"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 06, 2013

Extensão da mancha pode ultrapassar 20 quilômetros - SEM "MARQUETINGUE ! DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E FALSÁRIA "PALANQUEIRA" : Óleo vaza de terminal da Petrobras e atinge São Sebastião, litoral de São Paulo

Pelo Terminal Marítimo Almirante Barroso, que pertence à Transpetro/Petrobras, passa 55% do petróleo consumido no Brasil

Extensão da mancha pode ultrapassar 20 quilômetros, segundo secretário municipal de Meio Ambiente

Um vazamento de óleo do Terminal Marítimo Almirante Barroso (Tebar), pertencente à Transpetro/Petrobras, atingiu a cidade de São Sebastião, litoral Norte de São Paulo, na noite desta sexta-feira. A Delegacia da Capitania dos Portos em São Sebastião informou que ainda não sabe a quantidade exata de óleo que vazou, mas estima que o vazamento seja de proporções consideradas “razoáveis”. Pelo Tebar, passa 55% de todo o petróleo consumido no Brasil. Em 2012, os vazamentos da Petrobras cresceram 65% em relação ao ano anterior.

Segundo o capitão de fragata Alexandre Motta de Sousa, delegado da Capitania dos Portos, após percorrer a área de helicóptero, foi possível mensurar a extensão bruta da mancha em mais de três quilômetros. Segundo Sousa, o espelho d´água contaminado vai do centro da cidade de São Sebastião até o bairro São Francisco.

— O próprio recorte do litoral da região ajudou a conter a mancha. As praias mais turísticas ficam em enseadas abrigadas pelas montanhas. A mancha correu por fora e só chegou a areia em duas praias (Praia Deserta e Praia do Pontal) que são pouco visitadas. Medimos pouco mais de três quilômetros. Por conta do vento e da corrente marinha, a mancha já se desloca em direção à enseada de Caraguatatuba e segue marcha em sentido norte — afirmou.

Segundo a Transpetro, o vazamento de combustível foi detectado por volta das 17h50 de sexta-feira e imediatamente equipes de contingência foram acionadas. Durante toda a noite e a madrugada, elas atuaram na contenção do vazamento e na remoção do produto.

O óleo se desprendeu da área atingida e alcançou as praias Deserta, Pontal da Cruz, Ponta do Lavapés e Portal da Olaria, em São Sebastião. De acordo com a Transpetro, a limpeza dessas praias já foi concluída. Porém, durante a tarde de sábado, a mancha atingiu a Praia das Cigarras. São 37 embarcações e cerca de 300 funcionários mobilizados para a contenção e remoção do óleo.

A Capitania de Portos de São Sebastão confirma a rápida chegada das equipes e o início imediato das ações de contenção. Ela afirma que o vazamento já está controlado, no entanto, helicópteros ainda estão sobrevoando a área para identificar pontos onde podem ter manchas e a melhor forma de contê-las. Apesar de a operação ser facilitada pelas boas condições meteorológicas na região, o óleo é difícil de ser contido por ser considerado leve demais. Por enquanto, o incidente não afetou a balneabilidade das praias atingidas e a operação está sendo acompanhada pelo Ibama e Marinha.

Ainda de acordo com Sousa, durante a inspeção a Capitania dos Portos visualizou uma fazenda marinha que foi atingida pelo óleo. Ele não sabe precisar o que é produzido no local nem mensurar os prejuízos para a região. O capitao de fragata reiterou que foram lançadas barreiras de contenção e que continuam sobrevoando com helicópteros para identificação de eventuais manchas de óleo que possam ter escapado desses limites.

Prefeitura pede que banhistas evitem nove praias

Até o início da manhã percebido apenas em oito praias da região central de São Sebastião, no litoral norte paulista, o vazamento de óleo do Tebar, começa a atingir a região sul da cidade. A Defesa Civil do município informou há pouco às autoridades locais que as manchas já podem ser verificados na praia de Toque Toque, um dos paraísos ambientais da região, perto de praias famosas como Maresias e Camburi. O acidente começou a alterar a rotina de moradores e turistas, que passaram a ser alertados sobre os risco de entrar no mar.

— O óleo que vazou é o MS 320, que serve de combustível para alimentar caldeiras de navios. É um óleo muito fino, o que dificulta muito sua contenção. O pessoal da Defesa Civil me avisou agora que já estão percebendo manchas em Toque Toque —disse Eduardo Hipólito, secretário municipal de Meio Ambienta.

Segundo ele, até então o registro era de manchas num raio de sete quilômetros, a partir do centro da cidade. Por conta do tempo (venta forte na região), o secretário acredita que o óleo pode rapidamente alcançar praias, mangues ou costões rochosos distantes até 20 quilômetros do local do vazamento.

— O que está acontecendo é fruto de um despreparo muito grande da Petrobras. Eu mesmo só fui avisado desse acidente por um pescador — disse o secretário.

Ainda sem dimensionar os danos causados pelo vazamento, a Prefeitura divulgou alerta pedindo que moradores e turistas evitem nove praias da região. 
São elas: 
Porto Grande, 
Deserta, 
Ponta da Cruz, 
Arrastão, 
Portal da Olaria, 
São Francisco, 
Figueira, 
Cigarras e Enseada.

O presidente da Colônia de Pescadores de São Sebastião, Acácio Waldomiro da Cruz, no entanto, acredita que o problema deve ser menor do que imaginam as autoridades. Segundo ele, a Petrobras, ao contrário do que já fez no passado, não requisitou nenhum dos 80 barcos da associação para possivelmente ajudar no trabalho de contenção. Ainda assim, Acácio diz estar preocupado com a pesca na região.

— Essa área (canal de São Sebastião, atingido pelo vazamento) é onde normalmente pescamos tainhas e paratis, que são peixes de rede. Certamente, não é possível pescar nada nesse momento — disse Acácio, para quem os pescadores da região foram orientados a voltar a trabalhar só depois de um laudo a respeito das condições ambientais na área.

Dona há dois meses de um restaurante japonês na cidade, de frente à praia e próximo ao terminal da Petrobras, a empresária Karina Insaurrade Lima disse que já começa a contabilizar prejuízos. Na sexta-feira, quando aconteceu o acidente, os clientes do restaurantes deixaram o estabelecimento por conta do mau cheiro provocado pelas manchas de óleo.

— Além de as pessoas não aguentarem o cheiro, como vão querer ir a um restaurante japonês para comer peixe? — disse ela, lamentando a falta de informações sobre o trabalho de contenção do material.

— Ninguém da Petrobras passou um comunicado dizendo quando isso tudo vai ser resolvido — reclamou.

Plano Vazamento Zero não decola

A Petrobras anunciou ao mercado no começo de 2012 o lançamento do plano Vazamento Zero, uma meta para minimizar os impactos ambientais da exploração petrolífera decorrentes do derramamento de petróleo e derivados no mar e em terra.

Mas, no primeiro ano da medida, ocorreu exatamente o contrário, mesmo com queda de 2% na produção de petróleo, para 2,1 milhões de barris de óleo e líquido de gás natural (LGN) por dia. No ano passado, cresceu em 65% o volume de vazamentos da Petrobras. Foram derramados 387 mil litros no meio ambiente em 2012.

Funcionários da companhia estimam que cerca de 33% desse volume foram derramados no transporte de combustíveis. Procurada, a petrolífera responsabilizou o “imponderável” pela alta dos vazamentos.

Flávio Freire e Sérgio Vieira (Facebook · Twitter)

EM REPÚBLICA DE TORPE$ A$$ENHOREADA POR CANALHA$... O e$tranho ca$o do inglê$ que ( O "ESTRANHO" ) Lewandowski mandou prender e depois soltar


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtE3KlrKY0ncnZMO_EVZMURrJTNXZurtytYavqdX7b9Z9oWnlLdlIGoUXC2-HlBVOPqk2rRJ0K8y4SDYAdxTfWMTrqdER68MSBPgNfMg_FjgRwx77vcnP1fBCj-QidMA4pkXq5JmFx90c/s1600/Ricardo+Lewandowski+diz+absurdo.jpg
Às 6 horas do dia 7 de dezembro do ano passado, o britânico Michael Misick foi preso por duas equipes da Polícia Federal no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, quando tentava embarcar para São Paulo. Os policiais cumpriam ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski.

Dias antes, Lewandowski fora alertado pela Embaixada do Reino Unido de que havia um mandado de prisão contra Misick, expedido pela Justiça britânica nas diminutas Ilhas Turcos e Caicos, no Caribe. As 40 ilhas que formam o pequeno arquipélago são um protetorado britânico do tamanho de Belém, Pará, que vive do turismo em suas praias exuberantes.
Misick, natural de lá, foi primeiro-ministro das Ilhas entre 2003 e 2009. Ele fugiu para o Brasil há dois anos, depois que as autoridades britânicas descobriram que cobrava propina de empresários interessados em abrir resorts nas Ilhas – e pouco antes de a Justiça de lá mandar prendê-lo por corrupção e formação de quadrilha.

Misick, que tem uma fortuna avaliada em US$ 180 milhões, recebeu, de oito empresários, ao menos US$ 16 milhões em suas contas nos Estados Unidos. Em contrapartida, o governo que ele chefiava autorizou a construção de resorts de luxo frequentados por famosos, como Bill Gates e Bruce Willis.

O Reino Unido, valendo-se de um tratado de extradição assinado com o Brasil, pediu a Lewandowski, relator do processo, que devolvesse Misick às Ilhas Turcos e Caicos. Nesses casos, a lei prevê a prisão como primeira etapa da extradição, para assegurar que o estrangeiro não fuja – o que se cumpriu naquele dia no Aeroporto Santos Dumont.

Para completar a extradição, bastava que, em seguida, o Reino Unido enviasse ao Brasil um pedido formal, repleto de assinaturas burocráticas, e documentos do processo contra Misick.

O Reino Unido mandou a papelada, mas Lewandowski não mandou Misick para os ingleses. Mandou Misick para casa.

O caso de Misick, que era apenas inusitado, ficou estranho no começo de fevereiro.

No dia 6, apesar de um parecer contrário da Procuradoria-Geral da República e da tradição do Supremo nesses casos, Lewandowski, citando um atraso do Reino Unido no envio do pedido de extradição ao Brasil, mandou soltar Misick.

“Diante do descumprimento das formalidades essenciais por parte do Estado Requerente (o Reino Unido), previstas no tratado, para a manutenção da prisão do extraditando, consigno que a expedição do competente alvará de soltura em favor deste é medida que não pode ser postergada”, escreveu.

Em situações como essa, os ministros do Supremo, cientes dos labirintos da burocracia de Brasília, costumam manter a prisão, concedendo novo prazo às autoridades do país interessado.

A inovação jurídica de Lewandowski virou constrangimento diplomático dias depois, quando o Ministério da Justiça repassou ao Supremo a papelada do Reino Unido – que fora entregue ao Itamaraty no dia 28 de janeiro, antes de vencer o prazo de 60 dias, estabelecido no tratado entre os dois países.

Os britânicos agiram corretamente:
o tratado prevê que a papelada seja entregue ao Estado brasileiro, não à Suprema Corte. Pelo tratado, mesmo que o Reino Unido tivesse entregado a papelada após o prazo, a extradição voltaria a tramitar normalmente, assim que os documentos chegassem.

(Antes de continuar com o estranho caso, é importante fazer um parêntese. Misick contratara um advogado para defendê-lo no STF: 
Luiz Eduardo Green­halgh, ex-deputado pelo PT de São Paulo. Seria um advogado para lá de comum, não fosse seu privilegiado acesso aos gabinetes de Brasília ocupados por petistas, sobretudo os petistas de São Paulo. Lewandowski, que é de São Bernardo do Campo, mesma cidade do ex-presidente Lula, foi nomeado para o Supremo com o apoio do PT paulista – o PT de Greenhalgh. Fecha parêntese.)

Diante da descoberta de que o Reino Unido não havia sequer estourado o prazo, o que fez Lewandowski? Manteve sua decisão – e foi além. No dia 18, suspendeu o processo de extradição até que o Ministério da Justiça avaliasse um recurso de Greenhalgh, que pediu ao governo Dilma refúgio político a Mi­sick. Nesse momento, Lewandowski inovou novamente.

É, no mínimo, incomum que se suspenda uma extradição até que se esgotem todos os recursos de um refúgio. Quando chegou ao Brasil, ainda em 2011, Mi­sick disse que estava sendo investigado por “lutar contra a ditadura britânica e pela independência” de Turcos e Caicos. 
Nada disse sobre os comprovantes de propina.
(...)
http://veja4.abrilm.com.br/assets/images/2012/9/99386/Ricardo-Lewandovisk-20120926-01-size-460.jpg?1348692356
A preocupação humanista de Lewandowski é recente.

Há três anos, ele aceitou um pedido da Polônia para prender o comerciante Krzysztof Dechton, que emigrara para o Brasil havia dez anos, era casado com uma brasileira e tinha com ela um filho de 3 anos.

Dechton era acusado pelo governo polonês de ter falsificado documentos para obter um empréstimo que lhe permitisse comprar um computador e uma impressora. O polonês foi preso na véspera do Natal.

Na mesma época, a Polônia enviou pedidos de extradição semelhantes ao mundo inteiro – havia pedidos de extradição por furto de barras de chocolate e de celular.

Nesse caso, Lewandowski foi duro:
“(Dechton) tem a personalidade voltada para a prática reiterada de crimes, tendo buscado, no Brasil, refúgio para garantir sua impunidade.

A prisão faz-se necessária, também, pois, como se percebe dos autos, o cidadão estrangeiro evadiu-se logo após a prática dos delitos, de modo que não se pode esperar que, solto, aguardará o julgamento, seja qual for a decisão, ao final, tomada por esta Suprema Corte”. 

 O polonês ficou preso numa cela comum em Salvador, na Bahia, até que a Polônia desistisse de formalizar o pedido de extradição. A prisão do polonês durou quatro meses.
Seu advogado não era o petista Luiz Eduardo Greenhalgh.

caso estranho/CONTINUA/ÍNTEGRA :
O inglês que Lewandowski prendeu e soltou

abril 05, 2013

O Nordeste merece mais

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3Bz0mMVv8OE4pVW26nfHOg1LnF7ig_63NnPO-HRRri_g6LjyIltBXG4l0iBI7HB2gPET9Whq3pZH9izSVCOb1duFKPNQ4fhxyq91xxirvRAyum77EMXIcS11aUidAmb6aGX9hdYoiQxIH/s400/CHARGE+-+PRESIDENTE+DILMA.jpg
Dilma Rousseff volta hoje ao Nordeste, pela segunda vez na semana. A cada viagem, a presidente leva um pacote de bondades debaixo do braço, mas, independentemente deles, as dificuldades da região continuam as mesmas. Já não é hora de o governo petista agir efetivamente para superar os problemas que afligem o povo nordestino?

Dilma estará hoje em Salvador para a festa de inauguração do novo estádio da Fonte Nova. Será sua nona viagem à região só neste ano e a 48ª desde o início de seu governo, conforme levantamento da Folha de S.Paulo. A cada duas viagens que fez pelo país janeiro último, uma teve o Nordeste como destino.

Mais o calendário eleitoral se aproxima, mais a presidente multiplica suas idas aos estados nordestinos. Vai à cata de votos. Na terça-feira, esteve em Fortaleza, onde anunciou mais um "pacote" de ajuda aos municípios da região castigados pela seca. Feito o anúncio, pôde-se perceber que, na realidade, ele trazia um monte de intenções recicladas e medidas velhas.
 

Os R$ 9 bilhões propagandeados juntam, num mesmo balaio, manutenção de benefícios, verbas já empenhadas e recursos carimbados que já iriam, de alguma forma, para o Nordeste. Em ritmo de campanha, o que interessa à presidente é produzir cifras portentosas; benefícios reais para a população são o de menos.

Um terço do "pacote" refere-se ao que o governo federal deixará de arrecadar com a renegociação de dívidas de agricultores. Mais 23% vêm do PAC Equipamentos, lançado ainda no ano passado, destinando retroescavadeiras e motoniveladoras às prefeituras. E outros 17% são renúncias de recursos que, de qualquer forma, seriam reservados à região por meio de fundos constitucionais, conforme cálculos d'O Estado de S.Paulo.

O governo federal diz que, desde que a seca se acentuou, já liberou R$ 7,6 bilhões para os 1.145 municípios nordestinos mais afetados.

Fernando Castilho, colunista do Jornal do Commercio, fez as contas e concluiu:
o valor representa apenas metade do que o BNDES liberou para empresas de Eike Batista e um terço do que o banco repassou à Fiat. O Nordeste merece mais que isso.


A caixinha de truques da gestão Dilma ainda previa um novo anúncio de medidas de apoio a produtores agrícolas da região para a contratação de frete para transporte de milho. Mas o próprio governo considerou que era muito pouco e suspendeu a medida, que integrava um "pacote emergencial" para enfrentar o caos logístico que se instalou no país - e agora foi definitivamente arquivado, conforme a Folha de hoje.

O mais grave é que, com o Nordeste mergulhado na mais severa estiagem que se tem notícia em cinco décadas, as ações do governo federal se limitam a paliativos. Obras emergenciais continuam consumindo o grosso dos recursos do Orçamento da União, enquanto ações estruturantes apodrecem, como é o caso da transposição das águas do rio São Francisco.
 
De acordo com a ONG Contas Abertas, de R$ 3,4 bilhões previstos no orçamento de 2012 para obras de barragens, adutoras e canais, dentro do programa federal Oferta de Água, apenas R$ 407 milhões foram efetivamente aplicados, o que dá meros 12% do total, segundo O Globo.

Do que o Ministério da Integração informa ter investido para enfrentar a seca (R$ 7,4 bilhões), 62% têm cunho emergencial. Ou seja, repete-se na abordagem ao crítico flagelo da estiagem no Nordeste o mesmo padrão que vigora para responder a desastres naturais em outros locais do país: 

o governo petista opta sempre por remediar, quase nunca por prevenir.

"O PT não foi capaz, até agora, de vencer o círculo vicioso da catástrofe social e econômica que emoldura tradicional exploração política, em que o sofrimento humano é tratado como oportunidade que se renova e não como situação extrema intolerável", opinou O Globo em editorial na sua edição de ontem.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjzxJK6reL_2U5AuMRjLmF476J0ddsD0gyShmeDIQmflXsGG1g-MaT3X9DzTRitG-gcPwjRr5eGXjy4O0fOEZ3xbVj2o8Yqc4DHiMpRW2Ns5QfIl3OkChy1x4BmX_4UuyQWN111N1labR0/s1600/seca+danada+ok.jpg 

É bom que a presidente da República volte suas atenções ao Nordeste. A região precisa e merece. O que não é aceitável é que ela só faça isso em função de fatores eleitorais.

Dilma Rousseff tem ainda 21 meses de mandato pela frente:
neste período, deveria dedicar-se a melhorar as condições de vida dos brasileiros em geral, e dos nordestinos em especial, e não a empreender sua extemporânea e indevida campanha à reeleição.
 
Fonte: Instituto Teotônio Vilela

O Nordeste merece mais

A INFLAÇÃO É UM VALOR EM "SI". OU : DESAFINADOS.

Reza a lenda que macroeconomistas só gostam de PIB e de inflação.

E, vá lá, de juros. Esses temas áridos, imbuídos da fria racionalidade dos dados da economia brasileira, são como uma sombra, escondem uma realidade vibrante, luminosa, dizem por aí. A realidade do processo de inclusão social, dos milhões de mulheres e de homens que entraram na classe média e ampliaram o mercado consumidor brasileiro.

Essa é uma saga que já dura há muito tempo, começou com a estabilização da economia e com as políticas sociais de Fernando Henrique Cardoso e continuou sob os esforços dos governos do PT. É, de fato, fascinante refletir sobre os contrastes entre este novo país e o de duas décadas atrás.

Mas o fascínio pela fotografia atual não deveria querer ocultar o filme que se desenrola ao fundo. Fotografias podem ser belas, como as tiradas com uma Rolleiflex. Porém, são apenas um pedaço de tempo, congelado. Dependendo da qualidade do papel, amarelam ou se esfacelam.

A renda real das classes mais baixas cresceu. E muito. Segundo os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad de 2011 compilada pelo IBGE, entre 2003 e 2011 os rendimentos das famílias mais pobres - as que ganham somente até um salário mínimo até aquelas que recebem 5 salários mínimos - aumentaram cerca de 50%.

De acordo com a Pnad, esses domicílios representam cerca de 70% do total das residências brasileiras. Ao longo do mesmo período, o PIB per capita do Brasil aumentou uns 30% em termos reais. E, em 2012, o PIB do País se expandiu somente 0,9%, um resultado desolador.

A presidente Dilma advertiu que não é pelo PIB que se deve medir aquilo que uma nação faz por seus habitantes. De fato, o PIB é uma fotografia, digamos, tremida, da realidade. Por ser a soma de tudo o que se produz internamente, não capta os detalhes, as nuances, do que está acontecendo nos diversos segmentos da economia.

Mas, se o PIB é uma foto mal tirada, a Pnad, dependendo de como os seus dados são tratados, pode se tomar uma foto parcial, daquelas em que o rosto do sujeito aparece apenas pela metade ou em que os pés são cortados por um fotógrafo que não consegue enquadrar o seu objeto.

A renda das famílias mais pobres aumentou de forma expressiva durante os governos petistas. Entretanto, parte desse aumento proveio de uma recomposição dos rendimentos, que haviam caído substancialmente entre 1998 e 2003, quando a inflação acumulada superou a registrada nos oito anos seguintes.

Isso explica uma parte considerável da queda da renda das famílias brasileiras, sobretudo das mais pobres, no final do governo FHC.

Enfoquemos, pois, a inflação, o "Valor em si" da presidente Dilma. A inflação
no Brasil está alta, em grande parte porque os salários aumentam acima da produtividade. Só não está mais alarmante porque o governo brasileiro tem controlado a temperatura com antitérmicos -as desonerações - cujo efeito é temporário.

É preciso reinventá-las continuamente para criar a ilusão de que a inflação está caindo.

Quando as contas públicas não mais aguentarem a corrosão seqüencial das receitas, quando as desonerações atingirem o seu limite, a inflação fatalmente subirá. Esse é o filme de terror que se tem desenrolado, insidiosamente, ao fundo.

A resistência do governo em assisti-lo, a preferência pelas imagens da Rolleiflex da presidente, aquelas que mostram famílias sorridentes com seus salários mais altos, se tomarão coisa do passado caso se persista em bagunçar a economia brasileira com políticas desconjuntadas.

Afinal, são as classes mais pobres as que mais sofrem com esse imposto regressivo e ardiloso, o aumento geral de preços. Para perpetuar o processo de inclusão social e garantir a sua sustentabilidade, combater a inflação de modo eficaz é essencial.

A inflação é um "Valor em si". "Si" é uma nota musical.

Portanto, presidente, "você com a sua música esqueceu o principal": que no peito dos desajustados, no fundo do peito bate calada, no peito dos desavisados sempre bate a inflação.

Com ou sem desoneração.

MOMCA BAUMGARTEN DE BOLLE O Estado de S. Paulo

ENQUANTO ISSO II ... Construtoras têm prejuízo e estoque de imóveis sobe em 2012

http://2.bp.blogspot.com/-j7q_2S_ygMY/UEUDa9KMD1I/AAAAAAAAC4Y/wlCYRTgTpwM/s1600/preju-20120509-102108.jpg

Com redução no número de lançamentos, de unidades vendidas e aumento dos estoques de imóveis ao longo de 2012, o setor de construção teve um ano difícil, segundo levantamento feito pela Austin Rating a pedido do G1, com base nos resultados divulgados por 12 construtoras listadas na Bolsa.

A redução do número de vendas e a elevação do estoque apontam que houve desaceleração do mercado, segundo o analista da Austin Rating Felipe Queiroz. “Como setor, o desempenho das construtoras foi negativo em 2012. As construtoras tiveram um nível aquém do esperado. O faturamento total recuou 30%, o resultado financeiro teve queda forte e o setor deixou de apresentar lucro para apresentar resultado negativo”, diz.

O número de unidades lançadas caiu 42,3% em 2012 em relação a 2011: foram 95,5 mil. Segundo Queiroz, a forte desaceleração tem impacto direto no desempenho do setor. As vendas do conjunto de empresas também caíram mais de 20% em volume e em unidades. As vendas contratadas caíram 27,4%, para R$ 26,2 milhões. O número de unidades vendidas caiu 23,4%, para 108,6 mil.

As vendas recuaram numa proporção menor do que as unidades lançadas, mas mesmo assim as empresas não conseguiram desovar o estoque, que acabou aumentando. O estoque dobrou em unidades, de 4,4 mil para 9,3 mil unidades, uma alta de 112,9%. Em valor, o estoque aumentou 42,6%, de R$ 10 bilhões para R$ 14,3 bilhões.

O desempenho negativo, segundo Queiroz, está atrelado principalmente ao menor ritmo do crescimento do volume de crédito e ao aumento dos preços dos imóveis. Um dos indicadores de que os preços subiram é o VGV (Valor Geral de Vendas) dos lançamentos, que subiu 13,2%, de R$ 17 bilhões para R$ 30,6 bilhões. “Isso significa que ou estão criando imóveis com valor agregado maior ou há valorização do metro quadrado, alta no preço”, aponta Queiroz.

No conjunto, esse grupo de construtoras reverteu o lucro obido em 2011, de R$ 1,87 bilhão, para um prejuízo de R$ 1,42 bilhão em 2012.

Para Queiroz, os números do conjunto de empresas mostram que o boom no setor imobiliário vem desacelerando, apesar do número de unidades vendidas ainda ser considerável, acima de 108 mil.
Resultado das 12 construtoras no ano passado, em R$ bilhões
                                             2012    Variação em relação a 2011
Prejuízo do Período 1,4 - 176%
VGV Lançado 30,6 13,2%
Número de Unidades Lançadas 95,5 -42,3%
Vendas Contratadas 26,2 27,4%
Número de Unidades Vendidas 108,6 23,4%
Estoque, em valor 14,3 42,6%
Estoque, em unidades 9,3 112,9%

ENQUANTO ISSO, NO DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E FALSÁRIA "PALANQUEIRA" ITINERANTE... Produção industrial recua em 11 de 14 locais em fevereiro, mostra IBGE

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhewNdnmFLi5Pfta_0V5WFCUwxeHsoI556oQ_BllBh-2-33tWZCad0dHwOsvsQRIwD3wgnoPXJ1VnNJIPugfes1adVxDhHKC2JjBvVv_R8AzCPX75qinhit3A7mkhp4HfIiO2g73aJh8g8/s1600/size_590_dilma-rousseff-lula-nova.jpg

A produção industrial registrou queda em 11 dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em fevereiro de 2013, já descontadas as influências sazonais, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (5).

No mês, a atividade fabril caiu 2,5%.

A maior queda partiu de Minas Gerais (-11,1%), que havia registrado alta de 1,5% no mês anterior. Na sequência, estão Bahia (-3,7%),
Ceará (-3,2%),
Pernambuco (-3,2%) e Pará (-2,5%).
 
Tiveram baixa, mas inferior à média nacional, Paraná (-2,2%),
Região Nordeste (-2,0%),
Espírito Santo (-1,8%),
Rio de Janeiro (-1,5%),
Amazonas (-1,2%) e São Paulo (-0,5%).

Na contramão da maioria das regiões estão Goiás, que viu a atividade fabril crescer 5%, Rio Grande do Sul (2,1%) e Santa Catarina (0,4%).

Em relação a fevereiro de 2012, a produção industrial, que caiu 3,2% em todo o país, recuou em 10 dos 14 locais pesquisados, com destaque para Espírito Santo (-13,4%),
Minas Gerais (-9,8%)
e Pará (-7,2%),
"pressionadas em grande parte pelo comportamento negativo dos setores de metalurgia básica;
veículos automotores;
metalurgia básica
e indústrias extrativas e celulose, papel e produtos de papel (celulose).

Também mostraram queda as produções de Pernambuco (-6,0%),
do Paraná (-5,5%),
da Região Nordeste (-4,1%),
de Santa Catarina (-3,3%),
do Amazonas (-3,2%),
da Bahia (-2,2%)
e de São Paulo (-0,8%).

Por outro lado, mostraram alta Goiás (9,1%),
Rio de Janeiro (3,6%),
Rio Grande do Sul (2,0%)
e Ceará (0,9%).

Nos últimos 12 meses, o total nacional registrou queda de 1,9%. Em termos regionais, 9 dos 14 locais pesquisados também caíram, mas sete mostraram avanço frente ao índice de janeiro.

Os resultados negativos mais acentuados nesse mês foram registrados por Espírito Santo (-7,6%),
Amazonas (-6,9%),
Paraná (-6,0%)
e Rio Grande do Sul (-4,4%),
enquanto Bahia (2,7%)
e Goiás (2,0%) apontaram as expansões mais elevadas.
Do G1, em São Paulo

abril 04, 2013

O Estado gigante. OU : O ELEFANTE PETISTA



O céu é o limite para o PT quando se trata do tamanho do Estado. Já gigantesca, a estrutura estatal cresce continuamente para acomodar os interesses político-eleitorais da candidata-presidente.

É de se perguntar:
os serviços prestados pelo poder público melhoraram com o inchaço promovido pelos petistas ao longo destes dez anos?

Não satisfeita em inventar ministérios aos borbotões, Dilma Rousseff prepara agora a criação de mais uma estatal, a quinta em pouco mais de dois anos de gestão, de acordo com a edição de hoje
d'O Estado de S.Paulo.

Apelidada de "Hidrobrás", cuidará de nossos portos fluviais, nossas hidrovias e eclusas. 

 
Se não tivermos perdido a conta, o Brasil estará se aproximando de sua 130ª estatal. Só na atual gestão, já foram criadas a Infraero Serviços,
a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa,
a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias ("Segurobrás")
e a Empresa Brasileira de Planejamento e Logística.


Que benefícios trouxeram aos cidadãos? 

A Hidrobrás nascerá numa área em que o poder público já atua por meio de dois ministérios (Transportes e Portos), uma agência reguladora (a Antaq, de transportes aquaviários) e uma autarquia (o Dnit). Todas somadas, não conseguem sequer executar as necessárias melhorias na estrutura logística do país - em especial, neste caso, a hidroviária.

Segundo informações do Tesouro Nacional citadas pelo Estadão, hidrovias e portos fluviais gozam de nenhum apreço do governo petista. Nos dois últimos anos, dos R$ 837 milhões que lhes foram destinados no Orçamento Geral da União, apenas 41% foram investidos - ainda assim, 70% deste valor refere-se a restos a pagar de exercícios anteriores. 

 
A má utilização das hidrovias brasileiras é uma das razões apontadas por especialistas para o apagão logístico por que passa o país, que colhe uma supersafra agrícola, mas não consegue escoá-la. Pelos nossos rios, passam não mais do que 10% da carga transportada no país, em contraste com os mais de 60% que circulam por rodovias. Um contrassenso.

Dois exemplos específicos ilustram o descaso do governo petista pelo modal hidroviário. Duas das nossas principais hidrovias - Teles Pires-Tapajós e Araguaia-Tocantins - não tiveram um único centavo dos recursos destinados pelos orçamentos de 2011 e 2012 liberados pela gestão Dilma, conforme o Siafi.

O mesmo aconteceu com as obras da eclusa de Lajeado, no rio Tocantins, que não viu a cor dos R$ 100 milhões reservados pelo Dnit no ano passado.
Entretanto, na visão do PT, a saída para este descalabro não está em cobrar maior eficiência dos órgãos já existentes, mas sim em criar mais algumas centenas, talvez milhares de boquinhas.

Para os gestores do partido dos mensaleiros, não há com o que se preocupar:
a conta, sempre, é paga pelo contribuinte.

A Hidrobrás vem se somar ao recém-criado Ministério da Micro e Pequena Empresa, oficializado na última segunda-feira. O Brasil passa, assim, a ser um dos países com maior estrutura ministerial que se tem notícia em todo o mundo: são 24 ministérios, dez secretarias ligadas à Presidência e cinco órgãos com status de ministério, totalizando 39.


Um recorde nunca antes visto na história deste país. 



Quando assumiu o poder, há dez anos, o PT herdou uma máquina com 21 pastas. Caminha, portanto, para dobrá-la, aproximando-se ainda mais de modelos de gestão como o Congo, que tem 40 ministérios, e superando outros exemplos de eficiência, como Paquistão (38),
Camarões, Gabão, Índia e Senegal (36),
segundo estudo da Universidade Cornell citado por Merval Pereira ontem
n'O Globo. 

Ah, os EUA têm apenas 15 ministérios e a Alemanha, 17...
Sem falar que o número de servidores públicos federais ativos cresceu 24% desde 2002 e mais de 4 mil cargos DAS foram criados nos últimos quatro anos, de acordo com o
Ministério do Planejamento.

Manter esta mastodôntica estrutura custa muito caro:
só neste ano, serão gastos R$ 212 bilhões apenas em salários e outras despesas de custeio, como viagens, alimentação e material de escritório.


Por trás desta "burrice", desta "loucura" e desta "irresponsabilidade", que já foram longe demais, nas palavras do empresário Jorge Gerdau, está a ilimitada sanha do PT por perpetuar-se no poder. 

 
Alguém crê que os novos órgãos criados por Dilma ou os novos ministros nomeados por ela, ressuscitando antigos "faxinados", melhorará a prestação dos serviços públicos no país?
É muito difícil julgar que sim. 

 
Fonte: Instituto Teotônio Vilela
O Estado gigante

Pedidos de falência aumentam 5% no primeiro trimestre, diz Boa Vista

Os pedidos de falência aumentaram 5% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). 
Cerca de 90% dos pedidos foram feitos por pequenas e médias empresas.

Na divisão por setor da economia, a maior parcela dos pedidos de falência pertence à indústria, com 38% dos casos, 
seguida dos serviços (37%) 
e do comércio (25%).

Considerando apenas o mês de março, os pedidos de falência cresceram 12,9%, ante fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado houve queda de 2,1%.

Já os pedidos de recuperação judicial registraram queda de 1,6% nos três primeiros meses do ano. Em março, caíram 46,9% ante fevereiro e cederam 23,8% ante o mesmo período do ano passado.

 
Valor

A "CIGARRA" PRESIDENTA PALANQUEIRA ITINERANTE E A FÁBULA brasil maravilha.


Diz a fábula que a cigarra passava os dias de verão cantando enquanto a formiga não parava de trabalhar, cortando folhas e recolhendo sementes.

Indagada pela cigarra porque trabalhava tanto, a formiga respondeu que precisava guardar comida para o inverno.

A cigarra então retrucou que o inverno estava muito longe e não tinha com que se preocupar. Seguiu cantando até que veio a neve, as folhas caíram e a comida acabou. A cigarra ficou com fome e teve que bater à porta da formiga para conseguir abrigo e alimento.

O Brasil nos últimos quatro anos vem se comportando como a cigarra da fábula. A crise financeira de 2008 nos deu licença para gastar com a nobre desculpa de espantar os efeitos recessivos vindos do exterior. A poupança agregada do país caiu de 18,8% do PIB em 2008 para 14,8% em 2012.

Queda de quatro pontos percentuais do PIB. Enquanto isso, o consumo agregado, equivalente à soma do consumo das famílias e do governo, saltou de 79,1% do PIB para 83,8%, aumento de 4,7 pontos percentuais.

Para consumir mais em termos relativos, investimos menos, exportamos menos em termos líquidos e ainda consumimos uma parte do estoque de bens.

O interessante é que esse padrão de comportamento é o oposto do que ocorreu entre 2000 e 2008. Naquele período, a participação do consumo no PIB se reduziu, enquanto a do investimento cresceu, bem como a das exportações líquidas. Apesar disso, foi um período em que o bem estar da população aumentou.

Uma das mudanças mais negativas no Brasil pós-crise foi a política fiscal.

Antes de 2008, vínhamos entregando superávits primários acima de 3% do PIB anualmente de forma consistente.

Após a crise, a política fiscal passou a ser bem mais expansionista. 
As despesas do governo aumentaram enquanto as receitas sofreram os efeitos da desaceleração econômica.

Passou-se a contar cada vez mais com receitas não recorrentes e outros artifícios contábeis para incrementar o resultado. A contribuição do governo para a poupança agregada ficou bem mais negativa de 2008 para 2009, último ano em que é possível ver os dados da poupança desagregados.

Existe uma crença por trás das ações do governo de que o ativismo fiscal e o incentivo ao consumo das famílias estimula o crescimento. Os dados, no entanto, não confirmam essa tese. O crescimento médio do PIB no período 2000-08 foi de 4,2%, enquanto, no intervalo 2009-12 foi de apenas 2,7%

O que gera crescimento sustentável é o investimento, e para haver investimento tem que haver poupança. As firmas precisam ser mais eficientes e os trabalhadores, mais produtivos.

O governo também tem que fazer a sua parte e canalizar recursos para o investimento. Esse é o caminho de sucesso que todos os países que atingiram níveis elevados de renda trilharam.

Os asiáticos são os exemplos mais recentes.
O Brasil, no entanto, trilha o caminho inverso.

A diferença entre poupança e investimento do país equivale ao resultado em conta corrente. Se um país poupa menos do que investe (caso do Brasil), a resultante é um déficit em conta corrente, que é o valor líquido das transações de bens e serviços mais o envio de renda ao exterior.

Se extrapolarmos para os próximos anos o aumento do consumo em proporção do PIB ocorrido entre 2009 e 2012, mantendo o investimento constante, chegaremos em um déficit muito elevado em conta corrente, o que é claramente insustentável.

O mais provável é que antes disso haja uma depreciação da moeda e uma redução forçada do investimento e do consumo de bens e serviços transacionáveis com o exterior.

Concluindo, as políticas macroeconômicas que priorizam o consumo presente em detrimento do investimento e do aumento do consumo futuro são politicamente atraentes, mas não produzem ganho de bem estar no longo prazo.

É como na fábula da cigarra e da formiga.
É mais gostoso ser a cigarra e passar o verão cantando, mas somente a formiga sobrevive quando chega o inverno.

Fernando Rocha é economista e sócio da JGP Gestão de Recursos. 
E-mail: jgp@jgpdtvm.com.br

abril 02, 2013

Por que a besta do Brasil não prospera ? "Antes, sonhávamos com o futuro; hoje, temos pavor de que ele chegue." "Esses canalhas desprezam a sociedade e acham que o Estado tem de nos tutelar.Mas, até quando esse "chove-não-molha" vai aguentar?"


Não são as décadas que nos transformam; são os fatos. 
Eles cavam buracos no tempo e criam caminhos que não podemos prever. 
Há épocas lentas, há épocas sangrentas, épocas eufóricas e ingênuas, há épocas que parecem ataques epiléticos da história.

Antigamente, achávamos que os fatos nos levariam a um futuro harmônico, que a vida era uma linha reta que ia desde os macacos até o paraíso cristão ou socialista ou, recentemente, ao fim da história.

Hoje vivemos em um labirinto de boas e más notícias, uma teia do homem aranha, um deserto do Iraque de ideias, um vazio de estupidez islâmica, um tempo de terrores como nos pesadelos de ficção científica.

Antes, sonhávamos com o futuro; hoje, temos pavor de que ele chegue. Na década de 60, ainda se comemorava a paz depois da guerra mundial, com euforia democrática movida pela prosperidade do capitalismo.

O mundo era dos jovens, era o oásis do pós-guerra. 
Havia o Vietnã, guerra fria, mas o clima das cabeças era de alegria. As saias curtas, as pernas de fora, as pílulas anticoncepcionais fazendo o sexo livre, a revolução gráfica desenhando uma vida ideal junto com a publicidade, havia um clima de ousadia, de fé, com a crença de que era simples fazer revoluções, de que o socialismo seria alegre e dançante em Cuba, de que os Beatles e os Rolling Stones nos libertariam para sempre da caretice. 
 
Mas, aos poucos, entendemos que o buraco do mundo era mais embaixo, que não bastavam palavras de ordem para vencer o conservadorismo.

Os líderes do sonho começaram a morrer. 
Guevara saiu de Cuba em busca da utopia e foi denunciado pelos próprios camponeses na Bolívia e morreu como um Cristo desmoralizado na selva.

As boas-novas sempre vinham anuladas por um desastre qualquer. A chegada do homem à Lua aconteceu ao mesmo tempo em que Sharon Tate, mulher de Polanski, grávida, foi morta a punhaladas por um bando de hippies enlouquecidos. A paz, o amor e a flor foram virando rancor, medo, ódio.

Aqui, a guerrilha urbana conseguiu seu maior feito - o rapto do embaixador americano Elbrick , um gol de placa igual ao milésimo gol de Pelé no dia 19 de novembro de 69, junto também com a chegada do Médici ao poder, com sua cara de vampiro deprimido, enquanto o Marighella morria em São Paulo, enquanto os Beatles se separavam com a declaração de John Lennon de que o sonho tinha acabado.

Tudo ao mesmo tempo.

Ai, nada mais parou de acontecer no chamado "milagre brasileiro" a burguesia enchendo a barriga de dinheiro em São Paulo e a violência militar e guerrilheira rolando solta; porrada e grana, enquanto a Transamazônica destruía a floresta, enquanto Leila Diniz morria num deserto da índia, na queda de um Boeing japonês.

E assim fomos seguindo, com o progressivo fechamento da esperança, com os fatos ficando menores, mais episódicos, com as tragédias virando chanchadas e as alegrias murchando em melancolia. Era como se a grande História estivesse impedida e só as pequenas bobagens pudessem acontecer, prenunciando um futuro de inanidades, de irrelevâncias.

Nos anos 70, no Brasil, veio o misticismo laico da contracultura e as desgraças psiquiátricas causadas pela ditadura, enquanto um desastre de avião nos Andes provocava um banquete canibal na neve, Allende caía morto e subia o assassino Pinochet.

O tato mais importante foi a crise de petróleo em 73, com a Opep inaugurando a guerra fria entre o Oriente e o Ocidente, a mãe dos homens-bomba que até hoje nos assolam.

E assim fomos indo. 
Lembro-me do Tancredo no hospital e do sorriso deslumbrado dos médicos de Brasília, amparando o presidente como um boneco de ventríloquo para a opinião pública, "Vai morrer!" - arrepiei-me. 
 O jaquetão do Sarney, deslumbrado e contristado, me arrepiou. A foto sorridente de Collor, na capa da Veja com o título Caçador de Marajás, me deu pavor. 

Depois FHC e Lula (Se FHC não tivesse vencido, onde estaríamos hoje?).
E agora, que arrepio é este que sinto?

Estamos assistindo a uma nítida deterioração das instituições, quando ninguém teme mais nada, pois todos descobriram que delitos e corrupção não têm bronca", não têm "pobrema".
 
Como disse Lula uma vez:
"Dossiê?... Ah, o povo pensa que é doce de batata..."

Este governo está desmoralizando os fatos.
Os acontecimentos não acontecem, se diluem, morrem.

Dilma anuncia medidas modernizantes,
aeroportos,
estradas de ferro,
hidrovias,
infraestrutura - mas tudo morre na praia;
a burocracia sindicalista não permite.

Até aquele Paulinho da Força (com vários processos) consegue paralisar a reforma portuária... É espantoso.

Estive há pouco na Europa.
Todos os países estão desesperados por problemas insolúveis.
Espanha com 25 por cento de desempregados, a Itália com um ridículo palhaço levado a sério, a Holanda (até ela) está sem caixa, a América sob chantagem, da direita, a Coreia um país psicótico sob um gordo louco, a primavera árabe morta e por aí vai...

Na imprensa mundial o Brasil é tratado como uma ex-esperança, atual vexame. Até o drama de Chipre vai nos beneficiar com. ingresso de capitais.

Estamos jogando fora a imensa sorte que temos, por causa de imbecis com dogmas vergonhosos que não existem mais.
Estamos antes do muro de Berlim.

Esses canalhas desprezam a sociedade e acham que o Estado tem de nos tutelar.
Mas, até quando esse "chove-não-molha" vai aguentar?

Por que a besta do Brasil não prospera, por que continua atrás dos Brics, atrás da América Latina, por que até a Petrobras caiu para a metade, saqueada pela porcada magra sindicalista?
Por que?

Temos grana entrando, temos um governo com. maioria total no Legislativo, sem oposição, sem nada.. Por que não vamos para frente?
Por quê, porra? 

Os diagnósticos são iguais no mundo todo:
uma presidente rachada ao meio por fissuras ideológicas e dominada pela fome eleitoral do PT, a fim de virar um partido mexicano como o PRL Os europeus têm inveja e desprezo por nós, porque eles querem sair da crise e não conseguem e nós temos tudo para nos salvar e não queremos...

Algo muito ruim cozinha em banho-maria nosso progresso.
Há alguma coisa "não-acontecendo" no Brasil que me dá arrepios.

Arnaldo Jabor