainda mais duradoura". 

Oxalá! A encenação mendaz de Dilma foi mal recebida. Seu discurso foi saudado por um panelaço em bairros de classe média das cidades mais importantes do País, mas também em suas periferias. Pronunciou-se a mesma classe média para a qual, segundo Dilma, os governos do PT contribuíram com um novo contingente de 44 milhões de brasileiros.

Parte importante da crise de governança que está levando o Planalto ao desespero e a população a se manifestar ruidosamente decorre da absoluta incompetência de Dilma que, para completar o desastre, entrou em rota de colisão com o maior partido de sua base de sustentação, o PMDB, praticamente jogando-o na oposição. Como se não bastasse, os antigos parceiros do Planalto na farsa do "Novo Brasil", vendo-se agora enredados até o pescoço no propinoduto da Petrobrás, resolveram criar uma farsa toda sua.

O PMDB acusa o governo de manipular o Ministério Público (MP) para desmoralizar alguns dos seus principais líderes, como Renan Calheiros e Eduardo Cunha, incluindo-os no pedido de investigação apresentado ao STF pelo procurador-geral Rodrigo Janot. Ora, pelo menos esta acusação não se pode fazer ao governo petista. Se tivesse o poder de manipular o MP e a Polícia Federal o governo Dilma teria forçado a exclusão de figurões petistas da lista de suspeitos do procurador-geral e também, obviamente, a inclusão de nomes de oposicionistas tucanos e democratas.

 O que o PMDB pretende é criar confusão para comprometer os resultados da Operação Lava Jato. Para tal recorre sem nenhum constrangimento às acusações a Dilma e ao PT, com os quais os peemedebistas estão circunstancialmente de mal. Mas são todos farinha do mesmo saco - ou seja, do mesmo governo - tentando salvar-se do naufrágio de uma parceria que faz água por todos os lados.

O PMDB tem culpa no cartório, mas não é o principal responsável pela crise. A grande responsável pelo desastre é a presidente da República, como ficou claro em seu patético discurso do Dia das Mulheres. Atrás da sua soberba assoma a absoluta incapacidade de admitir os próprios erros, uma característica marcante de Lula e do PT que ela se encarregou de levar a extremos e que a torna uma governante medíocre.

Não reconhecendo os próprios erros, ela escamoteia a verdade, dissimula. E como uma mentira puxa outra, Dilma encontra-se hoje refém das fabulações com que tem insultado a inteligência dos brasileiros. Como a de afirmar, como fez no domingo à noite, que o seu é "um governo que se preocupa com a população", como se isso fosse uma exclusividade petista; ao dizer que "às vezes temos que controlar mais os gastos para evitar que o nosso orçamento saia do controle", exatamente o que ela nunca fez e que levou o País ao descontrole fiscal e à recessão econômica; ou então ao garantir que o País pode confiar no governo para controlar a crise econômica porque "queremos e sabemos como fazer isso", afirmação desmentida pela desconfiança com que os agentes econômicos encaram sua administração.

E é assim que, de mal um com o outro e cada um dissimulando, encenando, fabulando à sua maneira e de acordo com suas conveniências, o PT da desnorteada Dilma Rousseff e o ressentido PMDB de Michel Temer protagonizam a cena política que começa a abrir espaço para a participação das classes médias, sempre mais efetivas em momentos críticos do que os "exércitos do Stédile".

O Estado de São Paulo

março 09, 2015

PANELA NELA

Uma primeira amostra da irritação dos brasileiros, a presidente ganhou ontem, em tempo real. As próximas virão nos próximos dias, bem mais visíveis, nas ruas do país
Foram 15 longos minutos. Seria tempo bastante para Dilma Rousseff apresentar à nação uma narrativa verdadeira e honesta sobre as dificuldades vivenciadas pelos brasileiros em seu dia a dia. Mas não foi nada disso o que se viu. Como a presidente enveredou pela ficção, a resposta veio rápida: panela nela!

Em seu pronunciamento neste domingo, novamente a presidente da República buscou bodes expiatórios para uma crise cuja única culpada é ela mesma. Novamente tentou socializar as responsabilidades. Novamente ludibriou a boa fé dos brasileiros que anseiam por um líder que indique um bom caminho para o país.

Numa crise tão grave quanto a atual - que de econômica passou a política e caminha agora para tornar-se institucional - Dilma não pode ficar desperdiçando oportunidades de aglutinar a nação em torno de uma solução razoável para o país. Não há mais tempo a perder, mas ela insiste em jogá-lo fora.

O povo não tem mais paciência para engolir as empulhações do PT. A culpa pela carestia não está no exterior. A responsabilidade pelo arrocho recessivo não é senão da presidente e de sua equipe econômica. Os retrocessos e fracassos dos últimos anos são resultado direto de escolhas mal feitas de Dilma.

O maior vilão da inflação atual não tem nada a ver com a seca. São as tarifas públicas, que o governo da presidente reajusta sem dó desde que a eleição acabou. Só a energia já subiu 32% neste ano e deve subir mais. Já a gasolina ficou 8,3% mais cara em fevereiro.

Dizer que é a "segunda etapa" da crise internacional que empurra o Brasil para a recessão é escarnecer da inteligência dos brasileiros. A maior parte do mundo - inclusive as economias mais afetadas pela crise - já voltou a crescer, em alguns casos com intensidade, como os EUA.

O apelo da presidente em favor de "união", com "sacrifícios temporários" para "dividir o esforço entre todos" equivale a um abraço de afogados. Como quer apoio se nunca, jamais, admite que é responsável por boa parte dos problemas atuais? Quem não reconhece onde estão os erros não é capaz de corrigi-los.

Novamente, o discurso oficial petista promete um futuro venturoso, que está logo ali, "no final do segundo semestre", mas nunca chega. Tem sido assim desde o início do governo da presidente. Ela sempre acenou com maior crescimento, mais desenvolvimento. Mas jamais entregou. Como ter mais "paciência e compreensão", como ele pede?

Dilma Rousseff sabe da irritação dos brasileiros com ela - tanto que registrou isso em seu discurso de ontem. Mas talvez esteja longe de perceber até onde esta indignação alcança. Uma primeira amostra a presidente ganhou ontem, em tempo real. As próximas virão nos próximos dias, bem mais visíveis, nas ruas do país.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

O Caçador de Mitos : Quatro afirmações do pronunciamento DA DESAVERGONHADA que o próprio governo desmente

Dilma disse em seu pronunciamento na TV que “as conversas em casa e no trabalho precisam ser completadas por dados que nem sempre estão ao alcance de todas e de todos”. É verdade – o problema é que dados e estatísticas do próprio governo derrubam boa parte das afirmações da presidente. Veja aqui quatro exemplos: 

1) “Realizamos elevadas reduções de impostos para estimular a economia e garantir empregos.”
Dilma anunciou desonerações e redução temporária de impostos em seu primeiro mandato. Mas a arrecadação total aumentou durante seu primeiro mandato. Segundo a própria Receita Federal, a carga tributária de 2014 o Brasil foi a maior da história – 35,95% do PIB. O recorde anterior era a de 2012 (35,86% do PIB).

2) “Ampliamos os investimentos públicos para dinamizar setores econômicos estratégicos.”
Segundo o próprio Ministério da Fazenda, a taxa de investimento público entre 2010 e 2013 ficou estável em 2,7% do PIB (somando investimentos do governo federal e das estatais).

3) “Queremos e sabemos como fazer isso, distribuindo os esforços de maneira justa e suportável para todos. Como sempre, protegendo de forma especial as classes trabalhadoras, as classes médias e os setores mais vulneráveis.”
Dilma vetou a correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda e propôs uma correção menor, de 4,5%, que não cobre a inflação de 2014. Desde 1996, a defasagem da correção da tabela do IR já é de 64,33%. Isso significa que, a cada ano, o Imposto de Renda avança sobre classes trabalhadoras mais pobres (e vulneráveis).

4) “Nosso povo está protegido naquilo que é mais importante: sua capacidade de produzir, ganhar sua renda e de proteger sua família.”
Segundo o IBGE, o crescimento das despesas de consumo das famílias é o menor desde 2003. E a produtividade do trabalhador brasileiro – sua capacidade de produzir num determinado período – está travada há décadas. Entre 2002 e 2012, a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu em média 0,67% ao ano, enquanto a da Coreia do Sul subiu 6,7% ao ano e a dos Estados Unidos, 4,4%.

Leandro Narloch/VEJA
O Caçador de Mitos
Quatro afirmações do pronunciamento de Dilma que o próprio governo desmente

março 07, 2015

Ex-diretor da Petrobrás diz que Renan ficava com parte da propina da Transpetro


O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou em sua delação premiada que sabia que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebia um porcentual de contratos da Transpetro - subsidiária da estatal que foi comandada por dez anos por um indicado pessoal do senador, Sérgio Machado.

Costa afirmou que “tem conhecimento de que um porcentual dos valores envolvidos nos contratos da Transpetro são canalizados para o senador Renan Calheiros, com quem José Sérgio de Oliveira Machado se reúne periodicamente em Brasília.”

O delator não apontou “qual seria esse porcentual”, mas apontou ter recebido das mãos do ex-presidente da Transpetro R$ 500 mil de propina por conta da “contratação de navios”. O dinheiro foi entregue “em espécie e diretamente” por Máchado no apartamento dele, no Rio. Esse pagamento, que ele já havia citado em audiência de uma das ações penais da Lava Jato, ocorreu entre 2007 ou 2008.

Em outro episódio, Costa afirma que o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), emissário de Renan, levou até ele uma reclamação do Sindicato dos Práticos “acerca do reajuste da remuneração da praticagem”. O emissário dizia falar em nome do senador.

“Esse assunto foi encaminhado para a área técnica da Petrobrás, sendo feita a avaliação respectiva e após uma longa negociação o pleito acabou sendo atendido”, explicou o ex-diretor, em sua delação.

“Foi dito por Aníbal que em sendo exitosa a negociação, ou seja, atendido o pleito dos práticos seria feito um pagamento”, sendo que “parte dos recursos destinados ao senador Renan”.

A parte de Paulo Roberto Costa seria algo em torno de R$ 800 mil.
COM A PALAVRA, RENAN CALHEIROS.

O presidente do Senado divulgou nota no site da Casa Legislativa após a divulgação dos políticos que serão investigados. Veja o que ele disse:

“Nas democracias, todos – especialmente os homens públicos – estão sujeitos a questionamentos, justos ou injustos. A diferença está nas respostas. Existem os que têm o que dizer e aqueles que não. Quanto a mim darei todas as explicações à luz do dia e prestarei as informações que a Justiça desejar.

Minhas relações junto ao poder público nunca ultrapassaram os limites institucionais. Jamais mandei, credenciei ou autorizei o deputado Aníbal Gomes, ou qualquer outro, a falar em meu nome, em qualquer lugar. O próprio deputado já negou tal imputação em duas oportunidades.

Como maior interessado no inquérito, apesar do atropelamento do Ministério Público, que poderia ter evitado equívocos me ouvindo preliminarmente, considero que este é único instrumento capaz de comprovar o que venho afirmando desde setembro do ano passado.

Renan Calheiros, presidente do Senado Federal”

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso
BlogsFausto Macedo

PARA REGISTRO ! O 15 de Março: as cidades, o local e a hora dos protestos.

LISTA DAS CIDADES EM QUE AS MANIFESTAÇÕES ESTÃO CONFIRMADAS

Aracaju/SE – 9h30 – Arcos da Orla

Araraquara/SP – 15h00 – Parque Infantil até a Prefeitura

Belo Horizonte/MG – 9h30 – Praça da Liberdade

Botucatu/SP – 15h00 – Largo da Catedral Metropolitana de Botucatu

Brasília/DF – 9h30 – Museu da República (rumo ao Congresso Nacional)

Curitiba/PR – 14h00 – Praça Santos Andrade

Curvelo/MG – 10h00 – Praça Central do Brasil

Florianópolia/SC – 16h00 – TICEN (Av. Paulo Fontes, 701)

Fortaleza/CE – 10h00 – Praça Portugal

Goiânia/GO – 14h00 – Praça Tamandaré

João Pessoa/PB – 15h00 – Busto de Tamandaré

Juiz de Fora/MG – 10h00 – Parque Halfeld

Jundiaí/SP – 9h30 – Av. 9 de Julho

Porto Alegre/RS – 14h00 – Parcão

Presidente Prudente/SP – 9h00 – Praça 9 de Julho (em frente ao Chick Center)

Recife/PE – 9h00 – Av. Boa Viagem (em frente a Padaria Boa Viagem)

Rio de Janeiro/RJ – 9h30 – Copacabana, posto 5

Salvador/BA – 16h00 – Farol da Barra

São Carlos/SP – 10h00 – Praça do Mercado (Av. Com. Alfredo Maffei, 2.542)

São Paulo/SP – 14h00 – Masp (Av. Paulista, 1.578)

Sete Lagoas/MG – 10h00 – Lagoa Paulino

Teresina/PI – 16h00 – Av. Marechal Castelo Branco (em frente a Alepi)

Uberaba/MG – 16h00 – Calçadão de Uberaba

Uberlândia/MG – 9h30 – Praça Tubal Vilela


LISTA DAS CIDADES QUE AGUARDAM CONFIRMAÇÃO

Joinville/SC – a confirmar

São Luís MA – 15h00 – Av. Litorânea


LISTA DAS CIDADES QUE NOS ENVIARAM E-MAIL AO MOVIMENTO, MAS QUE NÃO CONTAM COM REPRESENTANTES DO “VEM PRA RUA”

Anápolis/GO – 14h – Praça Dom Emanuel

Arapiraca/AL - Praça da Prefeitura até o Parque Ceci Cunha

Ariquemes/RO – 15h – Praça da Vitória (Av. Jamari)

Artur Nogueira/SP – 16h – Praça do Coreto – Av. Fernando Arena, esquina com a Rua Duque de Caxias.

Barreirinhas/MA – 15h – Praça do Trabalhador

Belém/PA – 9H – Praça da República

Bento Gonçalves/RS – 16h – Na frente da Prefeitura

Birigui/SP – 9H – Praça Central da cidade: Doutor Gama

Bragança Paulista/SP – 16h – Praça Raul Leme

Cachoeira do Sul/RS – 16h – Praça da Matriz

Caldas Novas/GO – 14h – Praça Central

Capinópolis/MG – 9h30 – UTC-03

Capivari/SP – 16h – Praça Central

Cascavel/PR – 15h – Em frente à Igreja Matriz

Cianorte/PR – 15h – Prefeitura de Cianorte

Cidade de Goiás/GO – 14h – Praça dos Eventos

Criciúma/SC – 9h – Parque das Nações

Cáceres/MT – 15h – Serraria Cáceres até a Praça Barão do Rio Branco

Dois Vizinhos/PR – 14h – Praça da Igreja Santo Antonio

Dourados/MS – 14h – Praça Antônio João

Fernandópolis/SP – 9h – Praça da Matriz

Fortaleza/CE – 10h – Praça Portugal

Goiânia/GO – 14h – Praça dos Bandeirantes

Governador Valadares/MG – 16h – Praça dos Pioneiros

Guarapuava/PR – 14h – Praça Cleve

Itatiba/SP – 14h – Praça das Bandeiras

Jataí/GO – 14h – Câmara dos Vereadores

Jundiaí/SP – 9h30 – Av. 9 de Julho

Lages/SC – 10h – Estatua Correia Pinto

Limeira/SP – 9h30 – Praça Toledo Barros (Rua Doutor Trajano Barros de Camargo, 13480 )

Linhares/ES – 16h – Atrás da TV Norte

Londrina/PR – 13h – Zerão

Londrina/PR – 15H – Em frente ao colégio Vicente Rijo (Av. Jk com Av. Higienópolis)

Macaé/RJ – 16h – Paróquia Nossa Senhora da Glória, Cavaleiros

Manaus/AM – 14h – POSTO 300 (Av. Djama Batista)

Manaus/AM – 9h30 – Av. Eduardo Ribeiro, em Frente à Feirinha

Monitividiu/GO – 14h – Praça das Mães

Montes Claros/MG - Em frente ao Shoping Center

Natal/RN – 15h – Avenida Roberto Freire

Paraisópolis/MG – 14h – Praça do Centro

Pelotas/RS - Largo do Mercado Público

Perdões/MG - Praça do Berimbau

Petrópolis/RJ – 16h – Praça D. Pedro II , Centro

Piracanjuba/GO – 14h – Praça do Relógio

Porto Velho/RO - Praça das 3 Caixas d’Água, Centro

Presidente Prudente/SP – 9h – Parque do Povo (em frente ao Colégio Poliedro)

Ribeirão Preto/SP – 9h30 – Teatro Pedro II (Rua Álvares Cabral, 370)

Rio Branco/AC – 14h – Palácio do Governo

Rio Verde/GO – 14h – Praça Matriz

Rondonópolis/MT – 16h – Em frente ao Rondon Plaza Shopping

Santo Antônio de Jesus/BA – 9h30 – Praça Dr. Renato Machado, Centro

Sertãozinho/SP – 9h – Praça 21 de Abril

São José dos Campos/SP – 14h – Praça Afonso Pena

São José dos Campos/SP – 15h – Praça Afonso Pena

São João Del Rei/MG – 16h30 – Praça da Estação Ferroviária – Centro

Torres/RS – 9h30 – Praça XV de Novembro, Centro

Ubá/MG – 14h – Praça São Januário

Uruguaiana/RS – 14h – Praça do Barão do Rio Branco

Vitória/ES – 15h – Em frente à UFES

Vitória/ES – 16h – Praça do Papa

Vitória/ES – 16h as 20h – Sede da Petrobras

Volta Redonda/RJ – 9h – Praça Brasil

Íntegra :

março 06, 2015

MENSALEIROS DO PT: TODOS SOLTOS


Genoino se livrou da pena e todos os demais petistas da turma da Papuda já estão em casa. O mensalão acabou em pizza e, perto dos bilhões do petrolão, virou piada

Bem tinha razão Delúbio Soares, quando, anos antes de ser condenado pela participação no mensalão, vaticinou: "Isso tudo vai acabar virando piada de salão". Os mensaleiros, que começaram a se livrar da prisão, devem mesmo estar rindo à toa.

José Genoino tornou-se o primeiro deles a se ver livre da Justiça. O ex-presidente do PT cumpriu apenas um ano, um mês e dez dias de cadeia e anteontem foi contemplado, por unanimidade, com extinção da pena pelo STF. Livrou-se de gramar mais 40 meses de cana.

O ex-presidente do PT foi beneficiado por induto de Natal concedido milimetricamente sob medida para ele por Dilma Rousseff no ano passado. Pode, agora, fazer o que bem entender, exceto candidatar-se a algum cargo público. Condenado pelo STF por corrupção ativa, Genoino deveria cumprir quatro anos e oito meses de reclusão, mas não passou mais que algumas semanas na Papuda.

Assim como ele, todos os demais condenados do núcleo político da turma de mensaleiros já estão em casa, incluindo José Dirceu e Delúbio. O último a passar a cumprir prisão domiciliar foi João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara, beneficiado na semana passada.

No fim do ano, se as regras do indulto forem mantidas, todos poderão ganhar a mesma liberdade de Genoino. Certamente serão saudados pelos amigos petistas - cujas vaquinhas pagaram suas multas à Justiça - como heróis, como "guerreiros do povo brasileiro".

Não eram poucos os brasileiros que sempre apostaram que o mensalão iria terminar em pizza. A suavidade com que a Justiça se abate sobre os mensaleiros dá razão ao ceticismo dos cidadãos quanto à aplicação da célebre máxima de que "quem deve tem que pagar". Diante do mal que impingiu ao país, a turma da Papuda saiu no lucro.

A liberdade conquistada pelos mensaleiros chega na mesma hora em que o país se convence de que, sim, Delúbio tinha razão: perto do petrolão, o mensalão é mesmo fichinha, uma piada sem graça. Toda a soma de dinheiro movimentada para sustentar a base de apoio ao governo Lula no Congresso no petrolão fez a festa de apenas um dos envolvidos.

O que há de mais relevante é que ambos, mensalão e petrolão, constituem atos de um mesmo enredo: o do assalto do PT ao Estado. Um poderoso esquema que começou assim que Lula pisou no Palácio do Planalto e chegou até os dias atuais, sempre ganhando maiores dimensões. Milhões viraram bilhões.

Durante os debates na TV, a candidata Dilma costumava recitar um jogral ensaiado em que listava acusações de corrupção no governo Fernando Henrique e afirmava que os supostos envolvidos estavam "todos soltos". A partir de agora ela pode - desta feita com carradas de razão - incluir os mensaleiros no seu teatrinho.


Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela