"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 24, 2013

ENQUANTO ISSO NO BRASIL REAL... Rombo nas contas externas cresce em agosto e já supera o de todo o ano passado


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O deficit nas contas externas do país alcançou US$ 5,5 bilhões em agosto, mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado, quando atingiu US$ 2,6 bilhões, e um recorde para o mês, informou nesta terça-feira (24) o Banco Central.

Com isso, o rombo acumulado no ano já chega a US$ 58 bilhões, superando em 7% o deficit verificado em todo o ano passado, de US$ 54,2 bilhões. Trata-se de outro recorde histórico, considerando a série iniciada em 1947.
O montante verificado no mês passado é superior ao esperado pela autoridade monetária, que havia previsto saldo negativo de US$ 5,0 bilhões..

Nos últimos doze meses encerrados em agosto, o deficit chegou a US$ 80,6 bilhões, o equivalente a 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto). Tal proporção não era alcançada desde março de 2002, de acordo com o BC.

As contas externas são analisadas a partir do saldo das transações correntes do país. Ela reflete as operações comerciais e financeiras do Brasil com outros países, incluindo importação e exportação de bens, gastos e receitas com viagens internacionais, remessas de dividendos de empresas, ganhos e pagamentos de juros.

A previsão do BC para o ano é que o deficit chegue a US$ 75 bilhões, um salto de quase 40% frente ao registrado em 2012.


INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

Apenas parte dessa diferença deve ser "coberta" pela entrada de investimentos estrangeiros diretos (IED), que indicam aportes produtivos no país. A expectativa da autoridade monetária é que essa conta alcance US$ 60 bilhões em 2013, abaixo do patamar alcançado no ano passado.

A estimativa foi revisada para baixo este mês. Antes era de US$ 65 bilhões.
Segundo Tulio Maciel, chefe do departamento econômico do BC, o cenário não preocupa a autoridade monetária.

"A parte que segue sendo financiada pelo IED ainda é muito significativa, cerca de 80%. É um quadro positivo e confortável em termos de financiamento para transações correntes", afirmou.

Em agosto, houve ingresso de US$ 3,8 bilhões em IED, redução de 25% frente ao ano passado. Apesar da queda, o resultado foi levemente acima do esperado pela autoridade monetária, cuja previsão era de US$ 3,5 bilhões para o mês.
No acumulado do ano, a conta chega a US$ 39 bilhões.

Segundo Maciel, a revisão para baixo do IED para o ano foi motivada pelos últimos meses, quando houve fluxo mais fraco do que o esperado. O diretor do BC credita o comportamento ao arrefecimento da economia mundial

"De uma maneira global os fluxos de IED no mundo foram menores do que o ano passado. Os países de uma forma geral receberam menos. Nesse sentido, o Brasil permaneceu bem situado com um patamar elevado", disse.


PRINCIPAIS FATORES

O resultado negativo das contas externas no ano pode ser explicado em grande parte pelo baixo desempenho da balança comercial, que mede a diferença entre as importações e exportações do país.

"A diferença de deficit no balanço de pagamentos é de US$ 26 bilhões [no acumulado do ano frente ao mesmo período de 2012]. Destes, US$ 17 bilhões decorrem do saldo da balança comercial", afirmou Maciel.

Entre janeiro e agosto deste ano, a balança apresentou deficit de US$ 3,8 bilhões contra superavit de US$ 13,1 bilhões registrado no mesmo período de 2012.

O BC estima agora que haverá saldo positivo no fim do ano de US$ 2 bilhões, frente a estimativa anterior de US$ 7 bilhões. A previsão, porém, ainda encontra divergência no mercado. A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) projeta deficit de US$ 2 bilhões para 2013.

O rombo nas contas externas foi impacto ainda pela conta de serviços, que contabiliza, por exemplo, as despesas dos brasileiros no exterior. Ela apresentou em agosto deficit de US$ 4,2 bilhões, 41,6% acima do verificado no mesmo mês de 2012.

Segundo o BC, o deficit nas contas externas é natural para um país como o Brasil, que precisa de investimentos.

"É sempre bom relembrar que deficit em transações correntes é característica de países emergentes, representa absorção de poupança externa e contribui para investimento. Nesse ponto, esse deficit é positivo. O Brasil se enquadra nessa característica, precisa de investimento", afirmou Maciel.


DÍVIDA EXTERNA

No mês passado, a dívida externa brasileira chegou a US$ 311,5 bilhões, redução de US$ 6,6 bilhões frente a julho deste ano.

O estoque líquido de reservas internacionais do país teve decréscimo de US$ 854 milhões em agosto em relação ao mês anterior, chegando a US$ 372,8 bilhões.
 
Folha

setembro 23, 2013

O NORDESTE É A SOLUÇÃO



O Nordeste tem sido uma das regiões do país que mais cresce nos últimos anos. A renda aumentou, o mercado de consumo cresceu e mais empregos foram gerados. É algo a comemorar, fruto de políticas que remontam há décadas, iniciadas com a estabilização da economia. Mas o Nordeste pode, quer e precisa de muito mais.

Os resultados já alcançados na região decorrem muito mais de políticas de transferência de recursos e de incentivo ao consumo. São, pois, de alcance limitado, insuficientes para superar os seculares atrasos que afligem a região. O poder público, em especial o governo federal, não tem buscado promover o desenvolvimento autônomo e altivo do Nordeste.

Não houve nos anos recentes nenhuma estratégia de desenvolvimento regional que efetivamente impulsionasse a economia nordestina e permitisse a implantação de um robusto parque produtivo local. O Nordeste continua dependente da boa vontade do poder central, e isso não pode continuar assim.

O Nordeste tem 18% da área, 13,5% do PIB, 27% da população, mas menos da metade da renda do Brasil: se fosse um país, a região teria apenas o 145° maior PIB per capita do mundo. É preciso fazer diferente e mudar esta realidade e esta desigualdade.

Para superar o atraso, o Nordeste precisa de um grande projeto estruturante, com alcance de longo prazo. Esta estratégia deve estar baseada na constituição de um amplo plano integrado de infraestrutura que interligue portos, ferrovias, rodovias, aeroportos, hidrovias e também integre a região ao mundo.

A solução para o Nordeste passa, também, pelo desenvolvimento de uma política séria de convivência com a seca, numa área onde 21 milhões de pessoas, o equivalente a 40% da sua população, vive no semiárido.

Não é nada disso o que temos hoje: 
nos últimos anos, o Nordeste viveu a sua pior seca em mais de cinco décadas, afetando 10 milhões de pessoas. No entanto, apenas 22% das obras emergenciais para seca prometidas pelo governo Dilma foram entregues.

A transposição do São Francisco poderia ser um primeiro passo, mas a obra arrasta-se: canais que deveriam estar transportando água desde 2010 hoje deterioram-se sob o sol, secos. Transportar água não é suficiente; é necessário fazê-la chegar aonde deve, com obras complementares que garantam melhor aproveitamento e distribuição dos recursos hídricos da região.

Além disso, também devem ser disseminadas tecnologias para produzir em áreas de pouca água e solos não muito férteis. Elas já existem, desenvolvidas, sobretudo, pela Embrapa: variedades de sementes adaptadas ao semiárido e mesmo a criação de caprinos, barata e viável com pouca água. 
Ou seja, solução há, basta aplicá-las.

Para promover a necessária arrancada que o Nordeste merece, é preciso um plano de longo prazo, planejamento cuidadoso e adequado. É tudo o que, infelizmente, a região não tem hoje. As promessas foram muitas, mas viraram um cemitério de obras inacabadas. A lista é longa.

Prometida para 2010, a Transnordestina tem hoje apenas 262 km dos 1.728 km previstos prontos. A ferrovia Oeste-Leste deveria estar concluída em julho passado, mas não tem um metro sequer de trilho assentado. A Abreu e Lima será a mais cara refinaria já feita no mundo: seu valor multiplicou-se por dez num intervalo de seis anos.

Hoje falta até energia para o Nordeste avançar: nos últimos dois anos, a região sofreu quatro grandes apagões – o último, há menos de um mês, deixou os nove estados no escuro. O Nordeste vê-se obrigado a importar energia de outras regiões, mesmo tendo 19 parques eólicos prontos, mas parados, porque não dispõem de linhas de distribuição.

Um número sintetiza esta incúria, este desleixo, esta parca atenção dispensada pelo governo petista ao Nordeste. Em 2011, o governo Dilma anunciou investimentos de R$ 215 bilhões na região dentro do chamado PAC 2. Deste valor, até hoje, quase três anos depois, apenas R$ 17 bilhões foram aplicados, o que equivale a 8% do prometido. Numa frase: falta compromisso.

Só se supera este estado de coisas com bom planejamento, capacidade de gestão e seriedade. É possível dar um salto adiante. O Nordeste tem enormes potencialidades, como o turismo, a fruticultura irrigada e indústrias em ascensão, como a de calçados.

Entretanto, a maior potencialidade do Nordeste é seu povo: o nordestino arretado, o sertanejo incansável e sua alegria infindável. Mas são especialmente os jovens nordestinos os vetores do salto para o futuro que a região precisa e vai dar.

Os nordestinos querem, e terão, mais e melhores empregos, formação profissional de maior qualidade e oportunidades para subir na vida com suas próprias pernas, sem paternalismo. Terão, também, mais segurança: não dá mais para assistir a escalada de violência que golpeia a região sem que a União sequer esboce reação.

Além disso, aqueles que dependem do Estado devem continuar contando com o apoio e o auxílio financeiro do poder público. Isso é um direito assegurado e não muda. Mas este deve ser um ponto de partida, jamais uma meta de chegada.

Chegou a hora de fazer do Nordeste um lugar melhor, mais justo com seu povo e sua história de luta. Até porque o Nordeste não é problema, o Nordeste é solução.

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HERANÇA MALDITA DO CACHACEIRO FALSÁRIO E PARLAPATÃO : Propaganda enganosa


O governo da presidente Dilma Rousseff está entrando em sua reta final, e o que se pode concluir é que a marca dos quatro anos da primeira mulher a chefiar o Executivo brasileiro será a da decepção.

Do ponto de vista econômico, a técnica, que era apontada em campanhas de marketing como grande gestora, será carimbada pela perversa combinação de baixo crescimento e inflação alta. Politicamente, o retrato a ser observado pelas próximas gerações será o de um comando desastroso, que, por falta de visão e excesso de pretensão, repetiu erros do passado ao se aliar ao que de pior há entre os partidos que lhe dão sustentação.

Afeita a críticas como forma de encobrir a incompetência de sua equipe, Dilma fez opções erradas que vão custar caro ao país. Acreditou que, por estar sustentada em índices recordes de aprovação popular, poderia seguir um caminho próprio, batizado de nova matriz econômica. Com uma visão intervencionista, sempre pautada em interesses eleitoreiros, acreditou no equívoco de que um pouquinho mais de inflação poderia levar o país a um crescimento mais forte.

Fora da realidade, teve a convicção de que o Estado seria capaz de tocar todos os projetos de infraestrutura que o Brasil necessita para se modernizar e se tornar mais competitivo. No primeiro ano de governo, anunciou obras espetaculares, garantindo que, como gestora experiente e mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida, tinha conhecimento de sobra para pôr em prática empreendimentos que mudariam a cara do país.

No segundo ano, nada do que Dilma havia anunciado tinha saído do papel. Infelizmente, prevaleceu a ineficiência.

 
Mesmo com a clareza da incapacidade do governo de tocar as obras, a presidente resistiu, por ideologia, aos apelos para que os projetos de infraestrutura fossem transferidos à iniciativa privada. Quando se convenceu de que o Estado nada podia, deu ouvidos a auxiliares de que os empresários deveriam ter o mínimo de lucro possível com rodovias, aeroportos, ferrovias e portos. Inflada por marqueteiros, lançou os programas de concessões em cerimônias pomposas no Palácio do Planalto, eventos repletos de promessas de um Brasil melhor. Tudo propaganda enganosa.

Corrupção corre solta

Agora, às vésperas de mergulhar de vez na campanha da reeleição, Dilma está tomando uma sova da desconfiança que ajudou a disseminar pelo país. Pior, não bastasse a incompetência da gestão, são cada vez mais frequentes os casos de corrupção envolvendo indicados dos partidos que a presidente tanto conta para sair vitoriosa das urnas em 2014.

No Ministério do Trabalho, comandado pelo PDT, metade da cúpula já caiu por ter surrupiado pelo menos R$ 400 milhões dos cofres públicos por meio de convênios fraudulentos. Nos últimos dias, o Planalto foi obrigado a exonerar um assessor direto da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, do PT, e um funcionário da total confiança do ministro da Previdência, Garibaldi Alves, do PMDB, por participarem de uma gangue que lavou pelo menos R$ 300 milhões em pouco mais de um ano e meio, roubando, principalmente, dinheiro da aposentadoria de servidores municipais.

Se conseguir a reeleição, Dilma terá de lidar com toda a herança maldita que
criou desde 2011


E que ninguém se espante se o próximo alvo da Polícia Federal for o Ministério da Agricultura, que foi entregue ao PMDB do deputado Eduardo Cunha (RJ), cuja ficha corrida espanta até os mais espertalhões da Esplanada. Ou seja, a faxina que Dilma tanto alardeou logo depois que tomou posse também não passou de marketing. Só fez o que fez porque precisava, naquele momento, prestar contas às denúncias da imprensa.

Opção pela incompetência

Com Dilma entrando na reta final de seu mandato, os investidores começam a montar os cenários do que poderá ser um segundo governo da petista. De uma coisa todos estão convencidos: se conseguir a reeleição, ela terá de lidar com toda a herança maldita que criou desde 2011, ao ser leniente com a inflação, ao priorizar a arrogância em vez do diálogo, ao incentivar a gastança e avalizar a maquiagem fiscal, ao se afastar do capital e acreditar em um Estado superpoderoso, que poderia, com dinheiro público, eleger empresas vencedoras, como as dos grupos de Eike Batista e Marfrig, todas simbolizando o fracasso de políticas equivocadas.

Se ao menos conseguisse botar os pés no chão e parasse de culpar os pessimistas pelos erros do governo, talvez Dilma indicasse um horizonte melhor a partir de 2015. Um caminho seria dar autonomia formal ao Banco Central, que hoje está totalmente sem crédito para tocar a política de combate à inflação. Outro, seria pôr fim à indexação do salário mínimo ao Produto Interno Bruto (PIB) e à inflação passada. A indexação do piso salarial é, atualmente, a principal responsável pela resistência dos preços dos serviços, que se mantêm acima de 8% no acumulado de 12 meses, dificultando a convergência da carestia para o centro da meta, de 4,5%, perseguida pela BC.

Nas contas dos analistas, apenas esses dois pontos seriam capazes de reduzir em pelo menos um ponto percentual o custo de vida projetado pelo mercado para 2014, de 5,9%. Nesse contexto, Dilma poderia reduzir os juros, mesmo com o dólar se acomodando acima de R$ 2,30 para ajudar as exportações e reduzir o rombo das contas externas, e não precisaria se preocupar tanto com a mudança da política monetária do Federal Reserve (Fed), o BC dos EUA, que deu uma trégua, mas continua sendo uma ameaça assustadora para o Brasil do atraso, que vigora hoje.

Apesar de medidas que não exigiriam tanto desgaste do governo, poucos acreditam que a presidente optará por elas. A tendência é de que prevaleça a miopia da arrogância, comportamento típico dos incompetentes.

Correio Braziliense
Vicente Nunes/Editor de Economia

SEM "MARQUETINGUE" ! NO BRASIL REAL ASSENHOREADO E ESTROPIADO PELOS CANALHAS... Estatal manipulada

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Nos últimos anos, em particular, a partir de 2008, o mercado em geral e os acionistas da Petrobras passaram a perceber a utilização da companhia como complemento de política econômica e verificar um distanciamento das expectativas que os levaram a investir na estatal após a abertura de 1997.

As causas da deterioração são conhecidas e o problema é que muito se fala e muito pouco se faz.

Enquanto isso, os números da empresa vão piorando e o horizonte continua de cinza para negro. Exemplos não faltam. O governo obriga a empresa a manter os preços domésticos defasados em relação ao mercado internacional com o objetivo de controlar a inflação e incentivar a atividade econômica.

Desde 2003 a defasagem dos preços da gasolina e do disel promoveu perdas de mais de R$ 40 bilhões. Em 2013 a estatal tem perdido algo em tomo de 1 bilhão de reais mensais só com a importação de gasolina e diesel. Paralelamente, o crescimento da demanda incentivado pelo preço artificialmente baixo levou a empresa a importar grandes volumes de gasolina e diesel.

Entre o 1º trimestre de 2010 e segundo trimestre de 2013, a área de abastecimento da Petrobras já acumula prejuízo de cerca de R$ 36 bilhões e as importações de gasolina cresceram 395%. Por conta disso, a empresa tem tido dificuldade para cumprir seus cronogramas de investimento, e o resultado tem sido o atraso em vários projetos e a queda na produção.

Outro caso emblemático é a construção da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, refletindo problemas relativos à gestão de projetos na Petrobras. Ao longo da construção, o custo previsto do projeto se multiplicou por dez, de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões. Isso sem falar na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, por um preço ainda não explicado de forma transparente.

Como resultado de todos esses desmandos, a lucratividade da empresa desabou, levando ao aumento de seu endividamento. Apesar de em 2010 realizar a maior capitalização da história, que gerou uma injeção de R$ 45 bilhões em seu caixa, a empresa se encontra hoje perigosamente perto dos níveis que fariam com que perdesse seu status de investment grade.

O seu endividamento cresceu 210% após a capitalização, e sua relação dívida líquida/ebtida e dívida líquida/capital líquido se encontram em 2,9x e 34%, respectivamente, mesmo com a empresa se utilizando de "contabilidade criativa" que reduziu 70% do impacto da desvalorização cambial sobre a sua dívida. Agora a saída encontrada é o plano de desinvestimento, onde a empresa está vendendo ativos, como metade dos campos de petróleo que possuía na Africa.

O próximo passo poderá ser a promoção de uma nova capitalização após as eleições de outubro de 2014, o que irá provocar uma diluição maior dos minoritários, aprofundando o movimento de estatização da empresa. Pouco ou nada a comemorar em outubro quando a Petrobras completará 60 anos.

  Adriano Pires / Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura

setembro 21, 2013

Antes da galinha


Às vezes, o governo Dilma é tomado pela síndrome do empresário Eike Batista, aquele que se notabilizou por contar com uma profusão de ovos antes de ter a galinha.

É o que parece estar acontecendo também com o primeiro leilão do pré-sal, marcado para 21 de outubro e que prevê a licitação do super Campo de Libra, na Bacia de Santos, do qual se espera um potencial de produção de petróleo entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de 159 litros.

Há meses, o governo vinha proclamando sucesso. É o maior campo disponível do mundo, avisava o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão . “Vamos ter 40 interessados”, calculava a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard. “Só esse campo vai exigir a construção de 12 a 17 plataformas de petróleo”, proclamou há semanas a presidente Dilma.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, conta com R$ 15 bilhões apenas em bônus de assinatura para fechar as contas públicas, sem considerar a mais remota possibilidade de eventual adiamento, apesar da mobilização contrária do fogo jurídico amigo. E os políticos do governo têm como garantidas receitas em royalties de R$ 112 bilhões em 10 anos, para despesas com saúde e educação.

E, no entanto, apenas 11 empresas mostraram interesse pelo leilão. Pelo menos 5 das gigantes do setor (Exxon Mobil, BP, BG, Chevron e Statoil) preferiram ficar de fora. E não se sabe ainda se outras duas parrudas, a Shell e a Total, estão mesmo dispostas a participar. A concorrência acirrada que se esperava não acontecerá e já estão postas razões mais sérias que indicam para um desapontamento.



Não fazem sentido os argumentos com que a chefe da ANP, se defendeu da decepção: “Existe um contexto mundial que levou a isso”, disse, dando a entender que as primeiras desistências se deveram a circunstâncias aleatórias, como se um projeto de 35 anos e US$ 400 bilhões em investimentos pudesse ser guiado por questiúnculas de curto prazo.

Há meses, os especialistas vinham apontando problemas na modelagem desse leilão, que agora precisarão de análises mais profundas. Nessas circunstâncias, o modelo de partilha não convém à maioria dos candidatos em potencial. Também é questionável a exigência de ter a Petrobrás como única operadora, sabendo-se com quais custos e com que ritmo trabalha. De alto risco é também a participação no negócio de uma nova estatal, a Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. – Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que não colocará na empreitada um único centavo e, no entanto, terá poder de veto em todas as matérias relevantes.

Há outras questões a considerar, algumas delas apontadas nesta Coluna em outras ocasiões. Uma delas é que está próximo o dia (em 2020) em que o maior consumidor mundial de petróleo, os Estados Unidos, também será autossuficiente em energia, graças à revolução do gás de xisto. Ou seja, está próximo o dia em que o petróleo terá perdido boa parte de sua força estratégica acumulada desde finais do século 19.

Ainda há condições para que o governo Dilma se livre de um vexame licitatório. O que já ocorreu está a exigir mais realismo num campo em que muita coisa não passa de gabolice tupiniquim.


Antipessimismo. 
Nesta sexta-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, insistiu em que, apesar das desistências, o leilão do Campo de Libra, marcado para outubro, será sucesso total. E mais, repisou o argumento surrado do governo de que os analistas é que estão vendo tudo escuro; são pessimistas demais. Admitamos que eles sejam excessivamente pessimistas. Nesse caso, reagem apenas à louvação produzida pelo governo, que os fatos não justificam.

Celso Ming/Estadão

setembro 20, 2013

Os fracassos dos aprendizes de feiticeiro

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O fantasma estatizante e o terror intervencionista fizeram ontem mais uma vítima. O leilão para exploração do campo de Libra atraiu apenas uma fração dos interessados esperados. Grandes empresas mundiais do setor pularam fora. Nossa gigantesca reserva de petróleo pode acabar servindo mesmo é para pôr fogo na caldeira da economia dos chineses.

Libra será o primeiro campo do pré-sal a ser leiloado, em 21 de outubro. O governo esperava que 40 empresas se interessassem pelo negócio, mas só 11 se inscreveram. Gigantes como as americanas Exxon e Chevron, primeira e segunda maiores petrolíferas do mundo em valor de mercado, e as britânicas BP e BG ficaram de fora.

A maior parte das inscritas – seis – são estatais. Entre as competidoras estão duas chinesas, uma malaia, uma indiana, uma colombiana, uma portuguesa, uma espanhola, uma anglo-holandesa, uma francesa e uma japonesa, além da Petrobras. Já se prevê que número ainda menor delas dê lances no leilão. A competição deve ser pouca.

Vão se confirmando, assim, os piores prognósticos: 
a invencionice do novo modelo de exploração que o governo petista passou anos urdindo – o de partilha – ruma para produzir mais malefícios do que benefícios ao país. Podemos acabar partilhando mesmo é os prejuízos desta aventura.

Dado o perfil dos participantes, já se prevê que o pré-sal brasileiro poderá servir mais para que estatais de outros países assegurem suprimentos futuros de petróleo do que propriamente para ser imediatamente explorado e produzir riquezas no presente. São consequências da opção da gestão petista por substituir o vitorioso modelo de concessões pelo de partilha.

Há cinco anos, ficamos sabendo da descoberta das reservas do pré-sal. Ato contínuo, o governo Lula anunciou a mudança no marco legal de exploração de petróleo no país, por mera política miúda – era preciso enterrar um retumbante sucesso produzido pelo modelo de concessão adotado na gestão tucana – e uma visão ideológica canhestra das coisas.

Durante cinco anos, o Brasil ficou sem licitar novos campos de petróleo e, com isso, as áreas em exploração do país caíram a um terço do que eram. Ao mesmo tempo, alçada à condição de operadora única e participante obrigatória nos consórcios do pré-sal, a Petrobras entrou em derrocada e hoje vale tanto quanto valia em 2006.

Neste ínterim, a Lusitana rodou e o mundo do petróleo e da energia girou. Os EUA passaram a explorar o gás de xisto, a Colômbia adotou o regime de concessão e viu sua estatal, a Ecopetrol, chegar a ultrapassar a Petrobras em valorização e agora o México também envereda pelo mesmo caminho, abrindo seu mercado de petróleo, antes monopolista.

Diante desta nova realidade, os investidores viram que era melhor não continuar esperando o Brasil resolver o que iria fazer com suas reservas de petróleo e buscaram outras praias. Perceberam que havia riscos demais a correr apostando no salto no escuro que o governo brasileiro patrocina, com seus modelos regulatórios modulados ao léu e mudados a todo instante.

Quem, diante da obrigação de aportar R$ 15 bilhões num negócio como Libra, se aventuraria? Ainda mais tendo como sócia uma estatal que nos últimos anos passou a ser gerida com forte ingerência política. Pior ainda, sem saber como atuará uma outra estatal que será criada para cuidar dos contratos de partilha de produção, definindo o que é e o que não é custo operacional e, no fim das contas, quanto de produção cabe a cada investidor. Riscos assim ninguém quer.


Depois de ver seu modelo de gestão econômica naufragar, o governo da presidente Dilma Rousseff passou os últimos meses dizendo que a virada viria agora – e justamente, para desgostos dos petistas, com as privatizações. Mas as feitiçarias que Brasília inventou, tanto para o setor de petróleo quanto para as concessões de infraestrutura, só estão conseguindo produzir fracassos.

Há uma semana, foi o leilão da BR-262, que acabou sem concorrentes e pôs em xeque vários dos outros oito trechos de rodovias que ainda devem ser ofertados. O leilão das ferrovias também vai ser postergado, depois que o governo entendeu que os investidores não aceitaram seus modelos mirabolantes. Tudo isso, apesar de o plano de logística já ter sido lançado há um ano e um mês... Agora, Dilma anuncia que está fazendo uma "reavaliação grande” de todo o programa de concessões. Pode?


É tanto equívoco que às vezes a gente acaba não se dando conta de que o pessoal do PT já está aí, no poder, há mais de uma década – há quase 11 anos para ser preciso. Acaba se espantando ao constatar que o governo Dilma já consumiu três de seus quatro anos. E que a hoje presidente da República começou a programa que deveria "acelerar o crescimento” há quase sete anos. E o que conseguiram produzir? Quase nada!

O Brasil não pode, não merece ter que aturar estes aprendizes de feiticeiros. Não pode viver a reboque de um método de gestão baseado na tentativa e erro. As pessoas que dão duro para ganhar a vida, se viram para trabalhar e sabem que não se constrói o futuro sem planejamento, método e dedicação já se deram conta de que não será com o PT que iremos chegar a algum lugar que não seja o fundo do poço.


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"empresas privadas não rasgam dinheiro ou agem por ideologia". As concessões e "o risco GERENTONA 1,99"



É preocupante a baixa participação das gigantes privadas no leilão de petróleo do pré-sal do campo de Libra e a ausência de interessados na BR-262.
Mesmo entre os especialistas mais críticos, a expectativa era de que a arrancada inicial das concessões seria bem sucedida.

Libra atraiu 11 grupos interessados, ao invés dos 40 que eram aguardados. E a maior parte são estatais, principalmente chinesas.

As empresas privadas fugiram do leilão, assustadas pelo modelo envergonhado de privatização, que transformou a Petrobras em operadora única do pré-sal.

Para as estatais chinesas, que se tornaram as favoritas, a lógica é outra. Elas não se importam de ganhar pouco dinheiro, porque seu principal interesse é garantir o fornecimento de petróleo. 


As chinesas podem, inclusive, "carregar" a Petrobras no leilão, oferecendo financiamento hoje em troca de petróleo no futuro. Não é segredo para ninguém o aperto no caixa da estatal brasileira.

Nas concessões das estradas, o governo havia escolhido dois trechos considerados o "filé" do pacote. Na BR-050, venceu um consórcio de empresas iniciantes. Na BR-262, ninguém apareceu.

As concessionárias precisam renovar seu portfólio de estradas, sob risco de perder valor de mercado na bolsa. E, mesmo assim, não se animaram com a estrada que liga Vitória, no Espírito Santo, ao Triângulo Mineiro.

Segundo Paulo Resende, professor da Fundação Dom Cabral, o resultado foi uma combinação de fatores técnicos e políticos, como as projeções irrealistas de tráfego, a desconfiança de que o governo não fará a sua parte das obras no prazo, e o temor das reações populares que um pedágio caro pode causar.

Ainda é cedo para decretar o fracasso do pacote de concessões, mas está ficando claro um "risco Dilma". A iniciativa privada se arrisca menos em um país cujo governo tenta controlar seus lucros e as regras do jogo mudam a todo momento.

"O governo está fazendo os leilões por sobrevivência, para alavancar o crescimento da economia, e não por convicção. Se a Dilma for reeleita, as regras continuam as mesmas?", questiona Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Em condições que não são vantajosas, esse tipo de dúvida pesa na cabeça do investidor.

A presidente criticou ontem o "pessimismo" no país, mas empresas privadas não rasgam dinheiro ou agem por ideologia. Se os leilões no Brasil forem um bom negócio, não vão deixar passar a oportunidade.

Raquel Landim/Folha
As concessões e "o risco Dilma"

BRASIL REAL ! brasil MARAVILHA DA GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA : Onda de greve invade o país

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Trabalhadores de vários setores essenciais rejeitam as propostas de reajuste salarial abaixo da inflação e pressionam empresas e órgãos públicos com a paralisação das atividades.

 Os bancários cruzaram os braços por tempo indeterminado, na quarta-feira. Metalúrgicos iniciaram ontem o movimento grevista.
 Petroleiros vão parar por 24 horas, em 3 de outubro, data em que a Petrobras completa 60 anos. 
E parte dos funcionários dos Correios (ecetistas) manterão os braços cruzados até que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgue o dissídio coletivo da categoria.

A Federação dos Petroleiros (FUP) fará assembleia para decidir sobre a retomada das negociações com a empresa, a partir de 23 deste mês. As ações incluem também o Dia Nacional de Lutas contra o leilão do campo de Libras, em Santos, acampamentos no Rio e em Brasília e marchas nas principais capitais.

 A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) informou que 29 bases sindicais em todo o país estão paralisadas.
Cada grupo tem reivindicações específicas. Os itens comuns são aumento real das remunerações e retirada da pauta do Congresso Nacional do Projeto de Lei 4.330, que incentiva a terceirização em todos os setores. Os bancários rejeitaram a proposta da Federação dos Bancos (Fenaban) de 6,1% de aumento sobre os vencimentos. Eles querem 11,93%, além da contratação de mais funcionários.

Ontem, deixaram de funcionar pelo menos 6.145 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados em 26 estados e no Distrito Federal. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), foram 1.013 unidades paralisadas a mais que no primeiro dia da greve do ano passado, quando 5.132 aderiram ao movimento.

Com a paralisação, serviços como depósitos, recebimento de cartões e pagamentos nos caixas presenciais estão suspensos. No Distrito Federal, 70% das instituições estão fechadas, segundo o Sindicato dos Bancários. Nem a agência da Caixa, dentro do Palácio do Planalto, escapou. Em várias, também os caixas eletrônicos não funcionam.


Contas

A atendente de telemarketing Claudia Oliveira, 38 anos, não pode pegar o novo cartão da conta-corrente nem sacar dinheiro para pagar as contas de água e de luz. "Já fui a quatro agências para tentar pelo menos pegar meu dinheiro e nada. Agora, estou sem saber o que fazer", afirmou. Humberto Barros, 39, também ficou do lado de fora. Precisava fazer um depósito e não sabia da greve. "A agência estava fechada. É um absurdo isso", indignou-se. Barros disse que está muito preocupado e confessou que tem receio de usar a internet para transações financeiras.

Para tentar evitar que o cliente pague o preço da queda de braço entre empregados e patrões, Jeferson Meira, do Sindicato dos Bancários, contou que, em todas as agências, os clientes são orientados a usar meios alternativos. "Algumas transações podem ser feitas pela internet ou caixa eletrônico. Assim, estamos conversando com todas as pessoas que param na porta dos bancos", destacou.

Segundo a Associação de Consumidores (Proteste), os consumidores devem ficar atentos às datas de vencimento das contas, para evitar a cobrança de juros. Quem não estiver com o cartão para uso nos caixas eletrônicos pode recorrer a agências lotéricas e lojas de departamentos.


Unidos pelo protesto
Vários sindicatos estão se unindo para ampliar os protestos por reajustes acima da inflação. Mais de 360 mil metalúrgicos paulistas filiados a três centrais sindicais unificaram a campanha salarial e fazem paralisações conjuntas. O Dia Nacional de Lutas contra a privatização do campo de Libras — a maior descoberta do pré-sal — é uma bandeira dos petroleiros, mas terá a participação dos metalúrgicos, bancários e funcionários dos Correios, entre outros. 

VERA BATISTA e ANA CAROLINA DINARDO Correio Braziliense

JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" II : ILUSIONISMO OU CAIXA DE PANDORA + SUBSERVIÊNCIA, ESCOLHA ! Otimismo excessivo do BC com a situação fiscal


A gastança do governo é o principal foco de desajustes da política econômica e de pressões sobre a política monetária. É, portanto, temerária a afirmação do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, de que a situação fiscal tenderá à normalidade em 2014. Ele reiterou, na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, o que já constava da última Ata do Copom: 
"Olhando para o ano que vem, criam-se condições para que o impulso (fiscal) seja neutro".
Contrastam os esforços do Banco Central para reconquistar credibilidade, executando uma política moi netária ativa, e as declarações otimistas quanto à situação fiscal, sobre a qual o BC não tem ingerência.

Ainda mais preocupantes foram as declarações da autoridade de que a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) vem caindo ao longo do tempo, como noticiou a Agência Estado. As afirmações de Tombini estão sujeitas à contestação, pois se referem a uma parte apenas da dívida.

A Dívida Pública Federal mobiliária, por exemplo, é estável ou cadente; superior a R$ 2 trilhões, em dezembro de 2012, caiu em julho para R$ 1,957 trilhão, com queda nominal de 1,44% em relação a junho.

E a Dívida Líquida do Setor Público não financeiro - que inclui Tesouro Nacional, Previdência, governos estaduais e municipais, Banco Central e empresas estatais, menos a Petrobrás e a Eletrobrás - é da ordem de 35% do PIB. Razoáveis pelos padrões internacionais, os ativos estatais têm um retorno inferior ao custo da dívida em títulos. O custo de manter reservas de US$ 370 bilhões é estimado em 1% do PIB ao ano. E só o repasse de recursos do Tesouro para o BNDES tem um custo fiscal da ordem de 0,5% do PIB ao ano.


O segundo problema é que a dívida bruta do governo geral é muito mais elevada, da ordem de 60% do PIB. Entre 2006 e o primeiro trimestre de 2013, a dívida bruta cresceu, em média, 7% ao ano, enquanto a dívida líquida avançou 1% ao ano. Em parte, isso se explica pelos vultosos repasses do Tesouro aos bancos públicos (BNDES e Caixa Econômica Federal, principalmente), que já superam os R$ 800 bilhões, como afirmou o professor Celso Martone, da USP, em palestra na Ordem dos Economistas do Brasil.

O pessimismo de agentes econômicos com a economia do País, repudiado por Tombini, explica-se não só por preocupações com o presente - as demonstrações de incapacidade gerencial do governo federal -, mas com o futuro da política fiscal.

O Estado de S. Paulo 

ENQUANTO ISSO SEM MARQUETINGUE... ILUSIONISMO OU CAIXA DE PANDORA, ESCOLHA! JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" : Tesouro(CONTRIBUINTE) já banca corte na conta de luz

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O contribuinte começou em agosto a pagar as indenizações devidas pelo governo federal às empresas do setor elétrico que aderiram ao pacote da presidente Dilma Rousseff, que permitiu a redução da conta de luz.

Em mais um capítulo dessa história, o governo agora usou dinheiro obtido com a venda de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional para cobrir um buraco no fundo setorial responsável pelas indenizações. Esse fundo, a Reserva Global de Reversão (RGR), recebeu R$ 272 milhões em agosto oriundos de outro fundo setorial, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Desde junho, o Tesouro Nacional tem depositado na CDE recursos obtidos com a emissão de papéis.

Com o mecanismo criado pela Medida Provisória 615, o Tesouro vende títulos públicos ao mercado em nome da CDE. Ao todo, entre junho e agosto, essa operação rendeu R$ 3,95 bilhões aos cofres do fundo.

Somente em setembro, o Tesouro emitiu R$ 2 bilhões em nome da CDE, e fontes do governo avaliam que esse volume maior já contempla os repasses tanto para a CDE quanto deste fundo para a RGR. Segundo técnicos do governo, a triangulação deve continuar até o fim do ano, e os repasses da CDE à RGR devem variar em torno de R$ 500 milhões por mês, a partir deste mês.

O rombo na RGR foi criado pelo próprio governo. No primeiro semestre, o governo realizou a operação inversa da verificada em agosto: entre maio e junho foi a RGR que transferiu recursos para cobrir um buraco na CDE. Foram R$ 4,9 bilhões ao todo. A operação foi revelada pelo Estado em julho.

A CDE é usada para pagar os programas sociais, como o "Luz Para Todos", e o custo das usinas termoelétricas. A CDE ficou praticamente sem recursos e foi socorrida pela RGR em maio e junho, e, desde então, pelo Tesouro Nacional.

Já a RGR é usada para pagar as indenizações às empresas de geração que aceitaram um contrato novo em troca da renovação antecipada das concessões de usinas. Esses contratos previam a conta de luz mais baixa, e o governo passou a indenizar os grupos pelos investimentos realizados no passado e que ainda não tinham sido amortizados.

No início do ano, esse fundo dispunha de R$ 15,2 bilhões. Após R$ 11,3 bilhões em indenizações até agosto, a RGR ainda deve R$ 9 bilhões às empresas do setor, mas o fundo iniciou o mês de setembro com apenas R$ 13,8 milhões em caixa. Já a CDE abriu setembro com R$ 82,2 milhões em caixa, e tem uma despesa mensal superior a R$ 1 bilhão. 

O Tesouro e a Eletrobrás não responderam até o fechamento desta edição. 

João Villaverde, de O Estado de S. Paulo