"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 26, 2010

A LETARGIA PARA COMBATER UM GOVERNO COM A PRESUNÇÃO DE ONIPOTÊNCIA.


Dados do IBGE mostram que oito anos de governo Lula não reduziram a calamidade dos indicadores. José Serra, candidato da saúde; Marina Silva, da sustentabilidade, falam pouco do assunto e lutam para sair na foto ao lado de Lula.

O mais relevante numa eleição da perspectiva de um candidato é, evidentemente, ganhar a eleição.
Mas da perspectiva do eleitor, o melhor é que se aproveite o momento para discutir os problemas e tirar dos candidatos compromissos para superá-los.

A oposição tem a obrigação de falar tudo o que não está funcionando, apontar o dedo para todas as feridas.
Para isso é oposição.
Esse debate influenciará as políticas públicas independentemente de quem for eleito.

Se a oposição se amedronta com os índices de popularidade do governante e não pode fazer seu papel, o país é que sai prejudicado.
(...)
José Serra é líder de um partido, o PSDB, que já governou o Brasil por oito anos. Sabe onde foi que o governo atual errou e erra.
Fala pouco desses erros.

Prefere tentar o impossível:
disputar com Dilma a sombra do presidente Lula.

Ora, Lula fez sua escolha, sua candidata é Dilma Rousseff.
Cabe aos outros fazerem oposição.
Marina acerta quando ataca Serra, como fez ao apontar os erros da gestão tucana em São Paulo, no debate da Folha Uol.

Esse é seu papel como alternativa aos dois grupos que já governaram o Brasil.
Erra quando poupa Dilma, sabendo tudo o que sabe.
E erra porque está sonegando uma informação relevante ao eleitor.
Marina nunca exibiria divergências de forma agressiva.
Não é de sua natureza, nem aconselhável.

Mas ser direta, clara e sincera sobre os riscos ambientais que o país corre, ela deveria ser, preservando o seu estilo elegante.
(...)
Em saneamento, tucanos e petistas fizeram pouco, como tenho repetido neste espaço. Nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso e nos quase oito do governo petista, os investimentos em saneamento básico foram baixíssimos.

O Brasil tem dados vergonhosos para provar isso, como o IBGE acaba de divulgar: quase metade do país sem esgoto.

A diferença entre os dois grupos políticos é que o governo Lula fabrica números falsos de investimento, e Dilma, confrontada com os dados verdadeiros, garante que os próximos indicadores serão bons.
(...)
Nos últimos dois anos elevaram-se assustadoramente as ameaças ao projeto econômico que nos trouxe a estabilidade monetária.

O risco não vem do Banco Central, mas sim da ampliação de gastos de custeio, da criação de estatais, da intervenção política nas estatais existentes, da atuação desordenada do BNDES.

Nunca o patrimônio da estabilização, herdado pelo governo Lula, esteve tão ameaçado.

José Serra, do partido que venceu a inflação no Brasil, é incapaz de alertar para esses riscos.

O que é ameaçador nas eleições de 2010 não é a vitória do governo.

O eleitor brasileiro é que tem o poder de, coletivamente, decidir quem é o vencedor, e por esse poder, que emana do povo, se bateram os verdadeiros democratas.

O ameaçador é consolidar políticas imprudentes.

Por isso, a oposição tem que fazer seu papel, sem temer a popularidade do presidente Lula.

Esse tipo de consagração vem e passa.
O país fica.

Original/Íntegra : Falha da oposição

TESOURO REDUZ META DE SUPERÁVIT DE R$ 40 bi PARA R$ 30 bi

Adriana Fernandes, da Agência Estado
O governo reduziu de R$ 40 bilhões para R$ 30 bilhões a meta de superávit primário das contas do governo central prevista para o período acumulado até o 2º quadrimestre (janeiro a agosto) deste ano.

A redução consta em documento divulgado há pouco pelo Tesouro Nacional, que não traz, no entanto, as razões para essa redução.

Na última entrevista de divulgação das contas do governo central, no mês passado, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, havia declarado que o governo ia cumprir a meta do segundo quadrimestre, até então, de R$ 40 bilhões.

Na ocasião, ele chegou a dizer que não se tratava de uma meta obrigatória, mas indicativa. A meta obrigatória, ressaltou ele na época, era a do final do ano.

De janeiro a julho, o superávit acumulado das contas do governo central é de R$ 25,640 bilhões, o que exigirá do governo um esforço fiscal em agosto de, no mínimo, R$ 4,360 bilhões.

Uma meta de R$ 40 bilhões, com esse resultado obtido até agora, ficaria muito difícil para o governo.

TESOURO NACIONAL : CONTAS TEM O PIOR JULHO EM DEZ ANOS.


Alexandro Martello Do G1, em Brasília

As contas do governo, que englobam a União, a Previdência Social e o Banco Central, registraram um superávit primário (economia feita para pagar juros da dívida pública) de R$ 770 milhões em julho, informou nesta quinta-feira (26) a Secretaria do Tesouro Nacional.

Trata-se do pior resultado para este mês desde o ano 2000, quando foi registrado um superávit de R$ 355 milhões.

Nos sete primeiros meses deste ano, as contas do governo registraram um superávit de R$ 25,6 bilhões, o que representa um aumento de 27,8% contra o resultado positivo apurado em igual período de 2009 (R$ 20 bilhões).

No ano passado, a arrecadação caiu por conta da crise financeira internacional, o que levou o governo a baixar a meta de superávit primário.

A meta de superávit primário para o governo em todo este ano equivale a 2,15% do PIB, ou R$ 72,2 bihões.

Para o período de janeiro a agosto deste ano, a meta é nominal é de R$ 30 bilhões. Essa meta parcial, até o mês de agosto, foi reduzida em relação aos últimos meses pela Secretaria do Tesouro Nacional, quando estava estipulada em R$ 40 bilhões.

Receitas e despesas

As receitas líquidas do governo central, que incluem, além da arrecadação federal (após as transferências a estados e municípios), o pagamento de dividendos por parte das estatais, somaram R$ 389,92 bilhões de janeiro a julho, com crescimento de 18,4% frente ao mesmo período do ano passado (R$ 329,22 bilhões).

O crescimento da receita foi de R$ 60 bilhões neste ano, fruto do forte ritmo de crescimento da economia brasileira.

Ao mesmo tempo, as despesas totais do Tesouro totalizaram R$ 364,28 bilhões nos cinco primeiros meses deste ano, o que representa uma elevação de 17,8% na comparação com o mesmo período de 2009 (R$ 309,17).

As despesas totais, de acordo com o Tesouro Nacional, subiram R$ 60,7 bilhões de janeiro a julho.

Deste valor total, R$ 31,3 bilhões referem-se a gastos de custeio e capital, e de R$ 7,4 bilhões por conta da folha de salários dos servidores.

Investimentos públicos

Os gastos totais do governo federal com investimentos somaram R$ 25,1 bilhões de janeiro a julho deste ano, o que representa um crescimento de 67% sobre o valor do mesmo período de 2009 (R$ 15 bilhões), informou o Tesouro Nacional.

Para todo este ano, a dotação orçamentária dos investimentos do governo é de mais de R$ 65 bilhões.

Dos investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 10,6 bilhões foram pagos nos sete primeiros meses deste ano, com elevação de 63% sobre o mesmo período do ano passado (R$ 6,52 bilhões).

Apesar do aumento nos gastos com investimentos de 2009 para este ano, houve redução no ritmo de crescimento dos gastos nos últimos meses.

TÁ TUDO DOMINADO, BANALIZADO. ENFIM, UMA ZONA. O RETRATO DE UM GOVERNO TORPE. O RUIM VAI PIORAR.


Agencia o Globo
Relatada do início até o veredicto lavrado terça-feira pelo juiz federal Antonio Claudio Macedo da Silva, a história do vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, é perfeita para enfatizar a necessidade de antídotos contra a crescente onda de invasão de arquivos confidenciais dos cidadãos deixados à guarda do Estado, e exemplar dos riscos que qualquer um corre hoje em dia.

Informações da declaração de Imposto de Renda de Eduardo Jorge foram retiradas dos computadores da Receita Federal e, segundo a "Folha de S.Paulo", circularam num bunker eleitoral da candidata Dilma Rousseff, onde iriam alimentar um dossiê de aloprados contra tucanos - mais um.
(...)
O caso continua nebuloso, pois Aparecida teria emprestado a senha a colegas de trabalho - seria uma laranja na operação de invasão do arquivo.
Porém, agora, a Justiça, em decisão louvável, determinou que a Receita passe a Eduardo Jorge todas as informações levantadas na morosa investigação.

Com precisão, o juiz comparou o aparato burocrático que não para de alimentar arquivos sobre a vida de cada brasileiro, sem proteger as informações como deveria, com o "big brother" de George Orwell, o estado onisciente e onipresente do livro "1984", e o estado absolutista do "Leviatã", de Thomas Hobbes.

Apontou o juiz para a "relação promíscua entre setores da administração pública e setores da imprensa".

Cabe, aqui, um reparo:
o x da questão não está em possíveis relações espúrias entre servidores e a imprensa, pelo menos no caso dos grupos que praticam o jornalismo profissional e independente.

Estes se pautam por códigos de ética, protegem a privacidade alheia, a não ser em casos de interesse público.
O problema se encontra, sim, nas vinculações de partidos e organismos sindicais dentro da máquina burocrática.

Os tentáculos que procuraram atingir o tucano existem porque, no governo Lula, há uma tentativa grave de partidarização de áreas do Estado, com grupos de militantes políticos, alguns com ramificações sindicais, no manejo de instrumentos públicos, usando-os com fins privados.

É um estágio avançado de metástase da conhecida doença brasileira do patrimonialismo, em que se "privatiza" o Estado com finalidades político-eleitorais, pecuniárias ou ambas.

O assunto é mais amplo.
Em reportagens publicadas terça-feira e ontem, O GLOBO comprovou como é possível, nas ruas do Centro velho de São Paulo, adquirir arquivos em forma digital com dados do INSS, Receita, Denatran e até de bancos privados, como o Itaú Unibanco, referentes a milhões de pessoas.

Os arquivos podem ser usados tanto por call centers e em empresas de mailings, como por sequestradores, chantagistas, assaltantes.

O Estado, portanto, virou um queijo suíço dentro do qual agem quadrilhas de toda a espécie, de militantes a ladrões comuns, praticando inomináveis crimes contra o direito à privacidade.

Esta decisão do juiz deveria balizar, daqui para a frente, a posição da Justiça ao lado do cidadão, para protegê-lo do "big brother" e do "Leviatã".

agosto 25, 2010

BLINDAR E MANTER CAMUFLADA A FRAUDE,DEFICIÊNCIA E INCAPACIDADE, O GOLPE DA LIDERANÇA NAS PESQUISAS É PARA LIVRÁ-LA DOS DEBATES. FAZ SENTIDO!

Estadão Online.
A coordenação da campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) começou a avaliar a participação da candidata nos próximos debates. Nos bastidores, a percepção é de que o excesso de exposição pode prejudicar seu desempenho na disputa.

Na condição de líder das pesquisas, Dilma estará cada vez mais exposta aos ataques dos adversários. Com o placar favorável nesse segundo tempo da partida, estrategistas da campanha acham melhor lidar com as críticas à ausência dela nos debates e com a pecha de “fujona” que encarar os riscos de muitos confrontos com os outros candidatos.

Estão programados, pelo menos, mais cinco debates entre os presidenciáveis até o dia da eleição. O primeiro será promovido pelo Estadão e TV Gazeta no próximo dia 8 de setembro. O seguinte está agendado com a Rede TV para o dia 12 de setembro.

Depois será promovido um outro pela Rede Record no dia 26. A TV Globo realiza o último debate antes do pleito, no dia 1º de outubro. Um quinto confronto deve ser promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em setembro.

Dilma chegou a declarar, no início da campanha, que participaria de todos esses embates. Mas nos bastidores, cresce a constatação de que não compensa submetê-la a tanta exposição. Depois que o último Datafolha apontou a petista 17 pontos à frente do tucano José Serra, os coordenadores da campanha decidiram que doses extras de cautela e prudência farão bem neste momento.

Na segunda-feira, 23, ela não compareceu ao debate promovido pela TV Canção Nova e rede de emissoras católicas. Apenas enviou uma espécie de carta-compromisso “ao povo de Deus”, em que se dirige aos cristãos de um modo geral (católicos e evangélicos, principalmente).

Não é uma estratégia inédita, já foi explorada nas eleições anteriores pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, quando ambos estavam bem nas pesquisas.

Assim, não está confirmada a participação da petista no próximo embate, que será realizado pelo Estado e pela TV Gazeta, no próximo dia 8, nem no evento da CNBB - entidade que ela visitou na semana passada.

O mais provável é que, se ela mantiver a liderança nas pesquisas, só compareça aos debates das Redes Globo e Record.

Lá atrás ela já havia sido "blindada" :

A DÉBIL DILMA, LITERALMENTE, DISCORREU !

O REINO DA CACHAÇA E A CELEBRAÇÃO DA PROFANA CEIA PELA POSSE DO "PEDAÇO DE PÃO".UM PODER PERMUTADO.

O PT e os partidos governistas estão oferecendo ao eleitor uma bela demonstração de como agirão caso saiam consagrados das urnas em outubro.

Faltando mais de um mês para as eleições, deram início a um deplorável espetáculo de assalto ao Estado. Propostas para o país nenhum deles tem a oferecer, interessados que estão em apenas tomar sua parte na divisão do butim.

A senha para a disparada foi dada alguns dias atrás pelo partido que tende a manter-se como o de maior peso parlamentar no próximo governo.

Michel Temer, candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, avisou a seus correligionários que o PMDB já se prepara para fazer a "partilha" da futura administração.

No seu rastro, vieram todas as siglas abrigadas no condomínio montado por Lula, aos berros de "me dá, me dá, que eu vi primeiro".

É só olhar à volta da candidata oficial para ver ao lado dela o que de pior grassa nos partidos.

Todos ressuscitadinhos da silva por Lula, estão lá Collor de Mello, Renan Calheiros, José Sarney, Newton Cardoso, José Dirceu, Delúbio Soares, o anão do Orçamento Genebaldo Correia etc etc etc. A lista é extensa o suficiente para compor uma quadrilha de 40, como a do mensalão.

Com esta turma, estão de volta ao léxico vocábulos que gostaríamos de ver apenas em dicionários não atualizados para os padrões agora adotados nos países de língua portuguesa.

Nos jornais, para quem quiser ler ou ouvir, os aliados de Dilma falam abertamente em "partilha do pão", em "carguinhos" e em "valer quanto pesa" nas negociatas pela repartição do poder.

Triste show desta pequena loja de horrores.

(...)

No Brasil, aliança política tornou-se sinônimo de coligação partidária com fins "lucrativos", resume Josias de Souza na edição de hoje da Folha de S. Paulo.

Audrey, a planta carnívora petista, está prontinha para engolir o que vier pela frente.

Como se não bastasse, Lula e o marketing político do PT cuidam de transformar o debate político em algo primário, infantil, pré-escolar, reduzindo os cidadãos a "filhos" de um líder ungido por Deus.

Diz o principal jingle de campanha de Dilma: "Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo o que mais amei/Mas só deixo porque sei que vais continuar o que fiz/Agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir/Eu sigo com saudade, mas feliz a sorrir/Pois sei: meu povo ganhou uma mãe".

Estamos esperando o Messias?

Somos órfãos em busca de adoção?

Pouco se sabe sobre a candidata do PT.

Mas muito se revela sobre ela a partir de suas péssimas companhias ou a partir do molde abestalhado em que tenta encaixar o eleitorado brasileiro.

Na sua gagueira onipresente, na profana evocação de poderes divinos, na transformação do país numa imensa creche, Dilma Rousseff nos apresenta seu gugu-dadá retrocessivo.

Tem sorte o eleitor de estar podendo assistir tudo isso se desenrolar a ainda 40 dias da votação.

Os governistas nos oferecem de graça e sob a luz do dia uma amostra do que irá se desenrolar, cotado em bilhões, nos recônditos mal iluminados do poder, caso a candidata do PT saia-se vencedora da eleição.

É mais um motivo para colocar toda esta turma para entoar suas cantigas de ninar em outra freguesia.

Fonte: ITV/Pauta em Ponto/Original/Íntegra : A profana ceia governista

O RISCO DA QUEDA NA ESPARRELA DA CRIATURA DO ÉBRIO : A SEM CÉREBRO, VÁRIAS FACES, FANTOCHE, E DE FUTURO OBSCURO.

click na imagem veja e leia os compromissos da "coisa"
Se alguém viu alguma promessa de seriedade na campanha da candidata Dilma Rousseff, esqueça.
Foi uma falha de comunicação.
Ela já negou a intenção de realizar um ajuste fiscal se for eleita.
Desmentiu a notícia publicada um dia antes.

Segundo a mesma reportagem, ela também poderia baixar a meta de inflação.
A fonte da informação divulgada na segunda-feira foi o ex-ministro Antônio Palocci, um dos coordenadores da campanha petista.

O ajuste é desnecessário, disse ontem a candidata, porque a economia cresce, a inflação está sob controle, a relação dívida/PIB está em queda e há um bom volume de reservas internacionais.

Talvez ela acredite nessa história e também esse detalhe é preocupante.
Nenhuma pessoa razoavelmente informada pode estar tranquila em relação às contas públicas.
A dívida pública bruta continua a crescer rapidamente por causa do aumento de compromissos do governo.

Só para reforçar a caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram emitidos papéis no valor de R$ 180 bilhões.
Mais títulos serão lançados para a capitalização da Petrobrás.
(...)
A referência ao crescimento econômico seria irrelevante, se não indicasse um critério perverso: para a candidata, assim como para vários de seus ex-colegas de governo, a chave do equilíbrio fiscal é o aumento da receita.

Se a arrecadação cresce, como é normal em fases de prosperidade econômica, as contas públicas vão bem.
Foi esse o padrão seguido em muitos anos: a saída é sempre arrecadar mais, nunca reduzir despesas.

Mas ela ainda faz uma concessão.
Segundo a ex-ministra, nenhum tostão será destinado, em seu governo, a gastos desnecessários.
Se houvesse alguma seriedade nessa promessa, a ministra deveria, caso eleita, rever imediatamente os compromissos assumidos para a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Por quais critérios os gastos federais serão necessários?

O Brasil precisa mesmo gastar em prováveis elefantes brancos e ao mesmo tempo enfrentar os enormes custos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da exploração do pré-sal?

O governo já se dispôs a participar, por meio do BNDES, da construção do trem-bala, um empreendimento de utilidade e de retorno altamente duvidosos, segundo opinião de técnicos.
(...)
Quem apoia esse tipo de política não pode seriamente prometer um controle do uso de recursos públicos.
E quanto pode valer seu compromisso de trabalhar pela reforma tributária e pela racionalização dos impostos, se o seu chefe e mentor continua defendendo uma aberração como o imposto do cheque, a CPMF?

Em sua conversa com a repórter Patrícia Campos Mello, o ex-ministro Palocci mencionou pontos indispensáveis na pauta de qualquer governo sério.

Mas a agenda real da candidata petista, como ela mesma indica, deve ser bem diferente.

Íntegra :
Não era para acreditar

agosto 24, 2010

BARATINHO E ORDINÁRIO.

Não chega a surpreender a manipulação criminosa que o PT adota em suas ações de governo.

Mas é de indignar o mais indiferente dos cidadãos o nível que a desfaçatez vai alcançando, como se nota agora com as rodovias federais concedidas pela gestão Lula.

Sob o manto de que saíram baratinho para os usuários, vê-se a cada dia que, pelo que oferecem, são um assalto à mão armada.

Em 2007, o governo federal levou a leilão sete lotes de estradas. Dá cerca de 2.700 km. Deve-se perguntar ao distinto público se, passados dois anos e meio, percebeu diferenças significativas nas vias leiloadas por onde trafega.

Afora as praças de cobrança dos pedágios que passou a pagar, a resposta é não, como mostra a Folha de S. Paulo em sua edição de hoje.

De cada quatro reais que deveriam ser investidos, apenas um foi aplicado. Quem desce pela concedida Régis Bittencourt (BR-116) de São Paulo a Curitiba, por exemplo, continua a deparar-se com os acidentes quase diários na Serra do Cafezal.

No mínimo pelo próximos três anos, os contratempos aumentarão: é o dilatado prazo que a concessionária obteve para duplicar um trecho de 30 km de serra entre Juquitiba e Miracatu.

É bom ter paciência: em julho, numa dessas interdições, os motoristas gramaram 12 horas de lentidão na rodovia.

(...)

Ampliações e duplicações só estão previstas para as calendas. Em dois anos, a OHL, concessionária que arrematou 2.100 km dos 2.700 km leiloados, por exemplo, não fez nenhuma obra que permitisse acabar com gargalos viários. Só tapa-buracos.

Pior: em fins de 2009, o governo federal dilatou o prazo, permitindo que as obras rodoviárias mais importantes fossem postergadas pelas empresas. Dizem elas que o pedágio baratinho não permite melhorar as estradas.

Por isso, foram bater às portas da enfermaria do BNDES. Ou seja, o que o usuário paga a menos nas praças de pedágio, o contribuinte subsidia no guichê do bancão federal.

Também na edição de hoje, a Folha mostra que os preços dos pedágios foram jogados para baixo não por causa de um bem-sucedido modelo bolado pelos petistas, mas sim por causa de crassa manipulação.

A manobra foi apontada pelo Tribunal de Contas da União e consiste em usar, para fins de cálculo da tarifa máxima, um fluxo de veículos menor que o real.

Como na prática as estradas recebiam mais carros do que o governo estimara nos editais de concessão, as empresas puderam entrar nos leilões oferecendo descontos vistosos.

Responsável pelas concessões, a ANTT informou ao TCU que não atualizou os cálculos de tráfego "para não atrapalhar o PAC"!

"O resultado foi que o governo Lula conseguiu faturar politicamente ao divulgar o sucesso do leilão, mas com descontos que não correspondiam à realidade", informa o jornal.

Na sexta-feira passada, do alto de um palanque em Osasco, Lula disse que são "um roubo" os pedágios praticados nas estradas de São Paulo - estradas consideradas as melhores do país; estradas onde, por causa das melhorias e do excelente estado de conservação, mil mortes são evitadas por ano; estradas que, em 74% dos casos, estão em ótimo ou bom estado, enquanto 70% das federais estão em condições péssimas, ruins ou regulares.

Roubo é manipular leilões, enganar usuários, cobrar para não oferecer nada em troca e mandar a conta para todos os contribuintes, por meio de instituições financeiras oficiais e/ou maquiagens orçamentárias.

Nas rodovias concedidas pelo governo Lula, é assim. Tudo bem baratinho, mas muito ordinário.

Fonte: ITV/ Pauta em Ponto/Íntegra : Baratinho e ordinário

CORRUPÇÃO vs JUSTIÇA UMA LUTA DE PESOS PESADOS.


Ao fazer um balanço dos dois anos que passou à frente da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), quando realizou inspeções em 17 tribunais e foi obrigado a pedir formalmente a aposentadoria compulsória de um colega do Superior Tribunal de Justiça (STJ) denunciado por envolvimento num esquema de vendas de sentenças, o ministro Gilson Dipp traçou um quadro realista e preocupante dos tribunais brasileiros.

Infelizmente, diz ele em entrevista ao Estado de domingo, alguns tribunais têm sido lenientes, deixando de tomar medidas drásticas contra o que chama de "maçãs podres" ou seja, juízes indignos da toga.

"A magistratura não tem blindagem contra atos de corrupção e irregularidades", afirma Dipp.

Quando começou a fazer inspeções em tribunais, varas e cartórios, explica o corregedor nacional de Justiça, a expectativa era descobrir apenas problemas pontuais.

"Na verdade, o que foi constatado não era tão pontual assim. Isso foi surpreendente e chocante", diz o ministro.

"Os tribunais têm um nível de corporativismo muito além do desejado. Muitos juízes colocam suas ambições pessoais ou aspirações corporativas acima de sua função de julgador. Isso é inconcebível para qualquer atividade, sobretudo para a magistratura", disse o ministro Dipp.

Nos dois últimos anos, foram punidos 36 juízes, 2 dos quais foram colocados em disponibilidade e 18 foram aposentados compulsoriamente entre eles, um ministro de um tribunal superior que foi vice-corregedor de Justiça, destacou-se como líder sindical da corporação e presidiu a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Federação Latino-Americana de Magistrados.

O balanço do ministro Gilson Dipp mostra que, em matéria de abusos, o Poder Judiciário tem os mesmos problemas dos demais órgãos da administração pública.

Íntegra :
A corrupção na Justiça

AINDA SEM PROPAGANDA E EFEITOS ESPECIAIS : ROMBOS DEVEM PREJUDICAR O PAPEL DE "CREDOR iNTERNACIONAL"

O Estado de S. Paulo

Desde janeiro de 2008, o governo comemora o fato de que o Brasil passou a ser credor internacional.

Ou seja, ativos brasileiros em moeda estrangeira já superam o total da dívida da União e empresas em outros países.

Atualmente, essa posição credora é de US$ 39,5 bilhões.

Mas o crescente rombo das contas externas e o simultâneo aumento do endividamento externo têm reduzido essa vantagem do País.

Apenas neste ano, a retração da posição credora foi de 36%.
Por isso, não será surpresa se, no médio prazo, o Brasil voltar a ser devedor internacional.

Os seguidos e crescentes déficits em conta corrente têm aumentado a necessidade de o Brasil buscar outras formas de financiamento.

Para fechar as contas, o País recorre cada vez mais aos empréstimos em outros países.

Por isso, apenas neste ano, a dívida externa brasileira cresceu 18,7%, totalizando US$ 235,35 bilhões.

Ao mesmo tempo, apesar da ainda forte política de compra de dólares para reforço das reservas internacionais, o caixa do Banco Central em dólares avançou em ritmo bem menor: cresceu 7,6% no acumulado de 2010.

No BC, o movimento de redução da posição credora do País é encarado com normalidade, já que o investimento produtivo não deve ser suficiente para cobrir o saldo negativo em conta corrente nos próximos meses.

Isso fará com que o Brasil volte a depender de empréstimos para fechar as contas, exatamente como o País sempre precisou na história de país emergente.

Além disso, o aumento das apostas de valorização do real por parte dos bancos, segundo o BCl, é um fator adicional que reduz essa posição credora do País.

O discurso de tranquilidade é baseado no fato de que, agora, o perfil desse endividamento será completamente diferente do visto no passado, quando a dívida externa brasileira era praticamente "inadministrável".

O aumento da dívida hoje, para o BC, ocorre em condições mais adequadas, como prazo longo e juro semelhante ao praticado nos países maduros.

Vantagens do grau de investimento conquistado pelo Brasil há alguns anos.

O que pode amenizar essa tendência de redução da posição credora do Brasil é a retomada de ingressos volumosos de investimento produtivo, que o BC espera para os próximos anos.

Mais :

Uma inquietante piora da política cambial