"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 12, 2013

EM REPÚBLICA TORPE... O RESULTADO É OUTRO



O termo sugere um tratamento especial, VIP, para a casta de políticos e autoridades. É provável que, por isso mesmo, a revogação do chamado "foro privilegiado" tenha entrado em alguma das "agendas positivas" que o Congresso formulou às pressas, para atender à onda de manifestações de rua em que o combate à corrupção e, em sentido amplo, a privilégios na vida pública foi uma das bandeiras.
Infelizmente, como quase sempre, o senso comum erra ao considerar o foro privilegiado um instrumento a serviço da impunidade, um dos graves males do país. Pois é o oposto.
Inevitável lembrar, neste debate, que o primeiro movimento feito pela defesa de mensaleiros no julgamento do Supremo foi pedir a transferência para a primeira instância dos processos de seus clientes não enquadrados formalmente no foro privilegiado.
A intenção era evidente: 
apostar na prescrição dos crimes. 
Uma aposta com cem por cento de possibilidade de acerto, dada a conhecida e resistente característica de lentidão e burocracia do Judiciário - apesar da atuação do Conselho Nacional de Justiça contra o atravancamento da máquina dos tribunais, um mal a ser combatido não apenas com aperfeiçoamentos legais, mas também aprimoramentos administrativos.
A lerdeza da Justiça tanto é uma salvação para políticos e autoridades que já houve quem renunciasse no Congresso para escapar do STF e poder se beneficiar do longo, tortuoso e infindável trajeto entre a primeira instância e a última.
Por este motivo, a Lei da Ficha Limpa estabeleceu como parâmetro para a não concessão de registro a candidatos uma condenação por colegiado, na Justiça e na esfera administrativa. A lei acabou com a boia salva-vidas do "transitado em julgado", ou seja, da última sentença. A que demora tanto que poucas vezes é lavrada.

Também beneficiados pela lentidão com que os processos tramitam, donos de prontuários policiais e/ou volumosos e ricos registros no Judiciário costumavam buscar proteção nas imunidades concedidas aos parlamentares. E tinham sucesso - até a Ficha Limpa.

Acabar com o foro privilegiado é colocar à disposição de políticos e autoridades acusados de delitos este escudo poderoso da impunidade, por meio da prescrição forçada pela demora na tramitação dos processos. É certo que a Justiça precisa ser menos lenta, ganhar velocidade em suas decisões, sem, óbvio, precarizar direitos. Mas, mesmo num Judiciário eficiente, faz sentido o tratamento especial a representantes do poder público.
Não só por ser impossível protegê-los de vendetas políticas engendradas na Justiça e no Ministério Público, mas também porque a rapidez nos julgamentos - claro, garantido o direito pleno de defesa - de qualquer agente público, dos três poderes, é básica para impedir o corrosivo sentimento de impunidade, incentivo infalível à criminalidade continuada.
O Globo

Populismo improdutivo


O Brasil vem operando de acordo com um modelo de forte expansão do consumo, cujos contornos já expliquei neste espaço. No início, a taxa de crescimento potencial da economia brasileira atingiu a quase 4,5% ao ano, acompanhando a expressiva elevação dos investimentos. De 2009 para cá, contudo, o volume de investimentos, que subira de 14% para 18% do PIB, parou de aumentar. Consequentemente, o crescimento sustentável voltou a cair para uma faixa entre 2 e 3% ao ano.

Passada a crise do subprime , certo amortecimento da força do modelo de expansão do consumo era esperado, resultado de um freio natural na forte expansão do crédito ao consumidor, em resposta ao aumento das taxas de inadimplência. Outro ajuste viria da desaceleração do crescimento chinês, também previsível, que poria alguma trava no forte aumento dos preços externos de commodities e nos benefícios que isso agregava ao Brasil. Mas nunca se deveria esperar que, tudo o mais constante, a relação investimento/PIB parasse de subir no Brasil, acarretando queda do PIB sustentável, inclusive em comparação com os demais emergentes.

Temo, assim, que boa parte da explicação do pífio desempenho da economia de 2009 para cá esteja na excessiva interferência do governo, algo que se acentuou após a crise, e que poderia perfeitamente ser evitado. Crise que, aliás, foi usada como bode expiatório para justificar o forte incremento nos gastos da União e dos empréstimos do BNDES financiados com a emissão de títulos públicos. Passado o pior, o governo resiste em retirar os instrumentos de exceção.

Nesse contexto, uma ampla lista de ingerências governamentais, com nítido cunho populista, contribuiu para a redução das intenções de investimento. Tal comportamento pautou não apenas parte das empresas localizadas no País, como investidores em potencial, internos ou externos. Um deles foi o congelamento dos preços dos derivados de petróleo, que levou à forte expansão de seu uso, aumento das importações e queda no consumo de etanol, prejudicando a Petrobras e o setor alcooleiro.

Outro foi a redução das tarifas de energia elétrica na confusa operação em que as empresas em final de prazo de concessão foram estimuladas a aderir ao plano do governo, em troca de mais uma renovação. Outro item, ainda na área de controle de preços, foi o adiamento do reajuste das passagens de ônibus urbanos que o governo pediu às principais prefeituras no início do ano, tudo isso implicando a necessidade de uma inflação corretiva entre 2 e 3% ao ano, que, como na Argentina, não aparece nas estatísticas oficiais e aguarda diluição.

Finalmente, diante das manifestações de junho, o governo federal e o de São Paulo preparam-se para adiar o reajuste de pedágios previsto para estes dias, o que pode levar a um represamento ainda maior de inflação. As atuais concessionárias estão, obviamente, com as barbas de molho, esperando algo pior à frente e revendo planos de investimento.

Também bateu de frente com a avaliação de risco do País a criação de novos controles à entrada de capitais externos, que ocorreu no ano passado, com vistas a forçar uma depreciação do real acima da inflação, algo que acabou acontecendo, e aumentar a competitividade da indústria de transformação. Isso acabou antecipando, de certa forma, um movimento de desvalorização da moeda que acabaria acontecendo de forma natural este ano, diante do anunciado aperto que deverá ocorrer na política monetária americana, mas não parece ter sido capaz de despertar o espírito animal dos empreendedores na indústria.

A piora da percepção de risco - e o resultante desestímulo aos investimentos - veio também da sensação de que o governo havia abandonado a tríade superávit primário alto/meta de inflação/câmbio flutuante, herdada de FHC. A queda dos superávits resultou em parte do maior aumento dos gastos, mas principalmente da queda inicial de arrecadação, posteriormente acentuada pela desoneração tributária concedida a segmentos escolhidos arbitrariamente. Em vez de explicar que pelo menos parte disso poderia se justificar pela necessidade de responder à crise, o governo manteve a meta de superávit ambiciosa de antes, e introduziu vários artifícios contábeis para esconder a piora fiscal.

Quanto à inflação, parece que o centro do intervalo de metas aumentou informalmente para 5,5% ao ano, e só mais recentemente o Banco Central se mostrou efetivamente empenhado em demonstrar que perseguiria a antiga meta oficial. Nada se disse porém em relação ao "passivo" representado pelos reajustes tarifários não concedidos nas épocas previstas.

Não se pode esquecer a novela das concessões privadas de infraestrutura. O governo sabe que não tem recursos para investir em transportes, se empenhou no lançamento de um parrudo programa de concessões, mas insiste em impor retornos inaceitáveis e outras práticas afugentadoras dos candidatos sérios. 

Assim não dá.

Raul Velloso 

"a História é uma piranha", pois "sempre fica com quem paga mais". Olhem o balanço de pagamentos.

Lester Thurow, antigo professor do MIT, dizia que "as sociedades têm uma tendência a cometer erros fundamentais a intervalos de 60 anos, uma vez que todo mundo com idade bastante para se lembrar do engano anterior a essa altura já está morto ou senil".

Já nosso Ivan Lessa disse a mesma coisa, mas com outra métrica, quando escreveu que "de 15 em 15 anos, o Brasil se esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos".

Independentemente do intervalo de tempo em que as sociedades esquecem o passado, é natural que aqueles que vivenciamos as agruras dele observemos o presente com olhos diferentes daqueles que só conhecem o passado pelos livros de História. E, nesse sentido, para os mais velhos, a trajetória recente do nosso balanço de pagamentos é bastante preocupante.

É verdade que o funcionamento da economia em um regime de câmbio flutuante é muito diferente da forma em que uma economia opera com câmbio fixo ou rígido. Basicamente, com câmbio flutuante, na presença de uma desvalorização entram em jogo estabilizadores automáticos que não estão presentes quando a política cambial é rígida.

Primeiro, pela mudança da paridade cambial em si, que altera os preços relativos de exportações e importações e modifica com o passar do tempo o resultado da balança comercial. E, segundo, porque enquanto que numa economia com câmbio fixo ou semifixo, há um certo valor em US$ de diversos itens da despesa, com câmbio flutuante tal valor é uma função da própria cotação cambial.

Um exemplo simples ajuda a entender isso: 
se há R$ 30 bilhões a serem remetidos por conta de lucros e dividendos a uma cotação de R$ 2 por dólar, a remessa dessa rubrica será de US$ 15 bilhões, mas, se a cotação pular, só como hipótese de raciocínio, para R$ 3, o mesmo valor na moeda local, se medido em dólares, passa a ser de US$ 10 bilhões.

De qualquer forma, qualquer que seja a política cambial, desequilíbrios elevados na conta corrente de um país submetem este a um risco importante:
o de o financiamento externo "secar".
Nesse caso, o país terá que se ajustar, tão rapidamente quanto for a
intensidade do movimento da conta de capitais.

O que nos mostram os números?
Vejamos a trajetória do déficit em conta corrente do país.
Até 2007, tinhamos um pequeno superávit.
Em 2008, tivemos um déficit de US$ 28 bilhões, contido no ano seguinte para US$ 24 bilhões por conta da crise.


Depois, ele só fez aumentar, chegando a US$ 54 bilhões em 2012, com perspectiva de chegar perto de US$ 80 bilhões em 2013.

Esses números, que em épocas anteriores teriam ligado o sinal vermelho da política econômica, são vistos com tranqüilidade tanto pelos gabinetes oficiais como por analistas privados, com dois argumentos.

Um, de que haveria financiamento externo disponível.
E o segundo, de que em termos relativos seria da ordem de 3% do PIB - percentual considerado aceitável. O problema é que ambos argumentos têm sua dose de vulnerabilidade.


O financiamento externo existe até que deixa de existir - e, muitas vezes, isso ocorre subitamente. E o percentual do déficit é ele mesmo função da taxa de câmbio:
se a fonte externa de recursos secar e o câmbio se desvalorizar, o valor do PIB em US$ cai e 3% do PIB podem virar 4% do PIB em pouco tempo - entrando em terreno mais delicado.
Além disso, o déficit em dólares continua aumentando.

O país, que fez um ótimo ajuste externo na década passada, a ponto de ter eliminado a dívida externa líquida, parece ter se deixado seduzir pelo "canto de sereia" do financiamento externo. Tomás Eloy Martinez, autor de "La novela de Perón", coloca em boca deste a frase que ele teria dito ao afirmar que "a História é uma piranha", pois "sempre fica com quem paga mais". E quem paga mais é sempre o último, porque o relato que conta na História é sempre o derradeiro.

Desde 2004, a demanda doméstica avançou na frente da produção, "festa" essa financiada pelo resto do mundo. 
Se essa relação não for revertida, cedo ou tarde teremos uma crise.

O Governo precisa tomar cuidado: 
se o financiamento externo "secar", a história das gestões Lula-Dilma acabará sendo reescrita - e, se tanta gente foi para a rua mesmo com desemprego baixo, dá para imaginar o tamanho da confusão se tivermos uma crise para valer.

Fabio Giambiagi O Globo 

agosto 11, 2013

POBRE BRASIL REAL ASSENHOREADO PELOS CANALHAS ! O HOMEM QUE SE VENDE VALE MUITO MENOS O QUE PAGARAM POR ELE . Lewandowski, como presidente do TSE, interferiu em processo para ajudar o P(artido)T(orpe) e a presidente PREPOSTA/FARSANTE 1,99.


Em outubro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal monopolizava as atenções do país quando alinhavava as últimas sentenças aos responsáveis pelo escândalo do mensalão.

Naquele mesmo mês, só que em outra corte de Justiça e bem longe dos holofotes, um auditor prestava um surpreendente depoimento, que jogava luz sobre episódios ainda nebulosos que envolvem o maior caso de corrupção da história.

O depoente contou que, em 2010, às vésperas da eleição presidencial, foi destacado para analisar as contas do PT relativas a 2003 – o ano em que se acionou a superengrenagem de corrupção.


Foi nessa época que Delúbio Soares, Marcos Valério, José Genoino e o restante da quadrilha comandada pelo ex-ministro José Dirceu passaram a subornar com dinheiro público parlamentares e partidos aliados.

Havia farto material que demonstrava que a contabilidade do partido era similar à de uma organização criminosa.

Munido de documentos que atestavam as fraudes, o auditor elaborou seu parecer recomendando ao tribunal a rejeição das contas.
O parecer, porém, sumiu – e as contas do mensalão foram aprovadas.

Menos de dois meses depois, ocorreu um caso semelhante, tão estranho quanto o dos mensaleiros, mas dessa vez envolvendo as contas da última campanha presidencial do PT.

O mesmo auditor foi encarregado de analisar o processo.
Ao conferir as planilhas de gastos, descobriu diversas irregularidades, algumas formais, outras nem tanto.
Faltavam comprovantes para justificar despesas da campanha.


A recomendação do técnico:
rejeitar as contas eleitorais, o que, na prática, significava impedir a diplomação da presidente Dilma Rousseff, como determina a lei.
Ocorre que, de novo, o parecer nem sequer foi incluído no processo – e as contas de campanha foram aprovadas.

As duas histórias foram narradas em detalhes pelo auditor do Tribunal Superior Eleitoral, Rodrigo Aranha Lacombe, em depoimento ao qual VEJA teve acesso. Ambas cristalizam a suspeita de que a Justiça Eleitoral manipula pareceres técnicos para atender a interesses políticos – o que já seria um escândalo.

Mas há uma acusação ainda mais grave.
A manipulação que permitiu a aprovação das contas do mensalão e da campanha de Dilma Rousseff teria sido conduzida pessoalmente pelo então presidente do TSE, o ministro Ricardo Lewandowski.

VEJA teve acesso a outros documentos ainda mais contundentes, incluindo mensagens eletrônicas despachadas pelo próprio Lewandowski, que revelam o empenho dele na aprovação das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff.

Faltavam dez dias para a cerimônia de diplomação da presidente eleita. Nas mensagens trocadas com assessores. o ministro, que nada tinha a ver com o processo, cujo relator era o juiz Hamilton Carvalhido. demonstra irritação com o teor do parecer que pedia a rejeição das contas — um “problemão”, nas palavras dele.

“Não estamos lidando com as contas de um “boteco” de esquina. mas de um comitê financeiro de uma presidente eleita com mais de 50 milhões de votos. Se fosse assim, contrataríamos um técnico de contabilidade de bairro”, escreveu o ministro a Patrícia Landi, sua funcionária de confiança e então diretora-geral do TSE.

Em outra mensagem, em resposta a uma minuta que acabara de receber apontando justamente as irregularidades nos documentos apresentados pelo PT, o ministro estrila: 
“Não entendi!
Qual a diferença entre faturas e notas fiscais para o efeito de prestação de contas? É uma irregularidade insanável?
As despesas no têm origem?
Foram fraudadas?”.

Ele segue indagando:
“Quais as consequências práticas dessa desaprovação?
Não seria possível a aprovação com ressalvas ou essa era a única alternativa?
De quem foi a decisão?
Qual a repercussão desse parecer sobre a diplomação dos candidatos eleitos?”.
“Quero receber explicações detalhadas por ocasião do meu retorno na quarta-feira”, arremata o ministro, em tom imperial.
Diligente, Ricardo Lewandowski estava em viagem ao exterior.

“Assim que voltou a Brasília, ele reuniu os chefes do setor e ordenou as alterações nos pareceres”, disse a VEJA um graduado funcionário da área técnica.
Trecho do depoimento do auditor: pareceres apontando irregularidades foram ignorados
Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal retoma a parte final do julgamento dos mensaleiros. Analisará os últimos recursos dos 25 réus condenados a cadeia. Provavelmente serão reeditados os acalorados debates entre o relator do processo, o ministro Joaquim Barbosa, e o revisor Ricardo Lewandowski que sempre defendeu a absolvição dos principais acusados.
Um e-mail de Lewandowski:
interferência indevida em tom pra lá de imperia

Por Rodrigo Rangel, na VEJA desta semana:
Via Original/Íntegra :
Reinaldo Azevedo

agosto 09, 2013

SEM SURPRESA ! Crescimento econômico do Brasil: fomos enganados


Hoje li a nova carta do IBRE (Não será mais possível crescer sem melhorar a produtividade – clique aqui) e terminei muito assustado. O IBRE-FGV nos últimos anos, nas suas carta, sempre destacava que, apesar dos nossos tradicionais problemas, parte deles era passível de solução no curto-prazo.

Por exemplo, se fala muito, eu inclusive, que a baixa poupança seria um problema ao crescimento do Brasil. Meus amigos do IBRE sempre me alertavam para duas coisas: 
(i) o problema era muito mais a baixa taxa de investimento; 
e (ii) o resto do mundo poderia nos financiar – poderíamos nos aproximar um pouco do modelo australiano.

Há pouco mais de dois anos nós economistas achávamos que crescer 4% ao ano ao longo dos próximos dez anos com taxa de investimento de 22% do PIB e déficit em conta corrente na casa de 3-4% do PIB era um cenário possível. Há dois anos atrás esse era o cenário do Banco Itaú e, quem esteve na ANPEC, em dezembro de 2011, escutou muito economista bom falar desse cenário.
Em dezembro de 2011, escrevi aqui neste blog que fiquei para lá de espantado com otimismo que vi de alguns dos meus colegas mais liberais na ANPEC 2011 e até fiz um post com o título “parabéns aos heterodoxos” que se mostravam muito mais preocupados e pessimistas (clique aqui).

Bom, tudo isso mudou para PIOR. A nova carta do IBRE mostra que o crescimento potencial do Brasil despencou. Se olharmos apenas para o efeito demográfico, ele nos garantiu um crescimento mínimo (sem ganhos de produtividade) de 2% ao ano de 1992-2012. De 2002 a 2012 crescemos mais rápido (3,5% ao ano) porque, além do efeito demográfico, tivemos crescimento da produtividade.

Esse mundo que ainda era róseo para nós economistas na ANPEC de 2011 (já não era tão róseo para mim) mudou completamente e a carta do IBRE parece nos deixar em um beco sem saída para os próximos anos.

Do lado demográfico, acabou o bônus demográfico (forca de trabalho cresce a uma taxa acima do crescimento da população) e, assim, a nossa possibilidade de crescer sem produtividade foi reduzida de 2% de 1992-2012 para 1% aa entre 2012 e 2022. Para agravar essa situação, a carta do IBRE fala em “limite para a taxa de investimento subir acima de 20% ao ano dada a nossa baixa taxa de poupança”.

Assim, a nossa única tábua de salvação seria o crescimento da Produtividade Total dos Fatores (PTF). Mas para a PTF crescer é preciso uma série de reformas (simplificação tributária, racionalização do processo produtivo, absorção de tecnologia, etc.) e melhoria na qualidade do capital humano (melhoria educação) cujos efeitos não são imediatos.

Assim, o cenário que sai da carta do IBRE (a mais pessimista que já li desde 2004) é que teremos a década de 2012-2022 de baixo crescimento – chuto que nesse cenário 2% ao ano já seria um “grande sucesso”- sem muita coisa que um próximo governo possa fazer a não ser reformas (cujo impacto não é imediato) para “setting the stage” para um crescimento mais vigoroso para o final da década em diante.

Não será uma década literalmente perdida como foi a década de 1980, mas será um década de crescimento medíocre com o PIB per capita crescendo perto de 1% ao ano. O que vou apostar aqui é que meus amigos do IBRE estão excessivamente pessimistas e olhando meio de lado para o cenário externo. Quem sabe se a China crescer um pouco mais e a Índia fizer lá as reformas que não conseguimos fazer aqui cresceremos um pouquinho mais?


O que pode nos deixar um pouco mais otimista é que economistas (eu inclusive) erramos muito – por isso que a grande maioria de nós não é rico. Repito, o fim do bônus demográfico não é um fator novo, mas há dois anos a grande maioria dos economistas apostavam em crescimento de 3,5% a 4% ao ano até 2020 – maldita ANPEC, 2011!
Em resumo, muitos economista parecem agora convergir para “tempestade perfeita” que vai trazer o crescimento do Brasil para os próximos dez anos para baixo e só nos resta atuar sobre os fatores que afetam a PTF – que não traz impacto imediato. Eu confesso que ainda não estou tão pessimista, mas vou passar um final de semana preocupado com o que li na carta do IBRE e hoje vou tomar um bom whisky.
 
Do blog :

A NADA E COISA NENHUMA PREPOSTA 1,99 DA REPÚBLICA DOS FARSANTES E... Uma gestão que não existiu

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Dilma Rousseff disse ontem que, a partir de agora, seu negócio é fazer política. Segundo a presidente, ela já teria se concentrado demais em "cuidar da gestão” do país. 
Só pode ser piada. 
Se está mesmo falando sério e considera que fez tudo o que era necessário fazer para garantir um bom governo, estamos fritos.

A presidente dedicou os últimos dias a gestos de aproximação e a manifestações de apreço e humildade em relação a congressistas. 
Puro instinto de sobrevivência. 
Os relatos de presentes dão conta de que Dilma mais ouviu do que falou. Mas, pelo que se soube que ela disse, a petista continuou a manifestar alheamento da realidade, baixíssima capacidade de compreensão e menor ainda de ação.

Se Dilma se dá por satisfeita com as iniciativas que tomou e com os resultados que produziu nestes 31 meses de gestão, uma conclusão se impõe: ela não tem mínimas condições de continuar sendo a presidente do Brasil. O país não merece um governante tão medíocre.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEVv1lGVNhs90M0TTsGg6HqaIMCbcxO-GySts68CwUazU_5dkBK5KhRvBJ54CyvmPh47st-6SAcPtxGEylPKzu0TdIc_jnIC1EuXByaEFCer7TrJZHE-07KERVqhW0u9znzRVINjcE_PM/s200/45.JPG
O mix produzido pela gestão Dilma é indigesto: 
um país que cresce pouco; que tem uma inflação que só não é mais alta porque muitas tarifas estão praticamente congeladas; em que boa parte das promessas oficiais nunca saem do papel; e onde as decisões de governo são tomadas ao sabor do marketing e não costumam durar mais do que o tempo de leitura de um jornal.

Na pajelança com senadores do PT ontem, a presidente afirmou que o PIB brasileiro vai crescer neste ano "duas ou três vezes mais” que em 2012. Crescer mais do que o quase nada do ano passado (0,9%) é fácil. O difícil é crescer, pelo menos, no mesmo ritmo de países como o nosso. Isso Dilma não consegue.

Nos seus dois primeiros anos de governo, a média de crescimento do PIB brasileiro foi de apenas 1,8%, enquanto a América Latina cresceu quase três vezes mais no período:
 4,6%. 
Neste ano, vamos ganhar apenas da Venezuela e de El Salvador no continente. Pelo que afirmou ontem, isso é o máximo aonde Dilma é capaz de nos levar.

A presidente também afirmou, passados dois anos e meio do governo dela e dez anos e meio de gestão petista, que agora "é hora de executar programas lançados”. Se só agora a administração vai cuidar do que interessa, ou seja, produzir resultados para a população, o que, diabos, foi feito até hoje? Apenas o mesmo que Dilma diz que fará doravante: política.

O rol de promessas não cumpridas pelos petistas é imenso: melhorias na saúde e na educação que não acontecem, empreendimentos de infraestrutura inexistentes, desperdícios de recursos públicos em inabalável ascensão. Tornamo-nos um país em que as obras nunca terminam, em que tudo está em construção e já é ruína.

Se a "gestão” a que Dilma fala que se dedicou fosse para valer, estaríamos assistindo neste momento, por exemplo, a uma arrancada sem precedentes em empreendimentos de logística e infraestrutura tocados pela iniciativa privada.

Mas o programa de privatizações de rodovias e ferrovias, lançado há um ano, não produziu um único leilão até hoje. 
"O propósito [era] chegar em junho com todas as licitações já realizadas. [Mas] Da modelagem inicial praticamente nada vingou”, escreve Claudia Safatle na edição de hoje do Valor Econômico.

Quando 2013 começou, a presidente e seus auxiliares diziam que este finalmente seria o ano dos investimentos no país. 
Mas o que aconteceu? 
Até junho, os dispêndios desta natureza simplesmente caíram em relação ao primeiro semestre do ano passado: 
já descontada a inflação, a queda foi de 5%, para R$ 33,5 bilhões, também segundo o Valor.

As respostas que o governo da presidente produziu aos protestos de junho também foram todas parar no lixo da história, com a vida efêmera que propostas embebidas no éter da propaganda oficial tendem a ter.

Se Dilma Rousseff considera que fez tudo o que poderia fazer pelo Brasil, é lícito concluir que sua gestão não existiu. 
Nenhuma novidade nisso. 
Afinal, há apenas alguns dias a presidente afirmou, com todas as letras, que Lula "nunca saiu” do cargo que ocupou por oito anos. 
E ela nunca entrou.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

SOB "CONTROLE" IV ! Preços livres sobem 7,9% até julho, mas controle sobre as tarifas segura inflação

http://4.bp.blogspot.com/-qy-223cjXqg/UcQydiAtDRI/AAAAAAABIvU/gcNgFQOVICM/s1600/Dilma+mordendo+o+dedo.jpg

Os preços administrados, como tarifas de energia elétrica e transporte, subiram apenas 1,3% nos doze meses encerrados em julho. No mesmo período, os preços livres, definidos pelo mercado e que representam 75% da composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aumentaram bem mais, 7,9%.

 Essa diferença, de acordo com cálculos do Goldman Sachs, alcançou 6,6 pontos em julho, o maior nível desde 2012, pelo menos. Em dezembro do ano passado, essa distância era bem menor, de 2,9 pontos. 

Para economistas, ao segurar o reajuste de tarifas de transporte público, controlar os preços de combustíveis e subsidiar a queda da conta de luz, os governos federal, estaduais e municipais estão, de certa forma, "congelando" preços, mas em algum momento esses itens precisarão voltar a subir. Por isso, apesar da desaceleração do IPCA acumulado em 12 meses de 6,70% para 6,27% entre junho e julho, os especialistas avaliam que a pressão da demanda, evidenciada pela alta dos preços de bens e serviços, continua elevada e exigirá resposta contínua do Banco Central.

Para Alberto Ramos, diretor do grupo de pesquisas econômicas para América Latina do Goldman Sachs, os preços administrados, que correspondem a 25% do IPCA, estão em nível bastante baixo por causa de choques de oferta positivos. Já os preços livres mostram inflação "alta e generalizada", com pressão forte de serviços. 

Monica Baumgarten de Bolle, sócia-diretora da Galanto Consultoria, calcula que, caso os preços administrados estivessem subindo de acordo com a tendência observada entre 2004 e 2012, o avanço do IPCA no acumulado em 12 meses estaria em 7,2%, e não nos atuais 6,2%. "A contabilidade criativa não é só no campo fiscal. Dizer que a inflação está sob controle é empulhação". A economista critica o que chama de "congelamento" de parte do IPCA por meio de medidas com custo-benefício duvidoso, como é o caso da emissão de dívida por parte do governo para subsidiar a redução da conta de luz.

Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, afirma que embora os preços regulados tenham ajudado neste ano, será difícil conseguir mantê-los no atual nível, já que parte dos efeitos positivos foram decorrentes de medidas pontuais. Por isso, o economista, que projeta IPCA de 5,7% neste ano, estima que a inflação vai acelerar em 2014 para 6,2%. 

O que vai acontecer, em sua avaliação, é uma mudança de composição do índice, com inflação de serviços menor por causa da expectativa de alta do desemprego, enquanto preços administrados, desvalorização do câmbio e política fiscal e creditícia expansionista continuarão a manter o índice perto do teto da meta.

Alberto Ramos, do Goldman Sachs, avalia que em algum momento o hiato entre os preços regulados e livres terá que diminuir, mas afirma que as autoridades têm os instrumentos necessários (políticas fiscal e monetária mais austeras), para lidar com essa correção e também com a desvalorização do câmbio e, assim, garantir que os ganhos de competitividade em termos nominais também ocorram em termos reais.

Monica acredita que até é possível prosseguir com a política de contenção de preços administrados ao longo do ano que vem, mas isso tornará "mais doloroso o ajuste necessário em 2015".

 Valor Econômico

SOB "CONTROLE III ! PETEBRAS : Alta do dólar pressiona combustíveis

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A disparada do dólar frente o real fará um estrago cada vez maior no caixa da Petrobras. Apesar de a moeda norte-americana já estar rodando na casa de R$ 2,30, com possibilidade de caminhar até os R$ 2,40 nos próximos meses, o governo decidiu segurar, o quanto puder, o reajuste dos preços dos combustíveis para não pressionar a inflação.

Com o consumo interno de gasolina em alta e sem capacidade de ampliar a produção na velocidade necessária, a estatal vem importando, mês a mês, volumes recordes de combustíveis por valores muito superiores aos que vende no Brasil. Segundo projeções do mercado, a Petrobras estaria arcando com prejuízo de R$ 0,89 por litro de gasolina vendido nos postos.

Se os preços fossem ajustados de acordo com o mercado internacional, o consumidor pagaria, hoje, R$ 3,88 por litro ante os atuais R$ 2,99. Encher um tanque de um carro popular subiria de R$ 120 para R$155,20.

Diante da promessa da presidente Dilma Rousseff de manter a inflação até o limite máximo de 6,5% neste ano, pois teme perder ainda mais popularidade, já que a disparada de preços mina a confiança de empresários e consumidores, a Petrobras terá de operar milagres para tocar o seu ambicioso programa de investimentos até 2016, de US$ 236,5 bilhões.

"A inflação vem caindo há três meses, chegando a 0,03% em julho. Mas ainda estamos longe de respirar aliviados. Em 12 meses, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumula alta de 6,27%. É muito. Então, não podemos mexer nos combustíveis agora, porque o impacto na inflação é grande", disse um especialista do Ministério da Fazenda.

Pelas contas de integrantes da equipe econômica, se o governo zerasse toda a defasagem dos preços dos combustíveis, o IPCA fecharia 2013 entre 6,6% e 6,8% — acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — e não abaixo dos 5,84% de 2012, conforme promessa do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

"Quando a gasolina e o diesel ficam mais caros, o frete de alimentos sobe, assim como outros itens que sofrem influência do derivado do petróleo. Os aumentos são sempre repassados ao consumidor", ressaltou o mesmo especialista da Fazenda, lembrando que, nem com a Cide, o imposto sobre combustíveis, o governo pode contar mais, já que foi zerado para compensar reajustes anteriores.

Desastre
Nos cálculos de André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, se a Petrobras corrigisse a gasolina e a equiparasse aos preços internacionais, "seria um desastre para o IPCA". "Supondo que mais nada subisse em agosto e o combustível fosse reajustado em 30%, a inflação do mês seria de 1,23%", ponderou.

"Por isso não há a menor chance de o governo corrigir isso agora. A Petrobras vai continuar no prejuízo", sentenciou.

Na semana passada, em reunião de analistas com o secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland, da qual Perfeito participou, uma das cobranças feitas ao governo foi a correção dos valores dos combustíveis.

Mansueto Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), explicou que a gasolina vendida no Brasil está 30% mais barata que no exterior. No caso do diesel, a defasagem chega a 28%. Ele destacou que a Petrobras está perdendo duas vezes. Além de vender a produção por um valor inferior ao que poderia ser obtido no mercado externo, tem prejuízo na importação de gasolina.

"Tudo isso pode atrapalhar os investimentos no pré-sal. A Petrobras está obrigada a arcar com 30% deles", disse Almeida. "Isso significa que a Petrobras bancará essa bondade (preço de gasolina mais baixo) com prejuízo na distribuição", emendou.

De janeiro a julho deste ano, a importação de petróleo e derivados chegou US$ 21,3 bilhões — valor já descontado os US$ 4,5 bilhões de compras feitas em 2012 e registradas apenas neste ano.

Um técnico da petroleira afirmou que o dólar tem deixado a companhia em estado de alerta. A empresa, de acordo com ele, trabalhava com um dólar máximo de R$ 2,25 para o ano.

"O problema é que a moeda já bateu em R$ 2,30 e estourou esse nosso limite", disse. Não à toa, o mercado espera que a Petrobras divulgue hoje lucro líquido entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões no segundo trimestre, inferior aos ganhos de R$ 7,7 bilhões entre janeiro e março.

Poderia ser pior.
Se não tivesse mudado as regras para o seu balanço, diluindo o impacto do dólar ao longo de sete anos, a estatal teria prejuízos de abril a junho, como ocorreu em igual período de 2012.

Ontem, o BC interveio no mercado de câmbio para segurar o dólar, vendendo US$ 630,9 milhões. Ajudada pelas boas notícias vindas da China, a autoridade monetária conseguiu garantir queda de 1,17%, com a moeda norte-americana cotada a R$ 2,286 para venda.

"A tendência, no entanto, continua sendo de alta do dólar, esse movimento de recuo é pontual", constatou Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora.


Correio Braziliense

SOB "CONTROLE" II ! Alta do dólar já eleva preços de computadores e celulares

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A subida do dólar para um patamar em torno de R$ 2,30 está forçando setores com insumos atrelados à moeda americana a elevar preços. É o caso dos moinhos de trigo, que produzem a farinha usada em massas e pães, e da indústria de eletroeletrônicos. Dependente de componentes importados, os fabricantes de celulares e computadores já reajustam os preços de seus equipamentos. No mês passado, quando o dólar acumulou alta de 10%, as empresas repassaram ao varejo reajustes de até 3%.

— Se continuar a desvalorização do real, é natural que outros reajustes sejam necessários nos próximos meses — disse Humberto Barbato, presidente da Abinee, a associação da indústria de eletroeletrônicos.

Os reajustes só não foram maiores, observou Barbato, porque as empresas mantêm estoques por mais de 60 dias. Além do ritmo fraco do consumo, as empresas enfrentam forte competição, o que as obriga a absorver parte dos aumentos de custos decorrentes do câmbio.

O mesmo acontece com o setor de trigo, que importa a maior parte do grão usado na produção de farinha no país. Para os moinhos, o fantasma da alta de custos é ainda maior. Além do câmbio, essas empresas carregam uma alta de 30% nos preços da commodity desde o início do ano — decorrente entre outros fatores de quebra de safras em países como Argentina e Rússia.

A Argentina, maior exportadora de trigo para o Brasil, suspendeu sumariamente — por decreto do governo Cristina Kirchner —as exportações de todo o trigo produzido no país até dezembro.

Apesar disso, os repasses dos moinhos para os preços da farinha de trigo têm variado entre 3% e 4% ao mês desde junho, segundo Christian Saigh, presidente do Sindicato da Indústria de Trigo de São Paulo (Sindustrigo).


— A pressão de custos é muito forte e, apesar do esforço para reduzir esse impacto, o viés é de repasse dessa alta — afirmou Saigh.


"O mínimo necessário"
Segundo o executivo, que também é diretor da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), os reajustes que vêm sendo feitos são o "mínimo necessário" o que não impede que alguns moinhos operem no vermelho.
— Este é um momento ingrato, porque há também uma queda no consumo de trigo no país — disse Saigh, referindo-se à retração na demanda de farinha no país ao longo do primeiro semestre do ano.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) confirma essa retração de demanda. O índice de Volume de Vendas da Abras, que avalia o consumo de 130 categorias de produtos vendidas nos supermercados de todo o país apresentou queda de 1,6% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2012.
— O que se tem que avaliar é que o mercado não está mais tão aquecido, e muitos varejistas já falam em absorver custos para não subir os preços ao consumidor — diz Flávio Tayra, gerente do Departamento de Economia e Pesquisas da Abras.
Ronado D"Ercole Lino Rodrigues O Globo

SOB "CONTROLE" ! IPC-S inicia agosto em alta nas sete capitais pesquisadas pela FGV


O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) apresentou avanço nas sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) entre a última semana de julho e a primeira de agosto. Mesmo com o avanço, quatro cidades registraram deflação (queda de preços) no início de agosto.

O Rio de Janeiro, por exemplo, registrou o maior avanço da taxa entre as duas semanas (0,23 ponto percentual), mas a inflação continuou em queda. A deflação da capital fluminense passou de 0,28% para 0,05%. São Paulo registrou o segundo maior aumento de taxa (0,19 ponto percentual) e a deflação passou de 0,27% para 0,08%.

As demais cidades que registraram deflação são Belo Horizonte, com avanço de 0,16 ponto percentual (de -0,35% para -0,19%) e Salvador, com avanço de 0,05 ponto percentual (de -0,25% para -0,2%).

Porto Alegre, que havia fechado julho com deflação de 0,01%, começou agosto com inflação de 0,16%. 
Brasília e Recife, que haviam registrado inflação na última semana de julho, aumentaram as taxas em agosto. 
A taxa em Recife subiu de 0,06% para 0,13% (0,07 ponto percentual). Já o índice da capital federal subiu 0,01 ponto percentual, ao passar de 0,16% para 0,17%.

A média nacional do IPC-S, divulgada ontem (8), mostrou que deflação caiu de 0,11% na última semana de julho para 0,02% em agosto.


Vitor Abdala
Edição: Denise Griesinger
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